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Evitar álcool por quê? Efeitos negativos e positivos.

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  • Moderador
Em 18 de agosto de 2016 at 10:32, BodybuilderMonster disse:

Não vejo problema em tomar uma cervejinha gelada ou um vinho, eu tomo 3 garrafas de cerveja no final de semana ou 3 taças de vinho :biggrin: , não sou um neurótico , temos que ter nosso momento de relaxamento!

Na fase de bulking um copinho de bebida alcoólica pode caber na dieta, principalmente o vinho, por conter revesterol e ser vasodilatador. Antes de subir ao palco, alguns fisiculturistas bebem uma taça de vinho.

O grande problema são os porres de final de semana, o que muitos fazem e depois reclamam que não conseguem resultados satisfatórios nos treinos. O segredo continua a ser o equilíbrio, o bom senso.

 

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  • Álcool não traz benefícios só estraga a ação dos ergogênicos e a dieta.

  • BodybuilderMonster
    BodybuilderMonster

    Verdade , o exagero é um grande fator do catabolismo  :/

  • Legal o topic, parabens pela iniciativa. Ja vi muita gente grande que bebe, mas no tempo que nos finais de semana enxia a cara.. sem comentarios, depois que parei o resultado foi incotestavel.

  • 9 anos depois...

Tópico útil e a intenção do @Brocke era boa. Hoje existe material melhor para responder a pergunta do título, e existe também uma coisa dita aqui em duas mil e dezesseis que precisa ser corrigida. Aproveito para responder o @Getting, que perguntou se precisa passar o ano inteiro sem beber e nunca teve resposta objetiva.

Começo pelo que é medido, porque muda a conversa de opinião para número.

Um estudo que mediu diretamente a síntese de proteína muscular depois do treino comparou três situações em homens treinados. Proteína sozinha, proteína com álcool e carboidrato com álcool. Com álcool junto da proteína, a síntese de proteína miofibrilar caiu cerca de vinte e quatro por cento. Com álcool e carboidrato, caiu cerca de trinta e sete por cento. Ou seja, a proteína atenua, mas não anula o efeito, e beber logo depois de treinar é o pior momento possível.

Vale notar a dose usada nesse estudo, porque é ela que dá a proporção do problema. Foi cerca de um vírgula cinco grama de álcool por quilo de peso, o que equivale a algo em torno de doze doses padrão para um homem de oitenta quilos. É porre, não é uma cerveja.

Isso responde a dúvida do Getting de forma direta. O efeito é dose dependente. Uma cerveja no fim de semana não é o que trava o resultado de ninguém. O que trava é o porre, e o motivo tem três camadas.

A primeira é a síntese de proteína, como acima. A segunda é o sono, e essa é a mais subestimada. Álcool encurta o tempo até adormecer e por isso dá impressão de ajudar, mas fragmenta a segunda metade da noite e reduz a fase REM. Sono ruim derruba recuperação, desempenho no treino seguinte e controle de apetite. Quem bebe no sábado costuma treinar mal na segunda, e atribui isso à ressaca quando na verdade é a noite perdida. A terceira é o que vem junto do álcool, ou seja, as calorias líquidas e a comida que se come bêbado, que em geral pesam mais na conta da semana do que o álcool em si.

Sobre a lista do primeiro post, quase tudo está certo em uso pesado e crônico, mas vale separar o que vale para o bebedor social.

A má absorção de vitaminas do complexo B e a deficiência nutricional descritas ali são quadros de consumo crônico e pesado, do tipo que produz doença hepática. Não acontecem com quem bebe socialmente.

A queda de testosterona também é dose dependente. Consumo agudo e alto derruba testosterona de forma mensurável, e o consumo crônico e pesado derruba de forma sustentada. Doses moderadas e esporádicas têm efeito pequeno e transitório.

A desidratação existe, porque o álcool inibe o hormônio antidiurético, mas ela é facilmente compensada com água e não é o principal mecanismo de prejuízo.

Agora a correção necessária, sobre o vinho.

Foi dito aqui que um cálice de vinho pode caber na dieta principalmente por conter resveratrol e por ser vasodilatador. Isso não se sustenta mais. A quantidade de resveratrol em uma taça de vinho é ínfima, muito abaixo de qualquer dose usada em estudo, e nenhum benefício clínico foi demonstrado com o vinho por causa dela.

E o ponto maior. Aquela curva clássica que sugeria que quem bebe pouco viveria mais que quem não bebe não resistiu a métodos melhores. Estudos de randomização mendeliana, que usam variação genética para contornar o viés de quem escolhe beber ou não, não encontraram efeito cardioprotetor do álcool, e encontraram aumento de pressão arterial e de risco em vez de proteção. A leitura mais provável hoje é que o suposto benefício era artefato do desenho dos estudos antigos, porque o grupo dos que não bebem inclui muita gente que parou justamente por já estar doente. A Organização Mundial da Saúde publicou em dois mil e vinte e três posição de que não existe nível de consumo de álcool seguro do ponto de vista de saúde, já que ele é carcinógeno reconhecido.

Isso não significa que ninguém pode beber. Significa que o argumento de saúde não serve como justificativa. Quem bebe uma taça de vinho está fazendo uma escolha de prazer, e isso é legítimo. Só não é um item de protocolo.

Sobre o exemplo dos fisiculturistas antigos que bebiam, que o @Brau diesel trouxe, ele é honesto e merece resposta honesta. Casos individuais não medem efeito, e é impossível separar o que aconteceu apesar da cerveja do que aconteceu por causa do resto. Além disso, o contexto daquela geração incluía farmacologia pesada, o que muda completamente a margem que o corpo tem para tolerar erros. Serve como anedota simpática, não como referência.

Então, na prática, o que sobra de recomendação.

Se for beber, evite o dia de treino pesado e principalmente as horas seguintes ao treino, que é a janela em que o efeito sobre a síntese proteica foi medido. Prefira concentrar em uma ocasião esporádica em vez de espalhar pela semana, e mantenha o volume baixo, porque a diferença entre uma ou duas doses e um porre é enorme em todos os desfechos discutidos aqui. Beba água junto, coma antes, e proteja o sono, porque é ali que está a maior perda. E vale conferir se você está usando qualquer coisa hepatotóxica no período, incluindo androgênio oral dezessete alfa alquilado, porque nesse caso a soma com álcool deixa de ser questão de hipertrofia e passa a ser questão de fígado.

E, respondendo diretamente ao Getting, não é necessário passar o ano inteiro sem beber. É necessário que a bebida seja exceção e não rotina, e que ela não caia justamente no dia em que você está tentando construir tecido.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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