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Oficial: Oxyelite proibido no Brasil

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  • 7 anos depois...
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  • 6 anos depois...

Esse tópico é de 2012 e a discussão ficou em aberto num ponto muito específico: se a proibição fazia sentido ou se a ANVISA tinha ido no embalo da FDA sem motivo real.

A história continuou depois daqui, e ela responde a pergunta de um jeito que ninguém no tópico poderia prever.

Primeiro, o ponto legal que o @pedrolopes665 e o @Markus B discutiram. O pedrolopes estava certo. A regra geral permite que pessoa física importe suplemento não regularizado para consumo próprio, mas essa permissão deixa de valer quando o produto contém substância proscrita. Como o DMAA entrou na lista de proscritas, ele ficou fora dessa exceção. Não havia importação para consumo próprio possível.

Agora a parte que importa de verdade.

O que aconteceu depois foi que o fabricante reformulou o OxyElite Pro, tirou o DMAA e colocou outro ingrediente no lugar, chamado aegelina, extraída de uma planta indiana. Produto novo, sem a substância proibida, tudo aparentemente resolvido.

Em setembro de 2013, pouco mais de um ano depois desse tópico, o departamento de saúde do Havaí foi notificado de um agrupamento de casos de hepatite aguda e falência hepática fulminante em pessoas que usavam OxyElite Pro.

Os números finais da investigação do CDC: 97 pessoas com hepatite aguda não viral identificadas, 72 delas com exposição relatada a algum produto da linha OxyElite Pro. Pelo menos 47 hospitalizadas, pelo menos 3 precisaram de transplante de fígado e houve uma morte.

O produto foi recolhido do mercado, e a incidência de casos caiu de forma marcada depois de 2014.

Tem uma ironia pesada aqui. O ingrediente que causou isso não foi o DMAA. Foi o substituto, que entrou justamente porque o DMAA tinha sido banido. A aegelina nunca tinha feito parte da alimentação humana no ocidente, entrou no produto sem qualquer avaliação de segurança, e foi esse o fundamento da adulteração reconhecida depois.

Isso muda o eixo da discussão que vocês tiveram. O argumento predominante no tópico era comparar com cigarro e sibutramina e concluir que era hipocrisia proibir algo inofensivo. Mas o problema nunca foi uma molécula específica ser perigosa ou não. O problema é que o modelo de suplemento estimulante permite trocar um ingrediente ativo por outro sem que ninguém tenha testado o substituto em ninguém. A proibição do DMAA não tornou o produto seguro. Tornou o produto diferente, e a versão diferente matou.

Sobre o DMAA em si, ele não era inocente também. Era vendido como extrato de gerânio, mas as análises não encontraram a substância na planta em quantidade que justificasse aquilo, ou seja, era sintético com rótulo botânico. E o que motivou a retirada nos Estados Unidos foram relatos de eventos cardiovasculares graves, incluindo casos em militares durante treinamento físico, que levaram o Departamento de Defesa a tirar o produto das lojas das bases antes mesmo da FDA agir.

E o ponto que mais vale para quem está lendo isso hoje, quatorze anos depois: esse mesmo padrão continua rodando. Hoje aparecem em pré treinos substâncias como o DMHA, também chamado octodrina, que ocupam exatamente o mesmo lugar que o DMAA ocupava em 2012. Estimulante potente, apresentado com nome de planta, sem histórico de uso alimentar, e que chega ao consumidor antes de qualquer avaliação.

Quando um estimulante novo aparece com nome exótico e efeito muito acima do que cafeína entrega, a pergunta útil não é se ele é proibido. É se alguém já estudou o que ele faz em gente. Na maioria das vezes a resposta é não, e quem descobre primeiro é quem tomou.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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