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Relato 1° Ciclo - Propionato + Trembolona

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@x6NurbWiLL, relato bem feito, com registro sistemático e exames pedidos antes, o que é raro por aqui. Justamente por isso vale apontar três coisas que passaram, sendo que duas delas você descreveu e ninguém tratou como sintoma.

Começo pela premissa do seu ciclo, porque ela organiza o resto.

Você escolheu propionato e acetato pela meia vida curta, com o raciocínio de que, se der problema, você suspende e a substância sai rápido do organismo. A parte farmacocinética está correta. O problema é a conclusão que se tira dela.

Meia vida curta encurta a permanência da substância, e não a permanência do efeito. Tecido mamário que se forma na ginecomastia não regride quando a droga sai. Supressão do eixo hormonal não se desfaz porque a molécula foi eliminada. Alteração de perfil lipídico, aumento de hematócrito e elevação de pressão arterial seguem o seu próprio tempo. E, no caso da trembolona especificamente, os efeitos que mais preocupam não são os que dão para desligar no dia seguinte.

Ou seja, a meia vida curta te dá controle sobre a exposição, e é uma vantagem real, mas ela não é uma rede de segurança. É importante você não decidir a dose contando com uma reversibilidade que não existe.

Agora as duas coisas que você relatou e que ficaram sem resposta.

A primeira é a mais séria. Você descreveu, ao longo de semanas, insônia com três despertares por noite, paciência zero para tudo, discussões frequentes com as pessoas e a frase de que vai para o treino e desconta lá. Isso aparece no tópico como parte do folclore da trembolona, quase como um troféu, e não como o que é.

Alteração de humor, irritabilidade e agressividade são efeitos neuropsiquiátricos descritos com androgênios em dose alta, e a trembolona é das substâncias mais associadas a esse quadro. A insônia sustentada agrava tudo, porque privação de sono por si só reduz controle de impulso e piora humor. Ou seja, você tem dois fatores se somando e reforçando um ao outro.

Isso merece atenção por dois motivos práticos. O primeiro é que o custo desses efeitos não é sentido por você, é sentido pelas pessoas ao seu redor, e por isso costuma ser subestimado por quem está usando. O segundo é que o quadro tende a escalar com a dose, e você relatou depois que aumentou a trembolona. Vale um combinado com alguém próximo, de confiança, que possa te dizer com franqueza se a mudança de comportamento está passando de um ponto. Quem está dentro do quadro é a pessoa com menos condição de avaliar.

Sobre a melatonina, ela ajuda no ritmo de sono, mas acordar três vezes por noite durante semanas não é sono resolvido, é sono fragmentado com uma sensação subjetiva melhor. Recuperação muscular, humor e controle de impulso dependem justamente da continuidade do sono, e não só de adormecer.

A segunda coisa é a mais concreta e é de segurança de aplicação.

Você escreveu que, ao penetrar a agulha no vasto lateral, sentiu um leve choque no músculo, e atribuiu à tensão da musculatura. Sensação de choque elétrico durante a aplicação não vem de músculo contraído. É o sinal clássico de contato com nervo, e a conduta correta é retirar a agulha imediatamente e reaplicar em outro ponto, nunca injetar. Injetar contra o nervo pode produzir lesão com dor irradiada persistente e alteração de sensibilidade.

No mesmo campo, você mencionou que numa aplicação no glúteo saiu bastante sangue ao retirar a agulha. Isso costuma ser vaso superficial, sem maior consequência, mas vale saber que a região glútea escolhida faz muita diferença. O ponto tradicional, no quadrante superior externo, é o que mais se aproxima do nervo isquiático e da artéria glútea superior. O ventroglúteo, um pouco mais à frente sobre o quadril, tem margem de segurança bem maior e é o que se recomenda hoje para volumes maiores. Como você aplica com frequência alta, por usar ésteres curtos, essa mudança reduz risco acumulado.

E, respondendo ao @Levrone2000, que perguntou sobre nódulo, sangue e pus. Sangue na seringa costuma ser vaso e não é evento grave. Pus é outra história e nunca é normal. Se aparecer secreção, ou se um ponto ficar quente, endurecido, muito dolorido, avermelhado e progredindo, com ou sem febre, isso é infecção de tecido e possivelmente abscesso, e não se resolve com compressa nem esperando passar. Abscesso formado precisa de drenagem, e antibiótico por conta própria costuma apenas mascarar e atrasar.

Agora, três pontos técnicos sobre o que você acrescentou depois.

Sobre o stanozolol, as cãibras que você relatou, e a fisgada ao coçar as costas, são queixas conhecidas com ele, junto do desconforto articular, e estão ligadas à redução da lubrificação articular. Vale saber de dois desdobramentos. Um é que articulação com menos lubrificação e força aumentando rápido é uma combinação que pede cuidado com carga em movimentos de amplitude máxima, e existem relatos de lesões tendíneas associadas ao uso de androgênios. O outro é que o stanozolol é dezessete alfa alquilado, o que significa hepatotoxicidade, e ele derruba o HDL de forma marcante, com quedas descritas em torno de trinta e três por cento. Você já tinha pedido exames antes, então repetir transaminases e perfil lipídico agora fecha o ciclo de informação.

Sobre a água, você aumentou para quatro a cinco litros ao entrar com o stanozolol. Não há problema nisso, mas vale saber que essa ingestão não protege o fígado nem os rins do efeito da substância, e que ingestão muito alta de água junto de dieta pobre em sódio pode diluir o sódio do sangue. Se aparecer dor de cabeça, náusea, confusão ou cãibra fora do padrão, essa hipótese entra na conta, ainda mais porque você já está tendo cãibras.

Sobre o peso, você foi de sessenta e nove e meio para setenta e seis quilos e escreveu que a gordura estava queimando como sempre. Vale registrar um ponto de método. Trembolona e stanozolol não aromatizam, então o ganho não é água de estrogênio, mas boa parte dele continua sendo glicogênio, água intracelular e conteúdo alimentar, sobretudo com ingestão aumentada. Nenhuma dessas substâncias mobiliza gordura do tecido adiposo. O aspecto mais denso vem de ganho de massa e de menos água subcutânea, e não de queima. Sem medida de composição corporal, o número da balança não separa essas coisas.

O @Toxi te deu as melhores orientações do tópico, e vale reforçar duas. A de acompanhar estradiol e prolactina foi certeira, porque a trembolona é derivada de dezenove nor, com atividade progestogênica, e prolactina alta produz queda de libido, dificuldade de ereção e, em casos mais avançados, galactorreia, que foi exatamente o seu maior medo. Você disse que faria esses exames a cada três semanas e não chegou a postar nenhum resultado. Se fez, valeria muito compartilhar. Se não fez, é o item mais útil a recuperar. A outra é sobre BCAA e Dilatex, que realmente não acrescentam nada, o primeiro porque os aminoácidos que ele fornece já vêm em quantidade muito maior na sua comida, e o segundo porque a evidência para produtos de pump à base de arginina é fraca.

Ficou também uma ponta solta importante. Você disse que estava considerando não usar o clomifeno por ter lido coisas ruins, e a conversa não voltou a esse ponto. Qual foi a terapia pós ciclo, e você chegou a dosar testosterona total, LH e FSH algumas semanas depois dela? Essa dosagem é a única forma de saber se o eixo voltou. Sem ela, a pós ciclo é um ritual cumprido às cegas, e isso pesa mais no seu caso do que na média, pelo motivo que vem a seguir.

Você tinha dezenove anos. Nessa idade o eixo hormonal está na fase de maior produção natural da vida, e os relatos de eixo que não recupera se concentram em quem começou cedo. Além disso, em muitos homens as placas de crescimento ainda não fecharam completamente nessa faixa, e uma vez fechadas não reabrem. Não digo isso para desqualificar o que você fez, que já está feito, mas porque a informação que mais te serve hoje é saber em que estado você ficou.

Para quem chega ao tópico agora buscando primeiro ciclo, um registro. Trembolona não é substância de primeiro ciclo, em nenhuma idade, e o próprio relato aqui mostra por quê. E, desde abril de dois mil e vinte e três, a Resolução do Conselho Federal de Medicina número dois mil trezentos e trinta e três veda a prescrição de anabolizantes com finalidade estética, de ganho de massa muscular ou de desempenho esportivo.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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