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Não consigo comer tudo !

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No fim das contas, e tudo carboidratos proteínas e gorduras.

Eu utilizo o app, myfitnesspall acho bem simples de usar. Bom pra vc seguir essa dieta como está fazendo algum resultado vc teve seja de ganho ou perda de gordura.

No seu lugar eu colocaria essa dieta completa no app preenchendo como se fosse um dia inteiro, veria os resultados dos macros, sei lá uns se der uns 350 de carbo ou 400, é uns 250 de proteína  vc vai ter uma noção. Só pegar o resultado que o app te der de quanto vc está comendo de carbo e dividir pelo seu peso se o número der entre 3 e 5 como fitvouplehim explicou vc estava dentro dos padrões.

Aí vc vê oque da pra substituir. Mas se eu não me engano 100g de arroz tem cerca de 25g de carbo, então se vc colocasse 100g de uva passas na dieta teria que diminuir 300g de arroz do saldo do dia. 

Isso explicando de maneira simples, sem levar em conta que as gorduras e o valor energético de cada. Que por outro lado o arroz deve dar uns 450 ckal 300g, já as passas dariam 300ckal kkkk

Pelo app é mais simples do que parece, vc vai entender rápido.

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  • 4 semanas depois...
  • 8 anos depois...

O @Vini0000 chegou com um problema muito comum e recebeu boas ideias, mas ninguém questionou a premissa que estava criando o problema. Ela está na primeira linha do post dele.

Ele escreveu que estava se esforçando para comer de três em três horas.

Esse é o ponto. Ele não estava com dificuldade de comer o suficiente. Estava com dificuldade de comer aquilo tudo naquele intervalo, o que é outra coisa.

E a regra das três em três horas não tem sustentação. A metanálise mais citada sobre frequência de refeições encontrou associação positiva à primeira vista, mas a análise de sensibilidade mostrou que o resultado inteiro vinha de um único estudo, e os próprios autores concluíram que a evidência não sustenta o benefício. Trabalhos mais recentes chegam ao mesmo lugar: o que decide é o total do dia e a distribuição de proteína, não o número de refeições.

Ou seja, ele podia comer o mesmo total em quatro refeições em vez de seis, e o resultado seria idêntico. E o problema de a comida não descer sumiria, porque o intervalo maior dá tempo de esvaziar o estômago.

Essa é a resposta mais simples do tópico, é de graça, e resolve o caso dele.

Agora a segunda parte, que o @Enigma0012 acertou em cheio e que merece nome próprio.

O que ele descreveu, ao sugerir alimentos que entregam muito carboidrato em pouco volume, chama-se densidade energética. É a quantidade de calorias por grama de alimento, e é a variável que importa para quem tem dificuldade de comer.

Uma correção pequena, com todo o respeito ao visitante que respondeu junto: ele associou isso a carga glicêmica, e são conceitos diferentes. Carga glicêmica é sobre a resposta da glicose no sangue. Densidade energética é sobre quantas calorias cabem em cada colherada. Para o problema do @Vini0000, que é volume, só a segunda importa.

Na prática, os alimentos que mais resolvem são:

Azeite e óleos, com 9 kcal por grama, que é o dobro de qualquer carboidrato ou proteína. Uma colher de sopa no arroz acrescenta cerca de 120 kcal sem ocupar espaço nenhum.

Pasta de amendoim, castanhas e nozes.

Leite integral, que resolve caloria e proteína ao mesmo tempo e é líquido.

Aveia, mel, frutas secas e as passas que ele mesmo citou.

Abacate.

E o @TTEFrangoMutante deu a outra ponta da solução, que é substituir uma ou duas refeições por líquido. Isso funciona por um motivo fisiológico: alimento líquido esvazia o estômago mais rápido e produz menos saciedade que o mesmo conteúdo em forma sólida. É por isso que se consegue tomar um copo de vitamina com 700 kcal e não se consegue comer um prato equivalente.

Agora uma coisa que ninguém olhou e que provavelmente estava no centro do problema.

A refeição dele começava com 6 claras mais um ovo inteiro, e o almoço tinha 200 g de carne, repetidos às 15 horas. Proteína é, de longe, o macronutriente mais saciante dos três. E a orientação que ele recebeu foi de 2 a 3 g de proteína por quilo.

A faixa em que o benefício da proteína para hipertrofia se estabiliza é de 1,6 a 2,2 g por quilo. Tudo acima disso não faz mal, mas ocupa espaço no estômago sem entregar resultado adicional. Baixar de 3 g para 1,8 g por quilo liberaria uma quantidade enorme de volume no dia dele, que poderia ser preenchida com carboidrato e gordura, que são mais fáceis de comer.

Ou seja, parte da dificuldade de comer vinha de estar comendo proteína demais.

E vale registrar que ninguém perguntou o peso, a altura nem o objetivo dele em nenhum momento do tópico. Sem isso, não dá para saber se aquele total fazia sentido. O @Enigma0012 apontou isso quando disse que nada daquilo funcionaria sem saber os macros, e estava certo.

Sobre o cobavital, que apareceu como solução.

Ele é ciproeptadina com cobamamida. A ciproeptadina é um anti histamínico de primeira geração, e o estímulo de apetite é justamente efeito colateral dela. A @Sereiafit avisou corretamente sobre o sono, e a própria bula orienta reduzir a dose pela metade quando a sonolência for marcada. Vale para quem dirige, estuda ou trabalha em turno.

E o biotônico, citado junto, é outra coisa: é um tônico com vitaminas do complexo B e ferro, sem ação relevante sobre apetite em quem não tem deficiência.

Nenhum dos dois é necessário no caso dele, porque o problema não era falta de fome. Era excesso de volume mal distribuído.

Agora a sugestão que eu preciso contestar de forma clara.

O @Nicolasrox sugeriu 0,5 ml de boldenona duas vezes por semana para abrir o apetite.

Não faria, por quatro motivos.

Primeiro, a fama da boldenona como estimulante de apetite vem do uso veterinário em bovinos, e não há demonstração disso em pessoas. Boldenona nunca foi aprovada para uso humano em lugar nenhum, e nunca passou por ensaio clínico humano.

Segundo, a dose está em mililitros, ou seja, ninguém sabe quantos miligramas está tomando, porque isso depende da concentração do frasco.

Terceiro, a boldenona é undecilenato, com meia vida em torno de catorze dias. Ela permanece no organismo por meses depois da última aplicação, e a supressão do eixo acompanha esse tempo. Não é uma coisa que se experimenta e se desfaz.

Quarto, e mais importante: o problema apresentado era não conseguir comer todo o arroz do almoço. A resposta a isso é redistribuir refeições e usar azeite, não injetar um androgênio de uso veterinário com supressão de meses. É desproporção enorme entre o problema e a solução.

Resumindo o que eu faria no lugar dele, e é tudo de graça:

Quatro refeições em vez de seis, com mais intervalo entre elas.

Proteína em torno de 1,8 g por quilo, e não 3.

Azeite, pasta de amendoim e castanhas para acrescentar caloria sem volume.

Uma das refeições em forma líquida, com leite integral, aveia, banana e pasta de amendoim, que é o hipercalórico caseiro que o @TTEFrangoMutante mencionou e que sai por uma fração do industrializado.

E, se quiser conferir se o total do dia está no lugar certo, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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