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Primeiro ciclo - DECA E DURA

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RAGER, relato bem feito, com registro semana a semana e conclusão honesta, o que é raro por aqui. Chego depois do encerramento, mas há coisas no seu histórico que ninguém comentou e que valem mais para o seu futuro do que a discussão de dose. Também preciso falar com o Batata, por um motivo sério.

Começo por você. O dado mais importante do seu tópico não é o ciclo, é a linha em que você conta que teve anorexia nervosa dos treze aos dezesseis anos e chegou a trinta e sete quilos com a altura que tem hoje. Isso deixa duas heranças concretas. A primeira é o osso. Desnutrição grave justamente na janela em que se acumula pico de massa óssea, somada a anos de androgênio baixo antes do diagnóstico, é a combinação clássica de osteopenia ou osteoporose em homem jovem, e isso não dá sintoma nenhum até a primeira fratura. Você precisa de uma densitometria óssea, e junto dela vitamina D, cálcio e paratormônio. É provavelmente o exame mais relevante da sua vida hoje, e ele não aparece em lugar nenhum das dez semanas de relato. A segunda herança é mais delicada de dizer, e digo com respeito, porque você não me deu nenhum sinal de que esteja acontecendo. Quem teve transtorno alimentar na adolescência tem risco maior de o padrão retornar depois em outra roupa, e a roupa mais comum no nosso meio é a preocupação com massa magra que vira medida constante. Vale só manter isso no radar com quem te acompanha, porque a diferença entre disciplina e recaída não está no comportamento em si, está em quanto ele custa quando você tenta parar.

Segundo ponto, os exames. O relato tem peso, força, temperatura, humor e fotos, e não tem um exame sequer em dez semanas de testosterona somada a nandrolona. E há um sintoma seu que pede leitura. Você descreveu calor fora do normal e acordar suando à noite, e atribuiu ao ganho de peso. Cinco quilos e meio não explicam isso. As duas causas mais prováveis nesse contexto são estradiol elevado, que dá exatamente sudorese e sensação de calor, e aumento do hematócrito, que é o efeito adverso mais frequente e mais perigoso da testosterona em dose acima da reposição, porque engrossa o sangue e aumenta risco trombótico. Nenhum dos dois se percebe pelo espelho. Hemograma completo, estradiol, perfil lipídico, função hepática, prolactina e pressão arterial deveriam ter sido feitos no meio e no fim. Se ainda dá tempo, faça agora e guarde como base para a próxima vez.

Terceiro, e este é específico do seu caso. Como você já faz reposição definitiva, não existe para você o retorno ao eixo próprio que serve de freio natural nos outros. Terminado o blast, você volta para a reposição e segue. Isso é uma vantagem real em termos de recuperação, mas é uma armadilha em termos de decisão, porque nada obriga o intervalo a existir. Então o intervalo precisa ser decidido por você e por escrito. Sobre a esterilidade, um detalhe que talvez você já saiba mas que muita gente na sua situação descobre tarde: nandrolona suprime a produção de espermatozoides de forma particularmente longa, e a recuperação depois dela pode levar mais de um ano. Se existe qualquer chance de você querer investigar fertilidade de novo no futuro, com outro protocolo ou com coleta cirúrgica, a hora de congelar material é antes de repetir, não depois.

Agora as correções técnicas, sem tirar o mérito de quem quis ajudar. O Batata sugeriu subir para trezentos e setenta e cinco ou quinhentos miligramas e disse que a nandrolona supriria a questão da libido. É o contrário. Nandrolona é um substrato ruim para a cinco alfa redutase e tem atividade progestogênica, e é justamente por aí que ela costuma derrubar a libido, mesmo com testosterona junto. Você não teve o problema, e fez bem em registrar isso, mas o motivo foi individual e não porque a nandrolona resolveria. E tadalafila trata ereção, não desejo, então deixá-la de prontidão não cobre o risco que estava sendo discutido.

Batata, o seu comentário merece atenção separada. Você escreveu que o seu problema está no hipotálamo e na hipófise e que a longo prazo isso prejudica um pouco a visão. Alteração visual nesse contexto não é algo a acompanhar de longe. A causa clássica é um tumor benigno de hipófise que cresce e comprime o quiasma óptico, que é onde os nervos ópticos se cruzam bem acima da glândula, e o padrão típico é perda da visão lateral dos dois lados, que a pessoa percebe tarde porque o campo central continua bom. Isso não é efeito de HCG nem de clomifeno. Se você tem hipogonadismo de origem central e qualquer queixa visual, o caminho é ressonância de sela túrcica, dosagem de prolactina e avaliação de campo visual com oftalmologista, com endocrinologista conduzindo. É tratável, muitas vezes só com remédio, e a perda visual instalada por compressão prolongada tende a não voltar. Por favor, não deixe isso para depois.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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