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Tomar 1 ampola de dura de 3 em 3 semanas ou de mês em mês funciona?

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  • na boa...aos 23 anos e não ve resultados com treino é porque está treinando errado, ou não alimenta bem (mesmo suplementando) ou não sabe ainda o que quer na academia...desculpa a sinceridade mas bomb

  • Verdade.. Sabe o que acho engraçado nessa história que o pessoal sempre vem contar no forum? "Treino a um ano, já tomei todos os suplementos tops possíveis, e não consigo ter resultado" P

  • 4 anos depois...
  • 8 anos depois...

A pergunta que abriu este tópico é boa e a resposta do @Mestre está certa, mas ela merece a conta que a sustenta, porque é essa conta que faz a ideia parar de parecer razoável.

Um homem adulto produz por conta própria algo em torno de cinco a sete miligramas de testosterona por dia, o que dá aproximadamente trinta e cinco a cinquenta miligramas por semana. Uma ampola de durateston não contém duzentos e cinquenta miligramas de testosterona, contém duzentos e cinquenta miligramas somando quatro ésteres, e descontada a massa dos ésteres sobram cerca de cento e setenta e seis miligramas de hormônio.

Agora divida isso por três semanas. Dá algo próximo de sessenta miligramas por semana em média, ou seja, praticamente o que o corpo já produzia sozinho. É por isso que não cresce nada. Só que o corpo não trabalha com médias. Ele recebe um pico bem acima do normal no dia da aplicação, desliga a produção própria em resposta, e depois passa duas semanas com pouco hormônio externo e com a produção própria desligada. O resultado é ficar abaixo do próprio basal na maior parte do tempo. Todo o custo, nenhum benefício.

E isso responde a pergunta seguinte, sobre precisar de terapia pós ciclo mesmo com pouca droga. Precisa, sim, e pela mesma razão. A supressão não depende de a dose ser suficiente para hipertrofia, ela depende apenas de existir androgênio externo. Dose baixa suprime, dose alta suprime.

Sobre a situação que motivou tudo, um metro e oitenta com setenta e dois quilos, um ano de treino e nenhum resultado apesar de hipercalórico, whey e creatina, o @ninga descreveu o padrão com precisão. Vale só transformar a observação dele em algo acionável, porque o tópico terminou sem isso.

Existem dois números que decidem, e nenhum dos dois foi mencionado em nenhum post. O primeiro é quantas calorias entram por dia. Não a impressão de comer bastante, o total. O segundo é se a carga do treino subiu registrada em papel ao longo dos meses. Se o peso corporal não muda, a dieta é de manutenção, por mais completa que pareça no papel. E se a carga não sobe, não existe estímulo pedindo tecido novo, então nem comida nem androgênio resolvem. Pesar em jejum três vezes por semana, tirar a média semanal, e anotar carga e repetição de cada série. Essas duas planilhas explicam o ano inteiro que ele descreveu como sem resultado.

Agora as correções do que ficou registrado depois, porque o tópico virou consulta de protocolo.

Sobre pró hormônio ser menos nocivo que esteroide, que foi sugerido ao final. Isso está errado e é justamente ao contrário no que mais importa. Pró hormônios comercializados como suplemento são androgênios orais dezessete alfa alquilados, e essa modificação é a que produz lesão hepática. Existem relatos publicados de hepatite colestática grave associada a esses produtos, alguns com icterícia arrastada por meses. Testosterona injetável não é dezessete alfa alquilada e não tem esse perfil de agressão ao fígado. Ou seja, o produto vendido em loja de suplemento é o mais hepatotóxico dos dois, e não o mais seguro.

Sobre a silimarina como protetor hepático no protocolo final. Ela não é necessária aí, porque durateston é injetável e não passa pelo fígado do jeito que um oral passa. E, de forma geral, protetor hepático não autoriza nada. Ele não neutraliza dano de dezessete alfa alquilado e a evidência de proteção nesse contexto é fraca. O que protege de verdade é dosar TGO, TGP, gama GT e bilirrubinas antes, durante e depois, e parar se subir.

Sobre o tamoxifeno dez miligramas apenas caso apareça sensibilidade. A conduta de usar só se aparecer sintoma está certa, e é melhor do que o inibidor de aromatase profilático que foi sugerido logo depois. Inibidor de aromatase usado por precaução derruba o estradiol, e estradiol baixo em homem produz queda de libido, dor articular, piora do perfil lipídico e perda de densidade óssea. Pior ainda, os sintomas de estradiol muito baixo se parecem com os de estradiol alto, então quem se guia pela sensação aumenta a dose exatamente quando deveria parar.

O que ajusto é a dose e a duração. Quando aparece sensibilidade mamária, vinte miligramas por dia de tamoxifeno é a faixa que se usa, mantida até o sintoma desaparecer. E responde a dúvida que ficou no ar sobre parar ou continuar. Não precisa arrastar até o fim do ciclo por obrigação, mas também não adianta parar no primeiro dia sem dor, porque o estímulo que causou o problema continua lá. O critério prático é sumir o nódulo e a dor, e manter mais algum tempo se a dose de testosterona continuar alta.

E vale saber o que se está tratando, porque isso define a urgência. No início é um nódulo pequeno, firme e móvel logo abaixo do mamilo, doloroso ao apertar, e nessa fase costuma reverter. Depois de alguns meses o tecido fibrosa, para de doer e não regride mais com medicação nenhuma, e a solução passa a ser cirúrgica. A janela vale mais que a dose.

Sobre o tribulus na terapia pós ciclo, que apareceu no protocolo final. Ele não age no eixo. Revisão sistemática de ensaios clínicos em homens mostra que a maioria dos estudos não encontra mudança no perfil androgênico, e os poucos aumentos foram em homens já hipogonádicos e de magnitude pequena. Quem restabelece LH e FSH é o modulador seletivo do receptor de estrogênio, e o clomifeno que ele já tinha previsto faz esse trabalho sozinho. E o momento de começar não deveria ser chutado. Dosar testosterona total, LH e FSH resolve, porque se a testosterona ainda estiver alta é cedo, e o modulador vai ser gasto contra um eixo ainda suprimido pelo que sobrou do ciclo.

Ficaram duas perguntas penduradas aqui, e respondo as duas.

O jalves perguntou sobre quinhentos miligramas por semana e a pós ciclo. Quinhentos miligramas de durateston por semana equivalem a algo próximo de trezentos e cinquenta de testosterona de fato, que é uma dose real de ciclo. A pós ciclo nesse caso é modulador em monoterapia, iniciada depois que o decanoato, que é o éster mais lento do blend, tiver saído o suficiente, e com o momento confirmado por exame em vez de calendário. E o exame antes de começar tudo é o que mais falta em quase todo protocolo deste fórum, porque sem ele não existe com o que comparar depois.

E o NeTTo.S perguntou, aos dezessete anos, se podia usar durateston. Não, e o motivo é concreto. Nessa idade as cartilagens de crescimento ainda podem estar abertas, e androgênio acelera o fechamento delas de forma irreversível. Significa trocar centímetros de altura definitiva por resultado de curto prazo. Além disso, o eixo hormonal ainda está em maturação, e supressão nessa fase tem mais chance de deixar sequela do que aos trinta. Seis meses de academia aos dezessete é justamente o período em que se ganha mais rápido sem droga nenhuma.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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