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Blast Off Season

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Esse tópico registra o episódio mais grave que eu encontrei lendo os relatos deste fórum, e ele merece ser lido com atenção por qualquer pessoa que aplique alguma coisa em si mesma.

O @BorisBuilding relatou, em janeiro, que o ombro estava inchado. Uma semana depois, que a dor tinha aumentado e latejava. Passou por um médico que prescreveu apenas anti inflamatório. Uma semana depois, acordou com o deltoide muito inflamado, procurou atendimento de novo, e dessa vez foi encaminhado a um cirurgião: era um abscesso, que precisou ser drenado, com retirada de pus e colocação de dreno.

Ele perdeu semanas de treino de superiores, ficou com ferida aberta, e escreveu depois que aquilo tinha estragado quase tudo na preparação.

E ele fez a pergunta certa: sinceramente não entendi por que essa lesão evoluiu até chegar nessa situação.

A explicação que circulou no tópico foi que ele bateu no local, inflamou e produziu pus.

Preciso corrigir isso, porque a explicação errada leva à prevenção errada.

Trauma não produz pus. Pus é infecção, ou seja, bactéria. Abscesso é uma coleção de material infectado que o corpo isolou, e por isso ele não resolve com anti inflamatório nem com compressa: precisa ser drenado, que foi exatamente o que aconteceu com ele.

E, quando ele contou que já tinha feito aplicações no deltoide, a origem provável ficou clara. Abscesso em local de aplicação é uma das complicações mais conhecidas do uso injetável, e os fatores que a produzem são todos evitáveis:

Reutilizar agulha, ou usar a mesma agulha para aspirar do frasco e para aplicar, porque ela perde o fio e leva partículas de borracha.

Encostar na agulha ou apoiar ela em qualquer superfície antes de aplicar.

Não limpar a pele e a tampa do frasco com álcool, ou não esperar secar antes de furar.

Aplicar volume grande em músculo pequeno. O deltoide é justamente o menor dos locais usados e tolera pouco volume, tipicamente até um mililitro. Volume oleoso repetido ali tem mais chance de não dispersar bem e de formar coleção.

Aplicar em local que já está dolorido ou endurecido de uma aplicação anterior.

E produto sem garantia de esterilidade, que é uma variável que ninguém consegue controlar depois que a ampola está na mão.

O que eu acrescentaria, e que é a parte prática mais importante para quem lê: inchaço com dor latejante e calor em local de aplicação não é inflamação para esperar passar. É infecção até prova em contrário, e o tempo entre o começo e o atendimento é o que decide se aquilo é resolvido com antibiótico ou se vira cirurgia.

Os sinais que pedem atendimento no mesmo dia são: febre, vermelhidão que se espalha, área que fica quente e endurecida, dor que piora em vez de melhorar, e a sensação de que há líquido embaixo da pele. Não é caso de fórum, não é caso de compressa e não é caso de anti inflamatório sozinho, que foi justamente o que o primeiro médico prescreveu e que apenas adiou o diagnóstico.

Vale registrar que a orientação que ele recebeu aqui, naquele momento, foi procurar um médico, com a observação honesta de que não dava para dizer nada sem examinar. Isso estava certo. O que faltou foi urgência: aquele quadro já não era um problema de treino havia duas semanas.

E há uma ironia dolorosa nesse tópico. Logo no início, o @Locemar tinha apontado que a divisão de treino dele sobrecarregava o deltoide anterior em três treinos seguidos e não tinha nenhum exercício para o deltoide posterior. Era uma análise boa e correta de programação. O ombro dele acabou parando o projeto por um motivo completamente diferente, e que não tinha nada a ver com treino.

Agora o segundo assunto do tópico, que rendeu uma boa resposta e merece ser completado.

Quando apareceu espermograma na lista de exames, o @Mistakes perguntou por que aquilo estava ali, contando que tinha varicocele operada na infância e queria confirmar a própria fertilidade.

O @BorisBuilding respondeu corretamente que uma parcela grande dos usuários fica azoospérmica e o restante oligospérmico. Vale desenvolver, porque é um dos poucos efeitos que se pode afirmar com segurança.

Testosterona exógena suprime o eixo hipotálamo hipófise gônada, e é a queda de LH e FSH que interrompe a produção de espermatozoides dentro do testículo. Isso é tão consistente que foi a base dos estudos de contraceptivo hormonal masculino: o efeito é o esperado, não o acidente.

A recuperação, na maioria, acontece depois de meses fora do uso, com casos que levam mais de um ano, e uma minoria não retorna completamente ao que era. Nandrolona está entre as moléculas com supressão mais persistente, e ele estava usando nandrolona.

Daí saem duas consequências práticas.

Para quem quer avaliar a própria fertilidade: espermograma colhido durante ou logo após um ciclo mede o efeito da droga, e não a capacidade basal da pessoa. Para valer como avaliação, precisa ser feito fora do uso e com tempo suficiente, e isso é conversa com urologista ou andrologista, que também é quem conduz as opções de recuperação quando ela não vem sozinha.

E, no sentido oposto, o alerta que ninguém faz: ciclo não é método contraceptivo. A supressão é grande, mas não é completa nem confiável em todo mundo, e gravidez durante uso de esteroide já aconteceu muitas vezes. Quem depende disso está sem método.

Agora três créditos que o tópico merece.

O primeiro: quando ele listou protetor hepático entre os suplementos em uso, a resposta foi direta, que aquilo era bobeira. Está certo. Não existe evidência de que silimarina ou qualquer suplemento dito hepatoprotetor previna ou reverta lesão por oral 17 alfa alquilado, e ele estava usando oximetolona, que é dos mais pesados nesse quesito. O que informa é TGO, TGP e gama GT, e o que protege é dose menor e tempo menor.

O segundo: quando ele propôs combinar nandrolona e trembolona, foi corretamente avisado de que somar dois compostos da mesma família progestogênica não é inteligente, porque a sinergia é pequena e o risco de incômodo mamário é maior. Isso é preciso, e é o mesmo mecanismo que explica por que inibidor de aromatase costuma falhar nesses casos: o incômodo não vem do estradiol.

O terceiro: ele fez exames repetidos, por iniciativa própria, aproveitando o convênio enquanto tinha, e postou todos. Isso é o oposto do que acontece na maioria dos relatos daqui.

Fecho com o que eu acho.

Ele é um atleta que já subiu ao palco, trabalha na segurança pública durante o dia, faz faculdade à noite e mantém uma rotina que quase ninguém sustentaria. A parte dele está feita.

Mas o evento que definiu o ano dele não foi dieta, treino nem dose. Foi uma aplicação no deltoide que terminou em centro cirúrgico. E, na conta de risco desse tipo de projeto, esse é o item que aparece menos nas discussões e que é o mais imediato de todos: não depende de anos de uso, não depende de exame, e pode acontecer na primeira vez.

Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e o que cada um responde, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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