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(Dúvida) Infertilidade x Problemas durante o ciclo

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Bom dia, turma.

Uma dúvida que bateu e não lembro de ter lido em outra parte, bora lá:

Existe a possibilidade de, durante o ciclo ou após; por parte do homem, na hora de tentar engravidar trazer sequelas ao feto ou má desenvolvimento?

Eu sei que pra mulher com finasterida existe, mas não lembro de ter visto pra homem.

Eu sei que tem a chance de ficar infértil, mas gostaria de saber da chance de sequelas ao desenvolvimento do bebê intrauterino. 

 

abrs.

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    Perfil Desativado

    Minha avaliação kkkkk testo quase tudo. Após alguns meses de uso de AEs, fiz o espermograma (ainda usando) e deu 5% de produção mas todos com as formas adequadas e funcionalidades. 

  • Então vou progredir pro próximo nível rs, ser pai este ano. E pode ser que bata com alguns ciclos ou pós, meu próximo deve ser pra maio.

  • Apollo Galeno
    Apollo Galeno

    Por parte do homem,apenas se seus espermatozoides estiverem "zuados". Um espermograma já poderá lhe elucidar essas respostas.   Perfeito  

  • Moderador
1 hora atrás, Kami Back disse:

 

Existe a possibilidade de, durante o ciclo ou após; por parte do homem, na hora de tentar engravidar trazer sequelas ao feto ou má desenvolvimento?

Nunca vi nenhum estudo a respeito (e duvido que exista!). Mas dada a quantidade absurda de fisiculturistas homens (milhões?) que foram pais durante os ciclos, creio ser impossível efeitos negativos.

  • Moderador
Em 11/03/2021 em 09:22, Kami Back disse:

Existe a possibilidade de, durante o ciclo ou após; por parte do homem, na hora de tentar engravidar trazer sequelas ao feto ou má desenvolvimento?

Por parte do homem,apenas se seus espermatozoides estiverem "zuados". Um espermograma já poderá lhe elucidar essas respostas.

 

Em 11/03/2021 em 13:31, Bravo Costa disse:

Minha avaliação kkkkk testo quase tudo.

Perfeito

 

  • 5 anos depois...

@Kami Back, sua pergunta foi melhor do que as respostas que ela recebeu, e como você terminou o tópico decidindo tentar ser pai já em maio, possivelmente durante um ciclo, vale destrinchar isso com cuidado.

Começo pela parte que te tranquiliza, porque ela é real. O medo específico que você descreveu, de a substância chegar ao feto pela via paterna e causar má formação, não é o risco principal. Você lembrou da finasterida e lembrou certo: naquele caso a preocupação é a exposição da mulher grávida, porque a droga interfere na formação da genitália de um feto masculino. Testosterona não funciona assim. Ela não é transmitida ao embrião pelo sêmen em quantidade que produza efeito. Nesse ponto específico, pode ficar sossegado.

Agora a parte que ninguém te contou, e que é bem mais concreta.

O @Foston escreveu que nunca viu estudo e duvida que exista, e o @Locemar disse que se baseia nos fisiculturistas que conhece, nenhum deles com filho com deficiência. O problema desse raciocínio não é a boa fé, é que ele não tem denominador. Você conhece quem teve filho. Não conhece os casais que tentaram por dois anos e não conseguiram, nem os que perderam gestações no primeiro trimestre, nem os que recorreram a reprodução assistida e não contam. Nenhum desses aparece na roda da academia, e é justamente onde estaria o efeito, se ele existir.

E existe literatura, sim. Ela só não é sobre o que se procurou.

O primeiro ponto, e o mais importante para o seu plano de maio, é que testosterona exógena é contraceptivo masculino. Não é figura de linguagem: ela foi estudada exatamente com esse objetivo, em ensaios da Organização Mundial da Saúde, e a eficácia em suprimir a produção de espermatozoides passou de noventa e cinco por cento. O mecanismo é direto. O hormônio de fora desliga o LH e o FSH, e sem FSH e sem a testosterona altíssima que normalmente existe dentro do testículo, a produção de espermatozoide para. Muitos usuários ficam com contagem zerada. Ou seja, o desfecho mais provável de tentar engravidar durante o ciclo não é um bebê com problema, é não haver gravidez nenhuma.

A recuperação depois de parar leva em média de quatro a seis meses, pode chegar a doze ou vinte e quatro meses, e uma parcela dos homens não recupera por completo. O preditor mais forte de demora é o tempo total de uso ao longo da vida, mais do que a dose de um ciclo isolado.

O segundo ponto é o que responde de forma mais direta a sua pergunta original. Existem dados associando uso de esteroides androgênicos a maior fragmentação do DNA dos espermatozoides e a alterações de morfologia. Isso importa porque fragmentação alta de DNA espermático está associada a menor taxa de fertilização e a maior taxa de abortamento precoce. Ou seja, o caminho pelo qual o uso paterno pode afetar uma gestação existe, mas ele não é o que você imaginou. Não é a droga chegando ao feto, é o material genético entregue com mais dano. E esse é exatamente o tipo de desfecho que ninguém percebe, porque uma perda no primeiro trimestre não vira história contada na academia.

Uma correção pontual, porque ela pode confundir quem ler. Foi relatado um espermograma com cinco por cento de produção, com o comentário de que estava tudo bem porque as formas estavam adequadas, e isso foi endossado. Cinco por cento da produção normal é oligozoospermia grave. Morfologia preservada nos poucos que restaram não compensa a quantidade que sumiu. Esse resultado não é tranquilizador, é a demonstração do efeito.

O que eu faria no seu lugar, se o objetivo é ser pai neste ano. Antes de maio, e antes de qualquer ciclo novo, faça um espermograma completo, incluindo teste de fragmentação de DNA espermático, que não vem no exame padrão e precisa ser pedido em separado. Procure um urologista com atuação em reprodução masculina, e não um clínico geral, porque existem protocolos para recuperar a produção depois do uso, com gonadotrofinas ou moduladores de receptor de estrogênio, e eles funcionam melhor quando iniciados cedo.

E tem uma medida que quase nunca é mencionada e que resolve boa parte da angústia: congele sêmen antes do próximo ciclo. Criopreservação é procedimento simples, disponível em qualquer clínica de reprodução, e custa uma fração do que custa tratar infertilidade depois. Quem pretende usar esteroides por anos e também pretende ter filhos deveria fazer isso como rotina.

Resumindo: o risco que te preocupava é pequeno, o risco de não conseguir engravidar durante o ciclo é alto, e o risco intermediário, de qualidade do material genético, existe e é mensurável. Os três se resolvem com o mesmo par de atitudes, que é medir antes e não tentar durante.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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