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O que fazer para perder o pneuzinho chato na barriga?

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@shifter, esse tópico de dois mil e quatro tem uma resposta certa perdida no meio, e ela foi a última a aparecer. O @g_roots acertou sozinho, e ninguém deu bola.

Um metro e setenta e cinco com sessenta quilos, aos dezessete anos, é magro. O índice de massa corporal aí fica em torno de dezenove e meio, na parte baixa da faixa normal. Mandar você fazer dieta e muito aeróbico foi o conselho errado para a pessoa errada. Se você tivesse seguido, teria perdido peso que não sobrava, e provavelmente teria perdido músculo junto, porque em déficit calórico sem estímulo de força quem paga a conta é a massa magra também. O pneuzinho continuaria lá, só que numa versão mais magra e mais frágil de você.

E vale dizer o que quase ninguém diz para quem tem dezessete anos: nessa idade, com esse peso, o objetivo saudável é construir, não subtrair. Comer mais, treinar força, dormir. Um corpo com mais músculo carrega a mesma gordura de um jeito completamente diferente.

Agora as correções técnicas do tópico, porque as duas maiores se repetem até hoje.

A primeira, @-Shadz- e @rolfo17: abdominal não tira gordura da barriga. Isso foi testado direto. Um estudo colocou o pessoal para fazer sete exercícios abdominais, duas séries de dez, cinco dias por semana, durante seis semanas, com a alimentação controlada e igual entre os grupos. Não houve redução da gordura abdominal, nem por dobras cutâneas, nem por raio X de dupla energia. O abdômen ficou mais forte e a gordura em cima dele continuou exatamente a mesma. A mobilização de gordura é sistêmica, o corpo tira de onde ele quer, e não do músculo que você acabou de trabalhar. Redução localizada não existe.

Isso não é motivo para não treinar abdômen. É motivo para treinar abdômen pelo que ele entrega, que é força de tronco e um músculo que aparece quando a gordura por cima diminuir. Só não é ferramenta de emagrecimento.

A segunda, @Taerone: aeróbico não é obrigatório para perder gordura, e nem é o principal. O que determina perda de gordura é o balanço calórico ao longo das semanas. O aeróbico ajuda porque aumenta o gasto e porque tem efeito próprio bom sobre a gordura visceral, aquela que fica em volta dos órgãos. Aliás, esse é um dado que vale registrar: em estudo com déficit alimentar de seiscentas calorias por dia, a queda de gordura visceral não foi significativa em quatorze semanas, e com exercício somado ao mesmo déficit ela caiu cerca de treze por cento. Ou seja, exercício importa de verdade para esse tipo específico de gordura. Mas dizer sem ele esqueça é forte demais, e no seu caso, com dezessete anos e sessenta quilos, uma pilha de aeróbico seria contraprodutiva.

E o @Taerone acertou em cheio numa coisa que o resto do tópico tratou como piada: genética. O ponto onde cada um acumula gordura, e a ordem em que perde, é individual e não se escolhe. Muita gente fica com o abdômen inferior por último mesmo estando magra no resto. Isso não é falha de treino.

O @kblo, sem saber, deu a melhor dica prática do tópico, e por um motivo diferente do que ele imaginava. Fazer um esporte que você gosta, praia, vôlei, natação, funciona não porque queime mais, mas porque você mantém por anos. Adesão vence intensidade. Esteira parada, como o @-Simbiose- reclamou, quase ninguém sustenta.

O que eu responderia para você em dois mil e quatro, se fosse resumir.

Treino de força três a quatro vezes por semana, com agachamento, levantamento terra ou variação, supino, remada e desenvolvimento, aumentando carga ao longo dos meses. Essa é a parte que muda o seu corpo.

Comer mais, e não menos, com proteína decente em cada refeição. Nessa idade, com esse peso, a comida é o insumo, não o inimigo.

Aeróbico duas a três vezes por semana pelo coração e pela cabeça, não como ferramenta de queimar o pneu.

Abdômen porque você quer abdômen forte, duas vezes por semana, e não em séries de vinte por vinte todo dia.

E paciência com a barriga, que costuma ser a última região a mudar, e que muda muito mais quando o resto do corpo cresce em volta dela.

Uma observação final, que não existia no vocabulário do fórum em dois mil e quatro e que hoje é a parte mais importante: se você tinha dezessete anos e se via bagaceiro estando magro, vale saber que essa distorção é comum nessa idade e é a porta de entrada para dieta restritiva, uso de substância e transtorno alimentar. Se o incômodo com o espelho for grande ou constante, isso se conversa com profissional, e não com balança nem com abdominal.

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