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Óleo de coco: alguém toma isso? Achei intragável.

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  • Sou usuário e utilizo o óleo de coco misturado a vitamina (duas colheres). Existem várias recomendações para a utilização do MCT (óleo de coco). Leia sobre em Só mais uma coisa: opte sempre pelo ó

  • Mais um que acredita em doendes. O cara usa o produto visando pico de gh vai fazer o que né

  • bom..eu só sei que esse bagulho toma-se de manhã...

  • 6 anos depois...

@binho5, a resposta para o seu tópico está dentro do seu próprio tópico. Você postou a tabela de composição do produto, e ela desmonta o texto que você colou junto.

O argumento central é falso, e a sua tabela prova

O texto que você trouxe diz que o óleo de coco é rico em triglicerídeo de cadeia média, e que TCM não é armazenado como gordura porque é absorvido diretamente e obriga o corpo a queimar a gordura acumulada.

Agora olhe a sua tabela, linha por linha.

Ácido láurico, C12: 45,78 por cento. É quase metade do produto.

Ácido mirístico, C14: 18,56 por cento.

Ácido palmítico, C16: 8,85 por cento.

Caprílico, C8: 5,56 por cento. Cáprico, C10: 4,99. Capróico, C6: 0,38.

Os triglicerídeos de cadeia média de verdade são os de 6, 8 e 10 carbonos. Somando os três na sua tabela: cerca de 11 por cento.

E o láurico, que é quase metade do óleo e é o principal argumento de venda, não se comporta como cadeia média.

Essa é a chave. O que dá aos TCM a propriedade de energia rápida é a rota de absorção: eles vão direto para o fígado pela veia porta, sem serem empacotados em quilomícrons nem passarem pelo sistema linfático.

O ácido láurico não faz isso. Ele é absorvido predominantemente como ácido graxo de cadeia longa, empacotado em quilomícrons e transportado pela via linfática. Biologicamente, ele age como gordura de cadeia longa, apesar do nome.

Ou seja: o óleo de coco tem cerca de 11 por cento de TCM verdadeiro. Os outros 89 por cento se comportam como qualquer outra gordura. A classificação dele como fonte de TCM é, na prática, um erro de nomenclatura que virou argumento comercial.

O texto diz que reduz LDL. Acontece o contrário

E de novo a resposta está na sua tabela: 11,2 gramas de gordura saturada em 12 gramas totais. Noventa e três por cento saturada.

Mais que isso: o láurico e o mirístico, que juntos são 64 por cento do óleo, estão entre os ácidos graxos com maior efeito de elevação do LDL que existem. O mirístico é o mais potente de todos nesse quesito.

A meta-análise publicada em 2020 na Circulation confirmou isso: o óleo de coco eleva significativamente o LDL em comparação com óleos vegetais não tropicais, e o efeito do ácido láurico sobre o LDL é linear e significativo.

Ele também eleva o HDL, isso é verdade. Mas a afirmação do texto que você colou, de que reduz LDL, é o oposto do que os ensaios mostram.

E sobre obrigar o corpo a usar a gordura acumulada

Uma colher de sopa tem 110 calorias de gordura pura, acrescentadas à sua dieta.

Nenhum alimento obriga o corpo a queimar gordura estocada. Quem faz isso é déficit de energia. Adicionar 110 calorias por colher empurra o balanço na direção contrária, e quem tomava três vezes ao dia, como o @Magarj descreveu, acrescentava 330 calorias diárias ao total.

@ninga, você repetiu ao longo do tópico que dieta equilibrada dispensa isso, e estava certo do começo ao fim.

Sobre as propriedades antimicrobianas

O texto lista candida, herpes, clamídia, H. pylori e outros.

Esses achados vêm de estudos em tubo de ensaio, com monolaurina em concentrações que não são alcançáveis nos tecidos humanos comendo óleo de coco. Não existe evidência clínica de que ingerir óleo de coco trate ou previna qualquer uma dessas infecções.

Três observações menores

@alves2000, a preocupação com agrotóxico acumulado na polpa do coco tem pouco fundamento, já que o fruto tem casca espessa e endocarpo duro protegendo o endosperma. E vale sinalizar que indicar marca e site específicos num tópico de dúvida acaba parecendo divulgação, mesmo sem intenção.

@Bunitinho e @paravidine, sobre o horário: não existe horário que mude o efeito, porque o efeito principal é ser gordura. E substituir malto por óleo de coco no pós-treino não faz sentido, porque servem a propósitos diferentes. Carboidrato repõe glicogênio, gordura não.

@ninga e @oozaru, sobre a creatina ethyl ester que vocês discutiram: essa vale corrigir. Ela é pior que a monoidratada, e não melhor. O éster se degrada em creatinina no ambiente ácido do estômago, e o estudo que comparou as duas encontrou menor concentração de creatina muscular no grupo do éster. É mais cara e entrega menos.

E sobre o café com óleo de coco

@fisiculturismo, vale dimensionar: uma colher de óleo de coco mais manteiga ghee entrega de 200 a 400 calorias de gordura pura, sem proteína e sem micronutriente, geralmente substituindo o café da manhã.

Para quem está em déficit e busca saciedade, esse é um custo calórico alto para um efeito que uma refeição com proteína entregaria melhor e por menos calorias. Como escolha de sabor, tudo bem. Como estratégia de emagrecimento, trabalha contra.

Respondendo à sua pergunta original, binho5: dá para misturar em vitamina, café ou usar para cozinhar, e o sabor melhora. Só que, pelo que ele custa e pelo que a evidência mostra, azeite para finalizar e óleos comuns para cozinhar resolvem melhor e mais barato.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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