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Entrevista com Arnold sobre esteroides - ele usou sim!

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Esse tópico atravessou seis anos e acumulou algumas afirmações que circulam até hoje e que estão erradas. Vale corrigir, porque duas delas são usadas com frequência em discussões sobre anabolizantes, uma para assustar e outra para tranquilizar.

Começo pela mais importante.

O @tfriaa trouxe uma reportagem dizendo que o Arnold teria perdido um terço do fígado por causa dos esteroides e que depois teria feito ponte de safena no coração. As duas partes estão incorretas.

A cirurgia cardíaca dele foi em abril de 1997, e não foi ponte de safena. Foi substituição da válvula aórtica.

E o motivo não foi anabolizante. Ele nasceu com válvula aórtica bicúspide, um defeito congênito em que a válvula tem duas cúspides em vez das três normais. É uma das malformações cardíacas congênitas mais comuns, presente em cerca de 1 a 2 por cento da população, e ela tende a se degenerar com o tempo, o que leva boa parte dessas pessoas a precisar de troca valvar na meia idade, independentemente de qualquer coisa que tenham feito na vida.

Ele optou por válvula de tecido em vez de mecânica justamente para não limitar a atividade física, já que válvula mecânica exige anticoagulação permanente.

Quanto ao terço do fígado, não há fonte que sustente isso.

Faço questão de corrigir porque esse tipo de história atrapalha os dois lados. Quem quer alertar sobre riscos reais de anabolizante perde credibilidade ao usar um caso que não era de anabolizante, e quem quer minimizar os riscos passa a descartar também os alertas verdadeiros.

Os riscos hepáticos reais existem e são bem caracterizados, mas estão ligados principalmente aos orais 17 alfa alquilados, na forma de colestase e de peliose hepática. E o risco cardiovascular real do uso prolongado é sobretudo hipertrofia do ventrículo esquerdo, queda do HDL e aumento do risco aterosclerótico. Isso é o que vale dizer, e é suficientemente sério sem precisar de fígado removido.

Segunda correção, sobre o limite de 42 centímetros de braço.

@fisiculturismo, essa informação não se sustenta, e o @the_dragon, o @Mikahel Fernandes e outros estavam certos ao estranhar.

Não existe um teto anatômico universal de circunferência de braço, e não poderia existir, por uma razão simples: circunferência não mede músculo. Ela mede a soma de músculo, gordura, osso e pele naquele ponto. Uma pessoa de 1,90 metro com estrutura óssea larga e outra de 1,65 com punho fino não têm o mesmo potencial de circunferência, e nenhum número único descreveria as duas.

Fora isso, o estudo citado nunca foi identificado, não tem autor, publicação nem método conhecido, e circula no meio há décadas só como referência de segunda mão. E a menção a creatina e glutamina permitindo chegar a 44 centímetros não faz sentido fisiológico, já que nenhuma das duas altera o teto de crescimento muscular.

Terceira, e essa é a favor do @Mikahel Fernandes, porque a desconfiança dele estava certíssima.

Sobre a história do GH retirado do próprio corpo e reinjetado, ele tem razão em duvidar, e o detalhe que ele mencionou é verdadeiro e vale registrar: até meados dos anos 80, o hormônio do crescimento usado clinicamente era extraído de hipófises de cadáveres humanos, porque não havia forma de produzi-lo sinteticamente.

Essa prática foi interrompida em 1985, quando se descobriu que ela transmitia a doença de Creutzfeldt-Jakob, uma encefalopatia priônica fatal, para pacientes tratados. Foi só depois disso que entrou o GH recombinante, produzido por engenharia genética, que é o que existe hoje.

Ou seja, na época de que se fala no tópico, nem a tecnologia nem a lógica do procedimento descrito existiam.

Por fim, o @canmpo levantou o ponto mais interessante do tópico e ninguém pegou. Ele disse que, se não existissem esteroides, os campeões provavelmente seriam os mesmos.

É parcialmente verdade e vale destrinchar, porque o raciocínio completo é mais rico.

A parte verdadeira: genética, estrutura óssea, inserções musculares, disciplina de treino e alimentação continuam ordenando as pessoas. Ninguém chega ao topo do esporte sem isso, e nenhuma substância cria essas características.

A parte incompleta: a resposta aos anabolizantes também varia entre indivíduos, e varia bastante. Densidade de receptores androgênicos, sensibilidade tecidual e metabolismo diferem de pessoa para pessoa. Isso significa que a substância não multiplica todo mundo pelo mesmo fator. Ela reembaralha as posições, e alguém que responde excepcionalmente bem pode ultrapassar quem tinha vantagem natural.

Então a resposta honesta é que os finalistas provavelmente seriam parecidos, mas a ordem entre eles não seria necessariamente a mesma. E o mais importante: os volumes musculares vistos no palco não existiriam em nenhuma ordem, porque estão acima do que o eixo hormonal humano sustenta.

E vale dizer isso com clareza, porque é o que mais importa para quem lê o tópico começando a treinar: o físico que se vê em competição profissional não é uma versão mais dedicada do físico natural. É outra categoria, com outro teto. Comparar-se com ele é o caminho mais curto para concluir que o próprio esforço não está funcionando, quando está.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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    Para quem ainda tiver dúvida sobre o uso de esteroides por Arnold, segue o vídeo:  

  • Deve haver aí algum erro, o essa afirmação está incompleta. Conheço pelo menos duas pessoas que tem mais de 44 centimetros de braço e não fazem musculação sequer, é provavelmente mais gordura do

  • Mas no caso é 42cm de musculo, né....

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