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Estudo acadêmico / Falsificação de esteróides anabolizantes no Brasil

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  • Moderador
Agora, FitCoupleHim disse:

Complicado. É muito mais seguro guardar uma grana extra é consultar um dr aranha da vida para ter uma receita em mãos e comprar no balcão.

Sem dúvida, mas ainda sim limita-se muito o que pode ser comprado na farmácia ou até mesmo manipulado. Nem deposteron tenho achado mais em farma. Hemo também não. Sobra o que? rss

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  • Micael Silva
    Micael Silva

    Hoje sobrou pra gente encontrar undergrounds de confiança. Já tinha visto alguns estudos assim, porém em inglês. No Brasil esse foi o primeiro que vi. Dependendo da droga tem a opção de manipular (mas

  • fisiculturismo
    fisiculturismo

    Os dados são alarmantes. Uma dúvida: os dados são apenas do mercado negro ou também englobam as vendas legais de produtos em farmácia?

  • Strong Labs. Alguem conhece ou ja ouviu relatos se é um laboratório confiável? comprei uma Deca da strong x labs mas não conheço e nunca ouviu falar nesse laboratório 

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4 minutos atrás, Locemar disse:

Sem dúvida, mas ainda sim limita-se muito o que pode ser comprado na farmácia ou até mesmo manipulado. Nem deposteron tenho achado mais em farma. Hemo também não. Sobra o que? rss

Vejo deposteron na internet.... Ultrafarma, onofre, etc. Há farmácias que manipulam injetáveis, mas ainda assim é questionável.

  • Moderador
3 minutos atrás, FitCoupleHim disse:

Vejo deposteron na internet.... Ultrafarma, onofre, etc. Há farmácias que manipulam injetáveis, mas ainda assim é questionável.

Ultrafarma tem mas só para tirar na loja física em SP, não mandam pela internet. Onofre já não tem mais. Os labs de manipulação que eu vejo só produzem ox, stano, pentravan e alguns trembo oral.

  • 8 meses depois...

Na compra de 2 frascos, um enantato de 10ml e uma trembolona de 10ml, se o produto for falsificado e tiver só óleo de cozinha, ele vai ser absorvido pelo corpo porcausa das pequenas quantidade ou vai gerar os famosos tumores? (Estilo arlindo anomalia e outros)

Editado em por Revoltado

  • 8 anos depois...

@Miguel V, este é dos poucos tópicos do fórum construído sobre literatura primária, e o material que você trouxe deveria ser leitura obrigatória antes de qualquer discussão de protocolo daqui. Quero acrescentar o que os números significam na prática, porque o tópico registrou os dados e não chegou às consequências.

Só uma nota de precisão sobre os números que você resumiu. O estudo publicado no Forensic Science International analisou três mil seiscentos e setenta e seis produtos apreendidos pela Polícia Federal entre dois mil e seis e dois mil e onze, e encontrou cerca de trinta e dois por cento de falsificações, com tendência de aumento ao longo da série. Dos falsificados, aproximadamente metade não continha o princípio ativo declarado, e uma parte relevante continha apenas substâncias não declaradas no rótulo.

Ou seja, a sua frase de que três em cada dez ampolas do mercado brasileiro são falsas está correta. E o que costuma passar despercebido é a segunda camada. Não é que uma em cada três não funcione. É que uma em cada três contém outra coisa, e a pessoa não sabe o quê.

Isso tem cinco consequências que valem estar escritas aqui.

A primeira é que toda a discussão de dose que acontece no fórum passa a ser hipotética. Quando alguém debate se usa trezentos ou quatrocentos miligramas por semana, esse debate pressupõe que o frasco contenha o que diz. Com um terço de chance de não conter, o número planejado é uma estimativa, não uma dose.

A segunda é que isso explica um fenômeno que aparece o tempo todo aqui, que é a pessoa dizer que determinado laboratório bate muito forte. Isso costuma ser lido como qualidade. Frasco superdosado é um dos achados de falsificação, e bater mais forte pode significar exatamente que tem mais do que o rótulo diz. É o oposto de controle de qualidade.

A terceira é o inverso, e aparece com a mesma frequência. Alguém não sente nada e conclui que o produto é fraco ou que precisa aumentar. Se o frasco estiver subdosado ou contiver outra substância, aumentar a dose de algo desconhecido é a decisão mais arriscada possível.

A quarta é sobre o segundo estudo que você citou, o que mostra que as substituições mais comuns são feitas com testosterona e, em seguida, com boldenona. Isso importa porque muda o perfil de risco de forma silenciosa. Uma mulher que compra oxandrolona e recebe testosterona não está tomando uma dose errada, está tomando outra substância, e virilização de voz é irreversível. Quem compra algo que não aromatiza e recebe testosterona vai ter retenção e ginecomastia sem entender por quê.

E a quinta é que não existe forma caseira de verificar. Não dá para verificar por holograma nem por QR code, porque quem falsifica a embalagem falsifica também o selo e a página que ele aponta. Não dá para verificar por preço, e produto caro é ainda mais alvo, porque a margem é maior. Não dá para verificar por ardência ou por dor na aplicação. E não dá para verificar por reputação de marca, o que me leva ao ponto seguinte.

@bruno.s, você perguntou neste mesmo tópico se determinado laboratório era confiável, logo abaixo de um estudo mostrando que um terço dos produtos apreendidos era falso. Isso não é crítica a você, e a pergunta é a mais natural do mundo. É que ela é justamente a que o estudo mostra não ter resposta possível.

Mesmo que o fabricante de origem seja sério, o que chega até o comprador passou por uma cadeia sem rastreabilidade, e é exatamente essa cadeia que o estudo mediu. Reputação de marca é uma informação sobre o fabricante, e o que se compra aqui não tem como ser vinculado a ele.

Agora, o ponto em que eu discordo do que ficou registrado.

@Micael Silva, você concluiu que sobrou procurar underground de confiança, e sugeriu comprar produto de origem veterinária, dizendo que, apesar de ter algumas impurezas, ainda tem grandes chances de ser original.

Essa conclusão vai contra os dados do próprio tópico, e por dois caminhos.

O primeiro é que o estudo que o Miguel citou aponta a boldenona como a segunda substância mais usada em substituições. Boldenona é justamente o composto veterinário mais difundido, e isso significa que a linha veterinária está no centro do problema, não fora dele.

O segundo é que original, no sentido de ser de fato um produto veterinário legítimo, não é uma garantia útil. Medicamento veterinário é fabricado sob exigências próprias, voltadas a outra espécie, e ele não segue as exigências de esterilidade, controle de endotoxinas e teor aplicáveis a injetável de uso humano. Ou seja, mesmo o produto autêntico não foi feito para isso, e as impurezas que você mencionou de passagem são exatamente o motivo pelo qual injetável humano tem controle mais rígido. E, quando algo dá errado, não existe registro sanitário que ampare.

Você também mencionou manipulação como alternativa, e reconheceu que o sal pode ser falso. Esse reconhecimento é o ponto principal. A farmácia de manipulação é obrigada a fornecer certificado de análise do princípio ativo, e pedir esse certificado é uma das poucas verificações reais disponíveis. Mas ele atesta o insumo que a farmácia recebeu, e depende da idoneidade do fornecedor dela.

@fisiculturismo, respondendo a sua pergunta, que o Miguel já respondeu em parte. Os dados são de produtos apreendidos, o que inclui medicamento de farmácia desviado da venda regular. E vale a distinção que interessa. Produto comprado em farmácia, com nota, dentro do circuito regulado, tem cadeia rastreável e é outra categoria de risco. O mesmo produto comprado fora dela deixa de ter essa garantia, ainda que a caixa seja idêntica.

Uma última observação, sobre a utilidade prática de tudo isso. Existe uma verificação indireta que quase ninguém faz e que é acessível. Dosar testosterona total e livre algumas semanas depois de iniciar. Praticamente todo anabolizante suprime o eixo, então a testosterona própria deve cair. Se ela não se mover em nada, isso é informação sobre o frasco. E, no caso de quem usa testosterona, o valor muito acima ou muito abaixo do esperado para a dose declarada diz bastante.

Não é análise de conteúdo, e não substitui, mas é o mais próximo disso que existe fora de um laboratório de perícia, e custa uma fração do que se gasta no produto.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

@Miguel V, este é dos poucos tópicos do fórum construído sobre literatura primária, e o material que você trouxe deveria ser leitura obrigatória antes de qualquer discussão de protocolo daqui. Quero acrescentar o que os números significam na prática, porque o tópico registrou os dados e não chegou às consequências.

Só uma nota de precisão sobre os números que você resumiu. O estudo publicado no Forensic Science International analisou três mil seiscentos e setenta e seis produtos apreendidos pela Polícia Federal entre dois mil e seis e dois mil e onze, e encontrou cerca de trinta e dois por cento de falsificações, com tendência de aumento ao longo da série. Dos falsificados, aproximadamente metade não continha o princípio ativo declarado, e uma parte relevante continha apenas substâncias não declaradas no rótulo.

Ou seja, a sua frase de que três em cada dez ampolas do mercado brasileiro são falsas está correta. E o que costuma passar despercebido é a segunda camada. Não é que uma em cada três não funcione. É que uma em cada três contém outra coisa, e a pessoa não sabe o quê.

Isso tem cinco consequências que valem estar escritas aqui.

A primeira é que toda a discussão de dose que acontece no fórum passa a ser hipotética. Quando alguém debate se usa trezentos ou quatrocentos miligramas por semana, esse debate pressupõe que o frasco contenha o que diz. Com um terço de chance de não conter, o número planejado é uma estimativa, não uma dose.

A segunda é que isso explica um fenômeno que aparece o tempo todo aqui, que é a pessoa dizer que determinado laboratório bate muito forte. Isso costuma ser lido como qualidade. Frasco superdosado é um dos achados de falsificação, e bater mais forte pode significar exatamente que tem mais do que o rótulo diz. É o oposto de controle de qualidade.

A terceira é o inverso, e aparece com a mesma frequência. Alguém não sente nada e conclui que o produto é fraco ou que precisa aumentar. Se o frasco estiver subdosado ou contiver outra substância, aumentar a dose de algo desconhecido é a decisão mais arriscada possível.

A quarta é sobre o segundo estudo que você citou, o que mostra que as substituições mais comuns são feitas com testosterona e, em seguida, com boldenona. Isso importa porque muda o perfil de risco de forma silenciosa. Uma mulher que compra oxandrolona e recebe testosterona não está tomando uma dose errada, está tomando outra substância, e virilização de voz é irreversível. Quem compra algo que não aromatiza e recebe testosterona vai ter retenção e ginecomastia sem entender por quê.

E a quinta é que não existe forma caseira de verificar. Não dá para verificar por holograma nem por QR code, porque quem falsifica a embalagem falsifica também o selo e a página que ele aponta. Não dá para verificar por preço, e produto caro é ainda mais alvo, porque a margem é maior. Não dá para verificar por ardência ou por dor na aplicação. E não dá para verificar por reputação de marca, o que me leva ao ponto seguinte.

@bruno.s, você perguntou neste mesmo tópico se determinado laboratório era confiável, logo abaixo de um estudo mostrando que um terço dos produtos apreendidos era falso. Isso não é crítica a você, e a pergunta é a mais natural do mundo. É que ela é justamente a que o estudo mostra não ter resposta possível.

Mesmo que o fabricante de origem seja sério, o que chega até o comprador passou por uma cadeia sem rastreabilidade, e é exatamente essa cadeia que o estudo mediu. Reputação de marca é uma informação sobre o fabricante, e o que se compra aqui não tem como ser vinculado a ele.

Agora, o ponto em que eu discordo do que ficou registrado.

@Micael Silva, você concluiu que sobrou procurar underground de confiança, e sugeriu comprar produto de origem veterinária, dizendo que, apesar de ter algumas impurezas, ainda tem grandes chances de ser original.

Essa conclusão vai contra os dados do próprio tópico, e por dois caminhos.

O primeiro é que o estudo que o Miguel citou aponta a boldenona como a segunda substância mais usada em substituições. Boldenona é justamente o composto veterinário mais difundido, e isso significa que a linha veterinária está no centro do problema, não fora dele.

O segundo é que original, no sentido de ser de fato um produto veterinário legítimo, não é uma garantia útil. Medicamento veterinário é fabricado sob exigências próprias, voltadas a outra espécie, e ele não segue as exigências de esterilidade, controle de endotoxinas e teor aplicáveis a injetável de uso humano. Ou seja, mesmo o produto autêntico não foi feito para isso, e as impurezas que você mencionou de passagem são exatamente o motivo pelo qual injetável humano tem controle mais rígido. E, quando algo dá errado, não existe registro sanitário que ampare.

Você também mencionou manipulação como alternativa, e reconheceu que o sal pode ser falso. Esse reconhecimento é o ponto principal. A farmácia de manipulação é obrigada a fornecer certificado de análise do princípio ativo, e pedir esse certificado é uma das poucas verificações reais disponíveis. Mas ele atesta o insumo que a farmácia recebeu, e depende da idoneidade do fornecedor dela.

@fisiculturismo, respondendo a sua pergunta, que o Miguel já respondeu em parte. Os dados são de produtos apreendidos, o que inclui medicamento de farmácia desviado da venda regular. E vale a distinção que interessa. Produto comprado em farmácia, com nota, dentro do circuito regulado, tem cadeia rastreável e é outra categoria de risco. O mesmo produto comprado fora dela deixa de ter essa garantia, ainda que a caixa seja idêntica.

Uma última observação, sobre a utilidade prática de tudo isso. Existe uma verificação indireta que quase ninguém faz e que é acessível. Dosar testosterona total e livre algumas semanas depois de iniciar. Praticamente todo anabolizante suprime o eixo, então a testosterona própria deve cair. Se ela não se mover em nada, isso é informação sobre o frasco. E, no caso de quem usa testosterona, o valor muito acima ou muito abaixo do esperado para a dose declarada diz bastante.

Não é análise de conteúdo, e não substitui, mas é o mais próximo disso que existe fora de um laboratório de perícia, e custa uma fração do que se gasta no produto.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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