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  • Seu pré não tem comida?

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  • 7 anos depois...

Esse tópico tem uma pergunta muito boa feita logo no começo e que ficou sem resposta, e ela explicava o caso inteiro. O @davidevh perguntou: se o problema era comida, por que não usou só o cobavital?

Era exatamente essa a questão, e o desfecho do relato deu razão a ele.

Vou por partes.

O @SuperClockMDS tinha 20 anos, 1,79 m, 78 kg, dez meses de academia, e praticava caratê e taekwondo praticamente todos os dias, mais pedalada nos sábados e domingos. Ele disse que tinha muita dificuldade de ganhar peso.

Não é mistério, e não é metabolismo. São duas coisas somadas.

A primeira é o gasto. Ele treinava luta seis dias por semana e pedalava nos outros dois, além da musculação. Não havia um dia de recuperação na semana inteira.

A segunda é o chamado efeito de interferência. A metanálise sobre treino concorrente mostra que volume alto de trabalho aeróbico e de impacto prejudica ganhos de força e de hipertrofia, principalmente de membros inferiores. Ou seja, o caratê e o taekwondo não estavam apenas queimando calorias, estavam competindo diretamente com o estímulo da musculação.

O @davidevh apontou isso quando disse que a rotina dele prejudicava muito o treino de musculação, e estava certo.

E a terceira parte, que atravessa o tópico inteiro sem nunca aparecer: em nenhum momento, nas 43 mensagens, existe um número de calorias.

Existe chá de casca de abacaxi em jejum, omelete com quatro ovos, leite com achocolatado no pós treino, lata de energético como pré treino, mas não existe um total. Alguém que treina luta seis dias por semana e não consegue ganhar peso tem um problema aritmético, e ele nunca foi calculado.

O @Locemar tocou nesse ponto ao perguntar se o pré treino dele não tinha comida, e o @davidevh perguntou como ele sabia que tinha metabolismo para comer aquela quantidade de calorias. As duas perguntas eram as certas.

Agora o desfecho, que é a parte mais interessante.

Ele começou com 77 a 78 kg e terminou com 81 kg. E escreveu, no meio do caminho, que tinha achado uma merda e dinheiro jogado fora.

As duas coisas são verdadeiras ao mesmo tempo, e a explicação está na pergunta do @davidevh.

Ele tomou duas coisas: o produto vendido como pró hormônio e o cobavital. O cobavital é ciproeptadina com cobamamida, e a ciproeptadina é um anti histamínico cujo efeito colateral conhecido é aumentar a fome. É um estimulante de apetite, e é usado exatamente para isso.

Ou seja, o único item do protocolo com mecanismo claro e documentado para o problema dele, que era não conseguir comer o suficiente, foi o cobavital. E os 3 a 4 kg que ele ganhou são compatíveis com um rapaz de 20 anos comendo mais durante um mês.

Ele podia ter obtido o mesmo resultado com o item mais barato e mais previsível da lista, sem nada mais. Foi literalmente o que lhe perguntaram no primeiro dia.

Vale a ressalva sobre o cobavital: a bula orienta reduzir a dose pela metade quando a sonolência for marcada, e ele treinava luta à noite. Sonolência e reação mais lenta em treino de luta não combinam.

Sobre o produto vendido como pró hormônio, uma observação que o @davidevh também já tinha feito e que merece ficar registrada.

O problema desses produtos não é serem falsificados. É que o rótulo não permite saber o que há dentro em quantidade útil, e por isso não há como planejar controle de efeito colateral nem terapia pós ciclo com precisão. Ele mesmo escreveu, ao fim, que provavelmente o produto era original e que não era esse o problema.

Agora a parte que eu preciso comentar com clareza, sobre a terapia pós ciclo que ele montou.

Ele planejou tamoxifeno e cabergolina, obtidos com o irmão médico.

O tamoxifeno tem lógica em protocolo pós ciclo, ainda que a necessidade dele depois de quatro semanas de um produto de composição incerta seja discutível.

A cabergolina não tem. Ela é agonista dopaminérgico, indicada para hiperprolactinemia, ou seja, para prolactina alta comprovada em exame. Ele nunca dosou prolactina. Tomar cabergolina sem prolactina elevada é tratar um exame que não foi feito, e ela tem efeitos próprios: náusea, tontura e queda de pressão são comuns, e o uso prolongado em doses altas se associa a alteração de válvula cardíaca.

Ter acesso a uma receita não é o mesmo que ter indicação. É a diferença entre conseguir o medicamento e precisar dele.

Sobre a discussão final com o @Lobeca, vale um comentário equilibrado, porque os dois tinham parte de razão.

O @Lobeca está certo em que ciclo oral isolado, sem testosterona, deixa o eixo desligado sem nada repondo, e que isso cobra em disposição, humor e recuperação, além da libido. E ele está certo em que existe sinergia.

E o @SuperClockMDS está certo em que protocolos de dose baixa existem, são defensáveis e reduzem efeitos adversos. A discordância entre os dois é real e legítima dos dois lados.

O que eu acrescentaria é que a resposta dele sobre a libido, dizendo que aquilo não seria problema para ele, resolve um ponto da lista e não os outros. Testosterona baixa produz cansaço, humor ruim, perda de densidade óssea e piora do perfil lipídico, e nada disso depende de interesse sexual.

E há uma coisa que não foi dita a ele em nenhum momento.

Ele tinha 20 anos e dez meses de academia.

Aos 20 anos, a produção natural de testosterona está no pico absoluto da vida. Dez meses de treino é o começo do período em que se ganha mais massa magra sem nada, e ele nem tinha chegado perto de esgotar isso. Além disso, o protocolo de três drogas sugerido no fim do tópico, com testosterona, nandrolona e stanozolol por doze semanas, é uma escalada enorme para alguém que chegou ali reclamando que um suplemento não tinha feito efeito.

O caminho que resolveria o problema declarado dele, e que ninguém montou, é bem mais simples: reduzir o volume de luta e de pedalada para dois ou três dias, deixar um dia de descanso real, comer com número em vez de com ritual, e treinar cada grupo muscular duas vezes por semana com carga registrada. Com dez meses de treino e 20 anos, isso rende mais do que qualquer coisa discutida aqui.

E o @renatobhmg deu o conselho mais sensato do tópico logo no começo: juntar as próprias ideias com as do fórum e levar a um profissional.

Se quiser começar pelo número que faltava, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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