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Relato Ciclo-6 (Enantato de Testosterona): 1 ml na segunda e 1 ml na quinta por 8 semanas

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  • aí garoto...tá show...parabéns. Mas tive a mesma impressão que o Tae....parece que nas fotos do meio tá maior...mas é isto...luz, ângulo...bem...parabéns aí

  • uahauahuahuah, põe tenso nisso!

  • Ae galera,mais uma vez fiquei sem PC e nao tive como relatar. bom,a semana que passou foi horrivel... treinei só de segunda a quarta,pois na quinta e sexta nao tive tempo,estive resolvendo uns c

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  • 1 ano depois...
  • 11 meses depois...
  • 8 anos depois...

Esse relato do @japo. tem uma diferença em relação à maioria dos que aparecem por aqui, e é justo começar reconhecendo isso.

Ele tinha 1,85 m, 95 kg e 13 por cento de gordura. Fazendo a conta, a massa livre de gordura fica em torno de 82,6 kg, e dividindo pela altura ao quadrado o índice de massa livre de gordura dele dá aproximadamente 24,1.

Num estudo com 157 atletas, os que nunca tinham usado esteroides ficaram todos abaixo de 25, e os usuários iam de 25,4 a 32,4. É uma régua descritiva e não uma barreira física, mas serve de referência.

Ou seja, diferente do padrão do fórum, ele não estava longe do teto natural. Estava perto dele.

Isso muda o argumento. Não dá para dizer a ele que estava desperdiçando anos de ganho fácil, porque não estava.

O que muda tudo é outro número: ele tinha 19 anos.

E é aí que está o ponto principal deste tópico.

Aos 19 anos, a produção natural de testosterona está no pico da vida inteira, e o eixo hipotálamo hipófise testículo terminou de amadurecer há pouco tempo. Ele estava suprimindo com 600 mg semanais exatamente o sistema que estava rendendo mais do que renderá em qualquer momento futuro.

E há um agravante prático: os dados sobre recuperação do eixo após uso de androgênio vêm majoritariamente de homens adultos. Em quem começa muito jovem, a informação é mais escassa, e o risco de recuperação incompleta é justamente a variável que ele não tem como estimar.

Alguém que chega a um índice de 24 aos 19 anos, sem nunca ter usado nada, é a pessoa que menos precisava e a que mais tinha a perder.

Agora os pontos técnicos do protocolo.

Sobre iniciar a terapia pós ciclo 30 dias após a última aplicação, que ele levantou: com enantato, cuja meia vida é de sete a oito dias, trinta dias correspondem a cerca de quatro meias vidas. Ainda resta droga, mas em nível baixo. É um prazo razoável.

Só que prazo é convenção. O que responde de verdade é exame: depois desse intervalo, dosar LH, FSH e testosterona total. Se o LH voltou, o eixo religou. Se não voltou, aí existe indicação de tratamento, com médico. Terapia pós ciclo não é uma lista de comprimidos, é a resposta a uma pergunta.

Sobre o clembuterol que ele usava junto, dois pontos.

O primeiro é a meia vida, que em pessoas fica entre 26 e 39 horas. Ela é longa, e por isso os esquemas de dois dias tomando e dois parando não limpam o organismo, apenas reduzem parcialmente o que ficou.

O segundo é o potássio. O clembuterol empurra potássio para dentro das células e derruba o potássio do sangue, e é isso que produz a cãibra que aparece em quase todos os relatos. Potássio baixo é o que gera arritmia. Cãibra intensa, fraqueza muscular, palpitação e batimento irregular são motivo de parar e dosar sódio, potássio e creatinina.

E vale registrar que ele reportou, na segunda semana, dores de cabeça leves e o estresse lá em cima. Dor de cabeça em quem usa testosterona pede duas verificações baratas: pressão arterial aferida em casa e hemograma com hematócrito. Testosterona eleva a produção de glóbulos vermelhos, e homens em tratamento têm cerca de quatro vezes mais chance de ultrapassar 50 por cento, com orientação de suspender acima de 54. É silencioso.

Sobre o Glicopan que ele mencionou, uma observação que vale para toda essa categoria.

É produto de uso veterinário. Os limites de esterilidade, de partículas e de endotoxina desses produtos são fixados considerando a espécie, o peso e a expectativa de vida do animal de destino. São adequados para o fim a que se destinam, e é exatamente isso que os torna inadequados para outro.

E há um detalhe que faz diferença: vários tônicos veterinários dessa família trazem, além de vitaminas e aminoácidos, substâncias com ação farmacológica própria que não se espera de um polivitamínico. Quando não se consegue confirmar exatamente o que há dentro da ampola, a informação que falta não é um detalhe, é a informação principal.

Agora respondendo ao @Heverton Francisco, que escreveu em 2017 e recebeu apenas a orientação de abrir tópico próprio.

Ele informou 27 anos, 64 kg e percentual de gordura de 4 por cento, e disse querer crescer.

Esses números não fecham, e vale explicar por quê, porque isso muda a decisão dele.

A gordura essencial no homem, ou seja, a que compõe membranas, sistema nervoso e órgãos e sem a qual o organismo não funciona, fica em torno de 3 a 5 por cento. Quatro por cento é o patamar de um fisiculturista no dia da competição, mantido por poucos dias e com custo alto.

Alguém que está nesse percentual não está postando dúvida sobre como crescer: está sob preparação e com acompanhamento. O mais provável é que a medida tenha vindo de bioimpedância ou de adipômetro mal calibrado.

E isso importa porque, se ele acredita estar com 4 por cento, ele vai concluir que só falta massa e vai atrás de farmacologia. Se o número real for 12 ou 15 por cento, a conclusão é outra, e o caminho é comida e treino.

Para 64 kg, o que resolve é superávit calórico consistente, proteína em torno de 1,8 a 2 g por quilo e carga registrada. E medir com fita métrica e foto em vez de aparelho.

Duas observações finais.

A primeira é sobre a preocupação com o abdome que atravessou várias mensagens. O @Everton Santos deu a resposta certa: no meio de um bulking não dá para encanar com barriga. E vale acrescentar que abdominal com peso, que foi sugerido, fortalece o músculo e não retira a gordura que está por cima dele. O estudo que testou isso diretamente, com sete exercícios abdominais cinco dias por semana durante seis semanas, não encontrou redução da gordura subcutânea da região.

A segunda é sobre a expressão endomorfo, que apareceu no meio da conversa. Os somatotipos vêm de uma classificação dos anos 1940, baseada em observação visual, sem consistência entre avaliadores, e foram abandonados porque não predizem resposta metabólica nem resposta a dieta. O que costuma explicar a diferença entre quem ganha limpo e quem ganha gordura é o tamanho do superávit, e isso é modificável.

Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e o que cada um responde, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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