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Qual é a melhor whey barata?

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  • 4 anos depois...
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  • Mas voltando ao assunto do Whey... 50 conto no Brasil é impossível.... Importando vc consegue chegar perto, apesar que agora com essa palhaçada da Receita Federal estão taxando quase tudo....... Agora

  • melhor Whey não é a mais barata...pense nisto

  • importa.... seria melhor chance.. não é esse preço aí.. mas chega perto disso...  ou investe na dieta.. abraços

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  • 6 anos depois...

Esse tópico começou sobre whey barata e, no meio dele, o @SARADO22 escreveu a frase mais importante de toda a conversa. Ela foi tratada como desculpa, e não era. Vou começar por ela, porque é o que muda o caso inteiro, e depois volto à pergunta original, que também tem resposta boa.

Ele escreveu que não era a comida, que eram os antipsicóticos que ele usa que engordam, e que o ameaçavam de internação se ele não tomasse.

Isso é verdade, está bem documentado, e ele foi respondido com deboche.

Ganho de peso induzido por antipsicótico é um dos efeitos adversos mais estudados dessa classe de medicamentos. Ele não é fruto de falta de disciplina: os antipsicóticos de segunda geração agem em receptores de histamina e serotonina que regulam saciedade, aumentam a fome de forma marcante e pioram a sensibilidade à insulina. Algumas moléculas produzem ganho de dezenas de quilos ao longo do tratamento, e isso é justamente uma das principais causas de as pessoas abandonarem a medicação.

Ou seja, um rapaz de 22 anos com 115 kg e 1,84 m, em uso de antipsicótico, que relata ter tentado várias dietas e travar sempre na mesma faixa de peso, está descrevendo um quadro clínico conhecido, não uma desculpa.

E aqui está o que ninguém lhe disse em todos esses anos, que é a parte útil.

Primeiro, e mais importante: não se para o antipsicótico. Nunca por conta, e não é isso que estou sugerindo. A interrupção de antipsicótico traz risco de recaída, e o peso é um problema muito menor do que aquele que a medicação está controlando.

Segundo: existe o que fazer, e é conversa com o psiquiatra, não com o balconista da loja de suplementos.

Há diferença grande de perfil entre as moléculas. Algumas têm risco baixo de ganho de peso, e a literatura de troca mostra que mudar de um antipsicótico de alto ganho para um de perfil mais neutro melhora peso e parâmetros metabólicos, quando o quadro psiquiátrico permite. Quem decide isso é o médico dele, e a pergunta que ele pode levar é simplesmente esta: existe alternativa com menos impacto no peso para o meu caso.

E há uma opção que nem exige trocar de remédio. A metformina é o único agente com evidência consistente para prevenir e tratar o ganho de peso induzido por antipsicótico. Numa revisão sistemática, o grupo com metformina ganhou em média cerca de 4 kg a menos que o controle. É medicamento barato, disponível no SUS, e é o tipo de coisa que o psiquiatra pode avaliar acrescentar.

Nada disso ele ia descobrir num fórum de suplementos, e é exatamente por isso que valia estar escrito aqui.

Sobre o termogênico que ele pediu, e essa é a parte de segurança.

Ele pediu ajuda para conseguir um queimador de gordura. Eu não usaria, e o motivo é específico do caso dele. Vários antipsicóticos prolongam o intervalo QT no eletrocardiograma, o que aumenta o risco de arritmia grave. Estimulantes adrenérgicos, que é o que existe dentro desses produtos, somam risco cardiovascular exatamente na mesma direção. Além disso, estimulantes potentes podem desestabilizar quadros psiquiátricos, e alguns interagem com a medicação psiquiátrica.

Ou seja, das pessoas que poderiam usar um termogênico de venda livre, ele era das que menos deveriam. E isso também é informação que só se resolve com o médico que o acompanha.

E o que funciona no lugar disso, sem contraindicação nenhuma, é o mais chato e o mais eficaz: caminhada diária, sono regular e o que o @Kabul apontou logo no começo, que era procurar orientação nutricional. Ganho de peso por medicação responde a déficit calórico, ele só exige mais consistência, porque a fome está aumentada por mecanismo farmacológico e não some por força de vontade.

Agora, voltando à pergunta que abriu o tópico, que tem resposta objetiva.

A pergunta era qual whey vale a pena por 50 reais. A resposta é nenhuma, e o @Kabul explicou o motivo certo: existe um piso de custo de matéria prima abaixo do qual o produto não fecha conta. Whey vem de soro de leite processado, e esse insumo tem preço internacional. Quando o preço final fica muito abaixo disso, ou a concentração é baixa, ou há enchimento.

O que ele chamou de farinha tem nome técnico: adulteração por adição de nitrogênio. Como a análise padrão de proteína mede nitrogênio e não proteína, dá para inflar o resultado adicionando substâncias baratas ricas em nitrogênio, como glicina, taurina ou ureia. O laudo fecha, o produto não entrega, e é por isso que o @SARADO22 sentiu que o dele parecia achocolatado fraco. A percepção dele estava certa.

E é por isso que a pergunta do @Kabul ao @bradador continua sendo a certa: um laudo dizendo 83 por cento de proteína não diz de onde veio esse nitrogênio. O que responde isso é o perfil de aminoácidos, e não o teor de proteína total.

Mas o melhor conselho do tópico veio de duas pessoas que ninguém levou a sério.

O @Kabul fez a conta que encerra o assunto: com 50 reais dá para comprar cerca de 5 kg de frango, o que dá mais de 1 kg de proteína, contra os 500 g que uma whey duvidosa de 1 kg entregaria no melhor cenário. E o @ynjm dizia desde a primeira resposta para investir na dieta.

A @criscouto foi ainda mais longe e, embora tenha soado como brincadeira, a conta dela fecha: duas galinhas poedeiras a 30 reais cada, algo em torno de 200 ovos por ano cada uma, por dois anos, dão 800 ovos e aproximadamente 4,4 kg de proteína, pelo preço de um pote. É a melhor relação de custo por grama de proteína que apareceu em todo o tópico.

E a @larissaeasestacoes acertou também ao sugerir leite e ovos como base.

O método geral, para quem chega aqui com pouco dinheiro, é este: calcule o custo por 100 g de proteína, e não o preço do pote. Pegue o preço, veja quantos gramas de proteína o alimento tem, divida. Feito isso em qualquer mercado do Brasil, o ranking se repete: ovo é o mais barato por larga margem, seguido de leite em pó, frango inteiro ou coxa e sobrecoxa, sardinha em lata, fígado bovino e as leguminosas. Whey cai no meio, e cortes bovinos nobres ficam entre os mais caros.

Uma correção pequena a algo que ele fez e que não vale a pena repetir: ele guardou a albumina que já tinha em casa, aberta, para priorizar a whey. Foi ao contrário do que a conta recomenda. Albumina é clara de ovo desidratada, tem valor biológico alto e custa uma fração da whey. Aberta, ela deveria ter sido usada primeiro.

Duas observações finais sobre a dieta que ele postou.

A primeira é que ela era quase toda arroz, feijão e batata doce, com pouca proteína e quase nenhuma verdura, o que o @Kabul e o @Regis Rock apontaram corretamente. Com 115 kg e o objetivo de emagrecer, o problema não era falta de suplemento, era estrutura.

A segunda é que ele começava o dia às 9h30 com arroz, carne e feijão, e o @Zikaue deu uma sugestão prática e boa nesse ponto.

Fecho com uma observação sobre o tom.

Ele foi respondido, quando contou que usava antipsicótico, com a sugestão de que era mentira e que bastava tomar o remédio sem comer para descobrir. E foi respondido, mais adiante, com a sugestão de arrumar cinco empregos. Ele era um rapaz de 22 anos, com um transtorno psiquiátrico grave o bastante para haver ameaça de internação, cinquenta reais no bolso e disposição para tentar. Ele merecia a informação sobre metformina e sobre troca de medicação, que existia e existe, e que teria mudado bem mais o caso dele do que qualquer pote.

Se quiser montar a alimentação com comida barata em vez de suplemento, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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