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Primeiro clico de oxandrolona 10mg

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Esse é um dos relatos mais completos do fórum. A @Degcastro começou, atualizou toda semana, postou fotos, fez exames e foi até o fim, que é justamente o que quase ninguém faz.

Por isso mesmo vale discutir com seriedade a decisão tomada no último post, que passou como detalhe e é a mais importante de todas.

Ela encerrou 13 semanas de oxandrolona e ia começar, no mesmo dia, um cruise com propionato de testosterona. A orientação foi para não esperar nada, começando no mesmo dia, para não haver crash hormonal e para aproveitar o SHBG baixo.

Preciso discordar disso, e o motivo não é dose.

O conceito de cruise foi importado da lógica masculina. Nela, o raciocínio é o seguinte: o androgênio exógeno suprime o eixo, a produção própria cai, e manter uma dose de manutenção evita o período de testosterona baixa que vem depois. Faz sentido dentro daquela lógica.

Em mulher esse raciocínio não se transporta. A produção androgênica feminina vem do ovário e da adrenal em quantidade muito menor, e o que se descreve como crash depois de um ciclo curto em mulher não é comparável ao hipogonadismo masculino pós ciclo. Ou seja, o problema que o cruise resolve no homem não é o mesmo problema aqui.

Mas há uma diferença que pesa muito mais, e é ela que muda a conta.

Entre os efeitos de virilização, alguns regridem com a suspensão, como acne, oleosidade e alteração do fluxo menstrual. Dois não regridem de forma confiável: o engrossamento da voz e o aumento do clitóris. As alterações vocais vêm de mudança estrutural na prega vocal, e a literatura descreve casos permanentes inclusive após uso curto.

E esses efeitos dependem de exposição acumulada. Um ciclo tem começo, meio e fim, e o intervalo é o que limita o total. Um cruise, por definição, não termina.

Ou seja, para uma mulher, cruise é a estrutura que mais acumula exposição justamente na categoria de efeito que não volta atrás. É o oposto do que a farmacologia recomendaria para ela.

E existe um problema imediato no caso específico dela, que ninguém ligou: os exames dela vieram com as enzimas hepáticas alteradas, e a própria conversa reconheceu isso ao dizer que o fígado estava um pouco sofrido.

Com enzimas alteradas, a conduta é parar, esperar e repetir o exame, e não iniciar outro composto no mesmo dia. E, se as enzimas não normalizarem em algumas semanas fora do uso, é avaliação médica, porque nesse ponto a hipótese não é mais efeito esperado.

Sobre a recomendação de consumir abacaxi para o fígado: não existe evidência de que abacaxi, bromelina, silimarina ou qualquer suplemento dito hepatoprotetor previna ou reverta lesão por oral 17 alfa alquilado. O que resolve é retirar o agente e dar tempo.

Agora a discussão que ocupou metade do tópico, e que tem uma resposta que ninguém apresentou.

Ela ficou semanas sem ver mudança no peso, e a conclusão coletiva foi que a oxandrolona era falsa ou subdosada. Ela chegou a ser aconselhada a jogar fora e comprar outra marca.

Repare no que ela mesma tinha escrito no começo do tópico: mantinha 53 kg comendo 1.600 kcal por cinco meses, e depois passou a comer cerca de 1.900 kcal.

Ou seja, ela estava, com muita coerência, comendo em torno da manutenção. E peso que não se move em quem come na manutenção é exatamente o resultado esperado, com oxandrolona ou sem.

O que se questionou foi a droga. O que explicava era a aritmética.

E vale desmontar a premissa que sustentou toda aquela conclusão, porque ela reaparece em quase todos os relatos femininos daqui: a ideia de que ausência de colateral significa produto fraco.

Efeito colateral e efeito desejado vêm do mesmo receptor androgênico, mas em tecidos diferentes, com sensibilidades diferentes. Quanta acne, quanta oleosidade e quanta queda de cabelo alguém desenvolve depende de fatores individuais, como densidade de receptor e atividade da 5 alfa redutase na pele e no folículo. Isso não guarda relação com quanto músculo a pessoa ganha.

Quem não sentiu colateral não recebeu produto ruim. Provavelmente teve a melhor sorte possível. E, na prática, ela terminou o ciclo com resultado visível e sem virilização, que é o melhor desfecho disponível.

Uma nota sobre o argumento de aproveitar o SHBG baixo. É verdade que androgênios reduzem o SHBG e que isso eleva a fração livre. Mas isso é a descrição de um efeito, não uma janela de oportunidade: o SHBG volta a subir quando o androgênio sai, e não existe ganho que se perca por esperar duas semanas.

Agora três pontos práticos.

O primeiro é a dor lombar em queimação do lado esquerdo, que ela relatou como colateral e que ficou sem resposta objetiva.

Dor em queimação na região de flanco não é achado típico de oxandrolona. As causas que precisam ser afastadas primeiro são as urinárias, ou seja, infecção e cálculo renal, e o quadro tem sinais próprios: dor que vem em ondas, irradia para a virilha, febre, ardência ao urinar, urina turva ou com sangue.

Se qualquer um desses aparecer, é atendimento no mesmo dia. Vale dizer também que ela estava fazendo jejum prolongado, dieta com proteína alta e três litros de água, o que torna a hidratação a variável mais fácil de conferir.

O segundo é a ioimbina que ela cogitou usar, em 5 mg ao acordar e 5 mg antes do treino, junto com HIIT que se pretendia levar para cinco vezes por semana.

Dois pontos aqui. A ioimbina é medicamento, e não suplemento, e o efeito dela é adrenérgico: eleva frequência cardíaca e pressão arterial, e produz ansiedade, tremor e insônia com facilidade. Somar isso a HIIT cinco vezes por semana e a cafeína pré treino é empilhar estímulo sobre o mesmo sistema.

E há um problema de dose que é específico dessa substância. Numa análise de 49 produtos vendidos como suplemento de ioimbina, a maioria não informava a quantidade no rótulo, e entre os que informavam o conteúdo real variou de 23 a 147 por cento do declarado. Ou seja, quem toma 5 mg pelo rótulo pode estar tomando bem mais ou bem menos, e não tem como saber.

Ela também precisa saber que ioimbina interage com antidepressivos, sobretudo os que agem na noradrenalina, com risco de elevação importante da pressão. Quem usa qualquer antidepressivo não deve associar sem falar com quem prescreveu.

O terceiro é sobre o método de avaliação, e aqui é um elogio.

Ela usou avaliação por sete dobras, sempre no mesmo lugar, e comparou 20 por cento com 18 por cento. Fazer sempre com o mesmo método é exatamente o procedimento correto, porque o erro do método passa a ser constante e a diferença fica interpretável.

O único cuidado é não tratar o número absoluto como exato: adipômetro tem erro típico de três a cinco pontos percentuais. A tendência entre duas medidas iguais vale. O valor isolado, menos.

E vale notar que ela fez algo que quase ninguém faz: procurou o médico antes, pediu exame, foi recusada, e mesmo assim conseguiu fazer os exames depois. A observação de que qualquer clínico geral pode solicitar esses exames estava correta e é útil para muita gente que lê isso.

Sobre o plano seguinte, de boldenona para ganhar volume, deixo só o critério, porque ele vale para qualquer escolha futura dela.

O undecilenato de boldenona tem meia vida muito longa, da ordem de duas semanas, com detecção que se estende por meses. Como parte dos sinais de virilização é irreversível, o valor de um composto de ação curta está em poder interromper no dia em que o sinal aparecer e ter a exposição caindo depressa. Com éster longo, no dia do sinal ainda restarão semanas de droga circulando, e não há como acelerar isso.

Para mulher, meia vida curta não é conveniência. É a margem de segurança inteira. E é por isso que a oxandrolona, apesar do custo hepático, continua sendo a escolha mais defensável, e foi justamente a que ela usou.

Uma última coisa, sobre o que de fato produziu o resultado.

Ela saiu de 20 por cento para 18 por cento, mudou visivelmente nas fotos e ganhou consciência de treino e de dieta. E a leitura mais honesta do tópico foi a do próprio @Apollo Galeno, quando disse que a diferença provavelmente estava mais associada à dieta do que ao esteroide, e a da @Joaninha, que apontou que o valor maior foi ela ter aprendido a treinar e a comer.

Ela passou o ciclo inteiro achando que a droga era falsa, e mesmo assim entregou o resultado. Isso responde sozinho qual das duas partes estava fazendo o trabalho.

Para quem quiser montar a dieta com os números na mão, o site tem um gerador de dieta em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ , que serve como ponto de partida para ajustar com acompanhamento.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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