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Ciclo Oxan + Stano com 40 anos prescrito por endócrino

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  • Apollo Galeno
    Apollo Galeno

    Se não entrasse com testo perderia uma pequena porcentagem sim, mas como seguirá com testo seus ganhos se manterão e se somarão aos futuros. Será uma ótima evolução......até o final do ano se man

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A @drika41 escreveu uma frase no primeiro dia do tópico que resume um dilema que aparece muito por aqui: fui ao médico para não ter erro e acontece isso.

Ela procurou um endocrinologista do esporte, tinha nutricionista acompanhando, e recebeu uma prescrição. Três horas depois, o fórum disse que o médico havia se equivocado na dose e nas combinações. Ela ficou em pânico e começou a ajustar por conta.

Vou dar minha leitura, porque acho que os dois lados acertaram em coisas diferentes e ninguém separou uma da outra.

Primeiro, as doses isoladas.

A prescrição foi oxandrolona 5 mg com stanozolol 1 mg, de oito em oito horas, ou seja, 15 mg de oxandrolona e 3 mg de stanozolol por dia.

Quinze miligramas de oxandrolona está dentro da bula, que vai até 20 mg, embora acima da faixa de 5 a 10 mg mais usada em mulher. Três miligramas de stanozolol é uma dose baixa.

Ou seja, o médico não prescreveu doses absurdas. Isoladamente, os números são contidos.

O que de fato merecia a preocupação era outra coisa, e ela não foi bem nomeada: são três androgênios ao mesmo tempo, em alguém que nunca tinha usado nada.

Oxandrolona, stanozolol e testosterona injetável, todos começando praticamente juntos. Nesse arranjo, se algo der certo, não se sabe o que funcionou. Se algo der errado, não se sabe o que causou. E não há como retirar um sem mexer nos outros.

Segundo, a testosterona, que é onde o número realmente pesa.

Ela informou 130 mg divididos em quatro semanas, ou seja, cerca de 30 mg por semana. A referência de testosterona total em mulher fica, na maioria dos laboratórios, entre aproximadamente 15 e 70 ng por decilitro.

Trinta miligramas por semana de testosterona injetável leva uma mulher para bem longe dessa faixa, provavelmente para a faixa masculina. A estimativa que apareceu no tópico, de algo em torno de 250, é plausível em ordem de grandeza.

Isso não é reposição. Reposição em mulher com testosterona baixa trabalha com doses muito menores, e o alvo é trazer o valor para dentro da faixa feminina, não ultrapassá-la.

E há um agravante que foi corretamente apontado: a oxandrolona e o stanozolol derrubam a SHBG, que é a proteína que sequestra androgênio. Com a SHBG baixa, a fração livre da testosterona sobe ainda mais. Ou seja, os três compostos se potencializam, e o efeito final é maior que a soma aparente das doses.

Terceiro, e é o ponto que eu mais queria deixar registrado, porque ele explica por que ela não conseguiu seguir nenhum dos conselhos que recebeu.

Ela escreveu: mandei manipular, não tenho como separar as duas drogas.

Esse é um problema sério de formulação, e ninguém comentou.

Quando duas substâncias são manipuladas juntas numa mesma cápsula, você perde três coisas de uma vez. Não dá para ajustar a dose de uma sem mexer na outra. Não dá para retirar uma se ela produzir efeito adverso. E não dá para atribuir nenhum efeito a nenhuma delas.

Foi exatamente o que aconteceu: recomendaram que ela tirasse o stanozolol, ela concordou, e a resposta possível foi tomar um comprimido por dia em vez de três, o que reduziu tudo junto, inclusive a oxandrolona.

Quando o protocolo prevê ajuste, o certo é manipular separado, mesmo que saia um pouco mais caro. É a diferença entre ter e não ter controle sobre o próprio tratamento.

Sobre o stanozolol em mulher, a preocupação do fórum era legítima e vale o motivo técnico.

Ele é o pior de todos os androgênios para o perfil lipídico. Em estudo controlado, reduziu o HDL em 33 por cento e elevou o LDL em 29 por cento. E é dos que mais virilizam.

E aqui está o exame que, no caso dela, importa mais do que qualquer outro e que precisa ser pedido explicitamente: perfil lipídico completo, com LDL, HDL, triglicérides e não HDL, antes e ao longo do uso. Ele é silencioso, não muda nada no espelho e não aparece em hemograma.

Quando ela postou resultados e ouviu que estava tudo normal e controlado, a pergunta que ninguém fez foi quais exames eram. Se o perfil lipídico não estava entre eles, o principal não foi olhado.

O outro que não estava na lista: os sinais de virilização não são exame, são observação. Rouquidão, voz mais grave, dificuldade nas notas altas da fala e aumento de clitóris são de parada imediata e não regridem. Acne, oleosidade, pelo, queda de cabelo e alteração de ciclo regridem.

Agora onde eu discordo de uma orientação dada a ela.

Foi sugerido que pedisse à nutricionista 3 g de proteína por quilo e que, se ela questionasse, respondesse que era porque queria.

Duas coisas. A faixa em que o benefício da proteína se estabiliza é de 1,6 a 2,2 g por quilo, podendo subir um pouco em déficit acentuado. Três gramas não faz mal, mas não entrega nada a mais e ocupa espaço de carboidrato, que é o que sustenta o treino.

E, mais importante, a nutricionista tem os exames e o histórico dela. Se a orientação do fórum for boa, ela sobrevive a ser discutida com quem acompanha. O que não funciona é impor número a profissional dizendo que é porque quer.

O mesmo vale para a prescrição médica. As preocupações levantadas aqui eram pertinentes, especialmente sobre o stanozolol e sobre a dose de testosterona. O destino delas era o retorno com o endocrinologista, com as perguntas escritas, e não o ajuste por conta de uma cápsula que ela nem conseguia dividir.

Duas observações finais.

A primeira é sobre a testosterona que ela descreveu: injetável, sem nome no frasco, apenas com a palavra testosterona e a dosagem. Manipulado sem identificação de laboratório e sem laudo é o cenário em que todos os cálculos feitos acima passam a depender de uma declaração que ninguém verificou.

A segunda é a que o @Foston levantou e que ficou sem desfecho: quatro semanas de testosterona não sobem e mantêm nada. Quando termina, volta ao ponto de partida. Se o diagnóstico era testosterona baixa, isso é tratamento contínuo com acompanhamento, e não um ciclo de quatro semanas. Se não era, então a indicação precisa ser revista. Essa pergunta era a mais importante da conversa e nunca foi respondida.

Aos 40 anos, com dificuldade real de ganhar massa magra e testosterona baixa documentada, ela fez a coisa certa procurando endocrinologista e nutricionista. O que faltou não foi profissional: foi voltar até eles com as dúvidas em vez de resolvê-las sozinha.

Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e o que cada um responde, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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