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Hormônios normalizados com SERMs tornam a cair após o uso?

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  • Moderador

Complicado falar qualquer coisa.....

A historia do forista.....falta detalhar bem o "esquema" de maneira completa........vejo apenas cortes de historia......não sei quem é vc.....idade.....patologias associadas......medicações sendo usadas.....etc etc.......

E não entendi, qual a queixa principal? Valores de exames? Ou algum sinal e sintoma de algo?

 

 

  • 5 anos depois...
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A resposta objetiva para a pergunta do título, @jowes: costuma cair alguma coisa, sim, mas normalmente não volta ao fundo do poço. E o motivo está no mecanismo.

O tamoxifeno e o clomifeno agem bloqueando o receptor de estrogênio no hipotálamo e na hipófise. O estradiol é o principal sinal de retroalimentação negativa do eixo. Bloqueado esse sinal, o cérebro interpreta que falta hormônio, aumenta GnRH, e com isso sobem LH e FSH, que estimulam as células de Leydig a produzir testosterona. Ou seja, enquanto você toma o SERM, boa parte do número que aparece no exame é efeito farmacológico direto, não é o eixo funcionando sozinho. Quando o SERM sai, a retroalimentação volta a operar e o valor tende a acomodar num patamar mais baixo que o de vigência da medicação.

A pergunta importante é onde ele acomoda. E aqui os teus próprios números respondem melhor que qualquer teoria. Em 2014, natural, você tinha testosterona total de 390, LH 2,3 e FSH 2,5. Hoje, depois do tamoxifeno e do clomifeno, você está com testosterona total de 421, testosterona livre 11,97, LH 4,8, FSH 8,6, SHBG 16,6, estradiol 29 e prolactina 5,0. Isso significa que você não só recuperou, como está com LH e FSH acima do que eram na sua linha de base pré-ciclo, e com testosterona equivalente ou levemente superior. Do ponto de vista funcional, o eixo religou. É bem diferente daqueles 108 de nove meses após parar.

Isso muda a conduta. Continuar SERM agora não tem alvo. Você já chegou ao seu ponto de partida, e o seu ponto de partida sempre foi em torno de 390. Insistir em medicação para tentar levar esse número a 700 é buscar um valor que nunca foi seu. Aliás, o @Apollo Galeno colocou a pergunta certa: qual é a queixa principal hoje? Se a libido e a ereção voltaram, o tratamento cumpriu a função. Se continuam ruins com testosterona em 421, o problema provavelmente não é só o número da testosterona, e aí vale investigar tireoide, prolactina, ferritina, glicemia, sono, uso de outras medicações e componente psicológico.

Sobre estender o clomifeno por mais tempo. O efeito visual do clomifeno é real e não é lenda. Descrevem-se turvação, fosfenos, escotomas e sensibilidade à luz, geralmente relacionados à dose e à duração, e em geral reversíveis com a suspensão. Existe relato de persistência em uso prolongado, e é por isso que a maioria dos protocolos evita clomifeno por muitos meses e prefere tamoxifeno quando é preciso estender. Vale dizer que o clomifeno é uma mistura de dois isômeros, enclomifeno e zuclomifeno, e o zuclomifeno tem meia-vida muito longa, o que explica por que efeitos residuais podem demorar a sumir. Se você já sente algo na visão, eu não estenderia.

Sobre o tamoxifeno derrubar libido. Isso aparece em relato com alguma frequência, e o mecanismo mais provável não é a testosterona, que ele aumenta, e sim o bloqueio do receptor de estrogênio no sistema nervoso central. O estradiol tem papel direto em libido masculina, e homens com estradiol muito baixo costumam relatar exatamente queda de desejo, mesmo com testosterona boa. O teu estradiol está em 29, que é adequado, então nesse ponto você está bem. Não trataria isso como certeza para todo mundo, porque os dados são de relato clínico e não de ensaio controlado, mas o mecanismo é plausível e não deve ser descartado como impressão.

Sobre o HCG mencionado no tópico, a ressalva feita ali é pertinente. Ele funciona como análogo de LH e estimula diretamente a célula de Leydig, mas em dose alta ou uso prolongado ele suprime a produção própria de LH e ainda aumenta aromatização. Ele faz sentido antes ou no início da retomada, quando o testículo está muito tempo parado, e faz pouco sentido em quem já está com LH de 4,8 e FSH de 8,6 como você.

Uma observação sobre 2014, e sem intenção de puxar orelha, apenas porque quem lê este tópico depois pode estar na mesma situação: 390 aos 23 anos está dentro da faixa de referência, ainda que na porção baixa, e com libido e ereção normais o endocrinologista da época não estava errado em não medicar. Testosterona total isolada, sem sintoma, é um número ruim para tomar decisão. A SHBG de 12, que era baixa, inclusive fazia com que a fração livre fosse proporcionalmente melhor do que o total sugeria.

O que eu faria agora: repetir o painel completo entre oito e doze semanas depois de suspender o SERM, sem nenhuma medicação, incluindo testosterona total e livre, LH, FSH, estradiol, SHBG, prolactina, TSH, T4 livre, hemograma, glicemia, ferritina e perfil lipídico. É esse exame, e não o feito durante o uso, que mostra o eixo de verdade. E acompanhar sintoma junto com número, porque tratar exame sem sintoma leva a uso perpétuo de medicação por nada.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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