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TPC com ou sem o uso de MSRE ou SERM?

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(Por Mestre forum fisiculturismo.com.br)

Venho por meio deste tentar explicar duas formas distintas do uso de aplicação de TPC.

(NUMERO UM) VOU EXPLICAR PRIMEIRO A MAIS COMUM E USUAL:

O Meio mais comum de uso de aplicação de TPC é dada através de MSRE ou SERM que são os reguladores Seletivos do Receptor de Estrogênio que é uma classe que conta com várias substancias e as empregadas na TPC são o Clomifeno e o Tamoxifeno.(1)

Em outros textos meus já expliquei o porque de se fazer uma TPC e o porque de selecionar o uso do Clomifeno na minha opinião, portanto não vou ficar me concentrando muito nessas explicações, e vou tomar neste numero um da TPC adotando o Clomifeno.

Ao utilizar um Anabolizante que se converte em Estrogenio no corpo, ocorre um feedback negativo após a ligação desse Estrogenio nos receptores específicos dos hipotâlamo, isso inibindo a liberação do GnRH que por sua vez irá fazer com que não haja liberação de LH por parte da Pituitária impedindo então que tenhamos liberação de Testosterona endogena pelos Testículos.

Portanto nessa primeira abordagem de maneira de fazer TPC, a TPC não inicia da Meia Vida e devemos esperar que a concentração total do Anabolizantes no corpo chegue bem perto do seu final, e esse tempo correto deve ser  levado em consideração visando exames medicos de preferencia, que é a forma mais precisa para se saber o momento exato de inciar a TPC dentro dessa abordagem numero um que estou explicando, ou proceder com calculos que podem ser feitos tendo em vista a Meia Vida do Anabolizante utilizado, a Dose utilizada e o Tempo de duração do ciclo, algumas calculadoras de PTC executam esse calculo de maneira aproximada.(2)

Sabendo-se então a hora de iniciar a TPC dentro dessa abordagem numero um de sistemática,  vamos então iniciar o uso do Clomifeno que age como antagonista competitivo do estradiol nos receptores no núcleo arqueado do hipotálamo, que leva à uma produção de GnRH pelo Hipotálamo.

Outra coisa muito pouco comentada sobre a função do Clomifeno, é que ele também aumenta a sensibilidade da pituitária ao GnRH, fazendo com que haja assim uma sinergia de ação entre Hipotálamo e Pituitária dando ainda uma maior chance de liberações elevadas de LH e FSH.(3)

(NUMERO DOIS) FORMA ONDE SE UTILIZA ANTIAROMATASE E AGONISTAS DE DOPAMINA.

Nessa outra abordagem podem até também usar MSRE, mas o foco principal são os inibidores de Aromatase e Agonistas da Dopamina(Doxtinex) que irão regular a produção de Estrogênio e de Prolactina.

Nessa segunda abordagem, o inicio da TPC se inicia na Meia Vida do Anabolizante ministrado na última aplicação, e não no final da quase concentração total do Anabolizante no corpo como na primeira abordagem.

Vou explicar o uso com Inibidores de Aromatase(Letrozol) e também com Agonistas da Dopamina(Doxtinex).

Inibidores de Aromatase:

Se considerarmos uma Anabolizante que se converte em Estrogenio e na Meia Vida do Anabolizante ministrado na última aplicação, iniciarmos o uso de um Inibidor de Aromatase, iremos começar ainda com doses relativamente altas do Anabolizante no corpo uma inibição da conversão em Estrogênio, e ao final da concentração do Anabolizante no corpo as doses de Estrogênio estariam muito baixas a ponto de não haver ligação do Estradiol nos receptores de Estrogênio no nucleo arqueado do Hipotálano, fato de iria desencadear também uma produção de GnRH(3), oque iria implicar em aumento de LH, FSH e posteriormente regularização na produção de Testosterona Endogena pelos Testículos.

Agonistas da Dopamina(Dostinex):

A Dopamina possuem um papel inibitório na liberação da Prolactina(4), e a Prolactina por sua vez quando aumentada inibe a liberação do GnRH(5) que irá diminuir a quantidade de Testosterona Endogena que será liberada pelos Testículos.

Pois bem, existem bem claro e descrito dentro do cenário Medico e Científico que baixas doses de Progesterona podem levar a altas doses de Prolactina.

Algumas substancias em geral agem como Progestinas que são os derivados da 19-norprogesterona, e possuem a capacidade de antagonizar com os receptores de progesterona causando uma hiperprolactinemia diminuindo assim a liberação de GnRH(5)

Alguns Anabolizantes são Progestinas e como exemplo podemos citar dois derivados 19-nor que são a Trembolona e a Nandrolona(6) que não inibem a liberação do GnRH não por aromatizarem em Estrogenio, e sim por aumentar a liberação da Prolactina e causar uma inibição da produção endogena de Testosterona(5)

Nesse caso o inicio de uso de Cabergolina ou Bromocriptina(4) quando feitas ainda na Meia Vida do Anabolizante ministrado na última aplicação, irão causar uma inibição da produção de Prolactina com seu efeito agonista da Dopamina, e ao baixar a Prolactina teremos o retorno da produção de GnRH pelo Hipotálamo(5) e com consequência disso o provável inicio da liberação Endogena da Testosterona.

Refencias:

1 –  http://www.febrasgo.org.br/pt/

2 – https://balancemyhormones.co.uk/free-testosterone-calculator/

3 - Dickey RP, Holtkamp DE. Development, pharmacology and clinical experience with clomiphene citrate. Human Reprod Update. 1996

4 - Sociedad Iberoamericana de Informacion Cientifica (SIIC)  2002

5 - Yazigi RA, Quintero CH, Salameh WA. Prolactin disorders. Fertil Steril 1997

6 - 12659788 [PubMed - indexado para o MEDLINE]

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  • 7 anos depois...
  • 6 anos depois...

Post caprichado e bem referenciado, Mestre, esse tipo de material didático faz falta no fórum. Só que respondendo direto ao que o título pergunta, com ou sem SERM, a resposta honesta hoje é com. Para quem quer de fato reacender a produção própria, o SERM é o núcleo da TPC e não uma peça opcional. Tamoxifeno e clomifeno bloqueiam o estrogênio lá no hipotálamo e na pituitária, tiram o freio do eixo e sobem LH e FSH, e é justamente isso que religa os testículos. Nenhuma outra classe faz esse trabalho central com a mesma segurança.

Sobre a sua segunda abordagem, com inibidor de aromatase mais agonista de dopamina, é onde o consenso mudou bastante desde 2013. O inibidor de aromatase não é ferramenta de TPC de verdade. Ele derruba o estrogênio, mas na TPC você já está com a testosterona endógena no chão, e baixar o estrogênio junto, ainda mais com algo potente como o letrozol, piora perfil de gordura no sangue, articulação, humor e libido, e não estimula a recuperação do eixo como o SERM faz. O lugar do inibidor de aromatase é dentro do ciclo, para controlar estrogênio quando ele sobe demais, e não depois como recuperação.

O agonista de dopamina entra na mesma lógica de ferramenta específica, não de TPC universal. Cabergolina e bromocriptina resolvem um problema pontual, que é prolactina alta vinda de derivados 19-nor como nandrolona e trembolona. Quem não usou esse tipo de composto simplesmente não tem esse problema para corrigir na saída, então puxar dopaminérgico para todo mundo não faz sentido. É correção de sintoma quando ele existe, e só nesse caso.

O ponto que você acertou em cheio foi o timing na primeira abordagem. A TPC com SERM só faz sentido depois que o éster já saiu quase por completo do corpo, senão a supressão do que você usou ainda está lá segurando o eixo e você gasta SERM à toa. Começar na meia vida, com o hormônio ainda alto, costuma ser cedo demais para a rota do SERM. Calculadora ajuda a estimar esse momento, mas quem manda de verdade é o exame de sangue com testosterona, LH, FSH e estradiol, que mostra a hora certa de começar e depois confirma se o eixo realmente voltou. Sem esse retorno confirmado no papel, a TPC fica no achismo.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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