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L-CARNITINE: tomei e sequei

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  • Essa galera que diz que l-carnitina é furada deve ter feito alguma coisa errada. Ou não fizeram aeróbicos direito ou não maneiraram na alimentação. A l-carnitina só faz efeito se aliada com aeró

  • estava pensando... se para a l-carnitina fazer efeito eh necessario aumentar o treinamento aerobico, entao se eu simplesmente aumertar o treinamento mas nao tomar a l-carnitina nao vai fazer o mesmo e

  • Já tomei e, sinceramente, dinheiro jogado fora. O gosto era ruim e eu suava igual a uma condenada, mas daí a perder gordura... E, óbvio que muita coisa varia de organismo p/ organismo, mas tem cois

  • 4 anos depois...

Galera tô usando a uma semana um Hardcore Yellow Caps da Atlhetica de 420 mg de cafeína e a L carnitine 2300 atlhetica 960ml.

Quanto ao thermo tomo 1 capsula 30 minutos antes do treino e a L carnitina 30 ml tbm antes do treino sendo que ela possui 2.3g nessa porção, vcs acham que está bom tomar assim ou seria melhor tomar a L carnitina mais vezes ao dia?

Obs: Faço 30 minutos de esteira e treino 1 hora ou mais todos os dias e a alimentação ta regulada tbm.

  • 8 anos depois...

Esse tópico começou em 2002 e atravessou quinze anos sem conclusão, com metade das pessoas jurando que funcionou e a outra metade jurando que era dinheiro jogado fora. Hoje dá para explicar por que os dois grupos estavam relatando a verdade, e a explicação é bonita, porque uma resposta dada aqui em 2002 estava certa e ninguém percebeu.

Começo por ela.

A @annhas escreveu em dezembro de 2002 que a carnitina só faria diferença em quem estivesse com falta dela, porque o organismo trabalha em equilíbrio, e que o excesso simplesmente virava xixi. Ela disse que era só teoria. Não era. É basicamente o que os estudos vieram a demonstrar.

O ponto central é este: tomar carnitina pela boca eleva a carnitina do sangue, mas não eleva a carnitina do músculo. E é dentro do músculo que ela teria alguma função, porque o papel dela é transportar ácidos graxos para dentro da mitocôndria. Quem já tem carnitina muscular normal, e é o caso de qualquer pessoa saudável que come carne, não tem o que aumentar. O excedente sai pela urina, exatamente como ela disse.

O que faltava era saber por que ela não entra no músculo, e isso também já se sabe: a entrada depende de insulina. Em estudo com infusão de carnitina, só houve aumento no músculo quando a insulina foi mantida alta ao mesmo tempo.

E o experimento que fecha o assunto durou 24 semanas: dois grupos tomando duas vezes por dia, um com 80 g de carboidrato e o outro com 80 g de carboidrato mais 2 g de carnitina. Só o grupo com carnitina aumentou a carnitina muscular, e o aumento foi de 21 por cento. Repare no que foi preciso para isso: seis meses de uso contínuo, duas doses por dia e 160 g de carboidrato por dia junto, só para carregar o transporte.

Isso explica de uma vez todas as divergências deste tópico.

Explica por que o @Polux e a @Vanessinha FJV não sentiram nada: tomaram por pouco tempo, sem carboidrato junto, que é o cenário em que nada entra no músculo.

Explica por que o @100%Atleta e o @monaco insistiam que só funciona com aeróbico e dieta: funciona mesmo, só que quem estava produzindo o resultado era o aeróbico e a dieta. O @monaco descreveu isso com todas as letras sem se dar conta, quando contou que perdeu quatro quilos fazendo 40 minutos de aeróbico cinco vezes por semana e maneirando na alimentação.

E explica a frase mais lúcida do tópico inteiro, que foi do @Gamma em 2017: é erro pensar que a carnitina seca por si só.

Agora, para não ficar parecendo que ela não faz nada, o número honesto.

A metanálise mais robusta reuniu 37 ensaios randomizados, com 2.292 participantes, e encontrou perda média de 1,21 kg de peso e 2,08 kg de massa gorda em favor da carnitina, em populações com sobrepeso e obesidade. Ou seja, o efeito existe, é estatisticamente real, e é pequeno. Pouco mais de um quilo, ao longo de meses de uso.

É um efeito de verdade, e é honesto reconhecê-lo. Só que ele não se parece com nada do que foi descrito neste tópico como resultado, e é bem menos do que qualquer ajuste modesto de dieta entrega no mesmo período.

Sobre o suor, que virou tema recorrente e que o @Taerone resumiu bem ao dizer que só suou.

A carnitina não tem mecanismo termogênico. Ela não estimula receptores adrenérgicos, não sobe frequência cardíaca e não aumenta gasto energético de repouso. Então o calor e o suor relatados por várias pessoas têm outras duas explicações prováveis, e vale conferir qual é o seu caso. A primeira é a fórmula do produto: muitas carnitinas líquidas trazem cafeína, sinefrina ou extratos junto, e é isso que aquece. A segunda é o contexto, já que quase todo mundo aqui tomava logo antes de meia hora de esteira.

E aqui entra o caso do @Breno Oliveira StinG, que fez uma pergunta em 2017 e nunca foi respondida.

Ele contou que tomava, junto com a carnitina, uma cápsula com 420 mg de cafeína antes do treino. Esse é o número que merecia atenção do tópico, e não a carnitina. O consumo diário considerado seguro para adulto saudável gira em torno de 400 mg somando tudo, e ele estava tomando isso de uma vez só, antes do treino, todos os dias, sem contar café, chá ou refrigerante do resto do dia. Isso produz taquicardia, tremor, insônia e pressão alta em muita gente, e a insônia sozinha já anula boa parte do resultado que ele buscava.

Respondendo diretamente ao que ele perguntou, sobre dividir a carnitina em mais tomadas: pelo que se sabe hoje, dividir não muda o desfecho, porque o gargalo não é a dose e sim o transporte, que depende de insulina. Se fosse para tentar seguir o protocolo dos estudos, seria com refeição contendo carboidrato, duas vezes ao dia, por meses. E o @fisiculturismo fez a pergunta certa ao pedir a concentração por dose, porque a maioria das carnitinas líquidas do mercado entrega bem menos princípio ativo do que o rótulo sugere à primeira vista.

Respondendo também à @Gi*SC, que perguntou em 2011 e ficou sem resposta.

Ela comprou carnitina manipulada e o professor da academia mandou colocar três colheres de café numa garrafa de água. Colher de café não é unidade de medida de suplemento, e produto manipulado tem que vir com a quantidade em miligramas ou gramas por dose informada pela farmácia. A dose usada nos estudos é de 2 g por tomada. Sem saber quantos gramas há na colher, não dá para saber se ela estava tomando 500 mg ou 4 g, e é a farmácia que manipulou que tem essa resposta.

E a @crisms, em 2002, tinha percebido exatamente esse problema quando notou que a colher de sopa da casa dela tinha 10 ml e não 15. Ela estava certíssima, e é um cuidado que quase ninguém tem.

Sobre a discussão de alergia, entre o @BIG NOSE, o @klaux e o visitante que contestou.

O visitante argumentou que não faria sentido ter alergia a algo que o corpo já produz. O raciocínio é bom, e a conclusão é errada pelo motivo que o médico do @klaux explicou na época e que estava correto: a reação não é à carnitina, é ao que vem junto. Corante, aromatizante, conservante e adoçante são causas comuns de urticária, e é por isso que a mesma pessoa reage a uma marca e não reage a outra, que foi exatamente o que ele relatou. O @Manowar-kill descreveu o mesmo quadro anos depois.

Ou seja, os dois lados estavam certos sobre coisas diferentes, e a solução prática é trocar de marca ou usar cápsula sem aditivo antes de concluir que o problema é a substância.

Um dado que não existia em 2002 e que vale acrescentar hoje, com a ressalva devida.

A carnitina que não é absorvida é metabolizada por bactérias intestinais em TMA, que o fígado converte em TMAO. Níveis mais altos de TMAO estão associados a maior risco cardiovascular em estudos observacionais, e a suplementação de carnitina eleva o TMAO de jejum. Faço questão de dizer que associação não é prova de causa, que o assunto está em disputa e que ninguém demonstrou dano clínico por uso de carnitina em pessoa saudável. Mas é uma informação que muda a conta de custo e benefício de um suplemento cujo benefício comprovado é de aproximadamente um quilo.

Por fim, um comentário sobre a mensagem da @the_girl, de 2008, porque ela merece resposta e nunca teve.

Ela escreveu que a carnitina foi dinheiro jogado fora, e que com anfepramona perdeu 7 kg comendo o que queria e sem sair do sedentarismo, e concluiu que aquilo sim funcionava por si só.

Ela está certa no fato. A anfepramona é um anorexígeno derivado de anfetamina, e ela realmente funciona sozinha, porque desliga a fome no sistema nervoso central. O que precisa acompanhar essa constatação é o resto da história: ela foi retirada do mercado brasileiro em 2011 justamente por causa do perfil de risco, com hipertensão, taquicardia, arritmia, insônia, dependência e sintomas psiquiátricos, e só voltou depois sob restrição, com prescrição controlada e acompanhamento. Além disso, o peso perdido com anorexígeno volta quando ele para, porque nada na rotina mudou.

Então a comparação é justa e a conclusão é a inversa: a carnitina não funciona porque quase não faz nada, e a anfepramona funciona porque faz muita coisa, inclusive as que ninguém quer.

Fecho com a resposta que o tópico procurou por quinze anos, e que estava dada por várias pessoas em pedaços. O que produziu resultado em todos os relatos positivos daqui foi a esteira, o corte na alimentação e a constância de quem estava animado com o pote novo. Se você tirar a carnitina desses relatos, o resultado permanece. Se tirar o resto, não sobra nada.

Se quiser montar a parte que realmente decide, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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