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Saindo pus no lugar da aplicação de Stanozolol

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  • Provavelmente aplicação errada e falta de limpeza na hora. Se for ao médico você tem que falar o que foi e ele vai te atender do mesmo jeito.

  • Moça, você está com infecção. Vá pro hospital procurar ajuda, não pra internet.

  • Isso mesmo... e não esconda...diga o que fez...

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  • 7 anos depois...

O tópico é antigo e a @brendaleee resolveu o caso dela, mas ele continua sendo encontrado por quem está passando pela mesma coisa agora, e há duas informações erradas circulando aqui que podem custar caro para quem chegar assustado e seguir o que leu.

Começo pela mais importante.

Saindo pus, é abscesso. E abscesso não se trata com antibiótico. Trata-se com drenagem.

Isso não é detalhe. O antibiótico circula pelo sangue, e dentro de uma coleção de pus não há circulação. A cavidade fica isolada, com pressão alta e sem oxigênio, e é justamente o ambiente em que o antibiótico não chega em concentração útil. Por isso a conduta padrão em abscesso de pele e partes moles é abrir e drenar, e o antibiótico entra como coadjuvante depois disso, não no lugar disso.

O @hallspreta acertou em cheio quando disse que abscesso é simples de resolver, basta abrir e drenar, e que só médico faz isso. Era a resposta certa do tópico.

Agora a segunda parte, que ninguém verificou.

Ela contou que estava tomando amoxicilina por conta própria. Abscesso de pele é, na esmagadora maioria dos casos, causado por estafilococo, e boa parte dessas cepas na comunidade é resistente. Amoxicilina sozinha, sem clavulanato, é justamente uma das opções com pior cobertura para estafilococo. Os esquemas usados nos estudos dessa situação são outros.

Ou seja, ela estava tomando um remédio que provavelmente não agia sobre a bactéria que ela tinha, enquanto adiava a única coisa que resolveria, que era a drenagem. E existe um efeito colateral pior do que não funcionar: o antibiótico parcialmente ativo costuma reduzir a dor e a vermelhidão o suficiente para dar sensação de melhora, sem eliminar a coleção. Foi exatamente o que ela relatou depois, dor melhorando e pus ainda saindo. Isso não é melhora, é abscesso drenando sozinho por um trajeto que ele abriu na pele.

Uma correção também na primeira orientação que ela recebeu, feita com boa intenção pela @Katrinny.

Gelo e anti-inflamatório servem para dor de aplicação sem infecção. Diante de pus, os dois atrapalham. O gelo diminui o fluxo de sangue na área, que é o oposto do que se quer, e o anti-inflamatório derruba febre e vermelhidão, que são exatamente os sinais que indicariam a gravidade. Nesse quadro, calor ajuda mais que frio, e o que decide é o médico, não a compressa.

Sobre o medo de contar, que foi o que mais pesou na decisão dela.

Médico é obrigado a sigilo. Isso é dever profissional, e vale mesmo quando o que a pessoa fez é irregular, mesmo em cidade pequena e mesmo em hospital público. Quebrar sigilo é infração ética.

E existe uma razão prática ainda mais forte para contar: sem saber que houve injeção de óleo ou de suspensão no local, o médico pensa em furúnculo e trata como furúnculo. Sabendo, ele considera reação ao veículo, granuloma e abscesso profundo, que são outra coisa e têm outra conduta. Omitir não protege a pessoa, atrapalha o próprio atendimento dela. O @Locemar e o @Batata... foram diretos nisso e estavam certos.

Agora uma informação técnica que faltava e que muda a leitura do caso.

Ela estava usando stanozolol injetável, que não é uma solução oleosa como a maioria dos injetáveis, e sim uma suspensão aquosa de microcristais. Esses cristais não se dissolvem no músculo. Eles precisam ser dissolvidos e removidos lentamente, e enquanto isso irritam mecanicamente o tecido. É por isso que o stanozolol injetável tem fama de doer muito mais que os outros e de formar nódulo com facilidade, inclusive abscesso sem nenhuma bactéria envolvida, o chamado abscesso estéril.

Isso importa por dois motivos. Primeiro, porque significa que a reação dela pode ter começado sem falha de assepsia, e a culpa que apareceu na conversa talvez fosse injusta. Segundo, e mais importante, porque abscesso estéril também precisa de drenagem, e antibiótico nesse caso não faria absolutamente nada.

Sobre a discussão de local, um acerto e uma correção.

O @R souza estava certo no espírito, mas a nomenclatura não é quadrante superior direito, e sim quadrante superior lateral, ou seja, o de fora, do lado oposto ao sulco. Isso vale para os dois glúteos. E a região que a enfermagem hoje considera mais segura nem é essa: é a ventroglútea, aplicada na lateral do quadril, com músculo mais espesso, menos gordura e distância bem maior do nervo ciático. A suspeita do @Locemar, de que a aplicação foi baixa demais, é a hipótese mais comum quando se atinge região com pouco músculo e muita gordura, porque produto depositado na gordura absorve mal e inflama.

O que o @davidevh comentou sobre aplicar em quatro pontos diferentes é o outro lado da mesma moeda, e é a prática correta: rodízio evita fibrose e evita concentrar agressão num ponto só.

Sobre a pergunta que ficou sem resposta no fim, feita por um usuário cujo perfil hoje está desativado, sobre qual era a marca do produto. Ela é pertinente e vale explicar por quê. Suspensão aquosa exige esterilidade e controle de tamanho de partícula na fabricação. Produto sem controle pode vir com cristal grande demais, com carga bacteriana ou com concentração diferente da declarada, e os três aumentam a chance exatamente do que aconteceu aqui.

Por fim, uma coisa que não foi discutida em nenhum momento do tópico e que eu não deixaria passar, já que a autora é mulher.

Stanozolol é dos androgênios com maior potencial de virilização, e alguns dos efeitos não regridem depois. Rouquidão ou voz mais grave e aumento de clitóris são sinais de parada imediata, não de ajuste de dose. Acne, oleosidade, queda de cabelo e alteração do ciclo regridem. Se em algum momento a decisão for continuar com algum protocolo, a conversa correta é com endocrinologista ou ginecologista, com exames antes, e não com dose escolhida por relato.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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