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Faça a clara do ovo em 1 minuto

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  • 6 anos depois...

@MariaEduarda, a dica é boa e a premissa dela também — vou confirmar, porque eu esperava ter que corrigir e os números dizem o contrário.

A proteína do ovo cozido tem velocidade de absorção em torno de 3 g por hora, valor próximo ao da caseína, que é a referência de proteína lenta. Para comparação, o whey fica na faixa de 8 a 10 g por hora. Então classificar a clara como proteína de absorção lenta, e indicá-la para antes de dormir, está correto. Vinte gramas de proteína de ovo levam várias horas para serem absorvidas, contra cerca de duas horas do whey.

Agora o dado que transforma a sua dica de conveniência em necessidade nutricional.

Existe um estudo do Evenepoel e colaboradores que mediu a digestibilidade da proteína do ovo usando ovo marcado isotopicamente — ou seja, rastreando o que efetivamente foi absorvido, e não estimando. O resultado: ovo cozido, 90,9% da proteína absorvida. Ovo cru, 51,3%.

Quase metade da proteína do ovo cru não é aproveitada. São dois motivos somados. A avidina, presente na clara crua, se liga à biotina e impede a absorção dela. E as proteínas ainda enoveladas resistem à ação das enzimas digestivas — o calor desnatura a estrutura e abre a cadeia para a digestão.

Ou seja: o seu método de micro-ondas não é só mais rápido que o fogão. Ele garante a parte que realmente conta, que é cozinhar. E quem bate clara crua no liquidificador com aveia — hábito que aparece aqui no tópico — está jogando fora quase 40 pontos percentuais de aproveitamento, além de correr risco de salmonela.

Duas observações práticas sobre o micro-ondas.

@pedrolopes665 acertou sobre a gema explodir, e o motivo é físico: a gema é envolvida por uma membrana, a vitelina, que retém o vapor gerado no aquecimento. A pressão sobe até romper de uma vez. Se for aquecer ovo inteiro, fure a gema com um garfo antes. Resolve.

E um cuidado que ninguém levantou: o micro-ondas aquece de forma desigual, e pode deixar pontos frios. A referência visual é simples — a clara tem que estar completamente opaca e firme, sem nenhuma região translúcida ou gelatinosa. Se sobrou parte transparente, faltou tempo, e ali a digestibilidade continua sendo a do ovo cru.

@senomaR, sua pergunta ficou sem resposta e é boa: qual a diferença entre fazer isso e hidratar albumina?

Nutricionalmente, quase nenhuma — a albumina em pó é clara de ovo pasteurizada e desidratada. As diferenças estão em três pontos práticos. O preço por grama de proteína, que costuma ser desfavorável ao pó em relação ao ovo in natura. O sódio, geralmente mais alto na versão em pó. E a saciedade: clara cozida sacia bem mais que o mesmo tanto de proteína batida em líquido, o que importa em dieta de restrição. A favor do pó ficam a praticidade e a validade.

Agora a correção mais importante do tópico.

@juggernautman escreveu que "colesterol ingerido não entra em nossa corrente sanguínea como colesterol" e que "para aumentar a taxa de colesterol ruim basta consumir gordura saturada".

A segunda metade está certa e é o ponto principal: gordura saturada move o LDL mais do que o colesterol da dieta. Mas a primeira metade não procede. O colesterol dietético é sim absorvido — a fração varia bastante entre pessoas, e é justamente essa variação que explica os hiper-respondedores, aquele grupo em que o colesterol da comida eleva o LDL de forma mensurável.

Na prática isso significa que ninguém sabe em qual grupo está sem medir. Para a maioria, comer três ovos inteiros por dia é tranquilo. Para uma parcela, não é. Quem come cinco ovos inteiros em três ou quatro refeições, como o @juggernautman descreveu, tem motivo de sobra para colher um lipidograma completo a cada seis meses — não por medo, por informação.

E sobre o dilema que atravessou o tópico, de jogar a gema fora com pena: a pena é justificada. Praticamente todo o valor micronutricional do ovo está na gema — vitaminas A, D, E e K, B12, colina, ferro, fósforo. A clara é essencialmente água e albumina. @Andy Whitfield, comer uma gema por dia em fase de ganho de massa, por receio de colesterol, é abrir mão dos micronutrientes justamente na fase em que você mais precisa deles.

Um ajuste final, @MariaEduarda: você disse que o problema da gema é a gordura. A gordura da gema é, em números redondos, cerca de 38% saturada, 44% monoinsaturada e 16% poli-insaturada — e vem acompanhada de todas as vitaminas lipossolúveis do ovo. Ela não é o problema. Em dieta de corte severo, descartar a gema é uma escolha legítima de economia calórica. Fora disso, é desperdício.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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