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A verdade sobre Silimarina e o Xantinon! (por Luiz Paulo)

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https://www.epistemonikos.org/pt/documents/cc9749b5c13e545077cb1d7c9a21cfad4cbee2cc

Um estudo que comprovou que a eficiência de Silimarina em pacientes com cirrose hepática é nula. Não sei em quais casos o medicamento pode ser utilizado em prol do bem do paciente e/ou em que casos ele pode ser eficiente. Mesmo sendo um estudo meio antiguinho, só dei uma lida nele agora. Achei bem interessante.

  • 2 anos depois...
  • 7 anos depois...

O alerta central desse texto está certo, e o @Foston leu bem: ele não nega que as substâncias façam alguma coisa, ele avisa que elas podem derrubar o número do exame sem que o fígado esteja necessariamente protegido. Vale desenvolver isso, porque a consequência prática é grande.

A silimarina realmente reduz transaminases em ensaios clínicos. Isso está descrito. O problema é o que se conclui daí. Reduzir uma enzima no sangue não é o mesmo que proteger o órgão. As revisões sistemáticas que olharam desfecho de verdade, como mortalidade e complicações em doença hepática, não encontraram benefício consistente. Ou seja: o número cai e o desfecho não muda.

Para quem usa oral 17 alfa alquilado, isso é justamente o pior dos mundos, porque o exame vira um falso verde.

@South Guy, o estudo que você trouxe é pertinente, e o comentário de que qualquer coisa contra cirrose seria nula merece uma ressalva: são exatamente os estudos em doença estabelecida que conseguem medir desfecho duro. Quando nem neles aparece efeito, o ônus da prova fica com quem afirma o benefício.

Agora a parte que eu considero mais útil e que o tópico não chegou a resolver: se as transaminases não são confiáveis, o que olhar?

A resposta tem duas camadas.

A primeira é que TGO e TGP são marcadores ruins para quem treina, mesmo sem silimarina nenhuma. Essas enzimas também existem em grande quantidade no músculo esquelético, então qualquer treino pesado as eleva por dias. Praticante de musculação aparece com transaminases altas sem ter nada no fígado o tempo todo.

A segunda, e essa é a mais importante, é que elas são o marcador errado para o tipo de lesão que interessa aqui. O padrão de dano dos orais 17 alfa alquilados é colestático, ou seja, o problema está no fluxo de bile, não na destruição do hepatócito. E colestase não aparece bem em TGO e TGP. Ela aparece em fosfatase alcalina, gama GT e bilirrubinas.

Traduzindo: a maioria das pessoas está monitorando o marcador errado para o problema que elas de fato correm o risco de ter. E ainda por cima usando um produto que abaixa esse marcador errado.

O painel correto para quem usa oral é gama GT, fosfatase alcalina e bilirrubinas total e frações, com TGO, TGP e CK junto para contexto muscular, colhido sem treino pesado nas 48 horas anteriores. A gama GT tem uma vantagem adicional: ela não vem do músculo, então serve para separar as duas origens.

Sobre o Xantinon, a composição descrita é metionina e colina, que são lipotrópicos com racional em esteatose, ou seja, gordura no fígado. Isso é diferente de proteger contra toxicidade de medicamento. Não existe evidência de que essa combinação previna a colestase induzida por 17 alfa alquilado. E vale saber que metionina em excesso eleva homocisteína, o que não é desejável.

@Arnaldo Santos, sobre o LIV-52, a situação é parecida ou pior: fitoterápico com estudos de qualidade baixa e evidência insuficiente para sustentar uso como protetor hepático.

@Fabricio Miguel, uma correção pequena mas que importa: silimarina não faz parte de TPC. TPC é a recuperação do eixo hormonal, e quem faz isso é modulador seletivo do receptor de estrogênio. A sensação de que a TPC foi boa provavelmente veio de outra coisa do protocolo.

E a pergunta do colega veterinário, de procurar os estudos antes de aceitar a afirmação, é a atitude certa e vale para os dois lados da discussão, inclusive para este texto.

Fechando com o que efetivamente protege, e é decepcionantemente simples: limitar a dose, limitar a duração, respeitar intervalo entre ciclos, evitar empilhar dois orais ao mesmo tempo, cuidar do álcool no período e medir o marcador certo. Não existe cápsula que compre margem de segurança, e o @Obliterado resumiu bem ao dizer que elas não impedem a toxicidade da droga.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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