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Qual é a Diferença entre Malto e Dextrose? A Absorção da Malto é mais Lenta?

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  • O complicado é vc querer explicar uma coisa quando vc ao menos sabe o que é Indice Glicêmico... Já disse que o IG é um conceito absoluto que MEDE a velocidade da absorção, não é ele que DEFINE nada.

  • Sobre o tema vale conferir esta matéria:  

  • Mas o "pior" que a dextrose é absorvida mais rapidamente, nao é só o IG que define a velocidade de absorcao, existe mais coisa por tras disso. Mas acho q nao adianta mais discutir esse assunto agora,

superboy_RJ disse:
nao é por nada nao, mas e o fato de a Dextrose ter sua fórmula química idêntica a da glicose sanguínea e um IG = a 137, nao influenciaria em uma melhor absorçao q a Maltodextrina??? :roll:

a principio minha pergunta nao foi respondida...

e só pra salientar, tirei essa informaçao do site http://gliconline.net/indice-glicemico/

e entao, alguem poderia me dizer se isso influencia em alguma coisa ou nao???

  • 15 anos depois...
  • 6 anos depois...

Essa discussão travou em 2004 por causa de um erro conceitual que era universal na época, e que dá para desfazer agora. E o desfecho é curioso, porque quem parecia estar errado na discussão estava certo.

O ponto da briga foi o @mendigo-rj afirmar que ter alto índice glicêmico não significa ser de rápida absorção, e o @rafão responder que isso era contradição, porque o IG mediria justamente a velocidade.

O mendigo-rj estava certo. O índice glicêmico não mede velocidade. Ele mede a área sob a curva de glicemia ao longo de duas horas, comparada com um alimento de referência. É uma medida de magnitude total da resposta, não de rapidez. Dois alimentos podem ter o mesmo IG com curvas de formato completamente diferente: um com pico alto e rápido que desce logo, outro com elevação mais modesta e prolongada. A área acaba igual, e a experiência fisiológica é distinta.

Então a premissa que sustentava metade das respostas do tópico não se sustenta.

Agora, a resposta objetiva da pergunta original do @LOUKO. A maltodextrina é um polissacarídeo, ou seja, cadeias de várias moléculas de glicose ligadas. A dextrose é glicose pura, um monossacarídeo. Essa parte da classificação do rafão está correta. E ambas têm IG alto, com a maltodextrina frequentemente aparecendo acima da própria glicose nas tabelas, o que surpreende quem espera que "complexo" signifique "lento".

Mas a diferença que realmente importa na prática é outra, e o rafão até tocou nela de passagem quando falou em osmolaridade, sem desenvolver.

Como a maltodextrina é formada por moléculas grandes, ela tem poucas partículas em solução para a mesma quantidade de gramas. A dextrose, sendo molécula pequena, tem muito mais partículas. Traduzindo: uma bebida com dextrose concentrada tem osmolaridade alta, esvazia mais devagar do estômago e causa mais desconforto, enjoo e diarreia. Com maltodextrina, você consegue colocar muito mais carboidrato no mesmo copo sem embrulhar o estômago. É exatamente por isso que bebida esportiva de endurance usa maltodextrina, e não glicose pura.

Ou seja: para quem quer volume alto de carboidrato líquido, maltodextrina. Para volume pequeno, tanto faz. E misturar as duas, como o LOUKO sugeriu, não tem vantagem metabólica, mas reduz um pouco a osmolaridade em relação à dextrose sozinha, o que ajuda quem tem estômago sensível.

Sobre a discussão do pré-treino, que foi a parte mais acalorada: os três lados tinham um pedaço da verdade, e o @ninga chegou mais perto.

A hipoglicemia reativa existe e está documentada. Carboidrato de alto índice glicêmico entre quinze e quarenta e cinco minutos antes do exercício pode produzir uma queda transitória de glicemia nos primeiros minutos de atividade, porque a insulina ainda está alta quando o músculo começa a consumir glicose. Então o @driano não inventou nada.

Por outro lado, as revisões mostram que essa queda raramente prejudica o desempenho. O motivo é elegante: a contração muscular recruta glicose por uma via independente de insulina, e o organismo se ajusta rápido. Por isso o mendigo-rj tomava dez minutos antes e nunca sentiu nada, e estava sendo honesto.

E o ninga acertou o essencial: a variabilidade individual aqui é grande e o que ele sentia não era placebo. Existe gente que realmente responde com queda de rendimento e gente que não responde. Quem sente, tem uma solução simples: tomar entre sessenta e noventa minutos antes em vez de dez a trinta, ou acompanhar o carboidrato com proteína e gordura, que atenuam a resposta insulínica.

E fechando com o que mais mudou de lá para cá. Para quem faz uma sessão de musculação de uma hora, nada disso é necessário. Nem maltodextrina, nem dextrose. O que repõe glicogênio é o total de carboidrato do dia, e a reposição completa acontece em vinte e quatro horas comendo comida normal. Esses dois pós só passam a fazer diferença real em atividade contínua acima de noventa minutos, ou quando existe uma segunda sessão em menos de oito horas. Fora disso, é arroz com um preço melhor.

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