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Ovo cru ou ovo cozido?

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eu colocava ovo cru na vitamina, vc nem sente o gosto... mas uma vez me deu um reverterio e o médico falou que provavelmente foi o ovo cru, bactérias, salmonela sei lá icon_eek.gif !!!

 

eu adoro comer ovo quente, de manhã é mt bom!!!

Eu sempre coloco uns 3~4 em meus shakes, nem sinto o gosto tb

Queria fazer isso mano mas sou cabrero com esse lance de salmonela....

Sinceramente eu também era, mas um certo dia tava com preguiça de colocar ovo pra cozinhar, meti 5 ovos dentro do liquidificador coloquei aveia leite e achocolatado light e ficou muito bom RAIRAIRAIRAIRAIRR

  • 2 anos depois...
  • Moderador
Em 17 de fevereiro de 2013 at 11:52, Taerone disse:

In summary, using the 15N-dilution technique we demonstrated that the assimilation of cooked egg protein is efficient, albeit incomplete, and that the true ileal digestibility of egg protein is significantly enhanced by heat-pretreatment

De acordo com esta pesquisa o ovo cozido tem melhor absorção do que o ovo cru. Será que esta pesquisa foi superada por alguma outra ou continua válida?

  • 3 anos depois...
  • Moderador
8 horas atrás, Andressa Souza disse:

De acordo com esta pesquisa o ovo cozido tem melhor absorção do que o ovo cru. Será que esta pesquisa foi superada por alguma outra ou continua válida?

Continua a mesma.

E só de pensar no risco de Salmonella e outras patologias que podemos ter por comer ovo crú pensaria duas vzs antes de comer ovo crú.

  • Moderador
3 horas atrás, Apollo Galeno disse:

E só de pensar no risco de Salmonella e outras patologias que podemos ter por comer ovo crú pensaria duas vzs antes de comer ovo crú.

Isso é bem verdade. Ingerir ovo cru é arriscado. No entanto, seria muito interessante saber se o estudo que apontou que a digestibilidade do ovo cozido é maior do que a do ovo cru ainda é válido ou se já foi superado.

  • 7 anos depois...

@fisiculturismo, você fez a mesma pergunta em 2015 e de novo em 2019 e ela nunca foi respondida direito. Vou responder.

O estudo foi superado? Não. Continua valendo, e foi confirmado depois.

O trabalho que o @Anklyn trouxe e que o @Taerone colou por extenso é o Evenepoel e colaboradores, publicado no Journal of Nutrition em 1998. Os números: digestibilidade ileal verdadeira de 90,9 por cento para o ovo cozido e 51,3 por cento para o cru.

Ele segue sendo a referência do assunto, continua sendo citado na literatura atual, e nenhum estudo posterior o contradisse.

E tem uma novidade que responde ainda melhor a sua pergunta: em 2022 saiu um trabalho que foi exatamente atrás disso, em homens jovens saudáveis, comparando ovo cru e ovo cozido no contexto de recuperação pós treino. O resultado foi na mesma direção. O ovo cru produziu menor disponibilidade de aminoácidos no sangue e menor resposta de síntese proteica muscular que o cozido.

Ou seja, o achado de 1998 foi medido de novo, por método diferente, com desfecho diferente, e se manteve.

Vale registrar as limitações do estudo original, para ninguém dizer que estou vendendo certeza: foram apenas 5 participantes, todos com ileostomia, que é justamente o que permite coletar o conteúdo ao final do intestino delgado, e a proteína foi consumida isolada e não dentro de uma refeição. É um estudo pequeno. Mas é pequeno pelo mesmo motivo que não foi repetido: o método exige esse tipo de paciente.

Por que cozinhar quase dobra o aproveitamento

O tópico nunca explicou o mecanismo, e ele é bem interessante. São duas coisas ao mesmo tempo.

A primeira é a estrutura. A proteína da clara crua é globular, enrolada sobre si mesma de forma compacta. As enzimas digestivas precisam alcançar as ligações entre os aminoácidos para quebrá-las, e na forma enrolada boa parte dessas ligações está escondida no interior da molécula. O calor desnatura a proteína, ou seja, desenrola, e expõe tudo ao ataque das enzimas.

A segunda é que a clara crua contém inibidores de tripsina, como o ovomucoide. Eles bloqueiam diretamente as enzimas que fazem a digestão. O calor destrói esses inibidores.

Então cozinhar desembrulha o substrato e desarma o que atacava a enzima. Duas frentes, e daí a diferença enorme.

A conta prática

@frangofranca, você colocava 3 a 5 ovos crus no shake justamente para poupar tempo. Vale fazer a conta.

Cinco ovos crus, a 51 por cento de aproveitamento, entregam mais ou menos a proteína de 2,8 ovos cozidos. Você está comprando cinco e usando menos de três.

Tem mais um ponto que ninguém citou: a clara crua contém avidina, uma proteína que se liga à biotina com afinidade altíssima e impede a absorção dela. Consumo grande e prolongado de clara crua leva a deficiência de biotina, num quadro que ficou conhecido justamente por isso. O calor desnatura a avidina e o problema desaparece.

Sobre a salmonela

@ippo, o número de 1 por cento que circulava é muito acima do real. Os levantamentos em produção comercial encontram prevalência bem menor, tipicamente na casa de um ovo em milhares a dezenas de milhares, variando bastante conforme a região e o sistema de produção.

Isso não torna o risco irrelevante, e ele é bem mais importante para gestantes, crianças, idosos e imunossuprimidos.

O @Kabul deu a solução certa lá em 2013: ovo pasteurizado, que existe líquido em embalagem. Ele passa por tratamento térmico suficiente para eliminar patógeno sem cozinhar a proteína, e é o que se usa em preparações que levam ovo cru de verdade.

Só que repare no detalhe: pasteurizado resolve a salmonela, mas não resolve a digestibilidade, porque o calor da pasteurização é brando demais para desnaturar a proteína por completo. Continua sendo clara crua do ponto de vista do aproveitamento.

E o relato do @Pokoyô lembra que salmonela não é o único risco de ovo cru.

Um acréscimo sobre a clara isolada

@Arnold1989, você comentou em 2013 que ia colocar duas claras no shake da manhã. Vale saber de uma coisa que se consolidou depois.

Quando se compara ovo inteiro com clara isolada, igualando a quantidade de proteína, o ovo inteiro produz resposta de síntese proteica muscular substancialmente maior após o treino. A gema não entra só como caloria: ela carrega a gordura, a colina e as vitaminas lipossolúveis, e essa matriz potencializa a resposta.

Ou seja, jogar a gema fora para ficar só com a clara custa resultado, além de custar micronutrientes.

Resumindo o tópico inteiro: cozinhe. Quase dobra a proteína aproveitada, elimina o risco microbiológico, desarma os inibidores de enzima e a avidina. E coma o ovo inteiro.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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