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@Taerone, você fez uma observação no meio do tópico que merece resposta, porque ela aponta o problema central desse tipo de tabela. Você notou que uma fonte diz que o turinabol não causa acne e outra diz que causa.

Isso não é descuido dos autores. É consequência de como esses números são produzidos.

O dado mais citado dessas tabelas, a razão anabólica sobre androgênica, aquele 100 para 100 da testosterona que serve de referência para todos os outros, vem de um ensaio chamado teste de Hershberger. Ele é feito em ratos castrados, e mede duas coisas: o crescimento de um músculo específico, o levantador do ânus, que representa o efeito anabólico, e o crescimento da próstata e da vesícula seminal, que representa o efeito androgênico.

Os problemas de traduzir isso para humano são grandes. É outra espécie, com metabolismo hormonal diferente. Mede o crescimento de um músculo particular, não hipertrofia de musculatura esquelética humana em resposta a treino. E representa efeito androgênico por órgãos sexuais, não por folículo capilar, glândula sebácea ou laringe, que é o que interessa a quem está preocupado com acne, cabelo e voz.

Ou seja, quando uma tabela diz que um composto tem razão de 500 para 100, isso não significa que ele é cinco vezes mais anabólico e igualmente androgênico em uma pessoa. Não existe essa correspondência. E é exatamente por isso que os números variam tanto de tabela para tabela: cada uma usa fontes e metodologias diferentes para um dado que não se traduz bem.

Existe ainda um problema conceitual maior, e ele vale para todos os compostos da lista: não existe seletividade de tecido.

O receptor androgênico é o mesmo no músculo, no folículo capilar, na próstata e na laringe. Não há como uma molécula ativar um e ignorar o outro, porque é a mesma fechadura.

O que existe de verdade, e que explica as diferenças reais entre os compostos, é o metabolismo em cada tecido. A enzima 5-alfa-redutase é abundante em folículo, pele e próstata. A testosterona que chega ali é convertida em DHT, que é bem mais potente, e por isso a testosterona é relativamente mais androgênica nesses locais do que no músculo. A nandrolona faz o caminho inverso: ela é reduzida em di-hidronandrolona, que é menos potente, e por isso ela parece mais seletiva para músculo.

Essa é a explicação mecanística real, e ela é muito mais útil que a tabela, porque permite prever comportamento em vez de decorar número.

Sobre a acne especificamente, que foi a sua dúvida: ela depende mais da sensibilidade individual da glândula sebácea e da carga androgênica total do que do composto em si. A mesma dose que deixa uma pessoa coberta de acne passa despercebida em outra. Por isso as fontes divergem, e por isso relato individual vale tão pouco nesse quesito.

Outro ponto: os valores de meia-vida dessas tabelas antigas frequentemente vêm de uma regra que multiplicava o número de carbonos do éster por 1,5. Essa fórmula não sobreviveu aos dados de farmacocinética medidos depois, e os números reais são bem diferentes em vários casos.

E as doses listadas, como aquela faixa que vai até 1400 miligramas diários de testosterona em suspensão, são descritivas do que se relata em uso, não recomendação. Um leitor novo pode ler como se fosse faixa terapêutica, e não é.

Dito tudo isso, o material continua tendo valor, e o valor está na parte qualitativa, não nos números. As quatro perguntas que realmente definem conduta são:

O composto aromatiza? Isso determina se haverá risco de ginecomastia pela via do estrogênio e se faz sentido monitorar estradiol.

É 17 alfa alquilado? Isso determina se há hepatotoxicidade e se o painel hepático precisa entrar no acompanhamento, inclusive nas versões injetáveis, como o stanozolol.

É derivado de 19-nor? Isso determina se existe atividade progestagênica, que abre uma segunda via para ginecomastia que o inibidor de aromatase não cobre, e se vale dosar prolactina.

Qual o éster? Isso determina o intervalo entre aplicações e quando a TPC pode começar.

Classificar cada composto por essas quatro respostas resolve praticamente toda decisão prática. A razão anabólica sobre androgênica, que é o número que todo mundo compara, é justamente o dado que menos informa.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

Em 19/03/2013 às 13:52, Brainstrong disse:

Tomando Masteron mesmo em doses mínimas dizer que e NATURAL e brincadeira. LOL

Esse era o mais engraçado que tinha no fórum...gostaria de saber como está agora.

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