Tudo que Cláudio Chamini postou
-
Oxandrolona - dúvidas
Mandy, você fez quatro perguntas objetivas e saiu daqui com uma respondida. Vou responder as outras três, e depois te mostrar duas coisas do seu plano que estão empurrando o resultado para longe, sem nenhuma relação com hormônio. Se eu parar, perco o que conquistei? Músculo construído de verdade fica, desde que você continue treinando e comendo. O que vai embora é outra coisa: parte do que aparece durante o uso é água e glicogênio dentro do músculo, e isso esvazia em algumas semanas depois de parar. É por isso que muita gente jura ter perdido tudo. Não perdeu, perdeu o volume de líquido e ficou com o que era real, que costuma ser bem menos do que a foto do meio do ciclo sugeria. Quantos ciclos? Essa pergunta muda de figura quando se olha o que acumula. Cada passagem cobra do colesterol e do fígado, e o que mais preocupa em mulher, que é queda de cabelo em padrão masculino e mudança de voz, é justamente o que não volta atrás. Isso não zera entre um uso e outro, vai somando ao longo da vida. Então a pergunta útil não é quantos, é quanto você aceita gastar de irreversível. Qual marca? Você perguntou duas vezes e essa é a resposta honesta: não tem como saber. Fabricação clandestina não tem controle de concentração, então subdosado e superdosado são igualmente possíveis dentro do mesmo lote. Manipulado com receita médica é o único caminho em que existe alguma responsabilidade sobre o que está dentro da cápsula. Não porque seja seguro, mas porque é o único rastreável. Sobre o ponto do Foston a respeito do anticoncepcional, ele está certo, e vale acrescentar o mecanismo. O anticoncepcional combinado eleva bastante uma proteína do sangue que carrega os hormônios sexuais, e quanto mais dela circulando, menos testosterona livre sobra disponível. Não é que ele zere a sua testosterona, é que ele prende a que você tem. Isso é bem estabelecido e explica direitinho a dificuldade de ganho que você descreve. Sobre a preocupação com trombose, ela também procede, porque as duas coisas mexem em fatores de coagulação, e o anticoncepcional sozinho já é um fator conhecido para isso. Só que atenção a uma coisa: você perguntou se, parando o anticoncepcional, poderia começar. Não pare por conta própria por esse motivo. Se fizer sentido trocar de método, isso se conversa com ginecologista, e leve inclusive o antidepressivo para essa conversa. Agora as duas coisas que eu falei no começo, e é aqui que está o seu resultado. A primeira: você planejou 1.500 calorias por dia. Você tem 54 quilos e quer aumentar coxas e glúteos. Mil e quinhentas calorias para você, treinando cinco vezes por semana, é dieta de emagrecimento. Você está com uma meta de crescer e um plano de encolher ao mesmo tempo, e músculo não se constrói com falta de material. Para o seu objetivo, esse número precisa ir para algo em torno de 2.200 a 2.400, com proteína na faixa de 100 a 110 gramas por dia. E aqui está a parte que interessa: nenhum oral vence uma dieta assim. Se você começar a oxandrolona mantendo as 1.500, o resultado provável é ficar mais dura e mais seca, não maior. Você vai gastar dinheiro e riscos para chegar num lugar diferente do que descreveu. A segunda: olhe a distribuição do seu treino. Nos cinco dias, quadríceps aparece em três: no A, no C e no E. Glúteo aparece em um só. Você escreveu que quer coxa e glúteo, mas o treino está concentrado na coxa da frente, e é a coxa da frente que mais responde em quem treina assim. Isso trabalha contra o formato que você descreveu querer. O ajuste é simples e não custa nada. Transforme um dos dias de quadríceps num segundo dia dedicado a glúteo e posterior, com peso morto romeno, elevação de quadril com barra, cadeira flexora e abdução. E, principalmente, anote as cargas e persiga aumentar carga ou repetição naqueles exercícios ao longo dos meses. Uma última coisa, e é a que me parece mais importante de tudo. Você escreveu que a sua autoestima não está legal e que se sentiu diferente quando começou a treinar com personal, mais animada e feliz com cada mudança. Isso diz muito. O que mudou ali não foi só o treino, foi ter alguém acompanhando e alguém marcando o progresso. Se der para retomar isso de alguma forma, mesmo que seja acompanhamento a cada duas semanas, vai render mais que qualquer cápsula, e o efeito dura. E como você usa antidepressivo, vale um cuidado extra: androgênio mexe em humor e em irritabilidade, e isso pode se somar de forma imprevisível ao que já está sendo tratado. Isso merece ser conversado com o médico que acompanha você, não decidido em fórum. Aos 27 anos, com três anos de treino interrompido pelo caminho, você ainda tem muito para construir sem nada disso. Arruma a comida e a distribuição do treino primeiro, dá seis meses, e se depois disso ainda quiser, a conversa é outra e você estará decidindo com informação em vez de com pressa. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
UMA NOVA REFLEXÃO SOBRE REFEIÇÃO PÓS-TREINO
Quinze anos depois de aberto, esse tópico tem um desfecho, e ele é mais interessante que um simples a janela não existe. A confusão toda vem de misturar duas coisas diferentes que receberam o mesmo nome. Separando as duas, tudo se encaixa, inclusive as divergências que apareceram aqui ao longo dos anos. A primeira é a reposição de glicogênio, que é o combustível guardado dentro do músculo. Aqui o tempo importa mesmo, e a pressa é real. Só que ela é real sob uma condição específica: quando você vai treinar de novo dentro uma janela curta, umas oito horas. Aí sim, comer carboidrato rápido logo depois muda o rendimento da sessão seguinte. Para quem treina uma vez por dia, o glicogênio se repõe completamente em vinte e quatro horas contanto que o carboidrato do dia esteja lá, tomado às sete ou às onze da noite, tanto faz. E aqui está a origem do mito. Os estudos que criaram a regra do malto com dextrose imediatamente foram feitos com atletas de resistência que treinavam duas vezes no mesmo dia. A conclusão era correta para eles. O que aconteceu foi que ela foi exportada para o cara que faz musculação uma vez por dia, para quem ela nunca se aplicou. O que me diverte é que o Frutuoso, que foi o último a postar aqui, é justamente a única pessoa do tópico para quem o protocolo antigo está certo. Ele treina duas a três vezes por dia por causa do triathlon. Para ele, repor rápido depois de cada sessão não é dogma, é necessidade. E ele chegou nisso sozinho, pela prática, sem precisar da teoria. A segunda coisa é a síntese de proteína muscular, que é onde mora a lenda dos trinta minutos. Aqui a janela é larga. O estímulo do treino mantém o músculo mais sensível à proteína por cerca de vinte e quatro horas em quem já treina, e mais ainda em iniciante. O que decide não é o cronômetro, é o total de proteína do dia distribuído em algumas refeições. E tem um detalhe que resolve a angústia de vez. Se você comeu antes de treinar, e a maioria come, aquela comida ainda está sendo absorvida durante e depois do treino. A janela já estava aberta antes de você sair da academia. Fábio, sobre a sua pergunta lá de 2013, com duas bananas e aveia antes do treino você nunca esteve em risco de coisa nenhuma. Sobre o catabolismo que apavorava todo mundo em 2010, ele nunca foi o que se imaginava. A subida de cortisol depois do treino é parte normal do processo, inclusive da adaptação, e não corresponde a perder músculo em quem está alimentado. Ninguém perde massa porque demorou quarenta minutos para comer. E aí cai também a parte mais específica do protocolo antigo, que é somar dextrose ao whey para disparar insulina. A quantidade de insulina necessária para a proteína fazer o trabalho é pequena, e a própria proteína já eleva insulina o suficiente. Acrescentar açúcar rápido em cima não melhora o saldo. Ou seja, o whey com dextrose não estava errado por fazer mal, estava errado por cobrar por algo que não acrescentava. Vinicius, você perguntou em 2012 qual era melhor, alto ou baixo índice glicêmico, e não recebeu resposta na época. Vai aqui, com uns anos de atraso: se você treina uma vez por dia, não faz diferença, escolha o que cai melhor no seu estômago e no seu bolso. Se você treina duas vezes no mesmo dia, aí o alto índice glicêmico depois da primeira sessão tem função de verdade. Ld Black, o seu palpite de 2013 estava na direção certa, só um pouco esticado. Não são quarenta e oito horas para todo mundo, mas em torno de vinte e quatro em quem tem tempo de treino, e mais longo ainda em quem está começando. Você acertou o essencial, que era que aquilo se contava em horas e não em minutos. E o veredito acaba dando para a Dra. Shalimar, que já em 2013 dizia que as pessoas obsedavam com o pós-treino e descuidavam do resto do dia. Foi exatamente isso que a literatura acabou mostrando. Ela também acertou ao dizer que a janela era de uma hora e meia a duas em vez de trinta minutos, o que na época era ir contra a corrente do fórum inteiro. O que sobra de prático em 2026 é bem menos empolgante que o tópico original: coma uma refeição com proteína e carboidrato em algum momento razoável depois de treinar, uma ou duas horas serve, e se preocupe muito mais com o total do dia. A única exceção continua sendo quem treina duas vezes no mesmo dia. Para todo o resto, o Arnold com frango e cerveja que o Diego citou lá em 2010 estava, tecnicamente, dentro da margem.
-
ciclo feminino
Elis, para tudo e lê isso antes de tomar o primeiro comprimido, porque tem um erro de conta no seu último post e ele é grande. O Batata sugeriu 10 miligramas de doze em doze horas, ou seja, 20 por dia. Você não achou o comprimido de 10, comprou o de 20 e escreveu que vai tomar esse mesmo de doze em doze horas. Isso dá 40 miligramas por dia. É o dobro do que foi sugerido para você. A solução é simples: parte o comprimido de 20 ao meio. Meio de manhã e meio à noite, e você cai exatamente no que foi combinado. Falo isso com essa ênfase porque, em mulher, essa diferença não é detalhe de ajuste fino. Dez miligramas por dia já é dose respeitável. Vinte é o teto do que se costuma considerar aceitável, e é justamente por isso que o Batata parou ali. Quarenta é território em que a virilização deixa de ser risco e passa a ser expectativa. E o que preocupa nessa parte não é acne nem queda de cabelo, porque essas duas passam quando se interrompe. O que preocupa é a voz e o aumento do clitóris, que são as duas coisas que não voltam ao que eram. Elas se instalam devagar, sem dor e sem aviso, e quando a pessoa percebe já aconteceu. Guarda esta regra, que vale mais que qualquer dose: ao primeiro sinal de rouquidão ou de mudança na voz, você para no mesmo dia. Não reduz, não termina a cartela, para. Uma coisa é interromper um ciclo, outra é conviver com uma voz diferente pelo resto da vida. Agora, duas coisas do seu plano que eu ajustaria, e nenhuma delas tem a ver com o hormônio. A água. Você mesma escreveu que bebe muito pouco e que precisa melhorar isso. Só que você já toma creatina e agora vai somar um oral, e os dois pedem hidratação. Isso deixa de ser conselho genérico e passa a ser parte do protocolo. É a mudança mais barata e mais imediata que você pode fazer, e começa hoje. O protetor de fígado. Provavelmente é silimarina, que é o que costumam indicar. Ela não tem estudo mostrando que proteja o fígado do dano desse tipo de substância. Não é que faça mal, é que ela dá uma sensação de segurança que não corresponde à realidade, e essa sensação é o que faz a pessoa relaxar em vez de fazer exame. O que realmente protege é fazer exame de sangue, ver o que está acontecendo e agir de acordo. E aqui está o que falta no tópico inteiro, e é o item mais importante: você não fez nenhum exame. Peça, antes de começar, perfil lipídico completo e enzimas do fígado. A oxandrolona derruba o HDL, o colesterol bom, de forma bem marcante, e isso não dá nenhum sintoma. Repita no meio do uso e umas quatro semanas depois de terminar. É barato e é a única forma de saber o preço que você está pagando por um resultado que aparece no espelho. A Renatinha te deu um conselho excelente que ficou meio solto, e eu reforço porque ele resolve boa parte do seu objetivo: sua dieta não está calculada, está sendo montada no olho. Você tirou carboidrato, aumentou salada e vai começar um oral. Só que sem saber quantas calorias e quanta proteína você está comendo, não dá para saber se o déficit está certo, e o risco concreto de cortar demais é perder justamente a massa muscular que você quer preservar. A oxandrolona ajuda a segurar isso, mas ela não segura milagre. Uma última observação, sobre a ordem das coisas. Tanto o Batata quanto o drjoao sugeriram sessenta dias focando só na alimentação antes de entrar com o oral, e essa era a melhor recomendação do tópico. Você resolveu fazer junto, o que é legítimo e é sua escolha, mas tem um custo prático: se der certo, você não vai saber o que funcionou, e se aparecer colateral, não vai saber se compensou. Ainda dá tempo de fazer na ordem, e você não perde nada esperando, porque o oral rende igual daqui a dois meses. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Quantidade testosterona exame sangue ciclo
Lpedro, preciso defender o laboratório que você reclamou, porque ele não errou. Quando o resultado sai como acima de 1.500, isso não é incompetência nem preguiça. Todo método de dosagem tem um teto de leitura, e acima dele o aparelho não distingue mais os valores. O laboratório sério faz exatamente o que o seu fez: informa que passou do limite em vez de inventar um número. Quem quisesse o valor exato precisaria pedir a repetição com diluição da amostra, e é isso que você deveria ter solicitado. Reclamar e pedir reembolso foi injusto com eles, e como o Foston também achou estranho, fica o registro para quem ler depois. Agora o resultado novo, os 3.460, e por que ele não é a comemoração que parece. Quinhentos miligramas de enantato por semana costumam colocar a pessoa em algo entre mil e quinhentos e dois mil e quinhentos, medido no ponto baixo, ou seja, no dia da próxima aplicação e antes de aplicar. Você deu bem acima disso. Isso significa uma de duas coisas: ou o sangue foi colhido logo depois de uma aplicação, pegando o pico, ou o produto está mais concentrado do que diz o rótulo. E aqui está o problema de fundo, que é o motivo pelo qual esse exame não respondeu a sua pergunta original. Sem padronizar o momento da coleta, o número não valida produto nenhum. A mesma pessoa, com o mesmo frasco, colhendo dois dias depois de aplicar ou no sétimo dia, encontra valores muito diferentes. Se você quiser mesmo conferir concentração por exame, o jeito é colher sempre no dia da próxima aplicação e antes de aplicar, depois de umas quatro a seis semanas no mesmo esquema, e repetir sempre nessa mesma janela. Aí os números passam a significar alguma coisa. E repare no que o exame acabou mostrando: você tem testosterona altíssima e ganhos abaixo da expectativa. Isso praticamente elimina a hipótese de produto fraco e joga a explicação para o outro lado, que é comida e treino. Com 1,79 e 87 quilos e testosterona nesse nível, se o resultado não vem, o que está faltando não está no frasco. Sobre a queda de libido e a ereção matinal que sumiu, o Marcos apontou o caminho certo, e eu preciso acrescentar um detalhe técnico que muda tudo, porque do jeito que foi dito você vai cair numa armadilha. Não peça estradiol simples. Para homem em ciclo, o exame comum de estradiol, que é por imunoensaio, é pouco confiável, porque ele sofre interferência de outros esteroides presentes em concentração alta no seu sangue. O resultado costuma vir falsamente elevado. Aí a pessoa vê o número alto, toma inibidor de aromatase, derruba o estradiol de verdade lá embaixo e piora exatamente o sintoma que queria resolver. O que você deve pedir é estradiol por espectrometria de massas, que na maioria dos laboratórios aparece com o nome de estradiol ultrassensível. Custa um pouco mais e é o único que serve para a sua situação. E o motivo pelo qual isso importa tanto é que estradiol alto e estradiol baixo dão o mesmo quadro: libido no chão, ereção fraca e ereção matinal ausente. Os dois extremos produzem sintomas quase idênticos. Sem o número certo, escolher o remédio é cara ou coroa, e o lado errado dessa moeda é bem ruim. Sobre a boldenona derrubar estradiol, aquilo que o Marcos leu em algum lugar circula bastante, mas não tem dado humano firme por trás. Ela aromatiza menos que a testosterona, e é possível que na sua proporção isso puxe a relação para baixo, mas continua sendo teoria. Meça, não deduza. E tem um exame que ninguém pediu e que na sua combinação é dos mais importantes: hemograma completo, olhando hematócrito e hemoglobina. Testosterona em dose de ciclo já engrossa o sangue, e a boldenona é conhecida justamente por estimular a produção de glóbulos vermelhos mais que as outras. Você está com as duas juntas há quatro semanas. Sangue muito grosso traz risco cardiovascular real, e ele também prejudica ereção, então pode ser parte do que você está sentindo. Resumindo o que eu pediria de uma vez: testosterona total colhida no dia da próxima aplicação antes de aplicar, estradiol ultrassensível, prolactina, hemograma completo e perfil lipídico. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Hipertrofia e Triathlon
Tiago, tem uma ausência gritante na sua semana e ela é justamente a modalidade que decide o Ironman para quem vem do zero: não tem natação em lugar nenhum. Segunda a domingo, corrida e bike, duas e às vezes três vezes por dia. Natação, nada. E essa é a disciplina em que adulto que aprendeu tarde perde mais tempo e sofre mais, porque nadar é o único dos três em que estar em forma não resolve. Correr e pedalar melhoram com condicionamento. Nadar melhora com técnica, e sem técnica você gasta o triplo de energia para ir devagar. Some a isso que a prova é em água aberta, sem parede, sem linha no fundo, com gente batendo em você e sem enxergar nada, que é uma experiência completamente diferente da piscina. É onde acontece a maioria dos abandonos e é o trecho de maior risco da prova inteira. Se o Ironman é o objetivo, natação entra agora, com professor, mesmo que seja duas vezes por semana. É o investimento com maior retorno da sua preparação e é o único que não dá para acelerar depois. Segundo ponto, sobre o formato do que você já faz. Cinco quilômetros de corrida ou vinte de bike, todo dia, sempre a mesma distância, quase sempre no mesmo ritmo. Isso é muito esforço acumulado e pouco estímulo diferente. O jeito que funciona é polarizado: a maior parte do volume bem leve, no ritmo em que você consegue conversar frases inteiras sem perder o fôlego, e uma fatia pequena, um ou dois treinos por semana, forte de verdade. O que a maioria faz, e é o seu caso, é o meio termo em tudo, que cansa como treino forte e adapta como treino leve. E o ritmo leve precisa ser mais leve do que o ego aceita. Se você fizer isso direito, vai parecer que está treinando pouco, e é exatamente aí que a coisa começa a render. Agora o conflito que você levantou, e a resposta honesta. A interferência entre resistência e hipertrofia existe, mas ela não é geral. Ela se concentra nas pernas e vem principalmente da corrida, por causa do impacto e da frenagem a cada passada, que geram dano muscular que compete direto com a recuperação do treino de perna. Pedalar interfere muito menos. Isso dá duas medidas práticas para a sua fase de hipertrofia. A primeira é usar a bike para a maior parte do volume aeróbico nesse período, deixando a corrida no essencial. A segunda é não fazer o que você está fazendo hoje: musculação às dezesseis e corrida às vinte, no mesmo dia. Se for para ter treino aeróbico no dia de perna, que seja pela manhã, com o máximo de horas de distância, e leve. E vou ser direto sobre a pergunta do shape dos sonhos, porque o Frutuoso deu a resposta certa e ela merece ser dita com todas as letras. Preparação de Ironman ocupa quinze a vinte horas por semana no pico. Não existe maximizar hipertrofia dentro disso. E tem uma parte ainda mais desconfortável: massa extra de tronco e braço, que é o que dá a aparência de shape, é peso morto que você carrega por quarenta e dois quilômetros de corrida no fim da prova. Os dois objetivos não são só difíceis de conciliar, eles brigam entre si. O que funciona é escolher qual manda em cada ano. Um ano com foco em construir músculo, com aeróbico mantido em nível básico. Outro com foco em prova, aceitando manter e não crescer. Quem tenta os dois no mesmo ciclo costuma ficar mediano nos dois, e o corpo atlético que o Frutuoso descreveu é o resultado realista e, na minha opinião, o mais bonito dos dois mundos. Uma última coisa, e essa é de saúde. Doze quilos em dois meses, com essa carga de treino e em déficit calórico, é rápido demais. Existe um quadro bem descrito em atleta de resistência que treina muito comendo pouco, com queda de testosterona, perda de densidade óssea, fratura por estresse, imunidade baixa, sono ruim e desempenho que trava mesmo com o treino aumentando. Ele se instala devagar e é bem difícil de reverter depois. Já que você tem acompanhamento nutricional, leve isso para a consulta e fale abertamente do volume que você treina, porque dieta de déficit para sedentário e dieta de déficit para quem faz três sessões por dia não são a mesma conta. E fecho endossando o roteiro do Frutuoso, que é o caminho certo: Sprint, depois Olímpico, depois um 70.3. Quem entra por aí chega no Ironman inteiro. Quem pula etapa chega arrebentado ou não chega. Sobre a musculação para quem faz triathlon, ela deve continuar existindo, e o formato ideal é pouco volume com carga alta, algo como duas sessões por semana de exercícios básicos em séries curtas. Isso melhora a economia de corrida, ou seja, você gasta menos energia no mesmo ritmo, sem cobrar o preço de peso extra. É o oposto do treino de bomba com muitas séries, e é o que se usa em atleta de resistência. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Lipostabil, LipoHD, LipoBurn, qual é melhor?
Be47, você perguntou a mesma coisa três vezes e ninguém chegou a responder o que você perguntou. Vou responder. Lipostabil é fosfatidilcolina com desoxicolato. E o detalhe que muda tudo é que o agente que faz o serviço ali não é a fosfatidilcolina, é o desoxicolato, que é um sal biliar, ou seja, um detergente. Quando testaram os dois separados, o desoxicolato sozinho produziu o mesmo efeito que a mistura. E o que um detergente faz debaixo da pele não é queimar gordura. Ele rompe membrana de célula por ação química, matando o que estiver ali: célula de gordura, sim, mas também o que estiver em volta. O que vem depois é uma inflamação, o corpo removendo tecido morto, e é daí que vem o inchaço, o endurecimento e o hematoma. Renatinha descreveu exatamente isso, e não foi azar dela, foi o mecanismo funcionando como funciona. Segundo ponto, e esse resolve a pergunta do título de uma vez: a Anvisa proibiu o uso injetável de fosfatidilcolina para fins estéticos no Brasil ainda em 2003. Então não existe qual é melhor entre eles, porque nenhum é autorizado para isso aqui. O que você encontra à venda é manipulado ou contrabandeado. Existe uma versão aprovada dessa ideia, e a comparação é reveladora. O desoxicolato isolado foi aprovado lá fora, mas só para a gordura embaixo do queixo, aquela papada, aplicado por médico com mapeamento da área. Não foi aprovado para abdome, e não é por acaso: a lista de efeitos inclui lesão de nervo, com assimetria do sorriso, e necrose de pele quando aplicado errado. Uma coisa é isso, num centímetro de papada com protocolo. Outra é alguém aplicando frasco manipulado na barriga inteira. Sobre LipoHD e LipoBurn, não dá para dizer qual é melhor por um motivo simples: eles não têm fórmula pública e padronizada. São misturas de manipulação, e o que vem dentro varia de lugar para lugar. Comparar dois produtos cuja composição ninguém conhece é conversa sem chão. E tem uma parte de física que derruba a ideia toda, independentemente do produto. Mesmo que a célula de gordura morra ali, a gordura que estava dentro dela não evaporou. Ela é liberada e o corpo tem que dar conta dela, e sem déficit calórico ela simplesmente vai para as células vizinhas, que continuam vivas e com espaço de sobra. É por isso que o efeito, quando aparece, é pequeno e some. Agora a parte que interessa de verdade para você, e aqui eu acho que o pessoal foi injusto no tom, porque você não é sedentário perguntando por atalho. Crossfit todos os dias, mais academia três vezes por semana, mais trinta minutos de corrida. Isso é gasto energético alto. Se com esse volume todo a gordura abdominal não sai, a conclusão é praticamente automática: o problema não está no gasto, está na entrada. Não tem quantidade de treino que resolva isso, e é justamente por isso que aumentar a corrida, como sugeriram, provavelmente não vai mudar nada, você já corre. Então a pergunta útil não é qual enzima, é quanto você come. E não estou falando de comer limpo, estou falando de quantidade. Pega uma semana, anota tudo com peso, inclusive azeite, bebida e o fim de semana, e olha o total. Quem treina como você e não perde gordura costuma descobrir ali um número bem maior do que imaginava, quase sempre concentrado em pouca coisa: óleo de preparo, bebida e as refeições fora de casa. E último ponto, que talvez seja o mais relevante no seu caso. Você vem de ciclos de durateston e stanozolol. Testosterona em dose de ciclo retém líquido, e boa parte do que incomoda na região abdominal logo depois pode ser água e não gordura. Antes de atacar quimicamente uma barriga, vale ver o que ela é. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Ajuda para evoluir
Manu, chego atrasado num diário que está muito bem conduzido, então não vou mexer no que já está funcionando. Só quero levantar dois pontos, e um deles é urgente o suficiente para eu escrever mesmo assim. O urgente é a queda de cabelo. Você relatou acne e aumento de queda, e classificou como algo que não te incomoda. Acne eu concordo, ela vem e vai embora quando você parar. Mas a queda não está no mesmo balaio, e essa distinção é o motivo do meu post. Acne e queda de cabelo aparecendo juntas é a assinatura clássica do efeito androgênico começando a se manifestar. Só que os dois se comportam de forma completamente diferente quando você interrompe. A pele normaliza. O cabelo, no padrão androgênico, nem sempre volta, porque o que acontece não é só cair, é o fio ir afinando a cada ciclo até o folículo parar de produzir fio grosso. Depois de certo ponto, aquele folículo não devolve o que era, e nesse tipo de queda a região mais atingida na mulher é o alto da cabeça, onde a repartição vai alargando devagar. E é justamente por ser devagar e indolor que ela engana. Quando incomoda, já andou. Então a minha sugestão é não tratar isso como colateral tolerável. Duas coisas objetivas: fotografe o alto da cabeça com a repartição feita, na mesma luz, do mesmo jeito que você já faz com as fotos do shape, e compare mês a mês, porque no espelho do dia a dia isso é invisível. E, se a queda continuar aumentando, o certo é reduzir ou encerrar, não é seguir e ver no que dá. Não vale trocar cabelo por um ciclo, porque um deles é reversível e o outro pode não ser. O segundo ponto é mais simples. Lá no começo do tópico você marcou que não tinha exames de sangue, e pelo que li isso continuou assim. A oxandrolona derruba o HDL, o colesterol bom, de forma marcante, mais que a maioria, e ela também passa pelo fígado. Você usa anticoncepcional junto, que também tem passagem hepática. Nada disso dá sintoma. A pessoa se sente ótima, treinando bem, e o número está lá mudando sem avisar. Então vale fazer, e é barato: perfil lipídico completo, enzimas hepáticas, e já aproveita para incluir hemograma e ferritina, que interessam para você de qualquer forma. Se puder, faz agora e repete umas quatro semanas depois de encerrar. Isso transforma o diário, que já é muito bem documentado do lado de fora, em algo documentado por dentro também. E se um dia você quiser decidir se repete ou não, esses números vão valer mais que qualquer foto. O resto eu só assino embaixo. Esse formato de atualização com data marcada, medidas, percentual de adesão à dieta e registro de colaterais é raro de ver e é o motivo pelo qual você evoluiu. Diário assim vale para você e vale para quem vai ler daqui a alguns anos. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Deposteron 100mg, 2ml a cada 15 dias, uma (01) cx somente. Vale a pena?
Elaine, ninguém aqui fez a conta da dose que te receitaram, e ela é a resposta inteira do tópico. Deposteron é cipionato de testosterona a 100 miligramas por mililitro. Dois mililitros são 200 miligramas. A cada quinze dias, isso dá o equivalente a cem miligramas por semana. Agora a referência. Uma mulher produz naturalmente algo em torno de dois a três décimos de miligrama de testosterona por dia. Quando se faz reposição em mulher com indicação real, as doses ficam na casa de cinco a dez miligramas por semana, e olhe lá. Ou seja, te prescreveram algo entre dez e vinte vezes uma dose feminina. Cem miligramas por semana é dose de reposição de homem adulto. Não é dose alta para mulher, é dose de outro sexo. O Foston sentiu isso quando falou em masculinização, e ele está certo. Eu só coloquei o número para você ver o tamanho. E tem uma coisa específica do formato injetável que agrava, e é a razão pela qual isso me preocupa mais do que o gel que você usou antes. Gel é reversível no dia seguinte. Se aparecer qualquer sinal, você para e em pouco tempo o nível cai. Cipionato injetado fica no corpo por semanas e não tem como tirar. Depois que a ampola entrou, você está comprometida com aquele nível até ele descer sozinho, sentindo o que tiver que sentir. Em mulher, os sinais que não voltam atrás são o engrossamento da voz e o aumento do clitóris, e eles se instalam devagar e sem dor. Agora a segunda parte, que na minha leitura é ainda mais importante: a premissa do tratamento está errada. O Batata acertou em cheio e passou meio despercebido. Para mulher, a faixa normal de testosterona total costuma ir de uns quinze a setenta, dependendo do laboratório. Os seus 36 estão no meio da faixa. Você não tem testosterona baixa. Você tem testosterona normal de mulher. O Daviddscosta chegou a falar em quase zerada, mas ele mesmo percebeu depois que tinha lido como se fosse valor de homem, e aí está exatamente a armadilha. Quem olha 36 com régua masculina vê catástrofe. Com a régua certa, não tem nada ali para tratar. Então o que sobra é o que te levou ao médico, que foi a dificuldade de ganhar massa depois de anos treinando. E essa dificuldade é normal, não é sintoma. Mulher treinada há anos ganha músculo devagar, e isso vale para todas, inclusive as que você vê com resultado bom. Nunca foi a testosterona o que segurava, porque ela sempre esteve na faixa dela. E olha o detalhe do seu próprio relato, porque ele é a melhor pista de todas: no ano de gel, a única coisa que mudou foi disposição e energia. Nada de estética. Isso diz que o corpo já estava fazendo o que dava, e que o incômodo verdadeiro talvez seja o cansaço. Se for isso, tem uma investigação bem mais barata que gel manipulado, e ela nunca foi feita: ferritina e hemograma, TSH e T4 livre, vitamina D e B12. Ferro baixo em mulher que menstrua é comum a ponto de ser regra, e o cansaço dele é idêntico ao que se atribui a hormônio. Você parou o gel por causa do custo, e esses exames custam uma fração de um mês daquilo. Uma ressalva à sugestão do Foston, com respeito, porque ela tem um problema prático sério. Comprar frasco de fornecedor clandestino e tirar cinco miligramas com seringa de insulina parece precisão, mas você não sabe a concentração real do que está no frasco. Se o produto estiver subdosado ou superdosado, e isso é comum, sua conta de dez unidades vira qualquer coisa. Precisão em cima de número desconhecido é precisão imaginária, e em mulher o erro para cima cobra caro e não devolve. Respondendo direto ao que você perguntou no título: uma caixa com três ampolas não produz ganho estético que se sustente, sim a testosterona volta ao que era quando terminar, e sim, o que tiver aparecido em cima disso vai embora junto. Nisso o pessoal já tinha respondido certo. O que eu faria: procurar um endocrinologista, já que o próprio médico que receitou não é da área, levar esses exames e a pergunta certa, que não é como elevar a testosterona, e sim por que o cansaço. E, para o objetivo estético, seguir o caminho chato que funciona, que é proteína suficiente, comida suficiente e carga aumentando ao longo dos meses. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Três meses de academia, não tenho verba para nutri, personal, nem nada... Alguém para me ajudar?
Nikiii, você preencheu tudo direitinho e ninguém chegou a responder o que você pediu. Vou responder, e vou fazer isso valendo zero real, que é a condição que você colocou. Começo pelo erro mais caro da sua rotina, e ele está bem visível no seu treino. Segunda quadríceps, quarta posterior e glúteo, sexta quadríceps de novo. Ou seja, quadríceps duas vezes por semana e glúteo uma. Só que o glúteo é justamente o que você disse querer. Você está treinando o dobro do que não é sua prioridade e a metade do que é. Troca a sexta de quadríceps por um segundo dia de posterior e glúteo. Essa mudança sozinha, sem gastar nada e sem treinar mais, já muda o rumo dos próximos meses. E não se preocupe em perder perna, porque agachamento, leg press e afins trabalham quadríceps em qualquer dia de posterior. O segundo erro é maior e é de direção, não de detalhe. Você quer sair de falsa magra e parar de se sentir flácida. Isso não é excesso de gordura pedindo dieta, é falta de músculo. E músculo não se constrói tentando seguir dieta de emagrecimento da internet. Você está com o pé no acelerador e no freio ao mesmo tempo, e é por isso que seis meses passaram e a sensação é de não sair do lugar. Com 22 anos, 1,67 e 64 quilos, o que muda o seu corpo é comer o suficiente e ficar mais forte a cada mês. A firmeza que você procura é o músculo embaixo da pele. Não existe outro caminho, e nenhum dos dois exige nutricionista. Como fazer isso sem balança e sem entender de macro, que é o seu caso hoje. Faça quatro refeições com proteína, todas elas. Em cada uma, uma porção de proteína do tamanho e da espessura da palma da sua mão. Pode ser ovo, frango, carne, peixe, atum, iogurte natural ou queijo. Se fizer isso nas quatro, você fecha a proteína do dia sem pesar nada. Esse é o único item que eu pediria para você perseguir com rigor. No resto, mantenha o arroz, o feijão, a batata, a fruta e o azeite. Não corte carboidrato. É ele que sustenta o treino e é a falta dele que faz o treino render pouco no fim do dia, e você treina às sete e meia da noite. E aqui está a peça que falta e que é a que mais separa quem evolui de quem não evolui: anote o treino. Você disse que nem sabe o nome dos exercícios e pede ajuda ao rapaz da academia. Então abra o bloco de notas do celular e escreva assim, para cada exercício: o nome que der, o peso e quantas repetições você fez. Na semana seguinte, olhe o que estava escrito e tente fazer uma repetição a mais ou um pouco mais de peso naquele mesmo exercício. Isso é o que personal caro faz e cobra por isso. É o único motivo pelo qual o corpo muda. Treinar pra caramba sem registro é repetir o mesmo estímulo por meses, e o corpo não tem por que mudar se o estímulo não mudou. Aposto que essa é a explicação da sua estagnação inteira. Sobre a celulite, vou ser honesto porque acho que você merece a verdade e não a promessa. Celulite é estrutural, é a forma como a fibra que prende a pele se organiza na mulher, e aparece na grande maioria das mulheres, inclusive em atleta magra e definida. Não existe treino, creme, massagem ou dieta que elimine. O que muda de verdade a aparência é ter mais músculo embaixo preenchendo a região, e é exatamente para onde o seu plano já vai. Melhora bastante, mas não some, e quem promete que some está te vendendo alguma coisa. Um cuidado por causa da gastrite, já que você mencionou. Evite treinar de estômago completamente vazio e cuidado com pré-treino cheio de cafeína, que costuma piorar sintoma. Se um dia for usar creatina, que é o suplemento que mais valeria o seu dinheiro quando sobrar, tome junto de uma refeição e não em jejum. Por último, uma coisa que você já fez sem perceber. Você chegou aqui, escreveu tudo e voltou para completar quando pediram. Isso é mais disciplina do que a maioria tem. O que faltou não foi esforço, foi direção, e direção é de graça.
-
Não faça mais supino com barra!?
O vídeo acerta numa coisa e erra feio na outra, e o problema é que ele erra justamente na parte que se propõe a proteger o ombro. Começo pelo que ele acerta, para ser justo. A questão da amplitude tem fundo real. Com halter você desce mais que com a barra, porque a barra para no peito, e existe evidência razoável de que treinar o músculo em posição mais alongada rende mais hipertrofia. Então, para peitoral, o halter tem um argumento legítimo a favor. Isso é verdade. Agora o erro, e ele é grande. Se o ombro é o motivo da preocupação, a troca sugerida vai na direção contrária. Lá embaixo no supino com halteres, o braço vai mais para trás do plano do corpo do que a barra permite. E essa posição, ombro aberto e rodado para fora com o braço atrás do tronco, é exatamente a posição de maior estresse na parte da frente da articulação. É por isso que quem já tem ombro sensível costuma sentir mais nos halteres profundos que na barra com amplitude controlada. A barra, ao parar no peito, funciona como um freio de amplitude, e para o ombro frágil esse freio é uma proteção e não um defeito. E aí vem a recomendação mais estranha do vídeo, que é oferecer o crucifixo como alternativa segura. O crucifixo é o movimento de peito que mais tensiona a frente do ombro em toda a sala de musculação. Braço estendido, alavanca longa, carga puxando a articulação para abrir, no ponto de maior vulnerabilidade. Se alguém tem ombro problemático, o crucifixo é o primeiro exercício que sai da lista, não o que entra no lugar do supino. Sobre o que de fato causa dor de ombro em quem faz supino, o Batata já apontou o principal, que é execução, e eu acrescento o item que mais aparece na prática e que ninguém associa: desequilíbrio entre empurrar e puxar. Quem faz supino, inclinado, paralelas e tríceps toda semana e tem uma fração disso de remada acaba com o ombro puxado para frente, escápula mal posicionada e a cabeça do úmero fora do lugar ideal. Aí o supino começa a doer. E o culpado vira o supino, quando o culpado é o que falta no resto da semana. Uma régua simples e que resolve muita coisa: o volume semanal de remada e puxada deve ser pelo menos igual ao de empurrar horizontal. Quem faz isso raramente tem esse problema. Junto disso, três detalhes de execução que valem mais que trocar de exercício. Cotovelo não abre a noventa graus, fica mais fechado, algo em torno de quarenta e cinco a sessenta em relação ao tronco. A barra desce na linha do meio do peito ou um pouco abaixo, nunca na altura do pescoço. E escápula não só junta, ela junta e desce, como se você guardasse a escápula no bolso de trás. Ombro que sobe junto com a barra é o que machuca. Agora deixo o ponto que a discussão não tocou e que é o risco de verdade da barra, que não é articular. O supino reto com barra é o exercício com mais mortes registradas em academia e em casa. O acidente é sempre o mesmo: a pessoa treina sozinha, falha a última repetição e a barra desce no pescoço sem ter para onde ir. Por isso o Batata está certíssimo sobre a pegada com o polegar por cima da barra, e eu levo isso adiante: se você treina sem parceiro, faça dentro do gaiola com os pinos de segurança na altura do peito, ou faça com halteres mesmo, que dá para largar do lado. Essa é a única situação em que eu diria a alguém para não fazer supino com barra, e ela não tem nada a ver com ombro. E fecho no formato do vídeo, porque é o que gera esse tipo de tópico toda semana. Não faça mais tal exercício viaja bem, porque é curto e soa corajoso. A versão honesta é chata: depende do seu ombro, da sua proporção de braço e tronco, da sua execução, do seu histórico e do que mais tem na sua semana. Barra e halter não competem, eles se completam, e o Batata já tinha dito isso com o arroz e feijão dele. Alice, sobre o seu ponto, ele é o resumo de tudo. Anos de supino sem carga exagerada e sem dor não é sorte, é a evidência de que o exercício não é o problema.
-
Aplicação de Durateston no Deltóide
A foto do tópico não carrega mais, então quem chega agora não consegue avaliar nada por ela. Mas tem uma informação no texto que já bastava para decidir, e ela passou batida nas duas respostas: a febre. Dor forte, vermelhidão e roxo no local nas primeiras 48 a 72 horas podem ser reação inflamatória ao óleo, e no caso do Durateston isso é ainda mais comum, porque ele leva propionato na mistura, que é conhecido justamente por arder e inflamar mais que os outros ésteres. O roxo isolado costuma ser só um vaso que foi pego na hora da aplicação, e não quer dizer nada de grave. Febre é outra história. Febre é sinal de que a coisa saiu do local e virou uma resposta do corpo inteiro. Isso não faz parte de reação normal a óleo, e com febre a conduta deixa de ser esperar e passa a ser procurar atendimento. E aqui eu preciso discordar do que foi sugerido, porque é o tipo de conselho que dá muito errado. Não tome antibiótico por conta própria, e são três motivos. Primeiro, se for reação inflamatória estéril, que é o mais comum, o antibiótico não faz absolutamente nada e você tomou à toa. Segundo, e esse é o principal, se já tiver virado abscesso, com pus acumulado, antibiótico sozinho não resolve. Coleção de pus não tem circulação por dentro, e o medicamento simplesmente não chega lá. Abscesso formado se trata drenando. Quem toma antibiótico e espera acaba adiando a drenagem por semanas com a coisa crescendo. Terceiro, antibiótico tomado pela metade e na dose errada embaça o quadro. A vermelhidão diminui, a febre cede, e quando a pessoa finalmente chega no médico o exame ficou mais difícil de interpretar, além de selecionar bactéria resistente. Para quem estiver passando por isso agora, os sinais que mandam ir ao pronto-socorro no mesmo dia são estes: febre, vermelhidão que aumenta em vez de diminuir, riscos vermelhos subindo pelo braço, íngua dolorida na axila, pele muito esticada e brilhante, e endurecimento com um centro amolecido, que é a sensação de bolsa com líquido dentro embaixo da pele. Vale também uma regra simples de tempo: dor de aplicação melhora do terceiro dia em diante. Se estiver piorando depois disso, não é o óleo. Uma dica prática que ajuda muito e quase ninguém conhece. Pegue uma caneta e contorne a borda da área vermelha, anotando a hora ao lado. Se em algumas horas a vermelhidão passar do traço, isso é infecção se espalhando, e aí não se espera mais. Esse contorno também é a melhor informação que você pode levar para quem for te atender. Sobre o deltoide especificamente, que é o assunto do título, vale o alerta que evita a maior parte desses casos. É um músculo pequeno e aceita pouco volume, coisa de um mililitro. Muita gente aplica dois ou mais ali, que é volume de glúteo, e o óleo acaba comprimido em pouco espaço ou depositado parcialmente fora do músculo. Inflamação feia depois disso não é azar, é consequência esperada. E o básico que sustenta todo o resto: agulha e seringa novas a cada aplicação, sem reaproveitar nada, e álcool na pele deixando secar antes de furar. Boa parte dos abscessos que aparecem no fórum nasce do material reutilizado, e não da marca do produto. ViTiMM, sobre a sua pergunta, o autor não voltou para contar. Fica o registro do que fazer, que é o que serve para quem cair aqui procurando. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
1⁰ Ciclo Oxandrolona iniciando-se com 40 mg
João, tem um item nessa receita que entrega o resto dela, e não é nenhum dos esteroides. É o tribulus. Tribulus é uma das substâncias mais bem estudadas do mercado de suplementos, e o que os estudos em homem mostram é que ela não eleva testosterona. Não é polêmica, é assunto encerrado há bastante tempo. Ela foi vendida por vinte anos como se elevasse, e não eleva. Então, quando um protocolo escrito em consulta inclui tribulus, isso te diz uma coisa importante sobre o protocolo inteiro: ele não foi montado com base em evidência, foi montado com base no que se repete por aí. A silimarina segue a mesma linha. Ela é oferecida como proteção do fígado em ciclo com oral, e não existe estudo mostrando que ela proteja contra o dano hepático desse tipo de substância. O problema dela não é ser inútil, é dar sensação de segurança, que é bem pior que não tomar nada. Agora o essencial, que é o seu corpo e não a receita. Você tem 23 anos, 1,80 e 73 quilos. Isso não é o corpo de alguém que travou. Isso é o corpo de alguém que ainda tem muitos quilos de músculo pela frente sem precisar de nada, e sinceramente é o cenário em que ciclo rende menos. O que a oxandrolona vai te dar em oito semanas é uma coisa que a comida te daria em uns poucos meses, e você vai pagar por isso com o eixo suprimido aos 23 anos. E aqui desfaço o mito que provavelmente foi o motivo de terem escolhido oxandrolona: ela ser leve não quer dizer que ela não suprima. Estudo em homem mostra queda importante de LH, FSH e testosterona com ela mesmo em dose moderada. Você vai terminar as oito semanas com testosterona baixa igual, com a diferença de que estará achando que não, porque a fama dela é de inofensiva. O Foston está certo sobre a dose, e o motivo é o que mais importa. Passando de uns vinte miligramas, o ganho extra vai ficando pequeno enquanto o custo continua subindo em linha reta. Ou seja, subir para sessenta na quinta semana é comprar mais fígado e mais colesterol ruim pelo mesmo resultado. E colesterol é justamente o ponto fraco dela: oxandrolona derruba o HDL de forma marcante, que é um dos motivos pelos quais ela não é o oral inofensivo que a fama sugere. Sobre a TPC, 100 miligramas de clomifeno por dia é dose alta demais. Cinquenta já é o padrão, e boa parte das pessoas resolve com menos ainda. É em cem que aparecem os efeitos visuais, aquela visão embaçada e pontinhos no campo de visão, junto de alteração de humor. Não há motivo para começar tão alto. O que eu faria no seu lugar, e falo isso sem nenhum julgamento, é adiar isso e resolver o que está travando de verdade. Nessa altura e nesse peso, o problema é quase sempre comida. Escreve aqui o que você come num dia, do café até a última refeição, com quantidade. Se o seu total estiver na casa das duas mil e poucas calorias, como costuma estar em quem tem esse peso, aí você tem a resposta inteira, e ela não custa oito semanas de supressão. E se quiser mesmo assim seguir com o que te passaram, faça pelo menos exames antes: testosterona total e livre, LH, FSH, estradiol, perfil lipídico e enzimas hepáticas. Vale principalmente para você ter um retrato de como estava antes, porque sem isso, se algo não voltar depois, ninguém vai saber de onde você partiu. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Ciclo de Enantato + DECA - "DECA DICK"
Na segunda semana, o que você está sentindo não é a deca. O calendário não permite. A nandrolona decanoato é de éster longo e demora a se acumular. Ela só chega perto do nível de equilíbrio depois de umas quatro a seis semanas de uso, e os efeitos que produzem o famoso apagão de libido dependem justamente desse acúmulo, não das primeiras aplicações. Na segunda semana o nível ainda está lá embaixo. Quem culpa a deca nesse prazo está acusando um sujeito que ainda nem entrou na sala. E tem um detalhe no seu relato que é o achado mais importante de tudo, e que na minha leitura ninguém pegou. Você não descreveu perda de ereção. Você descreveu perda de ereção numa posição específica, com a parceira por cima, depois de um tempo. Isso muda o diagnóstico inteiro, porque problema hormonal não escolhe posição. Testosterona baixa, estradiol desregulado ou prolactina alta derrubam a coisa de forma geral: some a ereção matinal, some a vontade, a rigidez cai em qualquer contexto e sozinho também. Não existe estradiol que funcione de quatro e falhe com a mulher por cima. O que é seletivo por posição costuma ser mecânico. A rigidez completa não vem só do sangue que entra, ela depende da contração de músculos do assoalho pélvico que comprimem a base do pênis e seguram a pressão lá dentro. Nas posições em que o homem está ativo, esses músculos trabalham o tempo todo sem que ele perceba. Na posição passiva, com a parceira por cima, eles ficam relaxados, e quem tem assoalho pélvico fraco ou alguma dificuldade de reter o sangue perde pressão justamente ali, e justamente depois de alguns minutos, que é exatamente o padrão que você contou. A boa notícia é que isso tem tratamento simples e com boa evidência, que é treino de assoalho pélvico. Não é folclore, existe estudo comparando com medicação e o resultado é respeitável. Vale procurar um fisioterapeuta pélvico ou um urologista para confirmar antes de sair mexendo em ciclo. Antes de qualquer coisa, faça esta triagem mental, que separa as duas hipóteses em um minuto: você continua acordando com ereção pela manhã? Sozinho, funciona normal? Se as duas respostas forem sim, o eixo e os hormônios não são o problema, e mexer no ciclo não vai resolver nada. Sobre a pergunta do Daviddscosta, ela é a certa, e eu só acrescento uma coisa. Se você não estiver usando inibidor de aromatase, não comece por conta agora achando que é excesso de estradiol. Estradiol derrubado é uma das causas mais comuns de libido no chão e de ereção fraca, e a pessoa que se automedica achando que está com estrogênio alto costuma criar o problema que estava tentando resolver. Meça antes: testosterona total e livre, estradiol e prolactina, colhidos no dia da próxima aplicação, antes de aplicar. Sem esses números é chute. Uma última coisa, e é sobre como você escreveu a dose. Ficou como duas aplicações de 250 de enantato para 100 de deca a cada dia. Se for 100 de deca por aplicação, tudo bem, dá 200 na semana e é uma dose comedida. Se for 100 todo dia mesmo, aí são 700 por semana de nandrolona contra 500 de testosterona, e essa proporção invertida é problema de verdade e muda tudo que eu disse. Confere aí e avisa, porque a resposta não é a mesma nos dois casos. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Ciclo SOMENTE de stanozolol
Tem uma coisa nessa combinação que ninguém apontou e que é justamente a que vai derrubar você primeiro, antes de qualquer outra: o proviron ali dentro está piorando o problema, não resolvendo. Explico o mecanismo, porque assim fica claro. O stanozolol não aromatiza, ou seja, ele não vira estradiol em nenhuma quantidade. E como você não está usando testosterona, não existe nenhuma outra fonte de matéria-prima para o corpo fabricar estradiol. Resultado: seu estrogênio vai para o chão. E aí entra o proviron, que age justamente segurando aromatização e ocupando espaço, ou seja, empurra o estradiol ainda mais para baixo. Você juntou duas coisas que fazem a mesma coisa numa direção que já estava perigosa. Isso importa porque estradiol baixo demais em homem não é vitória, é o que produz o pacote que todo mundo aqui já viu descrito e quase ninguém liga ao motivo certo: libido no chão mesmo com a força subindo, ereção fraca, humor ruim, articulação seca e dolorida, cansaço estranho e aquela sensação de estar apagado. As pessoas atribuem isso a testosterona suprimida, e parte é, mas boa parte é estradiol zerado. E é o que mais rápido aparece nessa configuração específica que você montou. Sobre o HCG, o Daviddscosta já pegou o principal e vale reforçar porque é grave. Se for 5 UI por semana mesmo, isso é nada, não faz efeito nenhum e você está com o eixo desprotegido achando que não está. E o HCG, mesmo na dose certa, mantém o testículo trabalhando, ele não substitui o que falta na circulação. Ele resolve a parte de baixo do problema, não a de cima. Agora o número que decide a conversa, e é o motivo pelo qual o stanozolol é caso à parte entre os orais. Ele é o pior de todos para colesterol, e não é por pouco. Existe estudo clássico feito com dose baixíssima, seis miligramas por dia, uma fração do que você está tomando, e mesmo assim o HDL, o colesterol bom, despencou de forma brutal em poucas semanas, junto com aumento do LDL. Você está em trinta por dia e planejando cinquenta. Não existe fórmula de ciclo que contorne isso, é característica da molécula. E tem a parte do fígado, que também é específica dele. Stanozolol é dos que mais aparecem em relato de lesão hepática, com padrão de colestase, aquele quadro de pele e olhos amarelados com coceira que não passa. Em dose alta e por semanas, é risco real e não teórico. Sobre a pergunta que você fez, de subir para cinquenta na quarta semana: essa é exatamente a forma errada de terminar. Subir a dose no fim e cortar seco depois é o pior desenho possível, porque você deixa o corpo no ponto de maior supressão e retira tudo de uma vez. Se fosse para desenhar, seria o contrário do que você pensou. Mas o que eu de fato faria, e é o conselho honesto, é outro. Você está com uma semana. Uma semana é pouquíssimo, o eixo ainda não apanhou de verdade e você tem uma janela de saída barata que daqui a três semanas não vai mais existir. Parar agora custa quase nada. Terminar oito semanas de stanozolol solo custa meses de recuperação, com libido e disposição ruins justamente no período em que você vai achar que só precisa esperar passar. Se mesmo assim for seguir, então o mínimo é: não suba a dose, divida o que já toma em duas tomadas no dia, e faça exames agora e ao final. Perfil lipídico completo, enzimas hepáticas, testosterona total e livre e estradiol. O estradiol principalmente, porque é o que vai explicar o que você estiver sentindo. E um cuidado que vale para qualquer um lendo isto e que quase não se fala. Stanozolol dá muita força rápida e não dá a mesma velocidade ao tendão. É droga com histórico de ruptura de tendão, e o momento de risco é exatamente aquele em que a pessoa está se sentindo forte demais e resolve testar carga máxima. Se seguir com isso, não é hora de buscar recorde. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Dá para chapar a barriga com 1 ciclo de oxandrolona?
Ninguém levantou aqui a hipótese que talvez seja a resposta inteira dessa história, e ela explica por que uma mulher com 18 por cento de gordura, dois anos de treino e dieta pesada continua com uma barriga que não fecha. Nesse ponto, essa saliência que sobra embaixo do umbigo muitas vezes já não é gordura de pele. Ela costuma ser uma de três coisas, e a conduta é diferente em cada uma. A primeira é diástase do reto abdominal. Os dois lados do abdômen são unidos por uma faixa de tecido no meio da barriga, e gestação, ganho de peso e idade afastam essa faixa. Quando ela fica frouxa, o conteúdo do abdômen empurra para frente e forma exatamente aquela pochete baixa que não sai com dieta nenhuma. É muito comum em mulher acima dos quarenta que teve filho, e é o caso clássico de quem já secou e continua sem a barriga reta. Dá para checar em casa. Deite de barriga para cima, joelhos dobrados, pés no chão. Coloque os dedos na linha do meio da barriga, um pouco acima do umbigo, e levante só a cabeça e os ombros do chão. Se os dedos afundarem numa canaleta entre os dois lados do músculo, com folga de dois dedos ou mais, tem diástase. Repita abaixo do umbigo, que é onde ela costuma ser maior. E aqui está a parte que interessa: se for isso, abdominal comum piora, porque a flexão empurra o conteúdo contra a linha frouxa. O caminho é fisioterapia com trabalho de transverso do abdômen e respiração, e não mais série de abdominal nem mais restrição de comida. A segunda possibilidade é gordura visceral, que fica por dentro, em volta dos órgãos, e não é a que se pega com a mão. Ela empurra a parede de dentro para fora e não responde a nada localizado. Só sai com déficit calórico continuado, e costuma ser a última a ir embora. A terceira é postura. Uma bacia rodada para frente, que é o quadril jogado para trás com a lombar bem arqueada, joga a barriga para fora mesmo em quem é magra. Isso muda de figura com fortalecimento de glúteo e trabalho de core, e nada disso tem a ver com percentual de gordura. Sobre a pergunta direta do tópico, a resposta é não, e vale entender o motivo, que é mais útil que o não seco. Não existe substância que escolha de onde tirar gordura. O corpo tira do estoque geral, e onde o resultado aparece primeiro é definido pela genética e pela quantidade de receptores de cada região, não pelo que se toma. Barriga baixa em mulher é justamente uma das áreas mais teimosas por causa disso. A oxandrolona ajuda a preservar músculo em déficit calórico e dá firmeza pela retenção de sódio no músculo e pelo tônus, e essa é a diferença que aparece na primeira semana, que aliás é rápida demais para ser massa nova. O que ela não faz é escolher a barriga. Já que o ciclo está em andamento e é com prescrição, deixo o que de fato vale acompanhar. Ao primeiro sinal de mudança na voz, qualquer rouquidão ou engrossamento, pare e volte no médico no mesmo dia. Voz é a alteração que não volta atrás depois de instalada, e ela se instala sem doer e sem avisar. Vale o mesmo para aumento do clitóris. Pelo em rosto e acne costumam regredir, esses dois não. E peça exames, se ainda não fez. A oxandrolona derruba o HDL, o colesterol bom, mais que quase todos os orais, e nos seus quarenta e cinco anos, com a transição hormonal em curso, esse é o período em que o risco cardiovascular da mulher começa a subir de verdade. Então perfil lipídico e enzimas do fígado antes, no meio das oito semanas e umas quatro semanas depois de terminar. Se o HDL despencar, isso pesa mais na decisão de repetir do que qualquer resultado no espelho. Uma última coisa, e é a mais importante de todas. Você chegou a 18 por cento aos quarenta e cinco anos com dieta pesada e dois anos de academia sem falhar. Isso é um lugar excelente, e a maior parte das mulheres que você vê com a barriga totalmente reta na foto ou tem uma genética diferente, ou está num percentual que não se sustenta o ano inteiro, ou está com boa luz e ângulo. Se a checagem da diástase der positiva, você vai descobrir que o problema nunca foi o que você comeu, e sim onde ninguém tinha olhado. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Overnight oat: café da manhã saudável para atletas
Agora sim, Pokoyô. Com peptídeo no meio, a sua preocupação fica bem mais defensável do que estava, e eu te devo essa concessão. Só que ela fica defensável por um caminho específico, e vale nomear qual é, porque é ele que separa o alerta útil do alarme genérico. O caminho é o IGF-1. Os secretagogos de hormônio do crescimento, que é a turma do ipamorelin, do CJC-1295 e do MK-677, funcionam elevando GH e, por consequência, mantendo o IGF-1 alto de forma crônica. E o IGF-1 é justamente um sinal que manda célula se multiplicar e segura a morte celular programada. Não é que ele crie um câncer do nada. É que ele é exatamente o ambiente que favorece uma lesão que já existe e que a pessoa não sabe que tem. Por isso essa classe é a que melhor sustenta o que você quis dizer, e é a que mais tem gente usando por conta própria para dormir melhor ou para recuperar mais rápido, sem fazer ideia disso. O segundo exemplo é o mais concreto de todos, e é o que você mencionou de mudar a cor da pele. O melanotan não tem aprovação em lugar nenhum e o histórico dele é dermatológico. Existem relatos de pintas escurecendo, de pintas novas aparecendo e de melanoma diagnosticado em usuários. Repare na ironia, porque ela é cruel. A pessoa injeta algo para bronzear e cria justamente a situação em que ficou mais difícil vigiar as próprias pintas. O terceiro é o BPC-157, o queridinho de lesão. O problema dele não é ter evidência ruim, é não ter evidência nenhuma em ser humano. O que existe é rato. E tem um detalhe que raramente se comenta: parte do efeito proposto dele é angiogênica, ou seja, formar vasos novos. Formar vaso novo é exatamente do que um tumor precisa para crescer. Não estou dizendo que ele cause câncer, porque ninguém sabe. Estou dizendo que a pessoa injeta uma substância sem nenhum dado humano de segurança e com um mecanismo que, no mínimo, pede cautela. E antes do câncer tem um risco que chega bem mais cedo. Esses peptídeos vêm em frasco liofilizado de fornecedor sem controle nenhum, e a pessoa reconstitui em casa. Você não sabe o que tem ali, nem se tem o que diz que tem, nem se está estéril. Abscesso, reação inflamatória local e contaminação são desfecho de semanas, não de décadas, e são o que mais aparece na prática. Agora deixa eu discordar de uma parte, porque ali eu acho que a régua escorregou. Feno grego, long jack, tribulus e maca não estão no mesmo balaio dos peptídeos. Tribulus, em particular, tem estudo em homem mostrando que ele simplesmente não eleva testosterona. Ele foi vendido durante vinte anos como se elevasse e não eleva. E aí está o ponto: o que não faz efeito hormonal nenhum também não tem como estimular tumor que depende de hormônio. O prejuízo desses aí é o dinheiro e a falsa sensação de estar fazendo algo, não a oncologia. O feno grego é o único do grupo que merece ressalva, porque tem componentes com atividade estrogênica demonstrada em laboratório, o que justifica cuidado em quem tem histórico de tumor de mama na família. Mas é bem diferente de tratar os quatro como promotores tumorais. Falo isso porque a régua fica mais forte quando é precisa. Quando se coloca tribulus e secretagogo de GH no mesmo saco, quem lê e sabe que tribulus é inofensivo conclui que o resto do aviso também é exagero, e joga fora justamente a parte que ia protegê-lo. Sobre o fechamento, concordo inteiro e acrescento. Alimentação rica e variada primeiro, sempre. E a sua exceção para idoso não é exceção pequena, é uma das áreas onde suplementar tem evidência de sobra. Vitamina D, proteína em quantidade suficiente, que na terceira idade precisa ser maior e não menor, creatina para preservar massa e força, e B12, que merece atenção especial porque a absorção cai com a idade e cai mais ainda em quem usa omeprazol ou metformina por anos, que é meia população acima dos sessenta. E sobre os farmacêuticos e médicos do YouTube receitando dezenas de cápsulas, aí não tem discordância nenhuma da minha parte. O que dá para fazer é o que você está fazendo neste tópico, que é obrigar cada frasco a dizer que problema ele resolve. A maioria não sabe responder. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Emagrecer
Vinte quilos, sem medicação e com treino de pé. Cris, isso não é detalhe de atualização, é o resultado inteiro. E como você chegou até aqui muda o que eu tenho a dizer sobre a tirzepatida. Ela funciona, e no seu caso específico ela tem uma indicação que quase ninguém comenta. Boa parte do efeito não é no estômago, é na cabeça. Aquele barulho constante de comida na cabeça, que aparece muito em quem tem histórico de compulsão, é justamente o que mais some com esse tipo de medicação. Para quem já lutou com crise de compulsão, isso costuma ser mais valioso que o número da balança. Dito isso, tem três pontos que decidem se ela vai somar ao que você construiu ou atrapalhar. O primeiro é o que se perde. Emagrecimento rápido de qualquer origem, medicação ou não, tira gordura e músculo junto, e com essa classe de medicação a fatia de massa magra costuma ser generosa quando a pessoa apenas come menos. Só que você tem exatamente as duas coisas que protegem contra isso, que são musculação e proteína. Não abandone a musculação em nenhuma semana, mesmo naquelas em que a disposição cair, e não deixe a proteína despencar. Pelo seu peso e altura, alguma coisa na faixa de 110 a 120 gramas de proteína por dia é um alvo honesto. Isso vai exigir atenção real, porque com o apetite cortado a proteína é justamente a primeira coisa que some do prato, já que é o que sacia mais e o que dá mais trabalho de comer. O segundo é comer de menos sem perceber. A redução de apetite pode ser tão forte que a pessoa passa a fazer mil calorias por dia sem nenhum esforço, e aí aparecem cansaço, queda de cabelo, unha fraca e falta de força no treino, que é o oposto do que você quer. Se isso começar, o problema não é a dose estar baixa, é a comida estar baixa demais. O terceiro é a saída. Essa medicação não é para sempre, e o padrão de quem para é reganhar peso. A diferença entre quem mantém e quem não mantém está nos hábitos que ficaram de pé durante o uso. Você já tem os hábitos, então tem mais chance que a média, mas vale enxergar a tirzepatida como um empurrão para a fase final e não como o motor do processo. Duas coisas práticas. Faça com prescrição e acompanhamento, de endocrinologista de preferência, com titulação lenta desde a dose inicial. Não é preciosismo. A subida rápida de dose é o que gera enjoo e vômito, e boa parte de quem larga larga por isso, não por falta de resultado. E fuja de caneta fracionada ou manipulada vendida fora de farmácia, porque esse mercado cresceu junto com a procura. Um detalhe que costuma passar batido e que no seu caso é uma boa notícia. Essa classe de medicação atrasa o esvaziamento do estômago e pode reduzir a absorção de anticoncepcional em comprimido, o que exige método adicional em quem usa pílula. Você usa Mirena, que é intrauterino e não depende de absorção pelo estômago, então essa preocupação não se aplica a você. Vale saber, porque é um aviso que circula bastante e assusta sem necessidade. Já que vai passar em consulta, aproveite e peça exames antes de começar. Hemograma e ferritina acima de tudo, porque vinte quilos perdidos com déficit prolongado costumam deixar o ferro no chão, e cansaço por ferritina baixa é idêntico ao cansaço que as pessoas atribuem à dieta. Junto disso, vitamina D, B12, TSH e T4 livre, glicemia e lipídios. Serve de linha de base e de segurança. Uma última. Continue com o acompanhamento psicológico, mesmo estando bem e sem remédio. Nesse processo, o momento em que a medicação silencia o apetite é justamente quando fica mais fácil achar que a parte emocional já se resolveu sozinha. Aparece aqui daqui a uns meses para contar como foi. Quem sai de onde você saiu tem um relato que vale para muita gente que lê isso em silêncio. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Iniciante e treino ABC 3x por semana e suplementação
Tem uma coisa nessa mudança que passou despercebida, e ela é maior do que a pergunta que você fez. No AB indo cinco vezes por semana, cada grupo muscular era treinado umas duas vezes e meia por semana. No ABC indo três vezes, cada grupo passa a ser treinado uma vez só. Ou seja, a conta que mudou não foi de cinco dias para três, foi de duas vezes e meia para uma vez por músculo. Isso é o que costuma custar resultado, e não a quantidade de dias em si. Repare também que o descanso, que era a sua preocupação, na prática aumentou muito além do necessário. Um grupo treinado uma vez por semana passa sete dias parado, quando três ou quatro já bastariam de sobra para quem está começando. Sobre a pergunta direta do rendimento, vale separar duas coisas que costumam ser confundidas. O rendimento dentro da sessão provavelmente vai subir, porque você chega mais descansada e mais forte em cada treino. O resultado ao longo das semanas é que pode cair, porque cada músculo recebe menos estímulo no total. Sensação melhor no dia e progresso menor no mês convivem bem, e é por isso que a impressão engana. Agora, três dias por semana é uma restrição perfeitamente boa de trabalhar, e resolve fácil. Só depende de qual é o seu caso. Se três dias é o que a sua rotina permite mesmo, o mais eficiente para o seu momento é treino de corpo inteiro nesses três dias, com os exercícios básicos e poucas séries por grupo em cada sessão. Assim cada músculo é treinado três vezes na semana em vez de uma, e para quem tem menos de três meses de treino essa repetição é exatamente o que faz a técnica e a força andarem depressa. Se você consegue mais dias e o ABC é o que a academia te entregou, então rode ele em sequência corrida, A, B, C, A, B, C, e vá conforme os dias que der na semana, sem amarrar cada treino a um dia fixo. Assim você cai naturalmente em cada grupo a cada três ou quatro dias. E deixo o mais importante, que vale mais que a divisão: três dias que você cumpre todas as semanas ganham de cinco dias que você falta na metade. Escolha o formato que cabe na sua vida de verdade, porque o que decide isso é constância, e não montagem. Sobre suplementação, a sua intuição está boa, com uma exceção. A exceção é a creatina, e eu não esperaria os seis meses. Ela é o suplemento mais estudado que existe, é barato, funciona igualmente bem em iniciante e em avançado, e não depende de nível de treino nenhum para fazer efeito. Não precisa daquela fase de saturação com dose alta, não precisa ciclar e não precisa de horário especial. Três a cinco gramas por dia, todo dia, inclusive nos dias sem treino, porque o que importa é manter o músculo saturado ao longo do tempo e não a dose próxima do treino. Já o whey eu deixaria de lado por enquanto, e não porque seja ruim. É que ele é comida, não é um recurso à parte. Ele só resolve alguma coisa se você não estiver batendo a proteína do dia com o que come. Uma referência razoável fica entre 1,6 e 2 gramas de proteína por quilo de peso. Some o que você come num dia comum e veja onde cai. Se fecha com ovo, carne, frango, peixe, laticínio e leguminosa, o whey vira só conveniência para os dias corridos. Se não fecha, aí ele passa a ter função, e nesse caso não faz sentido esperar seis meses tampouco. Um detalhe sobre a creatina que quase ninguém avisa e que evita susto. Ela costuma elevar a creatinina no exame de sangue, e creatinina alta é o marcador que se usa para avaliar função dos rins. Em quem tem rim saudável isso não é lesão nenhuma, é só o efeito de haver mais creatina no corpo. Mas gera confusão em consulta com frequência, então avise ao médico que você usa creatina quando for fazer exames, e vale suspender uns dias antes se o objetivo do exame for justamente investigar os rins. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Gpharma é bom??
Tem um post aqui de 2022 que passou sem ninguém responder e que me preocupa muito mais do que a marca discutida no título. É o do Capitão1070, e vou começar por ele porque, se essa rotina continuou, o estrago não é financeiro. A conta foi assim: a esposa começou com 10 miligramas de oxandrolona por dia, não sentiu nada, subiu para 20, continuou sem sentir nada, e subiu para 30 para comprovar se o produto era falso. O problema é que a premissa está errada. Oxandrolona não produz sensação. Ela não dá pico, não dá calor, não dá disposição perceptível de imediato. Não existe o que sentir, então subir a dose caçando uma sensação é caçar algo que não vai aparecer em dose nenhuma. Ausência de sensação não é prova de produto falso, é o funcionamento normal da substância. E, em mulher, esse jeito de testar é perigoso pelo motivo específico. Dez miligramas por dia já é uma dose respeitável para uma mulher. Trinta é várias vezes o que se considera razoável. O que se encontra ali não é resultado, são os efeitos de virilização, e o detalhe cruel é que eles se instalam devagar, sem aviso, e alguns não voltam atrás quando a pessoa para. O engrossamento da voz é permanente. O aumento do clitóris é permanente. Queda de cabelo com padrão masculino e alterações no ciclo menstrual também cobram caro. Nada disso dá o sinal que ela estava esperando enquanto se instala. Então, Capitão, se aquilo seguiu adiante, o que interessa não é mais se o frasco era verdadeiro. É parar e levar ela a um médico, de preferência ginecologista ou endocrinologista, e contar exatamente o que foi usado e por quanto tempo. Quanto antes se interrompe, mais coisa fica reversível. Ainda no seu post, a parte da testosterona também não fecha, e vale corrigir porque o raciocínio se repete muito por aqui. Você comparou 2500 com um fornecedor e 1600 com este, e concluiu que este é falso. Só que 1600 não é resultado de frasco vazio. Isso é várias vezes acima do que um homem produz naturalmente, e significa que tem testosterona de verdade naquele óleo. Pode estar subdosado em relação ao rótulo, e provavelmente está, mas falso não é. Outra coisa é que essa comparação só teria valor se as duas coletas tivessem sido feitas nas mesmas condições, ou seja, com o mesmo tempo desde a última aplicação e depois de tempo suficiente de uso para estabilizar. Colher dois dias depois de aplicar ou seis dias depois dá números completamente diferentes com o mesmo produto. Do jeito que foi feito, os dois números não são comparáveis. Quem quiser conferir concentração por exame, o jeito de fazer é colher no dia da próxima aplicação, antes de aplicar, depois de umas quatro a seis semanas no mesmo esquema, e repetir sempre nessa mesma janela. Aí sim dá para comparar produto com produto. Sobre a discussão principal, o driftking1337 fez uma pergunta boa quando disse que eles postam todo dia, patrocinam atletas e repostam gente comum usando. Isso não informa nada sobre o conteúdo do frasco, e por um motivo simples de mercado. Numa operação clandestina, quem investe pesado em alcance está comprando cliente novo o tempo todo, e quem vive de cliente novo não depende de o cliente antigo ter ficado satisfeito. É o contrário de uma marca que cresce por reputação técnica no boca a boca, onde o produto ruim mata o negócio. Atleta patrocinado recebe para postar e não fez nenhuma análise do que está divulgando. Repost de pessoa comum é conteúdo enviado por quem quer aparecer no perfil grande. Castello, sobre a preferência por ampola, essa é uma daquelas ideias que pegaram no fórum e que não se sustentam. Ampola de vidro é barata e selar na chama é operação simples. O que exige esforço para imitar é a parte gráfica, ou seja, impressão, relevo e a coerência dos códigos de lote entre a caixa e a unidade. O vidro em si não oferece proteção nenhuma. O resto do seu recado, sobre pegar de fonte confiável porque as marcas conhecidas são justamente as mais falsificadas, esse está certíssimo e é o que de fato importa. E o critério do Luan Zacarias merece virar regra geral, porque a resposta que ele recebeu vale além daquele caso específico. Fabricante estrangeiro não vende no varejo para pessoa física em outro país. Então site com domínio nacional oferecendo produto de laboratório de fora, com carrinho de compras e atendimento por aplicativo, é revenda ou é golpe, e nunca é o fabricante. Isso resolve boa parte das dúvidas de site sem precisar investigar nada. Red, sobre o seu prejuízo, dois pontos práticos. Se o pagamento foi por Pix, avise o seu banco imediatamente e peça o registro de fraude, porque existe um mecanismo do Banco Central que permite tentar bloquear e devolver o valor, e ele depende de o banco ser acionado rápido. Passado muito tempo a chance despenca, mas o registro continua valendo. E registre boletim de ocorrência pela delegacia eletrônica do seu estado, com o valor, a data, a chave ou conta que recebeu e os prints. Parece inútil sozinho, mas o que faz banco encerrar conta e polícia agir é o acúmulo de ocorrências apontando para a mesma conta, e a sua é uma de várias. Fecho com o que o Foston perguntou lá no começo e que ninguém levou a sério, sobre guardar a seringa para usar de novo. Não guarde, e não é firula. Agulha reutilizada fica cega e rasga tecido em vez de perfurar, o que dói mais e machuca mais, e o interior dela é ambiente perfeito para bactéria depois da primeira vez. Boa parte dos abscessos que aparecem aqui no fórum nasce disso, e não da marca do óleo. Material novo a cada aplicação é a parte mais barata de tudo isso. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Dieta recomposição corporal e perda de gordura (mulher)
Sask1990, li o diário inteiro e a primeira coisa que quero dizer é que 98 para 81 e meio, com ela saindo de uma vida inteira sedentária, é um resultado que muita gente não faz. E você acompanhando de perto, montando refeição e treinando junto, é metade do motivo. Isso não se apaga por causa de uns meses parados. Dito isso, vou apontar o que eu acho que aconteceu ali no fim de novembro, porque a leitura daquela atualização passou batida e ela explica bastante coisa. Naquele balanço, o peso tinha caído 350 gramas em três semanas, e a balança acusou 790 gramas a menos de massa muscular e 200 a mais de gordura. Ou seja, pela leitura do aparelho, o pouco que saiu teria saído de músculo. E a conduta tomada logo depois foi apertar mais, tirando o arroz e o feijão do jantar e baixando os dias de superiores para 1470 calorias. Eu faria o contrário, e explico o porquê em duas partes. A primeira é que aquele número provavelmente não era real. Balança de bioimpedância não enxerga músculo, ela mede resistência elétrica e chuta o resto a partir da água do corpo. Basta ela estar um pouco mais desidratada, ou em outro momento do ciclo menstrual, ou ter comido mais sal na véspera, para a leitura jogar um quilo de um lado para o outro. Variação de 790 gramas em três semanas está dentro do ruído do aparelho, e não vale conduta. A segunda é que, real ou não, a resposta a um sinal de perda de massa magra não é cortar mais comida. É o oposto. Se o corpo está entregando músculo, o que ele está dizendo é que já não sobra margem. E, olhando os números frios, eu diria que a margem já não sobrava mesmo. Uma mulher de 81 quilos treinando pesado, com cardio todos os dias, comendo entre 1470 e 1640. Isso é um déficit duro, mantido por muitos meses seguidos, e nesse ponto ele já vinha entregando pouco: quatro quilos em quatro meses, e depois 350 gramas em três semanas. Isso tem nome e é o que mais derruba processo longo. Não é falta de vontade dela. É que o corpo se ajusta, a pessoa passa a gastar menos sem perceber, e a fome e o cansaço vão subindo em silêncio até que um dia a rotina inteira cai. O que veio depois, dois meses sem treino e sem dieta, é o desfecho típico dessa curva, e eu não leio aquilo como falha de caráter de ninguém. Leio como consequência de um aperto que já estava longo demais. O caminho quando isso acontece é dar uma pausa de manutenção, subindo as calorias para perto do gasto por três ou quatro semanas, sem culpa e sem encarar como recaída. Peso sobe um pouco, quase tudo água, a fome baixa, o treino rende de novo, e você retoma o déficit depois com resposta melhor. É estranho de aceitar, mas comer mais por um mês costuma fazer o processo inteiro andar mais rápido. Três ajustes na dieta que eu faria, olhando os números que você postou. A proteína está alta demais. Ela chegou a 195 gramas, e mesmo os 156 estão acima do necessário. Numa pessoa com percentual de gordura elevado, a conta que faz sentido é sobre a massa magra, e no caso dela isso põe algo em torno de 110 a 130 gramas como suficiente de sobra para preservar músculo. O excesso não é perigoso, só está ocupando calorias que fariam mais falta em outro lugar. A gordura está baixa. Entre 41 e 49 gramas por dia é pouco para uma mulher desse peso, e isso importa mais nelas do que em nós, porque mexe em regularidade do ciclo, humor e saciedade. Eu subiria para algo em torno de 60 a 65 gramas, tirando das proteínas que sobram. E os carboidratos foram cortados justo no jantar dos dias de perna. Se ela treina à tarde e janta depois, aquele arroz e feijão estavam servindo para repor e para dormir bem, e eram baratos em caloria. Se for para cortar alguma coisa, prefira o que não está sustentando treino nem sono. Agora o que eu acho mais importante do tópico todo, e que ninguém levantou em 47 respostas. Ela não tem um único exame de sangue. Na padronização isso ficou como não, e passou. Uma mulher que veio de obesidade, que usou sibutramina por quarenta dias, que está há meses em déficit e que não aguenta dez minutos de um intervalado precisa de exames antes de qualquer outro ajuste de dieta. E tem um em especial que eu apostaria alto: ferritina, junto com hemograma. Deficiência de ferro é muito comum em mulher que menstrua, ainda mais numa dieta como essa, que quase não tem carne vermelha, e ela produz exatamente o quadro que aparece no diário, que é cansaço, desânimo e desempenho que não sobe por mais que treine. E ferritina pode estar no chão com o hemograma ainda normal, então pedir só hemograma não resolve. Junto disso eu pediria TSH e T4 livre, porque tireoide baixa segura peso e energia e é frequente nessa faixa, vitamina D, glicemia de jejum com insulina e um perfil lipídico. É pouco exame e responde muita coisa que vocês vêm tentando resolver no escuro. Uma última sobre acompanhamento. Peso de um dia e percentual da balança são péssimos para decidir. Use a média da semana pesando sempre na mesma condição, e principalmente a fita métrica na cintura. Cintura é o que melhor acompanha gordura visceral e é o que mais importa para a saúde dela. Foto no mesmo lugar e mesma luz a cada quatro semanas fecha o pacote. Muitas vezes o peso trava por semanas e a cintura continua caindo, e quem só olha a balança desiste bem na hora em que estava dando certo. Se vocês voltarem a atualizar por aqui, mesmo depois de todo esse tempo, eu acompanho. Esse tipo de processo em quem sai do zero é o que mais vale a pena ler no fórum. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Qual é o melhor exercício aeróbico?
Tem uma pergunta aqui que ficou sem resposta desde 2002, e ela é a melhor do tópico. Vou chegar nela, mas antes duas coisas que apareceram no caminho. A primeira é que o melhor aeróbico é o que você faz. E, por acaso, quem chegou mais perto disso foi justamente o autor da frase mais informal da página, o que disse que faz bicicleta porque é o exercício que menos odeia. Isso não é preguiça, é a variável que mais decide o resultado. Um aeróbico que você repete cinco vezes por semana durante meses ganha de qualquer aparelho superior que você abandona em três semanas por tédio. A segunda é sobre gasto calórico, porque ficou registrado aqui que a bicicleta gastaria mais que a esteira, com a ressalva honesta de que não dava para afirmar. Como regra, não gasta. Na esteira você carrega o próprio peso a cada passo, e é justamente esse trabalho de sustentar e deslocar o corpo que custa caro. Na bicicleta você está sentado, o selim segura o seu peso, e o que sobra é o trabalho contra a carga do aparelho. Por isso, na mesma sensação de esforço, caminhar ou correr normalmente entrega mais gasto por minuto do que pedalar. O que embaralha essa conta é o painel do aparelho, que estima e costuma ser generoso, principalmente na bicicleta. Isso vale como regra e não como lei, claro. Quem pedala forte de verdade, com carga alta, passa fácil de quem anda devagar na esteira. Intensidade decide mais que aparelho. E, já que apareceu, o comentário de que só o anaeróbico fortalece está certo no essencial, com um asterisco. Para quem já treina, o aeróbico não vai desenvolver perna. Mas em quem está começando do zero, ou pedalando com carga alta e subida, existe ganho de força inicial sim. É que ele acaba rápido e não continua. Agora a pergunta que ficou pendurada, sobre a natação atrapalhar o descanso muscular. A resposta é que sim, ela pode atrapalhar, só que não pelo motivo que costuma assustar o pessoal. Não é uma questão de aeróbico queimar músculo nem de roubar recuperação de forma genérica. É bem mais prosaico. Nadar é puxada. Dorsal, redondos, deltoide posterior, peitoral e tríceps trabalham a sério ali, ainda mais nos estilos crawl e costas. Então, para quem faz musculação, uma sessão puxada de natação no dia seguinte ao treino de costas e ombro não é descanso coisa nenhuma, é volume extra nos mesmos músculos que ainda estão se recuperando. A solução é simples e ninguém costuma pensar nela: trate a natação como parte do seu treino de puxada na hora de montar a semana. Encaixe as sessões mais fortes longe do dia de costas, ou perto do dia de perna, e mantenha as leves onde quiser. E isso abre o critério que eu acho mais útil do que o impacto articular para escolher o aeróbico de quem treina pesado, que foi o critério que dominou o tópico. O que mais atrapalha o ganho de massa não é o aeróbico em si, é o dano muscular que ele causa. Corrida longa castiga a perna com muita frenagem a cada passada, e é isso que compete de verdade com a recuperação do agachamento. Bicicleta e elíptico quase não têm essa frenagem, e por isso interferem bem menos, mesmo custando as mesmas calorias. É uma coincidência feliz que os aparelhos de menor impacto sejam também os de menor dano, mas as duas coisas são diferentes e vale saber por quê. Pela mesma lógica, a escada, que a equipe do fórum sugeriu, gasta muito por minuto e é excelente, com a ressalva de que ela é praticamente um treino de perna disfarçado. Quem está com a semana pesada de perna precisa contar isso na conta. Sobre fazer trinta minutos depois do treino, cinco vezes por semana: está bem dimensionado. E fazer depois, e não antes, é a ordem certa, porque assim você chega inteiro na parte que exige força e técnica. Fecho com a corrida na praia, que apareceu no meio das brincadeiras e merece um detalhe prático. Areia fofa exige bem mais que asfalto e poupa a batida no joelho, o que é ótimo. Mas ela é instável e cobra caro do tornozelo e da panturrilha de quem não está acostumado, então vale entrar aos poucos. E tem a inclinação da praia, que é o detalhe que ninguém percebe: correndo sempre no mesmo sentido, uma perna trabalha o tempo todo mais baixa que a outra. Ir e voltar pelo mesmo trecho resolve isso.
-
Norditropin Flexpro é o mesmo GH?
É sim. Norditropin é somatropina, que é o hormônio de crescimento humano produzido por tecnologia recombinante, da Novo Nordisk. FlexPro não é outra substância nem outra versão do hormônio, é só o nome da caneta aplicadora descartável em que ele vem. A molécula é a mesma que existe na apresentação em frasco. A diferença em relação ao que circula por aí é a apresentação. O que a maioria conhece como GH vem em pó liofilizado, e a pessoa precisa reconstituir com água bacteriostática, calcular a diluição e puxar na seringa de insulina. O FlexPro já vem líquido e pronto, e a dose se ajusta girando um seletor na caneta. Isso resolve dois erros comuns de uma vez, a diluição feita errado e a dose puxada no olho. Em compensação cria um erro novo, e é onde eu mais vejo gente se perder. A caneta é marcada em miligramas, e o pessoal no fórum conversa em unidades. A conversão que se usa é de aproximadamente três unidades para cada miligrama. Então uma caneta de dez miligramas tem por volta de trinta unidades, e quem está acostumado a pensar em quatro unidades por dia está falando de algo perto de um vírgula três miligramas. Já vi gente girar o seletor até quatro achando que estava tomando quatro unidades e aplicar bem mais que o triplo do que pretendia. Vale conferir com calma na bula da apresentação que você tiver em mãos. Sobre conservação, e isso importa mais no GH do que na maioria das coisas, porque ele é uma proteína e proteína estraga. O lugar dele é a geladeira, na faixa de dois a oito graus, e nunca o congelador. Se congelar, perdeu, mesmo que descongele com aparência normal. A caneta tem uma tolerância a ficar fora da geladeira depois de aberta, que muda conforme a apresentação, e essa informação está na bula. Não deixe no carro nem perto da porta da geladeira, que é onde mais oscila. Um ponto a favor dessa apresentação é a rastreabilidade. Caixa lacrada, número de lote impresso, registro de medicamento. Vale conferir o lote junto ao fabricante, porque justamente por ser caro é dos produtos mais falsificados que existem no meio, e a versão falsificada costuma ser exatamente a caneta, não o frasco. Agora, como você perguntou se é o mesmo GH e a resposta é sim, deixo o alerta que a pergunta não pediu mas que costuma fazer falta. Ser legítimo não quer dizer ser inofensivo. GH em dose de uso não médico cobra retenção de líquido, dor e formigamento nas mãos, que é o túnel do carpo aparecendo, dor articular e, o mais sério a longo prazo, piora da sensibilidade à insulina. Ele empurra a glicemia para cima de forma silenciosa, e a pessoa só descobre em exame. Então, se for usar, acompanhe. Glicemia de jejum e hemoglobina glicada para vigiar a parte metabólica, e IGF-1, que é o exame que de fato diz se o produto está funcionando e se a dose está exagerada. O IGF-1 tem ainda uma utilidade prática que interessa a quem está desconfiado de procedência: um produto falso ou mal conservado simplesmente não move esse número. E, no Brasil, somatropina é medicamento de venda controlada, com indicações definidas e prescrição obrigatória. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Npp 300mg/ml possível?
É possível fabricar, sim. Mas a pergunta que interessa não é essa, e sim por que quase ninguém faz, sendo que deca a 300 é banal e está em toda parte. Nlear, o seu raciocínio inverteu a química, e vale corrigir porque a explicação certa é justamente o que responde a dúvida do Silva_2h. O que faz um éster caber em concentração alta no óleo não é ele ser pequeno, é ele ser gorduroso. Éster maior deixa a molécula mais solúvel em óleo, não menos. O decanoato tem uma cadeia longa e oleosa, e é por isso que a deca a 300 se dissolve numa boa. O fenilpropionato é menor e traz um anel aromático, que atrapalha o empacotamento e derruba a solubilidade em óleo. Ou seja, o NPP é o mais difícil dos dois de concentrar, e não o mais fácil. Se fosse pelo tamanho do éster, o mercado estaria cheio de NPP 300 e faltaria deca 300, e é exatamente o contrário que se vê. Como se chega a 300 então? Empurrando solvente. Sobe o benzil benzoato para uma fração alta do frasco, coloca álcool benzílico perto do teto e, se precisar, aquece. Dá para chegar lá. O preço é que o líquido deixa de ser praticamente óleo e passa a ser em boa parte solvente, e solvente é o que arde, inflama e faz nódulo. E aí mora o problema específico dessa escolha. O NPP já é conhecido por doer mais que a média mesmo na concentração normal. Some a isso a carga de solvente que 300 exige, e depois lembre que o motivo de existir NPP em vez de deca é a meia-vida curta, que faz a aplicação ser em dias alternados ou quase diária. Você teria o óleo mais agressivo aplicado com a maior frequência do protocolo, sempre no mesmo punhado de pontos. É a combinação que mais produz nódulo e, quando a assepsia falha, é a que mais termina em abscesso. Existe um teste caseiro que responde bastante sobre esse frasco, Silva_2h, e não custa nada. Deixe ele algumas horas num lugar frio, geladeira serve. Se aparecer cristal no fundo ou o líquido embaçar, a formulação está no limite ou passou dele. Aquecer volta a dissolver, mas o que você viu já te disse o que precisava saber. Uma formulação bem feita aguenta frio sem precipitar. Repare também no cheiro e na viscosidade: cheiro químico forte e líquido que escorre mais leve que óleo denunciam muito solvente. Sobre a parte da suspeita, eu separaria as duas coisas que o Nlear juntou. Misturar testosterona não ajuda a dissolver nandrolona de forma relevante, isso não é o truque. Já a subdosagem é uma hipótese muito razoável, porque é a saída mais barata para carimbar 300 no rótulo sem resolver a solubilidade: coloca-se menos e ninguém confere. E confesso que essa é a minha suspeita principal quando aparece uma concentração que o resto do mercado não pratica. Logan_82 tem razão no essencial. O rótulo existe. Se o conteúdo corresponde é outra história, e é uma história que só o fornecedor responde. Agora, saindo da pergunta e olhando o protocolo, tem uma coisa que ficou estranha e ninguém apontou. Você escolheu enantato, que se aplica duas vezes por semana, junto com NPP, que pede dia sim dia não. Ou seja, você vai ter que agulhar com a frequência do NPP de qualquer jeito, e nesse caso o enantato está te dando o pior dos dois mundos: você não ganha a comodidade do éster longo, porque vai aplicar sempre, e ainda fica com a lentidão dele para estabilizar e para sair. Faz mais sentido escolher um lado. Se a ideia é aplicação frequente e controle fino, propionato com NPP e masteron propionato fecham redondo, tudo no mesmo ritmo, e num cutting o controle fino é útil. Se a ideia é aplicar duas vezes por semana e esquecer, então deca com enantato é o par natural, e você abre mão do NPP. Misturar os dois ritmos só complica sem entregar nada. E, já que é cutting, o de sempre e que continua sendo verdade: a definição sai da caloria e do tempo. Masteron e NPP mudam sensação, dureza e conforto articular, mas quem entrega o resultado é o déficit. Antes de começar, colha exames de base para ter com que comparar depois. Hemograma com hematócrito, perfil lipídico com HDL e LDL, função hepática e renal, testosterona total, estradiol e prolactina, que faz sentido pedir quando há nandrolona no meio. E, se aparecer dor forte e persistente num ponto de aplicação, com calor e vermelhidão, isso não é o óleo ardendo e sim assunto para médico logo, sem esperar passar. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Sequela abcesso ?
Respondendo direto à pergunta que você fez, Kruize123: o pus não levou músculo junto na drenagem. Quando aquilo saiu, o músculo daquele ponto já não existia mais havia dias. Abscesso é isso. A infecção mata o tecido, o organismo cerca a área e liquefaz o que morreu, e o que sai é justamente o músculo destruído misturado a células de defesa. A drenagem é o fim da história, não a causa dela. E aí vem a parte que explica o seu incômodo de quinze anos. Fibra muscular só se regenera se a estrutura que a envolve e as células-tronco que ficam grudadas nela sobreviverem. Numa necrose extensa como a sua, essa estrutura vai junto. Sem ela não há regeneração, e o corpo faz a única coisa que sabe fazer nessa situação, que é preencher com tecido cicatricial. Tecido cicatricial não hipertrofia. Ele não responde a treino, não responde a comida e não responde a hormônio. É por isso que você treina esse ponto específico a vida inteira e ele não sobe, enquanto o que está em volta melhora. Então, sendo honesto com você, e acho que honestidade é o que você veio buscar: o que virou cicatriz não volta, e não existe laser, aplicação ou tratamento que reconstrua aquilo. Quem te prometer isso está vendendo alguma coisa. Só que eu não acho que a sua história inteira seja isso, e é aqui que eu discordo de encarar como assunto encerrado. Tem uma coisa no seu relato que não fecha com fibrose local. Um abscesso no glúteo destrói o glúteo. Ele não explica a coxa inteira, a panturrilha, a marcha alterada e a perna mais clara. Do mesmo jeito, um abscesso no deltoide não explica trapézio, costas e braço todo do mesmo lado. Quando um membro inteiro atrofia depois de um evento assim, a hipótese que precisa ser levantada é lesão de nervo. Injeção no glúteo é causa clássica de lesão do nervo ciático, e o processo infeccioso em volta pode comprimir e lesar nervo mesmo sem a agulha ter encostado nele. No ombro, os nervos que servem o deltoide e a região escapular passam ali perto e podem ter sido afetados pelo mesmo motivo. Lesão de nervo produz exatamente o que você descreve: atrofia de todo o território daquele nervo, alteração de marcha, e mudança de cor e de temperatura da pele, porque nervo também governa vaso. Isso muda o que fazer, porque parte disso é avaliável e parte pode ser trabalhável. O exame que responde essa pergunta é a eletroneuromiografia. Ela mostra se há lesão neural, se ela é parcial ou completa, e se houve reinervação ao longo desses anos. Junto com ela vale uma imagem da área, ultrassom ou ressonância, que mostra quanto sobrou de músculo e quanto virou fibrose. Com esses dois exames você para de especular e passa a saber. E a diferença é grande na prática. Se for fibrose pura, o caminho realista é aceitar o que se perdeu e trabalhar o que restou, com treino unilateral bem conduzido, porque exercício bilateral esconde o lado fraco e perpetua a assimetria. Se houver componente neural ou atrofia por desuso, aí existe ganho real a buscar com fisioterapia e reeducação de marcha, mesmo quinze anos depois. Muita gente carrega um padrão de andar compensatório que ficou de uma dor antiga e que já não tem motivo para continuar. Sobre a depressão visível no ombro, se ela te incomoda mesmo, existe solução, mas é estética e não funcional. Enxerto de gordura e preenchimento com cirurgião plástico resolvem contorno. Não devolvem músculo. Procure um ortopedista ou um fisiatra e leve essa história inteira contada como você contou aqui, sem cortar a parte do abscesso. Ela é a informação mais importante do caso. leandropirulito, você contou que teve três e parou com o estanozolol aquoso, e isso merece um comentário porque é útil para quem vier ler. Não é azar seu nem coincidência. Suspensão aquosa é a apresentação mais problemática que existe para aplicar. Não é uma solução em óleo, são microcristais em suspensão que precipitam no tecido, provocam reação inflamatória intensa e criam um ambiente com pouca circulação, que é onde bactéria se instala bem. Some a isso o hábito de aplicar em pontos pequenos e a dor que faz muita gente aplicar torto ou raso, e você tem o motivo de tanto abscesso associado justamente a essa substância. Você acertou em abandonar. Fecho com o que me parece o recado principal do tópico, e é para quem está lendo. Nódulo que fica quente, vermelho, dolorido e endurecido depois de aplicação não é galo nem inflamação que passa. É infecção até prova em contrário, e o lugar disso é o pronto-socorro na mesma semana, não doze dias esperando estourar. Abscesso tratado cedo com antibiótico e drenagem cirúrgica costuma não deixar sequela nenhuma. O que produz o estrago permanente é o tempo que ele fica ali comendo tecido, e é exatamente esse tempo que o Kruize123 está pagando quinze anos depois. Fora que infecção assim pode sair do local e virar coisa grave, com bactéria na corrente sanguínea. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
BF para iniciar ciclo
A última pergunta do Gonçalo ficou sem resposta e é a melhor do tópico, então começo por ela. Você desconfiou que a ginecomastia da nandrolona não vem do estrogênio e sim da prolactina. A intuição está no caminho certo, mas o mecanismo é um pouco diferente, e a diferença muda a conduta. A nandrolona aromatiza pouco, bem menos que a testosterona. Só que ela tem uma segunda propriedade que a testosterona não tem: ela se liga ao receptor de progesterona e age ali como progestagênio. É essa atividade progestagênica que responde pela maior parte do problema mamário, e é ela também que pode elevar a prolactina de forma indireta. Ou seja, prolactina alta costuma ser consequência, e nem sempre aparece. E agora a parte que quase ninguém junta. O efeito progestagênico depende de estrogênio presente para se manifestar no tecido mamário. Sem estradiol circulante, a progesterona sozinha faz pouca coisa ali. Por isso o inibidor de aromatase não é inútil na deca, ao contrário do que o pessoal costuma repetir. Ele continua sendo a primeira linha, porque quem entrega o estradiol nesse protocolo é a testosterona que acompanha. Cabergolina, que é o que se costuma sugerir de imediato, só entra se você dosar prolactina e ela vier alta. Tomar por precaução, sem exame, é errar o alvo e ainda derrubar prolactina que estava normal, o que tem custo próprio. Isso me leva ao que eu acho que é a complicação real da deca, e não é a ginecomastia. Primeiro, o éster. Decanoato tem meia-vida longa, e isso significa que, se algo der errado, parar não resolve rápido. Você fica semanas com a substância trabalhando dentro de você depois de decidir interromper. Com um éster curto você corrige o rumo em dias. Segundo, a supressão. A nandrolona desliga o eixo de forma pesada e a recuperação é notoriamente lenta, mais lenta que a de outros compostos. Quem faz primeiro ciclo raramente pensa nisso na hora de escolher, e é justamente o que mais cobra depois. Terceiro, e é o mais citado como piada e o menos entendido: a queda de libido e de ereção associada à deca. Ela nasce da combinação de atividade progestagênica com estradiol baixo. E veja a armadilha, porque é fácil cair nela. O sujeito sente algo estranho no mamilo, aumenta o inibidor de aromatase por conta própria, o estradiol despenca, e o quadro de libido piora exatamente por causa da tentativa de resolver. Inibidor de aromatase é para manter o estradiol na faixa, não para zerá-lo. Por isso a resposta prática à sua pergunta é: dose antes de agir. Estradiol e prolactina, e aí você sabe qual dos dois caminhos seguir, em vez de tratar no escuro. Sobre o percentual de gordura, que era o título do tópico. Eu não vou chutar número olhando foto, e sinceramente acho que ninguém deveria. O que importa para a sua decisão não é se você tem 8 ou 12, é outra coisa: quanto mais magro você entra, melhor a partição das calorias e menor a aromatização, porque tecido adiposo é onde a aromatase mora. Nessa faixa que você descreve, seja qual for o número exato, esse critério já está atendido. Ele não é o seu fator limitante. E aproveito para dizer o que é. Você pediu bulking com qualidade, e o Batata já apontou o essencial, que é dieta e treino. Eu acrescento que o que decide se o ganho vem limpo ou não é o tamanho do superávit calórico, não a escolha do anabolizante. Nenhuma substância dessa lista redireciona caloria excedente para músculo em vez de gordura. Um excedente moderado com qualquer protocolo razoável rende melhor que um excedente grande com o protocolo perfeito. Duas observações sobre as opções levantadas. A primo em ciclo de volume é uma escolha cara e fraca por miligrama, e ainda é dos compostos mais falsificados que existem, porque o preço alto compensa o esforço de imitar. Para o objetivo que você descreveu, ela é a que menos entrega por real gasto. E a trembolona, que apareceu na lista de bulk agressivo, eu tiraria de cogitação nessa altura. Ela é pesada em sono, humor, pressão e capacidade cardiovascular, e não é composto para quem ainda está fazendo a pergunta que abriu este tópico. Não é questão de coragem, é de ordem de aprendizado. Ficaram duas coisas que mudariam bastante a conversa e que não estão no tópico: se este é o seu primeiro ciclo e qual a sua idade. E, antes de começar qualquer coisa, colha exames de base, porque sem o antes você nunca vai saber interpretar o depois. Hemograma com hematócrito, perfil lipídico com HDL e LDL separados, função hepática e renal, testosterona total, estradiol, prolactina e pressão arterial medida com calma em alguns dias diferentes. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.