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Oxandrolona 100mg manipulada: 8/8hrs por 7 semanas

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Esse relato do @ectobruto é um dos mais honestos do fórum, porque ele voltou meses depois para dizer que não tinha funcionado. Isso é raro e vale muito. Só que a conclusão a que ele chegou, no meu entender, não é a que os fatos do próprio tópico sustentam, e há um episódio no meio do caminho que passou completamente batido e que era o mais importante de todos.

Começo pelo episódio.

No dia 22 de junho ele escreveu que passou muito mal, vomitou e teve diarreia que durou dois dias, e suspeitou que a oxandrolona tivesse ao menos contribuído. Ninguém no tópico voltou nesse ponto. E ele estava, naquele momento, tomando 100 mg de oxandrolona por dia havia três semanas.

Náusea, vômito e desconforto abdominal estão entre os primeiros sinais de sofrimento hepático por 17 alfa alquilado. Não é o único diagnóstico possível, e uma virose explicaria igualmente bem. A diferença é que uma virose se resolve sozinha e a outra hipótese não, e a única forma de separar as duas custava o preço de um hemograma com TGO, TGP, gama GT e bilirrubinas.

Os sinais que fecham o quadro e que valem para quem estiver lendo isso agora, em uso de qualquer oral: urina escura como chá, fezes claras, coceira pelo corpo sem lesão de pele, amarelado nos olhos e cansaço desproporcional. Diante de qualquer um deles, para e vai ao médico no mesmo dia.

Agora a dose, que é o centro do tópico e que ninguém questionou.

A bula da oxandrolona prevê 2,5 mg a 20 mg por dia, e os 20 mg são o teto. O protocolo relatado começou em 100 mg por dia e chegou a ser anunciada uma subida para 120 mg. Isso é cinco a seis vezes o máximo terapêutico, mantido por semanas, e é a variável que explica tanto o custo quanto o mal estar quanto boa parte da frustração final.

E existe um detalhe que torna essa dose ainda menos defensável: a resposta da oxandrolona não cresce proporcionalmente à dose. Acima de determinado ponto, os receptores já estão saturados e o que continua subindo é a sobrecarga hepática e a supressão do eixo. Ou seja, os 100 mg não entregaram cinco vezes o resultado de 20 mg. Entregaram aproximadamente o mesmo resultado, com cinco vezes o custo financeiro e vários múltiplos do risco.

O visitante que acompanhou o relato inteiro deu a orientação correta quando sugeriu baixar a oxandrolona, e depois insistiu duas vezes para ir com calma. A leitura dele estava certa do começo ao fim.

Sobre a conclusão de que ciclo sem testosterona não presta.

Ela tem um fundo verdadeiro e um erro de atribuição.

O fundo verdadeiro é o seguinte, e o visitante já tinha explicado no tópico: oxandrolona suprime o eixo, como qualquer androgênio suprime. Só que ela é um androgênio fraco para efeitos sistêmicos, ou seja, desliga a produção própria e não repõe à altura. O usuário fica com a testosterona endógena no chão e sem substituto equivalente, e daí vêm a libido baixa, o cansaço e a dificuldade de manter o ganho. Nisso ele acertou, e a decepção dele tem base real.

O erro de atribuição é achar que a testosterona teria salvo esse ciclo. Olhando o relato de fora, ele foi assim: começou com oxandrolona isolada, mudou o intervalo das tomadas no segundo dia, cogitou subir a dose no terceiro, adicionou durateston no décimo terceiro, cogitou acrescentar dianabol, planejou subir para 120 mg, ficou sem conseguir mais durateston depois de duas aplicações, adoeceu, parou, voltou com 60 mg e encerrou.

Nenhum protocolo permaneceu tempo suficiente para produzir resultado, e nenhuma variável foi mantida fixa o bastante para permitir dizer o que funcionou. O ciclo não falhou por falta de testosterona. Falhou porque foi reescrito cinco vezes em três semanas.

E vale registrar que ele mesmo tinha diagnosticado isso no dia 14, quando o @Nug disse que a pressa era a pior inimiga e ele respondeu com humildade pedindo conselho. A resposta estava ali.

Sobre o peso, que é a parte que mais engana quem lê relatos.

Foram 79 kg no início e 87 kg dezenove dias depois. Oito quilos em menos de três semanas. Isso não é possível como tecido muscular em nenhum cenário, com ou sem hormônio, porque o limite fisiológico de síntese não chega perto disso. Aquilo era água, glicogênio e conteúdo intestinal, com o durateston contribuindo bastante na retenção. A prova veio do próprio autor meses depois, quando contou que do pico de 85 kg voltou para 80 kg.

Registro isso porque é o tipo de número que faz outro leitor achar que perdeu alguma coisa e correr atrás. Não perdeu. Aqueles oito quilos nunca existiram como massa.

Três observações menores.

A primeira é sobre o cobavital, que ele passou a usar para conseguir comer mais. Ele é ciproeptadina com cobamamida, e a ciproeptadina é um anti histamínico de primeira geração, cujo efeito colateral mais comum é justamente sedação e sonolência. Ele estava fazendo plantão em CTI e acordando às cinco da manhã. Isso merecia atenção, e a bula orienta reduzir a dose pela metade quando a sonolência é marcada. Vale para quem dirige ou opera qualquer coisa.

A segunda é sobre o ganho de força no primeiro e no segundo dia, que ele próprio desconfiou não ser real. Ele estava certo em desconfiar. Nenhum androgênio produz ganho de força mensurável em vinte e quatro horas, porque o mecanismo passa por síntese proteica e adaptação, que levam semanas. O que sobe no primeiro dia é a disposição de tentar uma carga que você vinha evitando, e isso é motivação, não farmacologia. É real como comportamento e é passageiro.

A terceira é sobre a mudança de 8 em 8 horas para 12 em 12 horas. Com meia vida em torno de nove horas, as duas formas são defensáveis e isso não afetou o resultado. Foi a única mudança do ciclo que realmente não teve importância nenhuma.

E fica uma pergunta que atravessa o tópico inteiro sem nunca ter sido feita: qual era a dieta.

Ele disse que estava comendo direitinho e que ia detalhar depois, e o detalhamento nunca veio. Não há em nenhum ponto do relato um número de calorias ou de proteína. Um sujeito de 1,79 m que queria sair de 79 kg em superávit precisa saber quanto está comendo, e o superávit é a condição sem a qual nada do resto opera. É bem possível que o resultado modesto tenha vindo daí, e não da ausência de testosterona.

Se quiser conferir esse ponto, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição.

Por fim, uma palavra ao @brunofox, que anunciou no meio do tópico que ia começar com 30 mg por dia aos 70 kg, e ao @dio5 lugano, que estava em dúvida por causa dos relatos contraditórios.

Os relatos são contraditórios porque a maioria deles, como este, muda de protocolo no meio e não mede nada. Se for para fazer, o mínimo que transforma um relato em informação útil é: exames antes, uma dose única mantida do começo ao fim, dieta registrada, carga registrada e exames depois. Feito assim, um relato de 30 mg vale mais que dez relatos de 100 mg.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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  • Se for de boa procedência, vai ter ótimos ganhos. Aproveite. Foco na dieta, é o mais importante pra garantir resultados e evitar colaterais. Boa sorte.

  • Micael Silva
    Micael Silva

    A dose maxima é até 100mg? OK, mas pra que usar as 100mg? Você pode muito bem ter resultados com 30, 50... A gente tem que se manter no minimo possivel, não no maximo aceitavel. Mas respeito seu proto

  • Tava pensando em fazer um ciclo inicial só com oxan...já vi vários relatos positivos sobre resultados/colaterais...só q vi alguns relatos aqui no site q me desanimaram, pessoal com o eixo quase q tota

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