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Gestrinona em Pentravan e Testosterona Gel - Feminino

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  • Moderador
Em 20/01/2019 em 22:19, TaiK disse:

Fiz todos os exames mês passado e o médico me receitou gestrinona 1g e testosterona em pentravan gel 1%. 

Qual a dose da gestrinona em cada pump de 1 grama? Por exemplo: ele pode ter passado 0,5% por grama. Da mesma forma que fez com a testosterona, que ele passou 1% por grama.
A gestrinona é uma medicação bem efetiva por ter uma fórmula muito semelhante à trembolona. Então para um primeiro ciclo talvez fosse o cas ode ficar somente com a testosterona a 1%. Entenda que, de fato, você terá mudanças drásticas com essas duas medicações. Contudo, podem haver dois problemas: (a) quando descontinuá-las, terá decréscimo dos ganhos; (b) por conta da junção das duas, estará sujeita aos colaterais chatos, sobretudo porque a gestrinonna vai abaixar o seu SHBG, aumentando sobremodo os efeitos da testosterona livre. Assim, a mínima dose de testosterona terá um efeito bombástico por conta da conjugação com a gestrinona.

Em 20/01/2019 em 22:19, TaiK disse:

Comecei a tomar e acabou em 1 mês, senti grandes diferenças nos braços, coxas e bunda, mas não to seguindo a dieta 100%.

Então, esse é o lado positivo :) Vamos ver o preço disso tudo...

Em 20/01/2019 em 22:19, TaiK disse:

nesse 1° mês já senti a minha voz falhando bastante, na medida que eu grito (faço voz aguda) já perco o controle e começa a falhar... isso é normal? 

Esse é o preço de uma dose maior, conforme alertei acima. :(

Isso não é "normal". Algumas meninas preferem pagar este preço para ter um corpo legal; outras simplesmente tem uma resistência maior aos colaterais e simplesmente não os apresenta; outras descontinuam a medicação, por não suportarem as mudanças; e outras diminuem as doses ou trocam as medicações e seguem adiante.

O uso contínuo da gestrinona e da testosterona é uma possibilidade. Tem previsão doutrinária. Mas eu ousaria a não recomendar isso, se você não suporta os colaterais. A medicação mais ou menos segura para uso contínuo e a testosterona, por ser um hormônio bioidêntico. Mas ainda assim a dose que você usa (1%) estaria no limite superior.

Alteração de voz é um colateral possível. Se não quiser ter este colateral terá de descontinuar a medicação; ou reduzir a dose; ou simplesmente aceitar essa modificação. @Sereiafit é cantora e vai administrando isso muito bem. :D

Em 20/01/2019 em 22:19, TaiK disse:

Em questão dos pêlos, estou sentindo bastante diferença no rosto, crescendo demais e estou ficando com medo.. tem algum medicamento ou algum jeito de minimizar isso?

Infelizmente só tratamento com laser. Ou então raspar. Muitas aderem à lâmina sem problemas.

 

Em 20/01/2019 em 22:19, TaiK disse:

E minha pele está horrível de acne, preciso tomar algo que amimeniza,

Isso enseja tratamento. Minha esposa tratou a dela com roacutan 10mg dia sim, dia não.

Em 20/01/2019 em 22:19, TaiK disse:

 

Outra coisa, vou começar novamente a dieta, nesse período de começo, o que é mais recomendado? Zero carbo ou low carb? Eu sempre faço 2 treinos por dia e o primeiro sempre aeróbico em jejum, pois ainda tenho uma porcentagem de gordura razoável no corpo e quero dar uma secada.... o jejum pode atrapalhar, ou ajuda? 

Crie um tópico pra você. Fica mais fácil orientar. Contudo, deixo uma observação: essas dúvidas e problemas são de obrigação do seu médico resolver - ou au menos tentar. Você conversou com ele sobre essas questões?

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Esse tópico da @Beta1978 é um dos mais bem conduzidos do fórum, com acompanhamento médico de verdade, exames e relato honesto ao longo de dois anos. Volto a ele por causa de uma tensão clínica que atravessa o caso desde o primeiro post sem nunca ter sido nomeada, e por causa de uma substância que apareceu no fim e que merece mais atenção do que recebeu.

Começo pela tensão do primeiro post.

Ela contou que tem síndrome dos ovários policísticos e que usou anticoncepcional oral por 26 anos por causa disso. E o tratamento proposto foi gestrinona.

A síndrome dos ovários policísticos é, por definição, uma condição de hiperandrogenismo. É o excesso de androgênio que produz a acne, o hirsutismo e boa parte da irregularidade menstrual dela, e é por isso que o contraceptivo combinado foi usado tanto tempo: ele eleva a SHBG e reduz o androgênio livre.

A gestrinona é derivada da 19 nortestosterona e tem atividade androgênica. Ela é, estruturalmente, da mesma família dos trienos 19 nor, e o @Foston acertou ao notar a semelhança com a trembolona.

Ou seja, a proposta era acrescentar androgênio a uma condição definida por excesso de androgênio.

Isso não significa que a conduta esteja errada. Significa que ela é uma decisão que exige justificativa específica, e a justificativa depende de um dado que o tópico não trouxe: como estava a testosterona dela naquele momento.

Vinte e seis anos de pílula suprimem bastante o eixo, e é possível que ela estivesse com androgênio baixo ao parar, mesmo tendo a síndrome. Ela escreveu que os exames vieram péssimos sobretudo na testosterona, mas sem dizer para que lado.

E o @Foston fez exatamente essa pergunta, quando questionou se ela tinha tido colateral decorrente da síndrome e lembrou que ela pode induzir hiperandrogenismo. Era a pergunta certa, e ficou sem resposta clara.

Para quem chegar aqui com quadro parecido, essa é a informação que muda tudo: mulher com síndrome dos ovários policísticos precisa saber se está com androgênio alto ou baixo antes de acrescentar androgênio, e os exames que respondem isso são testosterona total e livre, SHBG e androstenediona.

Agora o segundo ponto, que é o que mais me preocupa e que apareceu em dezembro de 2018.

Ela relatou estar usando hormônio do crescimento, T3 manipulado e oxandrolona.

O T3 é o que merece destaque, porque é o menos discutido e o de consequência mais silenciosa.

T3 exógeno em pessoa com tireoide normal desliga a produção própria. O TSH cai, a tireoide reduz a atividade, e a recuperação desse eixo leva meses depois da interrupção. Durante o uso, a pessoa fica em estado equivalente a um hipertireoidismo leve.

E o problema é o que o hipertireoidismo faz com a composição corporal: a perda de peso que ele produz inclui gordura, mas inclui também massa muscular e massa óssea. Ou seja, ele acelera a perda das três coisas ao mesmo tempo, e duas delas são exatamente as que ela passou vinte anos construindo.

Faço a ressalva honesta de que os dados sobre risco cardiovascular e ósseo do T3 em uso terapêutico são mistos, e há coortes longas sem excesso de fibrilação atrial ou fratura. A diferença é que essas coortes tratam pessoas com hipotireoidismo, repondo o que falta. Usar T3 em quem tem tireoide funcionante é outra coisa, e é onde o efeito muscular e ósseo pesa.

Os sinais que exigem revisão imediata com o médico: palpitação, batimento irregular, tremor, insônia, intolerância ao calor, perda de peso rápida demais e fraqueza.

E há uma combinação no protocolo dela que merece nota, pela própria condição que ela tem.

O hormônio do crescimento antagoniza a ação da insulina no músculo e aumenta a produção hepática de glicose. Resistência à insulina é justamente um dos eixos centrais da síndrome dos ovários policísticos. É uma associação que pode ser feita com acompanhamento, mas exige olhar glicemia de jejum, insulina e hemoglobina glicada com regularidade, e isso não aparece em nenhum ponto do relato.

Sobre a discussão de gel em pentravan contra implante, uma informação que faltava e que resolve parte do debate sobre preço.

O uso original da gestrinona foi por via oral, em cápsulas registradas, com indicação de endometriose, e o esquema de bula era de 2,5 mg duas vezes por semana. Ou seja, a apresentação mais estudada não é nem o gel nem o implante. E não há estudos de segurança e eficácia da gestrinona por via parenteral, particularmente por implante.

Isso reposiciona a conversa: a escolha entre gel e implante não é entre duas opções equivalentes de custo, é entre duas vias com pouco respaldo, sendo que uma delas, o implante, tem a desvantagem adicional de não poder ser interrompida se algo der errado.

E aqui está o argumento que, no meu entender, é o mais forte a favor do gel e que ninguém usou: reversibilidade. Gel se suspende no mesmo dia. Implante não.

Isso importa porque os sinais que exigem parada imediata em mulher são rouquidão, voz mais grave, dificuldade nas notas altas da fala e aumento de clitóris, e nenhum deles regride. Com um implante, não há como agir sobre eles.

Uma atualização importante para quem chega a este tópico hoje, posterior a ele.

Os medicamentos industrializados com gestrinona tiveram os registros cancelados no Brasil. O Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução 2.333 de 2023, que veda a prescrição de terapias com esteroides androgênicos anabolizantes com finalidade estética, de ganho de massa muscular ou de melhora de desempenho esportivo. E a Anvisa proibiu os implantes hormonais manipulados.

Isso não invalida nada do que foi relatado aqui entre 2017 e 2019, feito com acompanhamento. Muda o cenário de quem procura a mesma coisa agora.

Agora respondendo à @TaiK, que chegou em janeiro de 2019 e cuja dúvida ficou pela metade.

O @Foston fez a pergunta certa e vale completá-la. Ela escreveu que o médico receitou gestrinona 1 g e testosterona em pentravan gel 1 por cento.

Um grama é a quantidade de gel, não a dose do hormônio. O que importa é a concentração. Se o gel é a 1 por cento, então 1 g de gel contém 10 mg de princípio ativo. Se for 0,5 por cento, contém 5 mg. Sem esse número, não dá para saber se ela estava usando dose baixa ou alta, e essa informação está na receita e na etiqueta da farmácia.

Três coisas para ela, e para quem estiver na mesma situação.

A primeira é que ela escreveu não ter tirado medidas nem fotos antes de começar, e não estar seguindo a dieta. Sem linha de base, não existe como avaliar resultado, e sem dieta o hormônio trabalha sozinho contra o principal fator.

A segunda é o cuidado que o gel de testosterona exige e que quase nunca é dito: ele transfere por contato de pele. Parceiro, criança, qualquer pessoa que encoste na área aplicada recebe hormônio. Exige local coberto, tempo de secagem e atenção ao contato.

A terceira é contracepção. Tanto a gestrinona quanto a testosterona são teratogênicas, e a gestrinona reduz a ovulação sem ser método contraceptivo confiável. Não existe cenário em que a resposta certa seja usar isso sem método definido, e esse ponto não aparece em nenhuma das 241 mensagens do tópico.

Dois exames que também não aparecem e que eu colocaria na frente de qualquer outro nesse protocolo: perfil lipídico completo, porque a queda de HDL é o efeito mais consistente dos androgênios e é silenciosa, e hemograma com hematócrito.

Por fim, o que a @Beta1978 fez de melhor e que merece ser dito.

Ela procurou três profissionais, fez exames antes, relatou por dois anos, mudou de médico quando quis outra visão e voltou para contar. Aos 39 anos, treinando desde os 17, com uma condição crônica no meio, ela conduziu isso com muito mais método do que a maioria dos relatos daqui. As perguntas que faltaram não são falha dela: são as que ninguém do fórum fez.

Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e o que cada um responde, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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