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Gestação durante ciclo de oxandrolona

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36 minutos atrás, FitCoupleHim disse:

Contraceptivos hormonais (à base de hormônios femininos) aumentam exponencialmente o SHBG, zerando a testosterona livre. Os efeitos advindos da inexistência de testosterona livre já são conhecidos.

Por mais quem talvez, não tenha encontrado evidência científica, o empirismo nos mostra que são péssimos à saúde. Experiência própria com minha esposa que, após 15 anos de uso continuo, virou outra pessoa após a interrupção, sobretudo, no que toca à disposição física, mental e sexual. É isso tudo, muito antes de ela iniciar o uso de EAs.

Contraceptivos hormonais combinados são a base de etinil estradiol e algum progestágeno. Existem os progestágenos puros também, que se aplicam em alguns casos como em pacientes com alto risco para câncer de endométrio. A ação antiandrogênica é relativa ao tipo de progestágeno usado, e existem vários, alguns com ação androgênica como o levonorgestrel e a noretisterona. O aumento de SHBG e alterações a nível de SNC também são relativos ao progestágeno. Os que reduzem a libido e aumentam significativamente a SHBG claramente são os que possuem ação antiandrogênica, mas estes possuem seu valor frente a mulheres com problemas de virilização ou acne.

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  • Já li relatos de mulheres que engravidaram durante o uso de anabolizantes e na maioria dos casos, o feto se desenvolveu rapidamente e os babys nasceram prematuros. Vi também que em caso de bebês menin

  • Sim, prematuras com desenvolvimento completo... mas os riscos como citou acima entre outros são grandes... e não só da mãe, pode acontecer do feto ter anomalias casoo pai esteja administrando anaboliz

  • Negativo. É um pensamento comum, mas infundado. Quando dispor de tempo, procurarei fazer uma postagem sobre o assunto, pois é algo que merece ser discutido e esclarecido. Infelizmente há muita informa

29 minutos atrás, hallspreta disse:

Contraceptivos hormonais combinados são a base de etinil estradiol e algum progestágeno. Existem os progestágenos puros também, que se aplicam em alguns casos como em pacientes com alto risco para câncer de endométrio. A ação antiandrogênica é relativa ao tipo de progestágeno usado, e existem vários, alguns com ação androgênica como o levonorgestrel e a noretisterona. O aumento de SHBG e alterações a nível de SNC também são relativos ao progestágeno. Os que reduzem a libido e aumentam significativamente a SHBG claramente são os que possuem ação antiandrogênica, mas estes possuem seu valor frente a mulheres com problemas de virilização ou acne.

Quando mencionei "à base de hormônios femininos" o fiz de modo genérico, apenas para diferenciar da gestrinona. Olha, eu nunca ouvi falar, tampouco vi um contraceptivo hormonal (exceto a gestrinona) que não aumentasse substancialmente o SHBG. Acaso tenha alguma sugestão com exames demonstrando a manutenção dos níveis de SHBG, será muito bem vinda.

Minha esposa utilizava um combinado: Desogestrel + etinilestradiol, ou seja, androgênico + estrogênico e, ainda assim, aquilo que deveria ser um balanço, resultou em Tlivre 0,07ng/dl.

@hallspreta apenas para esclarecer, o que eu disse acima foi "na boa", ok!?!?! Realmente seria interessante se houvesse algo a mais, ou um caso diferenciado. Tudo o que eu disse é baseado nas experiências com minha esposa e os exames que ela fez ao longo do tempo, portanto, total e completamente empírico. De toda sorte, é apenas uma exposição pessoal. E, de fato, um outro caso, uma outra experiência ou, melhor ainda, um estudo científico, seria excelente para fins de aprendizado.

3 horas atrás, FitCoupleHim disse:

@hallspreta apenas para esclarecer, o que eu disse acima foi "na boa", ok!?!?! Realmente seria interessante se houvesse algo a mais, ou um caso diferenciado. Tudo o que eu disse é baseado nas experiências com minha esposa e os exames que ela fez ao longo do tempo, portanto, total e completamente empírico. De toda sorte, é apenas uma exposição pessoal. E, de fato, um outro caso, uma outra experiência ou, melhor ainda, um estudo científico, seria excelente para fins de aprendizado.

Ah sim, eu compreendi. Realmente há efeito contraproducente do ponto de vista estético quando se associa contraceptivos hormonais combinados e anabolizantes esteróides. Alguns aumentam SHBG em até 250% (que muitas vezes a maior parte dela se liga ao próprio progestágeno). Entretanto ainda acho controverso a interrupção do uso, principalmente em se tratando de pessoas sem fins competitivos. O perigo e gravidade de haver uma gestação durante o uso de andrógenos é muito superior aos prejuízos estéticos da associação. O ideal é o uso de DIU de cobre. Preservativos de barreira são ótimos para evitar DSTs, mas quanto a gestação deixam a desejar.

  • 8 anos depois...

@Arlete Dudley Souto Araujo, você escreveu que olhou sites e blogs e não viu nada contraindicando. Vou responder isso de forma objetiva, porque a informação existe e é bem definida, e depois vou dar os números que faltaram no tópico.

A oxandrolona é classificada como categoria X na gravidez. Categoria X é a classificação mais restritiva que existe, e ela significa que há evidência de dano fetal e que o risco supera qualquer benefício possível. A própria bula do medicamento traz a contraindicação em gestação. Se os sites que você consultou não traziam isso, é porque não eram fontes de medicamento, eram fontes de estética.

O @hallspreta deu a resposta tecnicamente mais correta do tópico, e vou detalhar o mecanismo, porque ele explica o que está em jogo e também traz uma informação útil que ninguém deu.

A genitália externa do feto feminino se diferencia num período bem específico da gestação. A janela crítica vai por volta da oitava à décima segunda semana. Se houver exposição a androgênio nesse intervalo, o que ocorre é fusão dos grandes lábios e formação de seio urogenital, ou seja, alteração estrutural. Se a exposição acontecer depois da décima segunda semana, quando vagina e uretra já se separaram, o efeito é aumento do clitóris, sem a fusão.

Ou seja, não é uma questão de o bebê nascer com problema genérico. É uma alteração específica, em uma janela específica, e o grau depende de quando a exposição ocorre.

E aqui está a parte prática, que é a informação mais útil desta resposta. Uma gestação costuma ser detectada por volta da quarta à sexta semana. A janela crítica começa por volta da oitava. Isso significa que, na maioria das vezes, existe um intervalo real entre descobrir e o período de maior risco. Não é uma corrida perdida, desde que a pessoa esteja testando cedo e suspenda imediatamente.

Então, se você decidiu mesmo não evitar, o mínimo é isto. Teste de gravidez antes de cada ciclo e a cada atraso menstrual, e suspensão imediata do medicamento ao primeiro resultado positivo, no mesmo dia, sem terminar caixa e sem reduzir gradualmente. E procurar acompanhamento pré natal informando o uso, porque isso muda a conduta e o acompanhamento da gestação. Não é o cenário ideal, mas é o que reduz risco de verdade dentro da escolha que você fez.

Agora preciso corrigir duas informações que ficaram no tópico, e uma delas é sobre homem.

A primeira. Foi dito que os bebês nasceriam prematuros e que o feto se desenvolveria rapidamente. Não há base para isso. O que está descrito é virilização da genitália externa em feto feminino, no mecanismo que expliquei, e não aceleração do desenvolvimento nem prematuridade como efeito próprio da substância. E o termo correto não é hermafrodita. Chama se distúrbio da diferenciação sexual, ou virilização da genitália externa. A diferença não é preciosismo de linguagem. Hermafroditismo remete a uma ideia de duplicidade de órgãos que não é o que acontece, e isso assusta mais do que informa.

A segunda correção é dirigida ao @Batata..., com respeito, porque o ponto que ele levantou preocupa muita gente e está invertido. Foi dito que o feto pode ter anomalias caso o pai esteja usando anabolizantes. Não é assim que funciona. O que o uso paterno produz é supressão da produção de espermatozoides, e portanto dificuldade de engravidar, podendo chegar a azoospermia, que é ausência de espermatozoides. O risco de virilização da genitália do feto feminino vem da exposição materna, porque depende do hormônio circulando na gestante e chegando ao feto. Ou seja, homem em ciclo tem um problema real, mas ele é de fertilidade, e não de malformação.

Agora os números que faltaram, e eles apoiam exatamente o que o hallspreta defendeu.

O @FitCoupleHim recomendou preservativo de barreira. Ele protege contra infecções sexualmente transmissíveis, e nisso é insubstituível. Mas, como método contraceptivo isolado, a taxa de falha em uso real é da ordem de treze por cento ao longo de um ano. O dispositivo intrauterino de cobre fica abaixo de um por cento e não depende de nenhuma decisão no momento. Quando o que está em jogo é exposição de um feto a substância categoria X, essa diferença é decisiva. Por isso a recomendação do hallspreta de dispositivo intrauterino de cobre é a correta, e ele acertou também ao dizer que barreira, para essa finalidade específica, deixa a desejar.

E sobre a discussão entre os dois a respeito de contraceptivo hormonal, vale registrar o dado que fecha a questão, porque essa é uma das orientações mais repetidas e mais danosas do meio.

Existe de fato um efeito contraproducente do ponto de vista estético, e o FitCoupleHim tem razão quanto ao mecanismo, porque contraceptivos combinados aumentam a SHBG e reduzem a testosterona livre. O hallspreta também tem razão ao dizer que isso varia conforme o progestágeno.

O problema é a conclusão de parar o método. O risco de trombose associado à pílula combinada é da ordem de oito a quinze casos por dez mil mulheres por ano. Na gravidez, esse risco é de cinco a vinte, e no pós parto, de quarenta a sessenta e cinco na mesma medida. Ou seja, quem interrompe o contraceptivo para evitar trombose, e engravida, assume risco igual ou maior do que aquele de que estava fugindo, e ainda expõe um feto. O hallspreta estava certo ao dizer que continuava sem encontrar fundamento para a recomendação de interromper, e ao concluir que a gravidade de uma gestação durante o uso supera em muito o prejuízo estético da associação.

Quem quer resolver os dois lados ao mesmo tempo tem uma saída simples, que é justamente o dispositivo intrauterino de cobre, porque ele não é hormonal, não mexe em SHBG e tem a menor taxa de falha. Essa conversa é com a ginecologista.

Por fim, @Arlete, uma palavra sobre a sua situação específica, e sem sermão, porque o tópico já teve bastante disso.

Você escreveu que está retomando um ciclo de três meses e que, se a gravidez vier, veio. Só que essas duas decisões estão em conflito direto no calendário. Um ciclo de três meses cobre exatamente o período em que uma gestação seria concebida e atravessaria a janela crítica. Não é que uma escolha exclua a outra para sempre. É que elas não cabem nos mesmos três meses.

Se o desejo de engravidar é real e atual, o caminho coerente é adiar o ciclo, porque o corpo você recupera depois e a janela de diferenciação do feto não tem segunda chance. Se o ciclo é a prioridade agora, então o dispositivo intrauterino de cobre resolve, e você retoma o plano de gestação em seguida. As duas opções são legítimas. O que não funciona é deixar ao acaso, porque nesse arranjo o acaso decide no período de maior risco.

Vale registrar ainda que, desde abril de dois mil e vinte e três, a Resolução do Conselho Federal de Medicina número dois mil trezentos e trinta e três veda a prescrição de anabolizantes com finalidade estética, de ganho de massa muscular ou de desempenho esportivo.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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