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Primeiro ciclo de oxandrolona

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  • 6 anos depois...

@hattashy, seu tópico ficou sem resposta. Você pediu três coisas: dose, tempo e TPC. Vou responder as três, mas antes preciso desmontar a premissa que quase sempre está por trás de escolher oxandrolona como primeiro ciclo, que é a de que ela é leve o bastante para não cobrar nada.

Primeiro, sobre suprimir o eixo. Existe um dado que resolve essa discussão. Em estudos com meninos em atraso puberal, usando dois e meio a cinco miligramas por dia, ou seja, uma fração das doses que se usa aqui, já se observou queda do LH e queda da testosterona para menos da metade do valor inicial. Se dois e meio miligramas por dia derrubam o eixo, vinte ou quarenta derrubam com folga. Então não existe ciclo de oxandrolona sem supressão, e quem diz que não precisa de TPC porque é só oxa está errado.

Segundo, o colesterol, que é onde a oxandrolona é pior do que a fama dela sugere. Andrógenos orais alquilados são justamente os que mais derrubam o HDL, mais até que os injetáveis aromatizáveis, e o efeito é mais forte ainda sobre a fração HDL2. Tem um trabalho brasileiro recente com praticantes de musculação em que o grupo em uso de oxandrolona apresentou HDL médio de vinte e quatro, contra um valor de referência acima de quarenta, e esse HDL voltou para quarenta e nove depois que pararam. Ou seja: cai muito, cai rápido, não dá sintoma nenhum, e volta quando se para. É o exame que decide se o seu ciclo está saindo caro ou não, e é o que quase ninguém pede.

Terceiro, o fígado. A oxandrolona é dezessete alfa alquilada, que é a modificação que permite ela sobreviver à passagem pelo fígado e é também a que gera a toxicidade hepática dessa classe. Ela é das mais brandas do grupo, mas branda dentro de um grupo ruim não é o mesmo que inofensiva, e a dose e o tempo mudam isso.

E aí vem a conta que eu queria que você fizesse. Você tem setenta e sete quilos com dezessete por cento de gordura, ou seja, algo em torno de sessenta e quatro quilos de massa magra, com um metro e setenta e oito. Isso está bem abaixo do teto que um homem alcança treinando natural. Você tem muito espaço para crescer sem nada, e é justamente esse espaço que se gasta uma vez só. Se você usar agora, vai atribuir ao composto um ganho que era seu de qualquer jeito, e vai ficar sem saber o que era o quê.

E tem outra coisa sobre os dezessete por cento. Nesse percentual, boa parte da sua insatisfação com o espelho é gordura, e não falta de músculo. Um corte bem conduzido de dois ou três meses, chegando perto dos doze por cento, muda a sua foto mais do que um ciclo de oxandrolona mudaria, e não cobra nada depois.

Dito isso, você perguntou coisas objetivas e merece resposta objetiva.

Sobre dose e tempo, as faixas que circulam para homem ficam em torno de vinte a quarenta miligramas por dia, por seis a oito semanas, e não mais que isso justamente por causa do fígado. Meia vida de nove a dez horas, então dividir em duas tomadas diárias mantém o nível mais estável. E não precisa nem faz sentido usar inibidor de aromatase junto: a oxandrolona não aromatiza, então não existe estrogênio subindo por causa dela. Se alguém te oferecer anastrozol junto, é dinheiro jogado fora e prejuízo de lipídios e libido de graça.

Sobre a TPC, três pontos. Como a meia vida é curta, ela some do sangue em dois ou três dias, então a TPC começa poucos dias depois da última dose, e não semanas depois como se faz com injetáveis de éster longo. O esquema usual é com tamoxifeno. E o erro mais comum é jogar hCG junto com tamoxifeno ou clomifeno: o hCG aumenta o estradiol, que é exatamente o que esses dois precisam que esteja baixo no lugar certo para funcionar. Se for usado, é antes, nunca sobreposto.

E o mais importante da TPC não é o comprimido, é ter como saber se funcionou. Para isso você precisa de exame antes, e é aqui que quase todo mundo se perde: sem o valor de antes, o valor de depois não diz nada.

Então, se for fazer, o mínimo antes é hemograma, lipidograma completo, TGO, TGP, gama GT e bilirrubinas, glicemia, pressão medida em casa, e o hormonal com testosterona total e livre, LH, FSH, estradiol e prolactina. Depois, repete lipidograma e enzimas no meio do ciclo, e o hormonal completo umas quatro a seis semanas depois de terminar a TPC.

Resumindo, com a franqueza que você pediu ao abrir o tópico: com vinte e cinco anos, dezessete por cento de gordura e essa massa magra, você tem um ciclo inteiro de ganho natural esperando ser cobrado, e a oxandrolona solo entrega pouco em troca de supressão completa do eixo e de um HDL no chão. Se a pressa for grande, o caminho que mais rende agora é cortar até uns doze por cento com a proteína alta e a carga subindo. Aí, se ainda quiser ciclar, você vai ciclar em cima de uma base, que é quando o ciclo rende de verdade.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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