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Deca + Dura + Oxan Ciclo criado e acompanhado por médico

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O @Bernardo1 resumiu a estranheza desse tópico melhor que ninguém, ao apontar que a deca começava em 200 mg, caía para 50 mg, voltava para 200 mg e depois sumia por uma semana. O @Arnold1989 e o @PaulH disseram a mesma coisa com outras palavras.

Todos tinham razão em estranhar, e dá para explicar exatamente por quê. Não vou comentar quem prescreveu, porque é uma pessoa real e identificável, e o que interessa aqui é a farmacologia.

Começo pela deca, que é o ponto mais claro.

O decanoato de nandrolona tem meia vida de liberação do depósito muscular em torno de 6 a 12 dias, com atividade que persiste por duas a três semanas.

Isso significa que a concentração no sangue em qualquer semana não reflete a dose daquela semana, e sim a média das duas ou três semanas anteriores. O organismo faz uma média móvel do que foi aplicado.

Ou seja, aquele zigue-zague de 200, 50, 200, zero, 50 não produz no sangue o desenho que o cronograma sugere. Ele produz uma linha razoavelmente lisa em torno da média. A tabela parece precisa e, na prática, a variação semanal é quase toda absorvida pela farmacocinética.

E isso vale como princípio geral: com ésteres longos, ajuste fino semana a semana não faz sentido. O que importa é a dose média ao longo de várias semanas.

Agora o clomifeno, que aparecia da quarta à décima semana e que ninguém explicou.

O clomifeno é um modulador seletivo do receptor de estrogênio. Ele funciona bloqueando o receptor no hipotálamo e na hipófise, o que retira o feedback negativo e faz subir LH e FSH.

Só que, durante um ciclo com 1.000 mg de testosterona por semana, o LH e o FSH já estão completamente suprimidos, e a supressão vem do próprio androgênio exógeno, não do estrogênio. Não há feedback estrogênico a ser bloqueado que resolva isso.

Ou seja, usado como manutenção do eixo durante o ciclo, ele não tem como funcionar. Ele teria alguma função como proteção contra ginecomastia, mas para esse fim o tamoxifeno é o mais usado e mais estudado.

Sobre o tribulus, o @Arnold1989 estava certo. Revisão da literatura publicada entre 2002 e 2018 não encontrou suporte científico para o tribulus elevar testosterona sérica em homens. Existem ensaios mostrando alguma melhora de função sexual, o que é outra coisa, mas testosterona ele não eleva.

Agora a dose principal, que foi o que mais chamou atenção do @Nandopw.

Mil miligramas de durateston por semana em quem nunca tinha usado nada é dose muito alta para um primeiro contato, e ele estava certo em estranhar.

O argumento contra não é moral, é prático: numa primeira vez, dose menor ensina qual é a sua resposta individual. Quanto você aromatiza, quanto o hematócrito sobe, como o humor reage, quanto de HDL você perde. Essa informação vale para todos os ciclos seguintes. Com dose alta de saída, você aprende menos e paga mais caro pelo aprendizado.

Agora uma correção ao que o @PaulH escreveu, porque ela é importante e vai na direção contrária.

Ele disse que não gosta de oxandrolona porque ela só faz efeito mesmo em 100 mg ou mais por dia.

A bula da oxandrolona vai de 2,5 a 20 mg por dia, e os 20 mg são o teto. Cem miligramas é cinco vezes o máximo terapêutico de um 17 alfa alquilado.

E existe uma razão pela qual subir tanto não entrega o que se espera: a resposta da oxandrolona não é linear com a dose. Passado certo ponto, os receptores já estão ocupados, e o que continua subindo é a sobrecarga hepática e a queda de HDL. Cem miligramas não entregam cinco vezes o resultado de 20 mg.

A conclusão dele sobre custo e benefício da oxandrolona até procede, ela é cara para o que oferece. O caminho para essa conclusão é que precisava de ajuste.

Agora o ponto que atravessa o tópico e que merece uma resposta cuidadosa.

O @PaulH escreveu que faculdade de medicina não ensina ciclos, e que quem conhece de anabolizantes é quem usa.

A primeira parte é verdadeira. Formação médica não cobre protocolos de uso recreativo, porque eles não existem como indicação clínica.

A segunda parte é onde eu discordo, e o próprio tópico mostra por quê. A alternativa proposta pelo fórum foi 500 mg de dura com 400 mg de deca por dez semanas, apresentada como o básico. Esse número também não vem de evidência: vem de prática acumulada, que é uma fonte legítima de experiência e uma fonte fraca de segurança.

E existe uma parte do problema que é inequivocamente médica, e foi justamente a que os dois lados deixaram de fora: hematócrito, perfil lipídico, função hepática, pressão arterial e a avaliação de recuperação do eixo depois.

Nenhuma dessas coisas se aprende usando. Elas se medem.

Vale registrar, aliás, que o autor fez a parte difícil: procurou médico, fez acompanhamento por exames de sangue e tinha nutricionista esportivo. O que faltou foi levar de volta ao prescritor as dúvidas que o fórum levantou, com as perguntas escritas. Um protocolo que o paciente não consegue explicar é um protocolo que ele não consegue executar corretamente.

Respondendo à dúvida que ele fez logo no começo, sobre o que era HCG: é a gonadotrofina coriônica, que age como o LH e estimula diretamente os testículos, sendo usada para evitar a atrofia testicular durante o uso de androgênio exógeno. Ela não substitui a recuperação do eixo, porque não age na parte alta, no hipotálamo e na hipófise.

E, sobre a dieta que ele descreveu, ela era boa: seis refeições com proteína e carboidrato, ajuste de índice glicêmico no pós treino, fontes de comida de verdade. Era, provavelmente, a parte mais bem feita do projeto inteiro.

Por fim, sobre o que o @Thariwol e o @S.Ramos04 perguntaram anos depois, quando quiseram saber o final.

Não houve final. E isso é o mais comum nos relatos daqui.

Vale dizer o que isso custa: um relato sem desfecho não permite saber se o resultado se manteve, como foi a recuperação do eixo, o que aconteceu com o hematócrito e com o perfil lipídico, e se a pessoa faria de novo. Ou seja, ele guarda a parte empolgante e perde justamente a parte que serviria de aprendizado para quem vem depois.

Quem fizer um relato aqui, o pedido é esse: volte no fim, mesmo que o resultado tenha sido ruim. Principalmente se tiver sido.

Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e o que cada um responde, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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