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Ciclo feminino com Primobolan

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1 minuto atrás, Joana Darc sb disse:

Relaxa Carol!  As vezes não da certo de primeira,  nem de segunda..  Mas nada é em vão..  Tudo é aprendizado.  

Vai conseguir um bom resultado,  boa sorte! 

Verdade, Joana. E acho q deu pra pegar muita coisa boa, autoconhecimento, esse fórum está repleto de informações de boa qualidade. Acho q nem quando tive nutri e educador físico conseguir me conhecer tão bem e tanta informação boa na palma da mão

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Já encerrei este tópico. Mas uma coisa que chamou atenção nessa droga que eu estava em dúvida da procedência: testo total desceu, estradiol subiu muito. Tgo e tgp reduziram. Estou aguardando sair DHT. E vi que na solicitação não pediram nem SHBG e nem testo livre 🙄 sem eles não dá pra ter alguma noção melhor do que usei, não é isso? 21mg de Primobolan não mexem mesmo com o TGO E TGP? Achei também o HDL baixo. Seria bom inserir omega 3? O carbo aumentou mas os triglicérides deram foi uma baixa, que bom! Doida pra entender melhor esses exames!20190427_085259.jpg

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  • 7 anos depois...

Preciso começar por uma afirmação que apareceu no fim desse tópico e que precisa de correção, porque ela envolve o bebê da @Carolb.

Foi dito, a partir de um texto sobre mitos e equívocos na terapia com testosterona em mulheres, que não ocorre efeito teratogênico ou virilizante em fetos, humanos ou animais.

Isso não é o que consta na bula dos produtos de testosterona em gel. As bulas trazem contraindicação expressa na gravidez e em mulher que possa engravidar, com a informação de que a testosterona é teratogênica, e que a exposição de um feto feminino a androgênio pode produzir graus variáveis de virilização. E trazem contraindicação também na amamentação, pelo risco de efeitos adversos no lactente.

Somando a isso a advertência de tarja preta por exposição secundária, que já existe para o contato de pele com pele com crianças, o quadro para o caso dela é bastante claro.

O @Foston deu a orientação prática certa, e ele merece o crédito: aplicar em local sem possibilidade de contato com a bebê e lavar bem as mãos. Onde eu discordo é na conclusão de que a logística resolve tudo. Ela mesma descreveu o cenário real: bebê acordando de madrugada, contato aumentando, e ela vivendo com medo de encostar. A decisão dela de suspender o gel foi, na minha leitura, a mais sensata do tópico inteiro, e ela foi um pouco cobrada por isso.

E existe uma pergunta que ficou no ar e que muda tudo: ela ainda amamentava. O @Apollo Galeno chegou a perguntar isso e não teve resposta clara. Se amamentava, o gel estava contraindicado, e não é questão de onde aplicar.

Agora o sinal que passou como colateral leve e que, para mim, é o ponto mais sério do relato.

Ela escreveu, depois do stanozolol: voz de manhã levemente rouca, some ao longo do dia. E clitóris levemente inchado.

Esses dois não pertencem à categoria dos colaterais que se acompanha.

Entre os sinais de virilização, alguns regridem com a suspensão, como acne, oleosidade, aumento de libido e alteração do fluxo. Dois não regridem de forma confiável: o engrossamento da voz e o aumento do clitóris. As alterações vocais vêm de mudança estrutural na prega vocal, com espessamento do epitélio, da lâmina própria e da fibra muscular, e a literatura descreve casos de virilização vocal permanente inclusive após uso curto, com melhora apenas parcial depois da interrupção.

Rouquidão que aparece de manhã e melhora durante o dia é justamente o começo do quadro, não uma versão inofensiva dele. E a regra prática é diferente da que vale para os sinais reversíveis: nesses, não existe observar e ver se piora, porque observar é esperar dentro do dano.

Uma sugestão concreta, que vale mais que qualquer descrição: gravar trinta segundos de voz no celular sempre no mesmo horário, uma vez por semana. A mudança é gradual e o ouvido se acostuma. A gravação não se acostuma.

E aqui a @Joaninha fez a observação mais aguda do tópico, que merece ser repetida: ela teve colaterais com derivados de di hidrotestosterona e a conduta seguinte foi justamente dois derivados da mesma família. Estava certíssima.

Sobre o stanozolol sublingual, e sobre a ideia de que sublingual e gel são mais seguros por não passarem pelo fígado.

A premissa está parcialmente certa e a conclusão é maior do que ela sustenta. Absorção sublingual realmente desvia parte do primeiro metabolismo hepático, mas o desvio é parcial: parte do que está na boca acaba sendo deglutida e segue a rota comum. Mais importante, o stanozolol é 17 alfa alquilado, ou seja, a molécula é modificada exatamente para resistir ao metabolismo hepático, e é essa modificação que se associa à sobrecarga do fígado e à queda acentuada de HDL. Isso não é um efeito da via de administração, é da molécula.

E há um ponto que independe de tudo isso: o stanozolol é dos compostos mais associados a virilização em mulheres, tanto que existe a expressão voz de stano, que apareceu no próprio tópico. Ela introduziu esse por conta própria, e foi logo depois dele que a rouquidão apareceu.

Agora o primobolan manipulado, que custou 520 reais e não entregou resultado.

O @Apollo Galeno e a @Joaninha desconfiaram, e a desconfiança tinha fundamento. Vou explicar por quê, sem entrar em procedência de produto.

A metenolona oral, na forma acetato, tem biodisponibilidade baixa e é reconhecidamente um dos androgênios orais de menor rendimento por miligrama. Isso significa que uma dose que parece razoável no papel entrega pouco, e que a diferença entre um produto correto e um subdosado fica difícil de perceber pelo efeito, porque o efeito esperado já é discreto.

Ou seja, o que ela viveu, dose que não parece baixa e resultado que não aparece, é compatível tanto com produto ruim quanto com a farmacologia normal do composto. Não dá para distinguir uma coisa da outra pela sensação, e por isso o valor pago não é argumento em nenhuma das direções.

Sobre a informação de que a metenolona teria sido liberada pela Anvisa, que a própria @Carolb disse ter levado ao médico e repassado às cunhadas: eu não consegui confirmar isso. Não localizei registro de produto com metenolona disponível comercialmente no Brasil, e é justamente por isso que ela circula manipulada. Uma substância que só existe manipulada não está no mesmo patamar de um medicamento com registro, porque o que garante teor e uniformidade de dose é o controle do produto registrado.

E vale um comentário sobre o que ela descreveu com honestidade rara: a informação partiu dela, chegou às cunhadas, as três levaram ao mesmo médico e as três saíram com a mesma receita. O @Apollo Galeno chamou de movimento de manada e tinha razão. É um fenômeno que se vê muito aqui: a informação circula no grupo, volta pela boca do profissional, e ganha autoridade que ela nunca teve na origem. Reconhecer isso publicamente, como ela fez, é mérito dela.

Agora a dieta, que é onde eu acho que estava o problema real do relato.

Ela informou no início que comia em torno de 80 a 100 g de proteína, 80 a 100 g de carboidrato e 35 a 45 g de gordura, e disse com todas as letras que não pesava nada, que ia tudo no olho.

Depois, ao jogar no aplicativo a dieta ajustada, o resultado foi 204 g de proteína, 82 g de gordura e 126 g de carboidrato, e ela se assustou com a quantidade.

Aí está a explicação de boa parte da frustração. A estimativa a olho e o número real estavam separados por um fator de duas vezes na proteína e na gordura. Não é falta de disciplina, é uma limitação conhecida: estimativa visual de porção erra muito, principalmente em óleo, molho, castanha e queijo, que são densos e ocupam pouco espaço.

E isso importa mais que o ciclo. Ela passou oito meses em dieta muito restritiva de baixo carboidrato, se queixou de estagnação, e resolveu que faltava farmacologia. Com o consumo real desconhecido, não havia como saber se faltava déficit, se faltava proteína ou se faltava comida.

Pesar tudo por duas semanas, sem mudar nada, responderia isso de graça. É chato, ninguém quer, e continua sendo a informação mais valiosa disponível.

A @Joaninha resumiu o princípio corretamente: quando dieta e treino estão coerentes com o objetivo, o resultado vem, e o esteroide apenas acelera. Ele não substitui nem uma coisa nem outra.

E vale corrigir uma expectativa que apareceu quando ela se decepcionou com as fotos: ela estava, ao mesmo tempo, buscando ganho de massa e queda de gordura de flanco. As duas coisas juntas, em quem já treina há anos e não está começando do zero, acontecem devagar e em janelas estreitas. Escolher uma por vez frustra menos e entrega mais.

Três observações práticas, e uma delas sobre um número.

A primeira é sobre a vitamina D sugerida em 5.000 a 10.000 UI por dia. O limite superior tolerável para adultos, em uso continuado sem monitoramento, é de 4.000 UI por dia. Doses acima disso existem e são usadas, mas em correção de deficiência documentada, com dosagem de vitamina D e de cálcio, e por tempo definido. Excesso crônico produz hipercalcemia. É um caso em que o exame vem antes da dose.

A segunda é o sono, que atravessou o tópico e nunca foi resolvido. Ela descreveu adormecer rápido e acordar de madrugada sem conseguir voltar. Isso é insônia de manutenção, e a melatonina age principalmente sobre o adormecer, ou seja, sobre o problema que ela não tinha. Não surpreende que não funcione.

O que costuma explicar despertar de madrugada em quem está em déficit calórico prolongado é o próprio déficit, e no caso dela havia ainda um bebê acordando e um trabalho estressante. Vale também dizer que androgênios podem piorar apneia do sono, e que sono ruim sozinho já derruba recuperação, apetite e humor. Esse era um problema para resolver antes do próximo ciclo, não depois.

A terceira é a fisgada no ombro ao treinar peito, que passou quase sem comentário. A @Joaninha acertou ao apontar pegada e execução. Acrescento a regra: dor que aparece sempre no mesmo movimento e no mesmo ponto é para ser investigada, não contornada com carga menor. Treinar em volta de uma dor por meses é como se transforma um incômodo em lesão que tira do treino por um ano.

Por fim, sobre o plano seguinte, que estava sendo desenhado entre deca, oxandrolona e testosterona.

O decanoato de nandrolona é o que eu menos recomendaria para ela, e não pela potência. É pela meia vida: liberação do depósito da ordem de 6 a 12 dias, com atividade que persiste por semanas. Como parte dos sinais de virilização não regride, o valor de uma molécula de ação curta é poder interromper e ter a exposição caindo em pouco tempo. Com éster longo, no dia em que a voz mudar, ainda restarão semanas de droga circulando, e não existe como acelerar isso.

Para mulher, meia vida curta não é um detalhe de conveniência. É a margem de segurança inteira.

E, dado que ela já apresentou rouquidão e alteração de clitóris com o que usou até aqui, a pergunta anterior a qual composto escolher é se cabe escolher algum agora.

Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e o que cada um responde, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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