Tudo postado por Cláudio Chamini
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Avaliação
Os links das fotos não estão mais abrindo, @arnoldferrigno, então não dá para avaliar as poses. Mas tem duas coisas no que você descreveu que valem mais que a avaliação visual. A primeira é a distribuição do treino. Bíceps, tríceps e ombro aparecem 2 a 3 vezes por semana, enquanto peito, costas e perna aparecem uma vez só. Isso está invertido em relação ao que produz densidade e proporção. Grupos grandes é que sustentam a estrutura do shape, e são eles que respondem melhor a frequência de duas vezes por semana. Braço já recebe bastante estímulo indireto em todo supino, desenvolvimento, remada e puxada, então três sessões diretas costumam significar volume redundante e recuperação comprometida, principalmente quem também faz levantamento olímpico três vezes por semana. Eu inverteria: costas e perna duas vezes, peito duas vezes, braço uma a duas sessões curtas de complemento. A segunda é a combinação de efedrina 25 mg com 400 mg de cafeína, e aqui vale atenção de verdade. Os dois são estimulantes que agem em vias convergentes, a efedrina liberando noradrenalina e agindo em receptores adrenérgicos, a cafeína bloqueando adenosina e potencializando a resposta simpática. Juntos, o efeito não soma, multiplica. O que se observa é aumento de frequência cardíaca e de pressão arterial, arritmia em pessoas suscetíveis, tremor, ansiedade, insônia e menor tolerância ao calor. E 400 mg de cafeína por si só já é o limite diário considerado seguro para adulto saudável. Somado ao LPO, que é modalidade com pico pressórico alto, a conta fica pesada. Se você mantiver o uso, no mínimo afira pressão em repouso algumas vezes por semana, não use nos dias de treino mais pesado de LPO, respeite pelo menos oito horas entre a última dose e o horário de dormir, e interrompa imediatamente se aparecer palpitação, dor no peito, falta de ar ou tontura. Também vale lembrar que estimulante não queima gordura de forma relevante. O efeito termogênico é pequeno e o ganho real é indireto, por supressão de apetite e mais disposição para treinar. Num cutting bem montado, com déficit definido e proteína alta, a diferença que eles fazem no resultado final é pequena perto do risco cardiovascular que adicionam. Se o cutting está travando, o problema quase sempre está no déficit real e na aderência, não na falta de termogênico. Se você repostar as fotos em outro host que funcione, com as poses de frente, costas, lateral e duplo bíceps, comento a parte estética com prazer, principalmente proporção de ombro e cintura e o quanto ainda vale segurar o corte antes de partir para ganho. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Alguém já usou produtos da LIDER PHARMA
O critério de contar ocorrências no Google tem um problema sério, @Foston: ele mede popularidade, não qualidade. Marca underground grande aparece muito justamente porque vende muito, e é exatamente a que mais é falsificada. Marca pequena com produção decente pode ter quase nenhuma menção. Já vi os dois casos. Presença na internet serve no máximo para detectar o rótulo criado ontem, e olhe lá. O que realmente responde a pergunta do @Bravosilva não é reputação, é medida. Duas formas objetivas, ambas ao alcance de quem já comprou. A primeira e mais barata é o sangue: colha testosterona total antes de iniciar e repita de 5 a 7 dias depois de uma aplicação, no mesmo horário e no mesmo laboratório. Com dose semanal de 250 mg de um éster longo, o valor tem que estar bem acima do limite superior da faixa de referência. Se vier dentro da faixa normal, você está segurando um frasco subdosado, e isso deixa de ser opinião de fórum e vira dado. A segunda é enviar amostra para análise independente, que existe fora do Brasil e custa algumas dezenas de dólares por composto. Além da dose, o que preocupa em produto de origem desconhecida é esterilidade. Ampola com partícula visível, líquido turvo, cor fora do padrão ou cheiro forte deve ser descartada. E depois da aplicação, vermelhidão que aumenta em vez de diminuir, calor local, endurecimento progressivo ou febre são sinais de infecção, que precisa de avaliação médica rápida e não melhora sozinha. Abscesso de aplicação é o tipo de complicação que tira alguém da academia por meses. @FaBHana e @BorisBuilding estão certos na desconfiança, só acrescento que a mesma desconfiança vale para marcas conhecidas compradas fora do circuito formal, porque o que se falsifica é exatamente o rótulo que tem nome. Se houver a possibilidade de receita e produto de farmácia com registro, essa é a única rota em que a rastreabilidade de lote é real. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Dieta para não ferrar o metabolismo
@Marcia_B o seu problema tem nome e tem solução, e ele aparece com clareza nos números que você postou: 1482 kcal para 68 kg treinando seis vezes por semana. Isso não é dieta de manutenção, é déficit em cima de quem já vem de restrição severa. E é exatamente por isso que você sente que o metabolismo travou. Vale explicar o que realmente acontece, porque a expressão metabolismo ferrado costuma vir junto de muito mito. Existe um fenômeno real, chamado adaptação metabólica: depois de perda de peso grande e prolongada, o gasto energético cai mais do que seria esperado só pela massa perdida. Isso ocorre por queda de leptina, redução de T3, aumento da eficiência muscular e, principalmente, redução do gasto com movimento espontâneo, aquele gasto de andar, gesticular, subir escada, que despenca sem a gente perceber. O que não é verdade é que isso seja permanente ou irreversível. Com recuperação calórica gradual, esse gasto volta a subir. Seu metabolismo não está quebrado, está em modo de economia porque você o deixou nesse modo por muito tempo. O caminho para sair disso é subir calorias devagar, e não continuar cortando. Na prática, acrescente de 100 a 150 kcal por semana, principalmente em carboidrato, e acompanhe o peso pela média semanal. O peso vai oscilar para cima nos primeiros dias por glicogênio e água, o que assusta quem tem medo de engordar de novo, mas não é gordura. Siga subindo até chegar numa faixa de manutenção real, provavelmente algo entre 2000 e 2200 kcal no seu caso, e fique ali por dois a três meses antes de pensar em qualquer déficit novo. Com três meses de treino e o percentual de gordura que você descreve, esse período tende a ser de recomposição, com você ganhando massa magra e perdendo gordura ao mesmo tempo, o que é justamente o que vai mudar a aparência. Mantenha a proteína entre 110 e 130 g por dia, que é onde você já está, e não a reduza durante essa subida. O treino também precisa de ajuste, e na direção contrária do que parece. Seis sessões por semana com trinta séries por dia, quase tudo em três por quinze mais exaustão, é volume alto demais para alguém comendo 1482 kcal. Volume sem recuperação não constrói, só consome. Eu reduziria para quatro a cinco sessões, com quinze a vinte séries por sessão, e mudaria a faixa principal de repetições para 6 a 12 com carga que realmente desafie, mantendo 12 a 15 apenas em exercícios de isolamento. Séries de quinze com peso leve em tudo têm o mesmo problema que a dieta: muito esforço, pouco estímulo de força. E anote carga e repetições, porque progressão registrada é o que diferencia um treino que evolui de um treino que só cansa. Sobre estrias e flacidez abdominal depois da gestação e de perder 24 kg, vou ser direto porque você merece franqueza. Estrias já formadas não desaparecem, elas clareiam e ficam menos aparentes com o tempo, e existem tratamentos dermatológicos que melhoram textura e cor, com resultado parcial. A flacidez de pele melhora com tempo, com ganho de massa magra por baixo e com estabilidade de peso, e em alguns casos permanece um excesso de pele que só cirurgia resolve. Nada disso impede o objetivo que você descreveu, que é ter um corpo com o qual você se sinta bem. Só não vale usar isso como régua para medir progresso, porque o que muda mais nos próximos meses é densidade muscular, postura, força e disposição. Uma última coisa importante: você disse que não tem exames. Depois de uma perda de peso grande e rápida com alimentação muito restrita, vale fazer hemograma, ferritina, ferro, vitamina B12, vitamina D, TSH, T4 livre, glicemia e perfil lipídico. Deficiência de ferro e alteração de tireoide são comuns nesse cenário e explicam boa parte do cansaço e da dificuldade de evoluir. E se o ciclo menstrual estiver irregular ou ausente, isso é um sinal importante de disponibilidade energética baixa e precisa de avaliação médica, não de mais corte. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Começar o uso de Oxa / Creatina / Whey / BCAA
Respondendo item por item, @priscillaassis. Oxandrolona, não. E o motivo não é moral, é de custo e benefício. Você está começando agora, e os primeiros um a dois anos de treino são justamente o período em que o corpo responde melhor, com o maior ganho de massa magra que você terá em toda a vida de treino. Usar um anabolizante nessa fase é gastar uma carta que você nem precisa, assumindo um risco que em mulher tem parte irreversível: engrossamento de voz e aumento de clitóris não voltam quando se interrompe. Oxandrolona faz sentido para quem já explorou anos de treino e dieta e chegou perto do próprio teto, não para quem ainda não entrou na academia. Creatina, sim, e é o suplemento com melhor evidência que existe. De 3 a 5 g por dia, todos os dias, incluindo dias sem treino, em qualquer horário. Não precisa de fase de saturação nem de ciclos de pausa. Ela ajuda em força, volume de treino e ganho de massa magra, e é segura para uso contínuo em pessoas com função renal normal. Nas primeiras semanas o peso pode subir de 1 a 2 kg por retenção de água dentro do músculo, o que é efeito esperado e não é gordura. Whey, opcional. Ele é só uma forma prática e cara de proteína. Se você consegue comer ovo, frango, carne, peixe, iogurte e leite o suficiente no dia, não precisa. Se a rotina aperta e alguma refeição fica sem proteína, aí ele resolve bem. BCAA, não. Esse é o caso mais claro de suplemento desnecessário para quem come proteína suficiente. Os aminoácidos de cadeia ramificada já vêm em qualquer proteína completa, e os estudos que testaram BCAA isolado em pessoas com ingestão proteica adequada não mostram ganho adicional de massa nem de recuperação. É dinheiro melhor gasto em comida. Sobre a dieta, como o objetivo é ganhar massa e não emagrecer, você precisa de superávit leve. Comece estimando a manutenção, coma cerca de 200 a 300 kcal acima dela e acompanhe o peso semanalmente. Proteína entre 1,6 e 2 g por quilo, ou seja, algo entre 110 e 130 g por dia no seu peso, distribuída em três a quatro refeições. Gordura em torno de 60 a 70 g e o resto em carboidrato. Não precisa ser complicado, precisa ser constante. E o ponto mais importante de todos: bicicleta 40 minutos por dia não constrói glúteo nem perna. O que dá forma a essas regiões é treino de força com carga progressiva. Comece com três sessões semanais de corpo inteiro, com agachamento ou leg press, levantamento terra ou stiff, elevação pélvica, puxada, remada, desenvolvimento e um trabalho de abdômen. Duas a três séries por exercício, de 8 a 12 repetições, anotando carga e repetições para conseguir aumentar toda semana. Mantenha a bicicleta, que é ótima para saúde cardiovascular, só não espere que ela faça o serviço do peso. Se fizer isso por seis meses com constância, você vai estar num ponto em que talvez nem queira mais discutir oxandrolona, porque o resultado do treino inicial costuma surpreender. E se ainda quiser, vai ser uma decisão bem mais informada, com base e com exames. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Aumento de massa magra
@Nay parabéns pelos 7,5 kg, e pelo jeito como foram perdidos, com treino mantido e dieta estruturada. Mas tem uma contradição no seu plano que precisa ser resolvida antes de qualquer ajuste fino: você quer aumentar massa magra e está há quatro meses em déficit calórico. Essas duas coisas brigam. Fazendo a conta da sua dieta, a proteína está boa, por volta de 120 a 130 g, o que dá mais de 2 g por quilo, só que o total calórico está claramente em faixa de emagrecimento. Para construir músculo com dez anos de treino, você precisa de superávit leve, algo como 200 a 300 kcal acima da manutenção, porque quem não é iniciante praticamente não ganha massa em déficit. Na prática, sugiro fechar o ciclo de emagrecimento e entrar numa fase de ganho por pelo menos quatro a seis meses. Sobe as calorias devagar, principalmente com carboidrato em torno do treino, mantém a proteína onde está e aceita que o peso vai subir um pouco. Se a balança travar com você comendo a mesma coisa, é sinal de que a manutenção subiu e você pode acrescentar mais um pouco. O treino é onde eu faria a maior mudança. Hoje são quatro sessões para membros inferiores e abdômen e apenas uma para todo o tronco, com quatro exercícios. Costas, ombro, peito e braço recebem uma fração do estímulo que a perna recebe, e isso a longo prazo cria desproporção e limita justamente a impressão de massa magra que você busca. Eu redistribuiria para duas sessões de superiores por semana, cada uma com puxada vertical, remada, um empurrão horizontal, desenvolvimento e trabalho direto de bíceps e tríceps, mantendo duas sessões de inferiores bem feitas em vez de três. Abdômen não precisa de um dia próprio, encaixa no fim de outras sessões. Sobre o Hashimoto, uma observação prática que faz diferença real: a levotiroxina precisa ser tomada em jejum, de 30 a 60 minutos antes da primeira refeição, e cálcio, ferro e café reduzem bastante a absorção. Você toma queijo no café da manhã às 6h50 e iogurte à noite, então vale conferir o intervalo entre o Levoid e esses alimentos, idealmente quatro horas de distância do cálcio. Absorção irregular significa TSH oscilando, e TSH oscilando bagunça energia no treino, composição corporal e recuperação. Vale também manter TSH, T4 livre e anticorpos em acompanhamento regular, sobretudo se você mudar muito o peso, porque a dose pode precisar de ajuste. Duas coisas sobre o que você usa. A primeira é a oxandrolona: 40 mg por dia é dose masculina. Para mulher, a faixa usual é 5 a 10 mg, e nessa dose de 40 mg o risco de virilização é alto, com voz, clitóris e traços que não regridem. Se você repetir em algum momento, repita numa fração disso e com exames antes e depois. A segunda é o Yomax, que é um medicamento à base de cloridrato de ioimbina, não um suplemento. Ioimbina bloqueia receptores alfa-2 adrenérgicos e por isso aumenta liberação de noradrenalina, com efeitos previsíveis de taquicardia, aumento de pressão, ansiedade e insônia. Somada a cafeína e a um quadro de tireoide em ajuste, essa combinação incomoda mais do que ajuda em muita gente. Se você sentir palpitação, tremor ou sono ruim, esse é o primeiro item da lista a sair. O restante da suplementação está coerente: creatina em 3 a 5 g por dia, todo dia, é o que tem melhor evidência para força e massa magra, e ômega 3 e whey resolvem bem o que precisam resolver. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Avaliação de Treinamento
@TechnoViking os números que você passou já dizem bastante, então vou por eles. Com 63 kg e 2500 kcal, 130 g de proteína dão pouco mais de 2 g por quilo, o que é adequado e não precisa subir. Gordura em 65 g está no limite de baixo aceitável, cerca de 1 g por quilo, e eu não deixaria cair disso, porque gordura dietética sustenta produção hormonal e absorção de vitaminas lipossolúveis. O carboidrato em 300 g ou mais está bom para quem treina cinco vezes na semana. A pergunta que falta responder é se 2500 kcal é superávit de verdade para você. Se o peso não subiu nas últimas quatro semanas, não é, e nesse caso a solução é simples: acrescente 200 kcal, espere duas semanas, reavalie. Quem tem estrutura leve costuma subestimar bastante o próprio gasto. Sobre a divisão, push, pull, legs somado a upper e lower em cinco sessões é uma estrutura boa e já resolve bem a frequência: cada grupo acaba sendo treinado duas vezes por semana, que é o que a literatura mostra funcionar melhor que uma vez só com o mesmo volume total. Os dois pontos em que esse modelo costuma falhar são volume mal distribuído e falta de progressão. Como referência prática, mire de 10 a 20 séries semanais por grupo muscular grande, somando o que aparece nos dois dias em que ele é treinado, e trate séries de peito em supino como também trabalho indireto de tríceps e ombro. Se o total passar muito de 20 séries semanais por grupo, o problema deixa de ser estímulo e passa a ser recuperação. A parte que decide, e que é independente da planilha: registro de carga. Anote peso e repetições de cada série e tenha uma regra de progressão explícita, do tipo, quando eu conseguir o topo da faixa de repetições em todas as séries, subo a carga na próxima sessão. Dois anos de treino sem esse registro costumam significar um ano de progresso e um ano parado. Se o seu treino atual não tem essa regra, essa é a mudança de maior impacto que você pode fazer hoje, mais do que trocar exercícios. Duas observações específicas do seu caso. A primeira é o horário: treinando às 18 h, o pré-treino mais importante é a refeição que vem uma a duas horas antes, com carboidrato e proteína. Segunda, sobre a cirurgia de joelho, vale ajustar amplitude e seleção de exercícios conforme a resposta articular, priorizando agachamento com amplitude confortável, leg press com pés bem posicionados e bastante trabalho de posterior de coxa e glúteo, que costuma proteger o joelho. Sobre a desvenlafaxina, sem mexer no que já está prescrito: alguns inibidores de recaptação de serotonina e noradrenalina alteram apetite, sudorese, frequência cardíaca e sono, e todos esses pontos afetam treino e ganho de peso. Se você sentir dificuldade grande para comer o suficiente, alteração de sono ou fadiga fora do padrão, vale registrar e levar ao psiquiatra que acompanha, porque existe ajuste possível sem prejuízo do tratamento. Não altere dose nem interrompa nada por conta própria. Se quiser um ponto de partida estruturado para comparar com o que você faz hoje, o simulador de treino do site gera um rascunho de rotina: https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/treino/ A saída é simulada e serve para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Tentando outra vez! Masteron + Propionato
@sTasIak antes de avaliar o protocolo, vale olhar o diagnóstico, porque ele está incompleto. Você conclui que o ciclo de boldenona com enantato rendeu só retenção, mas subir de peso até 82 kg com 16 por cento de gordura e voltar sentindo-se igual não é sinal de composto fraco. É sinal de superávit calórico grande demais e provavelmente de estradiol alto sem controle. Boldenona aumenta apetite de forma marcante e enantato aromatiza, então quem come no automático nesse esquema ganha peso rápido e uma boa fatia disso é água e gordura. O composto seguinte não conserta isso. Só a condução da dieta conserta. Sobre a fase 1, propionato de testosterona a 100 mg em dias alternados dá algo em torno de 350 mg semanais, e o mesmo para o masteron. A dose está coerente e a frequência em dias alternados é correta para propionato, que tem meia-vida curta, de aproximadamente 2 dias. Duas ressalvas. A primeira é que masteron entrega muito pouco a 15 por cento de gordura. Ele é derivado de DHT, não aromatiza, tem afinidade alta pelo receptor androgênico e dá aquele aspecto de dureza e vascularização, mas esse efeito só aparece de verdade abaixo de 10 a 12 por cento. Antes disso você está pagando por um composto cujo principal benefício visual você não vai enxergar. A segunda é que masteron tem ação antiestrogênica parcial, o que somado a um ciclo de propionato pode derrubar demais o estradiol em algumas pessoas, com libido caindo, articulação dolorida e desânimo. Se aparecerem esses sinais, o culpado costuma ser estradiol baixo, não falta de dose. A fase 2 é onde eu mudaria de verdade. Emendar oito semanas de trembolona logo depois de oito semanas de outro ciclo significa dezesseis semanas contínuas de supressão, sem recuperação nenhuma no meio, e com o composto mais pesado deixado para o final. Trembolona não é um passo natural depois de boldenona: ela tem atividade progestagênica, pode subir prolactina, é famosa por insônia, sudorese noturna intensa, queda de condicionamento cardiovascular, irritabilidade e impacto forte em perfil lipídico. Como ela não aromatiza, se a testosterona ficar em 350 mg com trembolona em 300 mg, muita gente termina com estradiol baixo e sintomas que parecem depressão. Para quem nunca usou, colocar trembolona no final de um encadeamento longo é justamente o pior momento, porque você chega nela já suprimido, já cansado e sem base de comparação. O desenho que eu faria no seu lugar, com o mesmo material e o mesmo prazo, é um só ciclo, não dois. Doze semanas com propionato de testosterona em torno de 300 a 400 mg semanais, mantendo masteron a partir do momento em que você estiver abaixo de 12 por cento, em déficit de 400 a 500 kcal, proteína em 2 a 2,2 g por quilo, treino de força mantido pesado e cardio como ferramenta de ajuste fino, não como protagonista. Sair de 15 para 10 por cento em doze semanas é totalmente factível assim, e você chega no objetivo com um composto a menos, um risco a menos e uma recuperação bem mais simples. Depois disso, TPC, três a quatro meses limpo, exames e só então pensar na próxima fase de ganho. Sobre acompanhamento, já que você fez exames e está saudável: repita na semana 6, com testosterona total e livre, estradiol sensível, prolactina, hemograma com hematócrito, perfil lipídico completo, glicemia, TGO, TGP, gama GT, ureia e creatinina, e afira pressão em casa duas vezes por semana. Propionato costuma ser o éster que mais incomoda na aplicação, então divida o volume entre glúteo e vasto lateral e faça rodízio, porque aplicação em dias alternados durante oito a doze semanas castiga o mesmo ponto. Uma última observação sobre o que você chamou de resultado medíocre. Cinco anos de treino entre idas e vindas, na sua própria descrição, é o dado mais importante do post. Ciclo não substitui continuidade. Se a carga do treino não está subindo de forma registrada e a dieta não está medida, qualquer protocolo vai entregar menos do que você espera e você vai terminar culpando o composto de novo. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Usar lipostabil
Sobre onde comprar não vou te ajudar, @Lecco, e não é por moralismo. É que a informação que o Visitante Keto trouxe está correta: no Brasil o produto não tem registro. A Anvisa publicou a Resolução 30, de janeiro de 2003, proibindo importação e manipulação de fosfatidilcolina injetável para fins estéticos, e o motivo declarado foi ausência de estudo clínico que garantisse eficácia e segurança na aplicação subcutânea. Ou seja, tudo que circula por aqui com esse nome vem de mercado paralelo, sem controle de origem, de esterilidade e de concentração. Agora a parte útil, que é entender o que esse tipo de injetável faz e o que ele não faz. A fórmula clássica combina fosfatidilcolina com desoxicolato de sódio, e boa parte do efeito vem do desoxicolato, que é um detergente biológico. Ele rompe a membrana das células de gordura e provoca necrose adipocitária local, seguida de inflamação e remoção do material pelo organismo. Isso explica os dois lados: sim, existe mecanismo real e ele reduz gordura localizada em pequenas áreas; e sim, o processo é agressivo, porque um detergente não distingue adipócito de nervo, vaso ou pele. Os efeitos descritos incluem dor intensa, edema importante por semanas, nódulos, necrose de pele, úlcera, lesão de nervo e alteração permanente de contorno quando a aplicação é irregular. Vale registrar também que o princípio não foi abandonado pela medicina. O ácido desoxicólico isolado foi desenvolvido, testado em ensaios clínicos e aprovado nos Estados Unidos para gordura submentoniana, a papada, em uso restrito, com técnica padronizada e limite de volume por sessão. A diferença entre aquilo e uma ampola comprada por fora não é a molécula, é ter dose definida, indicação estreita, aplicador treinado e produto estéril. E tem o ponto que decide na prática: esse recurso nunca foi feito para perda de peso, e sim para pequenas áreas de gordura localizada resistente em quem já está magro. Se o objetivo é reduzir medida de forma geral, ele não entrega e o risco não se justifica. Se o objetivo é uma área pontual, o caminho com evidência e responsabilidade é avaliação com dermatologista ou cirurgião plástico, que vai comparar as opções disponíveis e registradas, incluindo procedimentos que fazem exatamente isso sem os mesmos riscos. Concordo com o @Foston no fundo do argumento, ainda que eu formularia diferente: não é que só a dieta funcione, é que sem base de dieta e treino qualquer procedimento local vira gasto sem resultado duradouro. Gordura localizada só faz sentido tratar depois que o percentual geral já está baixo e estável. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Pharmacom Labs - Vale a pena?
Vale separar duas coisas que se misturam nessa discussão, @CaptainChaos: reputação de marca e autenticidade do frasco que chegou na sua mão. São problemas diferentes, e o segundo é o que realmente te afeta. Pharmacom é um dos nomes mais antigos e mais conhecidos do mercado underground internacional, com produção de escala e código de verificação no próprio site. Só que é justamente por ser conhecida que ela está entre as marcas mais copiadas. Vídeo de embalagem, gravação em comprimido, holograma e selo são a parte mais fácil de reproduzir, e código de verificação só prova que alguém imprimiu um código válido, não que o líquido dentro do frasco corresponde ao rótulo. Então o raciocínio do @Foston sobre origem obscura vale, e o do @Castello sobre laboratório registrado também vale, mas nenhum dos dois resolve a pergunta central, que é o que existe naquele vidro específico. O ponto que eu faria diferente do que costuma se dizer por aqui: registro sanitário em outro país dá conformidade de fabricação, não autenticidade de distribuição. Marcas registradas grandes são falsificadas em volume alto exatamente porque têm nome. Comprar algo rotulado como produto registrado por fora do circuito formal não é a mesma coisa que comprar em farmácia com nota e receita, e quem trata as duas situações como equivalentes se expõe achando que está seguro. Existem três formas reais de verificar, em ordem de custo. A primeira e mais barata é o sangue. Faça testosterona total antes de começar e repita entre 5 e 7 dias após uma aplicação, no mesmo horário e laboratório. Um enantato de 250 mg em dose semanal deve colocar sua testosterona bem acima da faixa de referência. Se vier dentro da faixa normal, o produto está subdosado ou não é o que diz ser, e isso é um dado objetivo, não impressão. A segunda é enviar amostra para análise laboratorial independente, que existe fora do Brasil e é usada por quem leva a sério, com custo de algumas dezenas de dólares por composto. A terceira é a mais óbvia e mais ignorada: avaliar a experiência de aplicação. Óleo com partícula visível, cor alterada, cheiro forte, dor desproporcional, vermelhidão que não passa em 48 horas ou febre depois da aplicação são sinais de contaminação ou de solvente em excesso, e qualquer um deles é motivo para descartar o frasco e procurar avaliação médica se houver sinal infeccioso. Sobre o custo benefício que você perguntou, a resposta prática é essa: o preço só faz sentido dividido pelo miligrama comprovado. Um frasco caro e correto é mais barato que um frasco barato com metade da dose, e muito mais barato que um abscesso. E se existir a possibilidade de receita e produto de farmácia registrada no seu caso, isso resolve todas as camadas do problema de uma vez, incluindo a rastreabilidade de lote. Uma última coisa, que costuma ser esquecida em tópico de marca: o acompanhamento importa mais que o rótulo. Exames antes, na metade e depois do ciclo, com testosterona total e livre, estradiol sensível, hemograma com hematócrito, perfil lipídico, glicemia, enzimas hepáticas, creatinina e pressão arterial em casa, te dizem se o que você está usando está funcionando e se o preço fisiológico está aceitável. Sem isso, a discussão sobre qual laboratório é melhor vira fé. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Não pira!
Texto certeiro, @Edubsb. Eu só acrescentaria números ao seu argumento, porque parte da ansiedade que você descreve nasce de expectativa mal calibrada, e número resolve isso melhor que discurso. Ganho de massa magra em homem treinando sério e comendo direito fica em torno de 8 a 12 kg no primeiro ano, metade disso no segundo, e depois cai para algo entre 1 e 3 kg por ano. Em mulher, aproximadamente metade desses valores. Perda de gordura sustentável fica entre 0,5 e 1 por cento do peso corporal por semana, e acima disso cresce a chance de perder massa magra junto. Ou seja, uma transformação real tem cronograma de anos, não de meses. Quando a pessoa entende que três meses correspondem a talvez 3 kg de músculo no melhor cenário possível, ela para de achar que está fazendo algo errado e para de procurar atalho. O que eu ajustaria no raciocínio é a leitura de que basta querer. Querer sustenta a frequência, mas não corrige direção. Tem muita gente com dedicação enorme parada há dois anos porque treina sempre com a mesma carga, não registra nada e come no olho. Paciência sem método vira teimosia, e o sujeito acumula tempo sem acumular progresso. O antídoto para a ansiedade não é só esperar, é ter medida: carga anotada em todo treino, peso na mesma condição toda semana analisado por tendência, cintura com fita a cada quinze dias e foto mensal. Com isso você enxerga progresso de 2 por cento que o espelho não mostra, e é justamente esse retorno que segura a pessoa no processo. E vale separar uma coisa que costuma vir misturada nessa discussão. Coadjuvante externo não é o problema em si. O problema é usar coadjuvante para não fazer o trabalho de base. Creatina funciona e tem evidência sólida, cafeína funciona, whey resolve praticidade de proteína. Nenhum deles compensa dormir cinco horas, comer no achismo e treinar sem progressão. A ordem é que importa: o suplemento entra depois que a base está de pé, e melhora alguns por cento do que já existe. Quem inverte a ordem paga caro e ainda conclui que não funciona nada. Sobre o consultório, eu diria que a resposta não é desconfiar de todo profissional, é mudar a pergunta. Em vez de chegar pedindo a dieta que resolve, chegar perguntando qual é o plano para os próximos doze meses, o que vai ser medido e quando o plano será revisado. Profissional bom responde isso com tranquilidade. Quem promete resultado rápido e definitivo está vendendo, não tratando.
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INÍCIO DE UM RESULTADO POSITIVO.
@Samueldomiciano tem uma informação no seu post que pesa mais que todo o resto e passou despercebida na conversa sobre laboratório: testosterona total em 819 aos 23 anos. Isso é produção de eixo funcionando muito bem, na faixa alta. E aí vem a parte que interessa: quem tem 819 natural e quatro anos de treino sem dedicação firme, por reconhecimento seu mesmo, não está limitado por hormônio. Está limitado por consistência. O ganho que você ainda tem disponível de forma natural é grande, e ele some no momento em que você liga o exógeno, porque depois de suprimir o eixo você nunca mais vai saber quanto daquilo era seu. Com 78 kg em 1,74, braço de 41 cm e percentual de gordura que você mesmo descreve como alto, o caminho que rende mais nos próximos seis a doze meses é bem claro. Primeiro define onde você está de verdade: cintura na altura do umbigo, foto em pé relaxado e de frente, peso na mesma condição toda semana. Segundo, com bodyfat aparentemente alto, começar por ganho de volume costuma ser um erro, porque você adiciona gordura em cima de gordura e piora sensibilidade à insulina e partição. Faria mais sentido um corte de doze a dezesseis semanas, com déficit de 400 a 500 kcal e proteína em torno de 2 g por quilo, mantendo carga no treino. Você vai chegar mais leve, mais definido, e a partir dali o ganho de massa vem com muito menos gordura junto. É o mesmo raciocínio de sempre: bodyfat baixo é multiplicador de tudo o que vem depois, inclusive de ciclo, se um dia for o caso. Sobre o protocolo que você comprou, e falando de redução de risco já que o produto está na sua mão: enantato, boldenona e oxandrolona juntos não é um primeiro ciclo, é um terceiro. Três compostos ao mesmo tempo impedem que você saiba qual causou o quê, seja ganho, seja colateral. Se fosse para usar, o desenho mais sensato seria testosterona sozinha, algo entre 250 e 400 mg por semana, por 12 semanas, com nada mais junto. Boldenona tem éster undecilenato com meia-vida longa, de cerca de 14 dias, o que obriga ciclos de 16 semanas ou mais para valer a pena, e ela tem fama merecida de subir hematócrito e hemoglobina de forma significativa, além de aumentar apetite e mexer no humor de gente ansiosa. Oxandrolona é 17-alfa-alquilada, derruba HDL com força e, empilhada com os outros dois, só soma toxicidade sem acrescentar muito. O que acompanhar, se seguir adiante: exames antes, na semana 6 e trinta dias depois do fim, com testosterona total e livre, estradiol sensível, LH, FSH, hemograma completo com hematócrito, perfil lipídico, glicemia, TGO, TGP, gama GT, ureia, creatinina e PSA, mais pressão arterial medida em casa duas vezes por semana. Hematócrito acima de 54 por cento é sinal de parar e avaliar. Estradiol só se trata com inibidor de aromatase se estiver alto com sintoma, e nunca preventivamente por reflexo. E TPC planejada antes de começar, não depois, com tamoxifeno começando após a queda do éster, cerca de duas semanas depois da última aplicação de enantato. Sobre a discussão de marca, o ponto do @Foston é válido no princípio: produto de origem obscura pode vir subdosado, superdosado ou contaminado, e isso é risco de infecção e de abscesso, não só de resultado. Só complementando, mesmo laboratório com fachada e CNPJ não garante qualidade real de lote sem laudo analítico. O que dá segurança de verdade é receita e produto de farmácia registrada, e em segundo lugar teste de composto em laboratório independente, que existe e é acessível hoje. Para montar dieta e treino em cima de números, e não de achismo, o simulador de dieta do site serve como rascunho inicial: https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ A saída é simulada e precisa do seu ajuste, não é prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Minha evolução natural de 5 meses.
Evolução muito boa para cinco meses, @Gonçalo, e natural. A diferença mais evidente está em peitoral, ombros e trapézio, que saíram de uma estrutura magra para uma silhueta claramente mais densa, com braço acompanhando bem. Cintura não explodiu junto, o que mostra que o superávit esteve controlado e não virou bulk sujo. O método que você usou explica o resultado e merece registro, porque é justamente o que a maioria não faz: subir 150 a 200 kcal por semana só quando o peso estagna é a forma mais racional de conduzir ganho. Você deixa o corpo mostrar quando precisa de mais comida em vez de chutar um número alto no primeiro dia, e com isso mantém a proporção entre massa magra e gordura bem melhor. Vale continuar com esse critério. Duas observações para a próxima fase. A primeira é que o tronco cresceu mais rápido que a perna. Na foto de corpo inteiro dá para ver que quadríceps e panturrilha não acompanharam o ritmo da parte superior, e esse desequilíbrio tende a se acentuar se o treino de perna continuar com o mesmo volume. Se der, sobe para duas sessões semanais de perna e garante agachamento ou leg press pesado mais trabalho direto de posterior, com stiff ou mesa flexora, além de panturrilha em pelo menos duas sessões. Perna responde bem, só costuma ser a parte que o pessoal treina cansado no fim da semana. A segunda é sobre até onde levar o superávit. Você percebeu que o percentual de gordura subiu, e é normal, mas existe um ponto de retorno decrescente. Quando a cintura começa a subir mais rápido que a carga no treino, ou quando você perde a visualização do abdômen em pé relaxado, costuma valer mais fazer uma correção de seis a oito semanas em déficit leve e retomar o ganho depois. Ganhar em percentual de gordura mais baixo é simplesmente mais eficiente, a partição de nutrientes melhora e você não acumula uma dívida de cutting longo lá na frente. E como você ainda está no primeiro ano de treino, esse é o período em que o ganho natural é mais rápido. Aproveita ao máximo: registro de carga em todo treino, progressão semanal, proteína consistente e sono. O que você construir agora é o que vai definir a base para todo o resto.
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Opiniões de primeiro ciclo de acordo com meu corpo
Pelas fotos, @Lenacalixto, você já tem uma base muscular real, principalmente em pernas, glúteos e ombros, e a cintura acompanha bem essa estrutura. Isso muda bastante a conversa sobre ciclo, porque quem chega nesse ponto normalmente não está limitada por falta de anabolismo, e sim por percentual de gordura e por consistência de dieta. Concordo com o @Foston nesse ponto: reduzindo gordura, o shape que você já construiu aparece muito mais, e é uma mudança visual maior do que a que um primeiro ciclo entregaria hoje. Dito isso, sobre o ciclo em si, já que a pergunta foi essa. Protocolo feminino não é versão reduzida de protocolo masculino, é outra lógica. O limitante não é o quanto você ganha, é o quanto o composto viriliza, porque parte dos efeitos androgênicos na mulher não volta atrás. Voz engrossada, aumento de clitóris e alteração de traços faciais são permanentes. Acne, oleosidade, queda de cabelo e irregularidade menstrual costumam regredir. Por isso a regra prática é usar um único composto, na menor dose útil, por período curto, e monitorar sinais toda semana. Os compostos com melhor relação entre resultado e risco de virilização para uma primeira experiência são oxandrolona, na faixa de 5 a 10 mg por dia por 6 a 8 semanas, e primobolan, na faixa de 50 a 100 mg por semana, também por período curto. O que eu evitaria completamente numa primeira vez: testosterona em qualquer éster, estanozolol, trembolona, masteron e boldenona. Os três últimos são responsáveis pela maior parte dos relatos de virilização irreversível no meio feminino, e estanozolol ainda soma impacto articular e lipídico importante. Antes de começar, o pacote mínimo de exames: testosterona total e livre, SHBG, estradiol, LH, FSH, prolactina, TSH e T4 livre, hemograma, perfil lipídico completo, glicemia e insulina de jejum, TGO, TGP, gama GT, ureia e creatinina, mais pressão arterial aferida em dias diferentes. Repetir lipidograma e enzimas hepáticas no meio do ciclo. Se você usa anticoncepcional, vale considerar isso na leitura dos hormônios, porque ele altera SHBG e mascara alteração de ciclo menstrual, que é justamente um dos sinais precoces de virilização. Para eu ou qualquer pessoa aqui dar uma opinião de verdade sobre dose e composto, faltam dados que só você tem: idade, peso e altura, há quanto tempo treina, como está a dieta em calorias e proteína, se já usou alguma coisa antes, se pretende competir e em qual categoria, e se tem alguma condição de saúde ou medicação em uso. Categoria muda muito a conduta, porque wellness, biquíni e figure pedem shapes diferentes e cronogramas diferentes. Uma última coisa, que vale mais que o composto escolhido. Se a dieta ainda não está fechada e medida, o ciclo vai render pouco e você vai atribuir ao produto um resultado que era da alimentação. Com a estrutura que você já tem, três a quatro meses de déficit bem conduzido, proteína entre 1,8 e 2,2 g por quilo e treino mantido pesado provavelmente entregam a mudança que você está procurando, sem risco nenhum de irreversibilidade. O ciclo continua disponível depois, e vai render mais em cima de um percentual de gordura menor. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Sobre Potenay oral
Sem sermão, @Vinni, vamos ao que você perguntou. O efeito estimulante do Potenay não vem da B12 nem dos glicerofosfatos. Vem do sulfato de mefentermina, que é uma amina simpaticomimética de ação mista: ela libera noradrenalina dos terminais nervosos e também age direto em receptores adrenérgicos. Daí a sensação de disposição, o aumento de frequência cardíaca e a elevação de pressão. Na formulação Gold são cerca de 66,7 mg de mefentermina por 100 ml, tanto na linha oral quanto no conceito geral do produto, então a molécula responsável é a mesma nas duas vias. Onde as vias diferem é na farmacocinética, e a diferença é grande. A mefentermina injetada cai direto na circulação e dá pico rápido e alto, com efeito percebido em minutos. Por via oral ela passa pelo intestino e pelo fígado antes de chegar ao sangue, com metabolismo de primeira passagem, o que reduz a fração que efetivamente atua e espalha o efeito ao longo de mais tempo. Na prática, mesma dose por via oral rende sensação mais fraca, mais lenta e mais arrastada, e é por isso que quem compara as duas costuma dizer que o oral não é a mesma coisa. Para chegar num efeito parecido pela boca a pessoa precisa de bem mais volume, e é aí que a conta fica ruim, porque junto vem tudo o mais que está na fórmula em dose alta, incluindo 480 mg de cianocobalamina por 100 ml, que é uma quantidade absurda em escala humana. Dois pontos práticos que valem mais que opinião de quem usou. O primeiro é que mefentermina foi usada em medicina humana como vasopressora e saiu de uso, e ela consta na lista de substâncias proibidas da WADA como estimulante, o que significa exame antidoping positivo se você compete em qualquer federação filiada. O segundo é o perfil de risco: por ser simpaticomimética, ela sobe pressão arterial e pode gerar taquicardia, arritmia, ansiedade, insônia e tremor, e isso escala rápido quando se combina com cafeína, termogênico, pré-treino ou qualquer outro estimulante. Se você tem hipertensão, arritmia ou histórico cardíaco na família, é justamente o tipo de coisa em que a dose que parece nada em um dia vira problema em outro. E tem o fator dose, que no produto veterinário é desenhado por quilo de animal, sem nenhum estudo de farmacocinética em humano, sem controle de excipiente para uso humano e sem margem de segurança definida para essa finalidade. Você não tem como calibrar direito, e a diferença entre disposição e taquicardia é bem mais estreita do que parece. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Se pesar após cárdio em jejum
Afetaria pouco, @Joaop. Uma caminhada leve de 30 minutos custa algo entre 200 e 400 ml de suor num dia comum, o que aparece como 0,2 a 0,4 kg na balança. É menos do que a variação normal de um dia para o outro por conteúdo intestinal, sódio, carboidrato e ciclo de sono, que facilmente passa de 1 kg. E aqui está o ponto que resolve sua dúvida de vez: o que importa não é o peso mais fiel, é o peso mais comparável. Uma condição levemente desidratada, repetida exatamente igual toda semana, é mais útil que uma condição perfeita medida de qualquer jeito. Então sim, pode pesar depois da caminhada, desde que seja sempre no mesmo dia, no mesmo horário, na mesma balança, com a mesma caminhada antes e a mesma ingestão de água. O viés constante some na comparação entre semanas. Duas coisas aumentam muito a qualidade do dado. A primeira é usar média em vez de ponto: se conseguir pesar mais vezes na semana, trabalhe com a média dos últimos sete dias, porque o ruído de 1 kg de um dia isolado pode esconder um progresso real de 300 g. Se só der para pesar no sábado, então analise a tendência de três a quatro semanas e ignore a variação entre duas medidas seguidas. A segunda é o que você já faz, que é a fita métrica. Cintura em jejum, braço, coxa e peitoral, sempre nos mesmos pontos, contam uma história que a balança não conta, principalmente em quem está ganhando massa e perdendo gordura ao mesmo tempo. Sobre bioimpedância de farmácia, cuidado com o peso que você dá a ela. Ela estima água corporal e infere o resto por equação, então hidratação, refeição recente, exercício e até temperatura mudam o resultado. Fazer depois de um cárdio em jejum é justamente a pior condição possível para esse aparelho. Se for usar, use com o mesmo protocolo fixo e olhe a tendência, nunca o número absoluto. Ser metódico como você está sendo é o que faz diferença no médio prazo. Só direcione o método para a consistência da medida, não para a precisão de uma medição isolada.
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Testo muda o rosto ?
Sua observação está correta, @KalyJP, e o motivo é anatômico. Testosterona não alarga maxilar em adulto. O formato ósseo da face é definido na puberdade, quando os andrógenos agem sobre as cartilagens de crescimento e sobre o crescimento aposicional da mandíbula. Depois que as placas epifisárias fecham e o crescimento facial se completa, por volta dos 20 e poucos anos, subir testosterona não reabre esse processo. É a mesma razão pela qual ninguém fica mais alto ciclando aos 25. O que muda de fato no rosto de quem usa, e que às vezes é confundido com maxilar mais quadrado, é outra coisa. Primeiro, percentual de gordura: perder gordura facial revela linha de mandíbula que já existia, e esse é de longe o efeito mais comum. Segundo, retenção hídrica, que faz o caminho inverso e é o motivo daquele rosto inchado e arredondado em quem está com estradiol alto usando testosterona em dose alta ou compostos que aromatizam muito. Terceiro, pele mais espessa e oleosa, com acne, poros mais marcados e barba mais densa, que são efeitos androgênicos reais e mudam a aparência sem mexer no osso. Quarto, e às vezes esquecido, hipertrofia do masseter em quem mastiga muito, seja por volume de comida, seja por chiclete, seja por bruxismo. Agora, existe sim um caso em que o rosto de adulto muda na estrutura, e não é testosterona: é hormônio de crescimento em dose alta e uso prolongado. GH e IGF-1 conseguem estimular crescimento ósseo aposicional mesmo depois do fechamento das placas, além de aumentar tecido mole. Daí vêm os traços acromegálicos que ficaram conhecidos no fisiculturismo de alto nível: aumento de arcada e de queixo, nariz mais largo, dentes mais separados, mãos e pés maiores. Isso é irreversível na parte óssea, diferente da retenção, que sai quando o protocolo é ajustado. Quem vê fotos de antes e depois de atletas ao longo de dez ou quinze anos e nota o rosto mudando de proporção está vendo o efeito do GH, não o da testosterona. Então, resumindo o que você perguntou: testo mexe na pele, na barba, na oleosidade e, indiretamente, no contorno por retenção e por gordura. Não mexe no osso do adulto. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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PH ou SARMs
Respondendo direto a segunda pergunta, @KalyJP, porque ela é técnica e tem resposta exata: o pré-hormonal que converte em testosterona é a linha do 4-androsteno, ou seja 4-DHEA e 4-androstenodiol. Eles seguem a via das enzimas 3-beta-HSD e 17-beta-HSD e viram testosterona mesmo. O que quase sempre é vendido no lugar é o 1-androsterona, o famoso 1-andro, e esse não vira testosterona, vira 1-testosterona, que é um derivado semelhante à di-hidrotestosterona, não aromatiza e tem perfil bem mais seco e mais androgênico. Por isso a pergunta importa: quem compra 1-andro achando que está tomando precursor de testosterona vai ter justamente os efeitos que você disse querer evitar, com libido caindo e humor variando, porque o estradiol despenca. E tem um detalhe que derruba o argumento econômico do pré-hormonal. A taxa de conversão dessas moléculas é baixa, boa parte é inativada na primeira passagem hepática, e por isso as doses usadas são altas. Somando o preço do frasco, o custo por miligrama de testosterona que efetivamente chega ao sangue é muito pior que o de qualquer éster injetável. @Batata... está certo nesse ponto, você paga mais caro por menos efeito e ainda por cima sem saber o que está dentro da cápsula. Sobre SARMs, vale corrigir a parte do câncer, porque ela circula errada. Não existe evidência de SARM causando câncer em humanos. O que existe é o contrário na origem: moléculas como o RAD140 foram desenvolvidas em pesquisa oncológica, e algumas foram testadas justamente em câncer de mama com receptor hormonal. Os problemas reais dos SARMs são outros, e são suficientes. Primeiro, supressão do eixo: ostarina em dose de 25 mg já reduz testosterona endógena de forma significativa, e ligandrol e RAD140 suprimem bastante. Ou seja, o SARM não te livra da TPC nem da queda de libido que você quer evitar. Segundo, hepatotoxicidade, com casos publicados de lesão hepática colestática, principalmente com RAD140 e LGD-4033. Terceiro, queda importante de HDL. Quarto, e talvez o pior na prática, a qualidade do que se vende: uma análise publicada no JAMA em 2017 comprou produtos rotulados como SARM e encontrou o composto declarado na dose declarada em pouco mais de 40 por cento das amostras, com outras substâncias não declaradas em várias delas. Colocando lado a lado, entre pré-hormonal e SARM, o SARM tem perfil de eficácia melhor documentado e o pré-hormonal metilado tem o pior custo hepático. Mas essa comparação parte de uma premissa que não se sustenta: nenhum dos dois é a versão leve do esteroide. Os dois suprimem, os dois pedem exames e acompanhamento, os dois podem vir adulterados. A única coisa que você realmente economiza com eles é a agulha. Sobre a agulha, aliás, ela é o menor dos seus problemas. Aplicação intramuscular no glúteo ou no vasto lateral é procedimento simples, e a técnica se aprende em uma tarde: seringa e agulha estéreis descartadas a cada uso, ampola e pele higienizadas com álcool 70, agulha de aspiração diferente da de aplicação, aplicação lenta e rodízio de lado. O que exige cuidado de verdade é a esterilidade e a origem do produto, não o ato de injetar. Se eu fosse te dar um conselho pragmático aos 26 anos, seria este: não é o método de entrada que está errado, é a ordem das coisas. Antes de escolher entre PH e SARM, tenha dois ou três anos de treino consistente com progressão registrada, dieta fechada com proteína adequada, sono organizado e exames basais na mão, incluindo testosterona total e livre, LH, FSH, estradiol, lipidograma, hemograma e enzimas hepáticas. Se você entra em qualquer coisa hormonal sem essa base, o ganho é pequeno, some rápido quando para e a conta fisiológica vem igual. E se decidir usar mesmo assim, use o que é conhecido, mensurável e reversível, com exames antes, durante e depois, em vez do que é barato e obscuro. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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TPC & Uma formula aí
Vamos por partes, @KalyJP. Tamoxifeno e clomifeno não são intercambiáveis como costumam dizer por aí. Os dois são SERMs e os dois bloqueiam o receptor de estrogênio no hipotálamo e na hipófise, o que libera LH e FSH e reacende a produção testicular. A diferença está no perfil. O clomifeno é uma mistura de dois isômeros, o enclomifeno e o zuclomifeno, e esse segundo tem meia-vida longa, de semanas, e é o principal responsável pelos efeitos visuais e de humor que muita gente relata: embaçamento, flashes de luz, irritabilidade, oscilação emocional. O tamoxifeno costuma ser mais bem tolerado nesse quesito, é mais barato e tem ação antiestrogênica direta na mama, o que ajuda quando há sensibilidade mamária junto. Na prática, tamoxifeno resolve a maioria das TPCs sozinho, em doses decrescentes ao longo de quatro a seis semanas, e o clomifeno costuma ser reservado para casos de recuperação mais difícil ou eixo mais castigado. Usar os dois juntos existe, mas raramente acrescenta o suficiente para justificar a soma de efeitos colaterais. Uma correção importante ao que foi dito no tópico sobre a dose: 1 ml de durateston por semana, que são 250 mg, não corresponde à produção endógena de um homem saudável. A produção natural fica em torno de 5 a 7 mg por dia, algo como 35 a 50 mg por semana. Ou seja, 250 mg semanais são aproximadamente cinco vezes a produção fisiológica, e é por isso que essa dose funciona como ciclo e não como reposição. Reposição de verdade gira em torno de 100 a 150 mg semanais e mesmo assim já suprime o eixo. O raciocínio de @Foston está certo no espírito, desligar o eixo para repor o que você já produz é péssimo negócio, só o número precisava de ajuste. Agora a fórmula. Ela não é um estimulante natural, é um protocolo farmacológico com ervas em volta. Clomifeno, letrozol e cabergolina são medicamentos, e são eles que respondem por praticamente todo o efeito hormonal da lista. Clomifeno isolado realmente sobe testosterona endógena, em geral algo entre 1,5 e 2 vezes o valor basal, o que pode levar alguém de 400 para a faixa de 700 a 900. Isso é bem diferente de 250 mg exógenos por semana, que colocam a pessoa muito acima de qualquer faixa fisiológica. Então a resposta direta à sua pergunta é não: nenhuma combinação oral chega perto de 1 ml de durateston semanal, porque o teto do eixo é o próprio testículo, e ele tem limite de produção. O letrozol nessa mistura é o ponto que mais me preocupa. Ele é um inibidor de aromatase potente e sobe testosterona justamente por derrubar estradiol, e estradiol baixo em homem custa caro: perda de libido, articulação seca, queda de densidade óssea, piora de perfil lipídico e desânimo. Usar letrozol sem exame de estradiol e sem motivo clínico é pedir para descobrir na pele o quanto o estrogênio importa para o homem. Cabergolina ali não tem função nenhuma se a prolactina estiver normal, e ela tem efeitos próprios, de náusea e hipotensão a alterações valvulares em uso prolongado com dose alta. Sobre a parte herbal, sendo honesto com o que a literatura mostra. Zinco, magnésio e vitamina D só sobem testosterona em quem está deficiente, e nesse caso sobem mesmo, o que faz valer a pena dosar 25-OH vitamina D e corrigir. Ácido D-aspártico teve resultado inicial promissor e depois foi testado em homens treinados, sem aumento e com sinal de queda em dose alta. Tribulus não sustenta aumento de testosterona em humanos, apesar do efeito sobre libido relatado. Feno grego e mucuna têm estudos pequenos e inconsistentes. Tongkat ali é o que tem o achado mais consistente do grupo, com elevações modestas principalmente em homens estressados ou com testosterona baixa. Nada disso é placebo puro, mas a magnitude é pequena e serve para otimizar, não para transformar. O que muda a sua testosterona de verdade, e que quase ninguém quer ouvir porque dá trabalho: percentual de gordura mais baixo, já que tecido adiposo aromatiza testosterona em estradiol; sono de sete a oito horas, porque a maior parte da liberação é noturna e uma semana dormindo cinco horas já derruba testosterona de forma mensurável; treino de força regular; álcool baixo; e correção de deficiências reais. Antes de qualquer fórmula, faça testosterona total e livre, SHBG, LH, FSH, estradiol sensível, prolactina, TSH, hemograma, glicemia, insulina e vitamina D, colhendo entre 7 e 10 da manhã. Se seus números vierem normais, nenhuma fórmula vai te dar ganho relevante. Se vierem baixos, o valor está em descobrir a causa, não em mascarar com uma mistura de doze ingredientes na qual você nunca vai saber o que fez efeito e o que fez mal. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Plato de crescimento no Blast and Cruise
@Levrone2000 tem um detalhe no seu protocolo que explica boa parte do que você está vendo, e ele passou batido na discussão. Do jeito que está montado, você não tem blast e cruise, tem uma dose média constante. Cruise de 200 mg de cipionato por semana já é dose de ciclo leve, e subir para 400 mg no blast é uma variação pequena demais para o corpo enxergar como novo estímulo. O ponto do blast and cruise é criar contraste: o cruise fica em dose de reposição, algo em torno de 100 a 150 mg semanais, só para manter função e bem-estar, e o blast sobe o suficiente para abrir uma janela anabólica real. Quando o piso é alto, o teto deixa de ser teto. Você fica permanentemente em dose intermediária, com supressão total o ano inteiro, aromatização contínua e, na prática, ganho nenhum além do primeiro semestre. O dianabol do jeito que está sendo usado agrava isso. Quarenta miligramas por três semanas, entrando e saindo, não dá tempo de construir tecido, mas dá tempo de sobra de subir estradiol, reter sódio e água e turvar o visual. Somado a 400 mg de testosterona sem nenhum controle de estradiol, o resultado típico é exatamente o que você descreveu: peso e medidas parados, aspecto embaçado, retenção aumentando. Antes de mexer em mais qualquer coisa, faça estradiol sensível, testosterona total, hematócrito, hemograma completo, perfil lipídico, glicemia e insulina de jejum, TGO, TGP, gama GT, creatinina e pressão aferida em dias diferentes. @Castello levantou a suspeita de ginecomastia e isso precisa ser checado com exame físico e, se houver nódulo doloroso atrás do mamilo, ultrassom de mamas. Gineco instalada não volta com ajuste de dose, então a hora de agir é no sinal inicial. Sobre a dieta, discordo em parte de quem disse que está ruim por falta de proteína. Somando, você está por volta de 250 g de proteína por dia, o que é suficiente. O problema é a origem das calorias: seis scoops de hipercalórico por dia são basicamente maltodextrina e açúcar, e é exatamente o tipo de caloria que sobe gordura sem sustentar saciedade nem entregar micronutriente. Você mesmo percebeu que falta cor no prato. Sem verdura, legume, fruta, fonte de ômega 3 e fibra, você acumula deficiências que aparecem como fadiga, recuperação ruim e digestão travada. A troca prática é direta: tire o hipercalórico e ponha comida de verdade nas mesmas calorias, com arroz, batata, tapioca, ovos inteiros no lugar de só clara, peixe duas vezes por semana, carne vermelha magra, azeite, castanha e duas ou três porções de vegetais por dia. Uma coisa importante sobre o refluxo, porque ele está moldando sua dieta e ninguém comentou. Leite em grande volume, muita gordura junto de líquido e refeições líquidas enormes são gatilhos clássicos, então os shakes gigantes podem estar justamente alimentando o problema que te impede de comer mais. Vale testar refeições sólidas menores e mais frequentes, reduzir o leite, não deitar nas duas horas seguintes e elevar a cabeceira da cama. Se o refluxo for frequente, ele merece investigação própria, porque esofagite crônica não é detalhe estético. Quanto ao caminho daqui, eu faria o seguinte. Primeiro corta o dianabol e leva a testosterona para um cruise real, na faixa de reposição, por pelo menos oito a doze semanas. Segundo, entra em déficit moderado, algo entre 300 e 500 kcal abaixo da manutenção, mantendo a proteína alta, e aceita perder um pouco de peso para recuperar sensibilidade à insulina e limpar retenção. Com bodyfat mais baixo, a mesma dose passa a render muito mais e você volta a ter margem para um blast que realmente funcione. Terceiro, no treino, o recado do @Kami Back sobre progressão de carga é válido, mas cuidado com a leitura de que volume não importa. Volume e intensidade são as duas alavancas, e a evidência atual mostra que volume semanal por grupo muscular tem relação direta com hipertrofia até um certo ponto. O que trava progresso é treinar sempre igual, sem registro de carga e sem proximidade da falha, não o volume em si. Se quiser um ponto de partida para recalcular as calorias e a distribuição sem chute, o simulador de dieta do site ajuda a montar o rascunho: https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ A saída é simulada e serve para você ajustar em cima, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Exame de Testosterona T e Livre
Com total em 950 e livre em 15, @AureXWwhwey96, esses números são de quem está com a produção endógena funcionando muito bem. A conta que importa é a proporção: 15 sobre 950 dá cerca de 1,6 por cento de fração livre, que é exatamente o esperado para um homem saudável, já que a fração livre fisiológica gira em torno de 1 a 3 por cento da total. Vale só conferir a unidade do laudo, porque testosterona livre costuma sair em ng/dL, com faixa aproximada de 5 a 25, ou em pg/mL, com faixa de 35 a 155. Se o seu 15 for ng/dL, está na metade superior. Se for pg/mL, aí o valor estaria baixo para uma total de 950 e apontaria SHBG alta, o que mudaria a leitura. Um ajuste na ideia de que a livre é a que importa e a total não: as duas importam, e juntas. A total sozinha engana quando a SHBG está muito alta ou muito baixa, e a livre isolada tem o problema de que a maioria dos laboratórios não mede de fato, calcula a partir de total, SHBG e albumina pela fórmula de Vermeulen. Método de diálise de equilíbrio é o padrão-ouro, mas é caro e raro. Por isso o combo que realmente informa é total, SHBG e albumina, com a livre calculada em cima. @Batata... está certo na lógica: SHBG baixa libera mais testosterona livre, SHBG alta prende mais. Só complementando, SHBG é influenciada por insulina, hormônio tireoidiano, gordura corporal, álcool e uso prévio de anabolizantes. Agora a parte que responde de verdade a sua pergunta. Dentro da faixa fisiológica, variação de testosterona não prevê ganho de massa. Um homem com 950 não cresce mais rápido que um de 600 pelo simples fato de ter mais hormônio circulante, porque os receptores androgênicos já estão saturados nessa faixa e o fator limitante passa a ser estímulo, proteína e calorias. A relação dose e resposta que a literatura mostra, dos estudos clássicos do Bhasin, só aparece em dose suprafisiológica, ou seja acima do que o corpo produz. Então o seu 950 não é um acelerador, é a garantia de que nada hormonal está freando você. O que decide o resultado daqui pra frente é treino com progressão, superávit calórico controlado, proteína entre 1,6 e 2,2 g por quilo e sono. Dois detalhes técnicos para os próximos exames, para não comparar números incomparáveis: colete sempre entre 7 e 10 da manhã, porque a testosterona tem pico matinal e pode cair 20 a 30 por cento no fim do dia, e repita no mesmo laboratório e pelo mesmo método. E se em algum momento você pensar em ciclar, guarde esse laudo. Basal de alguém com produção excelente é justamente o que você vai querer recuperar depois, e é um dado que ninguém consegue reconstruir retroativamente. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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REDPHARMA
Sobre a Redpharma especificamente não existe resposta honesta possível, e esse é o ponto que @Batata... e @MashleMuscle já tocaram: laboratório sem registro sanitário não tem lote, não tem laudo e não tem rastreabilidade, então ninguém consegue dizer se o produto é bom. O que se sabe do mercado underground de oxandrolona, que é o composto mais falsificado e mais subdosado do meio justamente por ser caro de sintetizar, é que a dosagem real varia muito e que a substituição por dianabol ou por outro 17-alfa-alquilado mais barato já apareceu em análises independentes. Para mulher isso não é detalhe, é o risco principal: se o que está dentro da cápsula não for oxandrolona, o que você recebe é um composto muito mais androgênico, e os sinais de virilização aparecem rápido. @Carol4158 o problema prático que você descreveu tem uma solução mais limpa do que trocar cápsula com conhecido. Oxandrolona no Brasil é substância controlada da lista C5 da Portaria 344/98, o que significa que ela pode ser manipulada em farmácia mediante receita de controle especial. Nesse caminho você define a dosagem exata que quiser, 5 mg por cápsula por exemplo, com um produto que tem responsável técnico e pode ser cobrado se estiver errado. Sai mais caro e dá mais trabalho que o mercado paralelo, mas resolve de uma vez a dúvida de procedência e a de dose fracionada. Cápsula pronta não deve ser aberta e dividida por conta própria: o pó não é distribuído de forma homogênea o suficiente para você garantir metade da dose, e em capsulação artesanal essa variação é ainda maior. Sobre doses, a faixa que a literatura e a prática usam em mulheres é bem estreita, algo entre 5 e 10 mg por dia, por 6 a 8 semanas, e a maioria começa nos 5 mg justamente para observar resposta antes de subir. Não existe vantagem em subir rápido, porque o ganho de força e a retenção de massa magra já aparecem na dose baixa e o que escala de forma desproporcional é o efeito androgênico. Uma correção ao que foi dito acima: dividir em tomadas ao longo do dia faz mais sentido que concentrar tudo no pré-treino, já que a meia-vida da oxandrolona é de aproximadamente 9 horas e o objetivo não é efeito agudo de treino, é nível sérico estável. O que realmente precisa ser monitorado não é tanto o fígado. A oxandrolona é 17-alfa-alquilada, então tem passagem hepática, mas na faixa de 5 a 10 mg a elevação de transaminases costuma ser discreta. O impacto mais consistente é no perfil lipídico, com queda importante de HDL, e são os sinais de virilização que precisam de atenção diária: engrossamento da voz, aumento do clitóris, crescimento de pelos no rosto e no corpo, acne e alteração do ciclo menstrual. Voz e clitóris são as duas alterações que tendem a não voltar depois, então a regra é simples: ao primeiro sinal, interrompe. Exames antes e depois valem a pena, com perfil lipídico completo, TGO, TGP, gama GT, hemograma e, se houver irregularidade menstrual, também avaliação hormonal. E o que vale mais que tudo isso: oxandrolona em mulher rende pouco se dieta e treino não estiverem apertados. Ela é um composto de refinamento, entrega força, densidade e retenção de magra em déficit calórico. Sem proteína adequada e treino de força com progressão, o ganho é pequeno e o risco continua o mesmo. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Como evoluir com volume sem tanta gordura?
@Kerol16 antes de pensar em ciclo, o ponto crítico do seu relato é este: você não treina e come pouco. Nessas condições, qualquer hormônio ou peptídeo trabalha sem matéria-prima e sem estímulo. Anabolizante não constrói músculo sozinho, ele amplifica a resposta ao treino de força e ao aporte de proteína e calorias. Sem esses dois, o que costuma acontecer é retenção, aumento de peso sem qualidade, oscilação de pressão, alteração de lipídios e frustração com o resultado estético que você buscava. Com rotina corrida, o caminho realista não é treinar mais, é treinar concentrado. Três sessões semanais de 45 a 50 minutos, full body, resolvem muito mais do que um plano de seis dias que você não vai cumprir. Escolha de cinco a sete exercícios multiarticulares por sessão, algo como agachamento ou leg press, supino, remada, desenvolvimento, levantamento terra ou stiff e uma puxada. Duas a três séries por exercício, de 6 a 12 repetições, levando cada série perto da falha. É esse "perto da falha" que gera o sinal de crescimento quando o volume total é baixo. Progressão simples: anotou carga e repetição, na semana seguinte tenta uma repetição a mais ou um pouco mais de peso. Na alimentação, comer pouco é justamente o que trava o volume muscular que você quer. O piso prático é proteína: algo entre 1,6 e 2,2 g por quilo de peso por dia, distribuída em três ou quatro refeições. Para quem tem pouco tempo, funciona bem simplificar ao máximo, com ovos, carnes, laticínios, whey e uma fonte de carboidrato em cada refeição. Manter "slim com mais volume" é uma composição corporal específica, e ela sai de um superávit calórico pequeno, na faixa de 200 a 300 kcal acima da manutenção, junto com treino de força. Superávit grande em quem não treina só vira gordura. Sobre os peptídeos, vale saber exatamente o que você está usando e para quê. O grupo é muito heterogêneo, vai de secretagogos de GH a análogos de GLP-1, e cada um tem efeito e risco diferentes. Se algum deles for da linha do GLP-1, ele reduz apetite, e aí o problema de comer pouco fica ainda maior em quem quer ganhar massa. Nesse caso a estratégia muda: ou você prioriza composição corporal com treino e proteína alta, ou prioriza emagrecimento, mas as duas coisas juntas em déficit acentuado brigam entre si. Se depois de organizar treino e dieta você ainda quiser ciclar, faça o básico antes: exames de testosterona total e livre, LH, FSH, estradiol, hemograma, hematócrito, perfil lipídico, glicemia, função hepática e renal, mais pressão arterial aferida em dias diferentes. Esses números definem se faz sentido, qual composto tem menos custo colateral e o que monitorar durante. Vale também ter clareza de que o ganho vem com manutenção: a parte que você constrói acima do seu teto natural depende de continuidade de treino e dieta depois que o ciclo acaba. Para montar um ponto de partida estruturado com o tempo que você tem, o simulador de treino do site ajuda: https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/treino/ A saída é simulada e serve como rascunho para você ajustar, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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José Alvarenga: de 103 kg ao palco e por que desistiu do fisiculturismo
O melhor físico de sua vida veio acompanhado de uma rotina que já não parecia vida. Houve dias com 1 hora e 20 minutos de cardio pela manhã, musculação e uma segunda sessão aeróbica depois do treino. Faltavam carboidratos, energia para trabalhar e espaço para conviver com amigos. Em “A VERDADE POR TRÁS DE EU DESISTIR DO FISICULTURISMO...”, José Alvarenga reconstrói a própria passagem de 103 kg ao palco e explica por que duas competições bastaram. A história não termina em derrota nem em arrependimento. Ela começa com baixa autoestima, passa por uma transformação física radical, inclui resultados expressivos logo na estreia e chega a uma escolha consciente: manter saúde, trabalho e vida social pesou mais do que insistir em um projeto que exigia abdicações que ele já não queria fazer. De 103 kg a 76 kg depois de dois exames de testosteronaEm 2020, o ponto de partida combinava ganho de gordura, falta de libido e autoestima tão baixa que ele evitava ser fotografado. O peso chegou a 103 kg. A investigação médica começou com um exame de testosterona por volta de 100 e um segundo resultado de 60, valores relatados sem unidade. Depois da repetição do teste, recebeu prescrição de Deposteron e iniciou reposição de testosterona, academia, cardio e mudança de hábitos alimentares. Esse detalhe clínico exige precisão. Diretrizes da Endocrine Society recomendam que o diagnóstico de hipogonadismo seja feito apenas quando existem sintomas compatíveis e concentrações de testosterona inequivocamente baixas em duas coletas matinais, além de avaliação da causa. O relato contém os sintomas e dois exames, mas não informa horário, unidade, método laboratorial nem investigação etiológica. Portanto, ele descreve uma decisão tomada por seu médico, não um protocolo que possa ser reproduzido por outra pessoa. A primeira grande transformação terminou em 76 kg. Ele afirma ter perdido 23 kg, mas os dois pesos citados, 103 kg e 76 kg, produzem uma diferença aritmética de 27 kg. Sem registros completos, não é possível saber se um dos pesos foi arredondado, se as medições pertenciam a datas diferentes ou se houve um lapso na fala. O resultado visual devolveu autoestima e atraiu mais de 1 milhão de visualizações para a publicação em que mostrou a mudança. 76 kg, uma escada na pandemia e a primeira finalizaçãoO projeto competitivo começou no início de 2021, com acompanhamento de Manu, treinador que o guiaria até o primeiro palco. Durante a pandemia, o cardio era feito subindo e descendo escadas em casa. Em Trancoso, na Bahia, o abdômen já aparecia. Depois da mudança para Salvador, veio a primeira simulação de finalização, com redução de gordura, treino de poses e uma carga de carboidratos para observar como o corpo responderia. Na manhã daquela finalização ele pesava 76 kg, com abdômen profundo, veias aparentes e pouca massa muscular para o padrão da Classic Physique. Pernas e posteriores já apareciam como pontos fortes. Braços, costas e execução das poses ainda estavam atrás. O primeiro período de ganho de massa levou o peso a cerca de 88 kg sem retenção excessiva, seguido por novo cutting e outra simulação na casa do treinador, em Curitiba. A tentativa serviu também para errar antes do palco. Uma tinta comprada pela internet deixou a pele escura e irregular, enquanto a estratégia de finalização reduziu a plenitude muscular. As fotos sem tinta pareciam melhores. Em vez de esconder o teste ruim, ele o manteve como registro do que não repetir. O braço chegou a 47 ou 48 cm antes da estreiaO ganho de massa seguinte produziu o maior braço que ele diz ter alcançado, entre 47 e 48 cm. A foto feita no elevador marcou o auge desse período. Depois veio o corte para competir de verdade, com redução progressiva do volume do braço, treino de vácuo abdominal e contratação de um professor de poses. A evolução do posing foi tão importante quanto a mudança corporal. A base das pernas ficou mais aberta, o sartório passou a aparecer, a cintura ganhou aparência afunilada e os quartos de volta ficaram mais simétricos. Um dia antes da estreia, em Itajaí, treinador e atleta ajustavam refeição e água passo a passo. Depois de cada refeição, ele posava para decidir quanto ainda deveria comer e beber. No palco, a dificuldade foi sustentar o vácuo depois de comer. Posar por dez segundos já era exaustivo, e a cintura não ficou tão estreita quanto nos treinos. Mesmo assim, a estreia de 2022 rendeu três colocações: segundo lugar na Novice, terceiro entre estreantes e quarto na Open. Naquele confronto ele ficou à frente de Mateus Menegate, que anos depois chegaria ao top 7 mundial, e perdeu a Novice para um atleta chamado Giovani. Chorar por um pão não era falta de disciplinaAs fotos de palco escondiam o que decidiu a carreira. Dieta restritiva, muito treino e cardio prolongado produziram lentidão cognitiva, letargia, ansiedade e episódios depressivos. Em um momento, ele chorou depois de comer um pão. Em outro, ligou para o treinador às 3h30 durante uma crise de ansiedade porque precisava conversar com alguém. A relação com comida tornava o corte ainda mais difícil. Em uma transmissão anterior, ele havia comido dez Big Macs de uma vez. Conseguir comer muito não ajudava quando o objetivo exigia fazer exatamente o contrário. Próximo da competição, a manhã podia começar com 1 hora e 20 minutos de cardio, seguida por dieta com quase nenhum carboidrato, musculação e mais cardio depois do treino. O quadro é coerente com o que já foi observado em atletas de fisiculturismo, embora a experiência de uma pessoa não permita diagnosticar outra. Um estudo de caso com um fisiculturista natural acompanhou aumento acentuado da perturbação de humor, queda de testosterona e redução de força durante seis meses de preparação. O consenso do Comitê Olímpico Internacional sobre deficiência relativa de energia no esporte também reconhece que baixa disponibilidade energética prolongada pode prejudicar funções psicológicas, metabólicas, reprodutivas e cardiovasculares em homens e mulheres. O corpo melhorava enquanto a vida encolhiaA preparação exigia recusar encontros, bebida e refeições com amigos. Trabalhando com gravações de comida e morando com pessoas que saíam para comer, ele permanecia com a própria marmita. Não havia energia para passear, socializar ou aproveitar o físico que estava construindo. Algumas das melhores fotos ficaram guardadas justamente como lembrete dessa contradição. O retorno financeiro era praticamente inexistente. Subir no palco aumentava a credibilidade de quem trabalhava como influenciador do segmento, mas não pagava diretamente pelo esforço. A combinação entre isolamento, sofrimento mental, uso de hormônios e ausência de remuneração transformou a preparação em um projeto difícil de justificar fora da imagem. Isso não apaga o orgulho. Chegar ao palco e apresentar um físico competitivo foi tratado como vitória mesmo sem primeiro lugar. O limite apareceu quando a conquista passou a exigir uma vida inteira organizada em torno de treino, comida e cardio. 106 kg antes da segunda competiçãoEm 2023, ele decidiu competir novamente porque o evento cairia em seu aniversário. No período de ganho de massa chegou a 106 kg, com aparência que descreve como grande e retida. Depois do cutting, considerou aquele o melhor equilíbrio entre volume e definição de sua trajetória, especialmente nas fotos com cintura estreita, dorsal aberta e separação das pernas. Uma semana antes do campeonato, já em Santa Catarina, começou a vomitar, não conseguia segurar comida e passou dias tentando se recuperar. Na reta final, o treinador ficou sem internet e a comunicação falhou. Sem o acompanhamento presencial que havia funcionado na estreia, ele subiu flat, com musculatura menos cheia do que pretendia. A organização juntou atletas de alturas diferentes na categoria amadora, segundo o relato, colocando-o diante de competidores muito mais pesados. Ele subiu uma vez, não avançou à final e foi avisado de que poderia ir embora. Pagou R$ 700 por fotos e filmagens que diz nunca ter recebido. A última competição aconteceu em 3 de setembro de 2023, exatamente no aniversário dele. Duas competições, três anos e uma escolha de vidaO encerramento da carreira competitiva não veio de uma única derrota. Foi a soma de restrição alimentar, cardio, crises emocionais, perda de vida social, uso de doses suprafisiológicas de hormônios, retorno financeiro baixo e uma segunda experiência de palco frustrante. Ele calcula que mais dois, três ou quatro períodos de ganho e corte poderiam ter produzido um físico realmente competitivo em 2026. Preferiu não pagar esse preço. Hoje relata fazer exames a cada três meses e manter testosterona que varia entre 1.000, 1.200 e 1.500, conforme o momento da coleta. Ele próprio questiona se uma estratégia levemente suprafisiológica pode ser chamada de reposição. A ressalva é correta. Reposição busca níveis fisiológicos sob indicação médica. Valores isolados não demonstram segurança, e exames de fígado e rim dentro da faixa não excluem efeitos cardiovasculares, reprodutivos ou psiquiátricos dos esteroides anabolizantes. Revisões médicas associam o uso crônico e suprafisiológico de esteroides a alterações de pressão, colesterol, coagulação, estrutura cardíaca, função do coração, fígado e rins. O risco depende de substância, dose, duração e características individuais. Acompanhamento reduz incerteza, mas não transforma uso supraterapêutico em prática sem risco. A porta para um retorno não foi fechada por completo. Com rotina mais tranquila, ele admite que poderia pensar em subir outra vez. No presente, porém, considera mais valioso manter bom físico, saúde monitorada, trabalho, relacionamento e convivência social. A decisão não é abandonar a musculação. É recusar que o palco volte a ocupar tudo. ConclusãoA transformação de 103 kg até a estreia mostra disciplina, resposta física e capacidade de aprender. Os resultados de segundo, terceiro e quarto lugares logo na primeira competição confirmam que havia potencial. O que encerrou a trajetória foi perceber que potencial não cria obrigação. O dado mais importante não está no peso, no braço de 48 cm nem na colocação. Está na ligação feita às 3h30 durante uma crise de ansiedade e na manhã com 1 hora e 20 minutos de cardio antes de todo o restante. Um físico de palco pode ser uma conquista legítima. Quando ele passa a consumir saúde mental, vínculos e trabalho, desistir também pode ser uma decisão de desempenho: escolher uma vida que continue funcionando fora da competição. FAQQuanto peso José Alvarenga perdeu na primeira transformação?Ele afirma ter perdido 23 kg, mas também diz que saiu de 103 kg para 76 kg, diferença de 27 kg. Como os números entram em conflito, o correto é registrar os pesos e a perda declarada sem escolher arbitrariamente um deles. Quando ele começou a se preparar para competir?O trabalho competitivo começou no início de 2021. A primeira competição ocorreu em 2022, depois de ciclos de ganho de massa, cutting, simulações de finalização e treino específico de poses. Quais foram as colocações na estreia?Segundo lugar na Novice, terceiro entre estreantes e quarto na Open. Na mesma competição, ele ficou à frente de Mateus Menegate. Por que ele desistiu do fisiculturismo competitivo?Pela soma de dieta extrema, cardio prolongado, isolamento social, letargia, crises de ansiedade, episódios depressivos, uso de hormônios e retorno financeiro praticamente inexistente. A segunda competição também terminou sem vaga na final e sem o material audiovisual pelo qual havia pago. Qual foi o maior peso alcançado durante a fase competitiva?Ele relata 106 kg no período de ganho de massa antes da segunda competição, em 2023. Antes disso, o primeiro ganho havia chegado a cerca de 88 kg. Ele pretende competir novamente?Não descarta completamente a possibilidade, mas afirma que hoje está satisfeito com o físico, a saúde monitorada, o trabalho e a vida social. No momento, voltar ao palco não é prioridade. ReferênciasALVARENGA CULTURISMO. A VERDADE POR TRÁS DE EU DESISTIR DO FISICULTURISMO... YouTube, 30 ago. 2026. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ZGJT2iYhC_o. Acesso em: 9 set. 2026. BROOKS, K. A. et al. Biopsychosocial effects of competition preparation in natural bodybuilders. The Journal of Sports Medicine and Physical Fitness, 2022. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34401005/. Acesso em: 9 set. 2026. MOUNTJOY, M. et al. 2023 International Olympic Committee’s consensus statement on Relative Energy Deficiency in Sport (REDs). British Journal of Sports Medicine, v. 57, p. 1073-1097, 2023. Disponível em: https://bjsm.bmj.com/content/57/17/1073. Acesso em: 9 set. 2026. BHASIN, S. et al. Testosterone therapy in men with hypogonadism: an Endocrine Society clinical practice guideline. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, v. 103, n. 5, p. 1715-1744, 2018. Disponível em: https://academic.oup.com/jcem/article/103/5/1715/4939465. Acesso em: 9 set. 2026. NIESCHLAG, E.; VORONA, E. Doping with anabolic androgenic steroids (AAS): adverse effects on non-reproductive organs and functions. Reviews in Endocrine and Metabolic Disorders, v. 16, n. 3, p. 199-211, 2015. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26373946/. Acesso em: 9 set. 2026.
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Mounjaro aumenta testosterona e fertilidade? Entenda a evidência
Prometer emagrecimento já tornou a tirzepatida um fenômeno. Associar a caneta a testosterona, libido e fertilidade amplia ainda mais o desejo pelo tratamento, mas mistura efeitos possíveis da perda de peso com benefícios diretos que não estão estabelecidos. Em “O que ninguém te contou sobre o MOUNJARO (A manipulação revelada)”, o médico Samuel Dalle Laste usa essas manchetes para questionar como argumentos de venda podem fazer um medicamento parecer solução para problemas muito diferentes. A crítica tem um núcleo importante: Mounjaro não é reposição hormonal nem tratamento aprovado para infertilidade. Ao mesmo tempo, chamar todos os benefícios de simples manipulação também perde uma parte da história. A tirzepatida é um medicamento eficaz para diabetes tipo 2 e, nas condições autorizadas, para controle crônico do peso. O ponto decisivo é separar indicação real, efeitos mediados pelo emagrecimento, riscos conhecidos e frases que ultrapassam a evidência. Da carta ao clique: por que o atalho ficou tão atraenteA comparação começa com uma rotina de cerca de 200 anos atrás. Sem televisão, celular, rede social ou comida pronta na geladeira, dormir ao anoitecer, esperar uma carta e tolerar períodos de fome eram experiências mais comuns. Essa reconstrução é uma imagem retórica, não um retrato histórico completo, mas ajuda a explicar a mudança de expectativa: hoje, quase tudo promete velocidade, conveniência e recompensa imediata. O preço de R$ 299 em vez de R$ 300 resume a lógica de persuasão apresentada sob o rótulo de programação neurolinguística, ou PNL. A diferença de R$ 1 é mínima, porém o primeiro algarismo pode fazer o valor parecer mais baixo. A mesma arquitetura pode aparecer na comunicação em saúde quando uma manchete destaca um benefício secundário e esconde a cadeia causal, as limitações do estudo ou o perfil dos participantes. Tirzepatida cara, versão de origem duvidosa, produto trazido do Paraguai e formulação anunciada como manipulada entram nesse ambiente de desejo. O problema deixa de ser apenas decidir se um medicamento é indicado. Procedência, esterilidade, concentração, conservação e autenticidade também passam a determinar o risco. O que a tirzepatida faz de fatoA tirzepatida atua nos receptores de GIP e GLP-1. Ela melhora a sensibilidade à insulina, aumenta a saciedade, reduz a ingestão de alimentos e retarda o esvaziamento gástrico, embora esse último efeito diminua com o tempo. Esses mecanismos ajudam no controle glicêmico e na redução de peso. No Brasil, a Anvisa autorizou Mounjaro para controle crônico do peso, junto de dieta de baixa caloria e aumento da atividade física, em adultos com IMC igual ou superior a 30 kg/m². A indicação também alcança adultos com IMC igual ou superior a 27 kg/m² quando existe pelo menos uma condição relacionada ao peso, como hipertensão, dislipidemia, apneia obstrutiva do sono, doença cardiovascular, pré-diabetes ou diabetes tipo 2. Os resultados que sustentaram essa indicação são relevantes. No SURMOUNT-1, as perdas médias na semana 72 ficaram entre 15% e 20,9% com tirzepatida, diante de 3,1% com placebo. No SURMOUNT-2, ficaram entre 13,4% e 15,7%, ante 3,3% no placebo. Portanto, a caneta não é uma fraude farmacológica. A distorção começa quando eficácia para obesidade vira promessa de corrigir diretamente qualquer problema associado ao excesso de gordura. Testosterona, libido e fertilidade não são indicações do MounjaroAs manchetes que provocaram a crítica apareceram em uma sequência específica: cerca de um mês antes, uma publicação teria associado Mounjaro à fertilidade feminina e masculina. Aproximadamente uma semana antes, outras mensagens teriam ligado o medicamento à libido, à ereção e ao aumento da testosterona. O emagrecimento pode participar dessas melhoras sem transformar a tirzepatida em terapia hormonal. Uma meta-análise com 24 estudos encontrou aumento de testosterona total após perda de peso em homens com obesidade. O ganho foi maior em quem perdeu mais peso, o que apoia a relação entre redução da adiposidade e recuperação do eixo hormonal em parte desses pacientes. Fertilidade exige ainda mais cautela. Uma revisão de ensaios randomizados encontrou mais gestações e nascidos vivos entre mulheres com sobrepeso ou obesidade submetidas a intervenções combinadas de dieta e exercício, mas os estudos eram pequenos e o resultado não se repetiu em todos os cenários de reprodução assistida. Não foram encontrados ensaios elegíveis em homens. Outra meta-análise concluiu que a melhora de fertilidade não foi estatisticamente significativa quando avaliadas mulheres com obesidade que não haviam sido recrutadas por infertilidade. A conclusão correta é mais estreita do que a publicidade sugere. Perder gordura e melhorar a saúde metabólica pode favorecer testosterona, função sexual, ciclo menstrual e chance de gestação em alguns grupos. Isso não prova que Mounjaro tenha ação hormonal ou pró-fertilidade direta, independente da perda de peso. Também não autoriza seu uso com a finalidade de engravidar ou elevar testosterona sem avaliação médica. Emagrecer também pode melhorar energia, sono e qualidade de vida. Já prometer melhora previsível de rinite, sinusite ou dermatite como se a tirzepatida corrigisse diretamente essas condições ultrapassa o que essa relação permite concluir. Uma associação mediada pela redução de peso não deve virar uma nova indicação do medicamento. O número de 94% precisa de contextoA afirmação mais contundente é que, de cada 100 pessoas que emagrecem com Mounjaro, 94 voltariam a engordar após interromper o tratamento. Nenhum estudo ou link foi identificado na descrição para sustentar exatamente essa proporção. O reganho é real e frequente, mas o número de 94% não deve ser tratado como estatística confirmada sem a origem. O SURMOUNT-4 oferece uma medida mais verificável. Primeiro, 783 adultos receberam tirzepatida por 36 semanas. Entre os 670 randomizados depois dessa fase, a perda média inicial havia sido de 20,9%. Nas 52 semanas seguintes, quem continuou usando o medicamento perdeu mais 5,5%, enquanto o grupo transferido para placebo recuperou em média 14% do peso corporal. Ao final de 88 semanas, 89,5% de quem continuou a tirzepatida preservou pelo menos 80% da perda inicial. Entre quem foi transferido para placebo, essa proporção foi de 16,6%. O ensaio confirma que interromper favorece reganho substancial. Ele não demonstra que 94 em cada 100 pessoas recuperam todo o peso e tampouco permite concluir que o tratamento seja um “fracasso total”. Obesidade é doença crônica. Medicamentos que controlam apetite e peso podem precisar de estratégia de manutenção, como ocorre com tratamentos de outras condições persistentes. Hábitos continuam essenciais, mas não anulam a biologia que favorece a recuperação do peso. Um casal com pedra na vesícula: alerta importante, prova insuficienteO caso clínico descrito envolve um casal que começou a usar Mounjaro aproximadamente 45 a 60 dias antes da consulta. Os dois teriam ultrassonografias anteriores sem cálculo, passaram a sentir dor atribuída inicialmente a gastrite e receberam diagnóstico de pedra na vesícula após o início do tratamento. A cronologia também é resumida como ocorrida dentro de quatro meses. Dois pacientes não provam causalidade. Faltam prontuários, exames, doses, velocidade de emagrecimento, fatores de risco e uma linha do tempo uniforme. Ainda assim, o episódio aponta para um risco reconhecido. Na bula americana, doença aguda da vesícula, incluindo colelitíase, cólica biliar e colecistectomia, apareceu em 0,6% dos adultos tratados com Mounjaro e em 0% no placebo nos ensaios controlados. A Anvisa também registra maior incidência de eventos gastrointestinais e relacionados à vesícula nos estudos de controle de peso. Dor abdominal persistente, sobretudo no lado direito superior, febre, vômitos ou pele amarelada exigem avaliação médica. A investigação não deve parar no rótulo de “gastrite”. Esvaziamento gástrico e anestesia: não existe pausa universal de três semanasA lentidão do trato gastrointestinal aparece como outro alerta. A tirzepatida retarda o esvaziamento gástrico, e alimento residual no estômago pode elevar o risco de regurgitação e aspiração durante anestesia geral ou sedação profunda. A frase de que nenhum anestesista realiza procedimento em usuário de Mounjaro e sempre exige três semanas de pausa é ampla demais. A orientação multissocietária divulgada em 2024 afirma que a maioria dos pacientes pode continuar agonistas de GLP-1 antes de cirurgia eletiva. O planejamento deve considerar fase de aumento da dose, intensidade dos sintomas gastrointestinais, dose utilizada e outras doenças que retardem o esvaziamento. Pacientes de maior risco podem receber dieta líquida por 24 horas, ajuste do plano anestésico, avaliação do conteúdo gástrico por ultrassom ou adiamento do procedimento. A bula informa que ainda não há dados suficientes para definir se mudar o jejum ou suspender temporariamente Mounjaro reduz a aspiração. A regra prática é avisar cirurgião, anestesista e prescritor, sem interromper por conta própria e sem adotar um prazo universal retirado da internet. Pancreatite é rara, mas não pode ser banalizadaPancreatite aguda integra os alertas do medicamento. Nos estudos clínicos reunidos na bula americana, houve 14 eventos confirmados em 13 pacientes tratados com Mounjaro, equivalentes a 0,23 caso por 100 pacientes-ano de exposição. Entre os comparadores, foram três eventos em três pessoas, ou 0,11 por 100 pacientes-ano. Em fevereiro de 2026, a Anvisa reforçou o risco para a classe dos agonistas de GLP-1, incluindo tirzepatida. Entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, o Brasil registrou 145 notificações de suspeita de eventos adversos e seis suspeitas com desfecho fatal. Notificação não prova que o medicamento causou cada caso, mas funciona como sinal de farmacovigilância que merece investigação. Dor abdominal intensa e persistente, com possível irradiação para as costas, náuseas e vômitos exige atendimento imediato. O uso fora de indicação, a automedicação e a dificuldade de reconhecer sintomas podem aumentar o perigo. Produto irregular acrescenta riscos que o ensaio clínico não mediuComprar tirzepatida de procedência desconhecida não equivale a usar o medicamento registrado. A Anvisa encontrou problemas de identificação de matéria-prima e de controle de qualidade em insumos e produtos manipulados. Em 2026, ações de fiscalização também proibiram marcas irregulares de tirzepatida fabricadas por empresas desconhecidas e anunciadas em redes sociais. Uma caixa parecida, uma caneta com rótulo convincente ou a promessa de preço menor não confirmam identidade, dose, esterilidade ou cadeia fria. Essa diferença é decisiva porque a substância é injetável. O risco do princípio ativo se soma ao risco de contaminação, concentração errada e produto falsificado. Sete perguntas antes de considerar o tratamentoExiste indicação clínica? IMC, comorbidades, diabetes, histórico de tentativas e risco cardiometabólico precisam entrar na decisão. Qual é o objetivo mensurável? A Anvisa orienta reavaliar a continuidade quando não houver perda de pelo menos 5% do peso inicial após seis meses da titulação até a maior dose tolerada. A origem é regular? Farmácia autorizada, receita retida, embalagem íntegra e conservação correta não são detalhes. Há plano para efeitos adversos? Náusea, vômito, constipação, dor abdominal e sinais de desidratação precisam de orientação prévia. Existe cirurgia ou sedação programada? A equipe deve saber do uso antes do procedimento. Como será preservada a massa muscular? Alimentação adequada, proteína, exercício resistido e acompanhamento reduzem o risco de emagrecer às custas de tecido magro. Qual é a estratégia de manutenção? Parar sem plano aumenta a chance de reganho. O acompanhamento deve continuar mesmo quando a balança melhora. ConclusãoMounjaro pode produzir perda de peso expressiva e melhorar controle metabólico em pessoas com indicação. Parte da melhora de testosterona, libido e fertilidade observada após o tratamento pode vir da redução de gordura e da melhora metabólica, não de uma ação hormonal direta comprovada da caneta. O mesmo cuidado vale para os riscos. Cálculo biliar, retardo do esvaziamento gástrico, aspiração em procedimentos e pancreatite fazem parte da discussão médica, mas relatos isolados e regras universais não substituem evidência. O número de 94% e a pausa automática de três semanas são exemplos de afirmações que precisam de contexto. Informação de qualidade não serve para demonizar nem para vender o medicamento. Serve para colocar eficácia, indicação, manutenção, procedência e segurança na mesma decisão. Este texto é informativo e não substitui avaliação individual por profissional habilitado. FAQMounjaro aumenta a testosterona diretamente?Não há indicação aprovada nem evidência robusta de ação direta da tirzepatida para elevar testosterona. Em homens com obesidade, a perda de peso pode aumentar testosterona, e esse mecanismo pode explicar parte da melhora observada. Mounjaro melhora a fertilidade feminina?Emagrecimento e melhora metabólica podem favorecer ovulação e gestação em alguns grupos, especialmente em mulheres com obesidade ou síndrome dos ovários policísticos. Isso não transforma Mounjaro em tratamento aprovado para infertilidade e a evidência sobre desfechos reprodutivos ainda é limitada. Todo mundo volta a engordar depois de parar?Não. O reganho é frequente, mas varia. No SURMOUNT-4, quem interrompeu recuperou em média 14% do peso corporal durante 52 semanas. Apenas 16,6% preservaram pelo menos 80% da perda inicial, contra 89,5% de quem continuou o tratamento. Mounjaro pode causar pedra na vesícula?Doença aguda da vesícula é um risco reconhecido. Nos ensaios controlados citados na bula americana, ocorreu em 0,6% dos tratados e em 0% do placebo. Um relato individual não prova causa, mas sintomas precisam ser avaliados. É obrigatório suspender Mounjaro três semanas antes da anestesia?Não existe essa regra universal. A maioria dos pacientes pode continuar, segundo orientação multissocietária de 2024. A decisão depende da dose, da fase de titulação, dos sintomas, do procedimento e da avaliação da equipe. Tirzepatida manipulada ou comprada fora da farmácia é igual ao Mounjaro?Não se pode presumir equivalência. Identidade do princípio ativo, concentração, esterilidade, armazenamento e cadeia fria precisam ser comprovados. Produtos irregulares acrescentam riscos que não existem da mesma forma no medicamento registrado. ReferênciasDALLE LASTE, Samuel. O que ninguém te contou sobre o MOUNJARO (A manipulação revelada). YouTube, 5 dez. 2025. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=EpuI0jHI9Vk. Acesso em: 8 set. 2026. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Mounjaro® (tirzepatida): nova indicação. Brasília, 9 jun. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/mounjaro-r-tirzepatida-nova-indicacao. Acesso em: 8 set. 2026. ARONNE, Louis J. et al. Continued Treatment With Tirzepatide for Maintenance of Weight Reduction in Adults With Obesity: The SURMOUNT-4 Randomized Clinical Trial. JAMA, v. 331, n. 1, p. 38–48, 2024. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2812936. Acesso em: 8 set. 2026. U.S. FOOD AND DRUG ADMINISTRATION. Mounjaro (tirzepatide) injection: prescribing information. Silver Spring, 2026. Disponível em: https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2026/215866s041lbl.pdf. Acesso em: 8 set. 2026. CORONA, Giovanni et al. Body weight loss reverts obesity-associated hypogonadotropic hypogonadism: a systematic review and meta-analysis. European Journal of Endocrinology, v. 168, n. 6, p. 829–843, 2013. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23482592/. Acesso em: 8 set. 2026. BEST, Damian et al. The effectiveness of weight-loss lifestyle interventions for improving fertility in women and men with overweight or obesity and infertility: a systematic review update of evidence from randomized controlled trials. Obesity Reviews, v. 22, n. 12, e13325, 2021. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34390109/. Acesso em: 8 set. 2026. SOLTANI, H. et al. The effect of weight loss interventions for obesity on fertility and pregnancy outcomes: a systematic review and meta-analysis. International Journal of Gynecology & Obstetrics, v. 160, n. 2, p. 417–429, 2023. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36440496/. Acesso em: 8 set. 2026. AMERICAN SOCIETY OF ANESTHESIOLOGISTS. Drugs for Diabetes or Weight Loss: What To Know Before Surgery. Schaumburg, 2025. Disponível em: https://madeforthismoment.asahq.org/preparing-for-surgery/risks/drugs-diabetes-weight-loss/. Acesso em: 8 set. 2026. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Anvisa emite alerta para risco de pancreatite aguda associada ao uso indevido de canetas emagrecedoras. Brasília, 9 fev. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-emite-alerta-para-risco-de-pancreatite-aguda-associada-ao-uso-indevido-de-canetas-emagrecedoras. Acesso em: 8 set. 2026. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Anvisa esclarece e determina regras para manipulação de canetas de GLP-1. Brasília, 25 ago. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2025/anvisa-esclarece-e-determina-regras-para-manipulacao-de-canetas-de-glp-1. Acesso em: 8 set. 2026.
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Ecocardiograma Hipertrofia Excêntrica
Esse tópico ficou sem nenhuma resposta, e a pergunta era boa e importante. Vou respondê-la. O @Locomotion90 fez um ecocardiograma que apontou hipertrofia excêntrica, aguarda a consulta com a médica e pergunta se aquilo pode ser explicado pela rotina de musculação e aeróbico, já que é comum o coração hipertrofiar em quem treina, ou se pode haver algo errado. Ele contou também que, há cerca de dois anos, começou testosterona por conta própria, sem diagnóstico formal, porque o exame estava baixo e ele tinha sintomas. E que, em alguns períodos, subia a dose para 250 mg por semana. Começo pela parte da pergunta que tem resposta favorável a ele. Existe, sim, uma adaptação do coração ao treinamento, conhecida como coração de atleta. Ela é benigna e reversível, e o padrão que ela costuma produzir é justamente o excêntrico, ou seja, aumento da cavidade do ventrículo com espessura de parede proporcional. Ou seja, a hipótese dele não é absurda. Só que ela tem condições para ser aceita, e é aí que o caso dele precisa de cuidado. O coração de atleta aparece em pessoas com volume alto e sustentado de treinamento aeróbico, do tipo ciclismo, corrida de longa distância, natação, remo. Ele é acompanhado de função sistólica normal, função diastólica normal e ausência de sintomas, e regride quando a pessoa para de treinar por alguns meses. Musculação com períodos intercalados de aeróbico, sem volume alto e contínuo de resistência, normalmente não é o cenário que produz esse tipo de remodelamento. E aqui entra a segunda parte, que é a que ele precisa levar para a consulta. O uso de andrógenos em doses acima das fisiológicas está associado a alterações cardíacas em estudos que compararam usuários de longa data com não usuários. As descrições incluem aumento da massa do ventrículo esquerdo, redução da função de contração e alteração do relaxamento do coração, além de aterosclerose coronariana mais precoce. E existe um detalhe importante sobre a dose. Reposição de testosterona, no sentido de tratamento, costuma trabalhar com doses bem menores do que 250 mg por semana. Esse patamar não é reposição: é dose suprafisiológica. Ou seja, o que ele descreveu não foi um período de TRT contínuo, e sim uma alternância entre reposição e ciclo. Isso não quer dizer que o achado do ecocardiograma dele seja causado por isso. Quer dizer que existem duas explicações possíveis na mesa, uma benigna e uma que precisa ser acompanhada, e que não dá para escolher uma delas por dedução em fórum. O que separa uma da outra é justamente o que a cardiologista vai avaliar: as medidas indexadas das câmaras, a espessura das paredes, a função sistólica, a função diastólica, e como isso se comporta ao longo do tempo. E aqui está a coisa mais importante que eu tenho a dizer neste tópico. Ele precisa contar à médica, com todas as letras, que usa testosterona, há quanto tempo, em que doses e com quais intervalos. Digo isso porque essa é a informação que mais se omite em consulta, e é justamente a que muda a interpretação do exame. Um ecocardiograma com hipertrofia em alguém que treina significa uma coisa. O mesmo exame em alguém que usa andrógeno há dois anos em doses suprafisiológicas significa outra, e a conduta é diferente. Sem esse dado, a médica está trabalhando com metade do caso. Não existe julgamento nisso. Médico não é polícia, e a alternativa, que é ser acompanhado com base em informação incompleta, é pior para ele. Duas coisas que eu acrescentaria à investigação. A primeira é o hematócrito. O efeito adverso mais comum do uso de testosterona é o aumento do número de células vermelhas, o que deixa o sangue mais espesso e aumenta risco de trombose. Ele mencionou que os exames de sangue nunca acusaram nada, mas vale conferir especificamente hematócrito e hemoglobina, além do perfil lipídico, porque essa classe reduz o colesterol bom. A segunda é a pressão arterial. Ele disse que nunca teve problema, e isso é ótimo. Mas hipertrofia ventricular é, classicamente, consequência de pressão alta ao longo do tempo, inclusive de pressão que sobe apenas em determinados períodos. Medir em casa, em dias comuns, e levar os valores anotados vale mais do que a medida única do consultório. E há um item que raramente aparece e que se encaixa bem no caso dele: apneia do sono. Ela causa hipertensão e remodelamento cardíaco, produz exatamente os sintomas que o levaram à testosterona, que eram desânimo e cansaço fácil, e pode ser piorada pelo uso de testosterona. Se ele ronca ou acorda cansado, isso vale ser mencionado na consulta. Sobre a decisão inicial, uma observação sem sermão. Sintomas de desânimo e cansaço fácil são inespecíficos, e a lista de causas inclui apneia do sono, deficiência de ferro, hipotireoidismo e depressão, todas mais comuns do que hipogonadismo em homem jovem. O caminho formal é dosar testosterona total em jejum, pela manhã, em duas ocasiões, junto com LH, FSH e prolactina, porque é o LH que diz se o problema está no testículo ou no comando central. Isso não é para reescrever o passado. É porque, agora que ele decidiu fazer um check up completo, esses exames ainda respondem perguntas úteis. E uma última observação prática: depois de dois anos de uso, interromper por conta própria e de uma vez costuma produzir um período ruim de sintomas, porque a produção natural leva tempo para voltar. Se a decisão for reduzir ou parar, isso também é conversa com médico. Se o Locomotion estiver lendo isto, é isto que eu diria a ele. A atitude de fazer um check up completo foi excelente, e o exame que ele encontrou é exatamente o tipo de coisa que esse check up serve para achar. A pergunta que ele fez tem duas respostas possíveis, e quem decide entre elas é a cardiologista, com todas as informações na frente. Levar o histórico de uso escrito, com doses e datas, é o que transforma essa consulta em uma resposta de verdade. Para quem quiser entender como as substâncias hormonais funcionam antes de decidir qualquer coisa, o site tem um orientador em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ , que serve como ponto de partida para conversar com quem acompanha o caso. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.