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Boldenona + oxandrolona: espinha e voz presa

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Já estou no fim do terceiro mês do meu ciclo, finalizando com 30g de oxdrolona três vezes ao dia e 1ml de boldenona uma vez por semana. Efeitos colaterais moderados ao longo do ciclo, pouco de queda de cabelo, poucas espinhas, e alguns outros mas menos do que esperava. Fiquei de postar fotos mas agora entrando de férias da faculdade irei fazer relatos melhores e postar fotos, como já havia prometido.

Tive uma evolução muito satisfatória percentual de gordura diminuindo, ganho de massa magra, tive um bom desenvolvimento membros superiores e inferiores.

Nessa que estou começando agora coloquei cardio pela manhã, e treino de musculação fim da tarde, estou treinando inferiores duas vezes por semana e superior demais dias. 

Foi descidido que irei continuar com a boldenona e oxdrolona mais dois meses, assim a dose de boldenona que anteriormente era 1ml uma vez por semana, passará 05ml três vezes por semana, e a oxdrolona se manterá 3 doses de 10mg por dia.

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  • Altura 1.63 Peso inicial 62 atual 68 BF 20 Bíceps 29 Abdômen 69 Coxa 63 Panturrilha 41 Antebraço 25 Atualmente estou em bulking vou permanecer até o fim de deze

  • Bem provável que estes colaterais se agravem com o passar do ciclo ainda mais aumentando as doses.  Qual a dose de cada comprimido?

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4 horas atrás, Sereiafit disse:

Tem medidas? Qual seu peso, altura e bf? Quanto ganhou de peso ate agora?

Altura 1.63

Peso inicial 62 atual 68

BF 20

Bíceps 29

Abdômen 69

Coxa 63

Panturrilha 41

Antebraço 25

Atualmente estou em bulking vou permanecer até o fim de dezembro.

39 minutos atrás, LuanaRODRIGUESa disse:

Altura 1.63

Peso inicial 62 atual 68

BF 20

Bíceps 29

Abdômen 69

Coxa 63

Panturrilha 41

Antebraço 25

Atualmente estou em bulking vou permanecer até o fim de dezembro.

Poderia postar uma foto do antes e do atual?

  • 3 semanas depois...
  • 8 anos depois...

Volto a esse tópico por causa de uma frase da primeira mensagem da @Aaaaataa que ficou sem comentário e que, no meu entender, era a informação mais importante de todo o relato.

Ela escreveu, ainda no primeiro mês, que tinha percebido muito pouco efeito colateral, só a voz.

Só a voz.

Alteração de voz é, junto com o aumento de clitóris, o efeito de virilização que não regride. Ele não é um colateral entre outros, é o sinal de parada. E ele apareceu no primeiro mês, com a menor dose de todo o protocolo, antes de a dose triplicar.

Vou explicar o mecanismo, porque ele importa e porque explica também o outro sintoma dela.

O androgênio age diretamente na laringe. O músculo tireoaritenóideo, que compõe a prega vocal, sofre hipertrofia e hiperplasia, o tecido conjuntivo diminui e a mucosa fica edemaciada. A prega vocal fica mais espessa, e prega mais espessa vibra em frequência mais baixa. Por isso a voz fica mais grave e as notas altas se perdem.

E essa mudança estrutural não desfaz quando a substância é interrompida. Há relatos de virilização permanente da voz após uso de curta duração, e a literatura registra que uma única aplicação de testosterona já foi suficiente para produzir alteração vocal irreversível em mulher.

Isso muda completamente a leitura do que ela relatou no segundo mês.

Ela descreveu inflamação na garganta que não passava, sensação de queimação no céu da boca e na faringe e acúmulo de catarro. Ela interpretou como infecção de garganta.

Existe outra explicação, e ela é bem mais provável nesse contexto: são sintomas laríngeos do próprio androgênio. O edema de mucosa que acompanha a virilização produz exatamente essa sensação de irritação persistente, garganta que não melhora e pigarro com sensação de secreção. Infecção de garganta melhora ou piora, ela não fica igual por semanas.

Ou seja, o corpo dela estava avisando duas vezes, e as duas foram interpretadas como coisa menor.

Faço questão de dizer que não estou fazendo diagnóstico à distância, e que quem examina é o médico. O que estou dizendo é que essa hipótese precisava estar na mesa, e o profissional que responde por ela é o otorrinolaringologista, com laringoscopia. É um exame simples, e ele mostra a prega vocal.

Agora sobre a escolha das substâncias, e aqui está o ponto que eu mais gostaria que ficasse registrado para quem chegar a este tópico.

Ela usava oxandrolona junto com boldenona.

A oxandrolona tem meia vida em torno de nove horas. Isso significa que, se um sinal de virilização aparece, parar resolve rápido: em dois dias praticamente não há mais droga no organismo.

A boldenona é undecilenato, com meia vida em torno de catorze dias. Ela permanece liberando por meses depois da última aplicação.

A consequência prática é decisiva: quando a voz começou a mudar no primeiro mês, ela não tinha como interromper a exposição. Mesmo que tivesse parado tudo naquele dia, a boldenona continuaria agindo por muito tempo.

É por isso que, para mulher, composto de éster longo é a pior categoria de escolha que existe. Não é uma questão de potência, é de reversibilidade. Com meia vida curta, você tem freio. Com éster longo, você não tem.

Sobre a dose, um registro. A bula da oxandrolona vai de 2,5 a 20 mg por dia, e os 20 mg são o teto para qualquer pessoa. A faixa usual em mulher é de 5 a 10 mg. Ela terminou em 30 mg por dia.

E o @Locemar tinha previsto exatamente o que aconteceu, na segunda mensagem do tópico, quando disse que era bem provável que os colaterais se agravassem com o passar do ciclo e com o aumento das doses. Ele acertou.

Sobre os medicamentos que ela tomava junto, duas observações.

A primeira é a espironolactona, que ela usava para acne. Ela é um antiandrogênio, ou seja, ela bloqueia justamente o receptor que a oxandrolona e a boldenona estão tentando ativar. Usar as duas coisas ao mesmo tempo é pisar no acelerador e no freio. Além disso, a espironolactona é diurética e poupadora de potássio, e o potássio alto é o efeito adverso que exige atenção, principalmente em quem faz cardio e treina.

E há um detalhe que merece ser dito com todas as letras: a espironolactona é teratogênica e pode feminilizar feto masculino. Quem usa precisa de contracepção eficaz, e a mesma exigência vale pela outra ponta, já que os androgênios virilizam feto feminino.

A segunda é a glutationa, tomada para tentar evitar problemas. Não há evidência de que ela proteja o fígado do dano de 17 alfa alquilados, e a glutationa por via oral é mal absorvida, sendo quebrada no intestino antes de chegar ao sangue. O que protege o fígado é dose menor e tempo menor. O que monitora são TGO, TGP, gama GT e bilirrubinas.

O @Toxi levantou a questão da quantidade de drogas e recebeu uma resposta que merece ser respondida com cuidado.

Ela disse que não se considerava usuária recreativa porque estava em preparação para a primeira competição, em março.

O ponto é justo, e a distinção existe. Mas ela não muda a farmacologia. A prega vocal não sabe se a pessoa vai subir num palco. E há uma ironia difícil nessa história: a voz acompanha a pessoa por décadas, no trabalho, na faculdade que ela mencionou estar cursando e em todas as conversas da vida. O campeonato dura um fim de semana.

Sobre os números que ela trouxe: 1,63 m, de 62 kg para 68 kg, com 20 por cento de gordura, em bulking até dezembro, competindo no fim de março.

Vale uma observação prática, porque ninguém fez a conta do calendário. Vinte por cento de gordura no fim de novembro, com competição no fim de março, significa cortar bastante em quatro meses, e categorias de fisiculturismo feminino exigem percentuais bem mais baixos que isso. É um prazo apertado, e prazo apertado é justamente o que empurra para mais droga e para cortes mais agressivos.

Uma observação final sobre a sensibilidade nos dentes, que ela relatou e que não tem relação conhecida com androgênio. As causas mais comuns nesse contexto são bruxismo, que aparece com ansiedade e com estimulantes, e retração de gengiva. Ela mencionou usar manipulados para ansiedade. Vale levar ao dentista, porque tem solução simples e não tem nada a ver com o ciclo.

Para quem chegar aqui pela busca, os sinais de parada imediata em mulher, que valem mais que qualquer cronograma e que qualquer competição: rouquidão, voz mais grave, dificuldade nas notas altas da fala ou do canto, e aumento de clitóris. Esses não voltam. Acne, oleosidade, pelo, queda de cabelo e alteração de ciclo regridem e não são motivo de pânico.

Para quem quiser entender como se organiza um protocolo hormonal e quais exames costumam entrar antes, durante e depois, o site tem um orientador simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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