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Ciclo oxan 10 mg para falsa magra

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  • 4 meses depois...
Em 14/11/2017 em 09:32, Micael Silva disse:

Mas enfim, eu queria mto secar essa banha dos meus flancos e abdómen.  Porem tenho um grande problema com emagrecer ( trauma diria). Como eu era mto magra e fiz de tudo p engordar, eu começo ficar desesperada qdo perco um pouquinho de massa sequer. Eu diminui o carboidrato,  estou comendo so no café que já é meu pré treino e no pós treino, meus flancos diminuíram um pouco mas me sinto magra, já começo ficar triste, queria tanto ganhar massa nas pernas.

Ate´parece que fui eu que escrevi, rsrs. Meu caso é exatamente assim. Encontrei teu relato agora, e vou ler tudinhooo!

  • Autor

 

4 horas atrás, vemverão disse:

Ate´parece que fui eu que escrevi, rsrs. Meu caso é exatamente assim. Encontrei teu relato agora, e vou ler tudinhooo!

Esse é meu primeiro relato.. tenho um segundo https://fisiculturismo.com.br/forum/topic/115924-relato-da-sereia/?page=17&tab=comments#comment-988111

Mas tem mta coisa escrita kkkkk 

  • 1 mês depois...
  • 7 anos depois...

Esse relato tem uma linha que atravessa todas as 20 páginas e que ninguém tratou como o assunto principal, embora fosse.

A @Sereiafit é cantora.

E o tema da voz aparece já na segunda semana do ciclo, volta em novembro, volta em dezembro, volta em janeiro e reaparece no fim, depois da boldenona, com a frase que fecha a história: a voz lascou de vez.

Quero começar por aí, porque é o ponto em que a conversa do tópico levou o assunto para o lado errado.

Quando ela relatou rouquidão, a explicação que circulou foi de esforço vocal e de garganta. Foi dito para evitar cantar durante o ciclo, para não ensaiar, para não beber água gelada, para poupar as cordas. E ela mesma escreveu, mais de uma vez, que a rouquidão devia ser da garganta inflamada e do tempo seco de Cuiabá.

O problema é que esses dois quadros são diferentes e só um deles volta atrás.

Rouquidão por inflamação, por esforço vocal ou por ar seco é da mucosa, e melhora com repouso e hidratação. A alteração vocal por androgênio não é da mucosa: é uma mudança estrutural da prega vocal, com espessamento do epitélio, da lâmina própria e da fibra muscular. É o mesmo processo da puberdade masculina, e ele não é reversível de forma confiável. A literatura descreve casos de virilização vocal permanente inclusive após uso curto, com melhora apenas parcial depois da interrupção.

E o que ela descreveu era o quadro estrutural, não o inflamatório. Ela escreveu, em novembro: falando a voz é a mesma, porém perdi a força, voz falhando ao cantar, grave mais limpo e não alcanço agudos.

Perder agudo e ganhar grave limpo não é garganta inflamada. É exatamente o desenho da alteração androgênica, e ele apareceu na sexta semana do ciclo.

A @Loirafitness escreveu no mesmo tópico que, um ano depois do stanozolol, ainda não conseguia mais algumas notas. Estava dando o desfecho antes da hora, e passou como comentário lateral.

Vale dizer com todas as letras, porque é a parte que muda decisão: entre os sinais de virilização, acne, oleosidade, retenção, libido e alteração de fluxo regridem quando se para. O engrossamento da voz e o aumento do clitóris, não. Nesses dois, não existe observar e ver se piora, porque observar é esperar dentro do dano.

E há uma sugestão prática que custa nada e vale mais que qualquer descrição: gravar trinta segundos de voz no celular, sempre no mesmo horário, uma vez por semana. A mudança é gradual e o ouvido se acostuma. A gravação não se acostuma. Para quem canta, vale gravar também uma escala subindo, porque o agudo é o primeiro a ir.

Agora a escolha seguinte, que é onde a farmacologia explica o desfecho.

Depois da oxandrolona, ela passou para boldenona, 100 mg por semana. E foi nesse ciclo que a voz se perdeu de vez.

O undecilenato de boldenona tem meia vida da ordem de duas semanas, com detecção que se estende por meses. A oxandrolona tem meia vida em torno de 9 horas.

Isso não é um detalhe de conveniência. Como parte dos sinais de virilização é irreversível, o valor inteiro de um composto de ação curta está em poder interromper no dia em que o sinal aparece e ter a exposição caindo depressa. Com éster longo, no dia em que a voz muda ainda restam semanas de droga circulando, e não existe como acelerar isso.

Para mulher, meia vida curta não é conveniência. É a margem de segurança inteira.

Ou seja, ela já tinha demonstrado sensibilidade vocal na oxandrolona, que era o composto do qual dava para sair rápido, e a etapa seguinte foi justamente aquela da qual não dava.

Agora o cabelo, que foi o outro colateral forte e que também recebeu uma explicação que precisa de ajuste.

Foi dito no tópico que esteroides à base de di hidrotestosterona, como a oxandrolona, geram bastante queda de cabelo, e que por isso o gel de testosterona seria a alternativa melhor.

A primeira parte é razoável. A segunda não se sustenta. A queda de padrão androgenético depende de di hidrotestosterona formada no próprio folículo, a partir da testosterona, pela 5 alfa redutase. Testosterona em gel fornece justamente o substrato dessa conversão. Não existe base para tratar o gel como opção segura para o cabelo, e o que determina o desfecho é a sensibilidade individual do folículo, que varia enormemente de pessoa para pessoa.

Aliás, foi citado no tópico um exame com di hidrotestosterona alta e nenhuma queda de cabelo. É exatamente a demonstração do ponto: o valor no sangue não prevê a queda, porque o que decide é o que acontece dentro do folículo.

Há, no relato dela, uma distinção que vale muito e que ninguém fez.

Existem dois tipos de queda diferentes aqui. O eflúvio telógeno é uma queda difusa, que aparece semanas depois do estímulo, dura alguns meses e se recupera sozinha. A queda de padrão androgenético é o afinamento progressivo do fio, com miniaturização do folículo, e essa não volta sozinha.

A descrição dela tem elementos dos dois: queda intensa e difusa que começou cedo, seguiu depois do fim do ciclo e veio junto de crescimento acelerado dos pelos. Isso é bom sinal quanto ao volume que ela recuperaria. Mas ela também escreveu que o cabelo estava mais ralo, e isso é o que precisa de olho de dermatologista, porque afinamento é outra história.

E, sobre o minoxidil que ela cogitou: é o tratamento com melhor evidência para queda de padrão feminino, e funciona melhor quanto mais cedo se começa. Só um cuidado, porque aparece muito por aqui: finasterida não é opção para mulher em idade fértil, por risco de malformação em feto masculino.

Agora um ponto que ficou literalmente sem resposta no tópico e que era o mais objetivo de todos.

Ela perguntou se poderia usar fluconazol, um comprimido por semana durante três meses, prescrito pelo dermatologista para uma unha, enquanto tomava oxandrolona. Ninguém respondeu.

A resposta certa não é sim nem não vindo de fórum, e sim: essa pergunta volta para quem prescreveu. O motivo é concreto. O fluconazol tem elevação de enzimas hepáticas entre os efeitos descritos, e a oxandrolona é um oral 17 alfa alquilado, ou seja, uma molécula modificada exatamente para resistir ao metabolismo hepático, e é essa modificação que se associa à sobrecarga do fígado.

São dois agentes com carga hepática somando ao mesmo tempo, por três meses. Isso não significa que não se possa fazer. Significa que quem prescreveu precisa saber do outro, e que hepatograma no meio do caminho deixa de ser opcional.

E vale a mesma lógica para a enxaqueca, que também virou tema aqui.

Ela tem enxaqueca crônica e ficou sem tomar nada porque leu que não podia. Depois recebeu a orientação de cortar o leite, com a afirmação de que em dois meses a enxaqueca poderia estar curada e de que leite é um péssimo alimento.

Preciso discordar. Dieta de exclusão para enxaqueca tem evidência fraca e resultado individual, e laticínio não é gatilho estabelecido para a maioria das pessoas. Testar é legítimo, e não custa nada, mas apresentar como cura provável é ir muito além do que se sabe. E, no caso específico dela, que estava em dieta com proteína contada, cortar leite e queijo tem um custo imediato de proteína e cálcio.

O ponto de fundo é outro: enxaqueca crônica não se trata apagando incêndio com o que tem na gaveta. Ela tem tratamento preventivo, e quem toma analgésico com frequência alta corre risco de cefaleia por uso excessivo de medicação, que é justamente a armadilha em que se cai tentando resolver crise a crise. É consulta, não fórum.

Agora o item que eu considero o mais útil do tópico inteiro para quem lê hoje, porque ele reaparece em todo lugar.

Ela contou que os exames vieram normais, exceto a creatino quinase, e que a leitura foi de que o treino não estava pegando, porque as fibras não estariam rompendo.

Isso não procede. A creatino quinase mede dano muscular recente, e ela varia de forma enorme entre pessoas, com o horário da coleta, com o tempo desde o último treino e com o quanto aquele treino era novo. E existe um fenômeno bem descrito: quem já está adaptado a um estímulo apresenta resposta menor de creatino quinase ao repeti lo.

Ou seja, valor baixo em quem treina há anos é compatível com adaptação, e não com treino insuficiente. Não existe faixa de creatino quinase que signifique treino bom.

E o mesmo vale para a frase dela, que é a crença mais difundida da academia: o que dói é o que cresce. Dor muscular tardia é sinal de estímulo pouco habitual, não de hipertrofia. Ela cai à medida que a pessoa se adapta, justamente enquanto os ganhos continuam acontecendo. Quem persegue dor acaba trocando de exercício o tempo todo e perdendo a única coisa que realmente prevê resultado, que é progressão de carga registrada ao longo das semanas.

Sobre a dose, já que foi tema recorrente.

Ela usou 40 mg no primeiro ciclo, 10 mg neste, e voltou várias vezes à ideia de subir para 15 ou 20 mg por achar que tinha estagnado.

Duas coisas aqui. A primeira é que 20 mg por dia é o teto de bula da oxandrolona para adulto, e 40 mg era o dobro disso. A segunda é que a estagnação que ela descreveu tem explicação nos próprios posts dela: foram exatamente as semanas em que ela relatou pular refeições por causa de estresse, viagem e problemas pessoais, e ela mesma escreveu isso. Não faltava dose. Faltava comida.

Esse é o padrão mais comum de todos os relatos daqui, e ele merece ser dito de forma direta: quando o resultado trava, a primeira variável a conferir é a que não custa nada, que é o que entrou no prato.

E fecho com o que eu acho de verdade desse relato.

Ela saiu de 45 kg magra e sem massa para um shape que motivou dezenas de mulheres a abrir os próprios relatos, com três filhos, diástase, viagens a trabalho e marmita na mala. Levantou 70 kg no agachamento livre e 150 kg no leg. Manteve dieta em restaurante de estrada. Isso é trabalho, e é o que produziu a maior parte do que apareceu nas fotos.

O que eu mudaria não é o esforço. É a ordem em que os sinais foram lidos. Ela tinha, na sexta semana, a informação mais importante do ciclo inteiro na própria garganta, e essa informação foi interpretada como clima seco.

Se um dia ela retomar, o critério é esse: com voz já alterada, e sendo cantora, o que está em jogo não é estética, é o instrumento de trabalho. E é a única coisa desse relato que não dá para recuperar treinando mais.

Uma última observação, sobre o implante de gestrinona que ela cogitou por causa da endometriose. Em outubro de 2024 a Anvisa suspendeu a fabricação, a manipulação, a venda e a divulgação dos implantes hormonais manipulados, os chamados chips, justamente por falta de comprovação de segurança e eficácia nessa forma de uso. Endometriose e ovário policístico têm tratamento com indicação, e essa é uma conversa com ginecologista.

Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e o que cada um responde, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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