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Posso tomar sibutramina e franol?

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  • 6 anos depois...

Essa combinação específica é das poucas em que eu diria com todas as letras para não fazer, @Ita.ggg, e vale explicar exatamente por quê, porque o motivo não é moralismo, é farmacologia.

O Franol é teofilina com sulfato de efedrina, 118 mg e 15 mg por comprimido, e é um broncodilatador indicado para asma e broncoespasmo. A efedrina é um simpaticomimético: ela libera noradrenalina e estimula receptores adrenérgicos, o que aumenta frequência cardíaca, pressão arterial e gasto energético. A teofilina é uma metilxantina, prima da cafeína, que também estimula o sistema cardiovascular e tem uma característica perigosa própria, que é a janela terapêutica estreita, ou seja, a distância entre a dose que funciona e a dose que intoxica é pequena, e a intoxicação por teofilina cursa com arritmia e convulsão.

A sibutramina age por outro caminho, inibindo a recaptação de noradrenalina e de serotonina no sistema nervoso central. O resultado prático é que ela também aumenta a disponibilidade de noradrenalina, e por isso já causa, sozinha, elevação de pressão arterial e de frequência cardíaca. É justamente por esse perfil cardiovascular que ela foi retirada do mercado em vários países depois do estudo SCOUT, que mostrou aumento de eventos cardiovasculares em pacientes de risco, e que no Brasil ela ficou sob controle especial, com receita azul e termo de responsabilidade.

Somando as duas: você tem três substâncias que empurram o mesmo sistema na mesma direção, uma aumentando a liberação de noradrenalina, outra impedindo a recaptação dela, e uma terceira estimulando por conta própria. Isso não é soma, é potencialização. O risco concreto é crise hipertensiva, taquicardia, arritmia, dor no peito, e em casos extremos infarto e AVC, inclusive em pessoa jovem e sem doença conhecida. A bula da sibutramina traz contraindicação explícita ao uso com outros agentes de ação central sobre noradrenalina e serotonina, e efedrina entra nessa categoria.

Existe ainda um detalhe que agrava: a resposta é bastante individual e imprevisível. Duas pessoas tomando a mesma coisa podem ter reações muito diferentes, e não há como saber de antemão em qual grupo você está. Por isso relato de conhecido que tomou e passou bem não serve como garantia.

E há a parte que quase ninguém menciona: o efeito no emagrecimento não justifica o risco. A sibutramina, nos estudos, produz perda média em torno de 4 a 5 kg a mais que o placebo em um ano, e isso quando acompanhada de dieta. A efedrina com cafeína tem efeito documentado, porém modesto, e com tolerância se instalando em poucas semanas. Ou seja, você estaria assumindo risco cardiovascular alto por um ganho que dieta bem feita entrega com folga.

Se o objetivo é o verão, como o pessoal brincou no tópico, o caminho que funciona e não coloca o coração em risco é o de sempre: déficit calórico de 400 a 600 calorias, proteína alta para preservar massa magra, treino de força para não perder músculo e caminhada ou corrida somando gasto. Isso entrega mais em três meses do que qualquer uma dessas duas substâncias.

Se você já usa sibutramina com prescrição, converse com quem prescreveu antes de acrescentar qualquer coisa, e diga inclusive sobre termogênicos e pré-treinos, porque a maioria deles tem cafeína em dose alta e o problema se repete em menor escala. E se por acaso você já tomou os dois juntos e sentiu palpitação, falta de ar, dor no peito, dor de cabeça forte ou tontura, isso é procura de pronto-socorro no mesmo dia, não é para esperar passar.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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