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Anticoncepcional, esteroides, ciclos, colaterais

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Por Dudu Haluch

 

– a testosterona é o principal hormônio anabólico, e nas mulheres esse hormônio é produzido pelas glândulas supra-renais e ovários, porém em menores quantidades 0,25 a 1mg/dia, uma quantidade cerca de 10 a 20x menor que nos homens. Essa é a principal razão da dificuldade das mulheres em ganhar massa muscular, portanto o medo de algumas mulheres de ficar grande com o treinamento de força é totalmente infundado sem o uso de esteroides androgênicos;


- uma média de ~10kg de massa muscular (não apenas peso bruto) em 4-5 anos de treino com tudo bem feito. Pode ser bem variável isso, mas está em acordo com muitas mulheres que tem muitos anos de treino. Evolução do físico leva muitos anos de forma natural, e mesmo com hormônios não é tão simples quando dieta e treino não são bem feitos. Quanto mais tempo de treino e melhor seu físico, mais difícil se torna evoluir, porque você tende a se aproximar do limite natural;

o uso do anticoncepcional diminui de forma bastante agressiva os níveis de testosterona total e livre, o que tende a limitar fortemente o ganho de massa muscular;

o padrão do corpo feminino em forma de pera é decorrente da maior presença de receptores de estrogênio na região do glúteo e das coxas, assim como maior presença de receptores alfa-adrenérgicos (anti-lipolíticos) em relação a receptores beta-adrenérgicos (lipolíticos), o que favorece maior acúmulo de gordura nessa região. Membros inferiores de mulheres foram encontrados para ter cerca de nove vezes mais receptores alfa-2 em relação a receptores beta-2. Isso significa menor queima de gordura para as mulheres nos membros inferiores. Receptores alfa e beta adrenérgicos são receptores das catecolaminas (adrenalina e noradrenalina), hormônios que quando se ligam a esses receptores levam a um aumento (beta 2 adrenérgicos) ou redução (alfa 2 adrenérgicos) da lipólise (quebra da gordura em ácidos graxos para posterior oxidação na mitocôndria);

o uso do anticoncepcional tende a aumentar a concentração desses receptores alfa-adrenérgicos (alfa-2 principalmente), presentes principalmente no glúteo e nas coxas das mulheres, dificultando muito a perda de gordura nessas regiões;

– por reduzir a testosterona a aumentar a concentração de receptores alfa-2 adrenérgicos, o anticoncepcional claramente cria um ambiente hormonal totalmente desfavorável para uma mudança favorável na composição corporal, já que dificulta o ganho de massa muscular e queima de gordura;

– as doses mais eficazes de esteroides androgênicos para as mulheres visando ganho de massa muscular giram em torno de ~20mg dia (oxandrolona, stanozolol, primobolan, etc, doses comuns em categorias Wellness), o que equivale a cerca de ~140mg de androgênios por semana (claro que ocorre alguma perda devido à metabolização). Considerando que as mulheres produzem ~4-7mg de testosterona semana, temos níveis de androgênios ~20x maiores para gerar bons ganhos de massa muscular num curto espaço de tempo;

– as consequências são óbvias, doses maiores oferecem um potencial maior risco de virilização e masculinização. Hipertrofia do clitóris, perda dos seios, queda de cabelo, engrossamento da voz, hirsutismo, acne, são colaterais comuns quando se passa essa faixa de maior segurança. Doses maiores oferecem maior ganho de massa muscular, mas também potencializam colaterais;

– mesma coisa que vale para os homens, vale para as mulheres, você não consegue manter após um ciclo os ganhos que teve durante o ciclo, pois a concentração de hormônios durante o ciclo é muito acima do que o seu corpo produz naturalmente (10-20x mais androgênio). Isso provoca um crash hormonal pós ciclo, de modo que boa parte, se não todos os ganhos serão perdidos, então não adianta se iludir com o uso temporário de esteroides;

– as atletas e modelos fitness que atingem físicos invejáveis em geral possuem genética muito acima da média (maior sensibilidade à insulina e à androgênios), e/ou fazem uso mais frequente de hormônios (mas não em doses altas como muitos podem pensar). É frequente o uso de GH, principalmente em fase em que se interrompe o uso de esteroides. Essas mulheres sabem que o abuso agrava a virilização e muitas delas já possuem alguns traços virilizantes;

dedicação, paciência e conhecimento são as únicas formas de construir um físico bonito quando seu potencial genético é mais limitado. Mas a maioria das pessoas tem condições de conquistar isso com essas três qualidades, com genética mediana. O difícil mesmo é ter conhecimento, paciência e disciplina, por isso meninas a quase totalidade de vocês continuará apenas admirando o shape dos sonhos das suas musas do fitness. Genética top e espírito de bodybuilder são pra poucos, mas você tem a chance de tentar.

Fonte: http://www.duduhaluch.com.br

  • 1 ano depois...
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    Resposta simples= Aeróbico.  Quando falo e repito e repito e repito.....e repito novamente e pinto no rosto....e deixo negrito.......escrevo importante ao lado......rsrsrsrs Aerobico (esteira na

  • O uso do esteroide, por si só, vai inibir os hormônios que favorecem o acúmulo de gorduras. Então da mesma forma que os seios diminuem, as pernas deixam, em parte, de acumular gorduras, claro dependen

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    @Locemar, estou estudando exatamente sobre isso agora... As mulheres têm maior propensão a acumular gordura nas pernas e quadril por conta de receptores... Como pode ser trabalhado isso? O u

@Locemar, estou estudando exatamente sobre isso agora... As mulheres têm maior propensão a acumular gordura nas pernas e quadril por conta de receptores...

Como pode ser trabalhado isso?

O uso de tamoxifeno durante um ciclo feminino bem estruturado (como um cutting) poderia acarretar em maior redução de gordura nas pernas e quadril, por exemplo?

Ou existe outro método mais eficaz para atacar de maneira mais significativa as gorduras teimosas cheias de receptores?

Convido tb ao debate @Apollo Galeno, @Foston, @FitCoupleHim, @Sereiafit, @Joana Darc sb

  • Moderador
7 minutos atrás, Bravo Costa disse:

Ou existe outro método mais eficaz para atacar de maneira mais significativa as gorduras teimosas cheias de receptores?

Resposta simples= Aeróbico.  Quando falo e repito e repito e repito.....e repito novamente e pinto no rosto....e deixo negrito.......escrevo importante ao lado......rsrsrsrs

Aerobico (esteira na velocidade 5 ou 6...vo2 max....bla bla bla) diminui a resistência periférica a insulina (ou melhora a sensibilidade....como preferir). Por isso que os aeróbicos em cutting são mais frequentes.........e por isso que aeróbico no Bulk tbm tem que ser feito.......pois melhora o organismo como bomba de combustível para dieta que está sendo realizada.

Em termos de medicamentos temos o uso de Anastrozol que diminui os níveis de estrógeno , e diminuindo estrógeno, diminuímos acumulo de gordura nas áreas mais tendenciosas. Mas não considero boa estratégia........

 

  • Moderador
52 minutos atrás, Bravo Costa disse:

As mulheres têm maior propensão a acumular gordura nas pernas e quadril por conta de receptores...

Como pode ser trabalhado isso?

O uso do esteroide, por si só, vai inibir os hormônios que favorecem o acúmulo de gorduras. Então da mesma forma que os seios diminuem, as pernas deixam, em parte, de acumular gorduras, claro dependendo de dose, tipo de esteroide, alimentação, treinos, e individualidade de quem usa.

19 minutos atrás, fit+123 disse:

Tem treino específico para hipertrofia e para secar ? ou o que define isso é 100% a alimentação ?

É a dieta que seca.

  • 7 anos depois...

Tópico bom, com material técnico de verdade. Vou responder as duas perguntas que ficaram em aberto e ajustar um ponto do texto de abertura.

Primeiro, a pergunta sobre usar tamoxifeno para atacar a gordura de quadril e pernas. Não funciona, e o @Apollo Galeno já tinha intuído que não era boa estratégia. O motivo é que o tamoxifeno é um modulador do receptor de estrogênio, e o comportamento dele muda conforme o tecido: em alguns ele bloqueia, em outros ele age como estrogênio. Mais importante, reduzir sinalização estrogênica não redistribui gordura que já está depositada. E, em mulher, derrubar estrogênio cobra caro em osso, humor, libido, lubrificação e perfil cardiovascular. O mesmo raciocínio vale para o anastrozol.

Sobre a gordura de região específica, o mecanismo descrito no texto de abertura está correto: a região de quadril e coxa em mulheres tem densidade muito maior de receptores alfa-2, que travam a liberação de gordura, em relação aos beta-2, que liberam. Só que daí não decorre que exista uma forma farmacológica prática de atacar aquela região.

O que de fato acontece é mais simples e menos animador: conforme o percentual de gordura total cai, as regiões resistentes também cedem, só que por último. Não existe atalho para inverter a ordem.

Existe um fator adicional que explica por que o conselho do Apollo sobre aeróbico funciona, e o mecanismo é outro que ele não citou. A gordura subcutânea de quadril e coxa tem fluxo sanguíneo naturalmente menor, e o exercício aumenta esse fluxo na região. Sem circulação chegando, a gordura mobilizada nem é transportada para ser oxidada. A melhora de sensibilidade à insulina que ele mencionou também existe, mas o fluxo é a parte mais diretamente ligada ao problema da gordura localizada.

Já que o tópico entrou em farmacologia, vale mencionar o único composto cujo mecanismo realmente corresponde ao problema descrito: a ioimbina, que é antagonista de receptor alfa-2, justamente o receptor que está em excesso naquela região. A lógica é elegante e o efeito parece depender de ser usada em jejum, porque a insulina anula a ação. Dito isso, a evidência em humanos é limitada, ela é medicamento e não suplemento, e o perfil de efeitos adversos é relevante, com ansiedade, taquicardia e elevação de pressão. Não é algo para sair usando por conta.

Agora um ajuste no texto de abertura, @Locemar, no ponto sobre anticoncepcional. O mecanismo está certo: o etinilestradiol aumenta a SHBG em duas a quatro vezes, e isso derruba a testosterona livre. Só que a consequência prática não se confirmou como se esperava. Os estudos que compararam ganho de massa e de força em mulheres usando e não usando anticoncepcional têm resultados mistos, e as revisões mais recentes não encontram prejuízo consistente de hipertrofia. Ou seja, o hormônio cai, mas o resultado na academia não cai na mesma proporção. Vale saber, porque muita mulher larga um método contraceptivo que funciona bem por causa dessa informação.

O que o anticoncepcional realmente costuma afetar, e aí com bastante consistência, é a libido, justamente pela mesma via da SHBG.

@fit+123, sua pergunta merecia mais do que ficou, então respondo com calma.

O @Foston acertou ao dizer que é a dieta que seca. Mas existe uma segunda metade que é ainda mais importante: o treino não decide se você perde peso, decide o que você perde.

Em déficit calórico, o corpo escolhe entre tirar de gordura ou de músculo, e a carga pesada é o sinal que manda ele preservar o músculo. Quem faz déficit sem treino de força perde uma proporção muito maior de massa magra, emagrece e continua sem forma. Junte proteína alta, entre 1,8 e 2,2 g por quilo, e você tem o conjunto que protege.

E aproveito para derrubar o mito mais caro do treino feminino: não existe treino de definição com carga baixa e vinte repetições. Essa lógica é exatamente o contrário do que funciona, porque abandona justamente o estímulo que preserva músculo na fase em que ele está mais ameaçado. As pessoas que você vê pegando carga alta estão certas, e o número na balança que elas perdem sai quase todo de gordura por causa disso.

E o dado de dez quilos de massa muscular em quatro a cinco anos, que aparece no texto de abertura, é realista e vale ser guardado. Isso é o teto para uma mulher treinando bem, e coloca em perspectiva qualquer promessa de transformação em três meses.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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