Pular para o conteúdo

Cláudio Chamini

Colaborador
  • Entrou em

  • Última visita

Tudo postado por Cláudio Chamini

  1. CrisLima, antes de qualquer suplemento ou fármaco, deixa eu ser honesto sobre a oxandrolona que sua amiga sugeriu. Copiar o ciclo de outra pessoa é um dos erros mais comuns e mais arriscados, porque cada corpo e cada histórico é diferente, e no seu momento, saindo de uma depressão e de compulsão alimentar, ela não é a peça que vai resolver, e ainda pode virar mais uma fonte de frustração se a base não estiver de pé. Guarda essa ideia para muito depois, se um dia fizer sentido. O que de fato vai mudar seu jogo agora é o básico bem feito, e olha que você já está fazendo bastante, treino três vezes na semana e caminhada diária é mais do que muita gente. Reduziu sete quilos assim, então a estrutura funciona, só precisa de ajuste fino na alimentação e de consistência. A falta de ânimo que você sente muitas vezes vem de comer pouco demais ou de forma desequilibrada, e não se resolve com termogênico, que aliás não é o que você precisa comprar primeiro. Se você quiser, me conta como está a sua alimentação e a gente ajusta um déficit sustentável, com comida que você gosta, porque dieta que dá para manter vale mais que dieta perfeita que você larga na primeira semana ruim. E cuidar do lado emocional em paralelo, com apoio profissional se possível, é parte do processo, não um detalhe. Você já provou que consegue, agora é lapidar o caminho com calma.
  2. Sarah, o seu próprio relato já entrega a resposta, você é falsa magra com 30 por cento de gordura e pouco músculo, e o que resolve isso não é mais emagrecimento e sim construir massa. Continuar em déficit agressivo com esse quadro só vai te deixar magra e flácida, o famoso skinny fat, que é exatamente o que te incomoda no espelho hoje. O caminho é comer perto da manutenção ou num superávit leve, com proteína alta, e treinar pesado para dar forma ao corpo. Sobre o pânico de passar dos 70kg, aí é onde eu peço um voto de confiança para você reprogramar a cabeça. Músculo pesa e ocupa menos volume que gordura, então é perfeitamente possível a balança subir enquanto você fica mais definida, com glúteo maior e cintura igual ou menor. Se você amarrar seu progresso ao número da balança, vai sabotar justamente o que precisa acontecer. Usa foto, medida e espelho como termômetro, não o peso. E como você vem de uma história com Ozempic e restrição, vale ter cuidado com a relação com a comida nesse recomeço, comer o suficiente aqui não é retroceder, é a ferramenta que constrói o corpo que você quer. Se der para ter apoio profissional nessa transição, ajuda muito a segurar a ansiedade da balança. Troca o medo de engordar pela meta de ganhar músculo que o resultado que você descreve mora ali.
  3. rafael, se a meta é chegar mais seco em março, entrar num bulking agora joga contra esse objetivo, porque bulking significa aceitar ganhar alguma gordura junto, e você teria pouco tempo depois para tirá-la a tempo. Com o prazo que você tem, faz mais sentido seguir na recomposição ou até num déficit leve, mantendo a proteína alta, para ir baixando o percentual sem perder o que já construiu. Bulking é para quando não há data curta pressionando. O enantato com masteron que você usa já é um combo que favorece justamente esse cenário de manter seco, então não vejo motivo para mexer nos ergogênicos agora, muito menos partir para algo mais pesado por causa de um prazo. Mudança de fármaco não é o que resolve a decisão entre secar ou crescer, quem resolve isso é o ajuste de calorias. Sobre o cardio que você comentou, 20 minutos pós-treino é uma boa ferramenta para ampliar o gasto, e todo dia pode ser demais de largada, começa com três a quatro vezes e sobe se a perda travar. E por estar usando, mantenha os exames em dia e de preferência acompanhamento médico para vigiar pressão, lipídios e hematócrito ao longo do tempo. Define o objetivo pela data primeiro que o resto se encaixa, e no seu caso secar antes e crescer depois é a ordem que faz sentido.
  4. Ezra, o Batata te deu o conselho certo e eu reforço, com três semanas de volta à academia o corpo mal recomeçou, e é cedo demais para pensar em qualquer coisa além de comida e treino. A boa notícia é que quem já teve um corpo em forma tem a memória muscular a favor, então a recuperação tende a vir mais rápido do que você imagina, mas ela vem da constância, não de fármaco nesse momento. Sobre os culotes, essa é uma gordura de região que a gente não escolhe onde perder primeiro, ela sai conforme o percentual geral baixa, e isso é dieta em déficit com paciência. Não existe algo para tomar que ataque o culote em específico, e quem promete isso está vendendo ilusão. O que funciona é manter o déficit moderado, proteína alta e o treino consistente, e a região teimosa cede por último, mas cede. Como o casamento e a lua de mel têm data, o que joga a seu favor é começar já e manter firme até lá, sem radicalizar, porque déficit muito agressivo em quem voltou há pouco só rouba energia de treino e músculo. Constância batendo a meta calórica todo dia vale mais que sofrimento pontual. Segue firme na base que você chega bem na praia.
  5. galloV017, você tocou num ponto que sempre gera essa divisão, e a resistência ao agachamento livre costuma vir menos de preguiça e mais de duas coisas, técnica malfeita que dói ou incomoda, e o fato de ser um exercício que exige muito de uma vez. Quem aprende a agachar direito e sente o movimento fluir raramente odeia, quem só conhece o agachamento travado e a lombar reclamando naturalmente foge dele. Sobre carga, eu não colocaria número como troféu, porque amplitude muda tudo. Um agachamento completo, descendo até abaixo da paralela com controle e com um peso moderado, vale muito mais que uma carga alta em meio movimento. É comum ver gente empilhando anilha e descendo um palmo, e aí o número impressiona mas o estímulo real é pobre. Prefira amplitude cheia e progressão lenta a ego na barra. E ele realmente ajuda o corpo todo, não pela lenda de liberar hormônio mágico, mas porque é um movimento que recruta muita massa, permite carga progressiva e ensina o corpo a produzir força de forma integrada, o que transborda para os outros treinos. Não precisa ser o único, dá para desenvolver perna com leg e hack também, mas quem domina o agachamento livre com boa técnica tem uma base difícil de igualar. Capricha na execução que a carga vem sozinha com o tempo.
  6. Com 17 anos e esse histórico, o mais importante que dá para dizer é que o seu corpo ainda está em plena formação, e isso joga totalmente a seu favor. Nessa idade, comida de verdade, treino consistente e sono são o combo que mais transforma físico, e não existe nenhum atalho de fármaco que compense o que a constância vai te dar naturalmente agora. Nem passa por essa ideia, você não precisa e o custo para um corpo em desenvolvimento não compensa. Sobre ganhar peso, sendo falso magro o caminho é comer um pouco acima da manutenção com bastante proteína e carboidrato para ter energia no treino, de forma variada como você já vem fazendo. Se você desanima e para, vale focar em treinos mais curtos e objetivos que caibam na rotina, porque frequência que se mantém rende mais do que treino perfeito que você abandona. Para a panturrilha curta, é questão de inserção, então trabalha ela com volume e paciência sabendo que ela responde devagar. O ponto que eu não deixaria de lado é a glicose. Valores de 97 a 110 em jejum merecem ser acompanhados por um médico de verdade, porque isso é saúde antes de ser estética, e é o tipo de coisa que se resolve melhor cedo. Cuida disso com um profissional, mantém o treino e a comida, e nessa idade os resultados vêm sólidos. Constrói a base agora que o futuro agradece.
  7. sophyeDee, esse medo que você sente não é bobagem, é sinal de bom senso, e ele merece uma resposta séria mesmo no meio da brincadeira do pessoal. A boa notícia é que a esmagadora maioria dos objetivos estéticos que levam alguém a pensar em bomba dá para alcançar sem ela, com dieta ajustada, treino consistente e tempo. Antes de qualquer coisa, vale você definir qual é o objetivo real, porque muita gente cogita ciclo para resolver algo que treino e comida resolveriam. Se em algum momento a decisão for por seguir esse caminho, a forma de não virar estatística é conhecer o que se vai usar, começar pela menor dose, fazer exames antes e durante e ter acompanhamento médico de verdade. O que machuca não é o medo, é o uso às cegas, dose alta no chute e sem nenhum controle de exame. Medo com informação vira cuidado. Então minha sugestão sincera é você me contar o objetivo e o seu momento de treino e dieta, que dá para traçar um plano que provavelmente nem precisa de fármaco no curto prazo. Guarda esse respeito pela coisa que você já demonstrou, ele vai te proteger. Não tenha pressa de arriscar o que dá para construir com paciência.
  8. Carol, o t0xic te deu uma resposta muito honesta ali em cima e vale grifar. A oxandrolona é bem menos lipolítica do que a fama dela sugere, ela não é uma queimadora de gordura, o que ela faz é ajudar a preservar e dar um tônus à massa magra enquanto você seca. Quem seca de fato é o déficit calórico com proteína alta e treino, e a oxan entra como coadjuvante nesse processo, não como protagonista. Ou seja, se a expectativa é tomar o comprimido e ver a gordura derreter sozinha, ela vai frustrar. Agora, se o cenário for uma dieta já bem montada e um treino consistente, aí ela ajuda a chegar mais definida e a não perder músculo no caminho. Faz diferença você ajustar a expectativa antes de começar, porque isso muda o que você vai cobrar dela. Para dose, em mulher o caminho é começar na faixa mais baixa e observar como o corpo responde, de olho em sinais de virilização como voz e pelos, e conduzir com exames e acompanhamento médico se possível. E a base continua sendo a dieta, é ela que entrega a secada que você quer. Monta o déficit primeiro que a oxan trabalha a favor, na ordem inversa ela decepciona.
  9. Cláudio Chamini respondeu a uma postagem em um tópico em Relatos de ciclos
    Sobre a maior dúvida, de dividir os 5mg ou tomar de uma vez, o Foston já apontou o caminho e ele está atualizado. O consenso hoje é usar a dose única e não fracionar mais a oxandrolona ao longo do dia, então 5mg de uma vez resolve e simplifica. Fracionar era prática antiga que não trouxe vantagem prática nenhuma. Sobre o objetivo de glúteo com hérnia lombar, aí mora o ponto que vai fazer mais diferença que o comprimido. Dá para desenvolver glúteo muito bem sem sobrecarregar a coluna, priorizando movimentos como elevação pélvica, cadeira abdutora, coice na polia e agachamentos e leg com amplitude e carga ajustadas para não estressar a lombar. É a seleção certa de exercício, e não a oxandrolona, que vai construir o glúteo com segurança no seu caso. Como você tem uma endócrino disposta a te acompanhar, isso é ótimo, aproveite para levar seus exames e alinhar a dose e o tempo com ela, e ficar atenta a sinais de virilização como voz e pelos. Ter acompanhamento médico de verdade é o maior diferencial de segurança que você pode ter, muito mais do que qualquer detalhe de horário do comprimido. Foca no treino certo para a coluna que o glúteo vem sem cobrar a sua lombar.
  10. Jéssica, primeiro sobre esses sintomas. Amargo na boca e tremedeira não são um efeito típico e direto da oxandrolona nessa dose, então vale olhar o entorno antes de culpar o comprimido, coisas como ansiedade, cafeína, pré-treino, sono ruim ou até o nervosismo de estar começando algo novo. Se persistir ou vier acompanhado de coração acelerado e mal-estar, o certo é pausar e procurar avaliação, não empurrar com a barriga. Sobre o esquema, aquela ideia de pirâmide subindo até 15mg e depois descendo caiu em desuso. Hoje se usa uma dose fixa do começo ao fim, porque subir e descer não traz vantagem e só aumenta a exposição no pico. Para mulher, doses na faixa mais baixa costumam entregar o que se espera com menos risco, e 15mg já é território onde o sinal de virilização começa a ficar mais provável. Como é seu primeiro contato, o mais sensato é preencher o tópico com seus dados completos para o pessoal te orientar direito, ficar de olho em sinais como mudança de voz, pelos e oleosidade, e idealmente conduzir com acompanhamento médico e exames. Isso aqui é para reduzir o risco da decisão que você já tomou, não para te empurrar a nada. Começa baixo, observa o corpo e não tenha pressa de subir.
  11. laristubbe, como você já passou por oxandrolona a 6mg e tolerou, vale pensar bem antes de trocar para masteron. A drostanolona é um derivado de DHT bastante androgênico, e em protocolo feminino o risco de virilização, como engrossamento de voz, aumento de pelos e alteração de clitóris, aparece mais fácil do que com a oxandrolona, mesmo em dose que parece baixa no papel. Voz e alguns desses sinais podem não voltar atrás depois, então não é um efeito para descobrir tarde. Se o objetivo é dureza e definição, a própria oxandrolona bem conduzida já entrega bastante para a maioria das mulheres, com um perfil de segurança melhor. Eu questionaria com quem te orientou o porquê da mudança para masteron, porque nem sempre a troca traz um ganho que justifique o risco a mais. Se ainda assim a decisão for pelo masteron, o mínimo é começar pela menor dose, ficar muito atenta aos primeiros sinais de virilização e interromper ao primeiro deles, além de conduzir com acompanhamento médico e exames, sobretudo com o seu histórico de venlafaxina e implanon no meio. Isso aqui não é receita para você seguir sozinha, é para você ter argumento na próxima conversa com quem te acompanha. Segurança primeiro que resultado apressado em mulher cobra caro.
  12. A sinergia que você imagina entre mk677 e clembuterol para secar na verdade tem uma contradição embutida, e você mesmo já apontou ela. O mk677 aumenta a fome e a retenção de água de forma bem marcante, e isso trabalha contra quem está tentando manter um déficit calórico e enxergar definição. Ele é mais uma ferramenta de fase de ganho e de qualidade de sono e recuperação do que de cutting, e a retenção ainda vai te dar uma sensação visual de menos seco, não mais. O clembuterol é um estimulante que aumenta um pouco o gasto e ajuda a preservar massa no déficit, mas o efeito de queima é modesto e some com a adaptação em poucas semanas, além de cobrar em tremor, taquicardia, câimbra e insônia. Ele não é um atalho, é um empurrãozinho com preço, e não combina bem com um mk677 puxando fome para o outro lado. Se o objetivo é perder gordura, quem faz o serviço é o déficit bem montado, a proteína alta e o treino, e o resto é margem. Eu não colocaria os dois juntos esperando um efeito somado de emagrecimento, porque um atrapalha o que o outro tentaria fazer. E como clembuterol mexe com o coração, nada de usar sem checar como o seu sistema cardiovascular anda, de preferência com orientação médica. Menos fé nos frascos e mais atenção na comida rende bem mais aqui.
  13. Sobre o medo do câncer de fígado com durateston, dá para baixar a bola nessa parte específica. Testosterona injetável não tem a hepatotoxicidade dos orais alquilados, ela não faz aquela passagem agressiva pelo fígado que a gente associa a stano ou hemogenin em cápsula. Aquela história de câncer de fígado por testosterona injetável vem de textos antigos e desatualizados, e normalmente aparece em blog, não em literatura médica séria. Então o fígado não é o seu principal ponto de preocupação aqui. Dito isso, o que merece atenção de verdade é outra coisa. Sendo primeiro ciclo, durateston a 500mg em duas aplicações não é uma escolha das mais amigáveis para o eixo, porque tem o decanoato de meia-vida longa que complica a pós-terapia. Muita gente conduz um primeiro contato com algo mais leve e de eixo mais gentil justamente para aprender como o próprio corpo responde antes de partir para dose cheia. O que eu não abriria mão, se a decisão já está tomada, é de exames antes e durante, e de encarar isso com acompanhamento médico, porque o risco real de um ciclo não está no boato do câncer e sim em pressão, colesterol, hematócrito e na recuperação do seu eixo depois. Informação boa reduz risco, e você já está no caminho certo perguntando antes de sair aplicando.
  14. Alezinho, o Foston já te deu o pulo do gato e eu assino embaixo, com 20 por cento de gordura o GH não vai fazer o que você está imaginando. GH é uma ferramenta cara, de resposta lenta, que rende mais quando o físico já está mais seco e a dieta afiada, e mesmo assim de forma sutil. Jogar 3ui por dia em cima de 20 por cento de BF é gastar muito para colher pouco, porque quem manda na definição nessa faixa é o déficit calórico, não o hormônio. Então a ordem que eu seguiria é primeiro baixar esse percentual com dieta e treino consistentes, chegar numa faixa mais enxuta, e só aí pensar se GH ainda faz sentido para o seu objetivo. A deca que você já usa retém bastante água, o que atrapalha a leitura visual do seu progresso, então nesse momento de querer secar ela também joga contra a percepção de resultado. Vale lembrar que GH mexe com glicemia e retenção e não é algo trivial de introduzir, pede atenção à glicose e exames, de preferência com acompanhamento médico. Não é um upgrade que se liga por cima do que já está rodando sem custo. Resolve a gordura pela cozinha primeiro que você economiza dinheiro e enxerga melhor onde realmente está o seu ponto.
  15. guga, no geral o esqueleto está coerente com quem já vem de cruise e quer um blast mais parrudo, mas eu mexeria na relação entre a testosterona e a nandrolona. Com 500 de dura e 450 de deca você fica quase um para um, e a nandrolona nessa proporção tende a puxar mais colateral de libido, humor e prolactina justamente por não ter testosterona suficiente para equilibrar. O caminho mais seguro é subir a base de testo acima da deca ou baixar a deca, para deixar a testo folgadamente na liderança. O dianabol de 20mg está tranquilo, é uma dose de largada civilizada, e para o seu porte dá até para avaliar 30 a 40 se a retenção e a pressão colaborarem, mas não precisa começar alto. Como oral, mantém curto no tempo e observa fígado e pressão, que são os primeiros a reclamar. O ponto mais importante é você já ter marcado a bateria de exames, isso é o que separa um blast conduzido de um chute. Com deca em jogo eu não abriria mão de acompanhar prolactina e estradiol junto do hemograma e dos lipídios, porque é ali que a nandrolona costuma dar as caras. Idealmente com um médico lendo esses exames com você. Ajusta a proporção primeiro que o ciclo fica bem mais redondo.
  16. Madmax, essa combinação embute um problema de meia-vida que vale você enxergar antes de fixar nela. A durateston tem ésteres de duração bem diferentes, do propionato de dois a três dias até o decanoato de sete a dez, então aplicar só uma vez a cada trinta dias significa uma explosão nos primeiros dias e um vale enorme no fim do mês. Você passa metade do período com nível baixo e sintoma, e a outra metade com pico. Não é um platô estável, é uma montanha-russa. O enantato semanal é justamente o que dá estabilidade, então se o objetivo é um uso contínuo o mais limpo seria ficar só no enantato em dose fixa semanal ou até dividido em duas aplicações, e esquecer a dura mensal por cima. Misturar os dois só reintroduz o pico do decanoato que você não precisa. Menos ésteres, dose mais regular, leitura de exame mais fácil. E ciclo eterno é um nome que esconde o que de fato é, um uso contínuo de testosterona, que tem consequências reais em eixo, hematócrito, lipídios e próstata ao longo do tempo. Isso não é algo para tocar no olho, pede exames periódicos e de preferência acompanhamento médico para ajustar dose e vigiar esses marcadores. Se for para manter por tempo indeterminado, faça com o mínimo necessário e com sangue na mão, não no chute do frasco.
  17. Kevin, primeiro sobre o gel. Se a ideia é ciclar de verdade, faz sentido encerrar o androgel e deixar o eixo se estabilizar antes de montar qualquer coisa, porque sobrepor gel com injetável só bagunça a leitura dos seus níveis e do estradiol. O gel tem essa característica de aromatizar bastante e te deixar com estradiol alto sem você perceber, então sair dele primeiro já limpa o terreno. Sobre o éster, para quem tem tendência forte a acne o que ajuda não é tanto qual éster e sim a estabilidade da dose. Um éster longo como enantato ou cipionato, aplicado de forma fracionada na semana, te dá um nível mais constante e menos picos, e é o pico que costuma disparar a acne e a oleosidade. Éster curto como propionato oscila mais e tende a incomodar mais quem já é predisposto. Começa com a menor dose que resolve, porque acne é dose-dependente antes de ser éster-dependente. O dianabol solo eu deixaria de lado por enquanto. Oral sozinho, com o eixo já mexido pelo gel, é muito custo hepático e pouco retorno, e ele retém água e piora acne também. Como você nunca fez ciclo injetável, o caminho mais sensato é uma base de testosterona bem conduzida, com exames antes e durante, e idealmente com acompanhamento de um endócrino que topa te seguir de perto. Nada disso é conselho para você se automedicar, é para reduzir risco caso a decisão já esteja tomada. Acerta a base primeiro que o resto vem com calma.
  18. A mídia maromba brasileira não nasceu pronta, com estúdio bonito, patrocínio grande e atleta sabendo se posicionar. Ela veio de câmera estranha dentro da academia, página de Facebook, insistência em aparecer, gente sendo criticada por gravar treino e uma mistura de bastidor, resenha, shape e empreendedorismo. Em "TOGURO - A HISTÓRIA DA MÍDIA MAROMBA", do Monster Cast, Toguro aparece como um dos personagens centrais dessa virada. A lição mais forte não é apenas sobre fama. É sobre transformar musculação em linguagem de internet, transformar atleta em personagem, transformar treino em narrativa e transformar visibilidade em negócio. Antes de pedir palco, patrocínio ou espaço, ele defende uma regra simples: faça alguma coisa com o que já está na mão. Antes da mídia maromba, gravar treino era estranhoHoje parece normal entrar em uma academia e ver alguém filmando série, gravando bastidor ou fazendo postagem para marca. No começo, a câmera dentro da academia causava estranhamento. Sacar uma câmera na rua ou no treino fazia as pessoas olharem como se aquilo fosse maluquice. Esse ponto é essencial para entender a história. A mídia maromba não surgiu quando todo mundo já sabia que internet dava dinheiro. Ela começou quando muita gente ainda não enxergava valor em registrar treino, rotina, bastidor e personalidade. O trabalho era de formiguinha: Facebook, Orkut, foto editada, página de humor de academia, postagem em grupo, divulgação para amigo, família e vizinho. Essa fase criou uma vantagem para quem insistiu. Quem aprendeu a se filmar, postar, medir resposta do público e continuar produzindo antes da monetização passou a entender uma língua que o mercado só valorizaria depois. O treino virou história, não só repetiçãoUma virada importante da mídia maromba foi deixar de mostrar apenas treino solto e passar a construir história. Câmera, microfone, dois atletas treinando, resenha, bastidor, conflito, evolução e personagem mudaram o formato. A musculação deixou de ser apenas o exercício visto de fora e passou a ganhar começo, meio e fim. Esse modelo abriu espaço para figuras que não eram apenas atletas tradicionais de palco. Gente grande, carismática, engraçada, bruta, disciplinada, polêmica ou simplesmente diferente começou a virar referência. O público não queria só saber o número de séries. Queria acompanhar a caminhada, a dieta, a brincadeira, a dificuldade, o shape e a vida em volta da academia. Foi aí que a maromba virou entretenimento sem deixar de carregar informação. O treino pesado continuou importante, mas passou a ser embalado em narrativa. Essa combinação explica por que personagens de academia conseguiram furar a bolha de quem já acompanhava fisiculturismo. A insistência veio antes do dinheiroA trajetória foi de anos fazendo antes de pedir. Primeiro veio a divulgação para conhecidos, o pedido de curtida, comentário, compartilhamento e atenção para o que era produzido. Depois veio o investimento em páginas grandes da época, inclusive páginas de academia no Facebook e Instagram, para fazer as postagens circularem. A lógica era simples: se ninguém conhece você, é preciso criar prova. Uma música boa, um shape bom, uma jogada boa, uma ideia boa ou uma publicação forte chama mais atenção do que apenas pedir oportunidade. O pedido fica vazio quando a pessoa ainda não mostrou nada concreto. Essa é uma lição dura para quem quer entrar pronto no palco dos outros. Antes de cobrar visibilidade, é preciso produzir algo que mereça ser visto. Antes de pedir parceria, é preciso mostrar entrega. Antes de querer empresário, é preciso criar algum sinal de valor. A Mansão Maromba virou comunidade e laboratórioA Mansão Maromba aparece como um ponto decisivo porque juntou moradia, treino, gravação, convivência, cobrança e oportunidade. A ideia inicial lembrava um centro para atletas e personagens viverem o esporte, mas o funcionamento real era mais complexo. Não era apenas colocar gente em uma casa e mandar gravar. O trabalho descrito envolvia acolher, cobrar, orientar e criar direção. A dinâmica era quase de pai, psicólogo e produtor ao mesmo tempo: chamar para gravar, orientar o que postar, mostrar como fazer, insistir quando a pessoa travava e tentar transformar potencial em presença pública. Isso também traz um lado difícil. Quando um projeto ajuda muita gente, surgem dependência, expectativa, frustração e discussão sobre mérito. A Mansão podia encurtar caminhos, mas não podia viver a vida de ninguém. Quem aproveitou precisou trabalhar, aparecer, sustentar rotina e construir valor próprio. Ramon Dino e a discussão sobre méritoA história de Ramon Dino aparece como exemplo importante justamente porque muita gente tenta transformar sucesso em disputa de autoria. Quem ajudou mais? Quem abriu porta? Quem colocou dinheiro? Quem deu visibilidade? A resposta mais madura é separar apoio de protagonismo. A Mansão encurtou caminho, outras pessoas também abriram portas e marcas ajudaram em diferentes fases. Mas o mérito principal continua sendo do próprio atleta. Sem físico fora da curva, humildade, trabalho, carisma e continuidade, nenhuma casa, câmera ou empresário sustentaria a ascensão. Essa visão também mostra uma mudança pessoal em Toguro. Ele relata ter precisado superar a necessidade de cobrar gratidão e reconhecer que ajudar não deve virar uma dívida eterna na conta emocional de quem foi ajudado. Ajudar alguém a crescer não significa possuir a história dessa pessoa. Bodybuilder que não trabalha imagem fica para trásUma das ideias mais atuais é que o atleta antigo, fechado apenas dentro da academia, perdeu espaço. O físico continua sendo o centro, mas hoje o público também quer ver rotina, comida, bastidor, viagem, erro, treino, opinião e personalidade. Isso não significa que todo atleta precise virar um reality show ambulante. Existe diferença entre espontaneidade, obrigação comercial e exposição forçada. Mas a direção do mercado mudou. Quem sabe contar a própria trajetória, mostrar processo e conversar com a audiência tem uma vantagem que não existia na mesma proporção décadas atrás. O shape abre a porta. A narrativa mantém a sala cheia. Da visibilidade para o produtoA internet não termina no número de visualizações. A visibilidade vira alavanca para produto, marca, distribuição, negociação e presença de mercado. A etapa seguinte exige estudar histórias de marcas, entender logística, olhar para empresas grandes, testar produto, observar comportamento do consumidor e pensar em escala. Essa passagem é importante porque mostra a transição de influencer para empresário. A mídia chama atenção, mas produto precisa existir, chegar, vender, repetir compra e disputar espaço. Suplemento, pasta de amendoim, pré-treino, bebida, evento e casa de gravação não sobrevivem apenas de hype. Precisam de operação. Por isso, a frase “se não entrar repertório, não sai resultado” resume bem a cabeça do projeto. Estudar mercado, história, economia, marca e comportamento vira parte do treino. Só que o treino, nesse caso, é de negócio. Competir pode não ser o centro da vidaA musculação pode mudar a vida de uma pessoa sem que competir vire paixão absoluta. Treinar, gostar do próprio físico e respeitar o palco não obrigam ninguém a viver preparação extrema. Dieta dura, desidratação, aplicação, desgaste, tempo e foco cobram um preço alto. Essa leitura é útil porque separa amor pela academia de obrigação de competir. Nem todo marombeiro precisa virar atleta. Nem todo influenciador fitness precisa buscar medalha. Para alguns, o centro é palco. Para outros, é treino, negócio, comunidade, produto, comunicação ou transformação pessoal. A maturidade está em escolher o preço que faz sentido pagar. As principais lições de ToguroFaça antes de pedir: oportunidade fica mais palpável quando já existe alguma entrega concreta. Conte uma história: treino sozinho informa pouco. Jornada, contexto e personagem fazem o público acompanhar. Apareça com consistência: quem insistiu quando gravar era estranho aprendeu antes da massa chegar. Ajude quem começa: abrir espaço para gente pequena pode criar uma nova geração, desde que a pessoa também trabalhe. Não cobre posse sobre o sucesso alheio: apoio encurta caminho, mas mérito real continua com quem constrói a própria caminhada. Estude o mercado: visibilidade sem produto, logística e operação vira barulho passageiro. Entenda o próprio jogo: competir, vender, gravar, treinar e empreender cobram preços diferentes. ConclusãoA história de Toguro é a história de uma transição: a maromba saiu do canto fechado da academia e virou mídia, comunidade, entretenimento, negócio e vitrine para atletas. Ele não foi o único personagem dessa virada, mas foi uma peça importante na popularização do formato que misturou treino, bastidor, resenha, personagem e mercado. A maior lição não é copiar a estética, a fala ou o estilo. É entender a lógica: produzir antes de pedir, construir narrativa, aparecer com consistência, estudar o mercado e usar a visibilidade para erguer algo que continue existindo quando a postagem passa. FAQQual é a principal lição da história de Toguro?A principal lição é fazer antes de pedir. A trajetória mostra que oportunidade aparece com mais força quando a pessoa já construiu entrega, presença e alguma prova de valor. Por que a câmera na academia foi tão importante?Porque ela transformou treino em narrativa. A musculação deixou de ser apenas exercício filmado e passou a mostrar bastidor, personagem, rotina e evolução. O que a Mansão Maromba representou?Representou comunidade, laboratório de mídia e encurtamento de caminho para atletas e personagens. Mas o projeto dependia de cobrança, constância e trabalho individual de quem passava por lá. Toguro defende que todo marombeiro precisa competir?Não. A história separa amor pela academia de obrigação de palco. Competir cobra um preço alto, e cada pessoa precisa decidir se esse preço combina com seus objetivos. O que atletas podem aprender com essa fase da mídia maromba?O físico ainda importa, mas imagem, rotina, comunicação e capacidade de contar a própria jornada também viraram parte do jogo. ReferênciasMONSTER CAST. Toguro - A história da mídia maromba. [S. l.], 10 jan. 2023. YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/live/4m0i4IQ5F7g. Acesso em: 25 jul. 2026.
  19. Marcão dos Veneno sentou no Monster Cast em janeiro de 2022 e passou quase 3 horas respondendo pergunta de super chat com número na mão. Saiu de lá com a conta do próprio auge somada ao vivo, com o relato da hipoglicemia em que ele não tinha força para levar o garfo à boca e com a lista de cargas que sustenta o físico dele. Esta matéria organiza o que é verificável naquela conversa, com o aviso que precisa vir antes de qualquer relato hormonal alheio: nada aqui é protocolo, é depoimento. 1,74 m por 50 kg A imagem pública é de um homem enorme. A origem é o oposto exato. Marcão conta que tinha a mesma altura de hoje, 1,74 m, e pesava 50 kg. Na primeira avaliação física da vida dele o braço mediu 24 cm. Ele se descreve como definido e magro ao mesmo tempo, do tipo que jogava bola, corria, gastava energia o dia inteiro e às vezes esquecia de comer. Chegou a ter hipoglicemia ainda criança, brincando na rua, muito antes de a palavra virar rotina técnica na vida dele. O empurrão veio de casa. O irmão 2 anos mais velho começou a treinar, ficou mais forte e passou a vencer as brigas entre os dois. Marcão fazia flexão e se pendurava nas portas tentando improvisar treino, e foi justamente isso que convenceu a mãe. Havia 20 e poucos anos não era comum menino de 12 ou 14 anos entrar em academia, então ela segurou até ele fazer 16 para 17 anos e liberou com o argumento de que era melhor ter um professor por perto do que ele se machucar sozinho em casa. Dentro da academia ele treinava 1 hora e ficava mais 2 ou 3 conversando. Perguntava aos professores, via os outros treinarem e tentava entender dieta e suplementação numa época em que a internet era discada e a informação era precária. Um dos professores cursava educação física e passava as apostilas para ele. Marcão hoje é dono de academia e faz questão de dizer que não é do tipo que deixa o negócio na mão dos outros, fica lá o dia inteiro. A roça como choque de realidade A virada de comportamento não foi motivacional. Ele admite que era rebelde, foi reprovado 1 ano e chegou a ser expulso de alguns colégios. O pai deu o ultimato: se não queria estudar, ia trabalhar. E o trabalho era capinar lote e carregar saco de ração na roça. A frase que ficou foi a de que ali ele nunca conseguiria ter nada além daquilo. Marcão diz que hoje agradece, e brinca que no fundo pouca coisa mudou, porque ele continua carregando peso, só que agora o peso é direcionado. Ronnie Coleman era a régua errada Quando ficou grande, a própria mãe cobrou uma função para aquele tamanho, que só dava despesa. O problema é que a referência mental dele era Ronnie Coleman, e competir contra aquilo parecia impossível. Um amigo o levou para assistir ao campeonato mineiro e a régua mudou na hora. Não era contra o maior de todos que ele ia subir, era contra gente do nível dele. Vieram dieta, primeiras disputas e a virada de chave. A frustração também veio. Ele perdeu um campeonato para alguém que, na avaliação dele e na de gente que estava no ginásio, estava nitidamente pior no palco. Isso o afastou do fisiculturismo e o empurrou para o powerlifting, onde a régua não admite gosto pessoal: levantou 100 kg ou não levantou. Passou 2012 e 2013 praticamente sem usar nada, comendo entre 6 mil e 8 mil calorias por dia, com 200 a 300 gramas de sucrilhos no café da manhã, e chegou a 130 kg bem roliços. Ele afirma que essa base de força é o que ainda hoje permite treinar pesado mesmo em preparação com dieta restrita. O ano de 2017 e a vaquinha da família A volta ao palco aconteceu por conveniência geográfica. A WBBF marcou o mineiro e o brasileiro em Belo Horizonte, e o sul-americano em São Paulo. Ele decidiu tentar, ganhou o mineiro, ganhou o brasileiro, fez o que chama de preparação muito boa para o sul-americano e ganhou também. A vaga do mundial na Lituânia veio junto com um gasto que ele não tinha condição de bancar. A família se juntou e fez vaquinha, uns dando 50, outros dando 200, até fechar a passagem. Marcão foi campeão mundial no amador, ganhou também a categoria no profissional e perdeu o overall para o Gleisinho, outro mineiro. O canal dele só nasceria no ano seguinte. O nome saiu de uma conversa no podcast do Cariani O canal começou em 2018 com Bruno Pina, que era o treinador dele, e emplacou rápido justamente porque quase ninguém falava de hormônio abertamente na época. Com 2 semanas de canal já eram 2 mil ou 3 mil inscritos. As gravações não eram roteirizadas, os dois chegavam na academia, olhavam um para o outro e sentavam para conversar. Quando Pina saiu por problemas pessoais, Marcão foi ao podcast do Renato Cariani e ouviu que precisava mudar o nome, porque a galera o conhecia como Marcão dos Veneno. Seguidores mandaram vinheta e arte gráfica de graça, e o canal virou isso. Foi de lá que saiu o bordão. Ele resolveu gravar um material contando o protocolo completo que estava usando, o material virou meme, e a partir daí a cara dele já dispensava a legenda. O primeiro patrocínio só chegou no fim de 2018, e era pagamento em produto, sem valor nenhum: uma creatina, umas barrinhas. Depois vieram Blackstone, Landerlan e Barato Suplementos, e o canal começou a monetizar. 4 semanas de Durateston a 750 mg O que vem daqui em diante é relato de uso, não recomendação. Marcão assume erros graves e um episódio de quase morte, e ele mesmo pede no meio da conversa que ninguém tente repetir o que ele fez. A primeira vez foi aos 18 anos, com 1 ano e meio para 2 de musculação, a partir de uma conversa com o cara mais forte do colégio. Foram 4 semanas de Durateston, 2 ou 3 aplicações por semana, 750 mg semanais, num corpo que pesava entre 60 e 70 kg. Ele comenta que hoje sabe que a dose era desproporcional, e que na época o único colateral perceptível foi espinha. Como ainda carregava a ideia de que aquilo era droga, o padrão virou 1 ciclo curto por ano e nada no resto do tempo. Isso durou até por volta de 2011. A mudança veio em 2014, com um amigo que tinha mais conhecimento e o apresentou ao blast and cruise. Desde então ele nunca mais parou. Mesmo assim, no começo, o freio era financeiro: um frasco de trembolona Landerlan de 10 mL a 75 mg custava R$ 250 e, na dose de 500 mg por semana, acabava em menos de 2 semanas. Ele usava menos do que o protocolo mandava porque não tinha dinheiro, não era patrocinado e ainda estava montando a academia. Foi só quando o negócio começou a render, entre 2015 e 2016, que ele passou a comprar de laboratório clandestino a preço menor e entrou com hormônio de crescimento. A conta somada ao vivo: 4 gramas por semana O GH mudou o raciocínio dele, na lógica de que o corpo aproveitaria melhor tudo que estivesse entrando. Foi aí que as doses subiram e ele bateu os 127 kg. No estúdio, os apresentadores pediram a conta e ele fez em voz alta. Na fase final daquele ciclo eram 900 mg de testosterona por semana, 900 mg de boldenona, cerca de 500 mg de nandrolona, mais 350 mg de trembolona e 350 mg de primobolan, já que estava em off e não fazia sentido carregar na trembolona. Só isso somava aproximadamente 2.650 mg. No final entraram ainda dois orais ao mesmo tempo: 75 mg de Hemogenin por dia, em 3 comprimidos de 25 mg, e 80 mg de Dianabol por dia, em 4 de 20 mg. Arredondando para 700 mg semanais de cada, dá mais 1.400 mg. O total que ele mesmo anunciou foi de cerca de 4 gramas por semana, fora o hormônio de crescimento. Ele faz questão de dizer que isso não foi o ciclo inteiro, foi só o período final, e que o Hemogenin depois de 4 semanas já derruba o estômago a ponto de a pessoa não conseguir comer, o que transforma o recurso em tiro no pé. A conta cobrou. Ele acordava com a sensação de ter acabado de correr, sentia o coração batendo na garganta, com pressão alta e retenção pesada. Gravou justamente sobre isso depois do material que virou meme. Cortou tudo, ficou só com testosterona em dose baixa e passou a fazer o cardio que vinha empurrando com a barriga. Perdeu cerca de 15 kg em 2 semanas, quase tudo água, e a pressão normalizou. O comentário dele sobre o assunto virou uma das melhores frases da conversa: quem usa 5 fármacos para controlar colateral de 3 está fazendo alguma coisa errada e deveria repensar o que está usando, em vez de tampar o sol com a peneira. A insulina foi a que quase o levou Marcão é categórico sobre a hierarquia de risco. Para ele, o que mata fisiculturista são 3 coisas: insulina, diurético em excesso e estimulante em excesso. Sobre hormônio ele argumenta que dá para errar, perceber pelo exame e consertar. Sobre insulina, a frase é que só dá para errar uma vez. Ele fala isso porque errou. A ideia era provocar hipoglicemia leve, porque o estado hipoglicêmico eleva o IGF-1, e ele queria justamente esse efeito. Passou a testar até onde conseguia ficar, chegando a cronometrar quanto tempo aguentava. O problema é que comer não resolve na hora, a sensação piora antes de melhorar. Numa dessas ele tentou segurar demais. Ficou mais branco que a parede, sem força para levar o garfo à boca, e quem o socorreu foi a esposa, que estava por perto e sabia exatamente o que ele estava usando. Ela deu maltodextrina primeiro e depois comida na boca dele, até ele conseguir comer sozinho. A avaliação dele é que estava a ponto de entrar em colapso e que, sem atendimento rápido, poderia morrer ali. A regra que ele tirou disso é prática e vale ser repetida: quem usa insulina precisa de rede de segurança. Alguém da casa, da academia ou do trabalho tem que saber que a pessoa usa e o que fazer se algo acontecer. Ele lembra ainda que o risco não é só o desmaio, porque quem come com pressa nesse estado pode engasgar, e cita o caso de Dallas McCarver. A primeira experiência já tinha dado um susto menor. Ele aplicou 5 UI, achou que não estava acontecendo nada, aplicou mais e ainda tomou caldo de cana, que liberou insulina endógena por cima da exógena. O amigo que estava junto viu a cena: ele abriu o armário e comeu tudo, pacote de biscoito, pão, suco, fruta, frango, sem mastigar. O amigo estimou entre 3 mil e 4 mil calorias em 20 minutos. A explicação dele é que a insulina limpa a glicose do sangue, e o corpo passa a pedir açúcar em modo de sobrevivência. Daí a conclusão prática: quem usa insulina sem GH e come porcaria não fica grande, fica gordo. No protocolo do momento da conversa, a dose declarada era de 15 UI no total do dia, fracionada, e não de uma vez. A tosse da trembolona e o vaso sanitário A história que ele contou no canal como sendo de um amigo era dele mesmo. Na primeira vez que usou trembolona, com anos de outros hormônios nas costas e sem ninguém ter avisado do efeito, a tosse veio antes de ele terminar de tirar a agulha do ombro. Não é só tosse: vem uma sensação de sufoco em que a respiração não fecha, e quanto mais se tosse, pior fica. Ele conta que sentou no vaso sanitário achando que ia morrer ali, e que a esposa, tentando acalmar, o desesperou mais. A explicação técnica que ele dá é local. A trembolona carrega mais solvente, e basta a agulha suja passar perto de um capilar para disparar o efeito. Como cada aplicação repetida no mesmo ponto aumenta a vascularização daquela região, a chance de tosse cresce com o tempo de uso naquele local, e não na estreia. O outro colateral que ele assume é a agressividade, principalmente quando a trembolona alta encontra dieta restrita de preparação. O episódio que ele narra aconteceu na própria academia. Ele avisou 2 vezes um aluno que não guardasse a anilha porque ia usar o aparelho, o aluno continuou guardando, a anilha quase caiu no pé dele, e Marcão pegou o peso e jogou de volta, quase acertando o rapaz. O aluno sumiu da academia com medo, e só voltou a falar por mensagem depois que a raiva passou. Ele reconhece que a esposa também sofreu com isso, e descreve a tensão de estar em preparação com horário de refeição contado no relógio, quando qualquer atraso vira estopim. 240 kg no supino Marcão separa treinar pesado de treinar ego. Ele admite abrir mão de um pouco de técnica em favor da carga, mas diz que a consciência corporal de hoje garante que a musculatura alvo esteja trabalhando mesmo com o movimento imperfeito. Jogar peso para cima, na definição dele, é outra coisa. Os números que ele lista vêm do histórico de powerlifting. O recorde pessoal de supino foi de 240 kg para uma repetição máxima, feita sozinho, e ele afirma que com ajuda chegava a 4 ou 5 repetições nessa faixa. Em campeonato recente pegou 200 kg e ficou em segundo lugar, com melhor marca de competição em 215 kg. No levantamento terra chegou perto de 300 kg, no agachamento ficou nos 200 e poucos quilos, e no desenvolvimento fez 80 kg de cada lado. A rosca Scott, que é o exercício de assinatura dele, saiu com 65 kg de cada lado. Ele deixa claro que supino sempre foi o ponto forte e que terra e agachamento eram os movimentos em que precisava forçar mais, o que ele associa ao problema de joelho que apareceu depois. O bíceps rompeu numa demonstração A lesão mais séria não aconteceu em competição de queda de braço. Ele estava ensinando o movimento para um rapaz interessado no esporte. O rapaz era forte, e quando chegou o ponto em que um atleta experiente teria parado, ele deu um tranco para finalizar. O braço de Marcão esticou e o punho girou ao mesmo tempo, e o bíceps rompeu. A leitura que ele faz é honesta e vale para qualquer leitor: lesão raramente tem causa isolada. O bíceps dele já vinha de desgaste acumulado de anos de rosca com carga muito alta. Ele aproveita para defender a queda de braço, argumentando que atleta de verdade faz fortalecimento específico e que os acidentes que circulam na internet acontecem em mesa de boteco, com gente que não sabe o que está fazendo. No joelho, o aviso foi anterior à lesão: disseram que continuar treinando em cima daquela dor poderia romper o tendão, e ele segurou os treinos de perna. O protocolo declarado no dia da conversa Perguntado direto sobre o que estava usando naquele momento, sob orientação do novo preparador, ele respondeu com os números: 630 mg de enantato de testosterona, 450 mg de primobolan e 450 mg de NPP por semana, que era a primeira vez que ele usava esse éster de nandrolona e o pegou de surpresa pela velocidade de resposta. O hormônio de crescimento estava entre 4 e 6 UI, com 6 nos dias de treino e 4 nos dias sem treinar. A insulina, como já foi dito, somava 15 UI ao longo do dia. Ele mesmo comenta, no encerramento, que decepcionou quem esperava encontrar 10 gramas em cima da mesa. A mudança de treinador também mudou o treino. Ele conta que fazia sempre o próprio programa, escolhendo os exercícios em que pegava mais peso, com séries básicas e descanso longo. O novo trabalho introduziu rest pause, drop set e descansos mais curtos, e a divisão passou a treinar peito e ombro 2 vezes por semana, perna 2 vezes, e costas 1. Ele diz que passou a chegar na academia sem saber o que faria, e que isso aumentou a empolgação. O objetivo declarado para 2022 era o pro card, com um off mais longo até o meio do ano e 2 competições no radar, o amador do Mister Olympia em São Paulo em setembro e o de Campinas em novembro, competindo até 102 kg. No Rio ele havia pesado 101 kg e pouco. As respostas que ele deu ao público Boa parte da conversa foi ditada pelos super chats, e algumas respostas valem mais do que o resto do material. Sobre fracionar dose, ele foi taxativo: quanto menor a oscilação hormonal, menor a chance de colateral, porque aplicação única cria pico e queda, e a maioria dos problemas aparece justamente no começo e no fim do ciclo. Sobre dose de tamoxifeno para conter início de ginecomastia, ele se recusou a dar número, argumentando que sem anamnese, sem saber a massa magra e o que a pessoa usa, qualquer resposta é tiro no escuro. A um leitor que ganhou 13 kg secos com 250 mg de enantato e estava cansado, ele respondeu que ou a pessoa parou, ou precisa ajustar para cima, porque o corpo que carrega mais massa magra demanda mais. A outro, que tomava 250 mg semanais por hipogonadismo diagnosticado e queria dobrar a dose para chegar aos 90 kg, ele disse o contrário: enquanto o ganho estiver constante, não há motivo para aumentar, e não se gasta cartucho à toa. Sobre crescer natural, a posição é que existe ganho real, porém limitado, e que o limite varia de pessoa para pessoa. Sobre linha de cintura, a resposta foi dieta e cardio, no caso dele 1 hora em jejum com pelo menos 12 horas sem comer contando o sono, e o aviso de que cinta não queima gordura subcutânea. 20 cachorros e uma conta de R$ 6 mil Fora do assunto treino, o que mais ocupou espaço foi a casa dele. Ele e a esposa cuidavam de 20 cachorros, 2 gatos e 1 filhote de pombo que caiu do ninho durante 15 dias seguidos de chuva em Belo Horizonte. Uma das cadelas quase morreu e deixou uma conta de R$ 6 mil, que ele cobriu rifando suplementos do patrocinador. Na pandemia, sem feira de adoção e com as doações em queda, a situação apertou. Ele fez o pedido no ar de forma bem específica: não precisa ser dinheiro, serve cobertor, panela velha, roupa em bom estado ou remédio perto do vencimento, que vai para o próprio canil ou para outros protetores da rede. A comida também rendeu 2 histórias. Ele brigou numa padaria porque pediu um prato com 190 gramas de arroz e 190 de frango, disse que pagaria o que fosse cobrado, e ouviu que não dava para fazer. E deixou de comprar 15 kg de frango porcionado num açougue porque o dono se recusou a entregar mesmo com frete pago. Perguntado sobre comida fora da dieta, respondeu que prefere japonês a pizza ou hambúrguer, e que fora de campeonato o que ele quer mesmo é arroz, feijão e farofa de prato feito de boteco. Conclusão O bordão de Marcão é sobre resultado, mas a conversa inteira é sobre preço. O físico dele nasceu de um corpo de 50 kg, passou por anos de powerlifting comendo 8 mil calorias e chegou aos 127 kg com um total semanal de aproximadamente 4 gramas somado em voz alta no estúdio e um coração batendo na garganta. O que ele salva dessa história não são as doses, são os freios: cortar tudo quando a pressão subiu, não usar insulina sem alguém por perto que saiba, não aumentar dose enquanto o ganho ainda vem, e desconfiar de quem precisa de mais fármaco para segurar colateral do que para produzir efeito. A parte replicável é a mais barata de todas, que é a curiosidade de ficar 3 horas na academia perguntando, e a disposição de aprender técnica com um pedreiro que nunca leu um livro. FAQ Qual foi o primeiro ciclo de Marcão dos Veneno? Ele relata 4 semanas de Durateston aos 18 anos, com 750 mg por semana divididas em 2 ou 3 aplicações, pesando entre 60 e 70 kg. Depois disso passou anos fazendo apenas 1 ciclo curto por ano. Qual foi a dose máxima que ele já usou? Na fase final de um ciclo, no auge dos 127 kg, ele somou ao vivo cerca de 2.650 mg semanais de injetáveis mais aproximadamente 1.400 mg de orais, chegando a cerca de 4 gramas por semana, fora o hormônio de crescimento. Ele cortou tudo quando a pressão arterial saiu do controle. O que aconteceu com ele na insulina? Ele provocava hipoglicemia de propósito atrás do efeito do IGF-1 e exagerou. Ficou sem força para levar o garfo à boca e foi socorrido pela esposa, que deu maltodextrina e depois comida na boca dele. Ele classifica o episódio como quase morte e pede que ninguém repita. Quais são as maiores cargas dele? Supino de 240 kg para uma repetição máxima, 215 kg como melhor marca de competição, levantamento terra perto de 300 kg, agachamento nos 200 e poucos quilos, desenvolvimento com 80 kg de cada lado e rosca Scott com 65 kg de cada lado. Como ele rompeu o bíceps? Demonstrando movimento de queda de braço para um aluno inexperiente, que deu um tranco quando deveria ter parado. Ele credita a lesão ao desgaste acumulado de anos de rosca com carga alta, e não ao esporte em si. Que títulos ele tem? Em 2017 venceu o mineiro, o brasileiro e o sul-americano pela WBBF, e foi campeão mundial amador na Lituânia, com a viagem bancada por uma vaquinha da família. No mesmo mundial venceu a categoria no profissional e ficou com o segundo lugar no overall. Referências MONSTER CAST. MARCÃO DOS VENENO - RESULTADO TA DANDO!. 22 jan. 2022. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ihLgom7DHGw. Acesso em: 1 ago. 2026.
  20. Rafael Brandão chegou a um ponto raro no fisiculturismo brasileiro: deixou de ser apenas promessa, virou referência de Open e passou a carregar a régua de quem representa o país na categoria mais extrema do bodybuilding mundial. A parte mais interessante da história não é só o tamanho do físico. É a forma como ele aprendeu a pensar carreira, calendário, erros, recuperação, família, equipe e palco. Em "RAFAEL BRANDÃO - ABRINDO A CAIXA DE PANDORA", do Monster Cast, a temporada de Rafael vira uma aula sobre maturidade competitiva. Arnold Classic Ohio, Arnold Classic Brasil, Mr. Olympia, Romênia Pro, preparação, bastidores e decisões difíceis entram como exemplos de uma ideia simples: no alto nível, talento e músculo não bastam se o atleta não controla o ego, respeita o plano e aprende rápido com o próprio erro. Controle o ego antes de escolher o palcoUma das lições mais fortes aparece na decisão de não competir em Praga contra Chris Bumstead. A ideia era tentadora. Seria barulhenta, renderia atenção, provocaria comparação e atiçaria o lado competitivo de qualquer atleta. Mesmo assim, Rafael deixou claro que aquilo não estava no planejamento. Esse ponto vale mais do que parece. No fisiculturismo profissional, todo campeonato tem custo. Não é só passagem, hotel e inscrição. É mais uma finalização, mais uma manipulação de água, carboidrato, treino, sono, cansaço e estresse. Depois de uma sequência longa, subir apenas para responder expectativa externa pode significar aparecer pior, perder sem necessidade e comprometer o objetivo maior. O ego queria a disputa. O plano dizia outra coisa. A escolha madura foi ouvir o plano. O objetivo maior era o OlympiaO calendário da temporada tinha lógica. Arnold Ohio, Arnold Brasil, Olympia e Romênia não foram peças jogadas ao acaso. A Romênia já aparecia como rota para garantir a vaga no Olympia seguinte. O Big Man, na Espanha, ficava como alternativa caso a classificação não viesse. Essa forma de pensar separa atleta profissional de atleta reativo. O profissional não entra em toda batalha disponível. Ele escolhe onde a batalha serve ao projeto. Às vezes, a competição mais chamativa é justamente a que mais atrapalha. Para quem acompanha só resultado, pode parecer medo, fuga ou falta de coragem. Para quem entende preparação, é gestão de risco. O palco que mede a carreira de um Open é o Olympia. Tudo que não aproxima o atleta do melhor físico possível para esse palco precisa ser questionado. Aprender com o placar é melhor do que brigar com eleRafael não trata resultado como sentença emocional. Quando a colocação não vem como o esperado, a pergunta não é apenas se o árbitro errou, se o rival foi favorecido ou se a internet entendeu a comparação. A pergunta útil é outra: o que faltou para melhorar? Essa mentalidade apareceu depois do Olympia. O físico poderia ter rendido mais, mas a temporada trouxe variáveis difíceis: nascimento da filha, noites mal dormidas, estresse, ajustes de alimentação e tentativa de preservar saúde durante a reta final. Em vez de transformar isso em desculpa permanente, a leitura foi prática. Houve aprendizado. Houve erro. Houve ponto de ajuste. O atleta maduro não precisa negar frustração. Ele só não pode morar nela. Se a colocação machuca, ela precisa virar dado de trabalho. Sono, estresse e imunidade também aparecem no físicoUm erro comum é imaginar que shape de palco depende apenas de dieta, treino e hormônios. No nível de elite, detalhes aparentemente invisíveis mudam o resultado. Dormir mal por vários dias, passar noites no hospital, lidar com nascimento de filha, manter compromissos e continuar preparando o corpo para o Olympia cria uma conta fisiológica real. Quando o sono cai, a recuperação piora. Quando o estresse sobe, a resposta do corpo muda. Quando a imunidade começa a ameaçar, o treinador precisa escolher entre puxar mais o condicionamento ou proteger o atleta para não adoecer. Por isso, saúde e performance não são assuntos separados. Um atleta pode estar disciplinado e ainda assim não responder como deveria se o corpo estiver exausto. No fisiculturismo, descanso também é ferramenta de construção. O básico ainda decide muita coisaDepois do Olympia, a preparação para a Romênia ficou mais simples e mais dura. Menos refeição livre, mais alimento básico, mais controle e uma busca direta por condicionamento. Entraram com força alimentos como tilápia, batata, aveia, ovo, frango e carne, escolhidos pelo efeito prático na digestão, no enchimento e na aparência final. A lição aqui não é copiar cardápio de atleta de elite. A lição é entender a lógica. Em fases decisivas, o que funciona melhor para o corpo do atleta vale mais do que variedade, moda ou prazer imediato. Rafael destacou a importância de saber quais alimentos digere bem e quais atrapalham. Absorver melhor pode ser mais importante do que simplesmente comer mais. Essa é uma aula para qualquer nível. Quem treina sério precisa saber como o próprio corpo responde. Alimento que fica bonito no plano pode ser ruim se causa estufamento, desconforto, má digestão ou piora do rendimento. Nem todo atleta melhora competindo sem pararHá atletas que parecem crescer ao longo de uma sequência de campeonatos. Outros chegam melhores no primeiro show, quando vêm de off-season, preparação reta e menos desgaste acumulado. Rafael coloca a própria resposta nesse segundo grupo. O físico de Ohio foi lembrado como um dos melhores porque veio de um processo mais fresco. Já as competições em sequência exigiram administrar fadiga. A Romênia trouxe melhora de condicionamento, cintura e pele, mas não necessariamente o mesmo frescor muscular de uma preparação mais direta. Isso reforça uma lição importante: estratégia não é universal. O calendário ideal de um atleta pode ser péssimo para outro. O que importa é descobrir o padrão individual e parar de copiar a rotina de quem responde diferente. Recuperar também é parte do planoDepois de um ano inteiro de preparação, Rafael falou de uma fase de recuperação com menos treinos na semana, menor ritmo e foco em manter musculatura enquanto articulações, órgãos e sistema geral voltam a respirar. Esse tipo de fase costuma parecer sem glamour, mas é o que permite outra temporada forte. Quem só enxerga palco acha que o atleta vive o tempo todo em modo ataque. Na prática, atacar sem parar cobra caro. Treino mais controlado, redução de volume, ajuste de carga, cirurgia para melhorar respiração, cuidado com sono e planejamento de off-season fazem parte do mesmo projeto. O corpo que vai ao extremo precisa voltar do extremo. Sem isso, a próxima preparação começa com dívida. Equipe boa precisa puxar para cimaOutro ponto forte é a relação com treinadores, parceiros de treino e equipe. Rafael valoriza conhecimento, mas também deixa clara uma exigência de alto nível: a pessoa ao redor precisa somar energia, não consumir energia. Em uma preparação de elite, o atleta já lida com fome, cansaço, cobrança, família, viagens, treino pesado e expectativa pública. Se ainda precisa gastar energia segurando emocionalmente quem deveria ajudá-lo, o sistema começa a falhar. Essa lição vale fora do fisiculturismo. Pessoas talentosas podem atrapalhar quando não estão alinhadas. O projeto cresce quando a equipe corre na mesma direção, com estabilidade, comunicação e confiança. Ter conhecimento não basta: é preciso saber comunicarRafael também toca em uma diferença que muita gente ignora: saber muito não significa conseguir liderar bem. Um treinador pode ter conhecimento enorme, mas perder credibilidade quando transforma cada orientação em autopromoção, exagero ou disputa de ego. Para quem ensina, treina ou lidera, a lição é direta. O aluno não precisa ouvir o tempo inteiro como o professor fazia no passado. Ele precisa de orientação clara, aplicável e ajustada ao momento. Conhecimento que não vira direção prática perde força. O mesmo vale para atletas que querem construir imagem. Performance abre porta. Comunicação sustenta a relação com público, patrocinador, equipe e mercado. Brasil, compromissos e a dificuldade de finalizar em casaCompetir em casa pode parecer vantagem emocional, mas também traz ruído. No Brasil, Rafael lida com compromissos, gravações, eventos, presença de público, parceiros, marcas e demandas constantes. Fora do país, a reta final tende a ser mais silenciosa: comer, descansar, treinar, posar e repetir. Essa diferença pesa. A última semana antes de um campeonato não é hora de provar produtividade social. É hora de reduzir variáveis. Menos distração pode significar mais controle. Para o atleta profissional, dizer não também é habilidade de performance. Top 8 do mundo não é poucoA cobrança em cima de um atleta brasileiro de Open às vezes perde escala. Ficar entre os melhores do mundo na categoria mais extrema do fisiculturismo não é um detalhe. A história brasileira na Open profissional é curta quando comparada ao peso de outras categorias. Chegar ao top 10, subir posições e manter presença nesse nível exige uma combinação rara de genética, estrutura, saúde, dinheiro, equipe, patrocínio, disciplina e anos de repetição. Isso não significa blindar o atleta de crítica. Significa criticar com régua real. Em qualquer profissão, estar entre os oito melhores do mundo seria tratado como feito absurdo. No fisiculturismo, a internet muitas vezes transforma isso em obrigação banal. A crença precisa sobreviver ao barulhoA frase mais importante talvez seja a ideia de acreditar no próprio tempo. Rafael sabe que outros atletas evoluem rápido, que rivais aparecem, que comparações surgem e que o público cobra salto imediato. Mesmo assim, a carreira não pode ser guiada pela pressa dos outros. O ponto não é romantizar demora. É entender que evolução de Open leva anos. Massa muscular consolidada, maturidade, densidade, poses, pele, apresentação e controle emocional não aparecem todos de uma vez. A comparação que interessa é entre o Rafael que começou e o Rafael que chegou ao topo mundial da Open brasileira. Se essa distância já foi vencida, a próxima depende de continuar reduzindo erros, ajustando detalhes e chegando ao Olympia com a melhor versão possível. ConclusãoAs melhores lições de Rafael Brandão não estão apenas no treino pesado ou no tamanho do físico. Elas estão na maturidade de recusar uma disputa sedutora, no cuidado de transformar resultado em diagnóstico, na humildade de anotar o que funcionou, na coragem de recuperar quando o corpo pede e na inteligência de escolher equipe, calendário e ambiente. Fisiculturismo de elite é extremo, mas a lógica serve para muita coisa: controle o ego, siga o plano, aprenda com o erro, proteja sua energia e entenda que a grande apresentação começa muito antes do palco. FAQQual foi a principal lição de Rafael Brandão?A principal lição é controlar o ego e respeitar o planejamento. A decisão de não competir em Praga contra Chris Bumstead mostra que nem toda oportunidade chamativa serve ao objetivo maior. Por que ele valorizou tanto a Romênia?A Romênia fazia parte da estratégia para garantir a vaga no Mr. Olympia seguinte. Não era apenas mais um campeonato, mas uma peça do calendário competitivo. O que atrapalhou o físico no Olympia?A preparação teve variáveis difíceis, como nascimento da filha, noites mal dormidas, estresse e necessidade de proteger a saúde. Isso afetou a resposta do corpo e exigiu ajustes. Por que ele fala tanto em anotar o que funciona?Porque finalização, dieta, treino e escolha de alimentos dependem de resposta individual. Anotar erros e acertos permite repetir o que funcionou e corrigir o que atrapalhou. O que o praticante comum pode aprender com isso?Que evolução exige plano, constância, recuperação e autoconhecimento. Mesmo fora do fisiculturismo profissional, copiar o que os outros fazem costuma ser pior do que entender a própria resposta. ReferênciasMONSTER CAST. RAFAEL BRANDÃO - ABRINDO A CAIXA DE PANDORA. YouTube, 22 nov. 2024. Disponível em: https://www.youtube.com/live/tkxxrvZQSlY. Acesso em: 25 jul. 2026.
  21. user789065, com 15 anos, 1,80 de altura e 67kg, você está bem magro, e a boa notícia é que no seu caso a resposta não é nem bulking agressivo nem cutting, e sim um meio termo. Você está naquele ponto de magro com um pouco de barriga, e o que resolve isso é comer em torno da manutenção ou um pouco acima, com bastante proteína, e treinar consistente. Na sua idade e com só um ano de treino, o corpo consegue ganhar músculo e reduzir a barriga ao mesmo tempo, que é justamente o que você quer. Não precisa escolher um ou outro agora. Cortar caloria de forma restritiva seria um erro nesse momento, porque você ainda está crescendo, e comida é o que sustenta esse crescimento e o ganho de músculo. Então nada de dieta muito apertada. Foca em comer bem, priorizar proteína em todas as refeições, e deixar o carboidrato para ter energia no treino. A barriga vai baixando naturalmente conforme você ganha músculo e o corpo amadurece. No treino, na sua fase o que mais rende é ficar bom nos exercícios básicos e ir ficando mais forte neles com o tempo, além de dormir bem, que nessa idade faz uma diferença enorme. Não tem pressa e não precisa de nada além de comida, treino e sono, que aos 15 isso sozinho já te leva longe. Constrói a base agora que os resultados vêm sólidos. Qualquer coisa de substância nem passa pela cabeça nessa idade, você não precisa e o custo não compensa.
  22. Bigolinha17cm, primeiro deixa eu desfazer uma confusão que vai mudar sua conta toda. Você misturou basal com manutenção. O basal, aqueles 2000, é o que seu corpo gasta parado, só para existir. A manutenção é o basal mais tudo que você faz no dia, andar, trabalhar e treinar, e no seu caso, treinando pesado, ela deve estar mais para uns 2800 a 3000. O corte se faz a partir da manutenção, nunca do basal, senão você corta gordura demais de uma vez e perde músculo junto. Então o caminho é o seguinte. Descobre sua manutenção real acompanhando o peso por duas semanas na caloria atual, e depois tira um déficit moderado, algo em torno de 400 a 500 kcal por dia. Isso te dá uma perda de meio quilo por semana mais ou menos, que é o ritmo que preserva massa magra, exatamente o que você quer ao sair de 18 para 12 por cento. Proteína você mantém alta, em torno de dois gramas por quilo, que é o que segura o músculo no déficit. Sobre o cardio, ele é uma ferramenta para ampliar o gasto, não uma obrigação. Começa com uns 20 a 30 minutos umas três vezes na semana e só aumenta se a perda estagnar, em vez de já sair no talo, senão não sobra para onde progredir depois. E não confia muito naquele número de calorias que o smartwatch mostra, ele costuma inflar bastante o gasto do treino. De 18 para 12 por cento natural é totalmente possível em alguns meses nesse ritmo, é constância mais do que sofrimento.
  23. Aline, pode ficar tranquila, não sentir o glúteo no agachamento é das queixas mais comuns que existem, e na grande maioria das vezes é técnica e alavanca, não encurtamento muscular. Aqueles vídeos assustam mais do que ajudam. No agachamento na barra guiada, se os pés ficam bem embaixo da barra e o corpo desce reto, o esforço vai quase todo para o quadríceps, e é exatamente isso que você está sentindo. Para trazer mais glúteo, experimenta posicionar os pés um pouco à frente, sentar mais para trás como se fosse encaixar em uma cadeira atrás de você, descer pelo menos até a coxa ficar paralela ao chão e pensar em empurrar o chão pelo meio do pé e calcanhar. Só isso já muda bastante o que você sente. Dito isso, a verdade é que o agachamento é mais um exercício de quadríceps por natureza, então não espera que ele sozinho construa glúteo. Quem realmente desenvolve glúteo são os movimentos de quadril, como a elevação pélvica, o stiff e a abdução. Se o seu treino não tem esses, é normal o glúteo não responder por mais que você agache. E não tem nada de errado em querer uma segunda opinião mesmo pagando um personal, isso é cuidado, não desconfiança. Você pode levar isso justamente para ele, pedir para incluir elevação pélvica e ajustar a pegada do agachamento com essas dicas de sentar para trás. É uma coisa simples de corrigir e some rápido quando você acerta o padrão do movimento. Foco no quadril que o glúteo aparece.
  24. Caio66213, sua divisão está bem montada. Esse push pull legs mais upper lower faz cada grupo pegar estímulo em torno de duas vezes na semana, que é uma frequência ótima para hipertrofia, e o volume por músculo que você distribuiu está numa faixa razoável. Então a estrutura em si não precisa de reforma, dá para tocar assim tranquilo. Sobre o cardio, como você é magro e com pouca gordura, ele não é obrigatório para o seu objetivo, que claramente é ganhar massa. Esses 30 minutos moderados três vezes na semana estão de bom tamanho e servem mais para saúde cardiovascular e condicionamento do que para queima, e nessa quantidade não atrapalham o ganho, desde que você coma o suficiente para repor. Se em algum momento sentir que o ganho travou, o primeiro lugar para olhar é a comida, não o cardio. Porque no seu caso, sendo magro, o que vai separar evoluir de estagnar é comer em superávit e progredir carga, mais do que qualquer detalhe da divisão. Anota as cargas e as repetições e busca melhorar alguma coisa a cada semana. Se em alguma fase você sentir que a recuperação está apertada, apara alguma série isolada que esteja sobrando, mas de resto o plano está coerente. Base boa, agora é constância no prato e na progressão.
  25. HUEDA, seu instinto está bom, e isso conta muito. Se você responde melhor treinando seis dias com volume moderado e equalizado, batendo cada músculo duas vezes na semana, você já achou algo que funciona para o seu corpo, e a literatura apoia isso, frequência de duas vezes por semana costuma render mais que uma vez só quando o volume total é o mesmo. Então não há nada de errado na sua lógica, o ajuste é fino. Os números que te passaram, algo como quinze séries para músculo grande e nove a doze para pequeno, são um ponto de partida honesto. O que eu somaria é onde está a mágica de verdade, mantém a maioria das séries a uma a três repetições da falha, com boa execução, e progride carga ou repetição semana a semana. E cuida para que o total semanal por músculo caia numa faixa produtiva, que para a maioria fica entre dez e vinte séries. Abaixo disso estimula pouco, muito acima só acumula fadiga sem retorno. Como você mesmo disse, sono e comida seguram tudo isso, sem eles o volume alto vira só desgaste. O único reparo que faço no seu plano é que ele está com muito exercício sobreposto, vários movimentos que treinam a mesma coisa. Enxuga essa redundância, escolhe uns poucos exercícios bons por músculo e foca em progredir neles ao longo das semanas. Menos variedade e mais progressão rende mais do que um cardápio enorme de exercícios que você nunca evolui. No mais, você está pensando certo, é só aparar as arestas.

Conta

Navegação

Buscar

Buscar

Configure browser push notifications

Chrome (Android)
  1. Tap the lock icon next to the address bar.
  2. Tap Permissions → Notifications.
  3. Adjust your preference.
Chrome (Desktop)
  1. Click the padlock icon in the address bar.
  2. Select Site settings.
  3. Find Notifications and adjust your preference.