Ir para conteúdo

Cláudio Chamini

Colaborador
  • Registro em

  • Última visita

Tudo que Cláudio Chamini postou

  1. Neemu, o tópico é de outra era e você provavelmente já virou outra pessoa, mas a sua pergunta continua sendo uma das mais feitas do fórum e nunca foi respondida direito aqui. Um disse cutting, outro disse bulk limpo, outro disse bulk leve, e o assunto virou a marca da sua cueca. Vou responder de verdade, para você e para quem cair neste tópico procurando a mesma coisa. A resposta, no seu caso específico, é: nenhum dos dois. Você tinha dezessete anos, um metro e setenta e quatro, setenta e dois quilos, uma semana de volta ao treino e o que o pessoal descreveu como barrigudinho mas não gordo. Essa é exatamente a situação em que a escolha entre bulk e cutting não faz sentido, porque quem está começando ou recomeçando consegue as duas coisas ao mesmo tempo: ganhar músculo e perder gordura, comendo por volta da manutenção. Isso não vale para todo mundo, e é justamente por isso que a discussão bulk contra cutting existe entre gente treinada. Mas para o iniciante, o corpo responde tão fácil a qualquer estímulo novo que ele constrói e queima ao mesmo tempo por um bom tempo. Essa janela dura um ou dois anos e não volta mais. Passar esse período fazendo bulk agressivo e depois sofrendo para tirar a gordura é o desperdício mais comum que existe. Traduzindo em prática: comer perto da manutenção, botar a proteína no lugar, treinar pesado e deixar a balança quase parada enquanto o espelho e a fita métrica mudam. E aqui está a parte que ninguém fez no tópico: contar a proteína da sua dieta. Somando o que você postou, dá algo em torno de setenta gramas por dia. Um copo de leite, um ovo, cem gramas de frango no almoço, cem no jantar, e o resto é pão, banana e batata. Para setenta e dois quilos, a faixa que sustenta ganho de músculo fica entre cento e dez e cento e quarenta e cinco gramas. Ou seja, você estava com aproximadamente metade do necessário. Esse é o motivo real de treino que não rende, e nenhuma discussão sobre bulk ou cutting resolveria isso. Você disse que não tinha como comprar suplemento e que os seus pais não iriam bancar. Isso não é impedimento nenhum, e essa era a informação mais útil que você poderia ter recebido. Proteína barata existe e é comida de mercado: Ovo, que continua sendo a melhor relação entre proteína e preço. Seis ovos por dia é normal e não faz mal a jovem saudável. Leite em pó, que rende muito e é fácil de bater com aveia e banana. Um copo de leite bem cheio de leite em pó substitui shake com folga. Sardinha em lata, que é barata, tem proteína e ômega três. Frango em coxa e sobrecoxa, bem mais barato que peito e com quase a mesma proteína. Carne moída de segunda, patinho ou acém, comprada em quantidade. Fígado bovino, que é dos alimentos mais baratos do açougue e um dos mais densos em ferro, zinco e vitamina A que existem. E arroz com feijão de verdade, no volume certo, que era justamente o que faltava na sua lista, junto com o broto de feijão que quase não conta. Duas correções pequenas de dieta: três colheres de Nescau são quase trinta gramas de açúcar logo cedo, e trocar isso por café com leite não muda nada no seu prazer e libera calorias para comida de verdade. E aquela ceia de duas bananas seria bem melhor como leite com aveia ou ovo cozido, porque a fruta sozinha à noite não entrega proteína nenhuma. Sobre a última pergunta, a do treino que o professor montou, que também ficou sem resposta clara: a divisão dele está boa e você não precisava mudar nada. Cada grupo sendo treinado duas vezes por semana é melhor do que uma, e quarenta e oito horas entre uma sessão e outra do mesmo músculo é suficiente para um iniciante, porque a carga que você usa ainda é leve para o que o corpo aguenta. O que decide o resultado nesse ponto não é a distribuição dos dias, é subir carga com constância e anotar isso em algum lugar. E, olhando de longe: a maior vantagem que você tinha era ter dezessete anos e estar começando. Isso vale mais que qualquer suplemento e mais que qualquer estratégia de dieta com nome bonito. Sinto que o tópico tenha virado piada com a sua foto. Você fez tudo certo ao postar e ao perguntar.
  2. Aos 15 anos ele pesava 50 kg e tinha 25 cm de braço. Dois anos depois estava com 105 kg, sem ter usado nada, cheio de estrias e comendo até vomitar. Hoje mantém um físico que custa cerca de R$ 31 mil por mês, conta feita em voz alta e item por item. Entre um ponto e outro cabem um mestre de academia de bairro, um emprego em loja de material de construção, um ano de alcoolismo e a decisão de nunca competir. Foi essa trajetória inteira que Fernando Superman abriu em "FERNANDO SUPERMAN - ESPECIAL BBZINHO CINZA BDAY", do Monster Cast. É uma história de maromba, mas o que a sustenta não é treino. É trabalho, escolha de gente e uma disposição incomum de dizer em público quanto custa e quanto dói. 50 kg e um irmão maior A entrada na academia não teve nada de inspiradora. Os pais se separaram de forma traumática quando ele tinha entre 12 e 15 anos, os três irmãos ficaram com a mãe e ele escolheu ficar com o pai, que estava em depressão profunda e falava em se matar. A conta dessa escolha veio rápido: o irmão mais velho, com mais de 1,90 m e bem mais pesado, o espancou na rua por causa dela. Foi essa a origem. Com 50 kg e 25 cm de braço, karatê não resolveria a diferença, e ele foi treinar para conseguir se defender. Largou a escola, virou ajudante de açougueiro em um mercadinho e começou a circular com gente errada, algo que ele descreve com uma clareza que quem viveu perto sabe reconhecer: não é preciso cometer nada para pagar, basta estar do lado de quem tem pendência quando alguém aparece para cobrar. Terra, o mestre que segurou a barra Quem tirou o adolescente daquela rota foi o dono da academia, conhecido como Terra. A academia ficava perto da rodoviária de Ubatuba, custava R$ 35 por mês, e houve reclamação geral quando a mensalidade subiu R$ 5. A primeira cena de treino que ele viu na vida foi Terra se preparando para o Mister Santos fazendo rosca direta com 50 kg de cada lado. O método da casa era brutal e literal. Leg press com séries de 40 repetições até vomitar, com balde ao lado. Remada curvada com 70 kg de cada lado por 20 repetições, também até vomitar. Terra treinava com a academia fechada, para não assustar os próprios alunos. O primeiro treino que passaram ao novato foi levantamento terra, com a justificativa de ser o mais completo e o mais básico ao mesmo tempo. Vale registrar uma coisa que contraria o estereótipo daquela geração. Ninguém ali incentivou o garoto a usar nada. Os atletas da academia, incluindo um campeão mundial de supino que levantava 280 kg pesando 90 kg, diziam que ele tinha que crescer natural, e combinaram que no dia em que ele decidisse usar sentariam juntos para discutir o que seria. As seringas eram escondidas e descartadas longe. Havia um cuidado que hoje soa deslocado. De 50 kg a 105 kg comendo até passar mal A instrução nutricional cabia em uma frase: para ganhar peso, come à vontade a comida mais calórica que der. Sem contagem, sem macro, sem noção do que era carboidrato ou proteína. Ele saiu de 50 kg aos 15 anos para 105 kg aos 17, natural, com estrias que carrega até hoje. O relato do que isso significava na prática é desconfortável e útil. Panela inteira de arroz com frango comida de colher, direto da panela. Um episódio em que vomitou no meio da refeição e continuou comendo. Um dia em que comeu 72 ovos, comprados a R$ 2 a dúzia. Uma vez engoliu um ovo visivelmente esverdeado e não passou mal, o que ele atribui a estar alienado demais no objetivo para registrar o que estava fazendo. A leitura que ele faz hoje disso é mais equilibrada do que a prática de então. Vê muito jovem perdendo tempo tentando crescer limpo demais, quando o que aquela fase pede é comer, construir estrutura e lapidar depois. Treino e dieta são processos biológicos, e a matemática exata serve mais para conversar do que para descrever o que acontece no corpo. Cinco anos sem treinar, três horas da manhã na Augusta Aos 17 ele foi para São Paulo com o pai, e a maromba sumiu da vida por cinco a seis anos. Trabalhou como ajudante de barman em um restaurante na Augusta e saía do serviço às duas ou três da manhã, quando não havia ônibus. Ia a pé da Augusta até a Vila Madalena, e passou a raspar a cabeça na gilete para parecer mais perigoso no caminho. Depois veio o Almanara, restaurante de alto padrão em Alphaville, onde a lição foi de observação. Aprendeu que quem tem muito dinheiro costuma andar de chinelo e camiseta simples, que o cara arrumado demais em geral é o assalariado, e que dá para identificar quem realmente importa pela movimentação dos seguranças à paisana ao redor. Também registra não ter sido destratado uma única vez por esse público. Meio milhão por mês e um diretor que morreu O capítulo mais formativo não aconteceu em academia nenhuma. Contratado como vendedor em uma loja de material de construção, ele perguntou aos veteranos quanto vendiam os melhores. A resposta foi de R$ 120 mil a R$ 130 mil por mês. Ele disse, na inocência, que dava para vender R$ 400 mil, e riram da cara dele. Em seis meses estava vendendo meio milhão por mês, e chegou a passar de R$ 600 mil. A seção onde trabalhava, na menor loja da rede em metragem, saiu da vigésima terceira posição entre cerca de trinta lojas para a terceira em vendas. Ele ganhava R$ 1.500. O método não tinha nada de mágico e é inteiramente transferível. O gargalo que ninguém cobria era o pós-venda. Ele anotava o telefone de todos os clientes, marcava a data prevista de entrega e ligava antes de entrar no expediente para perguntar se tinha chegado tudo certo. Caixa de piso quebrada virava troca mais vale-compra, o que gerava uma nova compra e um cliente que não aceitava ser atendido por mais ninguém. Havia dia de loja vazia com fila na mesa dele. A frase que resume o aprendizado é a que ele repete até hoje: você não faz venda, faz cliente. Foi promovido em um ano e três meses, quando o padrão da empresa era dois anos, e a promoção precisou ser ocultada da equipe para evitar retaliação. O mentor por trás disso era um diretor chamado Alejandro, o mais bem pago da unidade e ao mesmo tempo o mais despojado, sem relógio, sem broches, descendo ao chão de loja para brincar com todo mundo pelo nome. No sábado ele passou pela loja como sempre. No domingo caiu andando de skate no Parque Villa-Lobos com a mulher grávida e morreu. Um ano de uísque no café da manhã A morte do mentor virou combustível e depois virou doença. Ele decidiu levantar sozinho a bandeira do outro e passou a se cobrar mês a mês, sempre acima do anterior. Acumulou quatro celulares e todas as broncas da seção. O quadro que ele descreve é de alcoolismo funcional, e ele o nomeia sem eufemismo. Acordava e tomava de um terço a meia garrafa de uísque, misturado com café, no lugar do café da manhã. Fumava cerca de um maço por dia. Não almoçava. O prêmio depois de fechar uma venda grande era ir ao vestiário tomar mais um gole, um café e um cigarro. Aos 24 anos começou a ter cabelos brancos. Vale a honestidade que veio junto, porque ela é a parte útil para quem passa por isso. Ele diz que continua alcoólatra, no presente, anos depois de ter parado. Passar pelo corredor de bebidas do supermercado ainda o faz salivar, e a lembrança do uísque com café ainda é descrita como um estímulo animal, não racional. Por isso não toma nem uma dose. A virada veio quando olhou para os chefes e viu o gerente envelhecido dez anos em dezoito meses e a diretora aparentando bem mais que os 39 anos que tinha, ganhando R$ 12 mil. Concluiu que era o melhor vendedor do mundo de uma coisa que odiava, obra, e que se aplicasse o mesmo esforço em algo que amava o resultado seria outro. Voltou de férias e pediu demissão. A seção, que ele deixou vendendo três milhões, voltou para um milhão e meio. Loja de suplemento, o primeiro ciclo e a consultoria paga no crediário O retorno à musculação passou por uma loja de suplementos no Frei Caneca, onde virou um dos melhores vendedores usando o oposto do empurrão. Se o cliente pedia um produto caro sem precisar, ele oferecia o mais barato e ajustava a dose de verdade, explicando que 3 g de glutamina não fazem efeito e que o útil ali seria algo em torno de 15 g. O ganho vinha da recorrência, não da margem daquela venda. Foi nessa fase, entre 24 e 25 anos, que veio o primeiro protocolo: boldenona com enantato, três aplicações por semana, finalizando com oxandrolona. Nunca fez terapia pós-ciclo, nem nesse nem depois. O segundo protocolo foi durateston de farmácia com meio mililitro de trembolona em dias alternados, e o resultado imediato foi acne severa. É também o marco que ele aponta para o início dos problemas de sono que o acompanham desde então. O encontro com Júlio Balestrin merece registro pelo desfecho. Levado por um cliente que virou amigo, pagou R$ 600 de consultoria no cartão de uma loja de departamentos, parcelado em duas vezes. Júlio olhou para ele, mandou o acompanhante sair da sala e disse que ele precisava competir, que a genética, a linha e a proporção eram melhores que as de nomes já estabelecidos. Vindo de alguém conhecido por não elogiar ninguém, aquilo pesou. O que aconteceu na sequência é a decisão mais madura da história. Na mesma sala ele viu o protocolo de um atleta profissional que estava sendo preparado, comparou com a própria realidade de quem não tinha dinheiro para comer frango direito e concluiu que aquilo não era para ele naquele momento. Escolheu não competir e seguir treinando em paz, para não trocar prazer por frustração. O conteúdo que mudou tudo e a demissão que veio junto A virada de exposição veio de uma gravação com Toguro, que viralizou. O preço foi imediato: ele foi demitido da loja de suplementos por causa da participação. O apelido Superman já existia antes, herdado das costas largas de quem nadava na infância, e acabou colado por uma namorada. Duas recusas dessa fase explicam a carreira melhor que qualquer número. A primeira foi não emendar em conteúdo de balada e carnaval, mesmo sendo aconselhado a surfar a onda enquanto ela existia, por entender que estaria se prostituindo por visualização e que depois criticaria o próprio material. Consequência prática: como não ficou dependente da imagem de outra pessoa, sobreviveu ao ciclo que engoliu vários que apareceram depois. A segunda foi comercial. Depois de mostrar o contrato vigente para provar que não estava blefando sobre o próprio valor, ouviu de um dono de marca a proposta de trabalhar três meses de graça, só por suplemento, para depois discutir salário. Em outra ocasião fechou um acordo no aperto de mão, pediu demissão do patrocinador anterior confiando na palavra, e na hora de assinar o valor combinado tinha sumido. Recusou, e a razão não foi o dinheiro: não se entra em uma relação que já começa errada. A caixa aberta: o que ele realmente usa Aqui vale o enquadramento antes dos números. O que segue é o relato de um profissional que vive disso, com acompanhamento farmacêutico, exames periódicos e uma estrutura financeira que quase ninguém tem. Não é recomendação, não é dose de referência e não deve ser copiado. A primeira coisa que ele desmonta é a própria lenda. O número que circula na internet, de 12 g a 15 g por semana, veio de um lote falsificado. A prova é o resultado: usando o que o rótulo dizia ser 15 g, ele definhou até 90 kg. Se houvesse fármaco de verdade naquele frasco, o efeito teria sido o oposto. A conclusão que ele tira é a mais útil de toda a conversa, e vale para qualquer pessoa que use qualquer coisa comprada fora de farmácia: a distância entre o que está no rótulo e o que está no frasco costuma ser enorme, e passar a usar produto de farmácia significou, na prática, poder usar menos da metade. O uso atual é declarado com limites claros. Trembolona em 1 mL por dois dias seguidos, com queda para meio mililitro no terceiro, porque não aguenta manter. Tentou chegar a 700 mg por semana e não conseguiu, ficando em torno de 500 mg. A base é testosterona com primobolan e NPP. Oximetolona a 25 mg já embrulha o estômago, e ele não usa 50 mg. O HDL estava em 18. Nunca fez pausa real. Desde os 24 ou 25 anos está sempre com algo em uso, e o mais próximo de um intervalo foram duas semanas em 2018 usando apenas durateston de farmácia duas vezes por semana. Sobre isso ele não constrói justificativa técnica, apenas descreve. A conversa cobre ainda o que costuma faltar nesse tipo de relato. Trembolona destrói o sono, e ele já chegou a acordar às cinco da tarde. Como carrega um distúrbio de sono grave, que quase exigiu internação, hoje trata sono como inegociável. Para dormir usa combinações simples e baratas, incluindo glicina em torno de 5 g, chás de camomila, erva-cidreira e capim-limão, com melatonina em dose mínima, na faixa de 0,5 mg, que já produz efeito. Para acne, orienta procurar médico no caso da isotretinoína e desconfiar de produto de mercado negro que em três doses diárias sequer descama a pele, além de medidas simples como evitar banho quente e usar nicotinamida tópica a 5%. A conta que quase ninguém mostra O trecho mais valioso do encontro é uma calculadora aberta ao vivo, e ela deveria circular mais que qualquer foto de shape. Somando o que ele usa por mês: hormônio de crescimento, à razão de cerca de R$ 650 por caneta: em torno de R$ 15 mil itens de farmácia: cerca de R$ 2.500 manipulados, entre protetor hepático, protetor de articulação, enzimas digestivas e sensibilizadores de insulina: cerca de R$ 8.500 somados demais hormônios: cerca de R$ 2 mil alimentação: entre R$ 4 mil e R$ 5 mil, sem contar refeições fora suplementação, avaliada a preço de venda: cerca de R$ 2.500 O total fica em torno de R$ 31 mil por mês, aproximadamente R$ 360 mil por ano, e isso cobre apenas a manutenção do físico. Não entra aluguel, lazer, plano de saúde, academia nem transporte. Se entrasse IGF-1 no protocolo, seriam uns R$ 8 mil a mais. A comparação que ele usa é com automobilismo: dá para brincar de kart, mas Fórmula 1 é para poucos, e o carro de Fórmula 1 quebra mais e tem manutenção mais cara que o carro comum. Duas conclusões desse bloco valem mais que a soma. A primeira é que o gasto com contenção de dano cresce de forma desproporcional quando se sobe a dose, e por isso muitas vezes é mais inteligente ficar no meio-termo do que subir e não conseguir bancar a proteção correspondente. A analogia dele é direta: subir o morro blindado, de colete e capacete, ou não subir. A segunda é que isso não é uma compra, é um aluguel. Interrompido o pagamento, o físico vai embora. Serve de contraste o começo. Houve uma fase em que R$ 690 era exatamente o valor que faltava para comprar o hormônio de crescimento do mês, e a decisão sobre trabalhar mais ou não passava por isso. Por que ele nunca subiu no palco Ele mantém a posição de nunca ter competido e não vê incoerência nisso. O argumento é que a musculação importa mais do que o fisiculturismo, e que o fisiculturismo é a ponta, a Fórmula 1, uma bandeira útil justamente porque levantá-la levanta a musculação inteira junto. O que o move é ver a musculação virar o maior esporte do Brasil, acima do futebol. Sobre uso para quem não vai competir, a resposta é curta e sem heroísmo. Vale muito mais a pena melhorar a vida do que perseguir o extremo, e trembolona não é para quem quer apenas um físico bom. Ele mesmo passou um ano e dois meses sem usar em determinado período, e continua defendendo que o natural bem treinado já está muito acima da média. Duas dívidas pagas Duas histórias fecham o retrato. A primeira é que ele voltou e reformou a academia do mestre, que estava funcionando literalmente no meio da obra, com o concreto exposto e o dono dormindo na garagem com a mulher durante a pandemia. Virou sócio, colocou equipamentos e a casa saiu de cerca de 80 alunos para mais de 500, com mensalidade de R$ 150. Depois vendeu a própria parte por um valor simbólico, com a justificativa de que entrou para ajudar e que não faria sentido rachar meio a meio um negócio tocado por outra pessoa enquanto ele vive em São Paulo. A segunda é o costume de dormir no chão, que ele mantém. Nasceu da época em que morava na academia, embaixo de uma escada, e o colchão encharcava toda vez que chovia forte. Passou a dormir sobre um tatame e nunca desfez o hábito, mesmo depois de comprar cama. Conclusão O que sustenta essa história não é dose nem genética. É um mestre que apareceu na hora certa, um mentor de fora da maromba que ensinou a trabalhar, e um método de venda que vale para qualquer profissão: entregar o combinado e voltar para conferir. As duas decisões que mais pesaram foram recusas, não conquistas. Não competir quando viu que a conta não fechava, e não vender a própria imagem por audiência fácil. Fica também o alerta que ele mesmo entrega sem que ninguém peça. Um lote falsificado que produziu emagrecimento em vez de ganho, HDL em 18, sono destruído a ponto de exigir tratamento, anos sem nenhuma pausa e uma conta mensal de R$ 31 mil apenas para manter o que está no espelho. Nada disso é receita. Qualquer decisão envolvendo hormônios exige avaliação, exames e acompanhamento de profissional habilitado, e a automedicação continua sendo o caminho mais rápido para transformar objetivo estético em problema clínico. FAQ Ele realmente usava 15 g de hormônio por semana? Não. Esse número veio de um lote falsificado, e a prova está no resultado: usando o que o rótulo apresentava como 15 g, ele emagreceu até 90 kg. Passar a usar produto de farmácia significou reduzir para menos da metade, com resposta melhor. Quanto custa manter um físico desse nível? Cerca de R$ 31 mil por mês, ou aproximadamente R$ 360 mil por ano, considerando hormônio de crescimento, itens de farmácia, manipulados de proteção, demais hormônios, alimentação e suplementação. Não estão incluídos moradia, lazer, plano de saúde nem academia. Como ele saiu de 50 kg para 105 kg? Em dois anos, dos 15 aos 17, sem usar nada e sem qualquer noção de dieta. A instrução do treinador era comer à vontade a comida mais calórica disponível, o que na prática significou panelas inteiras de arroz com frango e episódios como comer 72 ovos em um único dia. Por que ele nunca competiu? Porque viu de perto o protocolo de um atleta profissional em preparação e comparou com a própria realidade financeira da época, quando não tinha dinheiro nem para comer frango adequadamente. Concluiu que aquilo geraria frustração e preferiu treinar sem a pressão do palco. Qual foi a maior lição fora da academia? O pós-venda. Anotar o contato de cada cliente, checar se a entrega chegou certa antes de o cliente reclamar e resolver o problema com troca mais crédito transformou vendas isoladas em recompras. A síntese que ele repete é que não se faz venda, se faz cliente. O que ele recomenda para quem não pretende competir? Que priorize a vida acima do extremo. Considera que um praticante natural bem treinado já está muito acima da média e que substâncias como a trembolona não fazem sentido para quem busca apenas um bom físico, pelo custo em sono, pele e saúde mental. Referências MONSTER CAST. FERNANDO SUPERMAN - ESPECIAL BBZINHO CINZA BDAY. YouTube, 22 dez. 2022. Disponível em: https://www.youtube.com/live/WT-d1DqTEfE. Acesso em: 31 jul. 2026.
  3. Você abriu o tópico pedindo ajuda para montar treino com foco em dorsais e braços, postou o treino quando pediram, e essa parte acabou nunca sendo respondida. Vou começar por ela, porque é o que você perguntou. Olhando o que está aí, tem um padrão claro: quase tudo é máquina, polia e movimento de isolamento, e falta a espinha dorsal do treino em todos os três dias. No treino de costas você tem pull down, remada sentada, puxador por trás, puxador pegada fechada e peck deck invertido. São cinco exercícios e quatro deles são puxada vertical ou variação de polia. Falta o que mais constrói dorsal: puxada com o próprio peso na barra fixa, e principalmente uma remada pesada com peso livre, seja remada curvada com barra, seja serrote com halter. Remada com peso livre obriga o dorsal a trabalhar contra uma carga que você pode aumentar todo mês, e é isso que engrossa as costas. Se quer dorsal larga, coloque barra fixa e remada curvada no começo do treino, quando você está inteiro, e deixe as polias para o final. No treino de perna você tem extensora, leg press, adutora e flexora. Não tem agachamento, não tem levantamento terra, não tem stiff e não tem panturrilha. Ou seja, o dia de perna não tem nenhum movimento em que o quadril trabalhe de verdade. O levantamento terra, além de perna, é dos melhores construtores de dorsal e de espessura de costas que existem, então ele resolve dois dos seus problemas ao mesmo tempo. E, sobre braço, um ponto que costuma surpreender: bíceps recebe muito estímulo indireto de toda puxada e remada, e tríceps de todo supino e desenvolvimento. Se a base composta melhorar, o braço cresce junto. Colocar mais um exercício de rosca não é o caminho, e você já faz três de tríceps e três de bíceps. Uma última coisa sobre treino, que vale mais que a escolha dos exercícios: anote carga e repetição toda sessão. O objetivo de cada semana é bater a semana anterior em alguma coisa, nem que seja uma repetição a mais. Sem esse registro, não dá para saber se o ciclo está rendendo, e é justamente ele que separa quem cresce de quem só treina. Agora duas coisas do protocolo. A primeira é o anastrozol. Você programou meio miligrama dia sim dia não a partir da segunda semana, antes de qualquer exame, e disse depois que não chegou a fazer exame antes de começar. Isso é usar um remédio para um problema que talvez não exista. O anastrozol serve para derrubar estrogênio quando ele está alto e dando sintoma, e não como item padrão de ciclo. Estrogênio não é vilão no homem: ele participa da libido, do humor, da saúde da articulação e da manutenção do HDL. Derrubado demais, e meio miligrama em dia alternado derruba bastante, ele produz justamente aquilo que as pessoas atribuem ao ciclo dar errado, ou seja, articulação seca, libido sumindo, ânimo baixo e colesterol pior. O caminho melhor é o inverso do que foi planejado: começar sem anastrozol, e ter o comprimido guardado para o caso de aparecer sintoma real, que é sensibilidade ou nódulo doloroso embaixo do mamilo, retenção evidente e inchaço de rosto. Aí sim entra, na menor dose, e de preferência com estradiol dosado antes. Ainda mais no seu caso, com um laboratório desconhecido que pode estar subdosado: você pode acabar bloqueando o estrogênio de uma testosterona que nem está chegando na dose que você pensa. A segunda é o tempo da TPC, e esse é um erro de calendário que custa caro. Você programou começar trinta dias depois da última aplicação. Enantato tem meia vida em torno de sete dias, então uns quatorze a dezoito dias depois da última aplicação o nível já caiu para perto do chão. É nesse ponto que a TPC deve começar. Esperar trinta dias significa passar mais de duas semanas com a testosterona de fora praticamente ausente, a sua própria ainda desligada, e nada estimulando a recuperação. É exatamente a janela em que se perde massa e se passa mal, e ela é evitável apenas mexendo na data. E, sobre a dieta, uma observação simples. Duas mil e trezentas calorias para setenta e cinco quilos, vindo de um período de déficit, é manutenção ou pouco acima. Para um bulk com quatrocentos miligramas de testosterona por semana, isso desperdiça o ciclo. Deixe a balança mandar: se o peso não estiver subindo algo entre trezentos e quinhentos gramas por semana, some duzentas calorias e reavalie em duas semanas. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  4. Fernando, tem um número nesses seus exames que passou quase batido e que é, de longe, o mais sério de tudo que está postado aqui. Vou começar por ele. Você postou VLDL de cento e setenta e sete. Esse valor não é medido, ele é calculado dividindo os triglicerídeos por cinco. Fazendo a conta ao contrário, os seus triglicerídeos estavam por volta de oitocentos e oitenta. A faixa desejável vai até cento e cinquenta. Acima de quinhentos já existe risco de pancreatite aguda, e acima de mil o risco é considerado alto. Você estava entre esses dois patamares. Isso não é um exame para ajustar com aveia e salada, é um valor que pede consulta médica com esse resultado em mãos e repetição do exame com jejum correto de doze horas, porque comer perto da coleta infla o número. Pancreatite aguda dói muito, interna, e às vezes é grave. Não estou dizendo isso para te assustar, estou dizendo porque, no tópico, esse número foi tratado como um item de lista. E tem uma consequência técnica disso que também vale saber, porque ela produziu um segundo engano. O seu LDL apareceu como vinte e três, um valor ótimo, quase bom demais. Ele não é real. O LDL desses exames de rotina também é calculado, por uma fórmula que deixa de funcionar quando os triglicerídeos passam de quatrocentos. Com triglicerídeos perto de novecentos, o LDL calculado não significa nada. Ou seja, não dá para se tranquilizar com ele. O terceiro número da mesma família é o HDL de dezessete. Está entre os mais baixos que se vê. Essa é a assinatura clássica do stanozolol, que é dos androgênios que mais derruba o HDL, e vale saber que o anastrozol empurra na mesma direção, porque parte da proteção do HDL depende do estrogênio. O que me leva ao anastrozol, e aqui está um erro que ninguém apontou com todas as letras. Você usou anastrozol três vezes por semana durante todo o período e resistiu a parar quando o médico mandou. Só que o seu próprio exame mostra estradiol de vinte e quatro, com referência masculina indo até trinta e nove vírgula nove. Ou seja, o seu estrogênio não estava alto. Estava na parte de baixo da faixa normal. Não havia excesso a combater, e o remédio estava apenas derrubando um hormônio que você precisa ter, com custo em HDL, em osso, em articulação e em libido. O receio que você mencionou de dor articular por causa do stano somado ao anastrozol tinha fundamento, e a solução era exatamente a que te propuseram: parar. Sobre o fígado. TGO oitenta e três e TGP cento e dezessete são cerca de duas a três vezes o limite superior, e o responsável mais provável é o stanozolol. Vale dizer uma coisa sobre a via, porque é um mal-entendido comum: a apresentação sublingual não torna o stanozolol seguro para o fígado. A toxicidade dele vem da estrutura química alquilada na posição dezessete, que é o que permite a molécula sobreviver e circular, e isso não muda conforme ele entra no corpo. Aproveito para dizer que silimarina e abacaxi não protegem contra isso. O que baixa essas enzimas é o tempo sem a droga. Repetir TGO, TGP, GGT e bilirrubinas umas seis a oito semanas depois de parar é o que responde se voltou ao normal. Duas observações menores, mas úteis. Os dez quilos em dois meses. Você comia três mil e duzentas calorias sem dieta regrada e sem controle, incluindo McDonalds semanal. Parte importante disso é água, glicogênio e comida no sistema, e outra parte é gordura. A bioimpedância que marcou oito vírgula cinco por cento no meio disso não é confiável, porque ela estima gordura a partir da condução elétrica do corpo, que depende diretamente do quanto você está hidratado, e você passou o período inteiro com o balanço de líquido mudando. Não é um instrumento para julgar um ciclo. E, corrigindo uma informação que ficou no tópico: tamoxifeno exige receita médica no Brasil. Não é venda livre. Se você ainda estiver por aqui, o resumo do que eu faria hoje é curto: repetir o perfil lipídico completo com jejum de doze horas, levar o resultado a um médico com o histórico contado por inteiro, e repetir as enzimas hepáticas. Aos vinte e um anos essas três coisas tendem a voltar ao lugar depois de um tempo limpo, e é bom confirmar que voltaram antes de pensar em qualquer outra coisa. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  5. Este tópico continua sendo achado por quem procura acne em ciclo feminino, e tem coisa aqui que precisa ser corrigida, porque leva a decisão errada. Começo pela causa, que na verdade já estava resolvida no primeiro post e ninguém percebeu. Kakau escreveu o seguinte: as espinhas apareceram, ela parou por quinze dias, elas sumiram, ela voltou e elas reapareceram já na primeira aplicação. Isso tem nome em medicina, chama-se retirada e reexposição, e é a evidência mais forte que existe fora de laboratório para estabelecer que uma substância causou um efeito. Some quando tira, volta quando devolve. A dermatologista que a examinou disse a mesma coisa. Não era preciso dosar estradiol, DHT ou cogitar frasco contaminado: a resposta já estava no relato. E aqui está a correção mais importante do tópico. Foi levantado que o problema poderia ser estradiol alto, e depois foi recomendado anastrozol, meio miligrama por dia, durante e depois do ciclo, comprado sem receita. Isso não funciona e faz mal, pelos dois lados. Não funciona porque a acne dessas duas substâncias é androgênica, não estrogênica. Stanozolol não aromatiza, ou seja, não vira estrogênio em quantidade relevante, e oxandrolona quase nada. A espinha aparece porque o androgênio estimula diretamente a glândula sebácea, que produz mais sebo, e no pescoço, colo, ombros e costas, que é exatamente o mapa que ela descreveu, porque é onde essas glândulas são mais densas. Anastrozol bloqueia a conversão de androgênio em estrogênio. Não havendo essa conversão, não há o que bloquear. Ele não tem por onde agir sobre esse tipo de acne. E faz mal porque, em mulher, o estrogênio não é um efeito colateral, é o hormônio principal. Derrubá-lo com inibidor de aromatase em uma mulher jovem e saudável causa perda de massa óssea, dor articular, ressecamento vaginal, queda de libido e piora do perfil lipídico. É um remédio de indicação oncológica, usado em mulher com câncer de mama hormônio dependente, geralmente depois da menopausa, e com acompanhamento. Tomar isso por conta própria para tratar espinha é trocar um problema de pele por um problema de osso. Se alguém leu este tópico e adotou isso, vale reconsiderar. O que realmente resolve acne androgênica, na ordem: reduzir a dose ou tirar a substância, que é o que a própria experiência da Kakau já demonstrou funcionar, e tratamento dermatológico de verdade, com peróxido de benzoíla ou adapaleno tópicos, e antibiótico ou isotretinoína quando o quadro é mais grave e sob acompanhamento. Sabonete sozinho não dá conta de acne hormonal, e isso explica por que só amenizou. Segundo ponto, que é o que provavelmente causou tudo. Foi dito no tópico que stanozolol daquela forma para mulher está OK e que não é dose alta. É dose alta, sim, e por larga margem. Cinquenta miligramas por mililitro, um mililitro, três vezes por semana, dão cento e cinquenta miligramas por semana. Isso é faixa masculina. As doses femininas que aparecem nos relatos com poucos efeitos ficam uma ordem de grandeza abaixo disso. Somando ainda vinte miligramas de oxandrolona três vezes por semana, o resultado esperado não é acne, é acne mais o resto. Não surpreende que no primeiro ciclo, com dose menor, não tenha acontecido nada. E é por isso que vale insistir num ponto que vale para quem estiver lendo: quando aparece efeito androgênico visível, a conduta é reduzir ou parar, e não somar um segundo medicamento para tentar mascarar o primeiro. A espinha, incômoda como é, é o aviso barato. Voz e clitóris são o aviso caro, e esses não voltam atrás. Uma observação sobre o protocolo que foi sugerido mais adiante no tópico, de subir oxandrolona até trinta miligramas por dia para uma iniciante. Isso é três a seis vezes a faixa em que a maioria das mulheres usa, e é justamente a região em que a virilização deixa de ser risco e passa a ser expectativa. Quem estiver começando, vale ignorar esse número. E, gdamasceno, um detalhe do seu caso que pode te poupar preocupação: um DHT acima de dois mil e quinhentos é um valor esquisito, fora de qualquer faixa usual, e o primeiro passo antes de tratar é conferir a unidade e o intervalo de referência do laboratório e repetir a dosagem. Não é raro esse tipo de número vir de unidade diferente da esperada. Vale confirmar antes de montar conduta em cima dele. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  6. Patricia, o tópico é antigo e você não voltou, mas vou responder porque a conclusão que ficou registrada aqui está invertida, e ela é do tipo que pode fazer mal a quem ler depois. A médica do pronto socorro foi chamada de incompetente e de sem noção. Olhando o que ela fez, foi o contrário disso. Você chegou lá com dor forte, na terceira semana usando oxandrolona a dez miligramas por dia, e ela identificou alteração no fígado. Diante disso, ela te disse que não podia prescrever certos remédios por causa do efeito hepático do que você estava tomando, mandou repouso e orientou não beber e evitar comida gordurosa. Isso é exatamente o raciocínio correto. A oxandrolona é do tipo alquilado, ou seja, foi modificada quimicamente para sobreviver à passagem pelo fígado, e é justamente essa modificação que sobrecarrega o órgão. Em alguém com o fígado já alterado, somar mais um medicamento que também é processado ali é a coisa errada a fazer. Ela não deixou de prescrever por preguiça, deixou de prescrever porque prescrever seria pior. E o Buscopan que ela escolheu é coerente com isso: é antiespasmódico, que age no intestino, para dor de cólica. Não era o momento de investigar mais nada dentro do pronto socorro, era o momento de tirar você da dor sem piorar o fígado. O que faltou não foi competência dela, foi o passo seguinte, que era com você. Dor abdominal forte somada a alteração de fígado na terceira semana de um oral alquilado é a única coisa deste tópico inteiro que exigia investigação de verdade, e ela nunca aconteceu. O que eu faria, e ainda vale se aquilo voltou alguma vez: colher TGO, TGP, GGT, fosfatase alcalina e bilirrubinas, e fazer um ultrassom de abdome. O ultrassom importa porque cálculo na vesícula é comum em mulher na sua faixa de idade e dá exatamente esse tipo de dor, e porque esteroide oral também pode causar estase de bile. São dois exames baratos, e o laboratório não precisa ficar na sua cidade nem exige o endocrinologista que sumiu: qualquer clínico geral pede e lê. E aqui está o ponto que eu quero que fique registrado para quem ler este tópico: quando aparece dor abdominal com alteração hepática durante o uso de um oral, a leitura certa não é que a médica acabou com o ciclo. É que o corpo avisou. Retomar sem investigar é apostar que o aviso era falso. Agora, respondendo a uma pergunta que ficou pendurada no fim do tópico e nunca foi respondida, a da Rapunzel, sobre qual seria a TPC para voltar a menstruar. Não existe, e é bom que não exista. Quando a menstruação some durante o uso de androgênio, é porque o eixo hormonal está suprimido, e ele volta sozinho depois que a substância sai, normalmente em algumas semanas a poucos meses. Não há nada a tomar para acelerar isso com segurança, e as substâncias que circulam por aí para essa finalidade, como tamoxifeno e clomifeno, foram desenhadas para outra coisa e, em mulher que não está sendo tratada por infertilidade, mexem no ovário sem necessidade. Ou seja, o caminho é parar e esperar. O que muda a conduta é o prazo. Três meses seguidos sem menstruar depois de encerrado o uso deixa de ser espera e vira investigação com ginecologista, com beta HCG, prolactina, TSH, FSH, LH e estradiol. É simples, e é isso que responde a pergunta de verdade, em vez de um protocolo caseiro. Espero que a dor não tenha voltado e que a sua cidade tenha ganhado médico nesses anos todos. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  7. Bruna, o tópico é antigo e você não voltou, mas ele continua sendo lido por quem pesquisa essa combinação, e tem três coisas aqui que precisam de correção. Uma delas é a premissa em que boa parte dos conselhos se apoiou. Foi dito que mulher não tem eixo HPT e que, por isso, não precisa fazer ciclos, podendo usar doses baixas de forma contínua por doze meses. Isso não procede. Mulher tem o mesmo eixo, hipotálamo, hipófise e gônada, só que a gônada é o ovário em vez do testículo. O hipotálamo libera GnRH, a hipófise libera LH e FSH, e são eles que comandam o ovário a produzir estrogênio e progesterona no ritmo do ciclo menstrual. Androgênio de fora suprime esse eixo exatamente como faz no homem. E existe uma prova disso que qualquer pessoa pode ver percorrendo os relatos femininos deste fórum: menstruação que atrasa ou some durante o uso. Não é coincidência nem coisa da cabeça de ninguém, é o eixo suprimido se manifestando. A diferença real entre homem e mulher aqui não é a existência do eixo, é o que se teme mais: no homem, o limite do tempo de uso é definido pela recuperação da produção própria de testosterona. Na mulher, o limite é definido pela virilização, que é dose e tempo dependente e, na parte que interessa, irreversível. Voz, clitóris e pelo no rosto não voltam atrás. Ou seja, a conclusão prática de que se pode usar continuamente por não haver eixo está errada nos dois passos: o eixo existe, e o motivo para limitar o tempo em mulher é ainda mais definitivo do que no homem. Doze meses ininterruptos de androgênio, aos dezenove anos, é muito mais tempo do que qualquer relato de segurança sustenta. Segundo ponto, e esse é o que mais me preocupa no tópico. Sugeriram gestrinona para você como contraceptivo que ainda por cima gera massa muscular. Preciso ser bem claro: gestrinona não é método contraceptivo. Ela é um derivado com forte atividade androgênica cujo uso registrado é no tratamento de endometriose, e o uso estético dela, principalmente na forma de implante, é justamente o que virou alvo de restrição das autoridades médicas depois, por virilização e por falta de comprovação. Confiar nela para não engravidar seria contar com uma proteção que não existe, e isso vale duplamente para quem está usando androgênio, porque é a situação em que uma gravidez não descoberta a tempo causa o dano que não se desfaz. Se você precisa de contracepção sem hormônio, o caminho é DIU de cobre, que tem falha abaixo de uma em cem por ano e nenhum hormônio envolvido. Terceiro, e isso é sobre a sua saúde e não sobre ciclo. Você contou que a cólica é tão forte que você não consegue sair da cama, e que por isso toma o anticoncepcional de forma contínua, com pausa a cada três meses, porque sem ele piora progressivamente. Ninguém aqui te perguntou o principal: você já investigou essa cólica com um ginecologista? Cólica incapacitante, que exige emendar cartelas para ser suportável e que piora quando o hormônio é retirado, é a apresentação clássica de endometriose. Não estou dizendo que você tem, estou dizendo que esse quadro merece investigação em vez de contorno. Isso importa por dois motivos bem concretos. O primeiro é que endometriose tem tratamento, e quanto mais cedo diagnosticada, melhor, inclusive para fertilidade futura, e você tem dezenove anos. O segundo é que a média de tempo entre o começo dos sintomas e o diagnóstico é de anos, justamente porque a menina vai sendo orientada a tomar anticoncepcional e seguir a vida. Vale marcar uma consulta e usar essas palavras: cólica que me impede de levantar da cama, que melhora só com uso contínuo, e que piora a cada mês quando eu paro. Por último, uma coisinha pequena que você comentou de passagem. Você escreveu que gostou dos resultados da creatina mas que não dá para tomar por muito tempo. Dá, sim. A creatina é o suplemento mais estudado que existe, tem décadas de uso contínuo documentado em pessoas saudáveis sem dano renal ou hepático, e não precisa de pausa nem de ciclo. Aliás, ela funciona por saturação, então parar e recomeçar é justamente o que reduz o efeito. Três a cinco gramas por dia, todo dia, inclusive nos dias sem treino. É de longe a coisa mais barata e mais segura da sua lista, e você estava usando errado por acreditar num mito. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  8. Sobre a lasanha, respondendo rápido para tirar isso do caminho: um pedaço de lasanha tem umas seiscentas a oitocentas calorias. Numa semana inteira, isso é algo entre cinco e sete por cento do que você come. Nenhum ciclo é destruído por cinco por cento. O que costuma destruir projeto não é a lasanha, é a pessoa concluir que estragou tudo e passar os três dias seguintes comendo por desânimo. Você voltou à dieta no dia seguinte, então o assunto está encerrado. Agora, o impasse de verdade deste tópico, que é o anticoncepcional, e onde eu acho que faltou uma saída. Você disse que não pode parar em hipótese alguma porque já tem dois filhos. Está certa em não abrir mão disso, e mais ainda do que você imagina: justamente porque está usando androgênio, uma gravidez não planejada agora seria o pior cenário possível, já que androgênio nas primeiras semanas, quando muita mulher ainda nem sabe que está grávida, viriliza feto feminino de forma irreversível. Ou seja, a sua preocupação e a preocupação do pessoal aqui apontam para o mesmo lugar, e não são contraditórias. Só que a alternativa que apareceu no tópico foi coito interrompido, e aí eu preciso ser bem direto, porque isso é o que me trouxe a escrever. Coito interrompido tem, em uso real, algo em torno de vinte gestações a cada cem mulheres por ano. Funcionar por quinze anos para uma pessoa não muda a estatística, apenas mostra que essa pessoa esteve do lado bom dela. É o método menos confiável que existe entre os que se costuma chamar de método, e recomendá-lo para quem não pode engravidar de jeito nenhum, ainda por cima usando androgênio, é uma troca ruim. A saída que resolve as duas coisas ao mesmo tempo já foi citada aqui pela VNS e merecia mais destaque: DIU de cobre. Ele não tem hormônio nenhum, então não entra no conflito com a oxandrolona nem no assunto trombose, e a falha dele é menor que uma em cem por ano, ou seja, mais confiável que a pílula. Muitos planos cobrem, e o SUS coloca. Enquanto ele não estiver colocado, camisinha. Assim você não fica um dia sequer descoberta, e não precisa escolher entre a sua segurança e o seu projeto. Sobre o risco de somar pílula combinada com oxandrolona, ele existe e é razoável, mas vale ter a dimensão certa. Pílula combinada aumenta o risco de trombose por si só, e a oxandrolona, por ser oral e passar modificada pelo fígado, mexe nos fatores de coagulação e derruba bastante o HDL. Somar os dois empurra na mesma direção. Isso é motivo suficiente para trocar de método, mas não precisa te assustar a ponto de parar tudo hoje sem alternativa pronta, que é o pior desfecho possível. Resolve na ordem certa: marca a colocação do DIU, e a partir daí para a pílula. Uma observação sobre o material que te postaram sobre o anticoncepcional. O texto colado descreve acetato de ciproterona, que é o progestágeno do Diane. Não é necessariamente o que tem no seu, cada marca usa um progestágeno diferente e o perfil de risco varia entre eles. Vale abrir a bula do seu e ver o que está escrito ali, em vez de assumir. É informação de trinta segundos e evita conclusão errada. E, por fim, o ponto que eu considero o mais arriscado de tudo, mais até que a dose. Você não sabe o que tem dentro do frasco de primobolan. Ele veio dos Estados Unidos por um amigo, e mais de uma pessoa aqui levantou que pode ser testosterona. Repare no que isso significa na prática: você está aplicando meio mililitro duas vezes por semana, ou seja, dosando por volume de um líquido cujo conteúdo é desconhecido. Se for primobolan de verdade, é dos androgênios mais brandos para mulher. Se for testosterona a cem miligramas por semana, é dose masculina de reposição, e o efeito em mulher é bem diferente. Como você não tem como saber pelo rótulo, a única forma de descobrir é pelo corpo, e por isso vale checar uma vez por semana, sempre no mesmo dia, quatro coisas: voz, clitóris, pelo no rosto e acne súbita. A voz é a mais importante, porque é a que não volta atrás e a que a gente é a última a perceber em si mesma. Uma dica prática: grave trinta segundos de áudio no celular hoje, lendo qualquer texto, e repita toda semana. Comparar gravação com gravação é muito mais confiável do que confiar na sua impressão do dia. Se aparecer rouquidão persistente, engrossamento, ou crescimento de clitóris, isso é motivo para parar imediatamente e procurar médico, e não para reduzir a dose e observar. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  9. Aline, tem uma pergunta que eu preciso te fazer antes de qualquer outra coisa, porque ela é a única aqui com potencial de causar dano irreversível: você chegou a colocar o DIU de cobre? Explico o porquê da urgência. Você parou o Tamisa por orientação daqui, e o DIU ficou como plano para depois. Nesse intervalo, você fica sem contracepção nenhuma. E o seu caso tem duas coisas que aceleram isso: você parou de amamentar, e a amamentação era o único freio parcial que existia, e a fertilidade após interromper pílula costuma voltar rápido, às vezes já no primeiro ciclo. Ou seja, existe uma janela real aí. Isso importa porque você tem cem cápsulas de oxandrolona guardadas e ansiedade declarada para começar. Androgênio durante uma gravidez, principalmente nas primeiras semanas, quando a mulher muitas vezes ainda nem sabe que está grávida, viriliza feto feminino, e isso não tem como voltar atrás. É por essa razão, e não por moralismo, que a regra prática é simples: contracepção confirmada e funcionando primeiro, cápsula depois. Se o DIU ainda não foi colocado, a resposta sobre quando começar o ciclo é: quando ele estiver colocado. E, enquanto isso, camisinha, que resolve o intervalo. Dito isso, a parte boa, e ela é grande. Você teve o resultado mais comentado deste tópico sem ter tomado uma cápsula sequer. As pessoas vieram elogiar achando que era ciclo, e não era. Isso é uma informação valiosa sobre o seu corpo, e vale registrar antes que ela se perca: você respondeu muito bem só a comida e treino, o que significa que ainda tem muita margem gratuita pela frente. Substância rende quando o método simples parou de entregar. No seu caso ele mal começou. E olha o contexto em que você fez isso: sete meses de puerpério, voltando a trabalhar dez horas, semana de provas na faculdade, e uma separação com disputa de guarda e sem casa. Perder quase três quilos e mudar a foto desse jeito, nessas condições, é bem mais impressionante do que qualquer resultado obtido com a vida tranquila. Não deixe ninguém, nem você mesma, medir isso por atraso de cinco dias em postar foto. Agora duas coisas práticas do seu caso que ninguém levantou e que valem mais que ajuste de dieta. A primeira é a parede abdominal. Você teve um bebê há sete meses e ganhou vinte e sete quilos na gestação, que é bastante. Isso torna provável algum grau de diástase, que é o afastamento dos músculos retos do abdômen. Vale checar, e o teste é simples: deitada de costas, joelhos dobrados, levante um pouco a cabeça e apalpe a linha do meio da barriga, do umbigo para cima e para baixo, sentindo se existe um vão entre as duas faixas de músculo, e quantos dedos cabem. Se houver, isso muda o treino: abdominal comum, prancha longa e exercício que faz a barriga estufar para fora pioram, e o que resolve é trabalho de transverso e respiração, de preferência com fisioterapeuta pélvica. Importa também para a estética, porque diástase deixa a barriga com aspecto de saliência mesmo em quem já secou, e aí a pessoa acha que é gordura e aperta a dieta à toa. A segunda é sangue. Parto, sete meses de amamentação e agora um déficit calórico é a combinação clássica para ferro baixo, e ferro baixo dá exatamente cansaço, falta de ar no aeróbico e queda de cabelo, que é o que costuma ser confundido com falta de disciplina. Um hemograma com ferritina, mais vitamina D, custa pouco e é o tipo de coisa que, se estiver alterada, corrigir rende mais que qualquer cápsula. E, se você for mesmo colocar DIU de cobre, esse dado é ainda mais útil, porque o de cobre tende a aumentar o fluxo menstrual e, em quem já está com ferro no limite, isso pesa. Não é motivo para não colocar, é motivo para saber antes e repor se precisar. Torcendo para que a parte da separação se resolva logo. Você está segurando muita coisa ao mesmo tempo e ainda assim entregando. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  10. Ju, tem uma linha na sua atualização de dezenove de novembro que passou em branco no meio da discussão, e ela é a mais importante do tópico inteiro. Você respondeu, no campo OUTROS, que estava sem menstruar havia dez dias. Ninguém comentou, e a conversa seguiu para dieta e fotos. Isso merece atenção, e vou explicar por quê sem dramatizar. Menstruação atrasando ou sumindo em quem usa androgênio é um sinal de que o eixo hormonal está sendo suprimido. E o que isso significa na prática é que o estrogênio cai. Estrogênio, além de tudo o mais, é o principal hormônio que segura cálcio no osso da mulher. Passar um período sem menstruar não é só uma questão de fertilidade ou de conveniência, é um período em que o osso está perdendo mais do que ganhando. E agora junte as outras peças do seu caso, porque elas empilham no mesmo ponto. Você tem dezenove anos. Essa é justamente a fase em que se constrói o pico de massa óssea da vida inteira, e o que não se constrói nessa janela não se recupera depois. Você tem doença celíaca. Mesmo tratada e sem sintomas, ela é uma das causas clássicas de baixa densidade óssea, porque o intestino que ficou danificado antes do diagnóstico é exatamente o trecho que absorve cálcio, vitamina D e ferro. Isso é tão conhecido que existe recomendação formal de rastrear densidade óssea em celíaco. E você pesa quarenta e cinco quilos com um metro e cinquenta e dois, treinando cinco vezes por semana e fazendo aulas práticas de faculdade de educação física em cima disso. Nenhum desses três itens isolado seria alarme. Os três juntos, mais a menstruação sumindo, são exatamente o cenário que vale investigar. O que eu faria, e é barato: contar isso a um médico, pedir vitamina D, cálcio, ferritina e vitamina B12, que são os quatro que costumam faltar em celíaco, e perguntar sobre densitometria óssea. E, principalmente, avisar se a menstruação continuar ausente. Um mês pode ser variação. Três meses seguidos sem menstruar tem nome e tem investigação própria. Agora um segundo ponto, e esse é meio irônico, porque você mesma brincou com ele e ninguém pegou. Quando falaram que a oxandrolona manipulada podia ser farinha, você respondeu que farinha de trigo não era, senão já teria morrido. Só que essa piada tem um fundo sério que vale levar em conta: cápsula manipulada e comprimido de procedência incerta usam excipiente, e amido de trigo é um excipiente comum em farmácia e indústria. Para a maioria das pessoas isso é irrelevante. Para celíaco, não é. E você acabou usando material de três origens diferentes ao longo do tópico, uma delas um comprimido solto que um amigo te deu. Vale checar o excipiente do que estiver tomando, e se não for possível saber, esse é mais um motivo concreto, e específico seu, para preferir produto com bula legível a manipulado sem rótulo. Duas coisas menores, para fechar. Sobre os três quilos que sumiram em cinco dias quando você cortou carboidrato, e que te desesperaram: era água. Cada grama de glicogênio guardado no músculo carrega cerca de três de água junto, então cortar carboidrato esvazia esse estoque e a balança despenca sem que nada de real tenha acontecido. Ao voltar a comer, a água volta. Nada foi perdido nem ganho ali, e você não fez besteira nenhuma. E sobre a bronca de indisciplina que você levou. Sinceramente, olhando os seus registros, você atualizou nas datas, respondeu tudo que pediram, entregou noventa a cem por cento da dieta, e nos três dias que falhou você estava doente de virose. Isso não é indisciplina. A parte que eu mudaria não é a sua disciplina, é a pressa: você tirou conclusão de resultado com cinco dias e com onze dias de uso, e nenhuma substância responde nesse prazo. Vale trocar a régua diária pela mensal, que é o intervalo em que o corpo responde de verdade. E, se a menstruação não tiver voltado, essa é a primeira coisa a resolver, antes de qualquer ajuste de dieta ou de dose. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  11. Vanessa, antes de qualquer coisa: espero que a sua mãe esteja bem. Você avisou aqui que estava com ela internada, e mesmo assim continuou entregando oitenta por cento da dieta. Isso é bem mais difícil do que parece escrito. E tem uma coisa que você escreveu que eu não consigo deixar passar. Você disse que não teve nada significativo e que desanimou. Olhe os números do próprio tópico: sessenta e nove vírgula cinco para sessenta e quatro. São cinco quilos e meio em cerca de três meses, aos quarenta e quatro anos, com duas infecções no meio que te tiraram da academia, e com a roupa folgando e as pessoas comentando. Isso não é nada significativo, é praticamente o teto do que se considera uma boa velocidade de perda. Você está julgando um bom resultado com régua de milagre. Agora a parte técnica, que é o motivo principal deste post, porque envolve algo específico do seu caso que eu não vi ninguém comentar. Você tirou a tireoide aos dezessete anos e faz reposição com levotiroxina há vinte e sete. O seu TSH está em zero vírgula zero dois três, ou seja, suprimido. Você explicou que o seu endocrinologista considera isso adequado para o seu caso, e provavelmente está certo, porque em algumas situações a supressão é justamente o objetivo do tratamento. Mas ela tem uma consequência prática: com o TSH nesse nível, o seu corpo funciona um pouco do lado acelerado, mesmo você se sentindo bem. E isso muda o cálculo de tudo que estimula. Repare no que foi se somando na sua rotina ao longo do tópico: ioimbina chegando a dez e depois quinze miligramas por dia, chá verde durante o treino, chá de hibisco em várias refeições, café em quase todas, um termogênico antes disso, jejum prolongado e aeróbico diário além da musculação. Cada um isolado é pequeno. Juntos, e em cima de um TSH suprimido, é bastante carga sobre coração e pressão. Ioimbina em particular sobe pressão e frequência cardíaca, e é exatamente o efeito que menos combina com quem já está no lado acelerado do metabolismo. Não estou dizendo para parar tudo. Estou dizendo para transformar isso em informação, que é barato: meça a sua pressão e a sua frequência cardíaca em repouso, umas duas ou três vezes por semana, em horários diferentes, e anote. Se aparecer coração acelerado em repouso, batimento irregular, tremor, insônia ou aquela sensação de estar ligada demais, é sinal de tirar a ioimbina antes de tirar qualquer outra coisa. E vale contar ao seu endocrinologista o que você está usando. Ele acompanha a sua tireoide há décadas e essa informação muda o que ele procura na consulta. Segundo ponto, e esse é bem prático. Em que horário você toma a levotiroxina? Ela é um dos remédios mais sensíveis a interferência de absorção que existe. O ideal é tomá-la em jejum, com água, e esperar de trinta a sessenta minutos antes de qualquer outra coisa, incluindo café. Café sozinho já reduz bastante a absorção, e a sua rotina nova começa às seis da manhã com água com vinagre, cápsula de ômega três e, logo depois, café e chá. Se a levotiroxina estiver caindo no meio desse pacote, você pode estar absorvendo menos do que a receita diz, sem que ninguém perceba, porque o efeito disso é lento e silencioso. Ajustar o horário não custa nada e pode explicar cansaço ou resposta abaixo do esperado. Terceiro, uma coisa para conversar com o seu médico na próxima consulta e que ninguém aqui teria como saber sem juntar as peças. Você tem três fatores de risco para perda de massa óssea acontecendo ao mesmo tempo: TSH suprimido por muitos anos, histerectomia com quarenta e poucos anos, que costuma antecipar a queda da função dos ovários mesmo com eles preservados, e agora um período longo de restrição calórica com jejum. Nenhum deles isolado é motivo de alarme, mas os três juntos são exatamente o motivo pelo qual vale pedir uma densitometria óssea e checar vitamina D e cálcio. É um exame simples, e nessa faixa de idade é o tipo de coisa que a gente quer descobrir cedo, não tarde. Sobre a oxandrolona que abriu o tópico, concordo com quem te disse para deixar para depois, e por um motivo além dos que já foram ditos: você está perdendo peso bem sem ela, e não faz sentido gastar a carta e assumir os riscos enquanto o método simples ainda está funcionando. Substância se usa quando o que é gratuito parou de entregar, e não é o seu caso. E o Locemar te deu, lá atrás, o melhor conselho técnico deste tópico, sobre descanso de pernas. Vale reler. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  12. Deni, você fez uma pergunta na sua última atualização que ficou sem resposta: se alguém relata sintoma psíquico. Vou responder, e no caminho tem uma coisa que acho que ninguém aqui juntou. Você relatou dor de cabeça discreta à noite e alguns esquecimentos. Dor de cabeça é relatada com androgênio, e o motivo mais comum é elevação de pressão arterial, que costuma dar exatamente essa cara: dor no fim do dia, discreta, que some dormindo. Isso é fácil de checar e vale muito a pena, porque é o tipo de coisa que a gente só descobre medindo. Qualquer farmácia mede de graça. Se a pressão estiver subindo, você fica sabendo agora e não daqui a um ano. Mas tem um segundo suspeito que passou batido no tópico, e ele não é a oxandrolona. Você escreveu que usa minoxidil todos os dias há mais de três meses. Minoxidil, antes de virar loção para cabelo, era um remédio para pressão alta, e é vasodilatador. Parte dele é absorvida pela pele, e os efeitos mais relatados por quem usa continuamente e absorve mais são justamente dor de cabeça, coração acelerado, e retenção de líquido com inchaço. Repare que isso encaixa em duas coisas suas ao mesmo tempo: a dor de cabeça, e o ganho de três quilos em cinco semanas numa mulher de cinquenta e sete quilos que queria justamente definir. Sobre esses três quilos, aliás, vale ler o que eles provavelmente são. Você mesma escreveu que a força quase não mudou, e que só o superior rendeu um pouco mais. Três quilos de músculo em cinco semanas não acontece em mulher nenhuma, nem com oxandrolona, e músculo novo aparece como carga subindo. Sem força subindo, o que restou foi água e glicogênio, mais o que quer que a dieta tenha somado. Isso não é ruim e não é fracasso, é só uma leitura honesta do número, e é importante porque o seu objetivo declarado era diminuir a celulite, e peso extra de água costuma ir na direção contrária da aparência que você quer. E aqui vai a parte que ninguém te disse com todas as letras: a celulite não responde a esteroide. Ela existe porque a gordura subcutânea feminina é organizada em compartimentos separados por septos que puxam a pele para baixo, e essa arquitetura é anatômica. Não existe substância que desfaça isso, e a própria VNS te contou que, na experiência dela, a celulite piorou durante o uso. O que melhora aparência de celulite é reduzir a gordura da região e aumentar o volume do músculo debaixo dela, que estica e preenche a pele. Ou seja, exatamente o que o pessoal te orientou no treino, com posterior de coxa e glúteo. Isso funciona, é lento e não vem de cápsula. Mais uma coisa, que talvez te tire um peso das costas. Você escreveu que a sua testosterona é baixíssima, vinte e seis. Para mulher, isso é normal. A faixa feminina fica mais ou menos entre quinze e setenta nas unidades usuais, então vinte e seis está dentro, e não explica nem cansaço nem falta de resultado. Quem compara esse número com a faixa masculina se assusta à toa. Você não tem deficiência para corrigir. Por fim, duas coisas práticas para fechar bem esse projeto. Como a oxandrolona é do tipo que passa modificada pelo fígado, vale fazer TGO, TGP, GGT e um perfil lipídico completo ao terminar as cápsulas, porque ela costuma derrubar bastante o HDL, e essa é a alteração que mais aparece e a que mais some sozinha depois. E, ao terminar, mantenha a dieta e o treino iguais por pelo menos um mês antes de julgar o que ficou: parte do que sumir nas duas primeiras semanas vai ser a água, não o resultado. Você conduziu isso com bastante cuidado, checou os sinais um por um e não aumentou a dose por ansiedade, que é o que quase todo mundo faz. Isso conta. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  13. Mullm, relato bem feito, com exames antes e depois e sem enfeitar nada. Vou pegar três pontos da parte final, que é onde acho que ainda tem coisa a dizer. Comece pelo momento em que o sangue foi colhido. Você fez o exame no dia vinte e um de dezembro, ou seja, praticamente colado no fim de um projeto de quatorze semanas que teve testosterona em dose cheia e trembolona. Esse é o pior momento possível para tirar conclusão sobre o seu perfil lipídico basal, e principalmente para concluir predisposição genética. Androgênios injetáveis derrubam HDL e sobem LDL enquanto estão no corpo, e a trembolona é das piores nesse quesito justamente por não aromatizar, já que parte da proteção do HDL depende do estrogênio que a testosterona gera. Somando isso a um período de restrição calórica, que também mexe no perfil, o número que você viu descreve o estado do seu corpo naquela semana, não a sua genética. O que responde essa pergunta de verdade é repetir o perfil lipídico oito a doze semanas depois de encerrada a TPC, sem nada em circulação. Aí sim, se continuar alterado, é seu. Se voltar ao que era, foi o ciclo. Vale a pena esperar por esse dado antes de tratar qualquer coisa, porque é ele que decide se existe problema para resolver. Repare que em dois mil e dezoito, sem esteroide nenhum, bastou você voltar a levar comida de casa e o número normalizou. Isso é bem mais compatível com colesterol que responde a contexto do que com predisposição familiar, ainda mais tendo você mesmo dito que não tem casos na família. Segundo ponto, sobre a fórmula que o Kratos te passou de coração aberto. A Joaninha fez exatamente a pergunta certa, e a resposta dela derruba a conclusão. Ele mesmo contou que, no período em que tomou a fórmula, estava sem esteroide, tinha acabado de voltar a treinar depois de um tempo parado, saindo de uma fase de desânimo, e começou junto uma dieta orientada por nutróloga e o 5-HTP. Ou seja, mudou tudo ao mesmo tempo. HDL saindo de trinta e cinco para cinquenta é a assinatura clássica de quem voltou a treinar e a comer direito, e é o efeito mais bem documentado do exercício sobre lipídio. Alcachofra, levedo e carnitina podem ter contribuído em alguma medida, mas atribuir a eles um resultado obtido junto com retomada de treino e mudança de dieta é dar crédito ao passageiro pelo trabalho do motorista. Não custa quase nada tentar, e o Kratos agiu com generosidade ao compartilhar, mas eu não contaria com esse efeito, e principalmente não usaria isso como substituto de repetir o exame limpo. Terceiro, o cortisol, e aqui a sua própria dúvida estava certa. Você perguntou se aquela manhã podia ter influenciado. Podia, e muito. Cortisol é o exame de rotina mais sensível a estresse agudo que existe, porque ele é literalmente o hormônio que sobe em resposta ao estresse do momento. Você andou entre duas clínicas, discutiu por causa de receita, procurou médico em recesso, ficou horas em jejum além do previsto e voltou. Um valor colhido nessas condições não descreve o seu cortisol de rotina, descreve a sua manhã. Colher de novo, entre sete e oito da manhã, com jejum normal, sem correria e sentado uns vinte minutos antes da coleta, custa o mesmo e vale muito mais. Se vier normal, você economiza o 5-HTP e economiza a preocupação. E agora a parte que eu ficaria mais atento, porque é a única coisa neste tópico com potencial de te fazer mal de verdade. Você comentou que está pensando em comprar cardarine, por volta de duzentos e oitenta reais, para melhorar o perfil lipídico. Vale saber por que essa substância nunca chegou ao mercado. Ela foi desenvolvida por uma farmacêutica grande justamente com essa finalidade, mexer em lipídio, e o desenvolvimento foi interrompido nos estudos de longo prazo em animais porque apareceram tumores em vários órgãos diferentes, em doses que não eram absurdas, e em ambos os sexos. Não é uma substância que foi barrada por burocracia ou por falta de interesse comercial, foi barrada por isso. Repare no que ficaria em jogo: você trocaria um número de exame que provavelmente vai melhorar sozinho nas próximas semanas por um risco desse tipo. Não vale, e é o tipo de conta que fica óbvia depois e passa despercebida na hora. O resto do que você já está fazendo é exatamente o que funciona para lipídio: cardio regular, ômega três, gordura de boa origem, peso controlado e tempo sem androgênio. Isso não é pouco, é a lista inteira. Só faltava o tempo, e agora você tem. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  14. Cih, você fez uma pergunta neste tópico que ficou sem resposta, e ela é a mais importante de tudo que está aqui: o que fazer para controlar o monstro que mora em você. Vou responder, porque tem resposta e ela não é força de vontade. Antes disso, duas contas. A primeira é a da balança, e ela muda completamente o tamanho do que aconteceu. Você estava com sessenta e dois vírgula três, foi a sessenta e quatro, e voltou a sessenta e três vírgula seis em poucos dias, e chamou isso de estrago. Faça o cálculo: para colocar um quilo e sete de gordura seriam necessárias mais de doze mil calorias além do que você gasta, em dois dias. Isso não existe, nem comendo fast food nas três refeições. O que subiu foi água, e por três motivos somados: o sódio da comida de rua, o carboidrato voltando e enchendo o glicogênio, que carrega água junto, e a retenção da fase pré menstrual, que sozinha coloca um a dois quilos em muita mulher. Prova disso é que já tinha caído quase meio quilo dois dias depois, sem você fazer nada de especial. Em termos de gordura, o fim de semana custou perto de nada. A segunda conta é a do projeto inteiro. Sessenta e seis vírgula quatro para sessenta e quatro vírgula um, com medidas caindo e roupa folgando, num período em que você fez uma cirurgia, ficou parada, e enterrou alguém que amava. Isso é um bom resultado, e ele não deixou de ser bom por causa de dois dias. Agora a resposta à sua pergunta. O que você chama de monstro tem nome e tem horário. Na segunda metade do ciclo, depois da ovulação, três coisas acontecem ao mesmo tempo. A progesterona sobe e faz o corpo gastar em torno de cem a duzentas calorias a mais por dia, ou seja, você fica genuinamente com mais fome, não é impressão. A serotonina cai, e queda de serotonina puxa desejo específico por carboidrato e doce, porque o carboidrato levanta a serotonina de volta. É por isso que a vontade não é de comer qualquer coisa, é de comer justamente aquilo. E o humor cai junto, que foi exatamente a sequência que você descreveu: humor péssimo primeiro, comida depois, menstruação três dias mais tarde explicando tudo. Repare no que isso significa. Você não estava sem disciplina. Você estava numa dieta de restrição forte, com jejum, cafeína e ioimbina segurando o apetite, e caiu na fase do mês em que o corpo pede mais comida e a cabeça pede mais açúcar, na semana em que perdeu uma pessoa querida. Qualquer um quebra ali. E o mais importante: como você tomou anticoncepcional por muitos anos e parou há dois, você nunca precisou lidar com isso antes. Está aprendendo um ciclo que sempre esteve desligado. O que funciona na prática, e não é teoria: Marque no celular o dia em que a menstruação desce, todo mês. Em dois ou três meses você vai saber prever a semana difícil com antecedência, e prever muda tudo, porque deixa de ser uma emboscada. Nessa semana, planeje comer mais, de propósito. Umas cento e cinquenta a duzentas calorias a mais por dia, de preferência em carboidrato, distribuídas nas refeições. Isso não atrapalha o projeto, e tira o corpo do ponto em que ele grita. Restrição máxima justamente na semana de maior fome é o desenho que garante o descontrole. Tenha decidido antes qual vai ser a comida gostosa dessa semana. Um doce planejado dentro da conta, todo dia, na fase lútea, custa muito menos que três refeições de fast food não planejadas. O que dispara a compulsão quase nunca é o doce, é o doce ser proibido. E não se pese na semana pré menstrual. O número vai estar alto por água e vai te desanimar por um motivo falso, e desânimo é o que abre a porta para o resto. Pese na semana seguinte à menstruação, sempre no mesmo ponto do ciclo, e compare mês com mês, não dia com dia. Uma última coisa, que é técnica e ninguém ligou os pontos. Você relatou uma enxaqueca que apareceu do nada, duas horas depois do treino de pernas, e concluiu que talvez fosse TPM. Pode ser, mas olhe o que estava entrando no seu corpo naquele dia: cafeína em duas ou três refeições, cinco miligramas de ioimbina em duas delas, garcinia, pholia negra, e clembuterol em ciclos de quinze dias. É bastante estímulo adrenérgico somado. A ioimbina em particular sobe pressão e frequência cardíaca e tem dor de cabeça entre os efeitos mais relatados, e treino pesado de perna sobe pressão de novo por cima disso. Se a enxaqueca voltar, vale testar tirar a ioimbina por duas semanas e ver o que acontece, e vale medir a pressão em algum dia de treino, por curiosidade. É informação barata de obter. Sinto muito pela sua perda. Você levou o projeto adiante mesmo assim, e continuou postando quando teria sido mais fácil sumir. Isso conta mais do que dois dias de comida. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  15. Thayfit, você fez a coisa certa ao parar e ao vir contar aqui que deu errado. A maioria some. Mas eu leio esse desfecho de um jeito diferente do que ficou registrado no tópico, e acho importante você saber por quê, porque a leitura que ficou pode te fazer ignorar um problema real no joelho. Você aplicou duas vezes, meio mililitro cada, em quatro dias. Isso dá algo em torno de dez miligramas de stanozolol no total. A história de que o stano resseca a articulação é conhecida, e existe gente que sente isso de verdade, mas esse efeito depende de semanas de uso continuado alterando o ambiente da articulação. Não existe mecanismo que faça dez miligramas, em quatro dias, estalar e doer os dois joelhos de alguém que nunca teve queixa. O tempo não fecha. E isso importa muito, porque significa que a causa pode continuar aí depois que a substância sair. Olhando o que você descreveu do seu treino, existem candidatos bem plausíveis. Você escreveu que não segue ficha, que treina quase tudo até a falha ou perto dela, que usa carga máxima no leg press, e que faz extensora até a falha com isometria de trinta segundos na parede logo em seguida. Extensora pesada e agachamento até a falha são justamente os dois que mais carregam a articulação do joelho, e a patinação de oito quilômetros entra em cima disso. Dor bilateral que aparece do nada, com estalo, em quem treina assim, costuma ser sobrecarga do tendão patelar ou irritação femoropatelar. Ou seja: se em duas semanas passar e você voltar exatamente ao mesmo treino, tem boa chance de voltar. O que eu faria é aproveitar que você já vai procurar médico e mencionar o joelho, com essa mesma descrição. E, na volta, tirar a isometria logo depois da extensora até a falha, deixar a falha para um ou dois exercícios por sessão em vez de quase todos, e observar se some. Sobre o profenid injetável do seu namorado, uma observação prática e sem sermão: anti-inflamatório injetável de outra pessoa é justamente o tipo de coisa que mascara dor de articulação e deixa você treinar por cima de algo que precisaria descansar. Se doer, um anti-inflamatório comum por poucos dias e gelo resolvem o mesmo, e você fica sabendo quando a dor realmente passou. Agora, três coisas que ficaram sem resposta no tópico e que valem mais para você do que a discussão sobre qual substância usar. A primeira é a pergunta que você fez logo no começo e ninguém respondeu: como colocar mais gordura boa na dieta. Repare que a sua lista não tem gordura em lugar nenhum além da pasta de amendoim e da gema dos ovos. Para uma mulher de cinquenta e dois quilos, uma faixa razoável fica em torno de quarenta e cinco a cinquenta e cinco gramas por dia. Dá para chegar lá sem esforço com uma colher de azeite no almoço e outra no jantar, meio abacate, um punhado de castanha do Pará ou amêndoa, e sardinha em lata uma ou duas vezes na semana. Gordura alimentar é matéria-prima dos seus hormônios, e cortá-la é um dos motivos silenciosos de treino que não rende. Isso vale mais para o seu objetivo do que qualquer ampola. A segunda é o seu plano de procurar endocrinologista para receitar oxandrolona, e aqui preciso ser honesto para não te decepcionar depois. Nenhum endocrinologista vai prescrever oxandrolona para hipertrofia ou definição, porque essa não é uma indicação aprovada. O uso registrado dela é outro: recuperar peso em desnutrido e em grande queimado. Se você encontrar um profissional que prescreva para estética, isso não é um sinal verde, é justamente o tipo de profissional de quem eu fugiria. O seu endocrinologista atual, que já disse não duas vezes, provavelmente está certo. A terceira é a mais importante e é o motivo pelo qual eu escrevi tudo isso. Você tem dezenove anos, treina há três, e escreveu que não segue ficha nem controla repetições. Isso explica muito mais os três anos sem o resultado que você queria do que a falta de substância. Nesses três anos você provavelmente não repetiu o mesmo exercício com a mesma carga duas semanas seguidas para saber se subiu. Anotar carga e repetição e tentar melhorar um pouquinho por semana, com a comida ajustada e a gordura no lugar, ainda é o que mais muda corpo aos dezenove anos, e é o que nenhum ciclo entrega se essa parte não existir. E, já que você mencionou, cuidar da ansiedade e da depressão com acompanhamento é decisão de gente adulta, não é fraqueza. Quem tentou usar isso para te tirar sarro aqui errou feio. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  16. Leili, você mesma levantou o ponto mais importante deste tópico e ele passou meio batido. Vale voltar nele, porque é o que decide se esse projeto vai funcionar ou não. Você escreveu que quer aumentar três quilos, e escreveu depois que fez as contas dos macros novos e deu mil quatrocentos e cinco calorias. Estava certa. Cento e trinta gramas de proteína e cento e vinte de carboidrato dão mil calorias, mais quarenta e cinco de gordura dão outras quatrocentas e cinco. Mil quatrocentas e cinco, exatamente como você calculou. Agora coloque isso ao lado do que você faz por semana. São quatro treinos de musculação com volume alto, capoeira, dois cardios de trinta minutos e dois HIIT de quinze. Uma mulher de sessenta quilos, trinta e sete anos, com essa rotina, gasta bem mais que mil e quatrocentas calorias por dia. Ou seja, do jeito que está, isso é déficit, e déficit não constrói três quilos. E aqui está a parte que importa de verdade: substância nenhuma cria comida. Nandrolona e propionato não fabricam tecido do nada, eles melhoram o aproveitamento do que entra. Sem energia sobrando, o que eles têm para fazer é muito pouco, e você já viveu isso uma vez, quando descreveu que não gostou da boldenona num período em que a dieta estava, nas suas palavras, ao Deus dará. Não estou dizendo para ignorar o que te passaram. Foi apresentado como ponto de partida, e faz sentido começar conservador em quem tem histórico renal. O que eu sugiro é acompanhar isso de perto com a balança e a fita métrica, e se o peso ficar parado ou cair nas primeiras duas ou três semanas, subir carboidrato em degraus de vinte a trinta gramas por dia até o peso começar a andar para cima devagar. Peso parado num projeto de ganho é informação, não é paciência. Sobre a proteína, um detalhe que talvez te tranquilize. O seu nefrologista disse para não passar de três gramas por quilo. Cento e trinta gramas para sessenta quilos dá cerca de dois vírgula dois, ou seja, você está confortavelmente abaixo do teto que ele estabeleceu. Aquilo era um limite, não uma meta. Agora a parte que eu não vi ninguém comentar, e que é específica da substância nova da sua lista. Você já usou oxandrolona, stanozolol e boldenona. A nandrolona é diferente de todas elas num aspecto que muda o cálculo de risco para mulher: o éster. O que se vende como nandrolona por aqui é quase sempre decanoato, que é um éster muito longo. Ele permanece no corpo por volta de dois a três meses depois da última aplicação. Traduzindo para o que interessa: se aparecer engrossamento ou rouquidão de voz, crescimento de clitóris ou pelo no rosto, parar de aplicar não interrompe a exposição. Você continua sob efeito por semanas, e esses três efeitos em particular não voltam atrás. Com propionato, que é curtíssimo, você tem a opção de parar e o nível cair em poucos dias. Com decanoato, não tem. Isso não é motivo para não usar, é motivo para duas coisas práticas. Primeiro, se existir a versão em éster curto, a fenilpropionato, ela é bem mais controlável para mulher exatamente por isso. Segundo, seja qual for a escolha, vale combinar com você mesma um sinal de alerta claro desde já: voz, clitóris e pelo facial checados uma vez por semana, e qualquer alteração significa parar na hora e procurar médico, sem esperar para ver se estabiliza. E, já que você levantou o assunto do ecocardiograma e ele foi recusado por falta de queixa, um caminho que costuma render mais: em vez de pedir o exame, leve ao médico a informação de que você usa androgênios, e peça perfil lipídico e aferição de pressão. Andrógeno derruba HDL e mexe na pressão, e essas duas medidas são baratas, ninguém nega, e são justamente o que faria um cardiologista mudar de ideia sobre a necessidade de investigar mais. Boa sorte com o relato, e parabéns pela disciplina de refazer a dieta três vezes sem reclamar. Isso é raro por aqui. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  17. Vou fazer a conta que a sua pergunta pede, porque ela responde tudo sozinha. Somando o que você tem de trembolona: o frasco de acetato é de cem miligramas por mililitro em dez mililitros, ou seja, mil miligramas, e você já usou um. Restam novecentos. O de enantato tem outros mil. Dá quase dois gramas de trembolona guardados em casa. Agora a testosterona. Durateston vem em ampola de um mililitro com duzentos e cinquenta miligramas, e você tem uma. Ou seja, duzentos e cinquenta miligramas de testosterona no total, para um ciclo que você pretende levar por um ou dois meses. Isso dá o equivalente a uma única semana de dose comum. É aí que está o problema, e ele não é de opinião. O que você tem em casa só permite montar um ciclo de trembolona praticamente sem testosterona nenhuma. E essa é a combinação que produz os relatos mais desagradáveis desse meio. O motivo é o seguinte. A trembolona suprime a sua produção própria com muita força, e não aromatiza, ou seja, não gera estrogênio. Acontece que o homem precisa de um pouco de estrogênio para função erétil, libido, humor e até para as articulações, e esse estrogênio vem justamente da conversão da testosterona. Sem testosterona de base, você fica sem a sua e sem a de fora ao mesmo tempo. O resultado típico é perda completa de libido, dificuldade de ereção, ansiedade, insônia e sudorese noturna intensa, dentro de poucas semanas. Não é raro, é o esperado. Por isso a regra prática nesse meio é testosterona como base e trembolona, se houver, em quantidade menor por cima. O seu estoque permite exatamente o inverso disso. E tem um segundo problema, de tempo. Enantato de trembolona é éster longo e leva umas duas semanas para o nível subir de verdade. Num ciclo de um mês, ele começaria a agir quando você já estivesse encerrando. Ou seja, entregaria a supressão inteira e quase nada do efeito. Se o plano fosse esse, seriam necessárias no mínimo dez a doze semanas para fazer sentido, e você não tem material nem para isso com equilíbrio. Sobre o resto da lista, dois pontos. O Foston já te explicou o do anavar, e ele está certo. Acrescento que produtos vendidos como pró-hormonais, incluindo o outro que você citou, têm conteúdo incerto: alguns não têm nada, outros trazem esteroide não declarado no rótulo, o que é pior, porque você usaria algo sem saber o que é nem em que dose. E o hemogenin merece um aviso à parte: a oximetolona é o oral mais agressivo ao fígado em uso comum. Somá-la ao dianabol significa dois compostos alquilados ao mesmo tempo, o que multiplica esse risco em vez de dividir. Agora o argumento que eu acho mais importante, e que tem a ver com o que você mesmo escreveu. Você disse que está sem grana no momento. Repare no que isso significa na prática, além de não poder comprar ampola. Significa não ter dinheiro para os exames antes, no meio e depois. Não ter dinheiro para consulta se aparecer ginecomastia, pressão alta ou alteração no fígado. Não ter dinheiro para comprar rápido a medicação necessária se algo sair do lugar. E, com trembolona, a chance de precisar de alguma dessas coisas não é pequena. Fazer ciclo sem margem financeira para resolver o que der errado é o pior momento possível para fazê-lo, e essa é a razão mais concreta para deixar esse material guardado agora. Se eu tivesse que dar uma resposta objetiva à pergunta, é esta: com o que está aí, não dá para montar nada equilibrado. O que dá para fazer é guardar tudo, usar os próximos meses para comida e treino, e retomar a conversa quando houver condição de comprar testosterona suficiente para ser a base e de pagar os exames. Aí sim vale discutir protocolo. E, para o pessoal poder te ajudar de verdade, falta o básico: idade, peso, altura, há quanto tempo treina, quais ciclos já fez com dose e duração, como está a alimentação e se existe algum exame recente. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  18. Milarj, o pessoal já te disse para parar e eu concordo. Mas tem duas perguntas suas que ficaram sem resposta, e uma informação sobre a dose que eu não vi ninguém comentar. Começo por ela, porque é a mais importante. Você está tomando dez miligramas de doze em doze horas, ou seja, vinte miligramas por dia. Para mulher, a faixa que costuma ser usada fica entre cinco e dez miligramas diários. Você está no dobro do teto, sem acompanhamento e por conta própria. E o que a dose alta aumenta não é o resultado, é a chance dos efeitos que não voltam atrás: voz mais grossa ou rouca, crescimento de clitóris e pelo no rosto. Vale conferir hoje mesmo se algo disso começou, principalmente a voz, e prestar atenção também em acne súbita, oleosidade e alteração do ciclo menstrual, que são os sinais mais precoces. Se qualquer um deles apareceu, é motivo para parar imediatamente e procurar médico, e não para diminuir a dose. Agora, respondendo à sua pergunta sobre tomar só trinta minutos antes do treino. Não funciona assim, e essa dúvida mostra bem onde está o mal-entendido. A oxandrolona não é um pré-treino, ela não tem efeito agudo que você sinta na hora. Ela age entrando nas células e mudando ao longo de semanas a forma como o músculo constrói proteína. O horário da tomada, portanto, não muda nada em relação ao treino, e tomar antes de treinar não deixa o efeito mais eficiente nem reduz o inchaço. Ou seja, essa alternativa que você cogitou entrega o mesmo risco por um benefício ainda menor. E o inchaço, que é a sua queixa principal. Isso merece explicação, porque a resposta comum de que é retenção de estrogênio não se aplica aqui. A oxandrolona não se converte em estrogênio, então essa via está descartada. O que sobra, no seu caso, são duas coisas que provavelmente estão acontecendo ao mesmo tempo. A primeira é que androgênios em geral fazem o corpo reter sódio e água, e isso dá aquela sensação de estar cheia, com anéis e roupas mais apertados, sem que seja gordura. A segunda é que você voltou ao CrossFit há dois meses depois de um período parada. Retomar treino intenso enche o músculo de glicogênio, e cada grama de glicogênio carrega água junto, além da inflamação normal de quem está se readaptando. Isso, sozinho, coloca dois ou três quilos na balança nas primeiras semanas e é um bom sinal, não um problema. Ou seja, boa parte dos dois quilos que apareceram depois que você começou não é gordura nova. É água, dos dois motivos acima. E ela sai depois que a substância for interrompida. Uma observação sobre o conselho de fazer dois cardios por dia com dieta de baixa caloria. Para quem não treina, faz sentido. Para quem faz CrossFit, que já é uma modalidade de altíssima demanda, somar dois aeróbicos diários a uma restrição forte é o caminho mais rápido para lesão, para queda de rendimento e para aquele cansaço que não passa. Eu manteria o CrossFit como está, colocaria um déficit moderado em vez de agressivo, com proteína alta para não perder músculo, e deixaria o cardio extra como complemento leve, não como segunda sessão pesada. Vai parecer mais lento no papel e vai render mais no fim, porque é sustentável. Por último, uma coisa prática. Como a oxandrolona é do tipo que passa modificada pelo fígado, e você usou por conta própria em dose alta, vale fazer um exame com TGO, TGP, GGT e bilirrubinas depois de parar, junto com perfil lipídico, porque ela derruba bastante o HDL. E procurar médico antes disso se aparecer urina escura, pele ou olhos amarelados, coceira pelo corpo ou dor do lado direito da barriga. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  19. Dani, você escreveu que não tem justificativa. Tem, sim, e ela está no seu próprio relato. Você passou semanas cuidando da sua mãe internada em UTI com COVID, no meio de uma pandemia, assumindo a casa dela, sem saber se ela voltaria e sem saber se você mesma tinha se contaminado. E resumiu isso dizendo que se cuidar era a última coisa que passava pela sua cabeça. Isso não é falha de caráter, é o que acontece com todo cuidador. Estresse prolongado nesse nível bagunça o sono, o apetite e a vontade de cozinhar, e faz o corpo pedir comida de conforto, o que você descreveu com precisão ao dizer que ou não comia nada, ou comia besteira buscando conforto. Quem estuda isso chama de sobrecarga do cuidador, e ela é conhecida justamente por adoecer quem cuida. Você voltou aqui três vezes, uma delas de propósito no dia combinado só para dizer que não tinha conseguido. Muita gente teria simplesmente sumido. Agora o que eu acho que realmente falhou, e não foi você. Olhando os seus números, o peso saiu de setenta e sete vírgula seis e passou por setenta e seis vírgula oito, setenta e seis vírgula um, e voltou a setenta e sete vírgula três. Ou seja, em dois meses e meio o corpo praticamente não se moveu, mas a sua vida se moveu muito. O plano que você tinha em mãos era bom, e tinha um único ponto frágil: ele dependia inteiramente de você cozinhar. Você mesma escreveu que não tinha mais rotina para cozinhar. Quando a vida aperta, é exatamente essa peça que quebra primeiro, e aí a dieta inteira vai junto, porque não existe uma versão reduzida dela prevista. O que eu faria diferente é ter, além do plano normal, um plano de emergência escrito, para os dias em que cozinhar é impossível. Coisas que não exigem preparo nenhum: ovo cozido em lote no domingo, atum ou sardinha em lata, iogurte natural, queijo, leite, pão integral, fruta, castanhas, e uma bebida de proteína se estiver à mão. Não é a dieta ideal, e não precisa ser. Ela existe para que um dia ruim custe um dia, e não três semanas. Ter isso definido antes muda tudo, porque o problema nunca é o dia perdido, é o que vem depois dele. E tem uma segunda coisa, que aparece em todos os seus posts. Você volta pedindo desculpa, dizendo que está com vergonha, com o rabinho entre as pernas. Repare que essa vergonha vem sempre antes de um período longo sem aparecer. Não é coincidência: quanto mais o desvio parece uma falta grave, mais difícil é voltar, e mais tempo se passa até a pessoa reaparecer. Um vinho e um bolinho não desfazem nada. Três semanas fora, sim. Prestação de contas em que faltar não é dívida com ninguém tende a durar muito mais, e o que decide resultado é durar. Sobre a pergunta do título, se é o momento para a oxandrolona, respondo com o que os seus próprios registros mostram. Nos meses aqui, dieta variou entre zero e oitenta e cinco por cento e treino ficou em trinta por cento no último período, com as cargas caindo. Substância nenhuma tem em que agir nesse cenário: ela não cria estímulo de treino nem cria comida. O que ela faz é multiplicar um pouco o que já está sendo feito, e o custo dela, para mulher, é fixo e independe da adesão. Voz e clitóris não voltam atrás, e você preencheu esse checklist todo mês com sem uso, o que mostra que você já entendeu o risco melhor que a maioria. Quando dieta e treino estiverem estáveis por uns três meses seguidos, a conversa muda de figura. Antes disso, é pagar caro por pouco. E se quiser um único indicador para os próximos meses, esqueça o peso. Ele oscilou pouco mais de um quilo em dois meses e meio e não te contou nada de útil. Anote as cargas do treino. Elas caíram quando você parou e vão subir quando voltar, e são o retrato mais honesto do que está acontecendo. Espero que a sua mãe esteja bem. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  20. Bella, este tópico é antigo e você passou por coisa muito séria no meio dele, então começo pelo que importa mais: fico feliz que você tenha saído bem daquela internação. O que você escreveu ao voltar, sobre o que viu no hospital, é das coisas mais honestas deste fórum. E é justamente por isso que eu não conseguiria ler este tópico inteiro e não dizer o que vou dizer agora. Não é crítica a você nem a ninguém que respondeu aqui. É um conjunto de números que, olhados juntos, contam uma história diferente da que o tópico estava contando. Você tem um metro e setenta e seis de altura. Começou com cinquenta e cinco quilos e chegou a cinquenta e dois vírgula sete. Nessa altura, esse peso corresponde a um índice de massa corporal em torno de dezessete, e a faixa considerada normal começa em dezoito e meio. Ou seja, você não estava com peso a perder quando começou, e depois desceu abaixo disso. A dieta registrada aqui soma pouco menos de mil e duzentas calorias por dia, com vinte e oito gramas de gordura, e o aeróbico chegou a sete vezes por semana, duas vezes ao dia. É muito pouca energia entrando e muito gasto saindo, para uma pessoa que já estava abaixo do peso. Isso tem consequências concretas, e elas não aparecem no espelho, que é o que torna tudo mais traiçoeiro. Gordura alimentar em quantidade tão baixa e disponibilidade de energia insuficiente por meses fazem o corpo desligar funções que ele considera dispensáveis. A primeira costuma ser o ciclo menstrual, que fica irregular ou some. E a mais séria é o osso: os vinte anos são justamente a fase em que se atinge o pico de massa óssea da vida inteira, e o que não se constrói nessa janela não se recupera depois. Mulher jovem com energia cronicamente baixa perde densidade óssea, e isso cobra o preço décadas mais tarde, na forma de fratura. Some ainda a imunidade, que também depende de comida, e que você teve razões de sobra para valorizar neste ano. Tem outra coisa que eu preciso te dizer, e que ninguém disse: a meta de reduzir o quadril de noventa e quatro para oitenta e sete não é alcançável por dieta. A medida do quadril depende em boa parte da largura da sua pelve, que é osso, e osso não emagrece. Dá para reduzir a gordura ao redor, e você já reduziu. O que sobra é estrutura. Isso importa muito, porque perseguir um número que o corpo não pode entregar leva a apertar a dieta cada vez mais em busca de um resultado que nunca vem. Não é falta de disciplina sua, é uma meta impossível. E existe uma contradição no plano que também vale notar: você pediu ênfase em glúteo e posterior e, ao mesmo tempo, quer manter as pernas finas. São objetivos opostos. Glúteo e posterior definidos vêm de músculo construído, e músculo aumenta medida, não diminui. Sobre a oxandrolona, respondendo à pergunta do título. No estado em que você estava, ela não teria como funcionar. Construir tecido exige energia sobrando, e não havia. Curiosamente, o uso médico registrado dessa substância é o oposto do que se busca aqui: ela é indicada para ajudar a recuperar peso em pacientes desnutridos e em grandes queimados. Ou seja, ela é um remédio para ganhar peso, não para perder. E, em mulher, ela carrega o risco de mudança de voz e crescimento de clitóris, que não voltam atrás. O que eu faria hoje, no seu lugar, especialmente depois do que você viveu. Procurar um médico e uma nutricionista, contando exatamente estes números, incluindo a informação sobre o ciclo menstrual dos últimos meses. Pedir hemograma, ferritina, TSH e T4 livre, vitamina D, e conversar sobre uma avaliação de densidade óssea. Comer numa faixa que sustente o seu corpo, com gordura em quantidade normal, porque ela é matéria-prima dos seus hormônios. Reduzir o aeróbico drasticamente, principalmente as duas sessões diárias, e colocar a energia na musculação com carga progressiva, que é o que dá forma. Você mesma contou que ficou com fraqueza muscular importante depois da internação, e músculo se reconstrói com comida e carga, não com corrida em jejum. Uma última observação, sobre uma coisa que me chamou atenção. Você escreveu, lá atrás, que teve colaterais já esperados e que foram tranquilos de lidar, e ninguém perguntou quais eram. Se você chegou a usar algo, vale conversar sobre isso com uma médica, principalmente se envolveu voz, pelos ou ciclo menstrual. Você tem vinte e poucos anos, um corpo que acabou de atravessar uma doença grave e saiu inteiro, e uma disciplina que a maioria não tem. Essa disciplina rende muito mais apontada para construir do que para subtrair. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  21. Jonata, você disse que vai continuar pesquisando de qualquer forma, e é justamente por isso que vou te dar informação técnica em vez de sermão. Só que a informação mais importante que eu tenho para você não é sobre a TPC. Ela está dentro da sua própria lista de objetivos. Você escreveu três objetivos, e o terceiro é evitar ginecomastia, porque você já teve e já operou. E, entre todas as substâncias disponíveis, você escolheu exatamente aquela em que esse objetivo é mais difícil de garantir. A trembolona não aromatiza, ou seja, ela não vira estrogênio. Por isso muita gente conclui que ela não daria ginecomastia. O problema é que ela age como progestágeno e mexe com a prolactina, e existe ginecomastia por essa via, que é diferente da ginecomastia por estrogênio. E aqui está o ponto que decide tudo: inibidor de aromatase, que é o remédio que todo mundo tem em casa para isso, não funciona nessa via. Ele bloqueia a conversão em estrogênio, e não há conversão em estrogênio para bloquear. Ou seja, você estaria usando a substância cuja ginecomastia não responde à proteção habitual, sendo alguém que já desenvolveu o problema uma vez e teve que operar. Cirurgia remove o tecido que existia, mas não impede que tecido novo se forme. Se depois de tudo você ainda quiser um ciclo, essa é a razão técnica mais forte para trocar a trembolona por outra coisa, e ela não tem nada a ver com você ser iniciante. Agora, o segundo erro, que é de estrutura, e que o Mullm já apontou com uma imagem muito boa. Você montou o ciclo ao contrário. Colocou a trembolona como base e a testosterona como coadjuvante. O desenho correto é o oposto: testosterona como base, porque ela é a que o seu corpo reconhece e a que sustenta libido, humor e função erétil, e qualquer outra coisa entra por cima. Duzentos miligramas de cipionato a cada duas semanas dão cerca de cem miligramas por semana, o que já é pouco para acompanhar duzentos e vinte e cinco de trembolona. E, como o cipionato tem meia-vida de mais ou menos oito dias, aplicar de quinze em quinze dias faz o nível subir e despencar dentro do mesmo intervalo, o que é a receita para se sentir mal na segunda semana de cada ciclo de aplicação. Não é uma escolha de dose, é um erro de intervalo. Um detalhe que também não bate: acetato de trembolona é o éster mais curto da família, com meia-vida de horas. Aplicar segunda, quarta e sexta deixa o fim de semana sem nada. Quem usa acetato aplica diariamente ou em dias alternados, sem intervalo de dois dias. E agora a sua dieta, que ninguém conferiu. Você escreveu duas mil e quinhentas calorias, com cento e setenta a cento e oitenta gramas de proteína, cento e cinquenta de carboidrato e no máximo quarenta de gordura. Faça a conta: proteína e carboidrato dão quatro calorias por grama, gordura dá nove. Isso soma cerca de mil e setecentas calorias, e não duas mil e quinhentas. Faltam oitocentas calorias que não estão em lugar nenhum, ou seja, ou o total está errado, ou os macros estão. E quarenta gramas de gordura por dia, para um homem de oitenta e sete quilos, é pouco demais: gordura alimentar é matéria-prima para a produção dos seus hormônios, e cortá-la a esse ponto trabalha contra o objetivo número um da sua lista. Sobre a TPC em si, respondendo ao que você perguntou. Não existe uma TPC específica para trembolona, e nisso te disseram certo. O que existe é uma diferença prática que vale saber: como o acetato sai rápido do corpo, a recuperação pode começar cedo depois da última dose, mas ela depende do éster mais longo que estiver no esquema, que no seu caso é o cipionato. E os dois objetivos que você listou junto com esse são incompatíveis entre si. Recuperar o eixo exige tirar o hormônio de fora, e tirar o hormônio de fora significa perder parte do que veio dele. Manter tudo não é uma questão de escolher a TPC certa, é algo que não acontece. Por fim, um ponto que você levantou e que merece resposta direta, sem ironia. Você disse que tem dinheiro para o ciclo, mas não para acompanhamento profissional. Repare que o acompanhamento custa menos que o ciclo inteiro na maioria dos casos, e custa muito menos que a segunda cirurgia de ginecomastia, que você já sabe quanto custa. E, se o dinheiro estiver realmente curto, endocrinologista existe no SUS, e você já passou por um cirurgião uma vez, então tem por onde começar. E o que renderia mais nos próximos meses, considerando faculdade, trabalho e três treinos por semana. Com essa frequência, treino de corpo inteiro nas três sessões rende bem mais do que dividir por grupo, porque cada músculo é estimulado três vezes por semana em vez de uma. Some a isso uma dieta cujas contas fechem, com gordura em faixa razoável, e sono, que é o item que mais sofre em quem trabalha e estuda. Isso muda mais o seu corpo aos vinte e dois anos do que a trembolona mudaria, e não cobra nada. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  22. Antes da escolha entre boldenona e deca, que é o que você perguntou, preciso apontar uma coisa que muda a pergunta inteira. E depois vou apontar três erros no protocolo que o seu coach montou, porque eles são objetivos e verificáveis. Você escreveu que optou pelo ciclo porque precisou fazer reposição hormonal, já que a sua testosterona estava lá embaixo. Só que a testosterona baixa em um homem com trinta e cinco por cento de gordura corporal quase sempre é consequência da obesidade, e não uma doença separada. O tecido adiposo contém a enzima aromatase, que converte testosterona em estrogênio. Quanto mais gordura, mais conversão, mais estrogênio, e o estrogênio alto avisa o cérebro para diminuir o comando de produzir testosterona. O resultado é testosterona baixa com o testículo funcionando. Esse quadro tem nome, é chamado de hipogonadismo funcional, e ele é reversível. O tratamento dele é perder gordura. Repare no que isso significa no seu caso. Você saiu de cento e quarenta para cento e sete quilos. Se aquele exame foi feito no começo dessa jornada, ele já não descreve o seu corpo de hoje. Antes de qualquer decisão, eu repetiria testosterona total e livre, LH, FSH, estradiol, SHBG e prolactina agora, com um endocrinologista. É perfeitamente possível que a sua testosterona já tenha subido sozinha, e que ela suba mais conforme o peso cair. Vale dizer também que reposição de verdade é dose fisiológica, contínua, com receita e acompanhamento. O que está escrito no seu post não é reposição, é um ciclo de vinte e cinco semanas com dose crescente e dois compostos. São coisas diferentes com nomes trocados. O Foston tocou no ponto certo e agora dá para ver a razão completa. Entrar com hormônio de fora com trinta e cinco por cento de gordura significa jogar mais matéria-prima justamente onde a conversão em estrogênio é maior. É o cenário de risco para ginecomastia, retenção e pressão alta, e é por isso que baixar gordura antes não é conselho moral, é sequência técnica. Agora os três problemas do protocolo, em ordem de gravidade. O primeiro é o GH. Duas unidades de somatropina por dia parece dose pequena e é a mais popular, mas o efeito mais conhecido do GH é aumentar a resistência à insulina e elevar a glicemia. Em quem tem obesidade avançada, esse é justamente o terreno em que a resistência à insulina já está instalada e o diabetes está mais próximo. Ou seja, é a pessoa que menos deveria receber esse empurrão. Antes de sequer considerar, eu faria glicemia de jejum, hemoglobina glicada e insulina, e conversaria com médico. E vale notar que somatropina é medicamento sério, caro e amplamente falsificado. O segundo é a vitamina A em vinte mil unidades por dia. Essa dose está bem acima do limite considerado seguro para uso continuado, que fica na casa das dez mil unidades diárias. Vitamina A em excesso é hepatotóxica e se acumula no corpo, porque é lipossolúvel. Você estaria tomando isso junto com um esquema que já pesa no fígado, e não existe nenhuma função conhecida dela numa recuperação pós-ciclo. Eu simplesmente tiraria. O terceiro é o proviron dentro da TPC. Proviron é mesterolona, que é um androgênio, e androgênio suprime o eixo. Ou seja, ele faz exatamente o contrário do que uma TPC precisa fazer, que é liberar o cérebro para voltar a mandar sinal. Colocá-lo ali atrapalha a recuperação que você está tentando conseguir. Esse é um erro comum em protocolo de coach, e é dos que mais custam caro. Some a isso a duração. Vinte e cinco semanas seguidas são quase seis meses de eixo desligado, e quanto mais longa a supressão, mais difícil a recuperação. E tem um detalhe de cinética que ninguém citou: a boldenona é undecilenato, um éster muito longo, que continua sendo liberado por semanas depois da última aplicação. Começar clomifeno logo em seguida significa tentar reativar o eixo enquanto ainda há hormônio de fora circulando, o que praticamente anula a TPC. A mesma observação vale para a deca, que também é éster longo. Sobre a sua pergunta original, entre as duas: a boldenona não deixa o músculo mais seco. Ela aromatiza sim, um pouco menos que a testosterona, mas aromatiza, e essa fama vem de comparação com a deca, não de um efeito de secar. Ela também costuma elevar bastante o hematócrito, o que já merece atenção em quem tem obesidade e possivelmente apneia do sono, e aumenta o apetite de forma perceptível, o que é péssimo para quem está tentando emagrecer. A deca, por sua vez, mexe com prolactina e tem cauda ainda mais longa. Na sua situação, nenhuma das duas é a resposta certa. E o que resolve o problema que você realmente descreveu, que é perda de massa magra. Trinta e três quilos em seis meses dá mais de um quilo por semana, ritmo alto demais, e é ele o principal responsável pela massa magra que você perdeu, junto com proteína provavelmente insuficiente. O ganho nulo em hipertrofia tem a mesma origem: ninguém constrói músculo em déficit agressivo. Eu desaceleraria a perda para algo perto de meio quilo por semana, colocaria proteína em torno de dois gramas por quilo de peso ideal e não do peso atual, e priorizaria musculação com carga progressiva, reduzindo um pouco a bike se ela estiver comendo a recuperação. Isso, sozinho, muda o quadro que te levou ao ciclo. Uma última coisa, dita com admiração sincera: perder trinta e três quilos com dieta e treino, aos quarenta e dois anos, é um resultado que a maioria não alcança. Você já provou que consegue fazer a parte difícil sem nada disso. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  23. Danilo, este tópico parou num lugar ruim, e não pelo motivo que parece. O problema não foi você ter atrasado a foto por causa de uma viagem de trabalho. O problema é que a resposta ao seu resultado ficou faltando, e o resultado dizia uma coisa bem específica. Olhe o que você mesmo reportou depois de um mês: peso anterior setenta e seis, peso atual setenta e seis. Dieta noventa e nove por cento. Hidratação, aeróbico e treino em cem por cento. E, no fim, a frase que fecha o diagnóstico: sinto um pouco de fome. Isso não é um mês perdido. É um mês de informação excelente. Adesão praticamente perfeita, peso parado, fome presente. Traduzindo: a quantidade de comida que você seguiu ficou na sua manutenção ou um pouco abaixo dela. E o seu objetivo, declarado no título do tópico, é hipertrofia. Não existe ganho consistente de músculo sem sobra de energia, salvo em iniciante absoluto, e você não é isso, já que treinou seis anos antes da pausa. Vamos fazer a conta que ninguém fez. Cento e trinta gramas de proteína e duzentos e trinta de carboidrato dão pouco mais de mil e quatrocentas calorias somadas, e setenta gramas de gordura acrescentam cerca de seiscentas e trinta. Dá algo em torno de dois mil e cem calorias por dia. Agora coloque do outro lado o que você gasta: vinte e seis anos, setenta e seis quilos, um trabalho em que você passa o dia em movimento, cinco sessões de musculação por semana e seis sessões de aeróbico ou HIIT. Não fecha para crescer, e a balança parada durante um mês inteiro é a prova disso, não a minha opinião. Repare também que a sua dieta original tinha trezentos e oito gramas de carboidrato e ela foi reduzida para duzentos e trinta. Ou seja, você chegou aqui comendo mais do que passou a comer, e chegou pedindo ajuda para ganhar massa. O que eu faria, na prática. Subir umas trezentas calorias por dia em cima do que você seguiu, quase todas em carboidrato, o que significa acrescentar mais ou menos setenta gramas de carboidrato ao dia, coisa de um prato de arroz a mais dividido entre almoço e jantar. Pesar-se uma vez por semana, sempre em jejum e no mesmo dia, e acompanhar a média. Se o peso subir em torno de trezentos gramas por semana, está certo. Se continuar parado por duas ou três semanas, sobe mais um pouco. E, se a fome persistir, é sinal na mesma direção. O segundo ajuste é o aeróbico. Seis sessões por semana fazem todo sentido para quem precisa perder gordura, mas foi dito aqui mesmo que a sua composição corporal já está boa, e o seu objetivo é o contrário. Cada sessão dessas é energia que sai da conta e recuperação que deixa de acontecer. Eu reduziria para duas ou três sessões, mantendo o suficiente para o condicionamento e para o coração, e deixaria a comida trabalhar a favor do músculo. Sobre o treino, a Joaninha te deu a melhor resposta do tópico e vale seguir. Só reforço dois pontos dela. Primeiro, quase tudo em cinco séries de doze é muito volume com pouca intensidade, e quem precisa completar todas as repetições acaba escolhendo carga menor do que aguentaria. Ter alguns exercícios pesados de poucas repetições, e deixar as repetições altas para os isoladores, muda bastante o estímulo. Segundo, você disse que prefere mil vezes o agachamento livre e faz no smith só porque foi assim que te passaram. Volte para o livre. Não existe motivo para abrir mão do exercício que mais constrói perna quando não há limitação articular nenhuma. Um detalhe que costuma passar batido e que é bom para você: as roupas ficarem mais justas com o peso igual significa que você trocou alguma gordura por músculo nesse mês. Isso é recomposição e é um resultado de verdade, só que é lento e não é o que você pediu. Com superávit, o mesmo trabalho passa a render em ganho. E, para encerrar a parte que não é técnica. Você postou atualização, avisou da viagem, pediu desculpa e voltou com fotos no mesmo dia em que chegou. Isso é compromisso, não é abandono. Segue o que a Joaninha te passou, ajusta a comida para cima, tira metade do aeróbico e volta daqui a dois meses. O resultado aparece.
  24. Thi, tem uma palavra no seu post que muda tudo e que passou batido: você escreveu que é atleta. Se isso significa competir em federação, confederação ou qualquer evento filiado, essas duas substâncias estão na lista de proibidas, e é aí que a conversa deveria começar, não na dose. E o stanozolol tem uma particularidade cruel nesse aspecto: os metabólitos dele ficam detectáveis na urina por muito tempo depois da última dose, bem mais que a maioria. Foi por ele que caiu o caso mais famoso da história do antidoping. Ou seja, parar meses antes da competição não garante nada. Já o propionato é curto e sai rápido, mas ainda assim aparece em teste feito perto do uso, e existe também o exame que compara a razão entre testosterona e epitestosterona, que denuncia hormônio de fora mesmo quando o éster já saiu. O que está em jogo aí não é colateral, é suspensão de anos e resultado anulado. Se você compete, essa é a resposta ao seu tópico inteiro e ela não tem meio-termo. Se atleta, no seu caso, quer dizer que você treina sério mas não disputa nada federado, então esquece este parágrafo e vamos ao resto. Sobre o que fazer antes, durante e depois, que é o que você perguntou. Antes: exames de sangue com data anterior ao início, incluindo testosterona total e livre, LH, FSH, estradiol, prolactina, hemograma, perfil lipídico completo, glicemia, função renal e enzimas do fígado, além de pressão arterial aferida. Isso não é burocracia, é o seu ponto de comparação. Sem o exame de antes, o exame de depois não diz quase nada. Durante: repetir hemograma, perfil lipídico, enzimas hepáticas e estradiol lá pela metade, e medir pressão com regularidade. Depois: aguardar a saída da substância antes de dosar, e conduzir a recuperação com base em número, não em roteiro copiado de fórum. Duas observações sobre essa combinação especificamente, já que você citou as duas. O stanozolol é do tipo modificado para atravessar o fígado sem ser destruído, e é justamente essa modificação que o torna hepatotóxico, mesmo na versão injetável. Ele também é o campeão de queda do HDL entre as substâncias comuns, e costuma causar dor e ressecamento articular, o que atrapalha bastante quem treina pesado. O propionato, por sua vez, é éster curto e exige aplicação em dia sim dia não para o nível não oscilar. Somando aos dias de stano, isso dá muita aplicação, e o stano injetável é suspensão em água, notoriamente dolorida e propensa a inflamação no local. E ficou faltando o principal para que alguém possa te ajudar direito: idade, há quanto tempo treina, qual esporte, qual o objetivo concreto desse ciclo, como está a alimentação em quantidades, e se já usou algo antes. Setenta quilos em um metro e sessenta, para quem treina sério, pode ser um shape bem denso ou pode ser outra coisa completamente diferente, e a resposta muda conforme o caso. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  25. Mrwolf, a frase mais reveladora do seu tópico é a que veio no final: que a ideia era essa para não ter que fazer duas TPCs. Ela mostra que o mal-entendido não está na dose nem na escolha das drogas, está no que você acha que blast and cruise significa. Blast and cruise não é uma forma de adiar a TPC. É a decisão de nunca mais fazer nenhuma. O cruise não é uma pausa em que o corpo descansa, é exatamente o oposto: é continuar com testosterona de fora em dose menor, com o seu eixo desligado o tempo inteiro. Quem entra nisso está optando por depender de aplicação para sempre, e essa é a definição prática da coisa. Ou seja, você estaria trocando duas recuperações por nenhuma recuperação nunca mais, e isso não é economia de trabalho, é uma decisão de vida inteira, tomada antes mesmo do primeiro ciclo terminar. Some as suas semanas: dez de blast, oito de cruise, oito de cutting. São vinte e seis semanas seguidas com o eixo desligado, seis meses sem parar, e só no fim disso viria a TPC. E aí está o ponto que arruína o plano do jeito que você o desenhou: quanto mais longa a supressão, mais difícil e mais demorada é a recuperação. Uma TPC depois de dez semanas costuma correr bem. Depois de vinte e seis semanas contínuas, muito menos. Ou seja, esse desenho não evita duas TPCs difíceis, ele produz uma TPC bem pior do que as duas que você queria evitar. Sobre a silimarina, o Foston já te disse o essencial e eu quero acrescentar o detalhe que faz diferença. Você colocou o protetor no bloco errado. Testosterona injetável não passa pelo fígado da forma que agride, então ali ela não tem função nenhuma. Quem tem questão hepática de verdade no seu plano é a oxandrolona, no terceiro bloco, porque ela é do tipo modificado para resistir ao fígado. E, mesmo lá, a silimarina não tem evidência de proteger contra esse tipo específico de lesão. O que monitora fígado é exame, não cápsula. Agora a parte que me preocupa mais que tudo, e sobre a qual o tópico passou rápido: trembolona. Você planeja usar trembolona no seu segundo bloco, com pouco mais de um ano de treino. Ela é bem diferente do resto e não é só uma versão mais forte de testosterona. Não existe apresentação dela para uso humano em lugar nenhum, é substância de uso veterinário. Ela atua como progestágeno, mexe com prolactina e por isso pode dar disfunção erétil e ginecomastia que não respondem a inibidor de aromatase, que é o remédio que todo mundo tem em casa. Tira o sono, dá sudorese noturna intensa, encurta o fôlego e altera bastante o humor e a agressividade. E é das piores para o perfil de colesterol e para os rins. Além de tudo isso, tem um problema prático: usar trembolona antes de conhecer a própria resposta à testosterona significa que, quando algo der errado, você não vai saber o que causou o quê. Se eu tivesse que resumir o que eu mudaria, seria isto. Faça um ciclo só, de dez a doze semanas, com cipionato sozinho, na dose que você já escolheu, que está sensata. Encerre. Faça a recuperação com acompanhamento e exame. Passe alguns meses natural, comendo e treinando bem, e veja quanto do ganho você mantém, porque essa informação vale mais que qualquer coisa que se leia por aqui. Só depois, se ainda fizer sentido, pense no próximo passo. Ninguém precisa decidir sobre blast and cruise no primeiro ciclo, e quem decide isso agora está decidindo sem ter nenhum dado sobre o próprio corpo. Sobre a meta, o Keto está certo e eu subscrevo: com quinze por cento de gordura, o caminho para o fim do ano é um cutting bem conduzido, e não empilhar substância. Você tem um ano e dois meses de treino, noventa e um quilos em um metro e oitenta e cinco, e ainda está bem dentro da fase em que o corpo mais responde por conta própria. Esse período não volta, e ele é gasto de vez quando se entra em uso contínuo. E, se for seguir, faça exames antes: testosterona total e livre, LH, FSH, estradiol, prolactina, hemograma, perfil lipídico, glicemia, função renal e enzimas do fígado, com um endocrinologista olhando. Vale principalmente porque, no seu plano original, o item que mais mexeria nesses números seria justamente a trembolona. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

Account

Navigation

Pesquisar

Pesquisar

Configure browser push notifications

Chrome (Android)
  1. Tap the lock icon next to the address bar.
  2. Tap Permissions → Notifications.
  3. Adjust your preference.
Chrome (Desktop)
  1. Click the padlock icon in the address bar.
  2. Select Site settings.
  3. Find Notifications and adjust your preference.