Tudo que Cláudio Chamini postou
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Posso fazer a prancha todos os dias?
Azazel, pode fazer prancha todos os dias, sim. E vale desfazer a ideia que te preocupou, porque ela atrapalha muita gente que está começando. Treinar o mesmo músculo com frequência não faz perder massa. Ninguém encolhe por treinar demais um músculo. O que existe é uma coisa mais simples: se você não se recuperar entre as sessões, a próxima rende menos, e aí o progresso trava. É diferente de perder. E, no caso específico da prancha, o risco é baixíssimo, porque ela é um exercício isométrico com o próprio peso, que gera pouquíssimo dano muscular. Ninguém acorda com dor de prancha do jeito que acorda com dor de agachamento. A regra prática que o pessoal do fórum te deu é boa e é a que eu usaria: se no dia seguinte não estiver dolorido, pode repetir. Mas eu quero te falar de uma coisa mais importante, porque o seu objetivo é calistenia e a prancha sozinha vai te levar bem menos longe do que parece. A prancha tem um teto muito baixo. Depois de algumas semanas você vai conseguir segurar dois, três, cinco minutos, e a partir daí somar tempo não acrescenta quase nada. Aguentar cinco minutos de prancha e aguentar dez é a mesma coisa em termos de força. O que constrói força de verdade é aumentar a dificuldade, não a duração. E isso vale para tudo na calistenia: a progressão é sempre deixar o movimento mais difícil, nunca fazer mais repetições eternamente. Alguns caminhos de dificuldade que não custam nada e usam o mesmo tempo que você já gasta: Prancha com um pé no ar, alternando. Depois com um braço estendido à frente. Depois com o pé e o braço opostos ao mesmo tempo. Cada uma dessas é muito mais difícil que segurar mais tempo na versão fácil. Prancha apertada, que é fazer a prancha comum apertando glúteo e abdômen com toda a força que tiver, como se fosse levar um soco na barriga. Dez segundos assim cansam mais que um minuto solto, e é isso que treina o abdômen para valer. Hollow body hold, que é deitar de barriga para cima e sustentar pernas e ombros fora do chão. Esse é praticamente o exercício de base do abdômen na ginástica e é o que mais transfere para os movimentos que você quer. E, quando tiver acesso a uma barra, elevação de pernas pendurado, que trabalha o mesmo que a prancha e ainda constrói a pegada, que é o que costuma falhar primeiro em calistenia. Sobre não ter dinheiro para academia nem suplemento: isso não te atrasa em nada nessa modalidade. A calistenia foi feita exatamente para isso. Barra fixa de praça, chão, uma cadeira firme e paciência dão conta de anos de progresso. E suplemento não é requisito para construir músculo, é atalho de conveniência. Ovo, arroz, feijão, leite, frango, sardinha em lata e pão fazem o mesmo serviço por muito menos dinheiro. Se um dia sobrar algum trocado, creatina é o único que realmente vale o preço, e ainda assim depois que o básico estiver de pé. Se ajudar, uma estrutura simples: flexão, alguma puxada na barra, agachamento e uma variação de abdômen, três a quatro vezes por semana, sempre tentando a versão um pouco mais difícil quando a atual ficar fácil. E a prancha, se você gostar dela, todo dia mesmo, como aquecimento. Só não deixe ela virar o treino inteiro. Você fez a pergunta certa e ainda foi atrás de perguntar em vez de chutar. Isso conta bem mais do que academia ou suplemento.
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Primeiro ciclo de Stano: 3 cápsulas por dia
Pedro, três perguntas objetivas e nenhuma resposta até agora. Vou nas três, e vou começar pela terceira, que é a mais fácil e a que tem uma armadilha que quase ninguém conhece. Creatina pode continuar, sim. Ela é dos suplementos mais estudados que existem, não sobrecarrega rim em quem tem rim saudável, e não interage com nada disso. Whey e albumina também seguem normalmente, são comida em pó. A armadilha é esta: a creatina aumenta a creatinina do sangue. Isso é normal e esperado, e vem do próprio metabolismo dela, não de dano nenhum. Só que a creatinina é justamente o exame que se usa para estimar a função do rim. Ou seja, se você fizer exame de sangue usando creatina, é bem possível que apareça creatinina alta e taxa de filtração estimada baixa, e que alguém conclua que o seu rim está sofrendo por causa do ciclo. Já vi gente parar tudo em pânico por causa disso. O jeito de evitar é suspender a creatina umas duas ou três semanas antes de colher, ou avisar quem for interpretar o exame que você usa. Segunda pergunta, sobre o que tomar durante e depois. A resposta honesta é que nenhum protetor em cápsula faz o serviço que anunciam. Silimarina, protetores hepáticos de farmácia e afins não têm evidência de proteger contra o tipo específico de agressão que os orais alquilados causam. O que realmente protege é medir. Exame antes de começar, para ter um ponto de comparação, e outro depois. Sem o exame anterior, o posterior perde metade do valor, porque não dá para saber se aquele número já era seu. Vale pedir perfil lipídico completo, enzimas hepáticas com gama GT e bilirrubinas, hemograma, e do lado hormonal testosterona total e livre, LH, FSH e estradiol. E, para acompanhar a saída, repetir a parte hormonal umas semanas depois do fim, porque é aí que se vê se o eixo voltou. Sobre terapia pós ciclo, o desenho depende do que os seus exames mostrarem, e por isso não vou chutar protocolo. Mas o essencial é isto: mesmo três ou quatro semanas suprimem. Existe um mito muito espalhado de que stanozolol não suprime porque não aromatiza, e são coisas diferentes: aromatizar é virar estrogênio, suprimir é desligar o eixo, e o stanozolol desliga como qualquer outro. Ciclo curto não significa saída automática. Agora a primeira pergunta, que é onde eu discordo do seu raciocínio. Trinta miligramas por dia não é dose baixa. É a dose padrão de homem para esse composto, e boa parte das pessoas usa exatamente isso. O que você desenhou como teste leve é um ciclo comum, encurtado. E encurtar não reduz o risco na proporção que parece, porque os dois efeitos mais relevantes do stanozolol são rápidos. A queda do HDL acontece nas primeiras semanas, e não é uma queda modesta: fala-se em reduções que chegam à metade ou mais em pouco tempo, e o stanozolol é dos piores que existem nesse quesito. A alteração de fígado também aparece cedo. Ou seja, vinte a trinta dias já pagam boa parte do preço. Só que a conta do outro lado é diferente. Ganho de músculo é lento, e três ou quatro semanas é pouco tempo para o corpo montar tecido novo. Some a isso que stanozolol não retém água, então o que aparece no espelho é sobretudo o visual mais seco, que some depois. E, para o seu segundo objetivo, vale ser direto: stanozolol não queima gordura. Não existe mecanismo pelo qual ele mobilize gordura. Quem reduz gordura é o déficit calórico, e você já tem nutricionista para isso. Na prática, o desenho que você propôs concentra quase todo o custo e quase nenhum benefício. Se a intenção era testar a própria reação com risco mínimo, vale saber que o teste custa o mesmo que o ciclo inteiro em termos de colesterol e fígado. E olha o seu ponto de partida: trinta anos, dez por cento de gordura, dois anos e meio de treino e acompanhamento mensal. Você está no período em que ainda se colhe bastante resultado sem nada disso, desde que a carga esteja subindo e a comida esteja fechando. Vale conferir uma coisa antes de decidir: se as suas cargas dos exercícios principais são maiores hoje do que eram seis meses atrás. Se não são, o que está travando não é hormônio, e o comprimido não vai resolver. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Primeiro ciclo oxandrolona para melhorar meu corpo
Magali, se você ainda passar por aqui, e para quem vier ler depois, existem duas coisas neste tópico que precisam de correção. Uma é o protocolo. A outra é um conselho de contracepção que ficou registrado e que pode custar muito caro a alguém. Começo pelo protocolo, porque o Foston e a Kami Back já tinham apontado a direção certa e vale explicar o motivo. Aquele esquema em pirâmide, subindo cinco miligramas por semana até trinta e depois descendo de novo, tem um problema de desenho antes mesmo de ter um problema de dose. Não existe razão farmacológica para subir devagar nem para descer devagar. A oxandrolona não causa dependência nem síndrome de retirada, então a descida não protege de nada. E a subida não constrói tolerância, ela só garante que, se algum sinal ruim aparecer, ele vai aparecer justamente no meio do caminho, quando você já estará convencida de que está tudo bem porque as semanas anteriores correram lisas. Na prática, o desenho gasta metade das doze semanas em doses que não fazem quase nada e a outra metade em doses altas demais para mulher, que é a faixa de cinco a quinze miligramas por dia. E o ponto que a Kami Back levantou merece um detalhe que muda a forma de decidir. Nem todos os efeitos indesejados são iguais. Acne, pele oleosa, queda de cabelo, pelo no corpo e menstruação irregular são reversíveis e voltam ao normal depois que se para. Engrossamento da voz e aumento do clitóris, na maioria dos relatos, não voltam. A voz é a mais perigosa porque não muda de uma vez: começa com uma rouquidão leve, que a pessoa atribui a resfriado ou ar condicionado, e quando fica evidente já passou do ponto. Por isso a regra prática é parar ao primeiro sinal, e não terminar o protocolo. Uma discordância respeitosa com o Foston: quando ela disse que ia conferir a dose com o médico, ele respondeu que médico não entende de ciclo estético. Isso é verdade em parte, mas o médico é a única pessoa que pode pedir e interpretar os exames que importam aqui, e no caso da oxandrolona eles importam muito, porque ela derruba o HDL de forma acentuada e mexe no fígado. Conferir com médico é sempre a decisão mais defensável, mesmo que a orientação de dose venha a ser conservadora. Agora o ponto que me trouxe aqui de verdade. Ficou escrito neste tópico que os métodos contraceptivos para meninas que treinam seriam camisinha, gestrinona, DIU de cobre, coito interrompido ou tabelinha. Duas dessas informações são perigosas. Gestrinona não é contraceptivo. Ela não foi desenvolvida para isso, não tem essa indicação e não protege contra gravidez. Quem usar gestrinona achando que está protegida está sem método nenhum. E coito interrompido e tabelinha têm taxa de falha, no uso real, em torno de vinte e vinte e três gestações a cada cem mulheres por ano. Ou seja, aproximadamente uma em cada cinco engravida em doze meses. Isso já seria grave em qualquer contexto. Num tópico sobre usar androgênio, é mais grave ainda, porque a oxandrolona pode virilizar um feto feminino, e a mulher costuma descobrir a gravidez quando já usou o composto por semanas, ainda mais quando a própria menstruação ficou irregular por causa do uso. O DIU de cobre citado ali é, esse sim, uma opção excelente para quem quer evitar hormônio: alta eficácia, sem interferência nenhuma no eixo hormonal e sem os efeitos que se atribuem à pílula. Preservativo também é método válido, embora falhe mais que o DIU no uso real. A escolha é individual e é conversa de ginecologista, mas o essencial é este: ninguém que usa androgênio deveria estar contando com tabelinha. Sobre a pílula em si, dois ajustes. É verdade que ela aumenta a proteína que carrega os hormônios sexuais no sangue e, com isso, reduz a testosterona livre, o que pode pesar um pouco no rendimento. Isso existe e é real. Mas os números citados no tópico não fecham: em mulher, a testosterona total costuma ficar em torno de quinze a setenta nanogramas por decilitro, então oitenta a cem não seria o ideal, seria acima da faixa feminina. E, sobre engordar e causar celulite, os estudos que compararam pílula com placebo não encontraram ganho de peso relevante, e celulite não tem relação estabelecida com contraceptivo. Já o risco de trombose é real, e ele merece atenção redobrada em quem usa androgênio, porque androgênio sobe hematócrito. Nisso o alerta estava certo. Duas últimas observações práticas sobre a rotina que ficou descrita aqui. Meio litro de chá de cavalinha por dia é diurético, e diurético diário em quem treina pesado e come pouco sódio é caminho fácil para cãibra e mal estar. Não faz falta nenhuma. E vitamina D de cinco a dez mil unidades por dia é dose alta para se tomar por conta própria e por tempo indeterminado. Ela é lipossolúvel, acumula, e o excesso mexe no cálcio do sangue e no rim. Vale dosar no exame e ajustar a partir do número, não do palpite. Fora isso, a orientação de trocar parte do fetiche de suplemento por comida de verdade, incluir agachamento e terra e dar descanso aos membros inferiores foi a melhor coisa dita neste tópico, e essa parte continua valendo integralmente. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Primeiro ciclo só STANO
Guarnis, tem uma frase da sua consultoria neste tópico que ninguém pegou e que é o pior erro de tudo que foi dito aqui. Eles disseram que o tamoxifeno vai ajudar caso a sua libido caia. Não vai. O tamoxifeno não é remédio de libido, e no meio do ciclo ele é ainda menos que isso. A queda de libido que o Foston te avisou vem de o stanozolol desligar a sua produção de testosterona, e o tamoxifeno atua num ponto completamente diferente: ele bloqueia o receptor de estrogênio na mama, que é para o que ele serve de verdade, e sinaliza para a hipófise pedir mais LH. Só que, enquanto você estiver aplicando androgênio, esse pedido não vai a lugar nenhum, porque a supressão continua acontecendo. Pior: parte considerável das pessoas relata queda de libido com o próprio tamoxifeno. Ou seja, o remédio que te venderam como solução do problema é candidato a agravá-lo. Quem te vendeu isso ou não sabe como esses remédios funcionam, ou sabe e apostou que você não ia perguntar. Some a isso a resposta que você recebeu quando questionou a segurança, que foi para não dar bola porque o ciclo foi calculado com base no seu corpo. Não existe esse cálculo. Não há fórmula que pegue o seu peso e devolva vinte miligramas de stanozolol. É frase de venda. Sobre a sua pergunta direta, se dá para mandar uma testosterona junto e se tem alguma oral: a resposta é que a sua preferência está exatamente invertida, e o Foston explicou isso muito bem. Injeção assusta mais e machuca menos. Quase todo oral usado nesse meio é alquilado para sobreviver à passagem pelo fígado, e é justamente essa modificação que agride o fígado e destrói o HDL. Um éster injetável de testosterona não passa por isso e ainda entrega nível estável no sangue, em vez do sobe e desce de quem toma comprimido duas vezes ao dia. A agulha é o caminho menos agressivo, por mais contraintuitivo que pareça. Sobre o objetivo, vale um ajuste importante: stanozolol não seca ninguém. Ele não mobiliza gordura por nenhum mecanismo. O que ele faz é não reter água, e isso dá uma aparência mais seca que some quando se para. Quem tira gordura é a dieta. E aqui tem uma contradição que vale você resolver antes de qualquer coisa: você diz ter dez por cento de gordura e, ao mesmo tempo, muita dificuldade para secar. Dez por cento é gente definida. Ou a medição está errada, e é bem comum estar, ou o problema não é gordura, é quantidade de músculo, o que é um problema totalmente diferente e não se resolve secando mais. Sobre a pele grossa, essa explicação não existe. Não há diferença de espessura de pele que esconda o desenvolvimento de alguém. O que costuma haver, em quem treina cinco anos e não vê mudança, é uma dessas duas coisas: carga que não sobe, ou comida que não fecha. Você mencionou que treina até a falha, e isso costuma ser parte do problema e não da solução, porque falha em toda série atrapalha a recuperação e a carga acaba estacionando. Se você tem cinco anos de planilha e as cargas de hoje são parecidas com as de dois anos atrás, esse é o diagnóstico, e nenhum comprimido conserta. Você escreveu que já comprou o stanozolol e o tamoxifeno e ficou confuso. Sobre isso, uma coisa prática: o tamoxifeno não é desperdício, ele é justamente o remédio que se quer ter em mãos ao primeiro sinal de ginecomastia e é peça padrão de terapia pós ciclo. Ele vale ter guardado. O stanozolol é que não vale, e ter comprado não é motivo para usar. Prejuízo de caixa é menor que prejuízo de fígado e de colesterol aos vinte anos. Vi que você abriu outro tópico depois considerando somar metiltestosterona a esse plano. Respondi lá em detalhe, mas adianto o essencial: aquela não serve como base, e é justamente o composto em que a proteção contra ginecomastia funciona pior. A intenção estava certa, que era não ficar sem androgênio circulando. A peça é que estava errada. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Dieta e treino: tendência a acumular gordura na barriga
Vivi, sua pergunta sobre a oxandrolona ficou sem resposta, e a de como fazer as pernas crescerem também. Vou nas duas, mas a segunda resolve a primeira. Você tem quarenta e seis quilos, um metro e cinquenta e quatro, e vem de meses de dieta restrita. Esse é o dado central do seu post e ele explica quase tudo o resto. Músculo é tecido novo. Ele precisa de material para ser construído, e material é comida. Não existe forma de fazer perna crescer mantendo quarenta e seis quilos na balança: se a perna aumentar, o peso sobe, e não tem como um acontecer sem o outro. Ou seja, o primeiro passo do que você quer não é treino nem comprimido, é aceitar o número da balança subir de propósito, devagar, por vários meses. Algo em torno de duzentos a trezentos gramas por mês já é uma velocidade boa para uma mulher com um ano de treino, e nessa velocidade a maior parte vira músculo, não gordura na barriga. Aqui, aliás, está o ponto do que o Blitzzz falou. A conclusão dele serve para você, mas o mecanismo que ele descreveu não é bem assim. Corpo em déficit não entra em modo de reservar gordura, e comer mais não acelera o metabolismo como se fosse um botão. O que existe de real é mais simples: depois de meses comendo pouco, o corpo gasta um pouco menos, e a pessoa fica com fome, cansada e sem rendimento no treino. Para quem está nessa situação, a conduta certa é justamente subir as calorias de forma gradual até a manutenção e além, o que ele chamou de aumentar o metabolismo. É a mesma recomendação, com uma razão diferente. E, no seu caso, esse é o passo que faltava. Sobre a tendência a acumular na barriga: isso é distribuição, e é determinada em boa parte por genética e por hormônio. Não dá para escolher onde a gordura entra ou sai, e é por isso que os muitos abdominais que aparecem no seu treino não vão mudar essa região. Eles fortalecem o abdômen, e é só. O que muda a barriga é o percentual total do corpo, e ele sobe pouco se o ganho de peso for lento. Agora sobre o treino, e aqui está o que eu acho que mais te trava. O seu treino é quase todo feito de isolador, série longa, falha, drop set, repetição curtinha e isometria de dois ou três segundos. Isso cansa muito e estimula pouco. Falta a coisa que faz músculo crescer, que é carga aumentando ao longo dos meses em movimentos grandes. Agachamento livre, levantamento terra, terra romeno, leg press e afundo, na faixa de seis a doze repetições, com peso que sobe de semana em semana e uma ou duas repetições sobrando no tanque na maioria das séries. Levar tudo à falha o tempo todo atrapalha, porque a recuperação não acompanha e a carga acaba nunca subindo. E existe um detalhe simples que provavelmente vale mais que qualquer outra coisa deste post: anote a carga e as repetições de cada exercício, toda sessão. Se daqui a oito semanas os números forem os mesmos, não é genética nem falta de oxandrolona, é falta de progressão. Se os números subirem e a perna não mudar, aí é comida. Sem anotar, não dá para saber qual dos dois é, e a pessoa fica anos mudando de método sem nunca descobrir. O Locemar e o Odin também apontaram algo importante e vale reforçar. Perna às segundas, quartas e sextas é uma frequência ótima, mas com o volume que você faz em cada sessão e tudo indo à falha, o descanso não fecha. Menos exercícios por treino, mais peso em cada um, rende mais e cansa menos. E treinar superiores de verdade não vai te deixar larga, vai te deixar com um corpo proporcional, além de melhorar a própria execução dos exercícios de perna. Voltando à oxandrolona, agora dá para responder direito. Você tem um ano de treino, vem de restrição, come pouco e faz um treino sem progressão de carga. Uma pessoa nessa situação tem tanto espaço para crescer naturalmente que colocar um esteroide agora seria pagar caro por algo que a comida e a progressão entregam de graça. E o custo não é pequeno: mesmo em dose de mulher, oxandrolona derruba o HDL de forma acentuada e traz risco de sinais que não voltam atrás, principalmente engrossamento da voz e alteração do clitóris. Acne, pelo e menstruação irregular voltam ao normal, esses dois não. O caminho que eu seguiria no seu lugar é este: subir as calorias devagar com a sua nutricionista até parar de perder peso e começar a ganhar de leve, enxugar o treino para menos exercícios e mais carga, anotar tudo, e reavaliar daqui a seis meses. Aos trinta anos, com um ano de treino, esse é o período em que se colhe mais resultado por esforço na vida inteira, e é uma pena gastá-lo perseguindo o comprimido. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Primeiro ciclo só STANO + METHYL TESTOSTERONA
Guarnis, você fez uma coisa que merece crédito: leu o fórum, entendeu que stanozolol sozinho não se sustenta e foi atrás de uma base de testosterona. O raciocínio estava certo. O problema é que a peça escolhida não faz o serviço, e vale explicar por quê, porque esse é um mal-entendido comum. Quando o pessoal diz para colocar uma testosterona junto, o que se quer dizer é ter um androgênio circulando de forma estável enquanto a sua própria produção está desligada. A metiltestosterona não entrega isso. Ela é oral, tem meia vida curta, e o nível no sangue sobe e desce várias vezes ao dia. Você teria a supressão de um ciclo com a instabilidade de quem não está usando nada. E tem um detalhe que quase ninguém conhece e que é o mais importante da sua pergunta sobre colaterais. A metiltestosterona aromatiza bastante, e o estrogênio que ela produz não é o estradiol comum, é uma versão metilada dele. Isso importa muito na prática: inibidores de aromatase funcionam impedindo a conversão, e não desfazendo o que já foi convertido, então esse estrogênio metilado, uma vez formado, é bem mais resistente ao controle que se costuma tentar. Ou seja, é justamente o composto em que a estratégia habitual contra ginecomastia funciona pior. Ela tem fama antiga e merecida de ser das piores para isso. O segundo ponto é o fígado, e aqui você já escreveu que sabe, mas acho que não na dimensão certa. Não é um oral. São dois orais alquilados ao mesmo tempo, por oito semanas. Stanozolol e metiltestosterona são os dois compostos com o histórico mais pesado de dano hepático em toda essa família, e a metiltestosterona é aquela cujo nome aparece nos relatos mais graves, incluindo lesões vasculares dentro do fígado. Empilhar os dois não é somar risco, é multiplicar. E, no colesterol, os dois puxam para o mesmo lado: são dos que mais derrubam o HDL que existem, e você estaria fazendo isso aos vinte anos, que é a idade em que se constrói a saúde vascular que vai ser cobrada depois. Sobre o objetivo, um ajuste: definição não vem de nenhum dos dois. Nada ali mobiliza gordura. O que dá o visual seco é a ausência de retenção de água, e isso é aparência temporária. Quem tira gordura é o déficit calórico, e com quinze por cento aos vinte anos, três anos de treino e um ano de dieta, você está numa posição em que quatro ou cinco meses de dieta bem feita mudariam o seu shape mais do que essas oito semanas, e sem custo nenhum. E, para fechar, o Apollo e o Locemar não estavam sendo chatos ao pedir os dados. Sem saber quantas calorias e quanta proteína você come, como está o treino e o que já foi tentado, qualquer resposta sobre ciclo é chute. Se quiser, poste a dieta e a divisão de treino que a conversa fica muito mais útil. Um exame de sangue atual também, porque começar sem ele significa que, se algo der errado depois, não haverá como saber se já vinha de antes. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Primeiro ciclo oxandrolona 5mg 12/12h
A sua pergunta principal foi a primeira e ficou sem resposta: você disse que tem receio de como o corpo fica depois. Vou pegar essa, porque é a pergunta certa e quase ninguém a faz antes. O que fica e o que não fica, na oxandrolona em mulher, divide-se assim. O músculo ganho fica, desde que o treino e a comida continuem. Ele não some quando o comprimido acaba. O que some é a parte que não era músculo, principalmente um pouco de água e o efeito visual. Os efeitos indesejados se separam em dois grupos, e a diferença entre eles é o que importa de verdade. Acne, pele oleosa, aumento de pelo no corpo, queda de cabelo no padrão masculino e menstruação irregular ou ausente são reversíveis, e voltam ao normal em algumas semanas ou meses depois de parar. Já engrossamento da voz e aumento do clitóris, na maioria dos relatos, não voltam. A voz é a mais traiçoeira porque começa como uma rouquidão leve, que a pessoa atribui a resfriado ou ar condicionado, e quando fica clara já é tarde. A regra prática que vale ouro é essa: qualquer sinal desse segundo grupo é motivo para parar na hora, e não para terminar a caixa. Existe também um efeito que não aparece no espelho e que é o mais relevante para a saúde de longo prazo: a oxandrolona derruba o HDL, o colesterol bom, de forma acentuada, e sobe o LDL. Isso costuma normalizar depois que se para, mas é o principal motivo pelo qual vale ter exame de sangue antes de começar e outro perto do fim. Fígado, colesterol e, no seu caso, o que mais fizer sentido a critério do seu médico. Sem exame anterior, um exame posterior não diz muita coisa, porque não há com o que comparar. Sobre a dose, dez miligramas por dia é o teto do que se costuma usar em mulher, não é uma dose baixinha. Sessenta dias nessa dose é um protocolo real. Não é absurdo, mas também não é o comprimidinho inofensivo que a fama da oxandrolona sugere. E aqui vai a coisa mais prática que eu tenho a dizer: você falou em fórmula manipulada. Vale pedir a composição completa por escrito e conferir cada item. Fórmula de consultório muito frequentemente vem com outras coisas dentro além do que a pessoa acha que está tomando, e é comum aparecerem tireoidianos, estimulantes ou diuréticos misturados. Se houver algo assim na sua, isso muda completamente a conversa, e é o tipo de coisa que só se descobre lendo o rótulo. Aproveite e confirme se a farmácia de manipulação faz controle de dose, porque a variação entre cápsulas manipuladas é um problema conhecido. Agora, sobre o que você perguntou depois ao Apollo, e onde eu acho que está o nó do seu plano. Você quer duas coisas ao mesmo tempo: definir e aumentar o glúteo. Elas puxam para lados opostos. Definir exige comer abaixo da manutenção. Construir glúteo exige comer acima, porque músculo novo não se monta sem material. E aqui está o detalhe que decide: você tem sessenta dias de um recurso que ajuda principalmente a construir. Se você gastar esses sessenta dias em dieta de corte, vai usar o composto na fase em que ele menos entrega o que você quer do glúteo. Por isso eu discordo um pouco do conselho de baixar a gordura primeiro e só então usar, embora a intenção dele esteja certa. O que faz sentido é escolher qual objetivo vem primeiro, e não tentar os dois. Se o alvo é glúteo, a fase de corte pode ser feita agora, sem comprimido nenhum, com dieta e treino, e o composto ficaria para a fase de ganho, que é quando ele rende. E, sinceramente, se a sua dificuldade é especificamente glúteo, o que muda o jogo ali é frequência de estímulo e progressão de carga em agachamento, terra romeno, elevação pélvica e afins, duas vezes por semana, com peso subindo. Nenhum hormônio escolhe em qual músculo vai agir, e nisso o Apollo tem toda a razão: corte e forma vêm de dieta e treino. Uma última coisa que vale conferir com o seu médico, e menciono só porque não sei se é o seu caso: oxandrolona não deve ser usada durante gestação ou amamentação. Se houver essa possibilidade, é a primeira coisa a alinhar antes de qualquer dose. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Primeiro ciclo de stano
Destructor, o gdamasceno e o Locemar te deram as duas respostas certas, cada um pela metade e nenhum dos dois explicou o porquê. Vale juntar, e ainda tem um número no seu post que passou batido e que é o mais importante de tudo que está escrito aqui. Começo por ele: você está perdendo um quilo e duzentos por semana. Isso é rápido demais, e é rápido demais qualquer que seja o seu peso. A referência que se usa é algo em torno de meio a um por cento do peso corporal por semana, e para a maioria das pessoas isso dá entre meio quilo e um quilo. Acima disso, a proporção do que se perde muda: começa a sair músculo junto, e a queda de rendimento no treino vem logo atrás. Repare na ironia da sua situação: você quer usar um esteroide para preservar massa magra durante a dieta, e o que está fazendo você perder massa magra é a velocidade da própria dieta. Dá para resolver isso comendo um pouco mais, de graça, e o efeito é maior que o do comprimido. Se o seu nutricionista montou algo que resulta nessa velocidade, vale levar esse número para ele. Pode ser que seja só a primeira semana, que sempre vem inflada por perda de água, e nesse caso não significa nada. Se estiver assim há um mês, aí é para ajustar. Sobre o stanozolol para queimar gordura, o Locemar está certo. Ele não queima nada. Não existe nenhum mecanismo pelo qual ele mobilize gordura. A fama vem do visual, porque ele não retém água e dá aquela aparência mais seca e riscada, e as pessoas leem isso como perda de gordura. É aparência, e some quando se para. Quem perde a gordura é o déficit, e ele já está funcionando no seu caso. Sobre a terapia pós ciclo, aqui está o mito que mais circula sobre esse composto: dizem por aí que stanozolol não suprime porque não aromatiza. São coisas diferentes. Aromatizar é virar estrogênio. Suprimir é desligar o eixo, e o stanozolol desliga como qualquer outro androgênio, com queda documentada de LH, FSH e testosterona. É exatamente isso que o gdamasceno estava dizendo naquela brincadeira. Então sim, oito semanas de cinquenta miligramas por dia derrubam a sua produção, e sem uma base de testosterona junto você vai passar o ciclo inteiro com androgênio nenhum circulando além do próprio comprimido, o que costuma cobrar em libido e disposição já durante o uso, e não só depois. E vale dizer o que ninguém falou: cinquenta miligramas por dia de um oral alquilado por oito semanas é uma escolha pesada de fígado, e o stanozolol é dos piores que existem para o colesterol. Ele derruba o HDL de forma brutal, às vezes para menos da metade em poucas semanas, e sobe o LDL junto. Some a isso a dor articular seca que quase todo mundo relata, que aparece justo em quem está treinando pesado em déficit. Se você for adiante, exame de sangue antes e depois, com fígado e perfil lipídico, é o mínimo, e não existe nenhum protetor em cápsula que substitua isso. Na prática, o seu caso é o de alguém com dieta funcionando, perda acontecendo e acompanhamento profissional. O ajuste que rende mais aqui é desacelerar a perda e proteger o músculo com proteína alta e carga subindo no treino, não acrescentar um oral pesado a um processo que já está andando. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Primeiro ciclo com oxandrolona
Isabela, você perguntou se a recomendação de quem te vendeu estava certa. Não está, e a diferença não é pequena. Trinta miligramas de oxandrolona por dia é dose de homem. Em mulher, o que se descreve na literatura e no uso é algo em torno de cinco a dez miligramas por dia, e mesmo isso não é isento. Quem te vendeu montou um esquema com três a seis vezes o que se usaria, e é assim que se produz o único efeito que a oxandrolona tem fama de não produzir: virilização. Vale saber quais sinais são reversíveis e quais não são, porque as pessoas costumam falar disso como se fosse tudo igual. Acne, oleosidade, queda de cabelo e menstruação irregular voltam ao normal quando se para. Engrossamento da voz e aumento do clitóris, na maioria dos relatos, não voltam. E o mais cruel da voz é que ela quase nunca muda de uma vez: começa com uma rouquidão leve que a pessoa atribui a gripe ou ar condicionado, e quando fica evidente já é tarde. É esse o risco que muda de patamar quando se sai de dez para trinta miligramas. Sobre a sua pergunta prática de como dividir os noventa comprimidos para dar seis semanas: ela só existe porque a conta foi feita em cima de trinta por dia. Numa dose de mulher, os mesmos noventa comprimidos dariam dois ou três meses, não seis semanas. A caixa não determina o protocolo. Agora vem a parte que eu acho mais importante do seu post e que ninguém comentou ainda: você toma euthyrox. Isso significa que a sua tireoide já é acompanhada e ajustada por exame. E a oxandrolona interfere justamente na proteína que carrega os hormônios da tireoide no sangue, o que muda os valores de T4 total e T3 total sem que a sua tireoide tenha mudado nada. Na prática, os seus exames de controle podem vir alterados por causa do comprimido e não da doença, e existe um risco real de alguém ajustar a sua dose de levotiroxina para cima ou para baixo com base num número que não significa o que parece. Se você seguir adiante com isso, o seu médico precisa saber, e o acompanhamento passa a ser por TSH e T4 livre, que sofrem menos essa interferência. E existe um segundo ponto de saúde que vale mais que a estética: a oxandrolona é oral e derruba o HDL, o colesterol bom, de forma bem marcada, às vezes pela metade em poucas semanas. Se você for adiante, exame de perfil lipídico e de fígado antes e no meio do processo é o mínimo. Sobre a silimarina, ela não é protetor de nada nesse contexto. O tipo de agressão hepática que os orais causam não é o tipo contra o qual ela teria alguma ação, e a evidência dela mesmo nos usos consagrados é fraca. Ela não substitui o que realmente protege, que é exame de sangue periódico. Aliás, no caso da oxandrolona especificamente, o fígado costuma ser o problema menor e o colesterol o maior, e é o oposto do que o vendedor te disse para vigiar. Por fim, o que me parece o nó de verdade, e aqui eu concordo com o Odin e com a Joaninha, mas por um motivo específico do seu caso. Você escreveu duas coisas que não combinam: que quer definir e secar com a oxandrolona, e que o seu problema é ganhar massa. São objetivos opostos, e o comprimido não resolve nenhum dos dois sozinho, porque oxandrolona não queima gordura. Nada nela mobiliza gordura. O que ela faz é ajudar a preservar músculo enquanto você come abaixo da manutenção, e quem produz o secar é a dieta. E o seu próprio relato mostra onde está o ajuste: você saiu de sessenta e nove para setenta e cinco quilos em quatro meses e disse que veio muita gordura junto. Um quilo e meio por mês é rápido demais para ganho de músculo, que tem teto baixo, então o excedente estava maior do que precisava. Isso é conversa direta com a sua nutricionista, e é resolvível ajustando o total do dia, sem comprimido nenhum. Você já tem os dois profissionais contratados, o que é mais do que noventa por cento das pessoas que postam aqui têm. Uma última coisa, sobre a genética magra e a estagnação. Quatro meses com idas e vindas antes disso é pouco tempo para chamar de estagnação, e vale conferir uma variável objetiva antes de culpar a genética: se as cargas do seu treino não estão subindo mês a mês, não é o corpo que travou, é o estímulo que não está progredindo. Anotar carga e repetição de cada exercício e cobrar aumento é a coisa mais chata e mais eficaz que existe. Se a carga está subindo e o peso não, é comida. Se nenhum dos dois está subindo, aí sim vale rever com o seu médico se a tireoide está bem compensada, porque isso pesa de verdade na disposição e no resultado. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Qual esteroide combinar com Durateston em ciclo?
Willian, sobre a sua pergunta: aqui não se indica fornecedor, e essa é regra do fórum, não frescura de ninguém. O motivo prático está escrito neste próprio tópico, algumas linhas acima da sua pergunta, e vale muito mais que qualquer indicação. O Rogério contou que usou um produto e não sentiu absolutamente nada. O Locemar respondeu que aquilo já nem era fabricado, e que ele mesmo chegou a aplicar quatro mililitros numa única semana tentando obter alguma resposta, sem resultado nenhum. Ou seja, duas pessoas experientes, nesta mesma conversa, aplicaram óleo falsificado por semanas. E esse é o cenário bom. O ruim é o frasco não estéril, ou o que tem dentro coisa diferente do rótulo em dose diferente da impressa. Nesse mercado não existe caminho seguro, existe caminho menos ruim, e a única coisa que dá para fazer de fato é analisar o que se tem em mãos, o que hoje é possível por laboratório privado. Aproveitando que o tópico voltou, ficaram três coisas sem resposta lá atrás e elas continuam valendo para quem cair aqui pesquisando. A primeira é sobre o desenho que o Rogério propôs, com durateston e boldenona por dez semanas. O Locemar acertou ao dizer que três drogas eram desnecessárias para quem ciclou uma vez na vida, mas tem um detalhe técnico que ninguém levantou e que inutilizaria metade daquele plano. A boldenona tem éster undecilenato, que é dos mais lentos que existem. Ela leva por volta de cinco a seis semanas só para atingir nível estável no sangue. Num ciclo de dez semanas, o efeito real dela aparece perto do fim, e a pessoa passa a maior parte do tempo pagando o preço sem colher o benefício. Boldenona faz sentido em ciclo de quatorze a dezesseis semanas ou mais. Em dez semanas, ela é praticamente decoração. A segunda é sobre o objetivo declarado, que era definição. Nem stanozolol, nem masteron, nem boldenona queimam gordura. O que aparece como definição é o efeito de manter músculo enquanto a comida está abaixo da manutenção, mais um pouco de água a menos. Se o déficit não estiver certo, nenhum dos três entrega nada, e vale lembrar que masteron só produz aquele efeito visual que fez a fama dele em gente já bem seca. Em quem está com gordura mediana, ele passa quase despercebido. A terceira é a mais importante e atravessou onze posts sem ser mencionada uma única vez: não apareceu nenhuma palavra sobre a saída. Um homem de trinta e sete anos, dez semanas de duas ou três drogas, e ninguém falou de terapia pós ciclo, nem de exame antes, nem de exame depois. Essa é a parte que decide como você vai estar dois anos depois, e é justamente a que costuma ser tratada como detalhe. Exame de sangue antes de começar, para ter com o que comparar, e outro algumas semanas depois do fim, com testosterona total, LH e FSH, é o mínimo. Sem isso não dá para saber se o eixo voltou ou se a pessoa simplesmente se acostumou a se sentir pior. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Mesa flexora: o ajuste básico que evita erros de biomecânica
Uma explicação complicada pode soar convincente e ainda estar errada desde o primeiro conceito. Na aula “Falta conhecimento básico e sobra enrolação no fisiculturismo”, Paulo Gentil parte de uma demonstração de mesa flexora para desmontar uma suposta “lei do pêndulo” e recolocar a execução sobre bases verificáveis: alinhamento do joelho, eixo da máquina, braço de resistência e estabilidade durante toda a repetição. O resultado é uma orientação muito mais útil do que procurar uma inclinação pélvica capaz de “jogar tensão” para uma parte específica do posterior da coxa. Antes de discutir detalhes avançados, o praticante precisa impedir que o joelho deslize em relação ao aparelho e que o rolete caminhe pela perna. O truque que gerou a críticaA demonstração analisada propunha alterar a posição do quadril na mesa flexora. A anteversão pélvica permitiria usar mais carga. Já a retroversão, acompanhada de elevação do tronco e leve retirada do joelho do apoio, supostamente mudaria o ponto mais difícil do arco e levaria mais tensão para a região distal do bíceps femoral. Para justificar essa mudança, aparecia a expressão “lei do pêndulo”. O problema é que um pêndulo simples e uma articulação movendo uma resistência externa não são o mesmo modelo mecânico. Misturar os dois conceitos cria uma explicação sofisticada na aparência, mas incapaz de descrever o que acontece na máquina. Pêndulo e torque não são a mesma coisaEm pequenas oscilações, o período de um pêndulo simples depende principalmente do comprimento do fio e da gravidade. A massa pendurada não entra na equação do período. Na mesa flexora, a pergunta relevante é outra: qual torque a resistência externa cria em torno do joelho? O torque depende da força e da distância perpendicular entre a linha de ação dessa força e o eixo de rotação. Em forma simplificada, torque é força multiplicada pelo braço de momento. Portanto, mudar a distância entre o joelho e o ponto onde o rolete aplica resistência altera a exigência mecânica. Chamar isso de “efeito pêndulo” não melhora a análise. A própria curva de resistência do aparelho também importa. Uma análise mecânica de uma mesa flexora Nautilus, com 20 homens fisicamente ativos, encontrou uma curva de torque da máquina que não acompanhava adequadamente a capacidade de torque dos flexores do joelho em duas velocidades testadas. Isso ajuda a explicar por que modelos diferentes podem parecer mais pesados em trechos diferentes do movimento. Como ajustar a mesa flexora na práticaO ajuste pode ser organizado em uma sequência simples. Ela não garante que todas as máquinas sirvam perfeitamente para todas as pessoas, mas reduz os erros mais evidentes. Encontre o eixo da máquina: procure o pivô visível do braço móvel, normalmente ao lado do joelho. Alinhe o joelho ao pivô: uma linha lateral passando pelo centro aproximado da articulação deve coincidir com o eixo do aparelho. Deixe a patela livre do apoio: o joelho precisa flexionar sem a borda do banco pressionar diretamente a patela. Posicione o rolete perto do tornozelo: ele deve apoiar a parte distal da perna, acima do calcanhar, sem ficar sobre o tendão de Aquiles. Fixe o tronco e segure as alças: escolha uma postura confortável que permita manter quadril e joelho estáveis. Teste com carga leve: faça algumas repetições e observe se o joelho permanece no mesmo lugar e se o rolete não corre pela tíbia. Aumente a carga sem perder o ajuste: o peso só serve quando a repetição continua controlada e o corpo não precisa levantar do banco. O joelho humano não gira em torno de um único ponto perfeitamente fixo, enquanto a maioria das máquinas usa um pivô simplificado. Por isso, o alinhamento é uma aproximação prática, não uma coincidência geométrica perfeita em cada grau. Ainda assim, começar com os eixos próximos e impedir grandes deslocamentos é muito melhor do que ignorar o ajuste. O rolete denuncia o desalinhamentoUm sinal visual aparece quando o acolchoado começa perto do tornozelo e termina muito acima na perna, ou faz o caminho inverso. Essa migração indica que o segmento corporal e o braço da máquina não estão girando de forma compatível. Se o rolete sobe em direção ao joelho, o ponto de aplicação da resistência se aproxima do eixo articular. O braço de resistência diminui e o torque externo muda, mesmo que a pilha de pesos continue igual. A repetição pode ficar estranhamente fácil ou difícil em determinados ângulos sem que isso tenha relação com uma suposta transferência de tensão para a ponta do músculo. Antes de mexer na pelve, confira três coisas: posição longitudinal no banco, regulagem do braço móvel e estabilidade do joelho. Se a máquina não permite aproximar o pivô do centro da articulação, ela pode simplesmente não se ajustar bem àquele corpo. Postura do quadril: o que pode e o que não pode ser concluídoPequenas variações de inclinação do tronco ou da pelve podem ser adotadas por conforto, desde que não retirem o joelho da posição e não prejudiquem a repetição. Uma leve acentuação da lordose também pode surgir como ajuste natural enquanto os posteriores da coxa, que cruzam quadril e joelho, mudam de comprimento. Isso não transforma hiperlordose forçada em tratamento para dor lombar. Dor irradiada, formigamento, perda de força ou piora persistente exigem avaliação profissional. A postura útil para uma pessoa sem sintomas não deve virar receita clínica universal. Também é importante separar uma pequena rotação pélvica de uma mudança grande no ângulo do quadril. A posição do quadril realmente pode alterar o comprimento dos posteriores e a capacidade de produzir força. Em um estudo com sete homens, a flexão de joelho com o quadril a 90 graus produziu mais pico de torque e trabalho total do que a condição com o quadril estendido. Em outro experimento, 20 adultos treinaram uma perna na flexora sentada e a outra na flexora deitada. Foram 5 séries de 10 repetições a 70% de 1RM, duas vezes por semana, durante 12 semanas. O volume total dos posteriores aumentou 14% na posição sentada e 9% na posição deitada. Essa comparação envolve exercícios e comprimentos musculares claramente diferentes. Ela não prova que uma pequena anteversão ou retroversão na mesma mesa flexora isole a região distal do bíceps femoral. Dá para jogar a tensão para a parte distal?Hipertrofia regional existe. Regiões diferentes de um músculo podem responder de forma diferente ao exercício, ao comprimento muscular e à arquitetura das fibras. O salto indevido é prometer que uma alteração pélvica discreta, sem controle das demais variáveis, levará o estímulo especificamente para a extremidade distal do bíceps femoral. Não foi apresentada uma medição que sustente essa promessa. Sentir uma região mais desconfortável não identifica onde ocorreu maior tensão mecânica, recrutamento de unidades motoras, síntese proteica ou crescimento futuro. Para afirmar uma vantagem regional seria necessário comparar condições bem definidas e medir a adaptação ao longo do tempo. Dados sobre comprimento muscular ajudam a qualificar a discussão. Em 19 participantes avaliados em nove combinações de ângulos de quadril e joelho, o torque isométrico de flexão aumentou quando os posteriores biarticulares estavam mais alongados. A atividade eletromiográfica, porém, não mudou de maneira consistente com o comprimento. Mais força ou uma sensação diferente não autorizam uma narrativa simples sobre qual trecho do músculo recebeu mais estímulo. “Eu senti mais” não mede hipertrofiaA sensação durante a série informa esforço, ardência, fadiga, desconforto, instabilidade ou dor. Ela não mede diretamente hipertrofia, síntese proteica, tensão mecânica interna ou recrutamento motor. O contexto, a expectativa e a novidade do movimento também influenciam o que a pessoa percebe. Experimentar uma variação pode ser válido para avaliar conforto e controle. O erro é usar a sensação como prova de uma explicação fisiológica. Se uma mudança faz o rolete escorregar, o joelho sair do eixo e a repetição ficar desconfortável, sentir “mais” pode significar apenas que a execução piorou. Checklist concreto para a próxima sérieo pivô da máquina está próximo do centro lateral do joelho a patela está livre da borda do banco o rolete está na parte distal da perna, próximo do tornozelo o rolete não migra de forma evidente pela tíbia o joelho não sobe nem desce durante a repetição a pelve permanece confortável, sem uma postura forçada para “isolar” uma ponta do músculo a carga permite controlar subida e descida sem levantar o corpo do apoio dor articular ou sintomas neurológicos não são tratados como ardência normal de treino Esse checklist não depende de uma frase de efeito. Ele permite observar a execução, corrigir o aparelho e decidir se a carga cabe no movimento. Conhecimento em uma área não se transfere automaticamenteUm atleta pode dominar pose, preparação para o palco e percepção do próprio corpo sem dominar biomecânica ou prescrição. Da mesma forma, formação acadêmica em treinamento não torna alguém especialista em arbitragem, bronzeamento ou apresentação competitiva. Essa distinção não diminui a carreira de ninguém. Ela apenas impede que resultado físico seja usado como certificado para qualquer afirmação técnica. Na sala de musculação, autoridade deve acompanhar a qualidade da explicação, a coerência mecânica e a possibilidade de conferir o que foi afirmado. ConclusãoA mesa flexora fica mais fácil de entender quando o excesso de linguagem é retirado. Primeiro, alinhe o joelho ao eixo da máquina. Depois, coloque o rolete próximo do tornozelo, estabilize o corpo e confirme que os dois não migram durante a repetição. Posição do quadril e comprimento muscular podem influenciar força e hipertrofia quando as diferenças são reais e controladas, como na comparação entre flexora sentada e deitada. Isso é muito diferente de prometer tensão distal por uma pequena manobra pélvica. O ajuste básico continua sendo a parte mais importante. FAQOnde o joelho deve ficar na mesa flexora?O centro lateral do joelho deve ficar próximo do pivô do braço móvel. A patela precisa ficar livre da borda do banco e o joelho não deve subir ou descer durante a série. Onde posicionar o rolete?Na parte distal da perna, próximo do tornozelo e acima do calcanhar. Colocá-lo muito perto do joelho reduz o braço de resistência. Apoiar diretamente sobre o tendão de Aquiles pode causar desconforto. Arquear a lombar na mesa flexora é sempre errado?Não. Uma leve mudança pode ser uma compensação confortável. O problema é forçar a postura, perder o alinhamento ou usar a manobra como tratamento improvisado para dor lombar. Flexora sentada é melhor que flexora deitada?Um estudo de 12 semanas encontrou maior aumento total dos posteriores na versão sentada, 14% contra 9%. Isso favorece o treino em maior comprimento muscular, mas não torna a flexora deitada inútil. Sentir mais a parte de baixo do posterior prova maior hipertrofia distal?Não. Sensação local não mede crescimento futuro. Uma conclusão regional exige comparação controlada e medidas de adaptação, não apenas percepção durante a série. ReferênciasGENTIL, Paulo. Falta conhecimento básico e sobra enrolação no fisiculturismo. [S. l.], 30 jul. 2026. YouTube. Disponível em: https://youtu.be/ptXDc4kqhOM. Acesso em: 1 ago. 2026. MAEO, Sumiaki et al. Greater Hamstrings Muscle Hypertrophy but Similar Damage Protection after Training at Long versus Short Muscle Lengths. Medicine & Science in Sports & Exercise, 2021. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33009197/. Acesso em: 1 ago. 2026. MOHAMED, Olfat et al. Relationship between wire EMG activity, muscle length, and torque of the hamstrings. Clinical Biomechanics, 2002. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12243716/. Acesso em: 1 ago. 2026. YANAGISAWA, Osamu. FUKUTANI, Atsuki. Muscle Recruitment Pattern of the Hamstring Muscles in Hip Extension and Knee Flexion Exercises. Journal of Human Kinetics, 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32269647/. Acesso em: 1 ago. 2026. PIZZIMENTI, M. A. Mechanical analysis of the Nautilus leg curl machine. Canadian Journal of Sport Sciences, 1992. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/1322768/. Acesso em: 1 ago. 2026.
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1 CICLO, LOW DOSE DECA+DURA?
Bruno, respondi com calma no seu outro tópico, aquele com o formulário preenchido, para não deixar a conversa dividida em dois lugares. Vale ler lá. Resumo do que está escrito: a dor articular que te motivou a pensar em ciclo tem uma explicação bem mais provável no seu próprio relato, que é correr duas horas por dia, sete dias por semana, com apenas seis meses de estrada e sem um dia de descanso. E o ponto que mais me preocupou é que a nandrolona alivia dor articular sem consertar a causa, ou seja, ela apagaria justamente o aviso que está te impedindo de piorar a lesão. Respondendo à sua pergunta prática: você não consegue apagar o tópico por conta própria depois de um tempo. O caminho é acionar um moderador pelo botão de reportar, no próprio post, pedindo a exclusão ou a fusão com o outro. Mas, na boa, não precisa. Tópico duplicado de novato não incomoda ninguém aqui, e ele acaba servindo para alguém que vier pesquisar depois. E o Logan fez a coisa certa de te mandar o modelo do formulário em vez de simplesmente responder no escuro. Foi por causa disso que deu para te dar uma resposta útil.
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Primeiro ciclo durateston: faço por 10 semanas?
Thor, você fez duas perguntas e vou responder as duas, mas antes preciso pegar uma frase que passou no meio do seu post e que é mais urgente que qualquer uma delas. Você escreveu que hoje sentiu um leve desconforto no peito. Na sexta semana de quinhentos miligramas semanais de um composto que aromatiza bem, sem inibidor nenhum e sem nenhum exame de sangue, desconforto ou sensibilidade atrás do mamilo é o primeiro sinal de ginecomastia, e é assim mesmo que ele começa: sem coceira e sem nódulo palpável. O nódulo vem depois. Isso importa porque essa é a única fase em que o problema ainda é reversível com medicação. Depois que o tecido glandular se organiza e vira aquele caroço firme embaixo do mamilo, remédio não desfaz mais, e a solução passa a ser cirúrgica. Então, na prática, a coisa mais útil que você pode fazer esta semana não é decidir entre oito e dez semanas. É pedir um exame de estradiol, junto com testosterona total e prolactina, e ver o número. Sem exame, quem toma inibidor está adivinhando, e adivinhar para baixo tem custo próprio, porque estrogênio no chão dá dor articular, libido zerada, humor ruim e piora do colesterol. Com o número na mão a conduta se resolve sozinha. E vale saber que existe uma alternativa que muita gente ignora: o raloxifeno é o mais eficaz para tratar ginecomastia já iniciada, mais que o tamoxifeno para essa finalidade específica, e não mexe com o estrogênio do resto do corpo. Isso é conversa para médico, mas é bom você chegar sabendo que existe. Agora as suas perguntas. Sobre levar até a décima semana, a resposta técnica é que dez semanas é uma duração absolutamente normal, e parar na oitava não tem nada de especial. O tempo não é o que decide aqui. O que decide é o que está acontecendo com você: se o sinal no peito evoluir, ou se algum exame vier ruim, encerrar antes é a decisão certa independentemente da semana. E existe um ponto que pesa a favor de não esticar por esticar: quanto mais longo o ciclo, mais longa e mais incerta a recuperação depois. Estender duas semanas rende pouco e cobra caro. Sobre a terapia pós ciclo sem clomifeno, ela está adequada. Tamoxifeno sozinho é um protocolo legítimo e bem documentado, e os vinte e oito dias que você desenhou, com quarenta miligramas na primeira metade e vinte na segunda, são um esquema comum. Clomifeno não é obrigatório, e para muita gente ele cobra um preço em humor e em visão que o tamoxifeno não cobra. Só que aqui está o erro que quase todo mundo comete e que faz mais estrago que a escolha do remédio: o momento de começar. O durateston não é um éster só. Ele tem quatro, e o mais longo deles é o decanoato, que continua liberando testosterona por bastante tempo depois da última aplicação. Se você começar a terapia pós ciclo no dia seguinte ao último shot, ela vai rodar em cima de um corpo ainda cheio de testosterona exógena, ou seja, vai ser gasta à toa, e quando os níveis realmente caírem você já não vai ter mais remédio. O intervalo que faz sentido para o durateston é começar por volta de duas a três semanas depois da última aplicação. Muita recuperação ruim que se atribui a protocolo fraco é, na verdade, protocolo certo na hora errada. E vale um exame de controle depois, umas quatro a seis semanas após o fim da terapia, medindo testosterona total, LH e FSH. É o único jeito de saber se o eixo voltou de verdade ou se você só está se sentindo bem porque ainda sobrou alguma coisa. Por fim, uma observação sobre as medidas, sem nenhuma intenção de diminuir o seu resultado. Você relata cinco centímetros de braço e treze de peito com três quilos e meio de ganho de peso. Esses números não fecham entre si: treze centímetros de circunferência de tórax exigiriam vários quilos de tecido só ali. Provavelmente houve diferença na forma de medir, coisa que acontece muito quando a primeira medida foi tirada frio e relaxado e a segunda foi tirada depois do treino, ou com a fita em altura um pouco diferente. Isso não é detalhe bobo, porque medida é o seu instrumento para decidir se o próximo ciclo vale a pena. Vale medir sempre no mesmo horário, sem treinar antes, e anotar exatamente onde a fita passou. Três quilos e meio limpos em seis semanas, com a barriga diminuindo, já é um bom resultado sem precisar de número inflado. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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PRIMEIRO CICLO (LOW DOSE DECA+DURA)?
Bruno, seu post ficou sem resposta e tem um detalhe nele que muda completamente a conversa, então começo por ele. Você não quer o ciclo para crescer. Você quer por causa de dor articular na perna, que apareceu depois que começou a correr. E olhando o que você descreveu, essa dor tem uma explicação bem mais simples que hormônio. Você treina duas horas por dia, sete dias por semana, corre há apenas seis meses e não tem um único dia de descanso na semana. Dor articular em membro inferior num corredor de seis meses de estrada é praticamente o quadro esperado, e o nome disso é lesão por sobrecarga. O tecido conjuntivo, que é tendão, cartilagem e osso, se adapta muito mais devagar que o músculo e o coração. Você fica com fôlego para correr bem antes de ter perna preparada para aguentar o impacto de correr, e é aí que a dor aparece. Um corpo de cinquenta e oito quilos batendo no chão umas mil vezes por quilômetro, todo dia, sem dia nenhum de folga, não tem quando se recuperar. A parte que me preocupa de verdade é essa: nandrolona alivia dor articular. Muita gente relata exatamente isso, e não é impressão. O problema é que aliviar a dor não conserta nada. A dor é o único aviso que o seu corpo tem para te dizer que aquela estrutura está sendo agredida além do que ela suporta. Tirar o aviso e continuar correndo duas horas por dia é a receita para transformar uma tendinopatia que se resolveria em oito semanas numa lesão séria, ou até numa fratura por estresse, que costuma doer pouco até o dia em que quebra. Na prática, você estaria comprando a permissão para continuar fazendo exatamente aquilo que está causando o problema. O que resolve dor de sobrecarga em corredor é bem menos glamouroso. Colocar pelo menos um dia de descanso completo na semana, e de preferência dois. Não subir volume mais que uns dez por cento por semana. Trocar parte do asfalto por piso mais macio. Conferir se o tênis já não passou da vida útil, que gira em torno de seiscentos a oitocentos quilômetros. E, principalmente, treinar força de perna pesado, porque agachamento, terra, avanço e panturrilha são o que engrossa tendão e osso e protege articulação em corredor. Isso tem evidência boa e é o oposto do que a maioria faz, que é abandonar o peso quando começa a correr. Se a dor for localizada e persistir, vale investigar de verdade com um ortopedista antes de qualquer outra coisa, porque canelite, fascite, condropatia e fratura por estresse têm condutas diferentes e a diferença importa. Sobre o ciclo em si, alguns pontos objetivos. Cinco meses de deca é tempo longo para um primeiro ciclo, e a deca é justamente o composto com a pior fama de derrubar libido e de mexer com prolactina, coisa que se resolve mal quando não há uma base de testosterona junto. E o decanoato é um éster que demora, ou seja, ele continua no seu corpo por dois a três meses depois da última aplicação, e a recuperação só começa quando ele sai. Não é uma decisão que se desfaz mudando de ideia no mês seguinte. Meio mililitro também não é uma dose. Frasco de nandrolona existe em concentrações bem diferentes, e o mesmo meio mililitro pode ser vinte e cinco ou cem miligramas. Quem raciocina em mililitro em vez de miligrama acaba usando três ou quatro vezes o que pensava estar usando. E existe um ponto específico do seu caso: se você corre prova, mesmo que amadora com controle, a nandrolona é dos compostos com janela de detecção mais longa que existe, chegando a mais de um ano depois da última aplicação. Vale saber disso antes, e não depois. Por fim, um comentário sobre a dieta, que também tem algo estranho. Você escreveu duzentos gramas de proteína e cento e cinquenta de carboidrato por refeição, em cinco refeições. Se for isso mesmo por refeição, dá mil gramas de proteína por dia, o que é impossível de comer e não faria sentido nenhum. Se você quis dizer o total do dia, então duzentos de proteína está bom para cinquenta e oito quilos, mas cento e cinquenta de carboidrato é pouquíssimo para quem corre duas horas por dia. E aí temos outra hipótese para o seu problema, porque correr muito comendo pouco carboidrato é uma das causas mais bem descritas de perda de densidade óssea e de dor por sobrecarga em corredor. Vale conferir esse número com carinho, porque pode ser que a solução do seu problema esteja no prato e não na ampola. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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ANTIBIÓTICO E DUTASTERIDA, contra indicação?
Alucard, você fez uma pergunta objetiva no título e ela ficou sem resposta, então começo por ela. Entre tetraciclina, dutasterida, tamoxifeno e testosterona não existe interação relevante que impeça o uso conjunto por seis dias. Mas a tetraciclina tem duas exigências práticas que, se não forem respeitadas, fazem o antibiótico simplesmente não funcionar, e elas atingem em cheio quem treina. A primeira é que ela se liga a cálcio, ferro, zinco e magnésio e vira um composto que o intestino não absorve. Ou seja, tomar tetraciclina junto com leite, whey, iogurte, queijo, suplemento de zinco ou magnésio, ZMA, multivitamínico ou antiácido pode anular boa parte da dose. O jeito certo é tomar com água, de estômago vazio, uma hora antes ou duas horas depois de qualquer uma dessas coisas. Se você tomou os comprimidos junto do shake, é bem possível que o remédio nem tenha chegado onde precisava. A segunda é que ela deixa a pele muito mais sensível ao sol, com risco de queimadura séria mesmo em exposição curta. Vale evitar sol enquanto estiver tomando. Agora, o ponto mais importante, e é sobre o tratamento em si. Seis dias de antibiótico não tratam acne. Servem para conter uma inflamação aguda, e é provavelmente essa a intenção do seu médico. Mas o tratamento de acne inflamatória com antibiótico oral, quando indicado, roda por volta de oito a doze semanas, sempre acompanhado de tratamento tópico. Ou seja, seis dias não iam resolver mesmo, e a sensação de que nada funciona não é culpa sua nem prova de que o seu caso é impossível. E aqui está o que eu acho que precisa mudar de rumo. Você descreve acne inflamatória severa em ombros e costas, a ponto de não tirar a camisa, com autoestima no chão e noites sem dormir. Isso, em dermatologia, não é um caso de sabonete e pomada. É exatamente o quadro em que se indica isotretinoína oral, aquela conhecida como Roacutan, que é o único tratamento que resolve acne desse grau de forma definitiva na maioria das pessoas. Ela precisa de dermatologista, exige exame de sangue de controle e leva meses, mas funciona. Você escreveu que foi ao dermatologista e foi em vão. Vale perguntar o que ele prescreveu. Se foi apenas tópico e sabonete, o tratamento foi subdimensionado para o que você tem, e a conclusão certa não é que dermatologista não resolve, é que aquele tratamento era leve demais. Vale voltar, ou procurar outro, e ser explícito sobre duas coisas: que você usa androgênios, porque isso muda a conduta e o médico precisa saber, e que a acne está afetando o seu sono e o seu humor, porque isso pesa formalmente na decisão de partir para tratamento sistêmico. Sobre a dutasterida, três correções que valem dinheiro e tempo. Ela não é remédio para acne. A indicação dela é próstata e queda de cabelo, e o efeito sobre pele oleosa é indireto e pequeno. Oito dias não dizem nada. A dutasterida tem meia vida em torno de cinco semanas, que é das mais longas que existem entre os remédios comuns. Ela leva meses para atingir efeito pleno, e leva meses para sair depois que você para. Ou seja, não deu tempo de funcionar, e parar não fez o efeito acabar. Ela ainda está no seu corpo. E, por causa disso, qualquer novo exame de DHT feito agora vai vir baixo por causa dela, e não vai te dizer nada sobre o seu estado real. Sobre aquele DHT acima de dois mil e quinhentos, repito o que já comentei em outro tópico: esse valor está fora de qualquer faixa usual, e antes de construir qualquer conduta em cima dele vale conferir a unidade e o intervalo de referência impressos no laudo. Não é raro esse tipo de número sair de unidade diferente da esperada, e seria uma pena tratar um problema que só existe na leitura do papel. Por fim, o que me parece o nó principal. Você está tomando tamoxifeno, que é uma medicação de recuperação do eixo, ao mesmo tempo em que aplica cento e cinquenta miligramas de testosterona por semana, que é o que mantém o eixo desligado. As duas coisas se anulam. Enquanto isso continuar assim, nenhum exame vai fazer sentido e nenhum ajuste vai ter efeito visível, porque não dá para saber o que está causando o quê. Escolher um caminho e segui-lo por algumas semanas é o que permite enxergar qualquer coisa. E uma palavra fora da parte técnica: isso que você está sentindo, de evitar tirar a camisa e perder o sono por causa da pele, é levado a sério pela medicina e é o próprio motivo pelo qual se libera tratamento mais forte. Não é frescura, e tem solução. Vale insistir. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Como perder a gordura abdominal?
O pessoal acertou ao dizer que aqueles quatro por cento não fecham, mas ninguém explicou de onde veio o número, e essa explicação vale mais que a discussão, porque resolve o mal-entendido em vez de só negá-lo. Dav1d, você escreveu que a avaliação deu quatro por cento no peito e na perna e um valor maior na barriga. Isso já mostra o que aconteceu: adipômetro não mede percentual de gordura por região. Ele mede a espessura da dobra de pele em milímetros, em pontos específicos do corpo, e depois joga esses milímetros numa equação que estima o percentual do corpo inteiro. Ou seja, aqueles números por região eram milímetros de dobra, não porcentagens. Quatro milímetros de dobra no peito é um valor completamente normal em rapaz jovem e magro, e não tem relação nenhuma com quatro por cento de gordura corporal. Provavelmente o seu instrutor leu a planilha errado, ou passou os valores brutos como se fossem o resultado final. E isso encerra também a segunda parte da conversa: não existe gordura de quatro por cento concentrada num lugar só. Percentual de gordura é uma medida do corpo inteiro. A distribuição, sim, varia de pessoa para pessoa, e no homem a barriga costuma ser o último lugar a esvaziar, o que é genético e não muda com exercício localizado. O que me leva à pergunta do título, que ficou sem uma resposta clara. Não existe queima localizada. Nenhum exercício retira gordura da região em que ele é feito, porque a gordura é mobilizada do corpo inteiro pela corrente sanguínea, e a ordem em que ela sai é determinada pela sua genética. Abdominal fortalece o abdômen e não descobre o abdômen. E, aproveitando o conselho que apareceu no fim do tópico, treinar oblíquo pesado não ajuda na definição e ainda tende a alargar a cintura, que é justamente o efeito estético contrário ao que quase todo mundo procura. Sobre a batata doce, que foi o que motivou o tópico. Ela é um bom alimento, mas o motivo pelo qual você a escolheu não se sustenta. Primeiro, ela não é de baixo índice glicêmico: cozida fica em torno de sessenta, e assada passa de oitenta, ou seja, mais alta que a de muito arroz. Segundo, e mais importante, índice glicêmico não determina ganho ou perda de gordura. O que determina é quanto você come no total do dia. Trocar arroz por batata doce comendo a mesma quantidade de calorias não emagrece ninguém, e o lucask estava certo ao brincar com isso. Uma correção necessária sobre a última sugestão que apareceu aqui, de dormir com cinta elástica comprimindo o abdômen, ou enrolar a barriga em papel filme para esquentar. Isso não queima gordura nenhuma. O que acontece é suor, ou seja, perda de água, que volta assim que você bebe algo, e é exatamente por isso que a roupa sai molhada. Além de não funcionar, cinta apertada usada a noite toda atrapalha a respiração durante o sono e empurra pressão para baixo, sobre o assoalho pélvico. É desconforto sem retorno. E, respondendo à sua última pergunta, sobre as três mil e duzentas calorias. Você calculou gastar duas mil e duzentas, o que já me parece subestimado para setenta e oito quilos treinando, mas suponha que esteja certo. Três mil e duzentas seriam mil calorias de excedente por dia. Isso é muito. O corpo tem um teto de quanto músculo consegue construir por semana, e ele é baixo, então um excedente entre trezentas e quinhentas calorias por dia já cobre qualquer taxa de ganho possível. O que passa muito disso vira gordura, e ironicamente ia parar justamente na barriga que te incomodava. O caminho no seu caso é o que o riovip e o fabio já tinham apontado: você não estava gordo, estava com pouco músculo. Comer um pouco acima da manutenção, treinar pesado com progressão de carga, e deixar dois anos passarem. A barriga que te incomodava some sozinha quando o resto do corpo cresce ao redor dela.
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Dicas de aparelhos para treinar em casa: quem tem ou já teve?
A pergunta que abriu este tópico foi feita três vezes e só recebeu resposta direta no último post. Ela é boa e continua atual, então vale respondê-la de verdade, e de quebra existe um detalhe técnico que resolve a discussão inteira que tomou conta daqui e que ninguém levantou. Começando pela dúvida do gNr. Ele já ia comprar halteres, barra e anilhas, e queria saber se valia a pena somar uma estação barata para fazer supino, puxada e scott, sendo que o máximo dele no supino era sessenta quilos. A resposta é não, e por um motivo de prioridade. Com pesos livres já garantidos, a estação barata acrescenta pouquíssimo, e o pouco que ela acrescenta com exclusividade é a puxada alta. Se o orçamento é limitado, a ordem que rende mais, do primeiro ao último item, é esta: Barra, anilhas e presilhas. É onde estão o agachamento, o terra, o supino, a remada e o desenvolvimento, ou seja, tudo que realmente constrói. Um banco regulável firme. Firme importa mais que regulável, mas os dois ajudam. Um suporte para a barra, seja um par de cavaletes, seja um rack. Sem isso, metade dos exercícios acima fica inviável ou perigosa. Uma barra fixa, de porta ou de parede. Ela substitui a puxada alta com vantagem, porque puxada com o próprio peso é mais difícil que a maioria das puxadas de estação, e continua progredindo por anos, primeiro com elástico ajudando, depois livre, depois com peso pendurado. Halteres, de preferência ajustáveis, com barras curtas que aceitem as mesmas anilhas da barra grande. Isso economiza muito espaço e dinheiro. Feito isso, sobra praticamente nada que a estação faria e que já não esteja coberto. Agora o detalhe técnico que encerraria a briga entre o Rbr e o Locemar, e que os dois discutiram sem saber. Comparar carga de estação com carga de aparelho de academia usando o número da placa ou a contagem de tijolos não funciona, porque o que chega na sua mão depende da relação de polias do equipamento. Muitas estações domésticas usam redução de dois para um, ou seja, cada dois quilos empilhados chegam como um quilo na alça. Aparelhos de academia usam relações diferentes entre si, e o peso de cada tijolo também varia de fabricante para fabricante, de cinco a dez quilos. Por isso o argumento de que aguenta cento e setenta quilos e o argumento de que o fisiculturista usa vinte e um tijolos não se conversam: são unidades diferentes. O único jeito honesto de comparar é pendurar um peso conhecido na alça e ver quantos tijolos ele levanta. Quem tiver estação em casa e fizer esse teste vai descobrir o número real do próprio equipamento em cinco minutos, e provavelmente vai se surpreender. E agora a coisa que mais me chamou atenção: trinta e cinco posts sobre treinar em casa e ninguém falou de segurança. Quem treina sozinho não tem quem tire a barra do peito. Supino sozinho, sem nada embaixo, é o acidente mais clássico e mais grave da musculação caseira, e acontece justamente com quem já treinava bem e confiava na própria força num dia ruim. Existem três soluções e qualquer uma resolve. A primeira é usar halteres para os empurrões quando estiver sozinho, porque halter você simplesmente solta ao lado do corpo. A segunda é ter barras de segurança ou cavaletes ajustados na altura do peito, que seguram a barra se ela descer. A terceira, para quem não tem nem uma coisa nem outra, é fazer supino sem presilha nas pontas: se travar, você inclina a barra para um lado e as anilhas escorregam para fora. Feio, barulhento e salva vida. O mesmo vale para o agachamento com barra nas costas em casa, que sem suporte de segurança só deve ser feito com carga que você tenha certeza de conseguir devolver, ou substituído por agachamento com halteres. E, sobre a discussão de treinar em casa ser desculpa de preguiçoso, a experiência de todo mundo aponta para outra coisa. O que decide resultado a longo prazo é constância, e o maior motivo de abandono não é falta de aparelho, é deslocamento, trânsito, horário e chuva. Um treino simples que a pessoa faz todos os dias na garagem entrega mais do que um treino perfeito numa academia completa que ela frequenta três vezes por mês. Quem só tem barra, anilhas e uma barra fixa em casa tem tudo o que precisa para ficar grande, e isso ficou ainda mais claro nos anos em que o mundo inteiro teve as academias fechadas.
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Não está crescendo? Não consegue descobrir o porquê? Entre aqui!
Este tópico é de dois mil e cinco e continua sendo lido. Ele acertou o essencial, que é a parte sobre balanço de energia, e essa parte não envelheceu um dia. Mas duas perguntas feitas aqui nunca foram respondidas direito, e uma delas foi respondida ao contrário do que se sabe hoje. Vale consertar, porque é justamente onde as pessoas se perdem. O toalhaman perguntou se eram mesmo necessárias todas aquelas calorias a mais, e disse ter lido que umas seiscentas extras bastavam. A resposta que ele recebeu foi que quanto mais calorias extras, maior a massa ganha. Essa frase é a parte do tópico que não se sustenta, e o toalhaman estava mais perto de certo do que quem respondeu. O motivo é simples: a construção de músculo tem teto. Por mais comida que entre, o corpo tem um limite de quanto tecido novo consegue montar por semana, e esse limite é bem baixo. Um iniciante bem alimentado e bem treinado constrói algo em torno de um quilo de músculo por mês nos primeiros meses. Depois de alguns anos de treino, esse número cai para bem menos que a metade. Um quilo de músculo por mês exige por volta de duzentas a trezentas calorias extras por dia. Tudo que entrar muito além disso não tem para onde ir como músculo, e vira gordura de forma bastante eficiente. Ou seja, a resposta prática é que um excedente entre trezentas e quinhentas calorias por dia cobre praticamente qualquer taxa de ganho possível. Comer mil calorias a mais não faz crescer o dobro, faz engordar o dobro. E isso responde também o rodrigo, que perguntou se ganhar alguma gordura era inevitável: é, sempre existe alguma, mas a proporção depende quase inteiramente do tamanho do excedente. Excedente pequeno com treino puxado significa boa parte músculo. Excedente grande significa boa parte gordura, e a gordura ainda cobra o preço depois, porque tirar dois quilos custa mais tempo do que ganhar dois. O jeito de acertar isso sem calculadora é usar a balança como termômetro. Iniciante pode mirar em torno de meio a um por cento do peso corporal por mês. Quem já treina há anos deve mirar bem menos, algo como meio quilo por mês. Se o peso está subindo mais rápido que isso, o excesso não está virando músculo. Se está parado por três semanas seguidas, some duzentas calorias e reavalie. O segundo ponto é sobre a regra central do Massive Eating, e é o que eu mais gostaria que ficasse registrado aqui. O protocolo original manda nunca combinar carboidrato e gordura na mesma refeição, separando as refeições em umas de proteína com carboidrato e outras de proteína com gordura, por causa da resposta de insulina. Essa é a parte que não se confirmou. A pesquisa dos anos seguintes mostrou que o que determina ganho ou perda de gordura é o balanço calórico do dia inteiro, e não a combinação de macronutrientes dentro de cada prato. O próprio autor do artigo revisou essa posição depois. Na prática isso significa que arroz com feijão e um fio de azeite, ou pão com ovo e abacate, não sabotam nada, e que a pessoa que passa o dia inteiro fazendo malabarismo para não juntar carboidrato com gordura está gastando disciplina que renderia muito mais se aplicada em bater a proteína do dia e a carga do treino. Aproveito para atualizar duas outras coisas que apareceram no tópico e viraram lei por aí. A primeira é que carboidrato à noite engorda. Não engorda. O que existe é o total do dia. Comer arroz às dez da noite não muda a conta, e para muita gente comer carboidrato à noite melhora o sono e a adesão à dieta, que é o que realmente decide resultado a longo prazo. A segunda é a janela pós treino. Ela é bem mais larga do que se pensava. Se você comeu uma refeição decente uma ou duas horas antes de treinar, os aminoácidos ainda estão circulando, e a pressa de tomar o shake nos trinta minutos não muda praticamente nada. O que importa é a proteína total do dia, algo entre um vírgula seis e dois vírgula dois gramas por quilo, distribuída em três a cinco refeições. Muita gente já perdeu dinheiro comprando o suplemento certo para o momento errado do problema. E, sobre o que continua valendo integralmente do tópico original: se você treina há tempo e não cresce, a comida é o suspeito número um. Nisso o Mc_Mike estava certo em dois mil e cinco e continua certo agora. Uma última: quem duvidou aqui pedindo foto errou o alvo. O texto não vale por causa do físico de quem posta, vale ou não vale pelo que está escrito. E boa parte dele valeu por vinte anos.
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Alguém já teve lesão no ombro fazendo supino?
Este tópico atravessou três anos, terminou bem, e continua sendo um dos primeiros achados por quem pesquisa lesão SLAP e supino. Justamente por isso vale atualizar algumas coisas, porque o principal obstáculo que travou todo mundo aqui, o exame de dois mil reais que o plano não cobria, não é mais o mesmo problema. O rol de procedimentos da ANS foi revisado muitas vezes desde dois mil e oito, e a ressonância com contraste intra-articular deixou de ser aquela zona cinzenta que o Mike descreveu. Se um médico indicar por escrito, o caminho hoje é: pedir a solicitação com o CID e a justificativa clínica, apresentar ao plano, e, se vier negativa, exigir a negativa por escrito. Com ela em mãos, abrir reclamação na ANS pelo canal de intermediação de conflitos, que é gratuito, feito pelo site ou pelo telefone, e resolve boa parte dos casos em poucos dias sem precisar de advogado. Muita gente desiste na primeira negativa do atendente, e é exatamente aí que se perde o direito por cansaço. Vale lembrar também que hospital universitário e ambulatório de ortopedia do SUS fazem esse exame. E agora uma correção importante, porque ficou registrada aqui uma orientação que pode custar caro a quem seguir. Foi sugerido que, ao contratar um plano novo, a pessoa não declarasse a lesão já existente. Isso é o pior caminho possível. Omitir doença preexistente conhecida é considerado fraude, e o resultado prático é que o plano pode negar justamente a cirurgia que você quer fazer e, no limite, cancelar o contrato, muitas vezes depois de você já ter pago mensalidades por anos. O caminho certo é o contrário: declarar. Ao declarar, aplica-se a cobertura parcial temporária, que dura vinte e quatro meses e restringe apenas procedimentos de alta complexidade ligados àquela lesão específica. Consulta, fisioterapia e exames seguem cobertos nesse período. Ou seja, declarar custa espera, omitir custa o direito inteiro. Sobre a parte clínica, três pontos que mudaram bastante nesses anos e que valem para quem chegar aqui hoje. O primeiro é que a escolha nunca foi só entre operar e nunca mais treinar, como aparece no tópico. Boa parte das lesões do lábio superior responde a reabilitação bem feita, e isso muda o cálculo de forma decisiva. Só que existe uma armadilha aqui: várias pessoas disseram que fizeram fisioterapia e não adiantou. Vale perguntar que fisioterapia foi essa. Três meses de ultrassom, corrente e alongamento não são tratamento para isso, e é exatamente o que muita clínica oferecia na época. O que funciona é reabilitação de carga progressiva, com trabalho de manguito rotador e, principalmente, de controle da escápula, que é a base sobre a qual o ombro se move. Fisioterapia sem carga que aumenta é massagem cara. O segundo é que a idade pesa na decisão cirúrgica. Em pessoa acima dos trinta e cinco ou quarenta anos, os resultados de reparo do lábio costumam ser piores do que em jovem, e em muitos casos se prefere a tenodese do bíceps, que é outro procedimento e resolve melhor a dor. Quem for operar hoje vale perguntar ao cirurgião especificamente sobre isso, porque são condutas diferentes com recuperações diferentes. O terceiro é que achado de exame não é diagnóstico sozinho. Alteração no lábio superior aparece com frequência em ressonância de gente sem dor nenhuma, sobretudo depois dos quarenta, porque também faz parte do desgaste normal. O que define conduta é a soma do exame com o quadro clínico e com os testes físicos, e não a imagem isolada. Por fim, o que evita esse problema, já que o mecanismo que o Mike descreveu é o mais comum de todos. Ele colocou o banco perto de noventa graus por pressa e sentiu na descida. Nessa inclinação o supino deixa de ser supino e vira desenvolvimento, com o ombro em abdução e rotação externa máximas, que é a posição de maior tensão sobre a cápsula anterior e sobre o lábio. Na prática, para quem quer proteger o ombro: inclinação entre trinta e quarenta e cinco graus e nunca mais que isso, cotovelos entre quarenta e cinco e sessenta graus em relação ao tronco em vez de abertos em noventa, halteres em vez de barra quando o ombro já reclama, e conferir o pino do banco antes de deitar, sempre, mesmo com pressa. E os dois exercícios que mais aparecem em relato de dor de ombro, puxada atrás da nuca e desenvolvimento atrás da nuca, não têm nenhuma vantagem que compense o risco. Uma observação para quem perguntou sobre glucosamina para acelerar a recuperação: ela não tem efeito demonstrado sobre cicatrização de lábio ou de tendão. O dinheiro rende mais em sessões de fisioterapia. Mike, bom saber que deu certo e que você voltou a treinar. Esse tópico ajudou muita gente a descobrir o nome do que tinha. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Bulk limpo ou cutting? Fotos
Neemu, o tópico é de outra era e você provavelmente já virou outra pessoa, mas a sua pergunta continua sendo uma das mais feitas do fórum e nunca foi respondida direito aqui. Um disse cutting, outro disse bulk limpo, outro disse bulk leve, e o assunto virou a marca da sua cueca. Vou responder de verdade, para você e para quem cair neste tópico procurando a mesma coisa. A resposta, no seu caso específico, é: nenhum dos dois. Você tinha dezessete anos, um metro e setenta e quatro, setenta e dois quilos, uma semana de volta ao treino e o que o pessoal descreveu como barrigudinho mas não gordo. Essa é exatamente a situação em que a escolha entre bulk e cutting não faz sentido, porque quem está começando ou recomeçando consegue as duas coisas ao mesmo tempo: ganhar músculo e perder gordura, comendo por volta da manutenção. Isso não vale para todo mundo, e é justamente por isso que a discussão bulk contra cutting existe entre gente treinada. Mas para o iniciante, o corpo responde tão fácil a qualquer estímulo novo que ele constrói e queima ao mesmo tempo por um bom tempo. Essa janela dura um ou dois anos e não volta mais. Passar esse período fazendo bulk agressivo e depois sofrendo para tirar a gordura é o desperdício mais comum que existe. Traduzindo em prática: comer perto da manutenção, botar a proteína no lugar, treinar pesado e deixar a balança quase parada enquanto o espelho e a fita métrica mudam. E aqui está a parte que ninguém fez no tópico: contar a proteína da sua dieta. Somando o que você postou, dá algo em torno de setenta gramas por dia. Um copo de leite, um ovo, cem gramas de frango no almoço, cem no jantar, e o resto é pão, banana e batata. Para setenta e dois quilos, a faixa que sustenta ganho de músculo fica entre cento e dez e cento e quarenta e cinco gramas. Ou seja, você estava com aproximadamente metade do necessário. Esse é o motivo real de treino que não rende, e nenhuma discussão sobre bulk ou cutting resolveria isso. Você disse que não tinha como comprar suplemento e que os seus pais não iriam bancar. Isso não é impedimento nenhum, e essa era a informação mais útil que você poderia ter recebido. Proteína barata existe e é comida de mercado: Ovo, que continua sendo a melhor relação entre proteína e preço. Seis ovos por dia é normal e não faz mal a jovem saudável. Leite em pó, que rende muito e é fácil de bater com aveia e banana. Um copo de leite bem cheio de leite em pó substitui shake com folga. Sardinha em lata, que é barata, tem proteína e ômega três. Frango em coxa e sobrecoxa, bem mais barato que peito e com quase a mesma proteína. Carne moída de segunda, patinho ou acém, comprada em quantidade. Fígado bovino, que é dos alimentos mais baratos do açougue e um dos mais densos em ferro, zinco e vitamina A que existem. E arroz com feijão de verdade, no volume certo, que era justamente o que faltava na sua lista, junto com o broto de feijão que quase não conta. Duas correções pequenas de dieta: três colheres de Nescau são quase trinta gramas de açúcar logo cedo, e trocar isso por café com leite não muda nada no seu prazer e libera calorias para comida de verdade. E aquela ceia de duas bananas seria bem melhor como leite com aveia ou ovo cozido, porque a fruta sozinha à noite não entrega proteína nenhuma. Sobre a última pergunta, a do treino que o professor montou, que também ficou sem resposta clara: a divisão dele está boa e você não precisava mudar nada. Cada grupo sendo treinado duas vezes por semana é melhor do que uma, e quarenta e oito horas entre uma sessão e outra do mesmo músculo é suficiente para um iniciante, porque a carga que você usa ainda é leve para o que o corpo aguenta. O que decide o resultado nesse ponto não é a distribuição dos dias, é subir carga com constância e anotar isso em algum lugar. E, olhando de longe: a maior vantagem que você tinha era ter dezessete anos e estar começando. Isso vale mais que qualquer suplemento e mais que qualquer estratégia de dieta com nome bonito. Sinto que o tópico tenha virado piada com a sua foto. Você fez tudo certo ao postar e ao perguntar.
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Fernando Superman: da academia de Ubatuba à conta real de um shape de elite
Aos 15 anos ele pesava 50 kg e tinha 25 cm de braço. Dois anos depois estava com 105 kg, sem ter usado nada, cheio de estrias e comendo até vomitar. Hoje mantém um físico que custa cerca de R$ 31 mil por mês, conta feita em voz alta e item por item. Entre um ponto e outro cabem um mestre de academia de bairro, um emprego em loja de material de construção, um ano de alcoolismo e a decisão de nunca competir. Foi essa trajetória inteira que Fernando Superman abriu em "FERNANDO SUPERMAN - ESPECIAL BBZINHO CINZA BDAY", do Monster Cast. É uma história de maromba, mas o que a sustenta não é treino. É trabalho, escolha de gente e uma disposição incomum de dizer em público quanto custa e quanto dói. 50 kg e um irmão maior A entrada na academia não teve nada de inspiradora. Os pais se separaram de forma traumática quando ele tinha entre 12 e 15 anos, os três irmãos ficaram com a mãe e ele escolheu ficar com o pai, que estava em depressão profunda e falava em se matar. A conta dessa escolha veio rápido: o irmão mais velho, com mais de 1,90 m e bem mais pesado, o espancou na rua por causa dela. Foi essa a origem. Com 50 kg e 25 cm de braço, karatê não resolveria a diferença, e ele foi treinar para conseguir se defender. Largou a escola, virou ajudante de açougueiro em um mercadinho e começou a circular com gente errada, algo que ele descreve com uma clareza que quem viveu perto sabe reconhecer: não é preciso cometer nada para pagar, basta estar do lado de quem tem pendência quando alguém aparece para cobrar. Terra, o mestre que segurou a barra Quem tirou o adolescente daquela rota foi o dono da academia, conhecido como Terra. A academia ficava perto da rodoviária de Ubatuba, custava R$ 35 por mês, e houve reclamação geral quando a mensalidade subiu R$ 5. A primeira cena de treino que ele viu na vida foi Terra se preparando para o Mister Santos fazendo rosca direta com 50 kg de cada lado. O método da casa era brutal e literal. Leg press com séries de 40 repetições até vomitar, com balde ao lado. Remada curvada com 70 kg de cada lado por 20 repetições, também até vomitar. Terra treinava com a academia fechada, para não assustar os próprios alunos. O primeiro treino que passaram ao novato foi levantamento terra, com a justificativa de ser o mais completo e o mais básico ao mesmo tempo. Vale registrar uma coisa que contraria o estereótipo daquela geração. Ninguém ali incentivou o garoto a usar nada. Os atletas da academia, incluindo um campeão mundial de supino que levantava 280 kg pesando 90 kg, diziam que ele tinha que crescer natural, e combinaram que no dia em que ele decidisse usar sentariam juntos para discutir o que seria. As seringas eram escondidas e descartadas longe. Havia um cuidado que hoje soa deslocado. De 50 kg a 105 kg comendo até passar mal A instrução nutricional cabia em uma frase: para ganhar peso, come à vontade a comida mais calórica que der. Sem contagem, sem macro, sem noção do que era carboidrato ou proteína. Ele saiu de 50 kg aos 15 anos para 105 kg aos 17, natural, com estrias que carrega até hoje. O relato do que isso significava na prática é desconfortável e útil. Panela inteira de arroz com frango comida de colher, direto da panela. Um episódio em que vomitou no meio da refeição e continuou comendo. Um dia em que comeu 72 ovos, comprados a R$ 2 a dúzia. Uma vez engoliu um ovo visivelmente esverdeado e não passou mal, o que ele atribui a estar alienado demais no objetivo para registrar o que estava fazendo. A leitura que ele faz hoje disso é mais equilibrada do que a prática de então. Vê muito jovem perdendo tempo tentando crescer limpo demais, quando o que aquela fase pede é comer, construir estrutura e lapidar depois. Treino e dieta são processos biológicos, e a matemática exata serve mais para conversar do que para descrever o que acontece no corpo. Cinco anos sem treinar, três horas da manhã na Augusta Aos 17 ele foi para São Paulo com o pai, e a maromba sumiu da vida por cinco a seis anos. Trabalhou como ajudante de barman em um restaurante na Augusta e saía do serviço às duas ou três da manhã, quando não havia ônibus. Ia a pé da Augusta até a Vila Madalena, e passou a raspar a cabeça na gilete para parecer mais perigoso no caminho. Depois veio o Almanara, restaurante de alto padrão em Alphaville, onde a lição foi de observação. Aprendeu que quem tem muito dinheiro costuma andar de chinelo e camiseta simples, que o cara arrumado demais em geral é o assalariado, e que dá para identificar quem realmente importa pela movimentação dos seguranças à paisana ao redor. Também registra não ter sido destratado uma única vez por esse público. Meio milhão por mês e um diretor que morreu O capítulo mais formativo não aconteceu em academia nenhuma. Contratado como vendedor em uma loja de material de construção, ele perguntou aos veteranos quanto vendiam os melhores. A resposta foi de R$ 120 mil a R$ 130 mil por mês. Ele disse, na inocência, que dava para vender R$ 400 mil, e riram da cara dele. Em seis meses estava vendendo meio milhão por mês, e chegou a passar de R$ 600 mil. A seção onde trabalhava, na menor loja da rede em metragem, saiu da vigésima terceira posição entre cerca de trinta lojas para a terceira em vendas. Ele ganhava R$ 1.500. O método não tinha nada de mágico e é inteiramente transferível. O gargalo que ninguém cobria era o pós-venda. Ele anotava o telefone de todos os clientes, marcava a data prevista de entrega e ligava antes de entrar no expediente para perguntar se tinha chegado tudo certo. Caixa de piso quebrada virava troca mais vale-compra, o que gerava uma nova compra e um cliente que não aceitava ser atendido por mais ninguém. Havia dia de loja vazia com fila na mesa dele. A frase que resume o aprendizado é a que ele repete até hoje: você não faz venda, faz cliente. Foi promovido em um ano e três meses, quando o padrão da empresa era dois anos, e a promoção precisou ser ocultada da equipe para evitar retaliação. O mentor por trás disso era um diretor chamado Alejandro, o mais bem pago da unidade e ao mesmo tempo o mais despojado, sem relógio, sem broches, descendo ao chão de loja para brincar com todo mundo pelo nome. No sábado ele passou pela loja como sempre. No domingo caiu andando de skate no Parque Villa-Lobos com a mulher grávida e morreu. Um ano de uísque no café da manhã A morte do mentor virou combustível e depois virou doença. Ele decidiu levantar sozinho a bandeira do outro e passou a se cobrar mês a mês, sempre acima do anterior. Acumulou quatro celulares e todas as broncas da seção. O quadro que ele descreve é de alcoolismo funcional, e ele o nomeia sem eufemismo. Acordava e tomava de um terço a meia garrafa de uísque, misturado com café, no lugar do café da manhã. Fumava cerca de um maço por dia. Não almoçava. O prêmio depois de fechar uma venda grande era ir ao vestiário tomar mais um gole, um café e um cigarro. Aos 24 anos começou a ter cabelos brancos. Vale a honestidade que veio junto, porque ela é a parte útil para quem passa por isso. Ele diz que continua alcoólatra, no presente, anos depois de ter parado. Passar pelo corredor de bebidas do supermercado ainda o faz salivar, e a lembrança do uísque com café ainda é descrita como um estímulo animal, não racional. Por isso não toma nem uma dose. A virada veio quando olhou para os chefes e viu o gerente envelhecido dez anos em dezoito meses e a diretora aparentando bem mais que os 39 anos que tinha, ganhando R$ 12 mil. Concluiu que era o melhor vendedor do mundo de uma coisa que odiava, obra, e que se aplicasse o mesmo esforço em algo que amava o resultado seria outro. Voltou de férias e pediu demissão. A seção, que ele deixou vendendo três milhões, voltou para um milhão e meio. Loja de suplemento, o primeiro ciclo e a consultoria paga no crediário O retorno à musculação passou por uma loja de suplementos no Frei Caneca, onde virou um dos melhores vendedores usando o oposto do empurrão. Se o cliente pedia um produto caro sem precisar, ele oferecia o mais barato e ajustava a dose de verdade, explicando que 3 g de glutamina não fazem efeito e que o útil ali seria algo em torno de 15 g. O ganho vinha da recorrência, não da margem daquela venda. Foi nessa fase, entre 24 e 25 anos, que veio o primeiro protocolo: boldenona com enantato, três aplicações por semana, finalizando com oxandrolona. Nunca fez terapia pós-ciclo, nem nesse nem depois. O segundo protocolo foi durateston de farmácia com meio mililitro de trembolona em dias alternados, e o resultado imediato foi acne severa. É também o marco que ele aponta para o início dos problemas de sono que o acompanham desde então. O encontro com Júlio Balestrin merece registro pelo desfecho. Levado por um cliente que virou amigo, pagou R$ 600 de consultoria no cartão de uma loja de departamentos, parcelado em duas vezes. Júlio olhou para ele, mandou o acompanhante sair da sala e disse que ele precisava competir, que a genética, a linha e a proporção eram melhores que as de nomes já estabelecidos. Vindo de alguém conhecido por não elogiar ninguém, aquilo pesou. O que aconteceu na sequência é a decisão mais madura da história. Na mesma sala ele viu o protocolo de um atleta profissional que estava sendo preparado, comparou com a própria realidade de quem não tinha dinheiro para comer frango direito e concluiu que aquilo não era para ele naquele momento. Escolheu não competir e seguir treinando em paz, para não trocar prazer por frustração. O conteúdo que mudou tudo e a demissão que veio junto A virada de exposição veio de uma gravação com Toguro, que viralizou. O preço foi imediato: ele foi demitido da loja de suplementos por causa da participação. O apelido Superman já existia antes, herdado das costas largas de quem nadava na infância, e acabou colado por uma namorada. Duas recusas dessa fase explicam a carreira melhor que qualquer número. A primeira foi não emendar em conteúdo de balada e carnaval, mesmo sendo aconselhado a surfar a onda enquanto ela existia, por entender que estaria se prostituindo por visualização e que depois criticaria o próprio material. Consequência prática: como não ficou dependente da imagem de outra pessoa, sobreviveu ao ciclo que engoliu vários que apareceram depois. A segunda foi comercial. Depois de mostrar o contrato vigente para provar que não estava blefando sobre o próprio valor, ouviu de um dono de marca a proposta de trabalhar três meses de graça, só por suplemento, para depois discutir salário. Em outra ocasião fechou um acordo no aperto de mão, pediu demissão do patrocinador anterior confiando na palavra, e na hora de assinar o valor combinado tinha sumido. Recusou, e a razão não foi o dinheiro: não se entra em uma relação que já começa errada. A caixa aberta: o que ele realmente usa Aqui vale o enquadramento antes dos números. O que segue é o relato de um profissional que vive disso, com acompanhamento farmacêutico, exames periódicos e uma estrutura financeira que quase ninguém tem. Não é recomendação, não é dose de referência e não deve ser copiado. A primeira coisa que ele desmonta é a própria lenda. O número que circula na internet, de 12 g a 15 g por semana, veio de um lote falsificado. A prova é o resultado: usando o que o rótulo dizia ser 15 g, ele definhou até 90 kg. Se houvesse fármaco de verdade naquele frasco, o efeito teria sido o oposto. A conclusão que ele tira é a mais útil de toda a conversa, e vale para qualquer pessoa que use qualquer coisa comprada fora de farmácia: a distância entre o que está no rótulo e o que está no frasco costuma ser enorme, e passar a usar produto de farmácia significou, na prática, poder usar menos da metade. O uso atual é declarado com limites claros. Trembolona em 1 mL por dois dias seguidos, com queda para meio mililitro no terceiro, porque não aguenta manter. Tentou chegar a 700 mg por semana e não conseguiu, ficando em torno de 500 mg. A base é testosterona com primobolan e NPP. Oximetolona a 25 mg já embrulha o estômago, e ele não usa 50 mg. O HDL estava em 18. Nunca fez pausa real. Desde os 24 ou 25 anos está sempre com algo em uso, e o mais próximo de um intervalo foram duas semanas em 2018 usando apenas durateston de farmácia duas vezes por semana. Sobre isso ele não constrói justificativa técnica, apenas descreve. A conversa cobre ainda o que costuma faltar nesse tipo de relato. Trembolona destrói o sono, e ele já chegou a acordar às cinco da tarde. Como carrega um distúrbio de sono grave, que quase exigiu internação, hoje trata sono como inegociável. Para dormir usa combinações simples e baratas, incluindo glicina em torno de 5 g, chás de camomila, erva-cidreira e capim-limão, com melatonina em dose mínima, na faixa de 0,5 mg, que já produz efeito. Para acne, orienta procurar médico no caso da isotretinoína e desconfiar de produto de mercado negro que em três doses diárias sequer descama a pele, além de medidas simples como evitar banho quente e usar nicotinamida tópica a 5%. A conta que quase ninguém mostra O trecho mais valioso do encontro é uma calculadora aberta ao vivo, e ela deveria circular mais que qualquer foto de shape. Somando o que ele usa por mês: hormônio de crescimento, à razão de cerca de R$ 650 por caneta: em torno de R$ 15 mil itens de farmácia: cerca de R$ 2.500 manipulados, entre protetor hepático, protetor de articulação, enzimas digestivas e sensibilizadores de insulina: cerca de R$ 8.500 somados demais hormônios: cerca de R$ 2 mil alimentação: entre R$ 4 mil e R$ 5 mil, sem contar refeições fora suplementação, avaliada a preço de venda: cerca de R$ 2.500 O total fica em torno de R$ 31 mil por mês, aproximadamente R$ 360 mil por ano, e isso cobre apenas a manutenção do físico. Não entra aluguel, lazer, plano de saúde, academia nem transporte. Se entrasse IGF-1 no protocolo, seriam uns R$ 8 mil a mais. A comparação que ele usa é com automobilismo: dá para brincar de kart, mas Fórmula 1 é para poucos, e o carro de Fórmula 1 quebra mais e tem manutenção mais cara que o carro comum. Duas conclusões desse bloco valem mais que a soma. A primeira é que o gasto com contenção de dano cresce de forma desproporcional quando se sobe a dose, e por isso muitas vezes é mais inteligente ficar no meio-termo do que subir e não conseguir bancar a proteção correspondente. A analogia dele é direta: subir o morro blindado, de colete e capacete, ou não subir. A segunda é que isso não é uma compra, é um aluguel. Interrompido o pagamento, o físico vai embora. Serve de contraste o começo. Houve uma fase em que R$ 690 era exatamente o valor que faltava para comprar o hormônio de crescimento do mês, e a decisão sobre trabalhar mais ou não passava por isso. Por que ele nunca subiu no palco Ele mantém a posição de nunca ter competido e não vê incoerência nisso. O argumento é que a musculação importa mais do que o fisiculturismo, e que o fisiculturismo é a ponta, a Fórmula 1, uma bandeira útil justamente porque levantá-la levanta a musculação inteira junto. O que o move é ver a musculação virar o maior esporte do Brasil, acima do futebol. Sobre uso para quem não vai competir, a resposta é curta e sem heroísmo. Vale muito mais a pena melhorar a vida do que perseguir o extremo, e trembolona não é para quem quer apenas um físico bom. Ele mesmo passou um ano e dois meses sem usar em determinado período, e continua defendendo que o natural bem treinado já está muito acima da média. Duas dívidas pagas Duas histórias fecham o retrato. A primeira é que ele voltou e reformou a academia do mestre, que estava funcionando literalmente no meio da obra, com o concreto exposto e o dono dormindo na garagem com a mulher durante a pandemia. Virou sócio, colocou equipamentos e a casa saiu de cerca de 80 alunos para mais de 500, com mensalidade de R$ 150. Depois vendeu a própria parte por um valor simbólico, com a justificativa de que entrou para ajudar e que não faria sentido rachar meio a meio um negócio tocado por outra pessoa enquanto ele vive em São Paulo. A segunda é o costume de dormir no chão, que ele mantém. Nasceu da época em que morava na academia, embaixo de uma escada, e o colchão encharcava toda vez que chovia forte. Passou a dormir sobre um tatame e nunca desfez o hábito, mesmo depois de comprar cama. Conclusão O que sustenta essa história não é dose nem genética. É um mestre que apareceu na hora certa, um mentor de fora da maromba que ensinou a trabalhar, e um método de venda que vale para qualquer profissão: entregar o combinado e voltar para conferir. As duas decisões que mais pesaram foram recusas, não conquistas. Não competir quando viu que a conta não fechava, e não vender a própria imagem por audiência fácil. Fica também o alerta que ele mesmo entrega sem que ninguém peça. Um lote falsificado que produziu emagrecimento em vez de ganho, HDL em 18, sono destruído a ponto de exigir tratamento, anos sem nenhuma pausa e uma conta mensal de R$ 31 mil apenas para manter o que está no espelho. Nada disso é receita. Qualquer decisão envolvendo hormônios exige avaliação, exames e acompanhamento de profissional habilitado, e a automedicação continua sendo o caminho mais rápido para transformar objetivo estético em problema clínico. FAQ Ele realmente usava 15 g de hormônio por semana? Não. Esse número veio de um lote falsificado, e a prova está no resultado: usando o que o rótulo apresentava como 15 g, ele emagreceu até 90 kg. Passar a usar produto de farmácia significou reduzir para menos da metade, com resposta melhor. Quanto custa manter um físico desse nível? Cerca de R$ 31 mil por mês, ou aproximadamente R$ 360 mil por ano, considerando hormônio de crescimento, itens de farmácia, manipulados de proteção, demais hormônios, alimentação e suplementação. Não estão incluídos moradia, lazer, plano de saúde nem academia. Como ele saiu de 50 kg para 105 kg? Em dois anos, dos 15 aos 17, sem usar nada e sem qualquer noção de dieta. A instrução do treinador era comer à vontade a comida mais calórica disponível, o que na prática significou panelas inteiras de arroz com frango e episódios como comer 72 ovos em um único dia. Por que ele nunca competiu? Porque viu de perto o protocolo de um atleta profissional em preparação e comparou com a própria realidade financeira da época, quando não tinha dinheiro nem para comer frango adequadamente. Concluiu que aquilo geraria frustração e preferiu treinar sem a pressão do palco. Qual foi a maior lição fora da academia? O pós-venda. Anotar o contato de cada cliente, checar se a entrega chegou certa antes de o cliente reclamar e resolver o problema com troca mais crédito transformou vendas isoladas em recompras. A síntese que ele repete é que não se faz venda, se faz cliente. O que ele recomenda para quem não pretende competir? Que priorize a vida acima do extremo. Considera que um praticante natural bem treinado já está muito acima da média e que substâncias como a trembolona não fazem sentido para quem busca apenas um bom físico, pelo custo em sono, pele e saúde mental. Referências MONSTER CAST. FERNANDO SUPERMAN - ESPECIAL BBZINHO CINZA BDAY. YouTube, 22 dez. 2022. Disponível em: https://www.youtube.com/live/WT-d1DqTEfE. Acesso em: 31 jul. 2026.
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PRIMEIRO CICLO com enantato terça e sexta
Você abriu o tópico pedindo ajuda para montar treino com foco em dorsais e braços, postou o treino quando pediram, e essa parte acabou nunca sendo respondida. Vou começar por ela, porque é o que você perguntou. Olhando o que está aí, tem um padrão claro: quase tudo é máquina, polia e movimento de isolamento, e falta a espinha dorsal do treino em todos os três dias. No treino de costas você tem pull down, remada sentada, puxador por trás, puxador pegada fechada e peck deck invertido. São cinco exercícios e quatro deles são puxada vertical ou variação de polia. Falta o que mais constrói dorsal: puxada com o próprio peso na barra fixa, e principalmente uma remada pesada com peso livre, seja remada curvada com barra, seja serrote com halter. Remada com peso livre obriga o dorsal a trabalhar contra uma carga que você pode aumentar todo mês, e é isso que engrossa as costas. Se quer dorsal larga, coloque barra fixa e remada curvada no começo do treino, quando você está inteiro, e deixe as polias para o final. No treino de perna você tem extensora, leg press, adutora e flexora. Não tem agachamento, não tem levantamento terra, não tem stiff e não tem panturrilha. Ou seja, o dia de perna não tem nenhum movimento em que o quadril trabalhe de verdade. O levantamento terra, além de perna, é dos melhores construtores de dorsal e de espessura de costas que existem, então ele resolve dois dos seus problemas ao mesmo tempo. E, sobre braço, um ponto que costuma surpreender: bíceps recebe muito estímulo indireto de toda puxada e remada, e tríceps de todo supino e desenvolvimento. Se a base composta melhorar, o braço cresce junto. Colocar mais um exercício de rosca não é o caminho, e você já faz três de tríceps e três de bíceps. Uma última coisa sobre treino, que vale mais que a escolha dos exercícios: anote carga e repetição toda sessão. O objetivo de cada semana é bater a semana anterior em alguma coisa, nem que seja uma repetição a mais. Sem esse registro, não dá para saber se o ciclo está rendendo, e é justamente ele que separa quem cresce de quem só treina. Agora duas coisas do protocolo. A primeira é o anastrozol. Você programou meio miligrama dia sim dia não a partir da segunda semana, antes de qualquer exame, e disse depois que não chegou a fazer exame antes de começar. Isso é usar um remédio para um problema que talvez não exista. O anastrozol serve para derrubar estrogênio quando ele está alto e dando sintoma, e não como item padrão de ciclo. Estrogênio não é vilão no homem: ele participa da libido, do humor, da saúde da articulação e da manutenção do HDL. Derrubado demais, e meio miligrama em dia alternado derruba bastante, ele produz justamente aquilo que as pessoas atribuem ao ciclo dar errado, ou seja, articulação seca, libido sumindo, ânimo baixo e colesterol pior. O caminho melhor é o inverso do que foi planejado: começar sem anastrozol, e ter o comprimido guardado para o caso de aparecer sintoma real, que é sensibilidade ou nódulo doloroso embaixo do mamilo, retenção evidente e inchaço de rosto. Aí sim entra, na menor dose, e de preferência com estradiol dosado antes. Ainda mais no seu caso, com um laboratório desconhecido que pode estar subdosado: você pode acabar bloqueando o estrogênio de uma testosterona que nem está chegando na dose que você pensa. A segunda é o tempo da TPC, e esse é um erro de calendário que custa caro. Você programou começar trinta dias depois da última aplicação. Enantato tem meia vida em torno de sete dias, então uns quatorze a dezoito dias depois da última aplicação o nível já caiu para perto do chão. É nesse ponto que a TPC deve começar. Esperar trinta dias significa passar mais de duas semanas com a testosterona de fora praticamente ausente, a sua própria ainda desligada, e nada estimulando a recuperação. É exatamente a janela em que se perde massa e se passa mal, e ela é evitável apenas mexendo na data. E, sobre a dieta, uma observação simples. Duas mil e trezentas calorias para setenta e cinco quilos, vindo de um período de déficit, é manutenção ou pouco acima. Para um bulk com quatrocentos miligramas de testosterona por semana, isso desperdiça o ciclo. Deixe a balança mandar: se o peso não estiver subindo algo entre trezentos e quinhentos gramas por semana, some duzentas calorias e reavalie em duas semanas. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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"Ciclo" Stanozolol sublingual + Testo em gel
Fernando, tem um número nesses seus exames que passou quase batido e que é, de longe, o mais sério de tudo que está postado aqui. Vou começar por ele. Você postou VLDL de cento e setenta e sete. Esse valor não é medido, ele é calculado dividindo os triglicerídeos por cinco. Fazendo a conta ao contrário, os seus triglicerídeos estavam por volta de oitocentos e oitenta. A faixa desejável vai até cento e cinquenta. Acima de quinhentos já existe risco de pancreatite aguda, e acima de mil o risco é considerado alto. Você estava entre esses dois patamares. Isso não é um exame para ajustar com aveia e salada, é um valor que pede consulta médica com esse resultado em mãos e repetição do exame com jejum correto de doze horas, porque comer perto da coleta infla o número. Pancreatite aguda dói muito, interna, e às vezes é grave. Não estou dizendo isso para te assustar, estou dizendo porque, no tópico, esse número foi tratado como um item de lista. E tem uma consequência técnica disso que também vale saber, porque ela produziu um segundo engano. O seu LDL apareceu como vinte e três, um valor ótimo, quase bom demais. Ele não é real. O LDL desses exames de rotina também é calculado, por uma fórmula que deixa de funcionar quando os triglicerídeos passam de quatrocentos. Com triglicerídeos perto de novecentos, o LDL calculado não significa nada. Ou seja, não dá para se tranquilizar com ele. O terceiro número da mesma família é o HDL de dezessete. Está entre os mais baixos que se vê. Essa é a assinatura clássica do stanozolol, que é dos androgênios que mais derruba o HDL, e vale saber que o anastrozol empurra na mesma direção, porque parte da proteção do HDL depende do estrogênio. O que me leva ao anastrozol, e aqui está um erro que ninguém apontou com todas as letras. Você usou anastrozol três vezes por semana durante todo o período e resistiu a parar quando o médico mandou. Só que o seu próprio exame mostra estradiol de vinte e quatro, com referência masculina indo até trinta e nove vírgula nove. Ou seja, o seu estrogênio não estava alto. Estava na parte de baixo da faixa normal. Não havia excesso a combater, e o remédio estava apenas derrubando um hormônio que você precisa ter, com custo em HDL, em osso, em articulação e em libido. O receio que você mencionou de dor articular por causa do stano somado ao anastrozol tinha fundamento, e a solução era exatamente a que te propuseram: parar. Sobre o fígado. TGO oitenta e três e TGP cento e dezessete são cerca de duas a três vezes o limite superior, e o responsável mais provável é o stanozolol. Vale dizer uma coisa sobre a via, porque é um mal-entendido comum: a apresentação sublingual não torna o stanozolol seguro para o fígado. A toxicidade dele vem da estrutura química alquilada na posição dezessete, que é o que permite a molécula sobreviver e circular, e isso não muda conforme ele entra no corpo. Aproveito para dizer que silimarina e abacaxi não protegem contra isso. O que baixa essas enzimas é o tempo sem a droga. Repetir TGO, TGP, GGT e bilirrubinas umas seis a oito semanas depois de parar é o que responde se voltou ao normal. Duas observações menores, mas úteis. Os dez quilos em dois meses. Você comia três mil e duzentas calorias sem dieta regrada e sem controle, incluindo McDonalds semanal. Parte importante disso é água, glicogênio e comida no sistema, e outra parte é gordura. A bioimpedância que marcou oito vírgula cinco por cento no meio disso não é confiável, porque ela estima gordura a partir da condução elétrica do corpo, que depende diretamente do quanto você está hidratado, e você passou o período inteiro com o balanço de líquido mudando. Não é um instrumento para julgar um ciclo. E, corrigindo uma informação que ficou no tópico: tamoxifeno exige receita médica no Brasil. Não é venda livre. Se você ainda estiver por aqui, o resumo do que eu faria hoje é curto: repetir o perfil lipídico completo com jejum de doze horas, levar o resultado a um médico com o histórico contado por inteiro, e repetir as enzimas hepáticas. Aos vinte e um anos essas três coisas tendem a voltar ao lugar depois de um tempo limpo, e é bom confirmar que voltaram antes de pensar em qualquer outra coisa. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Muitas espinhas em ciclo de stanozolol e oxandrolona!
Este tópico continua sendo achado por quem procura acne em ciclo feminino, e tem coisa aqui que precisa ser corrigida, porque leva a decisão errada. Começo pela causa, que na verdade já estava resolvida no primeiro post e ninguém percebeu. Kakau escreveu o seguinte: as espinhas apareceram, ela parou por quinze dias, elas sumiram, ela voltou e elas reapareceram já na primeira aplicação. Isso tem nome em medicina, chama-se retirada e reexposição, e é a evidência mais forte que existe fora de laboratório para estabelecer que uma substância causou um efeito. Some quando tira, volta quando devolve. A dermatologista que a examinou disse a mesma coisa. Não era preciso dosar estradiol, DHT ou cogitar frasco contaminado: a resposta já estava no relato. E aqui está a correção mais importante do tópico. Foi levantado que o problema poderia ser estradiol alto, e depois foi recomendado anastrozol, meio miligrama por dia, durante e depois do ciclo, comprado sem receita. Isso não funciona e faz mal, pelos dois lados. Não funciona porque a acne dessas duas substâncias é androgênica, não estrogênica. Stanozolol não aromatiza, ou seja, não vira estrogênio em quantidade relevante, e oxandrolona quase nada. A espinha aparece porque o androgênio estimula diretamente a glândula sebácea, que produz mais sebo, e no pescoço, colo, ombros e costas, que é exatamente o mapa que ela descreveu, porque é onde essas glândulas são mais densas. Anastrozol bloqueia a conversão de androgênio em estrogênio. Não havendo essa conversão, não há o que bloquear. Ele não tem por onde agir sobre esse tipo de acne. E faz mal porque, em mulher, o estrogênio não é um efeito colateral, é o hormônio principal. Derrubá-lo com inibidor de aromatase em uma mulher jovem e saudável causa perda de massa óssea, dor articular, ressecamento vaginal, queda de libido e piora do perfil lipídico. É um remédio de indicação oncológica, usado em mulher com câncer de mama hormônio dependente, geralmente depois da menopausa, e com acompanhamento. Tomar isso por conta própria para tratar espinha é trocar um problema de pele por um problema de osso. Se alguém leu este tópico e adotou isso, vale reconsiderar. O que realmente resolve acne androgênica, na ordem: reduzir a dose ou tirar a substância, que é o que a própria experiência da Kakau já demonstrou funcionar, e tratamento dermatológico de verdade, com peróxido de benzoíla ou adapaleno tópicos, e antibiótico ou isotretinoína quando o quadro é mais grave e sob acompanhamento. Sabonete sozinho não dá conta de acne hormonal, e isso explica por que só amenizou. Segundo ponto, que é o que provavelmente causou tudo. Foi dito no tópico que stanozolol daquela forma para mulher está OK e que não é dose alta. É dose alta, sim, e por larga margem. Cinquenta miligramas por mililitro, um mililitro, três vezes por semana, dão cento e cinquenta miligramas por semana. Isso é faixa masculina. As doses femininas que aparecem nos relatos com poucos efeitos ficam uma ordem de grandeza abaixo disso. Somando ainda vinte miligramas de oxandrolona três vezes por semana, o resultado esperado não é acne, é acne mais o resto. Não surpreende que no primeiro ciclo, com dose menor, não tenha acontecido nada. E é por isso que vale insistir num ponto que vale para quem estiver lendo: quando aparece efeito androgênico visível, a conduta é reduzir ou parar, e não somar um segundo medicamento para tentar mascarar o primeiro. A espinha, incômoda como é, é o aviso barato. Voz e clitóris são o aviso caro, e esses não voltam atrás. Uma observação sobre o protocolo que foi sugerido mais adiante no tópico, de subir oxandrolona até trinta miligramas por dia para uma iniciante. Isso é três a seis vezes a faixa em que a maioria das mulheres usa, e é justamente a região em que a virilização deixa de ser risco e passa a ser expectativa. Quem estiver começando, vale ignorar esse número. E, gdamasceno, um detalhe do seu caso que pode te poupar preocupação: um DHT acima de dois mil e quinhentos é um valor esquisito, fora de qualquer faixa usual, e o primeiro passo antes de tratar é conferir a unidade e o intervalo de referência do laboratório e repetir a dosagem. Não é raro esse tipo de número vir de unidade diferente da esperada. Vale confirmar antes de montar conduta em cima dele. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Primeiro ciclo de oxandrolona prescrito por endocrinologista
tópico respondeu a Cláudio Chamini no Patricia Samantha Santos Cunha Monteiro em Tópicos sobre esteroidesPatricia, o tópico é antigo e você não voltou, mas vou responder porque a conclusão que ficou registrada aqui está invertida, e ela é do tipo que pode fazer mal a quem ler depois. A médica do pronto socorro foi chamada de incompetente e de sem noção. Olhando o que ela fez, foi o contrário disso. Você chegou lá com dor forte, na terceira semana usando oxandrolona a dez miligramas por dia, e ela identificou alteração no fígado. Diante disso, ela te disse que não podia prescrever certos remédios por causa do efeito hepático do que você estava tomando, mandou repouso e orientou não beber e evitar comida gordurosa. Isso é exatamente o raciocínio correto. A oxandrolona é do tipo alquilado, ou seja, foi modificada quimicamente para sobreviver à passagem pelo fígado, e é justamente essa modificação que sobrecarrega o órgão. Em alguém com o fígado já alterado, somar mais um medicamento que também é processado ali é a coisa errada a fazer. Ela não deixou de prescrever por preguiça, deixou de prescrever porque prescrever seria pior. E o Buscopan que ela escolheu é coerente com isso: é antiespasmódico, que age no intestino, para dor de cólica. Não era o momento de investigar mais nada dentro do pronto socorro, era o momento de tirar você da dor sem piorar o fígado. O que faltou não foi competência dela, foi o passo seguinte, que era com você. Dor abdominal forte somada a alteração de fígado na terceira semana de um oral alquilado é a única coisa deste tópico inteiro que exigia investigação de verdade, e ela nunca aconteceu. O que eu faria, e ainda vale se aquilo voltou alguma vez: colher TGO, TGP, GGT, fosfatase alcalina e bilirrubinas, e fazer um ultrassom de abdome. O ultrassom importa porque cálculo na vesícula é comum em mulher na sua faixa de idade e dá exatamente esse tipo de dor, e porque esteroide oral também pode causar estase de bile. São dois exames baratos, e o laboratório não precisa ficar na sua cidade nem exige o endocrinologista que sumiu: qualquer clínico geral pede e lê. E aqui está o ponto que eu quero que fique registrado para quem ler este tópico: quando aparece dor abdominal com alteração hepática durante o uso de um oral, a leitura certa não é que a médica acabou com o ciclo. É que o corpo avisou. Retomar sem investigar é apostar que o aviso era falso. Agora, respondendo a uma pergunta que ficou pendurada no fim do tópico e nunca foi respondida, a da Rapunzel, sobre qual seria a TPC para voltar a menstruar. Não existe, e é bom que não exista. Quando a menstruação some durante o uso de androgênio, é porque o eixo hormonal está suprimido, e ele volta sozinho depois que a substância sai, normalmente em algumas semanas a poucos meses. Não há nada a tomar para acelerar isso com segurança, e as substâncias que circulam por aí para essa finalidade, como tamoxifeno e clomifeno, foram desenhadas para outra coisa e, em mulher que não está sendo tratada por infertilidade, mexem no ovário sem necessidade. Ou seja, o caminho é parar e esperar. O que muda a conduta é o prazo. Três meses seguidos sem menstruar depois de encerrado o uso deixa de ser espera e vira investigação com ginecologista, com beta HCG, prolactina, TSH, FSH, LH e estradiol. É simples, e é isso que responde a pergunta de verdade, em vez de um protocolo caseiro. Espero que a dor não tenha voltado e que a sua cidade tenha ganhado médico nesses anos todos. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.