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Cláudio Chamini

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Tudo postado por Cláudio Chamini

  1. Respondendo o título antes de tudo: sim, whey pode engordar. Isento de gordura não quer dizer isento de caloria. Cem gramas de whey têm por volta de trezentas e oitenta calorias, praticamente o mesmo que cem gramas de açúcar. Nenhum alimento engorda ou emagrece sozinho, o que decide é o total do dia, e o pó entra nesse total como qualquer outra coisa. Dito isso, entre todas as calorias que existem, as da proteína são as que menos viram gordura. O corpo gasta uma fatia grande delas só para digerir e processar, e proteína sacia bastante, então quem come mais proteína costuma comer menos do resto sem perceber. Então whey é, de longe, a fonte de caloria mais difícil de engordar com. Só que a frase de que tomando depois do treino ele só vira massa magra não procede. Não existe janela mágica que transforme caloria em músculo. O que constrói músculo é treino somado a proteína suficiente ao longo do dia. O horário é detalhe. E vou responder a sua conta, que você repetiu três vezes sem resposta. Uma dose de trinta gramas de whey são cerca de cento e vinte calorias. Se ela for acrescentada em cima de tudo que você já come, isso daria algo perto de meio quilo em um mês. Se ela substituir um lanche que você já fazia, dá zero. Não tem como você ganhar quatro quilos por causa do pó. E aqueles dez quilos em dois meses que você conta não foram só músculo, foi comida em quantidade, e boa parte era gordura e água. Agora deixa eu falar do que realmente importa aqui, que não é o whey. Você tem dezesseis anos, um metro e setenta, sessenta e três quilos, e quer chegar aos sessenta para cair numa categoria mais leve no campeonato de supino. Eu entendo perfeitamente a lógica, é uma estratégia real do esporte de força. Mas no seu caso ela é um mau negócio, e vou dizer por quê. Perder três quilos estando magro custa força, e custa mais do que a vantagem de disputar contra gente um pouco menor. Quem faz corte de peso de verdade corta água e come pouco por poucos dias, chega no dia mais fraco, e isso é feito por atleta adulto, com acompanhamento, mirando uma competição específica. Aos dezesseis anos, num corpo que ainda está crescendo, cortar peso de forma repetida é o caminho mais rápido para não crescer, não ganhar força e criar uma relação ruim com comida. O caminho contrário é o que te faz vencer daqui a dois anos: subir de categoria com músculo e ser o mais forte lá em cima. E o colega tem razão quando diz que ganhar peso é o que você precisa. Aos sessenta e três quilos com um metro e setenta, ganhar peso não é problema, é o objetivo. Aliás, você mesmo terminou o tópico dizendo que até setenta quilos estaria bom, e essa foi a melhor conclusão que saiu daqui. Uma correção pequena numa coisa que se repete muito: músculo não pesa mais do que gordura. Um quilo é um quilo. O que acontece é que o músculo ocupa menos espaço, então dois caras com o mesmo peso podem ter aparências completamente diferentes. É por isso que a balança sozinha engana e a fita métrica não. Sobre o produto que você viu por cento e vinte e oito reais, olhe o rótulo com atenção antes de comprar. Cinquenta e cinco gramas de proteína em cem gramas de pó é pouco para um whey de verdade, que costuma ficar entre setenta e oitenta. Isso indica que boa parte da lata é carboidrato, ou seja, você estaria pagando preço de proteína por farinha. E, sinceramente, com dezesseis anos e comendo de duas a cinco vezes por dia, o seu dinheiro rende muito mais em ovo, leite, carne e feijão. Arrumar as refeições vai te dar mais força no supino do que qualquer lata. Por último, sobre a sugestão de cortar carboidrato: não faça isso agora. Carboidrato é o combustível do treino de força, e treinar supino pesado com pouco carboidrato é treinar mal. O colega acertou no argumento final dele, que usar whey como fonte de energia é queimar dinheiro, mas a conclusão de dieta baixa em carboidrato não serve para o seu caso.
  2. Você pediu alguém que soubesse mesmo, porque um dizia uma coisa e outro dizia outra. Vou tentar fechar isso. A resposta é: pode correr, e não vai atrapalhar a recuperação, desde que a corrida seja leve. A dor que aparece um ou dois dias depois de um treino pesado não é uma lesão esperando descanso. Ela é uma resposta normal de um músculo que foi exposto a um estímulo novo, e ela some sozinha independentemente do que você fizer. Movimento leve não interrompe nada da recuperação. Pelo contrário, aumenta a circulação no local e é, entre todas as coisas que já foram testadas para dor muscular tardia, uma das poucas que funcionam, ainda que temporariamente. Foi exatamente o que o colega descreveu: começa a correr e a dor passa. E o outro completou certo, ela volta depois que esfria. O que ele explicou como sangue quente e sangue frio é isso mesmo por outro nome. O tecido aquecido fica mais complacente e o próprio movimento tem efeito analgésico. Não é o sangue esquentando, é o corpo saindo do estado parado. Então o conselho de nunca fazer esforço enquanto está em recuperação é bem intencionado e exagerado. O que atrapalha recuperação não é atividade leve, é acrescentar mais fadiga em cima da fadiga: correr forte, fazer tiro, subir ladeira ou correr uma hora quando a perna ainda está devendo. Isso soma dano e come a energia que ia para a reconstrução. Tem um risco prático que ninguém citou, e é o mais concreto de todos: com a coxa muito dolorida, você corre diferente sem perceber, encurtando a passada e amortecendo pior. Quem paga por isso é joelho, canela e tendão de aquiles. Por isso a regra é ritmo leve, terreno plano e nada de correr mancando. Se a dor mudar o seu jeito de correr, é dia de caminhada. Uma dica de organização que resolve o problema pela raiz: coloque a corrida no mesmo dia do treino de perna, logo depois, ou nos dias mais distantes dele. O pior arranjo possível é justamente o dia seguinte, que é quando a dor está no auge. E deixa eu apontar uma coisa maior. Dor muscular é um péssimo indicador de recuperação. Tem treino ótimo que não dói e treino inútil que dói muito, e a dor cai bastante depois de algumas semanas fazendo o mesmo exercício, mesmo com o treino ficando mais pesado. O que indica recuperação de verdade é o desempenho: se na próxima sessão de perna você repete ou melhora as cargas, você recuperou, doendo ou não. Agora, sobre o seu objetivo real, que apareceu no meio do tópico. Você quer sair de dezoito para treze por cento de gordura, com pouca massa muscular e se descrevendo como magro. Duas correções importantes. Aquela conta de novecentas calorias por hora de corrida e três a cinco quilos por mês não fecha. Uma hora de corrida contínua gasta algo em torno de seiscentas a setecentas calorias para uma pessoa de setenta a oitenta quilos, e boa parte disso o corpo recupera comendo um pouco mais sem você notar. Emagrecimento real com corrida costuma ser bem menor do que a planilha promete, e prometer cinco quilos por mês só serve para frustrar. E a resposta oposta, de que só a musculação já queima, também não está certa. Musculação gasta menos caloria por hora do que corrida. O que ela faz, e que a corrida não faz, é preservar o músculo enquanto você perde gordura, e é isso que decide se você vai terminar magro e definido ou apenas menor. Juntando: quem manda no percentual de gordura é a comida. O treino de força protege o músculo, o cardio é uma ferramenta para aumentar o gasto e cuidar do coração, e não é obrigatório. No seu caso, com pouca massa, eu passaria os próximos meses comendo o suficiente e treinando pesado para construir alguma coisa, porque em quem tem pouco músculo o percentual cai bastante só por ganhar massa, sem passar fome. Aquele conselho de caminhar vinte ou trinta minutos depois do treino, que você recebeu no começo, continua sendo razoável e é fácil de sustentar.
  3. As fotos do tópico estão quebradas há anos, então ninguém aqui viu nada, e eu não vou opinar sobre imagem que não existe. Mas dá para ajudar bastante mesmo assim, porque no meio da conversa você deu a informação mais importante e ela mudou o assunto inteiro sem ninguém perceber. Você escreveu que a dor não é no ombro, é naquela pontinha embaixo do pescoço, onde a clavícula encontra o osso do meio do peito. Isso é a articulação esternoclavicular, e ela não tem nada a ver com o deslocamento de ombro que o pessoal estava discutindo. Os conselhos mudam. Primeiro o alerta, e ele é sério. Nunca deixe ninguém empurrar, puxar ou colocar no lugar essa articulação, como foi descrito aqui com a história do pai. Logo atrás dela passam a traqueia e os vasos grandes que saem do coração, e essa é a única luxação do corpo em que uma manobra caseira pode causar um estrago grave. Se em algum episódio aparecer falta de ar, dificuldade para engolir, voz rouca ou o braço ficando inchado, roxo ou frio, isso é pronto-socorro na hora, não é consulta marcada. Passando o susto, agora a parte tranquilizadora, que é a mais provável no seu caso. O que você descreve, um lado mais saliente que o outro, que sai do lugar em movimentos incomuns e volta sozinho, sem trauma grande, é um quadro conhecido de frouxidão dessa articulação. É bem mais comum em adolescentes, costuma aparecer em quem tem articulações mais soltas no corpo todo, e a boa notícia é que a maioria melhora sem cirurgia, à medida que a musculatura em volta ganha força e o esqueleto amadurece. Aliás, aquilo que o ortopedista te disse sobre o osso firmar depois é verdade, só que com uma data diferente. A ponta da clavícula que fica junto ao esterno é a última cartilagem de crescimento do corpo inteiro a fechar, e isso acontece por volta dos vinte e poucos anos, não aos dezoito. Então quem tem dezesseis e resolveu esperar em vez de operar tomou uma decisão bem fundamentada, só precisa contar com um prazo maior do que imaginava. E a preferência por esperar é acertada mesmo, porque cirurgia nessa região é delicada, justamente pelo que passa atrás dela. Os dois ortopedistas do tópico, o que mandou fazer reforço muscular e o que disse que não tem o que fazer, na prática disseram a mesma coisa por caminhos diferentes: não se opera, se fortalece. A parte do fortalecer é a que vale a pena levar a sério, e ela não é academia genérica, é trabalho específico de escápula. Serrátil, trapézio inferior e romboides, com exercícios como remada com foco em juntar e baixar a escápula, elevação de braço com carga leve e flexão de braço com protração no final. Escápula estável significa clavícula estável, porque uma está presa na outra. Sobre o supino, que é onde dói: o colega que falou da barra descendo perto do pescoço acertou o alvo. Para quem tem essa articulação irritada, o que agride é abrir demais o braço com a barra baixa e forçar o ombro para trás no fundo do movimento. Enquanto isso não estiver resolvido, troque a barra por halteres com as palmas viradas uma para a outra, mantendo os cotovelos mais perto do corpo, e não desça além do ponto em que começa o desconforto. Flexão de braço no chão costuma ser bem tolerada. Evite paralelas profundas, crucifixo aberto e desenvolvimento por trás da cabeça. Isso não é abandonar o peitoral, é treinar peitoral por um caminho que não passa por cima do lugar dolorido. E respondendo o colega de 2022, que estala mas não dói: estalido sem dor nessa articulação costuma ser benigno e não precisa de nada além de acompanhar. O que merece avaliação é dor que persiste depois do treino, inchaço no local ou piora progressiva. Uma última coisa, para o autor. Você começou há três meses e se chamou de frango. Todo mundo começa assim, e o que você está fazendo agora, procurar entender o próprio corpo em vez de ir empurrando com dor, é exatamente o que faz alguém treinar por vinte anos em vez de por dois. Leve a informação certa ao ortopedista, que a articulação é a esternoclavicular e que ela sai do lugar sozinha, e peça uma avaliação com imagem apropriada. Descrição certa muda a consulta inteira. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  4. O vendedor te disse que abdominal queima gordura localizada. Ele estava errado, e o pessoal aqui já te avisou. Só quero fechar essa parte com um número, porque assim ela não volta nunca mais. Uma série de abdominais gasta pouquíssimas calorias, algo como três ou quatro. E a gordura que o corpo usa como energia não sai do lugar que está trabalhando, ela é retirada da circulação e vem de todo o corpo, seguindo a ordem que a sua genética determinou. Ninguém escolhe de onde sai. Por isso mil abdominais não riscam barriga nenhuma, e por isso o cara que corre resolve mais barriga do que o cara que faz abdominal, sem nunca ter feito abdominal. Isso não significa que abdominal seja inútil. Significa que ele constrói músculo, e músculo é o que aparece quando a gordura sai. São duas tarefas separadas: abdominal faz o desenho, dieta tira o que está por cima. Agora vamos ao seu caso, que é mais interessante do que a pergunta. Você tem dezessete anos e sessenta e dois quilos, e sente que tem barriga. Isso quase sempre não é excesso de gordura, é falta de músculo. Quando não há praticamente nada construído por baixo, qualquer gordura normal fica evidente, porque não tem estrutura sustentando nada. É por isso que gente magra às vezes se acha barriguda, e é por isso que a resposta certa para você é a que o colega deu: hipertrofia. Construir ombro, costas e peitoral muda a sua silhueta muito mais do que perder dois quilos, porque cintura fica mais estreita por comparação. Sobre tirar os carboidratos, não faça isso. O que faz gordura sair é comer menos caloria do que se gasta, e carboidrato não tem culpa nenhuma nisso. Aos dezessete anos, treinando e crescendo, cortar carboidrato é a forma mais rápida de treinar mal, dormir mal e não crescer. O que você mesmo identificou já é o suficiente: bolacha, chocolate e sobremesa saindo, comida de verdade entrando. Isso resolve sozinho boa parte do problema, sem cortar nenhum grupo de alimento. Sobre a briga em torno dos vinte e seis por cento, eu não vou dar palpite pela foto, porque não dá para medir gordura de ninguém por foto e eu não conheço você. O que vale dizer é que os métodos discordam muito entre si, e dobra cutânea feita por mão inexperiente erra fácil por cinco pontos ou mais para qualquer lado. Chutar doze por cento é tão arriscado quanto acreditar cegamente nos vinte e seis. Então esqueça o número e use duas medidas que não mentem: fita métrica na cintura, na altura do umbigo, sempre em jejum e no mesmo horário, e foto a cada quatro semanas na mesma luz. Se a cintura diminui enquanto as cargas do treino sobem, está funcionando, e nenhum percentual precisa ser calculado. E uma palavra sobre o vendedor. Ninguém deveria pedir orientação de treino para quem ganha comissão sobre o que te vender. Não é maldade dele necessariamente, é que a função é outra. Você percebeu isso sozinho depois de ler o fórum, e essa é a melhor coisa que aconteceu no tópico. Agora respondendo o colega que aproveitou o espaço e recebeu três vezes um depende, porque a pergunta dele era boa. Sim, é normal ganhar alguma gordura no bulk, e a quantidade não é sorte, é escolha. Quanto maior a sobra calórica, maior a fatia que vira gordura. Com uma sobra moderada, algo em torno de duzentas a trezentas calorias acima da manutenção, com ganho de uns dois a quatro quilos por mês no início e bem menos depois, a maior parte do ganho é tecido. Com sobra grande, aquele comer de tudo porque estou em bulk, a proporção inverte e a pessoa passa meses secando o que ganhou em semanas. E respondendo a segunda parte, que é a que preocupava ele: não, ter ganhado barriga no bulk não torna mais difícil aparecer abdômen depois. A gordura sai igual, e o abdômen que aparece no fim é o que foi construído no meio tempo. O que atrapalha mesmo é passar o bulk inteiro sem treinar abdômen, e aí no cutting descobrir que não havia nada por baixo. Então treine abdômen o ano todo, com carga, duas ou três vezes por semana, poucas repetições difíceis em vez de centenas fáceis. Ele é músculo como qualquer outro e cresce pelo mesmo motivo. E aquela ideia de que no bulk você dobra o percentual de gordura não procede. Isso só acontece com quem exagera muito na comida, e é justamente o que se evita com sobra pequena.
  5. Você foi embora do tópico jogando a gema fora, e isso me dói um pouco, porque era justamente a parte que valia a pena. Dois ovos por dia não são problema para praticamente ninguém. O motivo é que o colesterol do sangue quase não vem do colesterol da comida. O seu fígado produz a maior parte dele, e quando você come mais, ele produz menos, compensando. Foi por isso que os órgãos de saúde abandonaram aquele limite de trezentos miligramas por dia que existia antigamente, e é por isso que os estudos com gente comendo de um a três ovos por dia não encontram o aumento de risco que se temia. O que mexe mais com o colesterol do sangue é outra coisa: gordura saturada em excesso, gordura trans, peso corporal, sedentarismo e a genética que cada um recebeu. Ovo entrou nessa história por associação, porque tem colesterol dentro, e ficou décadas pagando por um crime que não cometeu. Sobre a gema, o colega que corrigiu tinha razão em corrigir, e vale acertar o número. Um ovo inteiro tem uns seis gramas e meio de proteína, sendo cerca de três e meio na clara e quase três na gema. Ou seja, jogando a gema fora você perde quase metade da proteína. E perde muito mais do que proteína. Praticamente todos os nutrientes do ovo estão na gema: vitamina A, D, E, K, B12, folato, colina, selênio, luteína. A clara é proteína com água. Quem come oito claras e nenhuma gema está comendo um suplemento caro em forma de comida e descartando o alimento. Agora, a resposta honesta tem uma ressalva, e é ela que transforma isso em algo prático. Existe uma parcela pequena de pessoas cujo colesterol sobe de forma perceptível com colesterol da dieta. E existe gente que já tem diabetes, doença cardíaca ou colesterol muito alto de origem genética, e para essa gente a conversa é individual, com médico. Ou seja, não dá para eu dizer daqui que está tudo certo com você especificamente. Mas dá para você descobrir, e é simples: faça um exame de lipídios agora, siga comendo os dois ovos inteiros, e repita em uns três meses. Aí você deixa de discutir e passa a saber. Isso vale mais do que qualquer opinião de fórum, incluindo a minha. Duas coisas práticas, já que você cozinha os ovos de manhã. Ovo cozido ou pochê é a melhor forma, porque a gema não fica exposta ao calor forte e ao oxigênio, o que preserva melhor a gordura dela. E o que acompanha o ovo costuma pesar mais na conta do que o ovo: dois ovos com pão integral e fruta é um café da manhã excelente, dois ovos fritos em banha com linguiça e pão com manteiga é outra coisa completamente diferente, e é essa segunda cena que faz o ovo levar a culpa. Por último, olhando o seu caso: 1,84 metro, oitenta e dois quilos e treinando para hipertrofia. Dois ovos te dão treze gramas de proteína. Você precisa de algo entre cento e trinta e cento e oitenta gramas no dia. Então o seu problema com ovo não é comer demais, é que ele mal encosta na sua meta. Coma os dois inteiros, coma quatro se quiser, e preocupe-se com o resto do dia. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  6. O tópico misturou duas coisas bem diferentes e por isso não chegou a lugar nenhum. Vamos separar, porque cada uma tem uma resposta. A tabela que colaram aqui, com cinco vírgula seis gramas de carboidrato e zero vírgula seis de proteína, é da geleia de mocotó industrializada. Aquilo é basicamente açúcar com gelatina, e a segunda tabela postada, com vinte e quatro gramas de carboidrato em cem gramas, confirma. Como fonte de proteína, esquece. Já o mocotó de verdade, o caldo feito da pata do boi, é outro alimento. E aqui vem a parte interessante, que é o motivo de eu ter vindo escrever. A pata do boi não é músculo. Ela é pele, tendão, cartilagem e osso. E a proteína desses tecidos é quase toda colágeno. Colágeno é proteína, sim, e aparece bonito na tabela nutricional, só que ele é uma proteína incompleta: falta triptofano quase por completo e é pobre justamente em leucina, que é o aminoácido que dispara a construção de músculo. Então, para hipertrofia especificamente, o mocotó é uma das piores proteínas que existem, apesar do número no rótulo. É o oposto exato da fama que ele tem. Isso responde a sua observação inicial, que era esperta. Você imaginou que, por ser uma parte de músculo muito desenvolvido, o alimento seria melhor. Na verdade é o contrário duas vezes: nem é músculo, e o tecido que é ainda por cima tem a proteína de pior qualidade do boi. E de onde vem a lenda, então. Vem de uma época em que ficar forte significava não passar fome. Caldo de mocotó é quente, gorduroso, denso, sacia, é barato e alimenta muita gente com pouco. Numa casa onde caloria era o que faltava, quem tomava caldo de mocotó ficava mesmo mais forte que quem não tomava. Sua mãe e seu tio não estão inventando nada, eles estão repetindo uma verdade de outro contexto. O colega do Nordeste que falou em lenda dos mais antigos acertou em cheio, e o açougueiro estava só brincando com uma tradição bonita. Isso não quer dizer que seja alimento ruim. É gostoso, é cultura, tem gelatina que agrada o paladar e vem com uma quantidade razoável de gordura e sódio, principalmente na versão de restaurante. Coma porque gosta, sem contar com ele para bater a proteína do dia. E, sendo justo com o colágeno, há indício de que ele possa ajudar tendão e articulação quando consumido junto de vitamina C e com o tecido sendo treinado. Só que isso é outra função, e não é construção de músculo. Agora, sobre a sua refeição da noite, que é o que realmente vai te fazer crescer. Fígado, filé de frango e leite são excelentes escolhas. Duas ressalvas, porém. Ovo cru, não. Além do risco de salmonela, a clara crua tem uma substância que prende uma vitamina do complexo B, e o mais importante: proteína de ovo cru é aproveitada pela metade. Cozinhando ou fritando, o aproveitamento vai para perto de noventa por cento. Você está literalmente jogando fora metade dos ovos que come. Cozinhe e continue comendo, que ovo é dos melhores alimentos que existem para o seu objetivo. E fígado é ótimo, mas não é para todo dia. Ele é muito concentrado em vitamina A, que se acumula no corpo, e o excesso faz mal. Uma ou duas vezes por semana é ideal, e aí ele te entrega ferro, vitamina B12 e proteína de primeira qualidade. Você já entendeu o essencial quando escreveu que um alimento sozinho não decide nada. Então vou responder direto o que você perguntou depois: sim, incluir na refeição não é má ideia nenhuma, desde que os gramas de proteína do seu dia venham do frango, dos ovos, do leite e da carne. E se o treino está pesado demais e o descanso curto, esse é um problema maior do que qualquer escolha de alimento, porque músculo cresce no descanso, não durante a série. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  7. Tem uns sete ou oito garotos nesse tópico com a mesma aflição e nenhum saiu daqui com uma resposta de verdade. Então vamos por partes, e a primeira parte é a mais importante. Musculação não atrapalha o crescimento. Nem agachamento, nem hack, nem leg press. Isso não é opinião nem depende de pessoa para pessoa, é o que as entidades de pediatria e de medicina do esporte dizem há décadas, com base em acompanhamento de adolescentes que treinaram e de adolescentes que não treinaram. Quem treina cresce igual. Vale saber de onde o mito nasceu, porque aí ele perde a força. Ele vem de duas coisas. Uma é a observação antiga de crianças submetidas a trabalho pesado, desnutridas, que cresciam menos, e o que atrapalhava ali era a fome e a exaustão, não o peso. A outra é o risco real de machucar a placa de crescimento com carga máxima e técnica ruim, coisa de tentar levantar recorde aos catorze anos sem ninguém orientando. Isso é um problema de execução, e a solução é aprender o movimento com carga moderada, não fugir da academia. Agora, o que decide a sua altura. A parte de longe maior é genética. Depois vêm sono, alimentação e saúde, e esses três importam de verdade nessa idade. Dormir pouco atrapalha porque é durante o sono profundo que sai a maior parte do hormônio de crescimento. Comer mal atrapalha porque falta matéria-prima. Aliás, se alguma coisa da academia pudesse ajudar, seria essa: quem treina costuma comer melhor e dormir melhor. Como vocês estão todos chutando altura de pai, de mãe e de tio, deixa eu dar a conta que os pediatras usam. Some a altura do pai com a da mãe em centímetros, some treze, e divida por dois. Isso dá a altura-alvo para um menino, e a faixa provável vai uns oito centímetros e meio para mais ou para menos. Fazendo para quem se apresentou aqui: o colega com pai de 1,91 e mãe de 1,70 tem alvo em torno de 1,87, com faixa que vai de 1,78 a 1,95. Ele tem 1,72 aos dezesseis e provavelmente ainda tem bastante estrada, sim. O colega com pai de 1,79 e mãe de 1,63 tem alvo perto de 1,78, e chegar aos 1,75 que ele queria é bem provável. Vale lembrar que isso é uma média com margem grande, não uma promessa, e que ninguém cai fora da faixa por causa de agachamento. Sobre até quando se cresce, houve chute de tudo aqui. Na maioria dos meninos o estirão acontece entre treze e quinze anos, e o crescimento vai desacelerando até parar por volta dos dezesseis aos dezoito. Crescer depois dos vinte é incomum, e crescer sete centímetros dos dezessete aos vinte e um é raríssimo. Aquele relato de 1,74 aos dezesseis para 1,82 aos vinte é possível, mas é um caso de estirão tardio, não é a regra e não foi a musculação que fez. E cuidado com a régua. A gente é um a dois centímetros mais alto de manhã do que à noite, porque os discos da coluna comprimem ao longo do dia. Boa parte dos cresci dois centímetros relatados aqui é isso, ou é fita medida de jeito diferente. Se quiser acompanhar direito, meça sempre no mesmo horário, descalço, encostado na parede, e só a cada três ou quatro meses. O colega que tirou raio-x do joelho e ouviu do médico que o esqueleto já era de adulto fez a única coisa que realmente responde essa pergunta. Existe um exame simples, de raio-x da mão e do punho, que mostra a idade óssea e diz se as cartilagens de crescimento ainda estão abertas. É barato, é rápido, e substitui todo esse achismo. Quem está mesmo angustiado, faça isso e leve a um endocrinologista. Tem um motivo prático para não deixar para depois: se houver alguma causa tratável para baixa estatura, o tratamento só funciona enquanto as placas estão abertas. Depois que fecham, não há o que fazer. Então procurar agora é o oposto de neura, é a hora certa. E aqui eu quero falar de outra coisa, porque ela apareceu no tópico e foi tratada mal. O rapaz que voltou a perguntar foi respondido com para de importunar a gente. Eu entendo o cansaço de quem responde, mas aos dezesseis anos altura mexe demais com autoestima, e insistir na pergunta é sinal de aflição, não de chatice. O outro colega que respondeu com calma, notando a ansiedade e sugerindo cuidado com isso, acertou o tom. Para vocês todos: a altura é a única coisa do corpo que ninguém escolhe. Já a largura de ombro, a quantidade de músculo, a postura e como a roupa cai, tudo isso vocês decidem, e é justamente o que a musculação faz. Um cara de 1,70 bem construído tem uma presença física que muito 1,85 magrelo não tem. Vocês estão no lugar certo e fazendo a coisa certa. Comam bem, durmam oito horas, treinem com técnica e parem de se medir toda semana. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  8. Colocar mais peso na barra parece a prova definitiva de treino pesado. Só que a carga pode enganar quando ela compra repetição às custas de amplitude, controle e técnica. Em “Erro comum na seleção da carga”, Dr. Paulo Gentil parte de uma cena simples, uma rosca direta quase sem flexão e extensão do cotovelo, para defender uma regra prática: primeiro se define como o movimento será feito. A carga vem depois. Essa inversão muda a forma de treinar. Em vez de perguntar “quanto peso eu pego?”, a pergunta correta passa a ser: consigo fazer a amplitude proposta, na velocidade escolhida, dentro da faixa de repetições planejada, sem transformar o exercício em outro movimento? Se a resposta for não, o peso está errado, mesmo que pareça impressionante. O erro: deixar a carga mandar no exercícioA cena usada como exemplo é quase uma caricatura do problema. O praticante tenta fazer rosca com halteres pesados, mas o braço praticamente não se move. Não há uma repetição completa. Há uma isometria perto do encurtamento máximo, com o corpo balançando para compensar a falta de alavanca. Esse tipo de execução costuma nascer de uma crença simples: se o peso subiu, o treino evoluiu. O problema é que a musculação não mede apenas deslocamento de anilhas. Ela depende de tensão no músculo alvo, amplitude de movimento, proximidade da falha, estabilidade, velocidade e coerência com o objetivo da série. Quando o peso obriga a encurtar o movimento, roubar com o tronco, acelerar sem controle ou fugir da posição planejada, a carga deixou de ser estímulo e virou sabotagem. A pessoa não está treinando mais pesado. Está treinando outra coisa. Força e tamanho não são a mesma coisaOutro ponto importante é não confundir aparência com capacidade. Uma pessoa pode ser muito forte sem parecer extremamente musculosa. Outra pode ser grande e não dominar certos exercícios. Força depende de fatores neurais, técnica, alavancas corporais, experiência específica no movimento e coordenação. Por isso, o alvo da crítica não é o tamanho de quem executa mal. O problema é a cultura de tratar carga como variável soberana. Isso fica ainda mais perigoso quando estudantes, treinadores e influenciadores passam a repetir que o peso é o fator principal do treino, como se amplitude e controle fossem detalhes estéticos. Para hipertrofia, o peso importa, mas não manda sozinho. Ele precisa trabalhar dentro de uma execução que realmente exponha o músculo ao estímulo desejado. Amplitude pode valer mais que pesoA tese central é direta: alongar mais o músculo durante o exercício pode gerar um estímulo mais relevante do que simplesmente aumentar carga em amplitude curta. Isso aparece com clareza quando se compara trabalho em posições mais alongadas com trabalho em posições mais encurtadas. No estudo de Nosaka e Sakamoto, os flexores do cotovelo foram exigidos em ângulos diferentes. A condição mais alongada produziu mais sinais de dano muscular e maior perda de força posterior, mesmo com menor capacidade de produzir força naquele ângulo. Em linguagem de treino: a posição alongada pode ser mais exigente para o músculo, ainda que use menos peso absoluto. O estudo de McMahon e colaboradores levou a discussão para um protocolo de treino mais ecológico. Um grupo treinou membros inferiores com amplitude mais curta, de 0 a 50 graus. Outro treinou com amplitude maior, de 0 a 90 graus. O grupo de amplitude curta conseguia usar mais carga relativa, mas o grupo de amplitude maior teve melhores adaptações em força, tamanho muscular e redução de gordura subcutânea. O recado prático é forte: diminuir o peso para fazer o movimento melhor pode ser uma progressão real. Aumentar o peso e perder amplitude pode ser regressão fantasiada de evolução. Carga alta com movimento curto cobra caroTreinar encurtado demais limita o estímulo aos ângulos que realmente foram praticados. Se a série nunca visita a posição alongada, o corpo não recebe estímulo consistente naquele trecho. Isso pode reduzir ganho de força em amplitudes maiores e empobrecer a transferência para movimentos reais. Há também uma questão de tecido. Um músculo treinado sempre em encurtamento tende a receber menos desafio em comprimento. A discussão sobre comprimento de fascículos, rigidez e funcionalidade ajuda a entender por que amplitude não é frescura. Ela participa da saúde do movimento. Isso não significa que toda repetição parcial seja inútil. Parciais podem ter lugar em métodos específicos, principalmente quando usadas com intenção e planejamento. O erro é transformar repetição parcial involuntária em treino padrão, só para sustentar uma carga que não cabe na execução. A ordem correta das variáveisA seleção da carga fica simples quando a ordem do processo é respeitada. Defina a amplitude: escolha até onde o movimento vai, com alongamento e contração coerentes com o exercício. Evite pontos longos de descanso: na rosca, por exemplo, estender totalmente o cotovelo pode ser aceitável, mas parar relaxado embaixo muda a tensão da série. Defina a velocidade: movimento rápido, lento, excêntrica enfatizada ou concêntrica explosiva precisam ser escolhas, não acidentes. Escolha a faixa de repetições: quatro a seis, seis a dez, dez a quinze ou outra zona, de acordo com o objetivo. Ajuste a carga por último: o peso correto é o maior peso que respeita todas as variáveis anteriores. Essa ordem impede a principal armadilha. Se a meta é fazer quatro a seis repetições com amplitude completa e excêntrica controlada, fazer três repetições boas e completar com roubo não cumpre a tarefa. O ajuste correto é reduzir a carga. Também vale o oposto. Se a meta era quatro a seis repetições e a pessoa fez oito, com a mesma amplitude e a mesma velocidade, a carga provavelmente estava leve para aquela proposta. A progressão não é emocional. Ela é consequência da execução combinada. Como aplicar na rosca bícepsA rosca bíceps é um bom laboratório porque o erro aparece fácil. O praticante coloca peso demais, joga o tronco para trás, encurta a descida, perde o cotovelo e transforma o exercício em balanço corporal. Uma execução mais inteligente começa com o braço descendo até uma posição alongada, sem relaxar por vários segundos embaixo. A subida deve manter o cotovelo estável e evitar que o ombro assuma o trabalho. A descida precisa ser controlada o suficiente para o bíceps continuar participando. Com isso definido, a carga vira consequência. Se a barra obriga a cortar metade da descida, o peso não serve. Se a barra permite oito repetições quando a meta era seis, o peso pode subir. O critério deixa de ser vaidade e passa a ser qualidade mensurável. Treino tensional não é treino descontroladoQuando o objetivo é um estímulo mais tensional, é comum usar menos repetições, mais carga relativa e descanso maior. Um exemplo citado é trabalhar entre quatro e seis repetições, com excêntrica controlada, concêntrica mais curta e descanso suficiente para repetir a qualidade. Mesmo nesse cenário, a carga não pode violar a execução. Treino tensional não é jogar peso e sobreviver à série. É criar alta tensão no músculo alvo dentro das variáveis planejadas. A revisão de Schoenfeld e colaboradores ajuda a contextualizar isso: cargas altas tendem a favorecer ganhos de força máxima, enquanto cargas mais baixas também podem gerar hipertrofia quando a série é levada suficientemente perto da falha. A conclusão prática não é abandonar peso alto. É parar de tratar peso alto como desculpa para movimento ruim. Quando subir a cargaA carga deve subir quando o corpo entrega a meta com sobra técnica. Alguns sinais ajudam: a amplitude planejada foi mantida em todas as repetições a velocidade combinada não virou pressa ou queda livre o músculo alvo continuou sendo o protagonista a faixa de repetições foi ultrapassada sem roubo a postura não mudou para compensar a fadiga Nesse ponto, aumentar um pouco o peso faz sentido. Não porque a carga seja a única variável importante, mas porque ela se encaixou no desenho da série. Quando reduzir a cargaReduzir peso não é fracasso. É ajuste técnico. O peso deve cair quando a execução começa a perder a característica principal do exercício. a repetição encurta cada vez mais o tronco passa a balançar para iniciar o movimento a fase excêntrica desaparece a articulação muda de posição para aliviar o músculo alvo a série vira uma sequência de tentativas incompletas O praticante que aceita reduzir carga para preservar amplitude costuma treinar melhor por mais tempo. O ego perde uma batalha pequena. O músculo ganha uma guerra grande. O erro mais comum na academiaO erro não é gostar de carga. Carga é uma variável importante, especialmente para força, progressão e organização de treino. O erro é escolhê-la antes de decidir o movimento. A pergunta “quanto você pega?” deveria vir depois de outras perguntas: qual amplitude? Qual velocidade? Quantas repetições? Qual exercício? Qual músculo alvo? Qual fase está sendo priorizada? Qual descanso? Qual nível de fadiga permitido? Sem essas respostas, a carga é apenas um número solto. Com essas respostas, ela vira ferramenta. ConclusãoSelecionar carga não é adivinhar o peso mais pesado possível. É encontrar o peso mais pesado que ainda respeita amplitude, velocidade, faixa de repetições e técnica. Essa diferença separa treino produtivo de espetáculo vazio. Para hipertrofia, força e segurança, a ordem importa: primeiro movimento bem definido, depois carga. Quando o peso obriga o exercício a encolher, o resultado também encolhe. FAQPreciso sempre fazer amplitude máxima?Na maioria dos exercícios, trabalhar com boa amplitude é uma regra segura e produtiva. Ajustes podem existir por dor, anatomia, objetivo técnico ou método específico, mas encurtar só para usar mais carga costuma ser má escolha. Carga alta é ruim para hipertrofia?Não. Carga alta pode ser excelente quando respeita a execução. O problema é usar peso alto a ponto de perder amplitude, controle e estímulo no músculo alvo. Repetição parcial nunca funciona?Funciona em estratégias específicas. O erro é fazer parcial sem intenção, apenas porque o peso escolhido é alto demais para a amplitude planejada. Como sei se a carga está leve?Se a meta era uma faixa de repetições e você ultrapassou essa faixa mantendo amplitude, velocidade e técnica, a carga provavelmente pode subir. Como sei se a carga está pesada demais?Se a amplitude encurta, a fase excêntrica desaparece, o tronco rouba o movimento ou o músculo alvo some da série, o peso passou do ponto. ReferênciasGENTIL, Paulo. Erro comum na seleção da carga. [S. l.], 28 jul. 2026. YouTube. Disponível em: https://youtu.be/w8v5VAQ-piQ. Acesso em: 29 jul. 2026. NOSAKA, K. SAKAMOTO, K. Effect of elbow joint angle on the magnitude of muscle damage to the elbow flexors. Medicine and Science in Sports and Exercise, 2001. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11194107/. Acesso em: 29 jul. 2026. MCMAHON, Gerard E. et al. Impact of range of motion during ecologically valid resistance training protocols on muscle size, subcutaneous fat, and strength. Journal of Strength and Conditioning Research, 2014. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23629583/. Acesso em: 29 jul. 2026. SCHOENFELD, Brad J. et al. Strength and Hypertrophy Adaptations Between Low- vs. High-Load Resistance Training: A Systematic Review and Meta-analysis. Journal of Strength and Conditioning Research, 2017. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28834797/. Acesso em: 29 jul. 2026.
  9. A pergunta do tópico tem uma resposta que ninguém chegou a dar, e ela está no próprio rótulo que foi colado aqui. O produto da Arnold não tem estimulante nenhum. A lista é fibra, quitosana, vitamina C, ácido pantotênico, vitamina B6 e magnésio. Não há cafeína, não há sinefrina, não há chá verde, não há nada que aumente gasto calórico. Então a dúvida sobre combinar com o resto se desfaz sozinha: não existe soma a fazer, porque não há o que somar. E respondendo direto o colega que perguntou três vezes se era ou não termogênico: não é, apesar de ser vendido como tal. É um produto de saciedade, e a quitosana, que é a parte que promete prender gordura, foi testada e o efeito sobre peso é irrisório. Você não perdeu grande coisa comprando, mas também não vai ganhar nada tomando. Agora a parte que me preocupa mais, e é a que motivou eu escrever aqui. O Marax e o Franol não são suplementos, são medicamentos de asma, com bula, indicação e prescrição. Usá-los para secar é usar remédio fora do que ele foi feito para fazer, e é isso que está sendo combinado com cafeína aqui. Vale saber exatamente o que tem dentro deles, porque o tópico girou meio às cegas nisso. O primeiro colega disse que Marax dá um sono danado, e ele deu, sem saber, a explicação do resto. O Marax tem hidroxizina, que é um anti-histamínico que dá sono. Então quem afirmou que ele corta o efeito termogênico estava certo no resultado, e quem identificou a hidroxizina como a diferença estava certo no mecanismo. Os dois lados tinham metade. Um sedativo junto com um estimulante não anula o estimulante de verdade, ele apenas mascara a sensação de estímulo, e é aí que mora o perigo: a pessoa não sente que está acelerada e aumenta a dose. Que é exatamente o que foi contado aqui, trezentos miligramas por dia. Isso é muitas vezes a dose de bula, e não é bravura, é sorte. Efedrina em dose alta faz pressão subir, coração disparar e arritmia aparecer, e isso não avisa antes. E tem uma coisa que ficou de fora da discussão inteira e é mais importante que a hidroxizina: esses comprimidos contêm teofilina, que é da mesma família da cafeína. Ou seja, quem toma Marax ou Franol com duzentos e cinquenta miligramas de cafeína já está somando dois estimulantes cardíacos da mesma classe, mais a efedrina. A conta de estimulante do seu dia é bem maior do que parece no papel, e é por isso que somar mais um produto seria uma má ideia mesmo que ele fosse termogênico de verdade. Sobre a aspirina, ela é a perna mais frágil desse tripé. A ideia de que ela potencializa o conjunto vem de estudos antigos e nunca se firmou. O que ela traz de certeza é irritação de estômago e sangramento mais fácil no uso diário. Se algo for para sair da conta, ela sai primeiro. Já que estamos falando de tamanho de efeito, vale honestidade: nos estudos em que efedrina e cafeína foram usadas para emagrecer, a diferença de peso em vários meses ficou em poucos quilos comparada a quem não usou. Não é nada, mas está muito longe de justificar a montagem de risco que se faz por aqui. O que muda o resultado continua sendo o tamanho do déficit, a proteína e a constância no treino. Uma correção pequena no que foi dito: perder mais de um quilo e meio por semana não é massa magra na certa, mas a direção do conselho está certa. Quanto mais rápido você tira peso, maior a fatia que vem de músculo. Meio por cento a um por cento do peso corporal por semana é o ritmo que preserva o que interessa. E um efeito colateral que quase nunca entra na conversa e que estraga dieta: insônia. Estimulante quarenta minutos antes de treinar já compromete o sono de quem treina à noite, e dormir mal aumenta a fome no dia seguinte e derruba o desempenho. É bem possível perder pelo sono mais do que se ganha pelo gasto. Se ainda assim a decisão for usar, faça pelo menos isso: leve a lista completa do que está tomando a um médico, meça a pressão com regularidade nas primeiras semanas, nunca some outro estimulante por cima e não escale dose por conta própria. E, principalmente, não deixe a comida em segundo plano, porque é ela que está fazendo o trabalho. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  10. Três pessoas descreveram a mesma dor aqui ao longo de sete anos e ninguém respondeu nenhuma. Vamos resolver isso, começando pela parte anatômica que foi perguntada e depois pela parte que interessa mais, que é o que fazer. Primeiro, o ponto que separa as duas hipóteses do título, e ele é simples de checar em casa. Nervo dói junto com formigamento, dormência ou choque, e o ulnar tem endereço certo: dedo mínimo e metade do anelar. Além disso ele não costuma ser comprimido no meio do antebraço, e sim no cotovelo, naquele ponto que a gente bate e sente o choque, ou no punho. Se você não tem formigamento nem adormecimento nesses dois dedos, e se a dor é bem no meio do antebraço, provavelmente não é nervo. Músculo e tendão doem de outro jeito: dói ao contrair, dói ao alongar, dói ao apertar com o dedo naquele ponto exato, e piora com uso. O flexor ulnar do carpo é justamente o músculo que corre ao longo da borda da ulna, do lado do dedo mínimo, e junto dele correm os flexores dos dedos, que são os que fecham a mão com força. Esse conjunto é o que mais sofre em quem faz jiu jitsu e musculação ao mesmo tempo, porque as duas coisas somam a mesma tarefa: agarrar. Dá para localizar melhor com três testes. Apoie o antebraço na mesa com a palma para cima e tente flexionar o punho na direção do dedo mínimo enquanto a outra mão resiste. Se reproduzir a dor, é flexor ulnar do carpo. Aperte uma toalha enrolada com força. Se reproduzir, o problema está nos flexores dos dedos. Estenda o cotovelo e o punho para trás, esticando a musculatura. Se alongar assim reproduz, confirma que é musculotendíneo e não nervo. E, para o lado do nervo, bata de leve com o dedo sobre o sulco do ulnar no cotovelo, do lado de dentro. Se der choque irradiando para os dedinhos, é sinal a favor de nervo e aí a conversa muda. Sobre a causa, os dois relatos aqui apontam para a mesma coisa, sobrecarga de preensão. Jiu jitsu com kimono é o exercício de pegada mais brutal que existe, porque são minutos seguidos segurando pano com força máxima, e isso não aparece na planilha de ninguém. Some remada, barra, levantamento terra e rosca, todos com a mesma mão, e o antebraço vira o tecido mais requisitado e menos recuperado do corpo. O colega que atribuiu ao halter de um quilo provavelmente estava só descobrindo o problema ali, não criando ele, porque um quilo não lesiona ninguém. O que existia era um tecido já saturado. Vale ainda uma terceira hipótese, para o caso do colega cuja dor vinha quando soltava o peso e depois passava: existe um quadro em que o antebraço incha durante o esforço dentro de um compartimento apertado, dá dor e aperto que sobem com o exercício e cedem com o descanso. É menos comum, mas tem tratamento próprio, e vale citar ao médico se for esse o padrão. O que fazer, na prática. A parte que mais gente erra é achar que a solução é parar até não doer mais. Quando a dor já dura meses, o tecido não está inflamado, está mal adaptado, e repouso puro faz ele ficar ainda mais fraco para a mesma tarefa. O que resolve é reduzir o pico e manter carga. Reduzir o pico significa cortar o que é opcional na pegada: usar strap nas séries pesadas de puxada e terra por algumas semanas, para o antebraço parar de ser o elo que falha, e diminuir o volume de treino específico de antebraço e de pegada por um tempo. No jiu jitsu, priorize rolar sem kimono nessa fase, se for possível na sua academia, porque é a mudança que mais alivia. Manter carga significa trabalhar o músculo doente de forma controlada: flexão de punho com peso leve e movimento bem lento, principalmente na descida, três séries de dez a quinze, dia sim dia não, e a mesma coisa para a extensão e para os movimentos de girar a mão. A régua é dor de até três ou quatro numa escala de dez durante o exercício, e antebraço não pior na manhã seguinte. Se acordar pior, foi demais, reduz. E isso é lento. Tecido de tendão responde em semanas, não em dias. Oito a doze semanas de constância é o normal, e é por isso que a maioria desiste no meio e convive com a dor por anos, como aconteceu no tópico. Quando procurar médico de verdade e não aceitar o não tem nada: se houver formigamento ou dormência nos dedos, se a mão estiver perdendo força para abrir vidro ou segurar coisas, se você notar qualquer afinamento da musculatura entre o polegar e o indicador, ou se doer à noite a ponto de acordar. Aí o exame certo é com ortopedista de mão ou médico do esporte, e existe um exame que mede a condução do nervo para tirar a dúvida de vez. Uma palavra sobre o médico que não examinou. Isso é frustrante, mas em muitos desses casos o exame de imagem sai normal mesmo, e o não tem nada às vezes quer dizer não quebrou nada. Só que isso não é resposta para quem sente dor há dois anos. Procure outro, e chegue com a informação organizada: onde dói exatamente, o que reproduz, há quanto tempo, e quanto você agarra por semana entre treino e luta. Consulta com essa descrição rende dez vezes mais. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  11. A boa notícia desse tópico está no próprio final: creatinina 1,2 e aprovado. E o desfecho mostra que não havia nada para enganar, o que é a resposta mais tranquila possível. Vale explicar direito por que, porque quem cair aqui procurando isso merece sair sem medo. Creatinina não é creatina. Ela é o resto que sobra quando a creatina do músculo é usada, e o corpo produz esse resto todo dia, em quantidade proporcional à quantidade de músculo que a pessoa tem. Por isso um homem musculoso tem creatinina naturalmente mais alta que uma senhora de sessenta quilos, sem nada de errado com ele. Suplementar creatina sobe um pouco mais, comer bastante carne sobe um pouco mais, e um treino pesado nas quarenta e oito horas anteriores ao exame também sobe. Nada disso é doença, e nada disso significa rim ruim. O ponto que muda tudo é este: creatinina alta não é diagnóstico de nada sozinha. Ela é uma estimativa indireta da função do rim, e é uma estimativa que assume que a pessoa tem massa muscular média. Em quem treina, ela erra para cima. Um médico que veja creatinina levemente elevada num rapaz de vinte e poucos anos, forte, sem nada mais alterado, sabe interpretar isso. O 1,2 que você tirou é, na prática, normal. Por isso a única coisa que eu discordo do tópico é da estratégia. Falar que treina, que come bastante carne e que toma creatina não é enganar ninguém, é justamente a informação que o médico precisa para ler o exame direito. Se você omite, você entrega um número sem contexto e aumenta a chance de encrenca. Se você conta, o número passa a fazer sentido. É o contrário de enganar. E respondendo o colega que perguntou e ficou sem resposta: não, não tem problema nenhum dizer que toma creatina. Não é droga, não é controlado, não aparece em teste antidoping de trabalho nenhum. O médico do exame admissional também tem sigilo, e o que chega à empresa é apto ou inapto, não o seu exame. Se em algum momento a creatinina vier de fato acima da faixa e alguém quiser tirar a dúvida direito, o caminho não é truque, é remover o que confunde. Repetir o exame depois de uns cinco dias sem creatina, sem treino pesado nas quarenta e oito horas anteriores, com hidratação normal e sem carga de carne no dia anterior. E, quando ainda restar dúvida, existe exame que estima a função do rim sem depender de massa muscular. Aí sim a resposta é limpa. Duas correções no que ficou escrito aqui, porque assustaram gente por muitos anos. Creatina não fica seis meses no organismo. Parando de tomar, o estoque do músculo volta ao normal em umas quatro a seis semanas, e o excedente no sangue sai em poucos dias. E a história das mortes por insuficiência renal atribuídas à creatina em treinamento militar precisa ser colocada no lugar. O que mata nesses episódios é esforço extremo com calor, desidratação e destruição muscular, um quadro que existia muito antes de a creatina existir como suplemento e que acontece igual em quem nunca tomou. Creatina não causa insuficiência renal em pessoa com rim saudável, e isso já foi acompanhado em gente usando por anos. O que a creatina exige de água é o normal de qualquer pessoa ativa, não litros extras por obrigação. Você mesmo passou de um para três litros por dia, e isso é bom por mil motivos, mas não era o que estava em jogo no exame. Sobre o pH 8 na urina, ele não tem relação com creatina nem serve para detectar suplemento nenhum. pH de urina varia com o que se come, com hidratação e com a hora do dia, e sozinho não indica coisa alguma. Resumo para quem chegou pelo título: não precisa enganar, precisa contar. Quem treina tem creatinina mais alta e isso é esperado. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  12. Esse tópico atravessou seis anos e reuniu quase todas as peças certas, só que espalhadas. Vou juntar, porque quando o mecanismo fica claro a solução aparece sozinha. O Reinaldo acertou logo no começo com uma pergunta que era o diagnóstico inteiro: você sente o coração disparar e depois a pressão cai? A resposta foi sim, com suor frio. Isso tem nome e tem explicação. Quando você faz força grande, principalmente em leg press e agachamento, a tendência natural é travar o ar. Isso aumenta a pressão dentro do tórax e diminui o sangue que volta ao coração. Enquanto você está travado, a pressão até sobe. O problema é o instante em que você solta: a pressão despenca de uma vez, o coração acelera tentando compensar, e o cérebro fica alguns segundos com menos sangue. É isso que dá o escurecimento da vista, o suor frio e a sensação de que vai desmaiar. Some a isso o fato de a perna ter a maior massa muscular do corpo, que puxa muito sangue para si, e o efeito fica maior ainda do que em qualquer outro treino. Por isso acontece na quinta-feira e não nos outros dias. O colega que mediu a própria pressão entre séries de agachamento fez um belo trabalho e ficou intrigado com o resultado certo. Ele encontrou pressão alta e coração a cento e setenta, com sensação de queda. Não havia contradição: a sensação vem da oscilação, e principalmente do que acontece logo depois da série, não do que acontece durante. Isso resolve a discussão sobre respiração, em que os dois lados estavam meio certos e brigando à toa. Prender o ar no agachamento pesado não é erro, é o que estabiliza a coluna, e o AndreV tem razão nisso. Só que é exatamente o que provoca a tontura, e o Arnaldo tem razão nisso. O ajuste que concilia os dois é de tempo: trave o ar só na descida e na saída do fundo, solte na subida, e respire entre uma repetição e outra. O que derruba a pressão é ficar travado durante a série inteira, cinco, seis repetições sem soltar o ar. Em exercício de máquina, como o seu leg, não há motivo nenhum para travar, porque não existe coluna sob carga para proteger. Agora as coisas práticas que costumam resolver, em ordem de importância. Não treine perna logo depois de almoço pesado. Você mesmo desconfiou disso e estava certo. Depois de uma refeição grande, boa parte da circulação está ocupada com a digestão, e treinar perna nesse momento é disputar o mesmo sangue. Deixe umas duas a três horas. Não comece pelo leg press. Comece por algo mais leve, cadeira extensora ou o próprio leg com carga bem baixa, e suba aos poucos. Entrar frio no exercício mais pesado do treino é onde quase todo mundo passa mal. Fique de olho na água e no sal. Treino de perna dá muito suor, e desidratação derruba pressão sozinha. Quem faz dieta de secar costuma cortar sal também, e aí a pressão fica ainda mais baixa de base. E não levante de uma vez. Sair do leg press na hora, ou levantar rápido do banco entre séries, é justamente o momento em que a coisa acontece. Levante devagar e ande um pouco entre as séries. Se começar a vir, sente ou deite no chão e ponha as pernas para cima. Não vá para o banheiro, que é o pior lugar para desmaiar, e não saia dirigindo. O colega que relatou vontade de evacuar junto com o suador descreveu uma reação bem conhecida, do mesmo nervo que derruba a pressão, e ir ao banheiro naquele estado é arriscado. Sobre dividir o treino de perna, a resposta que deram é boa e funciona. Quadríceps num dia e posterior com panturrilha noutro reduz o volume total de cada sessão, que é o que costuma acumular até o mal-estar. Duas coisas eu preciso corrigir com firmeza. A primeira é aquela frase do Arnold, de que não vomitar significa que o treino não foi intenso o bastante. Isso é folclore de uma época e não é meta de treino. Vômito não mede estímulo, mede que o corpo passou de um limite, e ninguém cresce mais por causa disso. Treino de perna bom é o que você consegue repetir na semana seguinte com um pouco mais de carga. A segunda é a ideia de que escurecer a vista é natural. Não é. É comum, que é bem diferente, e é um aviso de que o cérebro ficou sem sangue por um instante. Com os ajustes acima isso costuma sumir. Se não sumir, se vier desmaio de verdade, dor no peito, falta de ar desproporcional ou aquele descompasso violento do coração que um colega descreveu aqui, aí não é técnica de respiração, é caso de cardiologista antes de voltar a treinar pesado. O outro colega que fez teste de esforço e não deu nada tomou exatamente a atitude certa, e o resultado normal dele é a melhor notícia do tópico. Fico feliz que você tenha voltado três semanas depois dizendo que reforçou a alimentação, arrumou a respiração e o problema parou. É a confirmação de tudo isso. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  13. O pessoal aqui pegou o ponto principal, e vale só colocar tamanho na coisa, porque "acelera o metabolismo" soa grande e o efeito real é bem pequeno. Quando mediram gasto calórico de gente tomando chá verde, a diferença ficou na casa de algumas dezenas de calorias por dia, e boa parte disso vem da cafeína, não da substância exclusiva do chá. Nos estudos mais longos, a perda de peso extra atribuída ao chá verde foi de menos de um quilo em vários meses, e em vários trabalhos não apareceu diferença nenhuma. Ou seja: é uma bebida boa, sem caloria, gostosa, e é isso. Ela não é uma alavanca de emagrecimento. Agora o que realmente trava o seu caso, que o colega já apontou e eu quero reforçar com número. Você está com uma dieta de ganho de massa, feita por nutricionista, e quer sair de treze por cento para oito por cento de gordura. Isso não é chá, é uma direção contrária. Dieta de ganho tem sobra calórica, e perder gordura exige falta. Nenhum termogênico resolve essa contradição, porque ele mexe com dezenas de calorias e a dieta mexe com centenas. O caminho honesto é escolher a direção agora e conversar com a sua nutricionista sobre isso, já que ela montou o plano para outro objetivo e nem sabe que você mudou de ideia. Se a escolha for secar, o alvo razoável é meio por cento a um por cento do peso por semana, com a proteína mantida alta e o treino pesado mantido, que é o que preserva o músculo enquanto a gordura sai. De treze para oito por cento, feito assim, dá alguma coisa entre dois e quatro meses. É bem menos glamouroso do que qualquer chá e é o que funciona. Duas observações práticas sobre o seu horário de tomar. Tomar chá no almoço e no jantar não é a melhor escolha. Os compostos do chá verde atrapalham a absorção de ferro da comida, principalmente do ferro que vem de feijão, folha e grão. Quem toma junto das refeições principais todos os dias pode ficar com o ferro baixo com o tempo, e ferro baixo derruba disposição e rendimento no treino. Prefira entre as refeições, umas duas horas longe do almoço e do jantar. E, à noite, lembre que o chá tem cafeína. Menos que café, mas tem. Se atrapalhar o sono, atrapalha a recuperação, e aí você perde de um lado mais do que ganharia do outro. Última coisa, sobre os concentrados. Chá verde de infusão é seguro para praticamente todo mundo. Cápsula de extrato concentrado é outra história, porque existem casos descritos de problema no fígado com doses altas, e não vale correr esse risco por um efeito tão pequeno. Sobre o treino, três dias de academia e dois de futebol é uma base boa e ela já está funcionando a seu favor. Continue nela e mexa na comida, que é onde a resposta está. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  14. A briga desse tópico existe por causa de uma palavra: absorver. Trocando ela por outra, os dois lados quase se entendem. Seu intestino absorve praticamente toda a proteína que você come. Não existe um limite em que o excesso passa reto e sai inteiro. Se alguém comer trezentos gramas de proteína num dia, quase tudo vai ser absorvido. Então a frase de que o corpo só absorve dois gramas por quilo está tecnicamente errada. O que tem limite é outra coisa: o quanto dessa proteína vira músculo. E aí o número do texto original não está longe da realidade. Juntando os estudos que compararam quantidades diferentes em pessoas treinando, o benefício para ganho de massa se acumula até algo em torno de um grama e seis décimos por quilo por dia, e a margem de segurança das análises vai até uns dois gramas e dois décimos. Acima disso, ninguém conseguiu mostrar ganho adicional. O que passa disso é usado como energia ou eliminado. Então o veredito é dividido, e cada lado leva um pedaço. Quem defendia o teto de dois gramas por quilo estava certo na prática e errado na explicação. E quem toma três gramas por quilo não está se prejudicando, só está pagando caro por proteína que vai virar combustível. Mas existem situações reais em que passar de dois faz sentido, e isso o pessoal que discordou sentiu na pele sem conseguir explicar. Durante um período de definição, com pouca comida, a necessidade de proteína sobe, porque ela também passa a proteger a massa magra. Quem está em déficit agressivo, ou já é bem magro, se beneficia de algo entre dois e dois e meio gramas por quilo. Também vale contar pelo peso de massa magra e não pelo peso total quando a pessoa tem bastante gordura, senão a conta infla sem motivo. Agora a parte que precisa de correção mais firme, porque assusta muita gente: proteína alta não sobrecarrega o rim de quem tem rim saudável. Isso foi investigado bastante, inclusive com pessoas treinadas consumindo bem acima do recomendado por períodos longos, e não apareceu prejuízo de função renal. A recomendação de moderar proteína é para quem já tem doença renal, e essa é uma conversa com o médico, não uma regra geral para a academia. Sobre o bife, o pessoal pegou o erro na hora e com razão. Carne cozida tem por volta de um quarto do peso em proteína. Um bife de cem gramas entrega perto de vinte e cinco a trinta gramas. Para chegar aos cento e vinte gramas de proteína do exemplo, seriam uns quatro ou cinco bifes, não um. É um erro que muda a conclusão do texto inteiro, porque ele passa a impressão de que é fácil demais bater a meta, quando na verdade a maioria das pessoas fica abaixo dela. Já que estamos falando de conta, vale ter na cabeça os números que resolvem o dia: um ovo tem uns seis gramas, um copo de leite uns oito, um pote de iogurte natural uns dez, uma concha de feijão uns cinco, cem gramas de frango uns trinta. Quem monta as refeições sabendo disso quase não precisa de suplemento. E o colega que falou da indústria tem toda razão no ponto principal. Proteína é essencial, mas ela não é o gargalo para a maioria de quem treina. Whey é comida em pó, prática e cara, e não faz nada que a comida não faça. Albumina, leite, ovo e carne resolvem, e trocar por eles é decisão de bolso, não de resultado. Quem empilha whey, aminoácido e mais um pote de outra coisa quase sempre está resolvendo três vezes o mesmo problema, e nenhum dos que realmente limitam o crescimento, que são treino consistente, calorias suficientes e sono. Uma última correção, de um mito irmão desse: a ideia de que o corpo só aproveita trinta gramas de proteína por refeição também não se sustenta. Refeição maior é usada por mais tempo. Dividir em quatro ou cinco refeições ao longo do dia é bom por conveniência e por regularidade, não porque exista um limite por prato. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  15. Essa história tem origem conhecida, e conhecer a origem já resolve boa parte da dúvida. Ela vem de um estudo dos anos noventa que juntou creatina com uma dose alta de cafeína, algo em torno de cinco miligramas por quilo, o que dá umas quatro xícaras de café para uma pessoa de oitenta quilos, tomadas todos os dias durante o período de saturação. Nesse trabalho, o grupo que usou os dois juntos não teve o ganho de desempenho que o grupo só de creatina teve. Mas tem um detalhe nesse estudo que quase nunca é contado, e ele é o mais importante: o músculo dessas pessoas carregou creatina normalmente. A quantidade estocada foi a mesma. Ou seja, a cafeína não impediu a creatina de ser absorvida nem de entrar no músculo. O que se levantou foi uma possível interferência na hora da contração, porque as duas parecem puxar o relaxamento muscular para lados opostos. E, desde então, outros estudos foram feitos e a maioria não encontrou essa interferência. Muita gente que pesquisa o assunto hoje usa as duas coisas juntas em pré-treino sem problema nenhum. Então a resposta honesta é: não está estabelecido que corta, e se existir algum efeito, ele é pequeno e depende de dose alta e uso contínuo. Na prática, a preocupação se dissolve por outro caminho, que ninguém mencionou aqui. A creatina não age na hora em que você toma. Ela funciona por saturação, enchendo o estoque do músculo ao longo de semanas de uso diário. Por isso o horário não faz diferença nenhuma, inclusive nos dias em que você não treina. Se a coincidência com o café te incomoda, basta tomar a creatina em outro momento do dia e pronto, sem perder nada. Duas correções nas outras informações do tópico. O café não precisa ser cortado, e chocolate muito menos. A quantidade de cafeína numa barra de chocolate é pequena perto de uma xícara de café. A cerveja também não corta creatina por ser diurética. O problema do álcool com treino é outro, atrapalha recuperação, sono e desempenho no dia seguinte, e isso vale com ou sem creatina. E aquele número de trinta por cento de rendimento com uma xícara de café está bem exagerado. A cafeína funciona mesmo, é dos poucos suplementos com efeito bem demonstrado, mas a melhora fica na casa de poucos por cento em força e em resistência. É o suficiente para valer a pena e não é o suficiente para transformar ninguém. Aliás, se o objetivo é o efeito da cafeína no treino, uma xícara pequena provavelmente é pouco. A faixa que costuma render fica entre três e seis miligramas por quilo, o que para a maioria das pessoas significa duas ou três xícaras, tomadas uns quarenta e cinco a sessenta minutos antes, não vinte. Só vale lembrar que quem toma café o dia inteiro perde parte do efeito por costume, e que dose alta perto da noite estraga o sono, que é justamente onde a recuperação acontece. Então: pode tomar café e pode tomar creatina. Toma o café antes de treinar e a creatina na hora que você lembrar.
  16. Respondendo direto: não, a nimesulida não corta o efeito da testosterona. Não existe interação que reduza a ação dela, nem que atrapalhe a liberação do éster no músculo. Pode fazer o tratamento da gengiva em paz por esse lado. O PharmaBio deu uma resposta caprichada, e vale só ajustar um ponto dela. A preocupação com tempo de coagulação faz sentido para anti-inflamatórios em geral, porque a maioria mexe com a função das plaquetas. Acontece que a nimesulida é das que menos fazem isso, justamente por agir preferencialmente sobre uma via diferente. Então aquele receio específico era menor do que pareceu na época. Em compensação, tem duas coisas que ficaram de fora e que importam mais. A primeira é a pressão arterial. Anti-inflamatório faz o corpo reter sódio e água e tende a subir a pressão, e a testosterona faz exatamente a mesma coisa, além de engrossar o sangue com o tempo. Os dois juntos empurram para o mesmo lado. Em dez dias de tratamento isso não costuma dar problema em alguém saudável, mas é um bom motivo para medir a pressão durante esse período e para não emendar anti-inflamatório por conta própria depois que a receita acabar. A segunda é o fígado, e aqui a nimesulida merece respeito. Ela é conhecida por casos de lesão hepática e por isso chegou a ser retirada de mercado em alguns países. No seu caso o risco é pequeno, porque Durateston é injetável e não sobrecarrega o fígado do mesmo jeito. Mas para quem estiver lendo isso usando oral alquilado, como stanozolol ou oxandrolona, aí a soma passa a ser bem menos confortável, e vale conversar com médico antes. Sobre a dor da aplicação ter sumido, a explicação do colega está certa, é o efeito analgésico do remédio agindo sobre a irritação que o veículo oleoso provoca no músculo. Mas eu acrescentaria um motivo para não tomar anti-inflamatório rotineiramente só por causa disso, e não é o de aguentar dor por esporte. Dor de aplicação é um sinal, e é o sinal que avisa quando alguma coisa saiu errado. Dor que melhora dia após dia é normal. Dor que piora depois do segundo dia, com vermelhidão que espalha, calor local, endurecimento crescente ou febre, é outra coisa e precisa de médico no mesmo dia. Tomando analgésico continuamente, você não enxerga essa diferença, e a pessoa acaba descobrindo tarde. Compressa morna e movimentar o braço ou a perna depois da aplicação resolvem o desconforto normal sem apagar o aviso. E uma última observação, dita com boa intenção: essa era uma pergunta para o seu dentista e para o farmacêutico da esquina, que teriam respondido na hora e de graça. Contar que está usando testosterona muda o que eles precisam observar, principalmente pressão e sangramento num procedimento de gengiva. Profissional de saúde tem obrigação legal de sigilo e não vai te julgar nem denunciar. É informação que protege você. Sobre o sem dor sem ganho, deixa eu discordar de leve. Dor de treino e dor de agulha não têm nada a ver uma com a outra, e nenhuma das duas mede o resultado que você vai ter. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  17. A sua pergunta é bem mais inteligente do que as respostas que ela recebeu, e ela continua valendo hoje. Você não perguntou o que é catabolismo, perguntou como alguém saberia que está catabolizando. E a resposta honesta é que, do jeito que o pessoal usa a palavra, ninguém sabe, porque a coisa não funciona como um estado em que você entra. Seu corpo constrói e degrada proteína muscular o tempo todo, todos os dias, inclusive agora. Algo perto de um a dois por cento da proteína do músculo é trocada por dia. Depois de comer, a construção supera a degradação. Em jejum e durante o treino, acontece o contrário. Isso se alterna várias vezes ao dia em qualquer pessoa saudável, e é assim que o tecido se renova. O que decide se você cresce ou encolhe é o saldo dessas idas e vindas ao longo de semanas, não o que aconteceu numa tarde. Por isso aquela ideia de que alguém percebeu em uma semana que estava catabolizando e trocou o treino não se sustenta. Perder músculo de forma perceptível leva semanas de déficit real ou de inatividade. Uma semana não muda nada que se possa enxergar, medir com fita ou sentir. Respondendo direto o que você quis saber, os únicos indicadores práticos são de médio prazo, e o melhor deles é a força. Se ao longo de seis a oito semanas as cargas e as repetições estão subindo, você não está perdendo músculo, ponto final, independente do que digam do seu treino. Junto disso, peso corporal acompanhado pela média semanal, medida de fita nos mesmos pontos uma vez por mês e foto na mesma luz e mesma hora a cada quatro semanas. Três coisas simples, feitas com regularidade, valem mais do que qualquer sensação. Sobre a lista de sintomas que postaram aqui, ela é real, mas é de outra coisa. Aquilo descreve excesso de treino acumulado, com queda de desempenho, sono ruim, irritação, apetite baixo e articulação doendo. É um quadro que existe, só que não é sinônimo de estar perdendo músculo, e ele leva semanas ou meses de erro para se instalar. Ficar dolorido depois de um treino puxado, como você descreveu, não entra nessa lista. Agora as correções, porque tem duas crenças no tópico que atravessaram vinte anos. A primeira é a do cortisol depois dos quarenta minutos. O cortisol sobe durante o exercício sim, em qualquer treino, e é uma resposta normal e necessária, ele ajuda a disponibilizar energia. Ele não fica ali dissolvendo músculo enquanto você faz a última série. Não existe um relógio que vira a chave aos quarenta minutos, e o limite de uma hora é folclore de academia. O que existe é uma questão de qualidade: treino muito longo costuma ser treino com séries demais e desempenho caindo no fim, e o problema é esse, não o cronômetro. Isso responde a dúvida do colega sobre os quinze ou vinte minutos de abdominal depois do treino. Não, aquilo não vai catabolizar nada. Ele recebeu resposta afirmativa aqui e ela está errada. Pode fazer abdominal no fim do treino em paz. A segunda é mais interessante, porque houve uma discussão aqui e quem foi contrariado estava mais certo. Foi dito que quem tem percentual de gordura muito baixo perde músculo com mais facilidade, e o colega discordou. Pois é justamente assim que funciona: quanto menor a reserva de gordura, maior a fatia do peso perdido que vem do músculo quando falta energia. É por isso que atleta muito seco tem tanta dificuldade de continuar cortando sem perder massa. Só que a conclusão que se tirou disso é que estava errada. Isso não é motivo para engordar de propósito, porque quem entra num ganho muito rápido acumula gordura muito mais do que músculo. O caminho é sobra pequena e constante. E queria responder o colega de 2012, que ficou sem resposta. Ele treinou dois meses, parou três por dinheiro, e voltou notando perda no peito, na perna e no abdômen, mas nenhum centímetro a menos no braço. Duas coisas explicam isso. Primeiro, boa parte do que se perde nas primeiras semanas parado é glicogênio e a água que vem com ele, e isso pesa muito mais nos músculos grandes, como coxa e peitoral, do que no braço. Segundo, medida de braço é traiçoeira: ela varia com a temperatura, com o aperto da fita e principalmente com o quanto o músculo está inchado. Aquele salto de 34 para 38 centímetros em dois meses quase certamente foi medido em condições diferentes, porque ganho real de músculo nesse ritmo não existe. Mas a parte que importa para ele é outra, e é boa notícia. Quem treinou e parou recupera muito mais rápido do que quem está começando do zero, porque o músculo guarda por muito tempo estruturas que foram criadas durante o treino. Três meses parado se recupera em poucas semanas. Não é começar de novo, é retomar. Resumindo: pare de procurar sinal de catabolismo. Coma o suficiente, durma, treine pesado e acompanhe força e medidas mês a mês. Se os números sobem, está tudo certo, e a opinião alheia sobre o seu treino não muda esse fato.
  18. Esse tópico tem várias pessoas com o mesmo problema e uma pergunta que nunca foi respondida direito, inclusive por quem chegou em 2019 e ficou falando sozinho. Então vamos por partes, porque o entendimento sobre tendão mudou bastante e isso explica por que quase nada do que vocês tentaram funcionou. O nome tendinite sugere inflamação, e foi assim que se ensinou por décadas. Só que quando começaram a examinar tendões doloridos de verdade, encontraram pouquíssima inflamação. O que se encontra é desorganização do tecido, fibras bagunçadas, vasos e terminações nervosas crescendo onde não deviam. É um problema de tecido que não conseguiu se reparar direito entre uma carga e outra, e não uma inflamação clássica. Isso responde de imediato duas coisas que apareceram aqui. O colega que tomou cinco anti-inflamatórios diferentes e disse que nenhum resolveu nada não teve azar. E o outro que tomou anti-inflamatório e reclamou que a dor não passou também não. Anti-inflamatório alivia dor por alguns dias, e às vezes é útil para isso, mas ele não trata a causa, porque a causa não é inflamação. Esperar cura de comprimido é o caminho mais comum para o problema virar crônico. A segunda consequência é ainda mais importante, e ela inverte o que o tópico inteiro assumiu: repouso completo não é o tratamento. Tendão é tecido vivo que se organiza em resposta à carga. Parar totalmente alivia enquanto dura, mas o tendão fica mais fraco, e quando a pessoa volta ele reclama de novo, muitas vezes pior. É exatamente o ciclo descrito aqui por várias pessoas, com um mês parado, volta, dói de novo. Quarenta dias de tala então costuma piorar a situação. O que funciona é carga controlada e progressiva. Na fase de dor mais aguda, exercício isométrico costuma aliviar bastante, é segurar a posição parado por trinta a quarenta e cinco segundos, algumas vezes, com peso moderado e sem dor forte. Depois disso, o que remodela o tendão é trabalho lento e pesado, com carga que aumenta ao longo de semanas, dando bastante atenção à fase de descida do movimento. Não é fisioterapia leve para sempre, é carga crescente com paciência. E aqui vai a ferramenta prática que ninguém deu e que responde a pergunta do título. Existe um critério simples para saber se pode treinar: dor durante o exercício até mais ou menos três ou quatro numa escala de zero a dez é aceitável, desde que ela ceda logo depois e, principalmente, desde que no dia seguinte de manhã o tendão não esteja pior do que estava antes. Se acordar pior, a carga de ontem foi demais e você reduz. Se acordar igual ou melhor, pode manter ou subir um pouco. Esse é o termômetro, e ele vale mais do que qualquer regra fixa. Então a resposta é sim, dá para treinar com tendinopatia, e na maioria das vezes se deve treinar. O que não dá é treinar do mesmo jeito ignorando o aviso, que foi o conselho de treinar na mesma intensidade dado aqui. Treinar com um bíceps rompido em intensidade máxima não é disciplina, é o caminho para uma cirurgia. Dor não é inimiga a ser vencida, é informação. Sobre a readaptação que ficou perguntada, o princípio é este: você não volta ao peso antigo, você reconstrói. Começa numa carga que dá para fazer com técnica perfeita e dor dentro daquele limite, e sobe pouco a cada semana, dando ao tendão semanas e não dias. Tendão se adapta bem mais devagar que músculo, e é por isso que tanta gente se machuca de novo justamente quando a força voltou: o músculo já aguenta, o tendão ainda não. Aquela orientação de uma série de dez com pouco peso serve para começar, mas ela precisa progredir, senão trava. Duas observações específicas para quem escreveu aqui. Para o autor do tópico: dor na hora de vestir a camisa, somada a dor nas últimas repetições do supino e impossibilidade de fazer crucifixo, é um padrão bem típico de ombro, envolvendo o manguito rotador, e não é a mesma coisa que uma tendinite de esforço simples. Você fez certíssimo em pedir os exames. Só um detalhe do relato que preocupa: você aumentou a carga do supino no meio de tudo isso. Com o ombro reclamando, é justamente a hora de manter carga e trocar de exercício, migrando para pegadas e ângulos que não doem, como supino com halteres em pegada neutra e inclinação menor. Para o colega programador com dor no antebraço: a sua conta de carga não é só a academia. Teclado e mouse somam muitas horas por dia no mesmo tendão, e é comum a academia levar a culpa por uma sobrecarga que veio do trabalho. Nesse caso vale mexer nas duas pontas, ajustando apoio de punho e pausas ao longo do expediente, além de trocar barra reta por barra W ou halteres na rosca, que aliviam bastante o punho. E, principalmente, procure um médico de verdade em vez de fechar diagnóstico com a amiga enfermeira, com todo respeito a ela. Última coisa, sobre o prazo: aquilo que o médico falou de cinco meses a um ano é realista, porque tendão tem pouca circulação e se repara devagar. Isso desanima, mas serve para o lado bom também. Quem entende que vai levar meses trabalha direito e sara. Quem espera resolver em duas semanas vive recomeçando do zero. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  19. Sua pergunta é melhor do que a recepção que ela teve, e ela tem resposta. Vamos por partes, porque tem uma parte boa e uma parte dura. A parte dura primeiro: não dá para perder gordura da barriga sem perder gordura do corpo. O organismo não tira de um lugar escolhido. Ele mobiliza gordura de todo lado, na proporção que a genética de cada um determina, e o abdômen costuma ser dos últimos lugares a entregar no homem. Então qualquer plano que prometa secar a barriga mantendo o resto intacto não vai funcionar. Agora a parte boa, e ela é bem mais animadora do que parece. Perder gordura não é a mesma coisa que perder peso na balança. É perfeitamente possível a barriga diminuir e o peso ficar praticamente igual, porque você perde gordura e ganha músculo ao mesmo tempo. Isso tem nome, recomposição, e acontece de verdade, principalmente em quem tem alguma gordura sobrando, em quem está voltando a treinar e em quem ainda não tem muitos anos de treino. É lento, não dá para forçar, mas é exatamente o cenário que você descreveu: menos medida na cintura sem o peso despencar. A receita para isso é bem específica: déficit calórico pequeno, coisa de dez a quinze por cento abaixo do gasto, e não um corte agressivo. Proteína alta, algo em torno de dois gramas por quilo. E treino de força pesado, mantendo ou subindo as cargas. É a carga que avisa o corpo para segurar o músculo enquanto a gordura sai. Corte grande e treino leve fazem o contrário: o peso cai rápido, e uma boa parte do que cai é músculo. Tem ainda um detalhe que joga a seu favor. A gordura visceral, aquela de dentro do abdômen que empurra a barriga para fora, é das primeiras a responder a treino e alimentação. Por isso é comum a calça folgar antes de a balança se mexer. Se seu critério é a medida da cintura e não o peso, você provavelmente vai ver resultado antes do que imagina. Meça a cintura uma vez por semana, é um indicador muito melhor do que a balança para o que você quer. Sobre os 1500 abdominais por dia, não faça isso. Abdominal não queima gordura da barriga, aquela ardência é acúmulo local e não gordura sendo consumida ali. E esse volume de flexão de coluna repetida é uma boa maneira de arrumar dor lombar sem ganhar nada em troca. O que faz sentido é treinar o abdômen como qualquer outro músculo, porque ele é um músculo: duas ou três vezes por semana, com carga, em séries de oito a quinze repetições difíceis. Prancha com peso, abdominal na polia ajoelhado, elevação de pernas suspenso e roda abdominal dão conta. Um reto abdominal mais grosso aparece com um percentual de gordura mais alto, então o trabalho pesado adianta o momento em que o desenho surge. E um ajuste de expectativa que economiza frustração: a maioria dos homens só vê o abdômen bem definido perto de dez a doze por cento de gordura, e isso é bem mais magro do que a maioria imagina estar. O número de gomos, o formato e a simetria são genéticos e não mudam com treino. Uma última coisa prática, que resolve mais rápido do que qualquer dieta. Nem toda barriga é gordura. Distensão por volume de comida, excesso de sódio, refrigerante, cerveja, muita fibra de uma vez e noite mal dormida incham o abdômen de verdade. Muita gente com pouca gordura reclama de barriga por isso. Repare se a sua muda muito ao longo do dia, se ela está lisa de manhã em jejum e estufada à noite. Se for esse o caso, parte do problema se resolve com ajustes bem mais simples do que um corte calórico. E, cá entre nós, o pessoal riu, mas ficar grande também não é fácil. As duas coisas são difíceis, e é por isso que quem tem as duas ao mesmo tempo chama atenção.
  20. A pergunta se a gordura da gema também satura ao aquecer foi feita três vezes aqui e ficou sem resposta. Vale responder, porque a premissa por trás dela está errada, e o erro é bem comum. Gordura insaturada não vira saturada com calor. Saturar significa preencher com hidrogênio as ligações duplas da molécula, e isso exige gás hidrogênio, catalisador metálico e pressão, num processo industrial. É assim que se faz gordura hidrogenada de fábrica. Uma frigideira não tem nada disso. Você pode fritar o dia inteiro que nenhuma molécula vai se saturar ali. O que o calor faz com a gordura é outra coisa: oxidação. As ligações duplas são o ponto frágil da molécula e reagem com o oxigênio, formando compostos indesejáveis e deixando gosto rançoso. Isso é real, e piora muito com temperatura alta, tempo longo e reuso. Por isso a intuição sobre o óleo do pastel de feira, aquecido pela terceira vez, está certíssima. Só que o mecanismo não é saturação, é degradação por oxidação. Isso muda a conclusão prática do tópico. O azeite extravirgem aguenta o calor de uma frigideira doméstica muito bem. Ele suporta algo em torno de cento e noventa graus antes de começar a fumegar, é quase todo monoinsaturado, que é mais estável que os poli-insaturados, e ainda tem antioxidantes naturais que o protegem justamente da oxidação. Fritar um ovo no azeite, como foi sugerido, é perfeitamente razoável. O que não se deve fazer é reaproveitar o óleo várias vezes nem deixar fumaçar. E, respondendo direto: a gema também não satura. Ela oxida menos ainda, porque a temperatura de cozimento é bem mais baixa e ela vem com lecitina e antioxidantes próprios. Só uma correção na sua premissa inicial: a gordura da gema não é toda insaturada. Ela é uma mistura, com boa parte monoinsaturada, algo perto de um grama e meio de saturada por gema e um pouco de poli-insaturada. Não é azeite, mas também não é nada preocupante. Sobre a troca que você propôs, ela é boa, e por um motivo que você não citou. Nas quantidades que você falou, meia colher de azeite e uma gema entregam gordura parecida, então do ponto de vista dos números dá quase no mesmo. O ganho está no que vem junto. A gema traz colina, luteína, vitamina A, D, B12, selênio e mais uns dois gramas e meio de proteína. O azeite traz gordura e polifenóis, e nada de vitaminas do complexo B. Trocar uma clara por um ovo inteiro é ganho líquido, e você para de jogar comida fora, que era outra coisa que te incomodava. Sobre o colesterol, que assustou o pessoal aqui, o assunto envelheceu bastante. Hoje se entende que o colesterol da comida tem influência modesta no colesterol do sangue na maioria das pessoas, porque o fígado produz a maior parte dele e compensa o que vem do prato. As recomendações antigas de limite diário foram retiradas justamente por isso. Um ovo inteiro por dia é tranquilo para a maioria. Quem tem colesterol alterado, diabetes ou histórico familiar é que deve tratar isso com o médico em vez de seguir regra de fórum. E ficou uma pergunta sua que ninguém respondeu, sobre os melhores horários para ingerir gordura. A resposta é que não existe horário melhor. Aquilo de gordura na terceira refeição ou antes de dormir é folclore. O que conta é o total de gordura do dia, e distribuir do jeito que for mais gostoso e mais fácil de manter. Nesse caso, coloque a gema onde ela cair melhor no seu paladar. Só um comentário sobre a mensagem que apareceu aqui depois, dizendo que o colesterol do ovo aumenta a testosterona. Isso é exagero. O que existe é o contrário: dietas muito pobres em gordura podem reduzir um pouco a testosterona, então comer gordura suficiente evita esse problema. Mas comer mais ovo não empurra a testosterona para cima de quem já come normal. Ovo é excelente por dez motivos, e esse não é um deles.
  21. Você fez a pergunta e recebeu de volta um questionário, e aí a conversa morreu. Como isso deve acontecer com muita gente que cai aqui pela busca, vou responder direto, sem precisar que ninguém preencha ficha. Com 1,82 e 68 quilos você está magro, mas não abaixo do saudável. Dá para ganhar peso com tranquilidade, e a boa notícia é que o caminho não tem mistério. Ganha-se peso comendo mais do que se gasta. Como ninguém sabe seu gasto exato, o jeito prático é somar umas quinhentas calorias por dia ao que você já come hoje e acompanhar a balança. O alvo é subir entre duzentos e quinhentos gramas por semana, olhando a média da semana e não o número de um dia, que sobe e desce sozinho. Se em duas semanas não saiu do lugar, come um pouco mais. Se subiu rápido demais, segura. O aviso que o colega deu de forma sarcástica é justo, e vale levar a sério: peso e músculo não são a mesma coisa. Com refrigerante e fast food você ganha peso mesmo, só que quase todo em gordura. O que decide para onde vai esse peso extra são duas coisas. A primeira é treinar pesado, três ou quatro vezes por semana, com exercícios grandes como agachamento, supino, remada, levantamento terra e barra, e ir aumentando carga ao longo dos meses. É a carga subindo que transforma comida em músculo. A segunda é proteína suficiente. No seu peso, algo entre cento e dez e cento e cinquenta gramas por dia, espalhados nas refeições. Ovo, carne, frango, peixe, leite, iogurte e feijão dão conta. Na prática, o que trava quem é magro quase nunca é metabolismo, é volume de comida. A barriga enche antes da conta fechar. Então funciona melhor acrescentar uma refeição a mais no dia do que aumentar o tamanho dos pratos, e vale escolher coisas que rendem muita caloria em pouco espaço: azeite no arroz já pronto, leite integral, pasta de amendoim, castanha, ovo no lanche, e principalmente bebida calórica, porque líquido não sacia. Uma vitamina de leite, banana, aveia e pasta de amendoim resolve quatrocentas ou quinhentas calorias sem esforço nenhum. Uma dica que costuma abrir os olhos: anote tudo o que você comeu por três dias, sem mudar nada. Quase todo mundo que jura comer muito descobre que come bem menos do que imaginava, e aí fica claro onde acrescentar. E tem a parte chata, que é o tempo. Ganho de músculo é lento mesmo. Sair de 68 para 75 quilos ao longo de um ano, treinando e comendo direito, é um ano muito bom. Quem espera resultado em dois meses desiste antes de ver a coisa acontecer. Se você mantiver por um ano, vai olhar para trás e não vai reconhecer as fotos.
  22. Esse tópico chegou perto várias vezes e passou reto pela explicação que hoje é a mais aceita, e ela é bem mais curiosa do que falta de ar ou sono. A ideia de que bocejo serve para pegar mais oxigênio foi testada e não se sustentou. Fizeram gente respirar oxigênio puro e gente respirar ar com mais gás carbônico, e a frequência de bocejo não mudou. Ou seja, aquela explicação de renovação do ar nos pulmões, que apareceu aqui, é a intuitiva, mas não é a que os testes sustentam. O que ganhou força é que bocejar ajuda a resfriar o cérebro. A inspiração profunda puxa uma boa quantidade de ar mais frio, o movimento da mandíbula aumenta o fluxo de sangue na cabeça e o conjunto funciona como um radiador. Isso foi observado de formas bem diretas: aquecer a testa de alguém aumenta o bocejo, resfriar diminui, e as pessoas bocejam mais quando a temperatura ambiente está um pouco abaixo da do corpo do que quando está muito quente. Repare como isso encaixa com o treino. Você começa parado, os músculos passam a produzir calor em quantidade e a temperatura interna sobe rápido nos primeiros minutos. É justamente aí que o bocejo costuma aparecer, e é por isso que ele some depois que a pessoa entra no ritmo e já está suando, porque a essa altura o suor assumiu a refrigeração. E o colega do fim do tópico, que falou de clima quente e umidade baixa, estava mais perto da resposta do que qualquer teoria psicológica que discutimos aqui. Academia abafada, sem ventilação, aumenta isso mesmo. Tem um segundo motivo, também bem documentado, que é o bocejo aparecer nas transições de estado, quando o corpo muda de marcha. Sair do repouso para o esforço é exatamente uma dessas transições, e por isso o bocejo se concentra no começo do treino e nos intervalos entre séries pesadas, e não no meio da série. Agora a parte que vale como aviso, porque bocejo repetido às vezes é sinal de outra coisa. Se ele vier acompanhado de suor frio, enjoo, visão escurecendo pelas bordas, zumbido no ouvido ou tontura, principalmente logo depois de uma série pesada em que você prendeu a respiração, isso não é sono. É queda de pressão, o começo de um desmaio. Nessa hora a conduta é parar, sentar ou deitar e levantar as pernas, e não tentar terminar a série. Quem tem isso com frequência deveria conversar com médico, porque pode ter relação com pressão baixa e com a forma de respirar durante o esforço. Prender o ar em toda repetição pesada é a causa mais comum na academia. E ficou uma pergunta sem resposta aqui, feita duas vezes: se tomar maltodextrina antes do treino é erro e se ela serve para a creatina ser absorvida. Sobre a hipoglicemia de rebote, ela até pode acontecer, o açúcar dá um pico de insulina e a glicose desce um pouco depois. Só que, na prática, isso se corrige rápido assim que o exercício começa, porque o próprio esforço libera glicose do fígado. Os estudos que mediram desempenho não encontraram prejuízo real. Então tomar carboidrato rápido antes de treinar não é o erro que se dizia em 2004. Sobre a creatina, aí sim tem um mal-entendido antigo. Ela não precisa de maltodextrina para ser absorvida e não age na hora. Ela funciona por saturação, ou seja, o que importa é tomar todos os dias até o músculo encher, e depois manter. Por isso o horário quase não muda nada, e por isso ela pareceu não fazer efeito quando você tomava no pós-treino: não era o horário, era questão de tempo de uso. Pode tomar quando for mais fácil de lembrar, com ou sem malto, inclusive nos dias em que não treina. Fora isso, as suspeitas óbvias continuam valendo e é sempre bom checá-las antes de procurar explicação complicada: quantas horas você dormiu, há quanto tempo comeu, e que horas do dia você treina. Bocejo no treino das seis da manhã e no treino depois do almoço tem explicação bem mais simples. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  23. Essa discussão foi boa de verdade, dos dois lados, e ficou empatada em 2007. Dá para desempatar hoje, porque quase tudo que estava em disputa aqui acabou sendo medido. Começando pelo ponto central. Aeróbico não queima músculo por natureza. O que faz perder massa magra durante um período de definição são três outras coisas: déficit calórico muito grande, proteína insuficiente e queda na carga da musculação. Isso explica a observação do GUILSILVA sem precisar culpar a esteira. Quem entra numa fase de muito aeróbico normalmente entra também num déficit maior, treina mais cansado, baixa as cargas e come menos. O músculo se perde ali, não no aparelho. E quando ele cortou o aeróbico e passou a definir só pela dieta, muito provavelmente o déficit ficou mais suave e o treino de força seguiu firme, que é exatamente a receita para preservar massa. A percepção estava certíssima, a explicação é que estava trocada. Existe sim uma interferência real entre aeróbico e ganho de músculo, ela foi bem estudada e é modesta. Ela cresce conforme aumenta o volume e a frequência, é maior com corrida do que com bicicleta, por causa do impacto e do dano na perna, e diminui bastante quando as duas sessões ficam separadas por algumas horas ou em dias diferentes. Ou seja, dá para conviver. Meia hora de bicicleta três vezes por semana não vai comer os ganhos de ninguém. Sobre o efeito de gasto prolongado depois do treino, ele existe mesmo, mas é bem menor do que se dizia. Estamos falando de algo em torno de dez por cento do que a própria sessão gastou, e não de metabolismo acelerado por quarenta e oito horas. Um treino que gastou trezentas calorias rende mais umas trinta depois. É bom, não é milagre. E aqui vai o número que faltava no tópico inteiro, porque ele derruba o argumento mais repetido do fisiculturismo. Um quilo de músculo a mais gasta perto de treze calorias por dia em repouso. Não cinquenta, não cem. Quem ganha cinco quilos de músculo, o que é muita coisa e leva anos, passa a gastar algo como sessenta calorias a mais por dia, o equivalente a meia banana. Ganhar músculo é ótimo por dez motivos, mas transformar o metabolismo em fornalha não é um deles. Sobre a disputa entre spinning, intervalado e aeróbico contínuo, quando se iguala o gasto energético das sessões, a perda de gordura acaba parecida. O intervalado ganha em tempo, porque entrega em vinte minutos o que o contínuo entrega em quarenta, e perde em desgaste, porque cansa mais e é pior de sustentar toda semana. Não existe uma modalidade campeã, existe a que a pessoa consegue manter. E o Baby o Foca acertou em cheio numa coisa que continua valendo, talvez mais hoje do que em 2007: a diferença entre um artigo e um estudo científico. Boa parte do que se repete na academia veio de texto de revista que ninguém foi conferir. Aquele recado envelheceu muito bem. Onde os dois lados concordavam sem perceber é o que mais importa: a dieta decide a perda de gordura. Aeróbico ajuda somando gasto, mas o gasto de uma sessão é pequeno perto do que se come, e por isso quem tenta emagrecer só com esteira e sem mexer no prato quase sempre trava. Ficou também uma pergunta sem resposta lá atrás, quando perguntaram ao GUILSILVA o que ele fazia para se manter magro sem aeróbico e se cortava carboidrato. A resposta que funciona para a maioria não é cortar um macro, é controlar a quantidade total, manter a proteína alta durante o corte, algo em torno de dois gramas por quilo, e segurar as cargas na musculação. Proteína alta e treino pesado são o que diz ao corpo para gastar gordura em vez de músculo. Por último, tem um lado que ninguém levantou nesse tópico e que vale mais do que a briga toda. Aeróbico não serve só para queimar gordura. Capacidade cardiorrespiratória é um dos indicadores mais fortes que existem de quanto tempo e com que qualidade a pessoa vai viver, e ela não melhora sozinha com musculação. Abrir mão disso para proteger alguns gramas de massa magra é um péssimo negócio a longo prazo. Então o veredito honesto: aeróbico não é mito, não catabolisa por si só, não é obrigatório para emagrecer e não deveria ser abandonado. Duas ou três sessões por semana, sem exagero, dão saúde e ajudam no gasto sem atrapalhar o crescimento. A gordura sai é pela cozinha.
  24. Esse tópico tem vinte anos e continua sendo encontrado por quem procura o mesmo assunto hoje, então vale deixar aqui uma resposta atualizada. E vale começar pelo ponto factual, porque a conclusão a que o tópico chegou está errada, e errada justamente na parte que mais angustiava a paciente. Foi dito aqui que a virilização é permanente e que a musculatura estaria nesse pacote, junto com a voz. Isso não procede. Algumas mudanças da puberdade masculina realmente não regridem, como a voz, a estrutura óssea e a altura. Massa muscular não é uma delas. Músculo é tecido vivo, que responde a hormônio o tempo todo, e a terapia hormonal feminizante, com bloqueio de androgênio, reduz massa magra e força de forma bem significativa ao longo do tratamento. Isso é conhecido e documentado. A maior parte da mudança acontece nos primeiros um a dois anos, e ela continua depois disso. Ou seja, aquilo que ela mais temia, ficar para sempre com o corpo musculoso, não era o cenário real. O corpo dela ia mudar. O que faltava era tempo, e ela estava sendo empurrada a agir contra o próprio corpo justamente no período em que a espera era mais difícil de suportar. Isso importa porque duas sugestões que apareceram por aqui eram perigosas, e é bom que quem chegue neste tópico saiba disso. A primeira foi a de imobilização, ficar sem se mover o máximo possível para atrofiar. Isso não é atalho, é dano. Imobilidade prolongada custa osso junto com músculo, e osso é uma preocupação real nessa população, porque a terapia hormonal e o bloqueio androgênico já pesam na densidade óssea. Além disso, existe risco de trombose com imobilidade, que aumenta quando há uso de estrogênio. É uma combinação ruim. A segunda foi a dieta muito restritiva por tempo prolongado, cortando grupos de alimentos. Falando com uma psicóloga, vale dizer isso com todas as letras: transtorno alimentar é bem mais frequente em pessoas trans do que na população geral, e restrição severa motivada por sofrimento com o corpo é exatamente o terreno onde ele nasce. Numa paciente que já apresentava automutilação e ideação suicida, orientar restrição pesada seria trocar um sofrimento por outro, com risco somado. Perder peso a ponto de perder músculo também custa cabelo, sono, humor e força para atravessar o processo, e humor era justamente o que estava em jogo. O que ajuda de verdade nesse intervalo é bem menos dramático. Alimentação suficiente e equilibrada, proteína adequada, sono, e atividade física escolhida pelo que ela gosta e não pelo que ela quer destruir. Se treino pesado de parte superior aumentava a angústia dela, faz todo sentido simplesmente não fazer, e substituir por caminhada, dança, bicicleta, natação, o que for. Deixar de treinar um músculo por vontade própria é diferente de tentar atrofiar o corpo por punição, ainda que o resultado físico pareça parecido. A diferença está inteira na cabeça, e é a cabeça que estava em risco ali. O caminho principal, e isso mudou muito desde 2005, é o acompanhamento especializado. Hoje existe atendimento específico para pessoas trans na rede pública, com equipe de endocrinologia, psicologia e psiquiatria, além de serviços em hospitais universitários. Na época em que esse tópico foi escrito isso praticamente não existia, e a colega relatou que as consultas com nutricionistas foram frustrantes e preconceituosas, o que infelizmente era e ainda é comum. Procurar um serviço que atenda especificamente essa população resolve os dois problemas de uma vez, o técnico e o do acolhimento. Sobre o texto estrangeiro que foi trazido para cá, ele tem o mesmo problema: parte do princípio de que é preciso lutar contra o corpo por conta própria, quando o que muda o corpo de verdade é o tratamento hormonal conduzido por médico. E queria destacar o comentário da colega que apareceu aqui em 2017, porque é o melhor do tópico e veio de quem viveu a coisa. Ela disse que treina há anos, que moldou o corpo, e que não é no músculo que mora a questão de se sentir mulher. Isso vale mais do que qualquer orientação nutricional que a gente pudesse dar. Mulheres têm todos os tipos de corpo, inclusive corpos fortes e com braços definidos. Rosana, se você algum dia voltar aqui, você fez a coisa certa em procurar informação em vez de improvisar, e fez isso com um cuidado que merece registro. Espero de coração que ela esteja bem. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  25. Reposição de testosterona e ciclo estético podem envolver a mesma molécula, mas não são a mesma intervenção. A diferença aparece no diagnóstico, na finalidade, na dose, na concentração sanguínea alcançada, no tempo de exposição, nas associações e no monitoramento. Em “Episodio - 01: TUDO SOBRE ESTEROIDES ANABOLIZANTES - Dr Joel Bandeira”, do Saúde & Hipertrofia Podcast, essa fronteira é discutida com números concretos: 200 mg de testosterona por semana, respostas séricas de 700 ou 1.500 ng/dL, ajustes entre 100 e 250 mg, hematócrito de 56% no segundo mês e até exemplos com oxandrolona e trembolona. Esses números são úteis para compreender a aula, mas não formam uma receita. Alguns são relatos de consultório ou exemplos retóricos. Outros divergem das faixas usadas em diretrizes médicas. Por isso, a leitura responsável exige duas colunas mentais: o que foi relatado pelo profissional e o que a evidência permite afirmar. Este texto é informativo e não prescreve esteroides, testosterona, clomifeno ou qualquer outro medicamento. Dose, indicação e monitoramento dependem de diagnóstico e acompanhamento médico. Primeiro: mg, ml e ng/dL não são a mesma coisaGrande parte da confusão começa nas unidades. Miligrama (mg) mede a quantidade do fármaco. Mililitro (ml) mede o volume da solução. Nanograma por decilitro (ng/dL) mede a concentração de testosterona encontrada no sangue. Dizer “1 ml” não informa sozinho a dose. Um frasco pode trazer 100, 200 ou 250 mg por ml, entre outras concentrações. Na situação apresentada na aula, 1 ml correspondia a 200 mg de testosterona. Essa equivalência pertence ao produto usado no exemplo e não pode ser transportada para qualquer ampola ou frasco. Também não existe conversão automática entre a dose aplicada e o resultado no exame. O exemplo foi direto: 200 mg por semana poderiam deixar uma pessoa perto de 700 ng/dL e outra perto de 1.500 ng/dL. Absorção, éster, intervalo entre aplicação e coleta, SHBG, metabolismo e diferenças individuais alteram o resultado. Os números usados para explicar reposiçãoA discussão sobre reposição trouxe uma sequência concreta: 200 mg por semana: dose usada para demonstrar que duas pessoas podem alcançar concentrações sanguíneas muito diferentes. 700 e 1.500 ng/dL: respostas séricas hipotéticas ao mesmo esquema de 200 mg por semana. Mais de 70%: proporção mencionada como grupo que seguiria um padrão de resposta, embora a fonte não apresente o estudo que sustentaria esse percentual. Três meses: intervalo citado para repetir exames e reavaliar a resposta. 100 ou 250 mg: possibilidades de ajuste citadas conforme anamnese e exames. A frequência não é repetida nessa frase, portanto não deve ser presumida como prescrição semanal universal. O aprendizado válido não é escolher um desses números. É entender que dose inicial, resposta laboratorial e dose ajustada são etapas diferentes. A fala também mostra por que copiar a aplicação de outra pessoa é um erro: o mesmo número em miligramas não produz o mesmo número em ng/dL. Onde a diretriz coloca a reposiçãoA diretriz de 2018 da Endocrine Society não diagnostica hipogonadismo por cansaço isolado nem por uma única coleta. Ela exige sintomas ou sinais compatíveis, testosterona inequivocamente e consistentemente baixa e confirmação com nova dosagem matinal em jejum. A causa da deficiência também deve ser investigada. Para enantato ou cipionato de testosterona, a tabela da diretriz apresenta 75 a 100 mg por semana ou 150 a 200 mg a cada duas semanas como esquemas de reposição. Isso não significa que o leitor deva escolher uma faixa. Significa que o exemplo de 200 mg toda semana usado na aula está no dobro do limite semanal dessa tabela e não pode ser descrito automaticamente como uma dose fisiológica comum. O objetivo recomendado é manter a testosterona na faixa média da normalidade. Para enantato ou cipionato, a diretriz orienta colher no meio do intervalo entre aplicações. Se o resultado nesse ponto estiver acima de 600 ng/dL ou abaixo de 350 ng/dL, dose ou frequência devem ser ajustadas pelo médico. Isso também corrige duas simplificações da conversa. Um resultado abaixo de 350 ng/dL não determina sozinho que alguém “precisa” de reposição. Da mesma forma, estabelecer 700, 1.000 ou 1.200 ng/dL como alvo com base em idade, jornada de trabalho ou intensidade do treino não corresponde ao critério da diretriz. Diagnóstico, sintomas, método do exame, momento da coleta e faixa de referência precisam ser analisados em conjunto. O caso de 250 mg e o hematócrito de 56%Um dos relatos mais úteis da aula envolve uma pessoa usando 250 mg por semana. No segundo mês, o hematócrito teria chegado a 56%, acompanhado de pressão arterial elevada e HDL perto de 35 mg/dL. Esse caso deveria estar no centro da matéria porque ele transforma “faça exames” em um critério concreto. A Endocrine Society orienta medir o hematócrito antes do tratamento, entre três e seis meses depois do início e, então, anualmente. Se o hematócrito ultrapassar 54%, a recomendação é interromper a terapia até que volte a uma faixa segura, investigar hipóxia e apneia do sono e só então considerar reinício com dose reduzida. O valor de 56% relatado, portanto, não é apenas “um pouco alto”. Ele ultrapassa o ponto de intervenção usado pela diretriz. Pressão alta e HDL de 35 mg/dL tornam o conjunto ainda mais preocupante. O contraste que prova a variabilidade individualNa mesma comparação, aparece uma pessoa com testosterona sérica ao redor de 5.000 ng/dL, hematócrito de 47% e HDL perto de 50 mg/dL, apesar de usar mais substâncias. Em outro trecho, menciona-se alguém com testosterona em aproximadamente 10.000 ng/dL sem aumento equivalente do hematócrito. Esses casos não demonstram que concentrações extremas sejam seguras. Demonstram apenas que um marcador isolado não acompanha a dose da mesma maneira em todos. Uma pessoa pode apresentar alteração importante com exposição menor, enquanto outra mantém determinado exame dentro da referência apesar de uma exposição muito maior. A segunda pessoa não recebe um certificado de segurança. Pressão, estrutura cardíaca, fertilidade, lipídios, função sexual e saúde mental podem seguir outra trajetória. O hematócrito de 65% com boldenonaO exemplo mais grave é o de um usuário de testosterona e boldenona, descrito como alguém que não usava dose alta, mas chegou a 65% de hematócrito. O alerta foi claro: trombose ou infarto poderiam acontecer antes de o marcador alcançar esse nível. O caso também explica por que sintomas aparentemente banais não devem ser ignorados. Fadiga persistente, demora anormal para recuperar o fôlego entre séries, mal-estar, cefaleia e pressão alta podem ser racionalizados como consequência do peso corporal ou de um treino pesado. Sem hemograma e avaliação clínica, a pessoa pode continuar treinando sobre um risco que já deixou de ser silencioso. Oxandrolona: 5 mg por 30 dias não significa risco zeroPara diferenciar efeitos de curto e longo prazo, a aula usa o exemplo de uma mulher que inicia 5 mg de oxandrolona. Em 30 dias, acne, oleosidade, aumento de pelos e queda de cabelo poderiam surgir, enquanto remodelamento cardíaco relevante não seria esperado nesse intervalo. A primeira parte é a lição mais segura: efeitos androgênicos podem aparecer cedo mesmo com uma dose numericamente pequena. A segunda parte não deve virar garantia. Ausência de remodelamento cardíaco detectável em 30 dias não significa ausência de alteração em lipídios, enzimas hepáticas, ciclo menstrual, voz, clitóris, cabelo ou outros tecidos sensíveis a andrógenos. Em mulheres, sinais de virilização exigem atenção imediata porque alguns podem não regredir completamente depois da suspensão. A dose foi citada para explicar risco, não para oferecer um “ponto de entrada”. 250 ou 500 mg por dez anos: o tempo muda a contaOutro trecho critica a ideia de que 250 mg seria estar “limpo” ou que 500 mg seria pouco. O composto e a frequência não ficam claros nessa parte, então não é correto transformar a fala em protocolo. O dado inequívoco é a duração usada no argumento: dez anos. Uma alteração de LDL ou HDL mantida por 30 dias não equivale à mesma alteração repetida por uma década. A carga acumulada importa. Dose, frequência, duração e combinações precisam ser analisadas juntas. Uma quantidade chamada de “leve” dentro de uma academia pode representar exposição suprafisiológica crônica quando mantida durante anos. Trembolona: os 200 mg que exigem contrapontoA aula cita 200 mg de trembolona por semana como uma dose “relativamente ok” e afirma que agonistas dopaminérgicos poderiam atenuar efeitos ligados a dopamina e prolactina. Na mesma fala, o profissional admite que essa interpretação vem de experiência clínica, que não há estudos humanos para sustentar segurança e que os efeitos não seriam eliminados: insônia e aumento de estresse ainda poderiam ocorrer. Esse número não pode ser publicado como faixa segura. Trembolona não possui protocolo terapêutico aprovado para hipertrofia humana. Chamar 200 mg semanais de “ok” descreve uma prática do meio esportivo, não um consenso médico. Usar outro medicamento para tentar controlar prolactina ou comportamento ainda acrescenta polifarmácia e novos efeitos adversos. O contexto também muda a tolerabilidade. Restrição calórica intensa, pouco sono, conflito familiar, pressão por resultado e estresse profissional podem amplificar irritabilidade, ansiedade e insônia. O erro é avaliar apenas o frasco e ignorar o ambiente em que a substância entra. Clomifeno: 25 a 50 mg também não são recomendaçãoNa discussão sobre estímulo do eixo hormonal, são mencionados 25 a 50 mg de clomifeno como doses mais moderadas. A frequência não é especificada. Clomifeno não é esteroide anabolizante. É um modulador seletivo do receptor de estrogênio usado em homens fora da indicação original de bula em determinados contextos clínicos. A própria conversa menciona risco trombótico e rejeita a lógica de que “quanto mais, melhor”. Sem diagnóstico da causa da testosterona baixa, avaliação de fertilidade, exames e acompanhamento, reproduzir apenas o número seria perigoso. Gel de testosterona: o exemplo de 150 para 500 ng/dLPara um homem jovem com obesidade importante, inflamação, desânimo e testosterona em torno de 150 ng/dL, a aula descreve o uso de gel para alcançar aproximadamente 500 ng/dL, em vez de partir diretamente para uma injeção que levasse a concentração a 1.200 ng/dL. O raciocínio concreto é evitar uma escalada agressiva num organismo com fatores de risco relevantes. O limite é que obesidade, fadiga e testosterona baixa ainda exigem investigação. Apneia do sono, medicamentos, diabetes, doença hipofisária, déficit calórico e outras causas não desaparecem porque o gel elevou o exame. O que o TRAVERSE realmente mostrouO estudo TRAVERSE avaliou mais de 5.200 homens com hipogonadismo e risco cardiovascular, usando gel de testosterona ou placebo sob acompanhamento. Eventos cardiovasculares maiores ocorreram em 7,0% do grupo testosterona e 7,3% do grupo placebo. Esse resultado sustentou a retirada, pela FDA, do alerta em caixa sobre aumento de eventos cardiovasculares para a classe. A atualização não transformou testosterona em substância livre de risco. A FDA também passou a exigir advertência sobre aumento da pressão arterial. O TRAVERSE não avaliou ciclos, trembolona, boldenona, doses suprafisiológicas, combinações nem produtos underground. As três famílias e por que o nome não prevê segurançaA classificação química apresentada separa os compostos em três grandes grupos: Testosterona e derivados: cipionato, enantato, propionato, undecanoato, boldenona, turinabol e dianabol. 19-nor: nandrolona, trembolona, gestrinona e trestolona. Derivados do DHT: oxandrolona, primobolan, masteron, stanozolol e mesterolona. A família ajuda a entender estrutura, aromatização e perfil androgênico. Ela não permite classificar uma substância como segura. Via oral, dose, tempo, predisposição, associação e procedência podem ser mais importantes do que o rótulo “derivado de DHT” ou “19-nor”. Underground adiciona uma variável que exame nenhum corrigeProduto clandestino pode conter concentração diferente do rótulo, outra substância, solvente inadequado ou contaminação microbiológica. Nesse cenário, nem a dose anotada pelo usuário é confiável. A pessoa acredita aplicar 200 mg, mas não sabe quanto nem o que realmente entrou no corpo. O risco deixa de ser apenas hormonal. Abscesso, infecção sistêmica e exposição a compostos desconhecidos passam a fazer parte da conta. Economizar no produto e no monitoramento para comprar mais drogas é uma falsa economia. Dependência aparece quando parar deixa de ser opçãoA dependência pode ser reconhecida quando a pessoa continua apesar de exames ruins, sintomas, orientação para reduzir ou medo de perder volume, força e identidade corporal. A aula cita pacientes que escondem efeitos adversos do médico porque receiam receber uma dose menor. Nesse ponto, discutir apenas molécula e receptor é insuficiente. O tratamento precisa considerar imagem corporal, ansiedade, depressão, ambiente social e a função que o físico passou a ocupar na identidade. ConclusãoA fronteira entre reposição e risco não cabe numa frase como “até 200 mg é TRT” ou “abaixo de 350 precisa repor”. A fonte original oferece números úteis, mas eles mostram justamente por que não existe corte universal. Em reposição legítima, há diagnóstico confirmado, causa investigada, produto conhecido, objetivo fisiológico e monitoramento. Em uso estético, as doses sobem, combinações aparecem, a exposição se prolonga e o objetivo deixa de ser corrigir deficiência. Os casos de hematócrito em 56% e 65%, a mulher com efeitos androgênicos após 5 mg de oxandrolona e os 200 mg de trembolona sem base de segurança humana tornam essa diferença concreta. O leitor não precisa sair com um protocolo. Precisa sair sabendo interpretar os números: miligramas não predizem sozinhos a concentração sanguínea, um exame normal não absolve os demais riscos e uma dose comum no fisiculturismo não se transforma em dose segura por repetição. FAQ200 mg de testosterona por semana são sempre reposição?Não. A finalidade declarada não redefine a dose. A diretriz da Endocrine Society apresenta 75 a 100 mg por semana para enantato ou cipionato como esquema de reposição e orienta ajuste pela resposta clínica e laboratorial. Testosterona abaixo de 350 ng/dL obriga tratamento?Não. O diagnóstico exige sintomas ou sinais compatíveis, valores inequivocamente baixos e confirmação em nova coleta matinal. Método do exame, SHBG, testosterona livre e causa provável também podem mudar a interpretação. Qual hematócrito exige intervenção durante reposição?A Endocrine Society orienta interromper a terapia quando o hematócrito supera 54%, investigar hipóxia e apneia do sono e considerar reinício apenas depois da normalização, com dose reduzida. 5 mg de oxandrolona são uma dose sem risco para mulheres?Não. A fonte usa 5 mg por 30 dias para demonstrar que acne, oleosidade, pelos e queda de cabelo podem aparecer cedo. O número não constitui recomendação e não exclui outros efeitos androgênicos ou metabólicos. 200 mg de trembolona por semana são uma faixa segura?Não há base clínica humana para chamar essa dose de segura. O próprio profissional atribui a fala à experiência prática, reconhece ausência de estudos e afirma que insônia e estresse podem persistir. O TRAVERSE liberou testosterona para fins estéticos?Não. O estudo avaliou gel de testosterona em homens com hipogonadismo acompanhados clinicamente. Não avaliou ciclos, combinações de esteroides nem produtos clandestinos. ReferênciasSAÚDE & HIPERTROFIA PODCAST. Episodio - 01: TUDO SOBRE ESTEROIDES ANABOLIZANTES - Dr Joel Bandeira. [S. l.], 9 mar. 2025. YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/live/78IT2lzMwC4. Acesso em: 31 jul. 2026. BHASIN, Shalender et al. Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2018. Disponível em: https://www.endocrine.org/clinical-practice-guidelines/testosterone-therapy. Acesso em: 31 jul. 2026. LINCOFF, A. Michael et al. Cardiovascular Safety of Testosterone-Replacement Therapy. 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Acesso em: 31 jul. 2026.

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