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Cláudio Chamini

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Tudo postado por Cláudio Chamini

  1. Bruno, seu post ficou sem resposta e tem um detalhe nele que muda completamente a conversa, então começo por ele. Você não quer o ciclo para crescer. Você quer por causa de dor articular na perna, que apareceu depois que começou a correr. E olhando o que você descreveu, essa dor tem uma explicação bem mais simples que hormônio. Você treina duas horas por dia, sete dias por semana, corre há apenas seis meses e não tem um único dia de descanso na semana. Dor articular em membro inferior num corredor de seis meses de estrada é praticamente o quadro esperado, e o nome disso é lesão por sobrecarga. O tecido conjuntivo, que é tendão, cartilagem e osso, se adapta muito mais devagar que o músculo e o coração. Você fica com fôlego para correr bem antes de ter perna preparada para aguentar o impacto de correr, e é aí que a dor aparece. Um corpo de cinquenta e oito quilos batendo no chão umas mil vezes por quilômetro, todo dia, sem dia nenhum de folga, não tem quando se recuperar. A parte que me preocupa de verdade é essa: nandrolona alivia dor articular. Muita gente relata exatamente isso, e não é impressão. O problema é que aliviar a dor não conserta nada. A dor é o único aviso que o seu corpo tem para te dizer que aquela estrutura está sendo agredida além do que ela suporta. Tirar o aviso e continuar correndo duas horas por dia é a receita para transformar uma tendinopatia que se resolveria em oito semanas numa lesão séria, ou até numa fratura por estresse, que costuma doer pouco até o dia em que quebra. Na prática, você estaria comprando a permissão para continuar fazendo exatamente aquilo que está causando o problema. O que resolve dor de sobrecarga em corredor é bem menos glamouroso. Colocar pelo menos um dia de descanso completo na semana, e de preferência dois. Não subir volume mais que uns dez por cento por semana. Trocar parte do asfalto por piso mais macio. Conferir se o tênis já não passou da vida útil, que gira em torno de seiscentos a oitocentos quilômetros. E, principalmente, treinar força de perna pesado, porque agachamento, terra, avanço e panturrilha são o que engrossa tendão e osso e protege articulação em corredor. Isso tem evidência boa e é o oposto do que a maioria faz, que é abandonar o peso quando começa a correr. Se a dor for localizada e persistir, vale investigar de verdade com um ortopedista antes de qualquer outra coisa, porque canelite, fascite, condropatia e fratura por estresse têm condutas diferentes e a diferença importa. Sobre o ciclo em si, alguns pontos objetivos. Cinco meses de deca é tempo longo para um primeiro ciclo, e a deca é justamente o composto com a pior fama de derrubar libido e de mexer com prolactina, coisa que se resolve mal quando não há uma base de testosterona junto. E o decanoato é um éster que demora, ou seja, ele continua no seu corpo por dois a três meses depois da última aplicação, e a recuperação só começa quando ele sai. Não é uma decisão que se desfaz mudando de ideia no mês seguinte. Meio mililitro também não é uma dose. Frasco de nandrolona existe em concentrações bem diferentes, e o mesmo meio mililitro pode ser vinte e cinco ou cem miligramas. Quem raciocina em mililitro em vez de miligrama acaba usando três ou quatro vezes o que pensava estar usando. E existe um ponto específico do seu caso: se você corre prova, mesmo que amadora com controle, a nandrolona é dos compostos com janela de detecção mais longa que existe, chegando a mais de um ano depois da última aplicação. Vale saber disso antes, e não depois. Por fim, um comentário sobre a dieta, que também tem algo estranho. Você escreveu duzentos gramas de proteína e cento e cinquenta de carboidrato por refeição, em cinco refeições. Se for isso mesmo por refeição, dá mil gramas de proteína por dia, o que é impossível de comer e não faria sentido nenhum. Se você quis dizer o total do dia, então duzentos de proteína está bom para cinquenta e oito quilos, mas cento e cinquenta de carboidrato é pouquíssimo para quem corre duas horas por dia. E aí temos outra hipótese para o seu problema, porque correr muito comendo pouco carboidrato é uma das causas mais bem descritas de perda de densidade óssea e de dor por sobrecarga em corredor. Vale conferir esse número com carinho, porque pode ser que a solução do seu problema esteja no prato e não na ampola. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  2. Alucard, você fez uma pergunta objetiva no título e ela ficou sem resposta, então começo por ela. Entre tetraciclina, dutasterida, tamoxifeno e testosterona não existe interação relevante que impeça o uso conjunto por seis dias. Mas a tetraciclina tem duas exigências práticas que, se não forem respeitadas, fazem o antibiótico simplesmente não funcionar, e elas atingem em cheio quem treina. A primeira é que ela se liga a cálcio, ferro, zinco e magnésio e vira um composto que o intestino não absorve. Ou seja, tomar tetraciclina junto com leite, whey, iogurte, queijo, suplemento de zinco ou magnésio, ZMA, multivitamínico ou antiácido pode anular boa parte da dose. O jeito certo é tomar com água, de estômago vazio, uma hora antes ou duas horas depois de qualquer uma dessas coisas. Se você tomou os comprimidos junto do shake, é bem possível que o remédio nem tenha chegado onde precisava. A segunda é que ela deixa a pele muito mais sensível ao sol, com risco de queimadura séria mesmo em exposição curta. Vale evitar sol enquanto estiver tomando. Agora, o ponto mais importante, e é sobre o tratamento em si. Seis dias de antibiótico não tratam acne. Servem para conter uma inflamação aguda, e é provavelmente essa a intenção do seu médico. Mas o tratamento de acne inflamatória com antibiótico oral, quando indicado, roda por volta de oito a doze semanas, sempre acompanhado de tratamento tópico. Ou seja, seis dias não iam resolver mesmo, e a sensação de que nada funciona não é culpa sua nem prova de que o seu caso é impossível. E aqui está o que eu acho que precisa mudar de rumo. Você descreve acne inflamatória severa em ombros e costas, a ponto de não tirar a camisa, com autoestima no chão e noites sem dormir. Isso, em dermatologia, não é um caso de sabonete e pomada. É exatamente o quadro em que se indica isotretinoína oral, aquela conhecida como Roacutan, que é o único tratamento que resolve acne desse grau de forma definitiva na maioria das pessoas. Ela precisa de dermatologista, exige exame de sangue de controle e leva meses, mas funciona. Você escreveu que foi ao dermatologista e foi em vão. Vale perguntar o que ele prescreveu. Se foi apenas tópico e sabonete, o tratamento foi subdimensionado para o que você tem, e a conclusão certa não é que dermatologista não resolve, é que aquele tratamento era leve demais. Vale voltar, ou procurar outro, e ser explícito sobre duas coisas: que você usa androgênios, porque isso muda a conduta e o médico precisa saber, e que a acne está afetando o seu sono e o seu humor, porque isso pesa formalmente na decisão de partir para tratamento sistêmico. Sobre a dutasterida, três correções que valem dinheiro e tempo. Ela não é remédio para acne. A indicação dela é próstata e queda de cabelo, e o efeito sobre pele oleosa é indireto e pequeno. Oito dias não dizem nada. A dutasterida tem meia vida em torno de cinco semanas, que é das mais longas que existem entre os remédios comuns. Ela leva meses para atingir efeito pleno, e leva meses para sair depois que você para. Ou seja, não deu tempo de funcionar, e parar não fez o efeito acabar. Ela ainda está no seu corpo. E, por causa disso, qualquer novo exame de DHT feito agora vai vir baixo por causa dela, e não vai te dizer nada sobre o seu estado real. Sobre aquele DHT acima de dois mil e quinhentos, repito o que já comentei em outro tópico: esse valor está fora de qualquer faixa usual, e antes de construir qualquer conduta em cima dele vale conferir a unidade e o intervalo de referência impressos no laudo. Não é raro esse tipo de número sair de unidade diferente da esperada, e seria uma pena tratar um problema que só existe na leitura do papel. Por fim, o que me parece o nó principal. Você está tomando tamoxifeno, que é uma medicação de recuperação do eixo, ao mesmo tempo em que aplica cento e cinquenta miligramas de testosterona por semana, que é o que mantém o eixo desligado. As duas coisas se anulam. Enquanto isso continuar assim, nenhum exame vai fazer sentido e nenhum ajuste vai ter efeito visível, porque não dá para saber o que está causando o quê. Escolher um caminho e segui-lo por algumas semanas é o que permite enxergar qualquer coisa. E uma palavra fora da parte técnica: isso que você está sentindo, de evitar tirar a camisa e perder o sono por causa da pele, é levado a sério pela medicina e é o próprio motivo pelo qual se libera tratamento mais forte. Não é frescura, e tem solução. Vale insistir. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  3. O pessoal acertou ao dizer que aqueles quatro por cento não fecham, mas ninguém explicou de onde veio o número, e essa explicação vale mais que a discussão, porque resolve o mal-entendido em vez de só negá-lo. Dav1d, você escreveu que a avaliação deu quatro por cento no peito e na perna e um valor maior na barriga. Isso já mostra o que aconteceu: adipômetro não mede percentual de gordura por região. Ele mede a espessura da dobra de pele em milímetros, em pontos específicos do corpo, e depois joga esses milímetros numa equação que estima o percentual do corpo inteiro. Ou seja, aqueles números por região eram milímetros de dobra, não porcentagens. Quatro milímetros de dobra no peito é um valor completamente normal em rapaz jovem e magro, e não tem relação nenhuma com quatro por cento de gordura corporal. Provavelmente o seu instrutor leu a planilha errado, ou passou os valores brutos como se fossem o resultado final. E isso encerra também a segunda parte da conversa: não existe gordura de quatro por cento concentrada num lugar só. Percentual de gordura é uma medida do corpo inteiro. A distribuição, sim, varia de pessoa para pessoa, e no homem a barriga costuma ser o último lugar a esvaziar, o que é genético e não muda com exercício localizado. O que me leva à pergunta do título, que ficou sem uma resposta clara. Não existe queima localizada. Nenhum exercício retira gordura da região em que ele é feito, porque a gordura é mobilizada do corpo inteiro pela corrente sanguínea, e a ordem em que ela sai é determinada pela sua genética. Abdominal fortalece o abdômen e não descobre o abdômen. E, aproveitando o conselho que apareceu no fim do tópico, treinar oblíquo pesado não ajuda na definição e ainda tende a alargar a cintura, que é justamente o efeito estético contrário ao que quase todo mundo procura. Sobre a batata doce, que foi o que motivou o tópico. Ela é um bom alimento, mas o motivo pelo qual você a escolheu não se sustenta. Primeiro, ela não é de baixo índice glicêmico: cozida fica em torno de sessenta, e assada passa de oitenta, ou seja, mais alta que a de muito arroz. Segundo, e mais importante, índice glicêmico não determina ganho ou perda de gordura. O que determina é quanto você come no total do dia. Trocar arroz por batata doce comendo a mesma quantidade de calorias não emagrece ninguém, e o lucask estava certo ao brincar com isso. Uma correção necessária sobre a última sugestão que apareceu aqui, de dormir com cinta elástica comprimindo o abdômen, ou enrolar a barriga em papel filme para esquentar. Isso não queima gordura nenhuma. O que acontece é suor, ou seja, perda de água, que volta assim que você bebe algo, e é exatamente por isso que a roupa sai molhada. Além de não funcionar, cinta apertada usada a noite toda atrapalha a respiração durante o sono e empurra pressão para baixo, sobre o assoalho pélvico. É desconforto sem retorno. E, respondendo à sua última pergunta, sobre as três mil e duzentas calorias. Você calculou gastar duas mil e duzentas, o que já me parece subestimado para setenta e oito quilos treinando, mas suponha que esteja certo. Três mil e duzentas seriam mil calorias de excedente por dia. Isso é muito. O corpo tem um teto de quanto músculo consegue construir por semana, e ele é baixo, então um excedente entre trezentas e quinhentas calorias por dia já cobre qualquer taxa de ganho possível. O que passa muito disso vira gordura, e ironicamente ia parar justamente na barriga que te incomodava. O caminho no seu caso é o que o riovip e o fabio já tinham apontado: você não estava gordo, estava com pouco músculo. Comer um pouco acima da manutenção, treinar pesado com progressão de carga, e deixar dois anos passarem. A barriga que te incomodava some sozinha quando o resto do corpo cresce ao redor dela.
  4. A pergunta que abriu este tópico foi feita três vezes e só recebeu resposta direta no último post. Ela é boa e continua atual, então vale respondê-la de verdade, e de quebra existe um detalhe técnico que resolve a discussão inteira que tomou conta daqui e que ninguém levantou. Começando pela dúvida do gNr. Ele já ia comprar halteres, barra e anilhas, e queria saber se valia a pena somar uma estação barata para fazer supino, puxada e scott, sendo que o máximo dele no supino era sessenta quilos. A resposta é não, e por um motivo de prioridade. Com pesos livres já garantidos, a estação barata acrescenta pouquíssimo, e o pouco que ela acrescenta com exclusividade é a puxada alta. Se o orçamento é limitado, a ordem que rende mais, do primeiro ao último item, é esta: Barra, anilhas e presilhas. É onde estão o agachamento, o terra, o supino, a remada e o desenvolvimento, ou seja, tudo que realmente constrói. Um banco regulável firme. Firme importa mais que regulável, mas os dois ajudam. Um suporte para a barra, seja um par de cavaletes, seja um rack. Sem isso, metade dos exercícios acima fica inviável ou perigosa. Uma barra fixa, de porta ou de parede. Ela substitui a puxada alta com vantagem, porque puxada com o próprio peso é mais difícil que a maioria das puxadas de estação, e continua progredindo por anos, primeiro com elástico ajudando, depois livre, depois com peso pendurado. Halteres, de preferência ajustáveis, com barras curtas que aceitem as mesmas anilhas da barra grande. Isso economiza muito espaço e dinheiro. Feito isso, sobra praticamente nada que a estação faria e que já não esteja coberto. Agora o detalhe técnico que encerraria a briga entre o Rbr e o Locemar, e que os dois discutiram sem saber. Comparar carga de estação com carga de aparelho de academia usando o número da placa ou a contagem de tijolos não funciona, porque o que chega na sua mão depende da relação de polias do equipamento. Muitas estações domésticas usam redução de dois para um, ou seja, cada dois quilos empilhados chegam como um quilo na alça. Aparelhos de academia usam relações diferentes entre si, e o peso de cada tijolo também varia de fabricante para fabricante, de cinco a dez quilos. Por isso o argumento de que aguenta cento e setenta quilos e o argumento de que o fisiculturista usa vinte e um tijolos não se conversam: são unidades diferentes. O único jeito honesto de comparar é pendurar um peso conhecido na alça e ver quantos tijolos ele levanta. Quem tiver estação em casa e fizer esse teste vai descobrir o número real do próprio equipamento em cinco minutos, e provavelmente vai se surpreender. E agora a coisa que mais me chamou atenção: trinta e cinco posts sobre treinar em casa e ninguém falou de segurança. Quem treina sozinho não tem quem tire a barra do peito. Supino sozinho, sem nada embaixo, é o acidente mais clássico e mais grave da musculação caseira, e acontece justamente com quem já treinava bem e confiava na própria força num dia ruim. Existem três soluções e qualquer uma resolve. A primeira é usar halteres para os empurrões quando estiver sozinho, porque halter você simplesmente solta ao lado do corpo. A segunda é ter barras de segurança ou cavaletes ajustados na altura do peito, que seguram a barra se ela descer. A terceira, para quem não tem nem uma coisa nem outra, é fazer supino sem presilha nas pontas: se travar, você inclina a barra para um lado e as anilhas escorregam para fora. Feio, barulhento e salva vida. O mesmo vale para o agachamento com barra nas costas em casa, que sem suporte de segurança só deve ser feito com carga que você tenha certeza de conseguir devolver, ou substituído por agachamento com halteres. E, sobre a discussão de treinar em casa ser desculpa de preguiçoso, a experiência de todo mundo aponta para outra coisa. O que decide resultado a longo prazo é constância, e o maior motivo de abandono não é falta de aparelho, é deslocamento, trânsito, horário e chuva. Um treino simples que a pessoa faz todos os dias na garagem entrega mais do que um treino perfeito numa academia completa que ela frequenta três vezes por mês. Quem só tem barra, anilhas e uma barra fixa em casa tem tudo o que precisa para ficar grande, e isso ficou ainda mais claro nos anos em que o mundo inteiro teve as academias fechadas.
  5. Este tópico é de dois mil e cinco e continua sendo lido. Ele acertou o essencial, que é a parte sobre balanço de energia, e essa parte não envelheceu um dia. Mas duas perguntas feitas aqui nunca foram respondidas direito, e uma delas foi respondida ao contrário do que se sabe hoje. Vale consertar, porque é justamente onde as pessoas se perdem. O toalhaman perguntou se eram mesmo necessárias todas aquelas calorias a mais, e disse ter lido que umas seiscentas extras bastavam. A resposta que ele recebeu foi que quanto mais calorias extras, maior a massa ganha. Essa frase é a parte do tópico que não se sustenta, e o toalhaman estava mais perto de certo do que quem respondeu. O motivo é simples: a construção de músculo tem teto. Por mais comida que entre, o corpo tem um limite de quanto tecido novo consegue montar por semana, e esse limite é bem baixo. Um iniciante bem alimentado e bem treinado constrói algo em torno de um quilo de músculo por mês nos primeiros meses. Depois de alguns anos de treino, esse número cai para bem menos que a metade. Um quilo de músculo por mês exige por volta de duzentas a trezentas calorias extras por dia. Tudo que entrar muito além disso não tem para onde ir como músculo, e vira gordura de forma bastante eficiente. Ou seja, a resposta prática é que um excedente entre trezentas e quinhentas calorias por dia cobre praticamente qualquer taxa de ganho possível. Comer mil calorias a mais não faz crescer o dobro, faz engordar o dobro. E isso responde também o rodrigo, que perguntou se ganhar alguma gordura era inevitável: é, sempre existe alguma, mas a proporção depende quase inteiramente do tamanho do excedente. Excedente pequeno com treino puxado significa boa parte músculo. Excedente grande significa boa parte gordura, e a gordura ainda cobra o preço depois, porque tirar dois quilos custa mais tempo do que ganhar dois. O jeito de acertar isso sem calculadora é usar a balança como termômetro. Iniciante pode mirar em torno de meio a um por cento do peso corporal por mês. Quem já treina há anos deve mirar bem menos, algo como meio quilo por mês. Se o peso está subindo mais rápido que isso, o excesso não está virando músculo. Se está parado por três semanas seguidas, some duzentas calorias e reavalie. O segundo ponto é sobre a regra central do Massive Eating, e é o que eu mais gostaria que ficasse registrado aqui. O protocolo original manda nunca combinar carboidrato e gordura na mesma refeição, separando as refeições em umas de proteína com carboidrato e outras de proteína com gordura, por causa da resposta de insulina. Essa é a parte que não se confirmou. A pesquisa dos anos seguintes mostrou que o que determina ganho ou perda de gordura é o balanço calórico do dia inteiro, e não a combinação de macronutrientes dentro de cada prato. O próprio autor do artigo revisou essa posição depois. Na prática isso significa que arroz com feijão e um fio de azeite, ou pão com ovo e abacate, não sabotam nada, e que a pessoa que passa o dia inteiro fazendo malabarismo para não juntar carboidrato com gordura está gastando disciplina que renderia muito mais se aplicada em bater a proteína do dia e a carga do treino. Aproveito para atualizar duas outras coisas que apareceram no tópico e viraram lei por aí. A primeira é que carboidrato à noite engorda. Não engorda. O que existe é o total do dia. Comer arroz às dez da noite não muda a conta, e para muita gente comer carboidrato à noite melhora o sono e a adesão à dieta, que é o que realmente decide resultado a longo prazo. A segunda é a janela pós treino. Ela é bem mais larga do que se pensava. Se você comeu uma refeição decente uma ou duas horas antes de treinar, os aminoácidos ainda estão circulando, e a pressa de tomar o shake nos trinta minutos não muda praticamente nada. O que importa é a proteína total do dia, algo entre um vírgula seis e dois vírgula dois gramas por quilo, distribuída em três a cinco refeições. Muita gente já perdeu dinheiro comprando o suplemento certo para o momento errado do problema. E, sobre o que continua valendo integralmente do tópico original: se você treina há tempo e não cresce, a comida é o suspeito número um. Nisso o Mc_Mike estava certo em dois mil e cinco e continua certo agora. Uma última: quem duvidou aqui pedindo foto errou o alvo. O texto não vale por causa do físico de quem posta, vale ou não vale pelo que está escrito. E boa parte dele valeu por vinte anos.
  6. Este tópico atravessou três anos, terminou bem, e continua sendo um dos primeiros achados por quem pesquisa lesão SLAP e supino. Justamente por isso vale atualizar algumas coisas, porque o principal obstáculo que travou todo mundo aqui, o exame de dois mil reais que o plano não cobria, não é mais o mesmo problema. O rol de procedimentos da ANS foi revisado muitas vezes desde dois mil e oito, e a ressonância com contraste intra-articular deixou de ser aquela zona cinzenta que o Mike descreveu. Se um médico indicar por escrito, o caminho hoje é: pedir a solicitação com o CID e a justificativa clínica, apresentar ao plano, e, se vier negativa, exigir a negativa por escrito. Com ela em mãos, abrir reclamação na ANS pelo canal de intermediação de conflitos, que é gratuito, feito pelo site ou pelo telefone, e resolve boa parte dos casos em poucos dias sem precisar de advogado. Muita gente desiste na primeira negativa do atendente, e é exatamente aí que se perde o direito por cansaço. Vale lembrar também que hospital universitário e ambulatório de ortopedia do SUS fazem esse exame. E agora uma correção importante, porque ficou registrada aqui uma orientação que pode custar caro a quem seguir. Foi sugerido que, ao contratar um plano novo, a pessoa não declarasse a lesão já existente. Isso é o pior caminho possível. Omitir doença preexistente conhecida é considerado fraude, e o resultado prático é que o plano pode negar justamente a cirurgia que você quer fazer e, no limite, cancelar o contrato, muitas vezes depois de você já ter pago mensalidades por anos. O caminho certo é o contrário: declarar. Ao declarar, aplica-se a cobertura parcial temporária, que dura vinte e quatro meses e restringe apenas procedimentos de alta complexidade ligados àquela lesão específica. Consulta, fisioterapia e exames seguem cobertos nesse período. Ou seja, declarar custa espera, omitir custa o direito inteiro. Sobre a parte clínica, três pontos que mudaram bastante nesses anos e que valem para quem chegar aqui hoje. O primeiro é que a escolha nunca foi só entre operar e nunca mais treinar, como aparece no tópico. Boa parte das lesões do lábio superior responde a reabilitação bem feita, e isso muda o cálculo de forma decisiva. Só que existe uma armadilha aqui: várias pessoas disseram que fizeram fisioterapia e não adiantou. Vale perguntar que fisioterapia foi essa. Três meses de ultrassom, corrente e alongamento não são tratamento para isso, e é exatamente o que muita clínica oferecia na época. O que funciona é reabilitação de carga progressiva, com trabalho de manguito rotador e, principalmente, de controle da escápula, que é a base sobre a qual o ombro se move. Fisioterapia sem carga que aumenta é massagem cara. O segundo é que a idade pesa na decisão cirúrgica. Em pessoa acima dos trinta e cinco ou quarenta anos, os resultados de reparo do lábio costumam ser piores do que em jovem, e em muitos casos se prefere a tenodese do bíceps, que é outro procedimento e resolve melhor a dor. Quem for operar hoje vale perguntar ao cirurgião especificamente sobre isso, porque são condutas diferentes com recuperações diferentes. O terceiro é que achado de exame não é diagnóstico sozinho. Alteração no lábio superior aparece com frequência em ressonância de gente sem dor nenhuma, sobretudo depois dos quarenta, porque também faz parte do desgaste normal. O que define conduta é a soma do exame com o quadro clínico e com os testes físicos, e não a imagem isolada. Por fim, o que evita esse problema, já que o mecanismo que o Mike descreveu é o mais comum de todos. Ele colocou o banco perto de noventa graus por pressa e sentiu na descida. Nessa inclinação o supino deixa de ser supino e vira desenvolvimento, com o ombro em abdução e rotação externa máximas, que é a posição de maior tensão sobre a cápsula anterior e sobre o lábio. Na prática, para quem quer proteger o ombro: inclinação entre trinta e quarenta e cinco graus e nunca mais que isso, cotovelos entre quarenta e cinco e sessenta graus em relação ao tronco em vez de abertos em noventa, halteres em vez de barra quando o ombro já reclama, e conferir o pino do banco antes de deitar, sempre, mesmo com pressa. E os dois exercícios que mais aparecem em relato de dor de ombro, puxada atrás da nuca e desenvolvimento atrás da nuca, não têm nenhuma vantagem que compense o risco. Uma observação para quem perguntou sobre glucosamina para acelerar a recuperação: ela não tem efeito demonstrado sobre cicatrização de lábio ou de tendão. O dinheiro rende mais em sessões de fisioterapia. Mike, bom saber que deu certo e que você voltou a treinar. Esse tópico ajudou muita gente a descobrir o nome do que tinha. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  7. Neemu, o tópico é de outra era e você provavelmente já virou outra pessoa, mas a sua pergunta continua sendo uma das mais feitas do fórum e nunca foi respondida direito aqui. Um disse cutting, outro disse bulk limpo, outro disse bulk leve, e o assunto virou a marca da sua cueca. Vou responder de verdade, para você e para quem cair neste tópico procurando a mesma coisa. A resposta, no seu caso específico, é: nenhum dos dois. Você tinha dezessete anos, um metro e setenta e quatro, setenta e dois quilos, uma semana de volta ao treino e o que o pessoal descreveu como barrigudinho mas não gordo. Essa é exatamente a situação em que a escolha entre bulk e cutting não faz sentido, porque quem está começando ou recomeçando consegue as duas coisas ao mesmo tempo: ganhar músculo e perder gordura, comendo por volta da manutenção. Isso não vale para todo mundo, e é justamente por isso que a discussão bulk contra cutting existe entre gente treinada. Mas para o iniciante, o corpo responde tão fácil a qualquer estímulo novo que ele constrói e queima ao mesmo tempo por um bom tempo. Essa janela dura um ou dois anos e não volta mais. Passar esse período fazendo bulk agressivo e depois sofrendo para tirar a gordura é o desperdício mais comum que existe. Traduzindo em prática: comer perto da manutenção, botar a proteína no lugar, treinar pesado e deixar a balança quase parada enquanto o espelho e a fita métrica mudam. E aqui está a parte que ninguém fez no tópico: contar a proteína da sua dieta. Somando o que você postou, dá algo em torno de setenta gramas por dia. Um copo de leite, um ovo, cem gramas de frango no almoço, cem no jantar, e o resto é pão, banana e batata. Para setenta e dois quilos, a faixa que sustenta ganho de músculo fica entre cento e dez e cento e quarenta e cinco gramas. Ou seja, você estava com aproximadamente metade do necessário. Esse é o motivo real de treino que não rende, e nenhuma discussão sobre bulk ou cutting resolveria isso. Você disse que não tinha como comprar suplemento e que os seus pais não iriam bancar. Isso não é impedimento nenhum, e essa era a informação mais útil que você poderia ter recebido. Proteína barata existe e é comida de mercado: Ovo, que continua sendo a melhor relação entre proteína e preço. Seis ovos por dia é normal e não faz mal a jovem saudável. Leite em pó, que rende muito e é fácil de bater com aveia e banana. Um copo de leite bem cheio de leite em pó substitui shake com folga. Sardinha em lata, que é barata, tem proteína e ômega três. Frango em coxa e sobrecoxa, bem mais barato que peito e com quase a mesma proteína. Carne moída de segunda, patinho ou acém, comprada em quantidade. Fígado bovino, que é dos alimentos mais baratos do açougue e um dos mais densos em ferro, zinco e vitamina A que existem. E arroz com feijão de verdade, no volume certo, que era justamente o que faltava na sua lista, junto com o broto de feijão que quase não conta. Duas correções pequenas de dieta: três colheres de Nescau são quase trinta gramas de açúcar logo cedo, e trocar isso por café com leite não muda nada no seu prazer e libera calorias para comida de verdade. E aquela ceia de duas bananas seria bem melhor como leite com aveia ou ovo cozido, porque a fruta sozinha à noite não entrega proteína nenhuma. Sobre a última pergunta, a do treino que o professor montou, que também ficou sem resposta clara: a divisão dele está boa e você não precisava mudar nada. Cada grupo sendo treinado duas vezes por semana é melhor do que uma, e quarenta e oito horas entre uma sessão e outra do mesmo músculo é suficiente para um iniciante, porque a carga que você usa ainda é leve para o que o corpo aguenta. O que decide o resultado nesse ponto não é a distribuição dos dias, é subir carga com constância e anotar isso em algum lugar. E, olhando de longe: a maior vantagem que você tinha era ter dezessete anos e estar começando. Isso vale mais que qualquer suplemento e mais que qualquer estratégia de dieta com nome bonito. Sinto que o tópico tenha virado piada com a sua foto. Você fez tudo certo ao postar e ao perguntar.
  8. Aos 15 anos ele pesava 50 kg e tinha 25 cm de braço. Dois anos depois estava com 105 kg, sem ter usado nada, cheio de estrias e comendo até vomitar. Hoje mantém um físico que custa cerca de R$ 31 mil por mês, conta feita em voz alta e item por item. Entre um ponto e outro cabem um mestre de academia de bairro, um emprego em loja de material de construção, um ano de alcoolismo e a decisão de nunca competir. Foi essa trajetória inteira que Fernando Superman abriu em "FERNANDO SUPERMAN - ESPECIAL BBZINHO CINZA BDAY", do Monster Cast. É uma história de maromba, mas o que a sustenta não é treino. É trabalho, escolha de gente e uma disposição incomum de dizer em público quanto custa e quanto dói. 50 kg e um irmão maior A entrada na academia não teve nada de inspiradora. Os pais se separaram de forma traumática quando ele tinha entre 12 e 15 anos, os três irmãos ficaram com a mãe e ele escolheu ficar com o pai, que estava em depressão profunda e falava em se matar. A conta dessa escolha veio rápido: o irmão mais velho, com mais de 1,90 m e bem mais pesado, o espancou na rua por causa dela. Foi essa a origem. Com 50 kg e 25 cm de braço, karatê não resolveria a diferença, e ele foi treinar para conseguir se defender. Largou a escola, virou ajudante de açougueiro em um mercadinho e começou a circular com gente errada, algo que ele descreve com uma clareza que quem viveu perto sabe reconhecer: não é preciso cometer nada para pagar, basta estar do lado de quem tem pendência quando alguém aparece para cobrar. Terra, o mestre que segurou a barra Quem tirou o adolescente daquela rota foi o dono da academia, conhecido como Terra. A academia ficava perto da rodoviária de Ubatuba, custava R$ 35 por mês, e houve reclamação geral quando a mensalidade subiu R$ 5. A primeira cena de treino que ele viu na vida foi Terra se preparando para o Mister Santos fazendo rosca direta com 50 kg de cada lado. O método da casa era brutal e literal. Leg press com séries de 40 repetições até vomitar, com balde ao lado. Remada curvada com 70 kg de cada lado por 20 repetições, também até vomitar. Terra treinava com a academia fechada, para não assustar os próprios alunos. O primeiro treino que passaram ao novato foi levantamento terra, com a justificativa de ser o mais completo e o mais básico ao mesmo tempo. Vale registrar uma coisa que contraria o estereótipo daquela geração. Ninguém ali incentivou o garoto a usar nada. Os atletas da academia, incluindo um campeão mundial de supino que levantava 280 kg pesando 90 kg, diziam que ele tinha que crescer natural, e combinaram que no dia em que ele decidisse usar sentariam juntos para discutir o que seria. As seringas eram escondidas e descartadas longe. Havia um cuidado que hoje soa deslocado. De 50 kg a 105 kg comendo até passar mal A instrução nutricional cabia em uma frase: para ganhar peso, come à vontade a comida mais calórica que der. Sem contagem, sem macro, sem noção do que era carboidrato ou proteína. Ele saiu de 50 kg aos 15 anos para 105 kg aos 17, natural, com estrias que carrega até hoje. O relato do que isso significava na prática é desconfortável e útil. Panela inteira de arroz com frango comida de colher, direto da panela. Um episódio em que vomitou no meio da refeição e continuou comendo. Um dia em que comeu 72 ovos, comprados a R$ 2 a dúzia. Uma vez engoliu um ovo visivelmente esverdeado e não passou mal, o que ele atribui a estar alienado demais no objetivo para registrar o que estava fazendo. A leitura que ele faz hoje disso é mais equilibrada do que a prática de então. Vê muito jovem perdendo tempo tentando crescer limpo demais, quando o que aquela fase pede é comer, construir estrutura e lapidar depois. Treino e dieta são processos biológicos, e a matemática exata serve mais para conversar do que para descrever o que acontece no corpo. Cinco anos sem treinar, três horas da manhã na Augusta Aos 17 ele foi para São Paulo com o pai, e a maromba sumiu da vida por cinco a seis anos. Trabalhou como ajudante de barman em um restaurante na Augusta e saía do serviço às duas ou três da manhã, quando não havia ônibus. Ia a pé da Augusta até a Vila Madalena, e passou a raspar a cabeça na gilete para parecer mais perigoso no caminho. Depois veio o Almanara, restaurante de alto padrão em Alphaville, onde a lição foi de observação. Aprendeu que quem tem muito dinheiro costuma andar de chinelo e camiseta simples, que o cara arrumado demais em geral é o assalariado, e que dá para identificar quem realmente importa pela movimentação dos seguranças à paisana ao redor. Também registra não ter sido destratado uma única vez por esse público. Meio milhão por mês e um diretor que morreu O capítulo mais formativo não aconteceu em academia nenhuma. Contratado como vendedor em uma loja de material de construção, ele perguntou aos veteranos quanto vendiam os melhores. A resposta foi de R$ 120 mil a R$ 130 mil por mês. Ele disse, na inocência, que dava para vender R$ 400 mil, e riram da cara dele. Em seis meses estava vendendo meio milhão por mês, e chegou a passar de R$ 600 mil. A seção onde trabalhava, na menor loja da rede em metragem, saiu da vigésima terceira posição entre cerca de trinta lojas para a terceira em vendas. Ele ganhava R$ 1.500. O método não tinha nada de mágico e é inteiramente transferível. O gargalo que ninguém cobria era o pós-venda. Ele anotava o telefone de todos os clientes, marcava a data prevista de entrega e ligava antes de entrar no expediente para perguntar se tinha chegado tudo certo. Caixa de piso quebrada virava troca mais vale-compra, o que gerava uma nova compra e um cliente que não aceitava ser atendido por mais ninguém. Havia dia de loja vazia com fila na mesa dele. A frase que resume o aprendizado é a que ele repete até hoje: você não faz venda, faz cliente. Foi promovido em um ano e três meses, quando o padrão da empresa era dois anos, e a promoção precisou ser ocultada da equipe para evitar retaliação. O mentor por trás disso era um diretor chamado Alejandro, o mais bem pago da unidade e ao mesmo tempo o mais despojado, sem relógio, sem broches, descendo ao chão de loja para brincar com todo mundo pelo nome. No sábado ele passou pela loja como sempre. No domingo caiu andando de skate no Parque Villa-Lobos com a mulher grávida e morreu. Um ano de uísque no café da manhã A morte do mentor virou combustível e depois virou doença. Ele decidiu levantar sozinho a bandeira do outro e passou a se cobrar mês a mês, sempre acima do anterior. Acumulou quatro celulares e todas as broncas da seção. O quadro que ele descreve é de alcoolismo funcional, e ele o nomeia sem eufemismo. Acordava e tomava de um terço a meia garrafa de uísque, misturado com café, no lugar do café da manhã. Fumava cerca de um maço por dia. Não almoçava. O prêmio depois de fechar uma venda grande era ir ao vestiário tomar mais um gole, um café e um cigarro. Aos 24 anos começou a ter cabelos brancos. Vale a honestidade que veio junto, porque ela é a parte útil para quem passa por isso. Ele diz que continua alcoólatra, no presente, anos depois de ter parado. Passar pelo corredor de bebidas do supermercado ainda o faz salivar, e a lembrança do uísque com café ainda é descrita como um estímulo animal, não racional. Por isso não toma nem uma dose. A virada veio quando olhou para os chefes e viu o gerente envelhecido dez anos em dezoito meses e a diretora aparentando bem mais que os 39 anos que tinha, ganhando R$ 12 mil. Concluiu que era o melhor vendedor do mundo de uma coisa que odiava, obra, e que se aplicasse o mesmo esforço em algo que amava o resultado seria outro. Voltou de férias e pediu demissão. A seção, que ele deixou vendendo três milhões, voltou para um milhão e meio. Loja de suplemento, o primeiro ciclo e a consultoria paga no crediário O retorno à musculação passou por uma loja de suplementos no Frei Caneca, onde virou um dos melhores vendedores usando o oposto do empurrão. Se o cliente pedia um produto caro sem precisar, ele oferecia o mais barato e ajustava a dose de verdade, explicando que 3 g de glutamina não fazem efeito e que o útil ali seria algo em torno de 15 g. O ganho vinha da recorrência, não da margem daquela venda. Foi nessa fase, entre 24 e 25 anos, que veio o primeiro protocolo: boldenona com enantato, três aplicações por semana, finalizando com oxandrolona. Nunca fez terapia pós-ciclo, nem nesse nem depois. O segundo protocolo foi durateston de farmácia com meio mililitro de trembolona em dias alternados, e o resultado imediato foi acne severa. É também o marco que ele aponta para o início dos problemas de sono que o acompanham desde então. O encontro com Júlio Balestrin merece registro pelo desfecho. Levado por um cliente que virou amigo, pagou R$ 600 de consultoria no cartão de uma loja de departamentos, parcelado em duas vezes. Júlio olhou para ele, mandou o acompanhante sair da sala e disse que ele precisava competir, que a genética, a linha e a proporção eram melhores que as de nomes já estabelecidos. Vindo de alguém conhecido por não elogiar ninguém, aquilo pesou. O que aconteceu na sequência é a decisão mais madura da história. Na mesma sala ele viu o protocolo de um atleta profissional que estava sendo preparado, comparou com a própria realidade de quem não tinha dinheiro para comer frango direito e concluiu que aquilo não era para ele naquele momento. Escolheu não competir e seguir treinando em paz, para não trocar prazer por frustração. O conteúdo que mudou tudo e a demissão que veio junto A virada de exposição veio de uma gravação com Toguro, que viralizou. O preço foi imediato: ele foi demitido da loja de suplementos por causa da participação. O apelido Superman já existia antes, herdado das costas largas de quem nadava na infância, e acabou colado por uma namorada. Duas recusas dessa fase explicam a carreira melhor que qualquer número. A primeira foi não emendar em conteúdo de balada e carnaval, mesmo sendo aconselhado a surfar a onda enquanto ela existia, por entender que estaria se prostituindo por visualização e que depois criticaria o próprio material. Consequência prática: como não ficou dependente da imagem de outra pessoa, sobreviveu ao ciclo que engoliu vários que apareceram depois. A segunda foi comercial. Depois de mostrar o contrato vigente para provar que não estava blefando sobre o próprio valor, ouviu de um dono de marca a proposta de trabalhar três meses de graça, só por suplemento, para depois discutir salário. Em outra ocasião fechou um acordo no aperto de mão, pediu demissão do patrocinador anterior confiando na palavra, e na hora de assinar o valor combinado tinha sumido. Recusou, e a razão não foi o dinheiro: não se entra em uma relação que já começa errada. A caixa aberta: o que ele realmente usa Aqui vale o enquadramento antes dos números. O que segue é o relato de um profissional que vive disso, com acompanhamento farmacêutico, exames periódicos e uma estrutura financeira que quase ninguém tem. Não é recomendação, não é dose de referência e não deve ser copiado. A primeira coisa que ele desmonta é a própria lenda. O número que circula na internet, de 12 g a 15 g por semana, veio de um lote falsificado. A prova é o resultado: usando o que o rótulo dizia ser 15 g, ele definhou até 90 kg. Se houvesse fármaco de verdade naquele frasco, o efeito teria sido o oposto. A conclusão que ele tira é a mais útil de toda a conversa, e vale para qualquer pessoa que use qualquer coisa comprada fora de farmácia: a distância entre o que está no rótulo e o que está no frasco costuma ser enorme, e passar a usar produto de farmácia significou, na prática, poder usar menos da metade. O uso atual é declarado com limites claros. Trembolona em 1 mL por dois dias seguidos, com queda para meio mililitro no terceiro, porque não aguenta manter. Tentou chegar a 700 mg por semana e não conseguiu, ficando em torno de 500 mg. A base é testosterona com primobolan e NPP. Oximetolona a 25 mg já embrulha o estômago, e ele não usa 50 mg. O HDL estava em 18. Nunca fez pausa real. Desde os 24 ou 25 anos está sempre com algo em uso, e o mais próximo de um intervalo foram duas semanas em 2018 usando apenas durateston de farmácia duas vezes por semana. Sobre isso ele não constrói justificativa técnica, apenas descreve. A conversa cobre ainda o que costuma faltar nesse tipo de relato. Trembolona destrói o sono, e ele já chegou a acordar às cinco da tarde. Como carrega um distúrbio de sono grave, que quase exigiu internação, hoje trata sono como inegociável. Para dormir usa combinações simples e baratas, incluindo glicina em torno de 5 g, chás de camomila, erva-cidreira e capim-limão, com melatonina em dose mínima, na faixa de 0,5 mg, que já produz efeito. Para acne, orienta procurar médico no caso da isotretinoína e desconfiar de produto de mercado negro que em três doses diárias sequer descama a pele, além de medidas simples como evitar banho quente e usar nicotinamida tópica a 5%. A conta que quase ninguém mostra O trecho mais valioso do encontro é uma calculadora aberta ao vivo, e ela deveria circular mais que qualquer foto de shape. Somando o que ele usa por mês: hormônio de crescimento, à razão de cerca de R$ 650 por caneta: em torno de R$ 15 mil itens de farmácia: cerca de R$ 2.500 manipulados, entre protetor hepático, protetor de articulação, enzimas digestivas e sensibilizadores de insulina: cerca de R$ 8.500 somados demais hormônios: cerca de R$ 2 mil alimentação: entre R$ 4 mil e R$ 5 mil, sem contar refeições fora suplementação, avaliada a preço de venda: cerca de R$ 2.500 O total fica em torno de R$ 31 mil por mês, aproximadamente R$ 360 mil por ano, e isso cobre apenas a manutenção do físico. Não entra aluguel, lazer, plano de saúde, academia nem transporte. Se entrasse IGF-1 no protocolo, seriam uns R$ 8 mil a mais. A comparação que ele usa é com automobilismo: dá para brincar de kart, mas Fórmula 1 é para poucos, e o carro de Fórmula 1 quebra mais e tem manutenção mais cara que o carro comum. Duas conclusões desse bloco valem mais que a soma. A primeira é que o gasto com contenção de dano cresce de forma desproporcional quando se sobe a dose, e por isso muitas vezes é mais inteligente ficar no meio-termo do que subir e não conseguir bancar a proteção correspondente. A analogia dele é direta: subir o morro blindado, de colete e capacete, ou não subir. A segunda é que isso não é uma compra, é um aluguel. Interrompido o pagamento, o físico vai embora. Serve de contraste o começo. Houve uma fase em que R$ 690 era exatamente o valor que faltava para comprar o hormônio de crescimento do mês, e a decisão sobre trabalhar mais ou não passava por isso. Por que ele nunca subiu no palco Ele mantém a posição de nunca ter competido e não vê incoerência nisso. O argumento é que a musculação importa mais do que o fisiculturismo, e que o fisiculturismo é a ponta, a Fórmula 1, uma bandeira útil justamente porque levantá-la levanta a musculação inteira junto. O que o move é ver a musculação virar o maior esporte do Brasil, acima do futebol. Sobre uso para quem não vai competir, a resposta é curta e sem heroísmo. Vale muito mais a pena melhorar a vida do que perseguir o extremo, e trembolona não é para quem quer apenas um físico bom. Ele mesmo passou um ano e dois meses sem usar em determinado período, e continua defendendo que o natural bem treinado já está muito acima da média. Duas dívidas pagas Duas histórias fecham o retrato. A primeira é que ele voltou e reformou a academia do mestre, que estava funcionando literalmente no meio da obra, com o concreto exposto e o dono dormindo na garagem com a mulher durante a pandemia. Virou sócio, colocou equipamentos e a casa saiu de cerca de 80 alunos para mais de 500, com mensalidade de R$ 150. Depois vendeu a própria parte por um valor simbólico, com a justificativa de que entrou para ajudar e que não faria sentido rachar meio a meio um negócio tocado por outra pessoa enquanto ele vive em São Paulo. A segunda é o costume de dormir no chão, que ele mantém. Nasceu da época em que morava na academia, embaixo de uma escada, e o colchão encharcava toda vez que chovia forte. Passou a dormir sobre um tatame e nunca desfez o hábito, mesmo depois de comprar cama. Conclusão O que sustenta essa história não é dose nem genética. É um mestre que apareceu na hora certa, um mentor de fora da maromba que ensinou a trabalhar, e um método de venda que vale para qualquer profissão: entregar o combinado e voltar para conferir. As duas decisões que mais pesaram foram recusas, não conquistas. Não competir quando viu que a conta não fechava, e não vender a própria imagem por audiência fácil. Fica também o alerta que ele mesmo entrega sem que ninguém peça. Um lote falsificado que produziu emagrecimento em vez de ganho, HDL em 18, sono destruído a ponto de exigir tratamento, anos sem nenhuma pausa e uma conta mensal de R$ 31 mil apenas para manter o que está no espelho. Nada disso é receita. Qualquer decisão envolvendo hormônios exige avaliação, exames e acompanhamento de profissional habilitado, e a automedicação continua sendo o caminho mais rápido para transformar objetivo estético em problema clínico. FAQ Ele realmente usava 15 g de hormônio por semana? Não. Esse número veio de um lote falsificado, e a prova está no resultado: usando o que o rótulo apresentava como 15 g, ele emagreceu até 90 kg. Passar a usar produto de farmácia significou reduzir para menos da metade, com resposta melhor. Quanto custa manter um físico desse nível? Cerca de R$ 31 mil por mês, ou aproximadamente R$ 360 mil por ano, considerando hormônio de crescimento, itens de farmácia, manipulados de proteção, demais hormônios, alimentação e suplementação. Não estão incluídos moradia, lazer, plano de saúde nem academia. Como ele saiu de 50 kg para 105 kg? Em dois anos, dos 15 aos 17, sem usar nada e sem qualquer noção de dieta. A instrução do treinador era comer à vontade a comida mais calórica disponível, o que na prática significou panelas inteiras de arroz com frango e episódios como comer 72 ovos em um único dia. Por que ele nunca competiu? Porque viu de perto o protocolo de um atleta profissional em preparação e comparou com a própria realidade financeira da época, quando não tinha dinheiro nem para comer frango adequadamente. Concluiu que aquilo geraria frustração e preferiu treinar sem a pressão do palco. Qual foi a maior lição fora da academia? O pós-venda. Anotar o contato de cada cliente, checar se a entrega chegou certa antes de o cliente reclamar e resolver o problema com troca mais crédito transformou vendas isoladas em recompras. A síntese que ele repete é que não se faz venda, se faz cliente. O que ele recomenda para quem não pretende competir? Que priorize a vida acima do extremo. Considera que um praticante natural bem treinado já está muito acima da média e que substâncias como a trembolona não fazem sentido para quem busca apenas um bom físico, pelo custo em sono, pele e saúde mental. Referências MONSTER CAST. FERNANDO SUPERMAN - ESPECIAL BBZINHO CINZA BDAY. YouTube, 22 dez. 2022. Disponível em: https://www.youtube.com/live/WT-d1DqTEfE. Acesso em: 31 jul. 2026.
  9. Você abriu o tópico pedindo ajuda para montar treino com foco em dorsais e braços, postou o treino quando pediram, e essa parte acabou nunca sendo respondida. Vou começar por ela, porque é o que você perguntou. Olhando o que está aí, tem um padrão claro: quase tudo é máquina, polia e movimento de isolamento, e falta a espinha dorsal do treino em todos os três dias. No treino de costas você tem pull down, remada sentada, puxador por trás, puxador pegada fechada e peck deck invertido. São cinco exercícios e quatro deles são puxada vertical ou variação de polia. Falta o que mais constrói dorsal: puxada com o próprio peso na barra fixa, e principalmente uma remada pesada com peso livre, seja remada curvada com barra, seja serrote com halter. Remada com peso livre obriga o dorsal a trabalhar contra uma carga que você pode aumentar todo mês, e é isso que engrossa as costas. Se quer dorsal larga, coloque barra fixa e remada curvada no começo do treino, quando você está inteiro, e deixe as polias para o final. No treino de perna você tem extensora, leg press, adutora e flexora. Não tem agachamento, não tem levantamento terra, não tem stiff e não tem panturrilha. Ou seja, o dia de perna não tem nenhum movimento em que o quadril trabalhe de verdade. O levantamento terra, além de perna, é dos melhores construtores de dorsal e de espessura de costas que existem, então ele resolve dois dos seus problemas ao mesmo tempo. E, sobre braço, um ponto que costuma surpreender: bíceps recebe muito estímulo indireto de toda puxada e remada, e tríceps de todo supino e desenvolvimento. Se a base composta melhorar, o braço cresce junto. Colocar mais um exercício de rosca não é o caminho, e você já faz três de tríceps e três de bíceps. Uma última coisa sobre treino, que vale mais que a escolha dos exercícios: anote carga e repetição toda sessão. O objetivo de cada semana é bater a semana anterior em alguma coisa, nem que seja uma repetição a mais. Sem esse registro, não dá para saber se o ciclo está rendendo, e é justamente ele que separa quem cresce de quem só treina. Agora duas coisas do protocolo. A primeira é o anastrozol. Você programou meio miligrama dia sim dia não a partir da segunda semana, antes de qualquer exame, e disse depois que não chegou a fazer exame antes de começar. Isso é usar um remédio para um problema que talvez não exista. O anastrozol serve para derrubar estrogênio quando ele está alto e dando sintoma, e não como item padrão de ciclo. Estrogênio não é vilão no homem: ele participa da libido, do humor, da saúde da articulação e da manutenção do HDL. Derrubado demais, e meio miligrama em dia alternado derruba bastante, ele produz justamente aquilo que as pessoas atribuem ao ciclo dar errado, ou seja, articulação seca, libido sumindo, ânimo baixo e colesterol pior. O caminho melhor é o inverso do que foi planejado: começar sem anastrozol, e ter o comprimido guardado para o caso de aparecer sintoma real, que é sensibilidade ou nódulo doloroso embaixo do mamilo, retenção evidente e inchaço de rosto. Aí sim entra, na menor dose, e de preferência com estradiol dosado antes. Ainda mais no seu caso, com um laboratório desconhecido que pode estar subdosado: você pode acabar bloqueando o estrogênio de uma testosterona que nem está chegando na dose que você pensa. A segunda é o tempo da TPC, e esse é um erro de calendário que custa caro. Você programou começar trinta dias depois da última aplicação. Enantato tem meia vida em torno de sete dias, então uns quatorze a dezoito dias depois da última aplicação o nível já caiu para perto do chão. É nesse ponto que a TPC deve começar. Esperar trinta dias significa passar mais de duas semanas com a testosterona de fora praticamente ausente, a sua própria ainda desligada, e nada estimulando a recuperação. É exatamente a janela em que se perde massa e se passa mal, e ela é evitável apenas mexendo na data. E, sobre a dieta, uma observação simples. Duas mil e trezentas calorias para setenta e cinco quilos, vindo de um período de déficit, é manutenção ou pouco acima. Para um bulk com quatrocentos miligramas de testosterona por semana, isso desperdiça o ciclo. Deixe a balança mandar: se o peso não estiver subindo algo entre trezentos e quinhentos gramas por semana, some duzentas calorias e reavalie em duas semanas. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  10. Fernando, tem um número nesses seus exames que passou quase batido e que é, de longe, o mais sério de tudo que está postado aqui. Vou começar por ele. Você postou VLDL de cento e setenta e sete. Esse valor não é medido, ele é calculado dividindo os triglicerídeos por cinco. Fazendo a conta ao contrário, os seus triglicerídeos estavam por volta de oitocentos e oitenta. A faixa desejável vai até cento e cinquenta. Acima de quinhentos já existe risco de pancreatite aguda, e acima de mil o risco é considerado alto. Você estava entre esses dois patamares. Isso não é um exame para ajustar com aveia e salada, é um valor que pede consulta médica com esse resultado em mãos e repetição do exame com jejum correto de doze horas, porque comer perto da coleta infla o número. Pancreatite aguda dói muito, interna, e às vezes é grave. Não estou dizendo isso para te assustar, estou dizendo porque, no tópico, esse número foi tratado como um item de lista. E tem uma consequência técnica disso que também vale saber, porque ela produziu um segundo engano. O seu LDL apareceu como vinte e três, um valor ótimo, quase bom demais. Ele não é real. O LDL desses exames de rotina também é calculado, por uma fórmula que deixa de funcionar quando os triglicerídeos passam de quatrocentos. Com triglicerídeos perto de novecentos, o LDL calculado não significa nada. Ou seja, não dá para se tranquilizar com ele. O terceiro número da mesma família é o HDL de dezessete. Está entre os mais baixos que se vê. Essa é a assinatura clássica do stanozolol, que é dos androgênios que mais derruba o HDL, e vale saber que o anastrozol empurra na mesma direção, porque parte da proteção do HDL depende do estrogênio. O que me leva ao anastrozol, e aqui está um erro que ninguém apontou com todas as letras. Você usou anastrozol três vezes por semana durante todo o período e resistiu a parar quando o médico mandou. Só que o seu próprio exame mostra estradiol de vinte e quatro, com referência masculina indo até trinta e nove vírgula nove. Ou seja, o seu estrogênio não estava alto. Estava na parte de baixo da faixa normal. Não havia excesso a combater, e o remédio estava apenas derrubando um hormônio que você precisa ter, com custo em HDL, em osso, em articulação e em libido. O receio que você mencionou de dor articular por causa do stano somado ao anastrozol tinha fundamento, e a solução era exatamente a que te propuseram: parar. Sobre o fígado. TGO oitenta e três e TGP cento e dezessete são cerca de duas a três vezes o limite superior, e o responsável mais provável é o stanozolol. Vale dizer uma coisa sobre a via, porque é um mal-entendido comum: a apresentação sublingual não torna o stanozolol seguro para o fígado. A toxicidade dele vem da estrutura química alquilada na posição dezessete, que é o que permite a molécula sobreviver e circular, e isso não muda conforme ele entra no corpo. Aproveito para dizer que silimarina e abacaxi não protegem contra isso. O que baixa essas enzimas é o tempo sem a droga. Repetir TGO, TGP, GGT e bilirrubinas umas seis a oito semanas depois de parar é o que responde se voltou ao normal. Duas observações menores, mas úteis. Os dez quilos em dois meses. Você comia três mil e duzentas calorias sem dieta regrada e sem controle, incluindo McDonalds semanal. Parte importante disso é água, glicogênio e comida no sistema, e outra parte é gordura. A bioimpedância que marcou oito vírgula cinco por cento no meio disso não é confiável, porque ela estima gordura a partir da condução elétrica do corpo, que depende diretamente do quanto você está hidratado, e você passou o período inteiro com o balanço de líquido mudando. Não é um instrumento para julgar um ciclo. E, corrigindo uma informação que ficou no tópico: tamoxifeno exige receita médica no Brasil. Não é venda livre. Se você ainda estiver por aqui, o resumo do que eu faria hoje é curto: repetir o perfil lipídico completo com jejum de doze horas, levar o resultado a um médico com o histórico contado por inteiro, e repetir as enzimas hepáticas. Aos vinte e um anos essas três coisas tendem a voltar ao lugar depois de um tempo limpo, e é bom confirmar que voltaram antes de pensar em qualquer outra coisa. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  11. Este tópico continua sendo achado por quem procura acne em ciclo feminino, e tem coisa aqui que precisa ser corrigida, porque leva a decisão errada. Começo pela causa, que na verdade já estava resolvida no primeiro post e ninguém percebeu. Kakau escreveu o seguinte: as espinhas apareceram, ela parou por quinze dias, elas sumiram, ela voltou e elas reapareceram já na primeira aplicação. Isso tem nome em medicina, chama-se retirada e reexposição, e é a evidência mais forte que existe fora de laboratório para estabelecer que uma substância causou um efeito. Some quando tira, volta quando devolve. A dermatologista que a examinou disse a mesma coisa. Não era preciso dosar estradiol, DHT ou cogitar frasco contaminado: a resposta já estava no relato. E aqui está a correção mais importante do tópico. Foi levantado que o problema poderia ser estradiol alto, e depois foi recomendado anastrozol, meio miligrama por dia, durante e depois do ciclo, comprado sem receita. Isso não funciona e faz mal, pelos dois lados. Não funciona porque a acne dessas duas substâncias é androgênica, não estrogênica. Stanozolol não aromatiza, ou seja, não vira estrogênio em quantidade relevante, e oxandrolona quase nada. A espinha aparece porque o androgênio estimula diretamente a glândula sebácea, que produz mais sebo, e no pescoço, colo, ombros e costas, que é exatamente o mapa que ela descreveu, porque é onde essas glândulas são mais densas. Anastrozol bloqueia a conversão de androgênio em estrogênio. Não havendo essa conversão, não há o que bloquear. Ele não tem por onde agir sobre esse tipo de acne. E faz mal porque, em mulher, o estrogênio não é um efeito colateral, é o hormônio principal. Derrubá-lo com inibidor de aromatase em uma mulher jovem e saudável causa perda de massa óssea, dor articular, ressecamento vaginal, queda de libido e piora do perfil lipídico. É um remédio de indicação oncológica, usado em mulher com câncer de mama hormônio dependente, geralmente depois da menopausa, e com acompanhamento. Tomar isso por conta própria para tratar espinha é trocar um problema de pele por um problema de osso. Se alguém leu este tópico e adotou isso, vale reconsiderar. O que realmente resolve acne androgênica, na ordem: reduzir a dose ou tirar a substância, que é o que a própria experiência da Kakau já demonstrou funcionar, e tratamento dermatológico de verdade, com peróxido de benzoíla ou adapaleno tópicos, e antibiótico ou isotretinoína quando o quadro é mais grave e sob acompanhamento. Sabonete sozinho não dá conta de acne hormonal, e isso explica por que só amenizou. Segundo ponto, que é o que provavelmente causou tudo. Foi dito no tópico que stanozolol daquela forma para mulher está OK e que não é dose alta. É dose alta, sim, e por larga margem. Cinquenta miligramas por mililitro, um mililitro, três vezes por semana, dão cento e cinquenta miligramas por semana. Isso é faixa masculina. As doses femininas que aparecem nos relatos com poucos efeitos ficam uma ordem de grandeza abaixo disso. Somando ainda vinte miligramas de oxandrolona três vezes por semana, o resultado esperado não é acne, é acne mais o resto. Não surpreende que no primeiro ciclo, com dose menor, não tenha acontecido nada. E é por isso que vale insistir num ponto que vale para quem estiver lendo: quando aparece efeito androgênico visível, a conduta é reduzir ou parar, e não somar um segundo medicamento para tentar mascarar o primeiro. A espinha, incômoda como é, é o aviso barato. Voz e clitóris são o aviso caro, e esses não voltam atrás. Uma observação sobre o protocolo que foi sugerido mais adiante no tópico, de subir oxandrolona até trinta miligramas por dia para uma iniciante. Isso é três a seis vezes a faixa em que a maioria das mulheres usa, e é justamente a região em que a virilização deixa de ser risco e passa a ser expectativa. Quem estiver começando, vale ignorar esse número. E, gdamasceno, um detalhe do seu caso que pode te poupar preocupação: um DHT acima de dois mil e quinhentos é um valor esquisito, fora de qualquer faixa usual, e o primeiro passo antes de tratar é conferir a unidade e o intervalo de referência do laboratório e repetir a dosagem. Não é raro esse tipo de número vir de unidade diferente da esperada. Vale confirmar antes de montar conduta em cima dele. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  12. Patricia, o tópico é antigo e você não voltou, mas vou responder porque a conclusão que ficou registrada aqui está invertida, e ela é do tipo que pode fazer mal a quem ler depois. A médica do pronto socorro foi chamada de incompetente e de sem noção. Olhando o que ela fez, foi o contrário disso. Você chegou lá com dor forte, na terceira semana usando oxandrolona a dez miligramas por dia, e ela identificou alteração no fígado. Diante disso, ela te disse que não podia prescrever certos remédios por causa do efeito hepático do que você estava tomando, mandou repouso e orientou não beber e evitar comida gordurosa. Isso é exatamente o raciocínio correto. A oxandrolona é do tipo alquilado, ou seja, foi modificada quimicamente para sobreviver à passagem pelo fígado, e é justamente essa modificação que sobrecarrega o órgão. Em alguém com o fígado já alterado, somar mais um medicamento que também é processado ali é a coisa errada a fazer. Ela não deixou de prescrever por preguiça, deixou de prescrever porque prescrever seria pior. E o Buscopan que ela escolheu é coerente com isso: é antiespasmódico, que age no intestino, para dor de cólica. Não era o momento de investigar mais nada dentro do pronto socorro, era o momento de tirar você da dor sem piorar o fígado. O que faltou não foi competência dela, foi o passo seguinte, que era com você. Dor abdominal forte somada a alteração de fígado na terceira semana de um oral alquilado é a única coisa deste tópico inteiro que exigia investigação de verdade, e ela nunca aconteceu. O que eu faria, e ainda vale se aquilo voltou alguma vez: colher TGO, TGP, GGT, fosfatase alcalina e bilirrubinas, e fazer um ultrassom de abdome. O ultrassom importa porque cálculo na vesícula é comum em mulher na sua faixa de idade e dá exatamente esse tipo de dor, e porque esteroide oral também pode causar estase de bile. São dois exames baratos, e o laboratório não precisa ficar na sua cidade nem exige o endocrinologista que sumiu: qualquer clínico geral pede e lê. E aqui está o ponto que eu quero que fique registrado para quem ler este tópico: quando aparece dor abdominal com alteração hepática durante o uso de um oral, a leitura certa não é que a médica acabou com o ciclo. É que o corpo avisou. Retomar sem investigar é apostar que o aviso era falso. Agora, respondendo a uma pergunta que ficou pendurada no fim do tópico e nunca foi respondida, a da Rapunzel, sobre qual seria a TPC para voltar a menstruar. Não existe, e é bom que não exista. Quando a menstruação some durante o uso de androgênio, é porque o eixo hormonal está suprimido, e ele volta sozinho depois que a substância sai, normalmente em algumas semanas a poucos meses. Não há nada a tomar para acelerar isso com segurança, e as substâncias que circulam por aí para essa finalidade, como tamoxifeno e clomifeno, foram desenhadas para outra coisa e, em mulher que não está sendo tratada por infertilidade, mexem no ovário sem necessidade. Ou seja, o caminho é parar e esperar. O que muda a conduta é o prazo. Três meses seguidos sem menstruar depois de encerrado o uso deixa de ser espera e vira investigação com ginecologista, com beta HCG, prolactina, TSH, FSH, LH e estradiol. É simples, e é isso que responde a pergunta de verdade, em vez de um protocolo caseiro. Espero que a dor não tenha voltado e que a sua cidade tenha ganhado médico nesses anos todos. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  13. Bruna, o tópico é antigo e você não voltou, mas ele continua sendo lido por quem pesquisa essa combinação, e tem três coisas aqui que precisam de correção. Uma delas é a premissa em que boa parte dos conselhos se apoiou. Foi dito que mulher não tem eixo HPT e que, por isso, não precisa fazer ciclos, podendo usar doses baixas de forma contínua por doze meses. Isso não procede. Mulher tem o mesmo eixo, hipotálamo, hipófise e gônada, só que a gônada é o ovário em vez do testículo. O hipotálamo libera GnRH, a hipófise libera LH e FSH, e são eles que comandam o ovário a produzir estrogênio e progesterona no ritmo do ciclo menstrual. Androgênio de fora suprime esse eixo exatamente como faz no homem. E existe uma prova disso que qualquer pessoa pode ver percorrendo os relatos femininos deste fórum: menstruação que atrasa ou some durante o uso. Não é coincidência nem coisa da cabeça de ninguém, é o eixo suprimido se manifestando. A diferença real entre homem e mulher aqui não é a existência do eixo, é o que se teme mais: no homem, o limite do tempo de uso é definido pela recuperação da produção própria de testosterona. Na mulher, o limite é definido pela virilização, que é dose e tempo dependente e, na parte que interessa, irreversível. Voz, clitóris e pelo no rosto não voltam atrás. Ou seja, a conclusão prática de que se pode usar continuamente por não haver eixo está errada nos dois passos: o eixo existe, e o motivo para limitar o tempo em mulher é ainda mais definitivo do que no homem. Doze meses ininterruptos de androgênio, aos dezenove anos, é muito mais tempo do que qualquer relato de segurança sustenta. Segundo ponto, e esse é o que mais me preocupa no tópico. Sugeriram gestrinona para você como contraceptivo que ainda por cima gera massa muscular. Preciso ser bem claro: gestrinona não é método contraceptivo. Ela é um derivado com forte atividade androgênica cujo uso registrado é no tratamento de endometriose, e o uso estético dela, principalmente na forma de implante, é justamente o que virou alvo de restrição das autoridades médicas depois, por virilização e por falta de comprovação. Confiar nela para não engravidar seria contar com uma proteção que não existe, e isso vale duplamente para quem está usando androgênio, porque é a situação em que uma gravidez não descoberta a tempo causa o dano que não se desfaz. Se você precisa de contracepção sem hormônio, o caminho é DIU de cobre, que tem falha abaixo de uma em cem por ano e nenhum hormônio envolvido. Terceiro, e isso é sobre a sua saúde e não sobre ciclo. Você contou que a cólica é tão forte que você não consegue sair da cama, e que por isso toma o anticoncepcional de forma contínua, com pausa a cada três meses, porque sem ele piora progressivamente. Ninguém aqui te perguntou o principal: você já investigou essa cólica com um ginecologista? Cólica incapacitante, que exige emendar cartelas para ser suportável e que piora quando o hormônio é retirado, é a apresentação clássica de endometriose. Não estou dizendo que você tem, estou dizendo que esse quadro merece investigação em vez de contorno. Isso importa por dois motivos bem concretos. O primeiro é que endometriose tem tratamento, e quanto mais cedo diagnosticada, melhor, inclusive para fertilidade futura, e você tem dezenove anos. O segundo é que a média de tempo entre o começo dos sintomas e o diagnóstico é de anos, justamente porque a menina vai sendo orientada a tomar anticoncepcional e seguir a vida. Vale marcar uma consulta e usar essas palavras: cólica que me impede de levantar da cama, que melhora só com uso contínuo, e que piora a cada mês quando eu paro. Por último, uma coisinha pequena que você comentou de passagem. Você escreveu que gostou dos resultados da creatina mas que não dá para tomar por muito tempo. Dá, sim. A creatina é o suplemento mais estudado que existe, tem décadas de uso contínuo documentado em pessoas saudáveis sem dano renal ou hepático, e não precisa de pausa nem de ciclo. Aliás, ela funciona por saturação, então parar e recomeçar é justamente o que reduz o efeito. Três a cinco gramas por dia, todo dia, inclusive nos dias sem treino. É de longe a coisa mais barata e mais segura da sua lista, e você estava usando errado por acreditar num mito. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  14. Sobre a lasanha, respondendo rápido para tirar isso do caminho: um pedaço de lasanha tem umas seiscentas a oitocentas calorias. Numa semana inteira, isso é algo entre cinco e sete por cento do que você come. Nenhum ciclo é destruído por cinco por cento. O que costuma destruir projeto não é a lasanha, é a pessoa concluir que estragou tudo e passar os três dias seguintes comendo por desânimo. Você voltou à dieta no dia seguinte, então o assunto está encerrado. Agora, o impasse de verdade deste tópico, que é o anticoncepcional, e onde eu acho que faltou uma saída. Você disse que não pode parar em hipótese alguma porque já tem dois filhos. Está certa em não abrir mão disso, e mais ainda do que você imagina: justamente porque está usando androgênio, uma gravidez não planejada agora seria o pior cenário possível, já que androgênio nas primeiras semanas, quando muita mulher ainda nem sabe que está grávida, viriliza feto feminino de forma irreversível. Ou seja, a sua preocupação e a preocupação do pessoal aqui apontam para o mesmo lugar, e não são contraditórias. Só que a alternativa que apareceu no tópico foi coito interrompido, e aí eu preciso ser bem direto, porque isso é o que me trouxe a escrever. Coito interrompido tem, em uso real, algo em torno de vinte gestações a cada cem mulheres por ano. Funcionar por quinze anos para uma pessoa não muda a estatística, apenas mostra que essa pessoa esteve do lado bom dela. É o método menos confiável que existe entre os que se costuma chamar de método, e recomendá-lo para quem não pode engravidar de jeito nenhum, ainda por cima usando androgênio, é uma troca ruim. A saída que resolve as duas coisas ao mesmo tempo já foi citada aqui pela VNS e merecia mais destaque: DIU de cobre. Ele não tem hormônio nenhum, então não entra no conflito com a oxandrolona nem no assunto trombose, e a falha dele é menor que uma em cem por ano, ou seja, mais confiável que a pílula. Muitos planos cobrem, e o SUS coloca. Enquanto ele não estiver colocado, camisinha. Assim você não fica um dia sequer descoberta, e não precisa escolher entre a sua segurança e o seu projeto. Sobre o risco de somar pílula combinada com oxandrolona, ele existe e é razoável, mas vale ter a dimensão certa. Pílula combinada aumenta o risco de trombose por si só, e a oxandrolona, por ser oral e passar modificada pelo fígado, mexe nos fatores de coagulação e derruba bastante o HDL. Somar os dois empurra na mesma direção. Isso é motivo suficiente para trocar de método, mas não precisa te assustar a ponto de parar tudo hoje sem alternativa pronta, que é o pior desfecho possível. Resolve na ordem certa: marca a colocação do DIU, e a partir daí para a pílula. Uma observação sobre o material que te postaram sobre o anticoncepcional. O texto colado descreve acetato de ciproterona, que é o progestágeno do Diane. Não é necessariamente o que tem no seu, cada marca usa um progestágeno diferente e o perfil de risco varia entre eles. Vale abrir a bula do seu e ver o que está escrito ali, em vez de assumir. É informação de trinta segundos e evita conclusão errada. E, por fim, o ponto que eu considero o mais arriscado de tudo, mais até que a dose. Você não sabe o que tem dentro do frasco de primobolan. Ele veio dos Estados Unidos por um amigo, e mais de uma pessoa aqui levantou que pode ser testosterona. Repare no que isso significa na prática: você está aplicando meio mililitro duas vezes por semana, ou seja, dosando por volume de um líquido cujo conteúdo é desconhecido. Se for primobolan de verdade, é dos androgênios mais brandos para mulher. Se for testosterona a cem miligramas por semana, é dose masculina de reposição, e o efeito em mulher é bem diferente. Como você não tem como saber pelo rótulo, a única forma de descobrir é pelo corpo, e por isso vale checar uma vez por semana, sempre no mesmo dia, quatro coisas: voz, clitóris, pelo no rosto e acne súbita. A voz é a mais importante, porque é a que não volta atrás e a que a gente é a última a perceber em si mesma. Uma dica prática: grave trinta segundos de áudio no celular hoje, lendo qualquer texto, e repita toda semana. Comparar gravação com gravação é muito mais confiável do que confiar na sua impressão do dia. Se aparecer rouquidão persistente, engrossamento, ou crescimento de clitóris, isso é motivo para parar imediatamente e procurar médico, e não para reduzir a dose e observar. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  15. Aline, tem uma pergunta que eu preciso te fazer antes de qualquer outra coisa, porque ela é a única aqui com potencial de causar dano irreversível: você chegou a colocar o DIU de cobre? Explico o porquê da urgência. Você parou o Tamisa por orientação daqui, e o DIU ficou como plano para depois. Nesse intervalo, você fica sem contracepção nenhuma. E o seu caso tem duas coisas que aceleram isso: você parou de amamentar, e a amamentação era o único freio parcial que existia, e a fertilidade após interromper pílula costuma voltar rápido, às vezes já no primeiro ciclo. Ou seja, existe uma janela real aí. Isso importa porque você tem cem cápsulas de oxandrolona guardadas e ansiedade declarada para começar. Androgênio durante uma gravidez, principalmente nas primeiras semanas, quando a mulher muitas vezes ainda nem sabe que está grávida, viriliza feto feminino, e isso não tem como voltar atrás. É por essa razão, e não por moralismo, que a regra prática é simples: contracepção confirmada e funcionando primeiro, cápsula depois. Se o DIU ainda não foi colocado, a resposta sobre quando começar o ciclo é: quando ele estiver colocado. E, enquanto isso, camisinha, que resolve o intervalo. Dito isso, a parte boa, e ela é grande. Você teve o resultado mais comentado deste tópico sem ter tomado uma cápsula sequer. As pessoas vieram elogiar achando que era ciclo, e não era. Isso é uma informação valiosa sobre o seu corpo, e vale registrar antes que ela se perca: você respondeu muito bem só a comida e treino, o que significa que ainda tem muita margem gratuita pela frente. Substância rende quando o método simples parou de entregar. No seu caso ele mal começou. E olha o contexto em que você fez isso: sete meses de puerpério, voltando a trabalhar dez horas, semana de provas na faculdade, e uma separação com disputa de guarda e sem casa. Perder quase três quilos e mudar a foto desse jeito, nessas condições, é bem mais impressionante do que qualquer resultado obtido com a vida tranquila. Não deixe ninguém, nem você mesma, medir isso por atraso de cinco dias em postar foto. Agora duas coisas práticas do seu caso que ninguém levantou e que valem mais que ajuste de dieta. A primeira é a parede abdominal. Você teve um bebê há sete meses e ganhou vinte e sete quilos na gestação, que é bastante. Isso torna provável algum grau de diástase, que é o afastamento dos músculos retos do abdômen. Vale checar, e o teste é simples: deitada de costas, joelhos dobrados, levante um pouco a cabeça e apalpe a linha do meio da barriga, do umbigo para cima e para baixo, sentindo se existe um vão entre as duas faixas de músculo, e quantos dedos cabem. Se houver, isso muda o treino: abdominal comum, prancha longa e exercício que faz a barriga estufar para fora pioram, e o que resolve é trabalho de transverso e respiração, de preferência com fisioterapeuta pélvica. Importa também para a estética, porque diástase deixa a barriga com aspecto de saliência mesmo em quem já secou, e aí a pessoa acha que é gordura e aperta a dieta à toa. A segunda é sangue. Parto, sete meses de amamentação e agora um déficit calórico é a combinação clássica para ferro baixo, e ferro baixo dá exatamente cansaço, falta de ar no aeróbico e queda de cabelo, que é o que costuma ser confundido com falta de disciplina. Um hemograma com ferritina, mais vitamina D, custa pouco e é o tipo de coisa que, se estiver alterada, corrigir rende mais que qualquer cápsula. E, se você for mesmo colocar DIU de cobre, esse dado é ainda mais útil, porque o de cobre tende a aumentar o fluxo menstrual e, em quem já está com ferro no limite, isso pesa. Não é motivo para não colocar, é motivo para saber antes e repor se precisar. Torcendo para que a parte da separação se resolva logo. Você está segurando muita coisa ao mesmo tempo e ainda assim entregando. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  16. Ju, tem uma linha na sua atualização de dezenove de novembro que passou em branco no meio da discussão, e ela é a mais importante do tópico inteiro. Você respondeu, no campo OUTROS, que estava sem menstruar havia dez dias. Ninguém comentou, e a conversa seguiu para dieta e fotos. Isso merece atenção, e vou explicar por quê sem dramatizar. Menstruação atrasando ou sumindo em quem usa androgênio é um sinal de que o eixo hormonal está sendo suprimido. E o que isso significa na prática é que o estrogênio cai. Estrogênio, além de tudo o mais, é o principal hormônio que segura cálcio no osso da mulher. Passar um período sem menstruar não é só uma questão de fertilidade ou de conveniência, é um período em que o osso está perdendo mais do que ganhando. E agora junte as outras peças do seu caso, porque elas empilham no mesmo ponto. Você tem dezenove anos. Essa é justamente a fase em que se constrói o pico de massa óssea da vida inteira, e o que não se constrói nessa janela não se recupera depois. Você tem doença celíaca. Mesmo tratada e sem sintomas, ela é uma das causas clássicas de baixa densidade óssea, porque o intestino que ficou danificado antes do diagnóstico é exatamente o trecho que absorve cálcio, vitamina D e ferro. Isso é tão conhecido que existe recomendação formal de rastrear densidade óssea em celíaco. E você pesa quarenta e cinco quilos com um metro e cinquenta e dois, treinando cinco vezes por semana e fazendo aulas práticas de faculdade de educação física em cima disso. Nenhum desses três itens isolado seria alarme. Os três juntos, mais a menstruação sumindo, são exatamente o cenário que vale investigar. O que eu faria, e é barato: contar isso a um médico, pedir vitamina D, cálcio, ferritina e vitamina B12, que são os quatro que costumam faltar em celíaco, e perguntar sobre densitometria óssea. E, principalmente, avisar se a menstruação continuar ausente. Um mês pode ser variação. Três meses seguidos sem menstruar tem nome e tem investigação própria. Agora um segundo ponto, e esse é meio irônico, porque você mesma brincou com ele e ninguém pegou. Quando falaram que a oxandrolona manipulada podia ser farinha, você respondeu que farinha de trigo não era, senão já teria morrido. Só que essa piada tem um fundo sério que vale levar em conta: cápsula manipulada e comprimido de procedência incerta usam excipiente, e amido de trigo é um excipiente comum em farmácia e indústria. Para a maioria das pessoas isso é irrelevante. Para celíaco, não é. E você acabou usando material de três origens diferentes ao longo do tópico, uma delas um comprimido solto que um amigo te deu. Vale checar o excipiente do que estiver tomando, e se não for possível saber, esse é mais um motivo concreto, e específico seu, para preferir produto com bula legível a manipulado sem rótulo. Duas coisas menores, para fechar. Sobre os três quilos que sumiram em cinco dias quando você cortou carboidrato, e que te desesperaram: era água. Cada grama de glicogênio guardado no músculo carrega cerca de três de água junto, então cortar carboidrato esvazia esse estoque e a balança despenca sem que nada de real tenha acontecido. Ao voltar a comer, a água volta. Nada foi perdido nem ganho ali, e você não fez besteira nenhuma. E sobre a bronca de indisciplina que você levou. Sinceramente, olhando os seus registros, você atualizou nas datas, respondeu tudo que pediram, entregou noventa a cem por cento da dieta, e nos três dias que falhou você estava doente de virose. Isso não é indisciplina. A parte que eu mudaria não é a sua disciplina, é a pressa: você tirou conclusão de resultado com cinco dias e com onze dias de uso, e nenhuma substância responde nesse prazo. Vale trocar a régua diária pela mensal, que é o intervalo em que o corpo responde de verdade. E, se a menstruação não tiver voltado, essa é a primeira coisa a resolver, antes de qualquer ajuste de dieta ou de dose. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  17. Vanessa, antes de qualquer coisa: espero que a sua mãe esteja bem. Você avisou aqui que estava com ela internada, e mesmo assim continuou entregando oitenta por cento da dieta. Isso é bem mais difícil do que parece escrito. E tem uma coisa que você escreveu que eu não consigo deixar passar. Você disse que não teve nada significativo e que desanimou. Olhe os números do próprio tópico: sessenta e nove vírgula cinco para sessenta e quatro. São cinco quilos e meio em cerca de três meses, aos quarenta e quatro anos, com duas infecções no meio que te tiraram da academia, e com a roupa folgando e as pessoas comentando. Isso não é nada significativo, é praticamente o teto do que se considera uma boa velocidade de perda. Você está julgando um bom resultado com régua de milagre. Agora a parte técnica, que é o motivo principal deste post, porque envolve algo específico do seu caso que eu não vi ninguém comentar. Você tirou a tireoide aos dezessete anos e faz reposição com levotiroxina há vinte e sete. O seu TSH está em zero vírgula zero dois três, ou seja, suprimido. Você explicou que o seu endocrinologista considera isso adequado para o seu caso, e provavelmente está certo, porque em algumas situações a supressão é justamente o objetivo do tratamento. Mas ela tem uma consequência prática: com o TSH nesse nível, o seu corpo funciona um pouco do lado acelerado, mesmo você se sentindo bem. E isso muda o cálculo de tudo que estimula. Repare no que foi se somando na sua rotina ao longo do tópico: ioimbina chegando a dez e depois quinze miligramas por dia, chá verde durante o treino, chá de hibisco em várias refeições, café em quase todas, um termogênico antes disso, jejum prolongado e aeróbico diário além da musculação. Cada um isolado é pequeno. Juntos, e em cima de um TSH suprimido, é bastante carga sobre coração e pressão. Ioimbina em particular sobe pressão e frequência cardíaca, e é exatamente o efeito que menos combina com quem já está no lado acelerado do metabolismo. Não estou dizendo para parar tudo. Estou dizendo para transformar isso em informação, que é barato: meça a sua pressão e a sua frequência cardíaca em repouso, umas duas ou três vezes por semana, em horários diferentes, e anote. Se aparecer coração acelerado em repouso, batimento irregular, tremor, insônia ou aquela sensação de estar ligada demais, é sinal de tirar a ioimbina antes de tirar qualquer outra coisa. E vale contar ao seu endocrinologista o que você está usando. Ele acompanha a sua tireoide há décadas e essa informação muda o que ele procura na consulta. Segundo ponto, e esse é bem prático. Em que horário você toma a levotiroxina? Ela é um dos remédios mais sensíveis a interferência de absorção que existe. O ideal é tomá-la em jejum, com água, e esperar de trinta a sessenta minutos antes de qualquer outra coisa, incluindo café. Café sozinho já reduz bastante a absorção, e a sua rotina nova começa às seis da manhã com água com vinagre, cápsula de ômega três e, logo depois, café e chá. Se a levotiroxina estiver caindo no meio desse pacote, você pode estar absorvendo menos do que a receita diz, sem que ninguém perceba, porque o efeito disso é lento e silencioso. Ajustar o horário não custa nada e pode explicar cansaço ou resposta abaixo do esperado. Terceiro, uma coisa para conversar com o seu médico na próxima consulta e que ninguém aqui teria como saber sem juntar as peças. Você tem três fatores de risco para perda de massa óssea acontecendo ao mesmo tempo: TSH suprimido por muitos anos, histerectomia com quarenta e poucos anos, que costuma antecipar a queda da função dos ovários mesmo com eles preservados, e agora um período longo de restrição calórica com jejum. Nenhum deles isolado é motivo de alarme, mas os três juntos são exatamente o motivo pelo qual vale pedir uma densitometria óssea e checar vitamina D e cálcio. É um exame simples, e nessa faixa de idade é o tipo de coisa que a gente quer descobrir cedo, não tarde. Sobre a oxandrolona que abriu o tópico, concordo com quem te disse para deixar para depois, e por um motivo além dos que já foram ditos: você está perdendo peso bem sem ela, e não faz sentido gastar a carta e assumir os riscos enquanto o método simples ainda está funcionando. Substância se usa quando o que é gratuito parou de entregar, e não é o seu caso. E o Locemar te deu, lá atrás, o melhor conselho técnico deste tópico, sobre descanso de pernas. Vale reler. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  18. Deni, você fez uma pergunta na sua última atualização que ficou sem resposta: se alguém relata sintoma psíquico. Vou responder, e no caminho tem uma coisa que acho que ninguém aqui juntou. Você relatou dor de cabeça discreta à noite e alguns esquecimentos. Dor de cabeça é relatada com androgênio, e o motivo mais comum é elevação de pressão arterial, que costuma dar exatamente essa cara: dor no fim do dia, discreta, que some dormindo. Isso é fácil de checar e vale muito a pena, porque é o tipo de coisa que a gente só descobre medindo. Qualquer farmácia mede de graça. Se a pressão estiver subindo, você fica sabendo agora e não daqui a um ano. Mas tem um segundo suspeito que passou batido no tópico, e ele não é a oxandrolona. Você escreveu que usa minoxidil todos os dias há mais de três meses. Minoxidil, antes de virar loção para cabelo, era um remédio para pressão alta, e é vasodilatador. Parte dele é absorvida pela pele, e os efeitos mais relatados por quem usa continuamente e absorve mais são justamente dor de cabeça, coração acelerado, e retenção de líquido com inchaço. Repare que isso encaixa em duas coisas suas ao mesmo tempo: a dor de cabeça, e o ganho de três quilos em cinco semanas numa mulher de cinquenta e sete quilos que queria justamente definir. Sobre esses três quilos, aliás, vale ler o que eles provavelmente são. Você mesma escreveu que a força quase não mudou, e que só o superior rendeu um pouco mais. Três quilos de músculo em cinco semanas não acontece em mulher nenhuma, nem com oxandrolona, e músculo novo aparece como carga subindo. Sem força subindo, o que restou foi água e glicogênio, mais o que quer que a dieta tenha somado. Isso não é ruim e não é fracasso, é só uma leitura honesta do número, e é importante porque o seu objetivo declarado era diminuir a celulite, e peso extra de água costuma ir na direção contrária da aparência que você quer. E aqui vai a parte que ninguém te disse com todas as letras: a celulite não responde a esteroide. Ela existe porque a gordura subcutânea feminina é organizada em compartimentos separados por septos que puxam a pele para baixo, e essa arquitetura é anatômica. Não existe substância que desfaça isso, e a própria VNS te contou que, na experiência dela, a celulite piorou durante o uso. O que melhora aparência de celulite é reduzir a gordura da região e aumentar o volume do músculo debaixo dela, que estica e preenche a pele. Ou seja, exatamente o que o pessoal te orientou no treino, com posterior de coxa e glúteo. Isso funciona, é lento e não vem de cápsula. Mais uma coisa, que talvez te tire um peso das costas. Você escreveu que a sua testosterona é baixíssima, vinte e seis. Para mulher, isso é normal. A faixa feminina fica mais ou menos entre quinze e setenta nas unidades usuais, então vinte e seis está dentro, e não explica nem cansaço nem falta de resultado. Quem compara esse número com a faixa masculina se assusta à toa. Você não tem deficiência para corrigir. Por fim, duas coisas práticas para fechar bem esse projeto. Como a oxandrolona é do tipo que passa modificada pelo fígado, vale fazer TGO, TGP, GGT e um perfil lipídico completo ao terminar as cápsulas, porque ela costuma derrubar bastante o HDL, e essa é a alteração que mais aparece e a que mais some sozinha depois. E, ao terminar, mantenha a dieta e o treino iguais por pelo menos um mês antes de julgar o que ficou: parte do que sumir nas duas primeiras semanas vai ser a água, não o resultado. Você conduziu isso com bastante cuidado, checou os sinais um por um e não aumentou a dose por ansiedade, que é o que quase todo mundo faz. Isso conta. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  19. Mullm, relato bem feito, com exames antes e depois e sem enfeitar nada. Vou pegar três pontos da parte final, que é onde acho que ainda tem coisa a dizer. Comece pelo momento em que o sangue foi colhido. Você fez o exame no dia vinte e um de dezembro, ou seja, praticamente colado no fim de um projeto de quatorze semanas que teve testosterona em dose cheia e trembolona. Esse é o pior momento possível para tirar conclusão sobre o seu perfil lipídico basal, e principalmente para concluir predisposição genética. Androgênios injetáveis derrubam HDL e sobem LDL enquanto estão no corpo, e a trembolona é das piores nesse quesito justamente por não aromatizar, já que parte da proteção do HDL depende do estrogênio que a testosterona gera. Somando isso a um período de restrição calórica, que também mexe no perfil, o número que você viu descreve o estado do seu corpo naquela semana, não a sua genética. O que responde essa pergunta de verdade é repetir o perfil lipídico oito a doze semanas depois de encerrada a TPC, sem nada em circulação. Aí sim, se continuar alterado, é seu. Se voltar ao que era, foi o ciclo. Vale a pena esperar por esse dado antes de tratar qualquer coisa, porque é ele que decide se existe problema para resolver. Repare que em dois mil e dezoito, sem esteroide nenhum, bastou você voltar a levar comida de casa e o número normalizou. Isso é bem mais compatível com colesterol que responde a contexto do que com predisposição familiar, ainda mais tendo você mesmo dito que não tem casos na família. Segundo ponto, sobre a fórmula que o Kratos te passou de coração aberto. A Joaninha fez exatamente a pergunta certa, e a resposta dela derruba a conclusão. Ele mesmo contou que, no período em que tomou a fórmula, estava sem esteroide, tinha acabado de voltar a treinar depois de um tempo parado, saindo de uma fase de desânimo, e começou junto uma dieta orientada por nutróloga e o 5-HTP. Ou seja, mudou tudo ao mesmo tempo. HDL saindo de trinta e cinco para cinquenta é a assinatura clássica de quem voltou a treinar e a comer direito, e é o efeito mais bem documentado do exercício sobre lipídio. Alcachofra, levedo e carnitina podem ter contribuído em alguma medida, mas atribuir a eles um resultado obtido junto com retomada de treino e mudança de dieta é dar crédito ao passageiro pelo trabalho do motorista. Não custa quase nada tentar, e o Kratos agiu com generosidade ao compartilhar, mas eu não contaria com esse efeito, e principalmente não usaria isso como substituto de repetir o exame limpo. Terceiro, o cortisol, e aqui a sua própria dúvida estava certa. Você perguntou se aquela manhã podia ter influenciado. Podia, e muito. Cortisol é o exame de rotina mais sensível a estresse agudo que existe, porque ele é literalmente o hormônio que sobe em resposta ao estresse do momento. Você andou entre duas clínicas, discutiu por causa de receita, procurou médico em recesso, ficou horas em jejum além do previsto e voltou. Um valor colhido nessas condições não descreve o seu cortisol de rotina, descreve a sua manhã. Colher de novo, entre sete e oito da manhã, com jejum normal, sem correria e sentado uns vinte minutos antes da coleta, custa o mesmo e vale muito mais. Se vier normal, você economiza o 5-HTP e economiza a preocupação. E agora a parte que eu ficaria mais atento, porque é a única coisa neste tópico com potencial de te fazer mal de verdade. Você comentou que está pensando em comprar cardarine, por volta de duzentos e oitenta reais, para melhorar o perfil lipídico. Vale saber por que essa substância nunca chegou ao mercado. Ela foi desenvolvida por uma farmacêutica grande justamente com essa finalidade, mexer em lipídio, e o desenvolvimento foi interrompido nos estudos de longo prazo em animais porque apareceram tumores em vários órgãos diferentes, em doses que não eram absurdas, e em ambos os sexos. Não é uma substância que foi barrada por burocracia ou por falta de interesse comercial, foi barrada por isso. Repare no que ficaria em jogo: você trocaria um número de exame que provavelmente vai melhorar sozinho nas próximas semanas por um risco desse tipo. Não vale, e é o tipo de conta que fica óbvia depois e passa despercebida na hora. O resto do que você já está fazendo é exatamente o que funciona para lipídio: cardio regular, ômega três, gordura de boa origem, peso controlado e tempo sem androgênio. Isso não é pouco, é a lista inteira. Só faltava o tempo, e agora você tem. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  20. Cih, você fez uma pergunta neste tópico que ficou sem resposta, e ela é a mais importante de tudo que está aqui: o que fazer para controlar o monstro que mora em você. Vou responder, porque tem resposta e ela não é força de vontade. Antes disso, duas contas. A primeira é a da balança, e ela muda completamente o tamanho do que aconteceu. Você estava com sessenta e dois vírgula três, foi a sessenta e quatro, e voltou a sessenta e três vírgula seis em poucos dias, e chamou isso de estrago. Faça o cálculo: para colocar um quilo e sete de gordura seriam necessárias mais de doze mil calorias além do que você gasta, em dois dias. Isso não existe, nem comendo fast food nas três refeições. O que subiu foi água, e por três motivos somados: o sódio da comida de rua, o carboidrato voltando e enchendo o glicogênio, que carrega água junto, e a retenção da fase pré menstrual, que sozinha coloca um a dois quilos em muita mulher. Prova disso é que já tinha caído quase meio quilo dois dias depois, sem você fazer nada de especial. Em termos de gordura, o fim de semana custou perto de nada. A segunda conta é a do projeto inteiro. Sessenta e seis vírgula quatro para sessenta e quatro vírgula um, com medidas caindo e roupa folgando, num período em que você fez uma cirurgia, ficou parada, e enterrou alguém que amava. Isso é um bom resultado, e ele não deixou de ser bom por causa de dois dias. Agora a resposta à sua pergunta. O que você chama de monstro tem nome e tem horário. Na segunda metade do ciclo, depois da ovulação, três coisas acontecem ao mesmo tempo. A progesterona sobe e faz o corpo gastar em torno de cem a duzentas calorias a mais por dia, ou seja, você fica genuinamente com mais fome, não é impressão. A serotonina cai, e queda de serotonina puxa desejo específico por carboidrato e doce, porque o carboidrato levanta a serotonina de volta. É por isso que a vontade não é de comer qualquer coisa, é de comer justamente aquilo. E o humor cai junto, que foi exatamente a sequência que você descreveu: humor péssimo primeiro, comida depois, menstruação três dias mais tarde explicando tudo. Repare no que isso significa. Você não estava sem disciplina. Você estava numa dieta de restrição forte, com jejum, cafeína e ioimbina segurando o apetite, e caiu na fase do mês em que o corpo pede mais comida e a cabeça pede mais açúcar, na semana em que perdeu uma pessoa querida. Qualquer um quebra ali. E o mais importante: como você tomou anticoncepcional por muitos anos e parou há dois, você nunca precisou lidar com isso antes. Está aprendendo um ciclo que sempre esteve desligado. O que funciona na prática, e não é teoria: Marque no celular o dia em que a menstruação desce, todo mês. Em dois ou três meses você vai saber prever a semana difícil com antecedência, e prever muda tudo, porque deixa de ser uma emboscada. Nessa semana, planeje comer mais, de propósito. Umas cento e cinquenta a duzentas calorias a mais por dia, de preferência em carboidrato, distribuídas nas refeições. Isso não atrapalha o projeto, e tira o corpo do ponto em que ele grita. Restrição máxima justamente na semana de maior fome é o desenho que garante o descontrole. Tenha decidido antes qual vai ser a comida gostosa dessa semana. Um doce planejado dentro da conta, todo dia, na fase lútea, custa muito menos que três refeições de fast food não planejadas. O que dispara a compulsão quase nunca é o doce, é o doce ser proibido. E não se pese na semana pré menstrual. O número vai estar alto por água e vai te desanimar por um motivo falso, e desânimo é o que abre a porta para o resto. Pese na semana seguinte à menstruação, sempre no mesmo ponto do ciclo, e compare mês com mês, não dia com dia. Uma última coisa, que é técnica e ninguém ligou os pontos. Você relatou uma enxaqueca que apareceu do nada, duas horas depois do treino de pernas, e concluiu que talvez fosse TPM. Pode ser, mas olhe o que estava entrando no seu corpo naquele dia: cafeína em duas ou três refeições, cinco miligramas de ioimbina em duas delas, garcinia, pholia negra, e clembuterol em ciclos de quinze dias. É bastante estímulo adrenérgico somado. A ioimbina em particular sobe pressão e frequência cardíaca e tem dor de cabeça entre os efeitos mais relatados, e treino pesado de perna sobe pressão de novo por cima disso. Se a enxaqueca voltar, vale testar tirar a ioimbina por duas semanas e ver o que acontece, e vale medir a pressão em algum dia de treino, por curiosidade. É informação barata de obter. Sinto muito pela sua perda. Você levou o projeto adiante mesmo assim, e continuou postando quando teria sido mais fácil sumir. Isso conta mais do que dois dias de comida. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  21. Thayfit, você fez a coisa certa ao parar e ao vir contar aqui que deu errado. A maioria some. Mas eu leio esse desfecho de um jeito diferente do que ficou registrado no tópico, e acho importante você saber por quê, porque a leitura que ficou pode te fazer ignorar um problema real no joelho. Você aplicou duas vezes, meio mililitro cada, em quatro dias. Isso dá algo em torno de dez miligramas de stanozolol no total. A história de que o stano resseca a articulação é conhecida, e existe gente que sente isso de verdade, mas esse efeito depende de semanas de uso continuado alterando o ambiente da articulação. Não existe mecanismo que faça dez miligramas, em quatro dias, estalar e doer os dois joelhos de alguém que nunca teve queixa. O tempo não fecha. E isso importa muito, porque significa que a causa pode continuar aí depois que a substância sair. Olhando o que você descreveu do seu treino, existem candidatos bem plausíveis. Você escreveu que não segue ficha, que treina quase tudo até a falha ou perto dela, que usa carga máxima no leg press, e que faz extensora até a falha com isometria de trinta segundos na parede logo em seguida. Extensora pesada e agachamento até a falha são justamente os dois que mais carregam a articulação do joelho, e a patinação de oito quilômetros entra em cima disso. Dor bilateral que aparece do nada, com estalo, em quem treina assim, costuma ser sobrecarga do tendão patelar ou irritação femoropatelar. Ou seja: se em duas semanas passar e você voltar exatamente ao mesmo treino, tem boa chance de voltar. O que eu faria é aproveitar que você já vai procurar médico e mencionar o joelho, com essa mesma descrição. E, na volta, tirar a isometria logo depois da extensora até a falha, deixar a falha para um ou dois exercícios por sessão em vez de quase todos, e observar se some. Sobre o profenid injetável do seu namorado, uma observação prática e sem sermão: anti-inflamatório injetável de outra pessoa é justamente o tipo de coisa que mascara dor de articulação e deixa você treinar por cima de algo que precisaria descansar. Se doer, um anti-inflamatório comum por poucos dias e gelo resolvem o mesmo, e você fica sabendo quando a dor realmente passou. Agora, três coisas que ficaram sem resposta no tópico e que valem mais para você do que a discussão sobre qual substância usar. A primeira é a pergunta que você fez logo no começo e ninguém respondeu: como colocar mais gordura boa na dieta. Repare que a sua lista não tem gordura em lugar nenhum além da pasta de amendoim e da gema dos ovos. Para uma mulher de cinquenta e dois quilos, uma faixa razoável fica em torno de quarenta e cinco a cinquenta e cinco gramas por dia. Dá para chegar lá sem esforço com uma colher de azeite no almoço e outra no jantar, meio abacate, um punhado de castanha do Pará ou amêndoa, e sardinha em lata uma ou duas vezes na semana. Gordura alimentar é matéria-prima dos seus hormônios, e cortá-la é um dos motivos silenciosos de treino que não rende. Isso vale mais para o seu objetivo do que qualquer ampola. A segunda é o seu plano de procurar endocrinologista para receitar oxandrolona, e aqui preciso ser honesto para não te decepcionar depois. Nenhum endocrinologista vai prescrever oxandrolona para hipertrofia ou definição, porque essa não é uma indicação aprovada. O uso registrado dela é outro: recuperar peso em desnutrido e em grande queimado. Se você encontrar um profissional que prescreva para estética, isso não é um sinal verde, é justamente o tipo de profissional de quem eu fugiria. O seu endocrinologista atual, que já disse não duas vezes, provavelmente está certo. A terceira é a mais importante e é o motivo pelo qual eu escrevi tudo isso. Você tem dezenove anos, treina há três, e escreveu que não segue ficha nem controla repetições. Isso explica muito mais os três anos sem o resultado que você queria do que a falta de substância. Nesses três anos você provavelmente não repetiu o mesmo exercício com a mesma carga duas semanas seguidas para saber se subiu. Anotar carga e repetição e tentar melhorar um pouquinho por semana, com a comida ajustada e a gordura no lugar, ainda é o que mais muda corpo aos dezenove anos, e é o que nenhum ciclo entrega se essa parte não existir. E, já que você mencionou, cuidar da ansiedade e da depressão com acompanhamento é decisão de gente adulta, não é fraqueza. Quem tentou usar isso para te tirar sarro aqui errou feio. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  22. Leili, você mesma levantou o ponto mais importante deste tópico e ele passou meio batido. Vale voltar nele, porque é o que decide se esse projeto vai funcionar ou não. Você escreveu que quer aumentar três quilos, e escreveu depois que fez as contas dos macros novos e deu mil quatrocentos e cinco calorias. Estava certa. Cento e trinta gramas de proteína e cento e vinte de carboidrato dão mil calorias, mais quarenta e cinco de gordura dão outras quatrocentas e cinco. Mil quatrocentas e cinco, exatamente como você calculou. Agora coloque isso ao lado do que você faz por semana. São quatro treinos de musculação com volume alto, capoeira, dois cardios de trinta minutos e dois HIIT de quinze. Uma mulher de sessenta quilos, trinta e sete anos, com essa rotina, gasta bem mais que mil e quatrocentas calorias por dia. Ou seja, do jeito que está, isso é déficit, e déficit não constrói três quilos. E aqui está a parte que importa de verdade: substância nenhuma cria comida. Nandrolona e propionato não fabricam tecido do nada, eles melhoram o aproveitamento do que entra. Sem energia sobrando, o que eles têm para fazer é muito pouco, e você já viveu isso uma vez, quando descreveu que não gostou da boldenona num período em que a dieta estava, nas suas palavras, ao Deus dará. Não estou dizendo para ignorar o que te passaram. Foi apresentado como ponto de partida, e faz sentido começar conservador em quem tem histórico renal. O que eu sugiro é acompanhar isso de perto com a balança e a fita métrica, e se o peso ficar parado ou cair nas primeiras duas ou três semanas, subir carboidrato em degraus de vinte a trinta gramas por dia até o peso começar a andar para cima devagar. Peso parado num projeto de ganho é informação, não é paciência. Sobre a proteína, um detalhe que talvez te tranquilize. O seu nefrologista disse para não passar de três gramas por quilo. Cento e trinta gramas para sessenta quilos dá cerca de dois vírgula dois, ou seja, você está confortavelmente abaixo do teto que ele estabeleceu. Aquilo era um limite, não uma meta. Agora a parte que eu não vi ninguém comentar, e que é específica da substância nova da sua lista. Você já usou oxandrolona, stanozolol e boldenona. A nandrolona é diferente de todas elas num aspecto que muda o cálculo de risco para mulher: o éster. O que se vende como nandrolona por aqui é quase sempre decanoato, que é um éster muito longo. Ele permanece no corpo por volta de dois a três meses depois da última aplicação. Traduzindo para o que interessa: se aparecer engrossamento ou rouquidão de voz, crescimento de clitóris ou pelo no rosto, parar de aplicar não interrompe a exposição. Você continua sob efeito por semanas, e esses três efeitos em particular não voltam atrás. Com propionato, que é curtíssimo, você tem a opção de parar e o nível cair em poucos dias. Com decanoato, não tem. Isso não é motivo para não usar, é motivo para duas coisas práticas. Primeiro, se existir a versão em éster curto, a fenilpropionato, ela é bem mais controlável para mulher exatamente por isso. Segundo, seja qual for a escolha, vale combinar com você mesma um sinal de alerta claro desde já: voz, clitóris e pelo facial checados uma vez por semana, e qualquer alteração significa parar na hora e procurar médico, sem esperar para ver se estabiliza. E, já que você levantou o assunto do ecocardiograma e ele foi recusado por falta de queixa, um caminho que costuma render mais: em vez de pedir o exame, leve ao médico a informação de que você usa androgênios, e peça perfil lipídico e aferição de pressão. Andrógeno derruba HDL e mexe na pressão, e essas duas medidas são baratas, ninguém nega, e são justamente o que faria um cardiologista mudar de ideia sobre a necessidade de investigar mais. Boa sorte com o relato, e parabéns pela disciplina de refazer a dieta três vezes sem reclamar. Isso é raro por aqui. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  23. Vou fazer a conta que a sua pergunta pede, porque ela responde tudo sozinha. Somando o que você tem de trembolona: o frasco de acetato é de cem miligramas por mililitro em dez mililitros, ou seja, mil miligramas, e você já usou um. Restam novecentos. O de enantato tem outros mil. Dá quase dois gramas de trembolona guardados em casa. Agora a testosterona. Durateston vem em ampola de um mililitro com duzentos e cinquenta miligramas, e você tem uma. Ou seja, duzentos e cinquenta miligramas de testosterona no total, para um ciclo que você pretende levar por um ou dois meses. Isso dá o equivalente a uma única semana de dose comum. É aí que está o problema, e ele não é de opinião. O que você tem em casa só permite montar um ciclo de trembolona praticamente sem testosterona nenhuma. E essa é a combinação que produz os relatos mais desagradáveis desse meio. O motivo é o seguinte. A trembolona suprime a sua produção própria com muita força, e não aromatiza, ou seja, não gera estrogênio. Acontece que o homem precisa de um pouco de estrogênio para função erétil, libido, humor e até para as articulações, e esse estrogênio vem justamente da conversão da testosterona. Sem testosterona de base, você fica sem a sua e sem a de fora ao mesmo tempo. O resultado típico é perda completa de libido, dificuldade de ereção, ansiedade, insônia e sudorese noturna intensa, dentro de poucas semanas. Não é raro, é o esperado. Por isso a regra prática nesse meio é testosterona como base e trembolona, se houver, em quantidade menor por cima. O seu estoque permite exatamente o inverso disso. E tem um segundo problema, de tempo. Enantato de trembolona é éster longo e leva umas duas semanas para o nível subir de verdade. Num ciclo de um mês, ele começaria a agir quando você já estivesse encerrando. Ou seja, entregaria a supressão inteira e quase nada do efeito. Se o plano fosse esse, seriam necessárias no mínimo dez a doze semanas para fazer sentido, e você não tem material nem para isso com equilíbrio. Sobre o resto da lista, dois pontos. O Foston já te explicou o do anavar, e ele está certo. Acrescento que produtos vendidos como pró-hormonais, incluindo o outro que você citou, têm conteúdo incerto: alguns não têm nada, outros trazem esteroide não declarado no rótulo, o que é pior, porque você usaria algo sem saber o que é nem em que dose. E o hemogenin merece um aviso à parte: a oximetolona é o oral mais agressivo ao fígado em uso comum. Somá-la ao dianabol significa dois compostos alquilados ao mesmo tempo, o que multiplica esse risco em vez de dividir. Agora o argumento que eu acho mais importante, e que tem a ver com o que você mesmo escreveu. Você disse que está sem grana no momento. Repare no que isso significa na prática, além de não poder comprar ampola. Significa não ter dinheiro para os exames antes, no meio e depois. Não ter dinheiro para consulta se aparecer ginecomastia, pressão alta ou alteração no fígado. Não ter dinheiro para comprar rápido a medicação necessária se algo sair do lugar. E, com trembolona, a chance de precisar de alguma dessas coisas não é pequena. Fazer ciclo sem margem financeira para resolver o que der errado é o pior momento possível para fazê-lo, e essa é a razão mais concreta para deixar esse material guardado agora. Se eu tivesse que dar uma resposta objetiva à pergunta, é esta: com o que está aí, não dá para montar nada equilibrado. O que dá para fazer é guardar tudo, usar os próximos meses para comida e treino, e retomar a conversa quando houver condição de comprar testosterona suficiente para ser a base e de pagar os exames. Aí sim vale discutir protocolo. E, para o pessoal poder te ajudar de verdade, falta o básico: idade, peso, altura, há quanto tempo treina, quais ciclos já fez com dose e duração, como está a alimentação e se existe algum exame recente. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  24. Milarj, o pessoal já te disse para parar e eu concordo. Mas tem duas perguntas suas que ficaram sem resposta, e uma informação sobre a dose que eu não vi ninguém comentar. Começo por ela, porque é a mais importante. Você está tomando dez miligramas de doze em doze horas, ou seja, vinte miligramas por dia. Para mulher, a faixa que costuma ser usada fica entre cinco e dez miligramas diários. Você está no dobro do teto, sem acompanhamento e por conta própria. E o que a dose alta aumenta não é o resultado, é a chance dos efeitos que não voltam atrás: voz mais grossa ou rouca, crescimento de clitóris e pelo no rosto. Vale conferir hoje mesmo se algo disso começou, principalmente a voz, e prestar atenção também em acne súbita, oleosidade e alteração do ciclo menstrual, que são os sinais mais precoces. Se qualquer um deles apareceu, é motivo para parar imediatamente e procurar médico, e não para diminuir a dose. Agora, respondendo à sua pergunta sobre tomar só trinta minutos antes do treino. Não funciona assim, e essa dúvida mostra bem onde está o mal-entendido. A oxandrolona não é um pré-treino, ela não tem efeito agudo que você sinta na hora. Ela age entrando nas células e mudando ao longo de semanas a forma como o músculo constrói proteína. O horário da tomada, portanto, não muda nada em relação ao treino, e tomar antes de treinar não deixa o efeito mais eficiente nem reduz o inchaço. Ou seja, essa alternativa que você cogitou entrega o mesmo risco por um benefício ainda menor. E o inchaço, que é a sua queixa principal. Isso merece explicação, porque a resposta comum de que é retenção de estrogênio não se aplica aqui. A oxandrolona não se converte em estrogênio, então essa via está descartada. O que sobra, no seu caso, são duas coisas que provavelmente estão acontecendo ao mesmo tempo. A primeira é que androgênios em geral fazem o corpo reter sódio e água, e isso dá aquela sensação de estar cheia, com anéis e roupas mais apertados, sem que seja gordura. A segunda é que você voltou ao CrossFit há dois meses depois de um período parada. Retomar treino intenso enche o músculo de glicogênio, e cada grama de glicogênio carrega água junto, além da inflamação normal de quem está se readaptando. Isso, sozinho, coloca dois ou três quilos na balança nas primeiras semanas e é um bom sinal, não um problema. Ou seja, boa parte dos dois quilos que apareceram depois que você começou não é gordura nova. É água, dos dois motivos acima. E ela sai depois que a substância for interrompida. Uma observação sobre o conselho de fazer dois cardios por dia com dieta de baixa caloria. Para quem não treina, faz sentido. Para quem faz CrossFit, que já é uma modalidade de altíssima demanda, somar dois aeróbicos diários a uma restrição forte é o caminho mais rápido para lesão, para queda de rendimento e para aquele cansaço que não passa. Eu manteria o CrossFit como está, colocaria um déficit moderado em vez de agressivo, com proteína alta para não perder músculo, e deixaria o cardio extra como complemento leve, não como segunda sessão pesada. Vai parecer mais lento no papel e vai render mais no fim, porque é sustentável. Por último, uma coisa prática. Como a oxandrolona é do tipo que passa modificada pelo fígado, e você usou por conta própria em dose alta, vale fazer um exame com TGO, TGP, GGT e bilirrubinas depois de parar, junto com perfil lipídico, porque ela derruba bastante o HDL. E procurar médico antes disso se aparecer urina escura, pele ou olhos amarelados, coceira pelo corpo ou dor do lado direito da barriga. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  25. Dani, você escreveu que não tem justificativa. Tem, sim, e ela está no seu próprio relato. Você passou semanas cuidando da sua mãe internada em UTI com COVID, no meio de uma pandemia, assumindo a casa dela, sem saber se ela voltaria e sem saber se você mesma tinha se contaminado. E resumiu isso dizendo que se cuidar era a última coisa que passava pela sua cabeça. Isso não é falha de caráter, é o que acontece com todo cuidador. Estresse prolongado nesse nível bagunça o sono, o apetite e a vontade de cozinhar, e faz o corpo pedir comida de conforto, o que você descreveu com precisão ao dizer que ou não comia nada, ou comia besteira buscando conforto. Quem estuda isso chama de sobrecarga do cuidador, e ela é conhecida justamente por adoecer quem cuida. Você voltou aqui três vezes, uma delas de propósito no dia combinado só para dizer que não tinha conseguido. Muita gente teria simplesmente sumido. Agora o que eu acho que realmente falhou, e não foi você. Olhando os seus números, o peso saiu de setenta e sete vírgula seis e passou por setenta e seis vírgula oito, setenta e seis vírgula um, e voltou a setenta e sete vírgula três. Ou seja, em dois meses e meio o corpo praticamente não se moveu, mas a sua vida se moveu muito. O plano que você tinha em mãos era bom, e tinha um único ponto frágil: ele dependia inteiramente de você cozinhar. Você mesma escreveu que não tinha mais rotina para cozinhar. Quando a vida aperta, é exatamente essa peça que quebra primeiro, e aí a dieta inteira vai junto, porque não existe uma versão reduzida dela prevista. O que eu faria diferente é ter, além do plano normal, um plano de emergência escrito, para os dias em que cozinhar é impossível. Coisas que não exigem preparo nenhum: ovo cozido em lote no domingo, atum ou sardinha em lata, iogurte natural, queijo, leite, pão integral, fruta, castanhas, e uma bebida de proteína se estiver à mão. Não é a dieta ideal, e não precisa ser. Ela existe para que um dia ruim custe um dia, e não três semanas. Ter isso definido antes muda tudo, porque o problema nunca é o dia perdido, é o que vem depois dele. E tem uma segunda coisa, que aparece em todos os seus posts. Você volta pedindo desculpa, dizendo que está com vergonha, com o rabinho entre as pernas. Repare que essa vergonha vem sempre antes de um período longo sem aparecer. Não é coincidência: quanto mais o desvio parece uma falta grave, mais difícil é voltar, e mais tempo se passa até a pessoa reaparecer. Um vinho e um bolinho não desfazem nada. Três semanas fora, sim. Prestação de contas em que faltar não é dívida com ninguém tende a durar muito mais, e o que decide resultado é durar. Sobre a pergunta do título, se é o momento para a oxandrolona, respondo com o que os seus próprios registros mostram. Nos meses aqui, dieta variou entre zero e oitenta e cinco por cento e treino ficou em trinta por cento no último período, com as cargas caindo. Substância nenhuma tem em que agir nesse cenário: ela não cria estímulo de treino nem cria comida. O que ela faz é multiplicar um pouco o que já está sendo feito, e o custo dela, para mulher, é fixo e independe da adesão. Voz e clitóris não voltam atrás, e você preencheu esse checklist todo mês com sem uso, o que mostra que você já entendeu o risco melhor que a maioria. Quando dieta e treino estiverem estáveis por uns três meses seguidos, a conversa muda de figura. Antes disso, é pagar caro por pouco. E se quiser um único indicador para os próximos meses, esqueça o peso. Ele oscilou pouco mais de um quilo em dois meses e meio e não te contou nada de útil. Anote as cargas do treino. Elas caíram quando você parou e vão subir quando voltar, e são o retrato mais honesto do que está acontecendo. Espero que a sua mãe esteja bem. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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